Voto Obrigatório

Pagar impostos me dá o direito de utilizar o SUS, mas não me obriga. O mesmo vale para a educação pública, para a biblioteca pública, para os bancos do governo. E por aí vai. Mas existe no Brasil um “direito” curioso, que é o direito ao voto. Diferente dos primeiros citados, que criam uma obrigação por parte do Estado de fornecer um serviço, o “direito” ao voto cria também uma obrigação ao cidadão de se tornar eleitor. Deixa de ser um direito, torna-se uma imposição. Uma agressão à liberdade, um dos mais caros direitos civis. Um dos mais importantes institutos da civilização ocidental.

Por conta dessa intromissão do Estado em nossa liberdade, surgiu um fenômeno lamentável: o suposto “voto de protesto”. Palhaçada. Piada contada por centenas de milhares de palhaços que contribuiram à eleição de Tiririca, Popó, et caterva. Afinal de contas, “Pior que tá, não fica”, não é mesmo?

A obrigatoriedade do voto, a meu ver, busca criar certa consciência cívica na população. Besteira. Essa consciência deve ser construída sobre o respeito que a instituição eleitoral deve conquistar, através da idoneidade e alinhamento ideológico claro dos partidos políticos. Na prática, impor o voto apenas obriga a população a escolher o menos pior. Ou perder tempo indo às urnas para votar em branco e ser excluído do processo, já que esses não são incluídos na contagem, então é como se a pessoa não tivesse votado.

Infelizmente o brasileiro não se importa com seus direitos civis. Tendo comida na mesa e um futebol no fim de semana, a liberdade passa a ser apenas uma questão banal, um instituto piegas, um substantivo bonito para preencher discursos. Prova disso são os constantes projetos de censura por parte do PT: Poucos conhecem, e desses alguns apoiam. Liberdade de expressão para que? Aliás, liberdade para que? Se nenhum dos políticos te agrada, vote mesmo assim!

Já passou da hora de o Brasil amadurecer nesse sentido. A população é tratada como uma criança que não sabe fazer escolhas, por isso deve ser obrigada a certas coisas. Mas na hora de legitimar essa corja que está no poder, logo a opinião dessa criança vale muito. Não ao voto obrigatório. Palhaçada, a partir de hoje, apenas no picadeiro. Nunca nas urnas.