O elitismo velado do desarmamento civil

Como Hans-Hermann Hoppe diagnosticou em sua obra “A Produção Privada da Defesa”, e Gustave de Molinari em “A Produção da Segurança”, um dos problemas da sociedade moderna é a confusão entre segurança e justiça, que decorre do fato de que ambos os serviços foram praticamente monopolizados pelo Estado e frequentemente são fornecidos pela mesma corporação estatal. Esta confusão entre dois conceitos distintos é mais evidente quando discutimos os temas da criminalidade, da violência e da segurança pública, por exemplo as questões do desarmamento civil e da redução da maioridade penal.

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Crise na Venezuela se aprofunda: Colômbia abriga 150 mil refugiados

A Colômbia avança no seu processo de paz com as FARC. O movimento guerrilheiro e terrorista, que assolou o país por mais de 50 anos, finalmente realizou a entrega de armas sob supervisão das Nações Unidas. Após a desmobilização militar, o grupo se lançará na política com um partido regular que operará legalmente no país. Apesar da delicada situação política que a entrada de um partido de extrema-esquerda à democracia implica, o fim do conflito armado com as FARC abre ao governo colombiano a possibilidade de iniciar o processo de reassentamento e restituição de terras à população afetada e reverter, ao menos em parte, a crise migratória interna do país.

protestos na venezuela

Enquanto isso, a ditadura socialista da Venezuela continua contribuindo a aumentar a crise migratória na América Latina: o governo de Nicolás Maduro pretende enfiar goela abaixo da população uma nova constituinte que aprofundará no país a “revolução bolivariana”, que de Bolívar não tem nada além do nome. Temendo o recrudescimento do regime, o aumento da violência e da miséria, cada vez mais venezuelanos estão abandonando a Venezuela em direção aos países vizinhos.

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O cristão pode usar armas de fogo, reagir e se proteger?

Texto originalmente publicado no blog “Reação Adventista“. Para ler na página original, clique aqui

pastor-armado

Alguns cristãos acreditam que seria errado buscar a autoproteção e reagir à agressões físicas, principalmente utilizando armas de fogo. Um dos textos utilizados para se defender essa concepção passiva em relação à agressões está em Mateus 5:39-41. Nesse texto, Jesus afirma: “Mas eu lhes digo: Não resistam ao perverso. Se alguém o ferir na face direita, ofereça-lhe também a outra. E se alguém quiser processá-lo e tirar-lhe a túnica, deixe que leve também a capa. Se alguém o forçar a caminhar com ele uma milha, vá com ele duas”.

Bom, se Jesus foi literal ao dizer estas palavras, devemos considerar que elas se estendem para todo e qualquer tipo de agressão sofrida. Isso quer dizer que, embora Jesus tenha dado apenas três exemplos, devemos aplicar o pensamento a outros. Sendo assim, segue-se que: (1) Se alguém vier com um pedaço de pau, te der uma cacetada na cabeça e você não desmaiar, ofereça o outro lado da cabeça também; (2) Se alguém vier com um caco de vidro e te cegar um olho, ofereça o outro olho também; (3) Se você é uma menina e um rapaz vem te beijar à força, ofereça outro beijo; (4) Se uma pessoa do seu mesmo sexo que você quiser te beijar à força, também deixe e ofereça outro beijo; (5) Se um estuprador quiser te violentar…

Como fica claro, interpretar as palavras de Jesus como sendo literais traz implicações nefastas. E essas implicações não parecem possuir qualquer ligação com os preceitos cristãos, tampouco possuem alguma utilidade racional. Ao contrário, quando interpretamos Mateus 5:39-41, estamos dizendo que os cristãos devem assumir uma postura de covardia e desvalorização da própria vida, o que não são virtudes cristãs. O cristão, como criatura de Deus, deve zelar por sua vida, a qual não pertence a si mesmo, mas é um dom de Deus. Deve ainda cultivar a coragem em todos os sentidos, já que a própria Palavra ensina que de fora do céu ficarão os covardes (Ap. 21:8). Ser corajoso, no sentido cristão, é não permitir que o medo nos paralise e nos impeça de fazer nossas obrigações. Isso inclui, evidentemente, a obrigação de proteger nosso corpo, nossa saúde, nossa vida, bem como nossa família, nosso próximo e nossos bens (sim, os bens, já que eles também provém de Deus).

Alguém poderá argumentar aqui que os mártires entregaram seus corpos e suas vidas em nome de Cristo e que, portanto, não seria correto tomar uma atitude de proteção da própria vida. Talvez até me citem Mateus 16:25: “Pois quem quiser salvar a sua vida, a perderá, mas quem perder a vida por minha causa, a encontrará”. A argumentação não é válida. Em primeiro lugar, porque eu não estabeleci a autoproteção como princípio máximo. Há ocasiões em que o sacrifício do próprio corpo ou da própria vida será necessário a fim de alcançar um bem maior. A autoproteção vigora como princípio básico apenas enquanto não há nada mais importante que a sua própria vida em jogo. No momento em que sua vida se torna secundária em função de algo superior, o sacrifício não só é permitido como é a cosia certa a se fazer. Num caso desse, negar a sua vida torna-se egoísmo. Essa é, aliás, a argumentação que faz G. K. Chesterton (grande pensador cristão) em um trecho de “Ortodoxia”, onde pontua a diferença entre um mártir e um suicida. Em um dos parágrafos ele afirma:

“O suicídio não só constitui um pecado, ele é o pecado. E o mal extremo e absoluto; a recusa de interessar-se pela existência; a recusa de fazer um juramento de lealdade à vida. O homem que mata um homem, mata um homem. O homem que se mata, mata todos os homens; no que lhe diz respeito, ele elimina o mundo”. Na sequencia, Chesterton continua enfatizando o quão hediondo é o suicidio e então confronta o suicidio com o martírio cristão:

“Obviamente um suicida é o oposto de um mártir. Um mártir é um homem que se preocupa tanto com alguma coisa fora dele que se esquece de sua vida pessoal. Um suicida é um homem que se preocupa tão pouco com tudo o que está fora dele que ele quer ver o fim de tudo. Um quer que alguma coisa comece; o outro, que tudo acabe. Em outras palavras, o mártir é nobre, exatamente porque (embora renuncie ao mundo ou execre toda a humanidade) ele confessa esse supremo laço com a vida; coloca o coração fora de si mesmo: morre para que alguma coisa viva. O suicida é ignóbil porque não tem esse vínculo com a existência: ele é meramente um destruidor. Espiritualmente, ele destrói o universo”.

Então, não, não existe contradição entre o principio da autoproteção e o martírio cristão. O que existe são ocasiões distintas. Há ocasiões em que o martírio suplanta a autoproteção porque o que está em jogo é algo mais importante que a vida. E o que seria mais importante que a nossa própria vida? A lealdade a Deus é o maior exemplo. A vida de um filho geralmente é colocada num patamar acima da autoproteção também. E há quem nobremente coloque sua proteção em risco em prol de pessoas doentes ou em situação de perigo. A isso se chama amar ao próximo. Parafraseando Chesterton, quem age dessa maneira está morrendo para que algo viva.

Infelizmente, às vezes a autoproteção implicará a morte do agressor. Mas não se trata aqui de um caso de assassinato. O mandamento de Deus proíbe o assassinato, que seria um homicídio por motivo torpe ou vingança. Mas Deus outorga o direito de tirar a vida de outro ser humano quando esta é a única maneira de sobreviver a um ataque do mesmo. Isso é legítima defesa. Aliás, abro parênteses para ressaltar que Deus também outorga o direito de tirar vidas ao Estado, quando determinada sociedade resolve que crimes hediondos devem ser punidos com a pena capital. Há quem pense que a pena de morte é proibida pela Bíblia. O fato, no entanto, é que a Bíblia joga essa questão para o âmbito civil, a ser resolvida pela sociedade. Não há qualquer condenação da pena capital nas Escrituras. No Antigo Testamento ela era prescrita na sociedade israelita para alguns crimes. E no Novo Testamento, as poucas passagens que mencionam o assunto, deixam claro que o assunto é de âmbito civil. Em Atos 25:11, por exemplo, Paulo afirma: “Contudo, se fiz qualquer mal ou pratiquei algum crime que mereça a pena de morte, estou pronto para morrer. Mas, se não são verdadeiras as acusações que me afrontam esses homens, ninguém tem o direito de me entregar a eles. Portanto, apelo para César!”. Já em Romanos 13:3-4: “Porque os magistrados não são para temor, quando se faz o bem, e sim quando se faz o mal. Queres tu não temer a autoridade? Faze o bem e terás louvor dela, visto que a autoridade é ministro de Deus para teu bem. Entretanto, se fizeres o mal, teme; porque não é sem motivo que ela traz a espada; pois é ministro de Deus, vingador, para castigar o que pratica o mal”. Em suma, ser contra ou a favor da pena de morte não é irrelevante no tocante à vida cristã, pois não é discussão de cunho religioso, mas civil. Os argumentos, portanto, devem ser de outra natureza que não teológica.

Mas voltando ao texto de Mateus 5, é importante ressaltar que Jesus costumava a usar analogias para enfatizar suas verdades. Algumas delas recorriam à imagens absurdas para impactar as pessoas. Por exemplo, em Mateus 5:29-30 lemos: “Se o teu olho direito te leva a pecar, arranca-o e lança-o fora de ti; pois te é mais proveitoso perder um dos teus membros do que todo o teu corpo ser lançado no inferno. E, se tua mão direita te fizer pecar, corta-a e atira-a para longe de ti; pois te é melhor que um dos teus membros se perca do que todo o teu corpo seja lançado no inferno”. É evidente que esse texto não é literal, pois a automutilação é um pecado. Jesus jamais a receitaria como método para vencer outro pecado. O que Jesus faz aqui é utilizar uma hipótese absurda para enfatizar que, na verdade, só há uma alternativa: abandonar o pecado. As analogias feitas por Jesus em Mateus 5:39-41 são do mesmo tipo; não devem ser entendidas literalmente. A essência do ensinamento de Jesus é bem clara e simples: não devemos procurar vingança pessoal contra as pessoas, mesmo que elas nos causem grandes danos.

Outro texto utilizado pelos cristãos defensores da passividade se encontra em Mateus 26:52, onde Pedro recebe uma advertência de Jesus ao tentar defendê-lo dos  soldados romanos no Jardim das Oliveiras: “Guarde a espada! Pois todos os que empunham a espada, pela espada morrerão”. Esse texto, inclusive, é o preferido de cristãos que acreditam ser um pecado possuir armas de fogo. O que se deve perceber aqui é que essa assertiva de Jesus não é um mandamento geral para todas as pessoas de todas as épocas em todas as situações. Na verdade, a assertiva de Jesus é bem mais específica para o contexto do que os cristãos passivos supõem. Vamos analisar.

Em primeiro lugar, a preocupação central de Jesus não é com o fato de que Pedro está armado, nem com o uso que o mesmo faz da arma para enfrentar o soldado que prendia Cristo. A preocupação central de Jesus está no fato de que Ele possuía uma missão clara e que não poderia ser frustrada: morrer pela humanidade. Em outras palavras, ele precisava se entregar. Qualquer pessoa que, naquele momento, intentasse salvá-lo estaria se tornando literalmente um obstáculo aos planos de Deus. O contexto do da própria passagem de Mateus deixa isso claro. Nos versos que se seguem Jesus afirma: “Acaso, pensas que não posso rogar ao meu Pai, e Ele me mandaria neste momento mais de doze legiões de anjos? Como, no entanto, se cumpririam as Escrituras, segundo as quais assim deve suceder?” (Mateus 26:53-54). Aqui Jesus deixa claro que está se deixando prender porque faz parte de sua missão. Cristo está literalmente dizendo: “Não quero sua ajuda, Pedro. Eu vim exatamente para isso”.

A mesma ideia é expressa de modo mais direto no evangelho de João. Ele relata o episódio da seguinte maneira: “Mas Jesus disse a Pedro: ‘Mete a espada na bainha; não beberei, porventura, o cálice que o Pai me deu?'” (João 18:11). Ou seja, a parte central da repreensão é que Pedro estava lutando contra os planos de Deus. O problema não estava no uso da espada, mas no momento, que era inoportuno. Marcos, ao narrar a mesma cena, sequer vê a necessidade de relatar a repreensão de Jesus feita a Pedro. Limita-se a descrever: “Nisto, um dos circunstantes, sacando da espada, feriu o servo do sumo sacerdote e cortou-lhe a orelha” (Marcos 14:47). Já Lucas resume a repreensão de Cristo na seguinte frase: “Mas Jesus acudiu, dizendo: ‘Deixai, basta’. E, tocando-lhe a orelha, o curou” (Lucas 22:51). Em suma, nenhum dos textos oferece qualquer margem para que Jesus estivesse fazendo uma teologia antirreação e antiarmas. Supor isso é forçar os textos a dizerem o que eles não dizem; enfatizar nos textos o que eles não enfatizam; deixar de lado o que realmente os escritores bíblicos querem chamar a atenção no evento narrado.

Em segundo lugar, quando Cristo afirma que “todos os que empunham a espada, pela espada morrerão”, deve-se ter em mente o contexto histórico da época. Israel vivia sob domínio do Império Romano, cujo poderio militar era incrivelmente grande. Roma tinha poder para massacrar qualquer grupo de rebeldes que desejasse. Se, portanto, os discípulos iniciassem seu ministério empunhando espadas por aí, rapidamente seriam vistos por Roma como rebeldes. Principalmente se esses discípulos viessem a matar algum soldado romano. O resultado disso seria, sem dúvida alguma, um rápido extermínio por parte do Império. As palavras de Jesus estavam, na verdade, traçando uma distinção entre a missão de um soldado e a missão de missionário. A missão do soldado é lutar fisicamente e o seu fim geralmente é a morte pelas próprias armas que utiliza. A missão do missionário, entretanto, era viajar por centenas de lugares pregando o evangelho. Longe de estar condenando a missão de um soldado, Jesus estava apenas enfatizando que os discípulos não eram soldados, mas missionários. Não há como ser as duas coisas. Não por haver alguma contradição moral, mas por haver uma incompatibilidade de missões.

Se os discípulos fossem caraterizados e rotulados, desde o início, como uma organização paramilitar, não teriam sequer um momento de paz para pregar o evangelho. O império romano, historicamente, perseguiu os cristãos não de maneira initerrupta, absoluta e geral, mas sim de maneiras localizadas no tempo e no espaço. Houve períodos e lugares com forte perseguição, mas também períodos e lugares em que os cristãos gozaram de liberdade. Mas isso só se deu porque os cristãos não eram soldados. Se fossem, o império romano teria sido absolutamente implacável desde o início, em todos os lugares e o tempo todo. O resultado teria sido a morte do cristianismo logo no seu surgimento.

Ademais, se os discípulos tivessem se caracterizado como soldados, o evangelho adquiriria um caráter distorcido, não mais de uma transformação espiritual e de um volver da mente às coisas celestiais, mas sim de luta política e militar, de guerra terrena, de batalha física, de revolta, conquista e ambição. Tal distorção era, aliás, o que havia tomado conta da teologia judaica sobre o Messias. Os judeus esperavam justamente um Messias político-militar, com uma frota de soldados fieis, que comandaria a destruição dos romanos e a libertação terrena de Israel. A militarização dos discípulos só faria consolidar esta ideia, dando ao evangelho a mesma significação que “revolta civil”, “revolução” e “luta armada”. Neste sentido, deixaria de ser uma fonte de salvação espiritual para ser meramente um movimento terreno por libertação efêmera. E um movimento desses, longe de criar gerar transformação interior e de ligar os homens intimamente a Deus, geraria lutas vis e homens que se uniriam ao movimento unicamente por razões terrenas e até egoístas. Talvez aqui deva-se enfatizar que esta foi a grande diferença entre o cristianismo e o islamismo em suas origens. Enquanto o cristianismo se inicou com missionários, interessados unicamente em pregar a salvação por meio do sacríficio de Cristo Jesus, o islamismo se iniciou com soldados interessados em coisas diversas. A diferença é notável.

Em suma, Jesus não queria que Pedro ou seus demais discípulos fossem soldados, mas missionários. A expansão da Igreja necessitava disso. Cristo necessitava de homens dispostos a abnegar até mesmo seus direitos mais básicos, como o da autoproteção e o da reação, a fim de unicamente anunciar o evangelho e manter intacto o caráter do mesmo. O contexto exigia isso. E ser missionário requer essa abnegação.

De tal fato não se pode depreender que todas as pessoas devem ser missionárias. Missionário, no senso estrito da palavra, é aquele que trabalha integralmente com o evangelho. Este é totalmente guiado pela missão evangelítica. Ele não pregará onde mora; morará onde precisa pregar. Ele não pregará para onde viaja; viajará para onde precisa pregar. Se precisar trabalhar, ele trabalhará para sustentar sua missão. Não pregará onde trabalha, trabalhará onde precisa pregar. O missionário estará pronto para abnegar todos os seus direitos/desejos se for necessário. Talvez o sonho de fazer faculdade, de ser juiz, de ir à Disney, de morar na Suíça, de ser rico, de casar, de ser um jogador de futebol. Ele não é mais um homem da sociedade. Ele é um ambulante, um peregrino, um nômade de futuro incerto que se movimenta em função de sua missão. O missionário é o oposto do homem cristão da sociedade, que desempenha a missão evangelística de acordo com as raízes que fincou na sociedade.

Ambos, no entanto, são importantes. O homem cristão da sociedade precisa existir justamente porque precisa compor a sociedade. A sociedade carece de cristãos espalhados por ela, com suas raízes fincadas, com suas relações na família, na vizinhança, na escola, no trabalho e etc. Nem só de nômades se faz o cristianismo. Além do mais, são os homens da sociedade que, com seu trabalho e sua fixidez social, financiam o trabalho do missionário. Para que haja missionário em tempo integral é necessário haver o cristão da sociedade. Para que haja recursos suficientes para a missão é necessário haver o cristão da sociedade. Repare que os discípulos tornaram-se nômades, mas as igrejas que plantavam em cada região eram feitas de cristãos da sociedade. Nem todo mundo nasceu para ser missionário. Nem todo mundo nasceu para ser cristão de sociedade. Cada qual tem sua importância nos planos de Deus. O evangelho deve ser pregado por ambos, mas as funções são distintas.

Aqui fica clara a distinção. O missionário, ao abnegar direitos dados ao cristão de sociedade, acaba por ter de abnegar também o uso de armas para autoproteção e reação. Como já dito, ele encontrou ali um contexto em que sua vida já não é mais prioridade. As armas tornam-se inconvenientes e o sacrifício, a única opção viável. Tal como ocorreu com Jesus.

Em suma, não há como utilizar o texto de Mateus 26:52 para sustentar que seria pecado buscar autoproteção ou reagir a agressões físicas. A passagem deve ser entendida dentro de seu contexto bem específico, no qual: (1) Pedro não deveria sacar sua arma naquele momento, pois Cristo necessitava morrer pelo ser humano; (2) os discípulos não deveriam parecer um grupo paramilitar, a fim de não distorcerem o caráter do evangelho, nem serem vistos pelo Império Romano como uma ameaça; (3) os discípulos não deveriam ser soldados, mas como missionários, abdicando de alguns direitos legítimos para pregar o evangelho intensa e integralmente, espalhando-o pelo mundo. Interpretar além disso é forçar o texto.

O cristão passivo pode tentar argumentar ainda com base em algumas ideias extraídas da Bíblia tais como: “O cristão deve ter fé em Deus e não em armas para protegê-lo”, ou ainda: “O cristão não deve agredir ninguém, mas amar”. Ora, essas ideias são distorções das Escrituras. Analisemos a primeira. Apela-se para a fé em Deus para protegê-lo. É óbvio que devemos ter fé em Deus sempre, mas isso não nos proíbe, tampouco nos exime de fazer a nossa parte. Se a fé em Deus nos desobrigasse de tomar medidas para nossa proteção, não faria sentido trancar a porta de casa com chave, ter extintor no carro, usar cinto de segurança, comprar um computador com garantia de fábrica, guardar pertences valiosos em um cofre, ir ao médico e etc. Na verdade, o próprio Jesus diz a Satanás: “Não tentarás o Senhor teu Deus”. E o texto bíblico que afirma: “Se o Senhor não guardar a cidade, em vão vigia a sentinela” (Salmo 127:1), não exclui a necessidade de um sentinela, embora ele nada possa se Deus não estender sua proteção. O mundo que Deus criou funciona por meio de leis naturais. Não devemos viver nele como se vigorasse a magia. Na vida real devemos fazer a nossa parte à todo o momento. Deus fará a dEle. Ter uma arma ou aprender artes marciais podem ser atitudes importantes para se proteger ou proteger a outros. Não há qualquer passagem bíblica que desabone esse tipo de conduta. Pelo contrário, trata-se de algo prudente. E Deus poderá salvar pessoas através disso, inclusive.

Quanto à segunda ideia, perceba que ela distorce o amor. É evidente que amar não implica permitir que coloquem em risco sua vida ou a vida de alguém ao redor. Imagine que você está andando na rua e encontra um sujeito tentando se aproveitar de sua filha. Qual será sua postura? Deixar que o sujeito abuse de sua filha, alegando que precisa amá-lo e não agredi-lo? Ou tentará salvar sua filha, apartando-o com sua força física ou algum instrumento de proteção? Tenho certeza de que sua postura será a segunda. Não é diferente quando se trata de nossa própria vida em jogo. É perfeitamente possível ser um cristão amoroso, perdoador e que ajuda ao próximo, mas, ao mesmo tempo, que reage quando sua vida ou a vida de pessoas ao seu redor está em perigo.

Enfatizo que toda essa reflexão se refere à autoproteção e não ao uso da violência como forma de vingança, justiça própria e retaliação. A Bíblia é bem clara ao dizer que não devemos nos vingar, no âmbito moral, pois a “vingança” pertence a Deus. E, no âmbito civil, também não devemos buscar justiça com as próprias mãos, pois cabe ao Estado julgar, através do corpo de leis vigentes e de juízes preparados para isso. O próprio princípio do Antigo Testamento “olho por olho, dente por dente”, não passava de uma regra jurídica aplicada apenas por juízes, após um julgamento formal, para determinados tipos de crimes – a saber, crimes de agressão física à inocentes ou falso testemunho (Êxodo 21:22-25, Levítico 24:19-20 e Deuteronômio 19:15-21). Aliás, a crítica de Jesus, no Sermão do Monte, ao princípio “olho por olho, dente por dente” não se referia a sua aplicação jurídica, a qual era legal, mas sim à sua aplicação no âmbito moral. Em outras palavras, muitos utilizavam o princípio como uma justificativa para odiar e retaliar, buscando vingança e justiça com as próprias mãos. Jesus, portanto, faz uma clara distinção entre princípio jurídico e princípio moral, estabelecendo que, no âmbito moral, o individuo deveria estar pronto para liberar perdão, e no âmbito jurídico, deveria deixar o julgamento e a punição à cargo dos juízes. Essa deve ser a postura cristã.

É curioso como que cristãos que sustentam a passividade gostam de pintar um “Jesus Cristo paz e amor” que jamais faria nada agressivo. Um colega chegou mesmo a me dizer, dia desses, que não conseguiria imaginar Jesus andando com uma Ak-47. Pois creio que esses cristãos nunca devem ter lido Apocalipse, por exemplo, que descreve Jesus voltando com uma espada que mata todos os ímpios da terra. A cena é simbólica, claro, mas o morticínio não. E a imagem utilizada para simbolizar essa terrível e gigantesca punição derradeira é justamente a de Jesus armado. Não com uma Ak-47, já que esse tipo de armamento não existia à época que João escreveu o Apocalipse. Mas com uma espada. Sim, a espada, a arma antiga, a arma utilizada pelos exércitos israelitas ao longo de todo o Antigo Testamento. A arma utilizada pelos discípulos enquanto andavam com Jesus. A arma com a qual todo o homem protegia a sua família de perigos. A arma que todo mundo tinha.

Demonizar a autoproteção e os meios com os quais pode-se torná-la efetiva não é uma postura que encontre base bíblica, tampouco lógica. Quando fazemos isso, encontramos inúmeras incoerências pela frente. Uma delas se refere ao próprio trabalho da polícia. Ora, se proteger e reagir são dois pecados e todos deveriam ser passivos em relação aos agressores, então todos os policiais estão em pecado. Sob essa interpretação, a atividade policial é, em si mesma, pecaminosa, imoral, anticristã, pois se baseia justamente em proteger e reagir. Posso imaginar um policial que tenha acabado de se tornar cristão e vê um homem agredindo fisicamente uma mulher. Ele corre para defendê-la, mas então se lembra: “Cristo me ensinou a não reagir”. Então, com a consciência tranquila, deixa que a mulher morra nas mãos de seu agressor. Será mesmo que foi isso que Cristo ensinou? Certamente não! E, sem dúvida, o raciocínio serve para qualquer cidadão. É dever do cristão estar disposto a reagir e proteger, sempre que a situação não requerer a passividade. Fugir a essa obrigação é ser covarde. E os covardes, como já dito, não herdarão o Reino dos Céus.

Concluímos, portanto, que não há absolutamente nenhum ponto na Bíblia em que seja proibido ao cristão buscar a autoproteção, reagir à agressões físicas e utilizar armas para isso. A questão das armas (e atualmente, das armas de fogo) não é uma discussão teológica, mas uma questão civil. A Bíblia não proíbe, como também não impõe, cabendo à sociedade julgar se deve possuir o direito de portar armas ou não.

Indicação de leitura: “Mentiram para mim sobre o desarmamento”

Mentiram para mim

Prezados leitores, queremos indicar nesse post a leitura da obra “Mentiram para mim sobre o desarmamento”, de Flávio Quintela e Bene Barbosa. O livro é, sobre todos os aspectos, espetacular. Conta com argumentos lógicos e dados estatísticos sólidos baseados em fontes seguras e fáceis de consultar. Além disso, a linguagem é muito leve e simples, os capítulos são curtos e o tema é exposto de modo muito objetivo.

Mesmo que você seja a favor do desarmamento da população, leia esse livro. É importante você saber o que o outro lado diz, da boca das próprias pessoas que o defendem. Garanto que, no mínimo, você terá uma visão bem diferente da importância desse debate após a leitura. E como eu disse, não é leitura enfadonha. A obra é bem gostosa de ler e até quem lê devagar e não tem tempo, consegue terminá-la em cinco dias.

Para quem já é a favor do direito de o cidadão honesto portar armas, leia e divulgue amplamente essa obra. Por que isso é tão importante? Porque não estamos falando aqui apenas de uma mera questão de opinião. Há dados estatísticos sólidos demonstrando que o armamento do cidadão honesto é um importante fator na redução da criminalidade violenta e na proteção do povo contra governos com intenções escusas. E o Brasil hoje necessita muito dessas duas coisas.

Então, leiam, divulguem e até comprem para presentear outras pessoas. As informações desse livro precisam ser conhecidas pela galera. É importante. Até para que tenhamos um debate legítimo de ideias.

Esfacelando a suposta dualidade “educar x punir”

Esse texto também foi publicado no blog “Mundo Analista“. Clique aqui para ver.

ÍndiceBoa parte do que vou dizer agora, eu já o disse no texto “Como discutir a redução da maioridade penal com um esquerdista“. Mas faz-se necessário enfatizar alguns aspectos e lembrar outros, a fim de esfacelar a suposta dualidade “educar x punir”, sempre proposta pelo esquerdista e aceita por muitas pessoas ingênuas. Vou fazê-lo em tópicos para facilitar o leitor, já que o texto tem caráter instrutivo. Serão nove tópicos. Vamos lá:

1) O principal objetivo da cadeia NÃO É reeducar o criminoso. Eu vou repetir estas minhas palavras. “O principal objetivo da cadeia NÃO É reeducar o criminoso”. Tirem isso da cabeça. “Ah, e qual é o principal objetivo da cadeia então? Vingar-se do criminoso? Retaliá-lo? Fazê-lo sofrer desumanamente?”. Também não. Nada disso. O principal objetivo da cadeia é livrar os cidadãos honestos de alguém perigoso. Toda a lei deve ser pensada priorizando a proteção do cidadão honesto.

Segue-se, portanto, que ainda que as condições das cadeias sejam ruins, isso não deve impedir que criminosos perigosos sejam isolados da sociedade. Segue-se também que a idade do criminoso também não deve impedir o isolamento. Tanto um assassino de 30 anos de idade, quanto um de 16, oferecem o mesmo risco às pessoas honestas. Lembre-se: a prioridade é a proteção do cidadão honesto.

2) Melhorar a qualidade da educação e, ao mesmo tempo, prender criminosos NÃO SÃO duas tarefas mutuamente excludentes. É perfeitamente possível fazer as duas. Possível e necessário. Entenda: a suposta dualidade “educar x punir” não existe. Quando ficamos gripados e com febre, há duas coisas que precisam ser feitas: tratar a gripe (causa) e tratar a febre (efeito). O tratamento de uma não deve anular o tratamento da outra. Os dois tratamentos são benignos e tem a sua importância. Da mesma forma, a tarefa da educação não deve estar dissociada da tarefa da punição dos criminosos (gosto mais da palavra “isolamento”). Isso me lembra que os esquerdistas não estão fazendo nenhuma delas há mais de duas décadas.

3) Aumentar investimentos na rede estatal de educação NÃO É sinônimo de melhorar a educação. O Brasil é um dos países que mais gasta dinheiro com educação no mundo. É preciso debater os problemas reais da educação e propor soluções efetivas. Isso, nem os governantes esquerdistas tem feito, nem os seus eleitores. Pergunte a qualquer eleitor de esquerda se ele tem ideia de o que deve ser feito para mudar a educação. Ele apenas repetirá o mantra: “Investir mais”. Pergunte a ele como fazer para o dinheiro não ser desviado ou mal gerido. A maioria esmagadora não saberá responder.

4) O problema da rede estatal de educação NÃO É apenas administrativo. Ele também é pedagógico. Há 30 anos o país tem destruído a autoridade do professor de ensino fundamental e médio dentro das salas. Em prol de uma suposta educação mais livre e menos repressora, os esquerdistas criaram um sistema em que os alunos não tem mais limites, nem disciplina; e o professor não tem voz. O amigo esquerdista já deu aula? Já entrou em uma sala para ver o verdadeiro inferno que é? Pois é. Vocês criaram isso. Pergunte a qualquer pessoa que estudou nos anos 60 e 70 em colégio público, se essa falta de limites, disciplina e respeito existia nas salas. Todos te dirão que não.

5) O problema da rede estatal de educação NÃO É o principal. Antes do aluno ser aluno, ele é filho. É em casa, no seio da família, que uma pessoa aprende a ser honesta e respeitosa. As famílias tem sido rapidamente deformadas por meio de culturas que destroem valores familiares. As pessoas são ensinadas hoje a serem promíscuas, descartarem-se umas às outras mutuamente, pensarem no próprio prazer acima dos outros, a serem materialistas, a vingarem-se, a nutrirem rancor e etc.

Resultado: surgem pais irresponsáveis, pais egoístas, pais rancorosos, pais sem valores, pais que tiveram filhos indesejados e os tratam como um fardo, famílias sem pai, famílias em que a mãe não cuida do filho, famílias onde reina a traição, a infidelidade, os xingamentos mútuos, as brigas, a devassidão, a bebedeira, os vícios e o descaso uns com os outros.

E o que os esquerdistas fazem com relação a isso? Aplaudem! E incentivam! Eles são super à favor da vida libertina e desregrada, da promiscuidade, dos vícios, da felicidade sexual acima de tudo, da destruição da família tradicional e dos valores morais, éticos, cívicos e familiares. Ora, sem limites, disciplina, senso de moral e civilidade, essas crianças e adolescentes crescem flertando com a marginalidade da lei, sobretudo quando moram em locais onde a criminalidade é grande. Daí quando esses filhos de famílias horrorosas se tornam criminosos, os esquerdistas vem dizer que é melhor educar do que prender. Hipócritas!

Sim, “educar é melhor que punir”. Mas a maioria dos esquerdistas que tem utilizado este bordão não está interessada em defender a educação, mas apenas em não punir. Em outras palavras, são pessoas incentivadoras (ou coniventes) com a criminalidade. Tanto em suas causas, como em seus efeitos.

6) Pobreza e etnia NÃO determinam caráter. Toda vez que um esquerdista disser que fulano se tornou bandido porque era pobre e negro, chame-o de preconceituoso. É o que ele é. Ser negro e pobre não tem nada a ver com moral. Qualquer negro e pobre é capaz de se tornar um cidadão de bem. Se pobreza e etnia determinasse caráter, brancos e ricos jamais se tornariam criminosos. E não é isso que vemos.

Lembre-se: Negros e pobres não são cães que precisam ser adestrados pelo governo. Eles precisam, sim, de uma família e de uma escola que lhes imponha limites (assim como brancos e ricos). E se a família e a escola falharem, que a cadeia o tire da sociedade.

7) Se o enrijecimento das leis penais (entre elas a redução da maioridade penal) incomodam tanto porque as cadeias são ruins e as escolas também, por que diabos os esquerdistas não propõem medidas efetivas para melhorar a qualidade das escolas e das prisões? Por que eles não brigam vorazmente por isso? A impressão que dá é que é muito mais importante impedir o enrijecimento das leis do que lutar para melhorar a qualidade das prisões e das escolas. Já que a redução está para se tornar realidade, por exemplo, por que eles não fazem pressão para subir a pauta da melhoria das prisões e das escolas, através de soluções efetivas?

8) O Brasil não apresenta, nem jamais apresentou um movimento e um partido (ou partidos) conservador na política e liberal na economia, isto é, genuinamente de direita. O que temos são alguns poucos direitistas conscientes espalhados por aí, alguns políticos e eleitores com ideias direitistas misturadas à vícios de esquerda, e uma enorme massa da população perdida ideologicamente e órfão de uma direita genuína e coesa que lhe represente. O que temos visto hoje no Brasil são alguns passos lentos da oposição ao governo em direção à algumas poucas pautas de direita, energizada e pressionada pelo crescimento do número (admirável, mas ainda pequeno) de eleitores conscientes de direita.

Dizer que os atuais governantes representam plenamente a direita ou que eles são políticos ideais para quem se identifica como direitista é ridículo. Estão longe de representarem plenamente e de serem ideais. O objetivo certamente é colocar melhores representantes lá no futuro. Enquanto isso não ocorre, deve-se pressioná-los para que coloquem em pauta outros temas importantes. A instituição do trabalho obrigatório para presos nas cadeias, a instalação de fábricas nas mesmas, a entrega da administração delas a essas fábricas e o fim do financiamento público de prisões são ideias que os direitistas conscientes defendem há tempos e que pressionarão os governantes a colocarem em pauta. A descentralização das escolas públicas, a reestruturação da autonomia dos professores e a gestão transparente das contas de cada escola também. E aqueles que dizem se preocupar tanto com educação e a situação dos presídios deveria pressionar nesse sentido também, em vez de apenas fingir preocupação.

9) A mim não importa que um criminoso vá para um presídio com piscina, cerveja e churrasco. Desde que ele trabalhe lá dentro para se sustentar e fique preso pelo tempo suficiente para que deixe de ser um perigo à sociedade, estou satisfeito. Tudo o que quero é estar protegido de suas agressões e não precisar sustentá-lo com meus impostos. Creio que todos concordam comigo nesse ponto. Então, quem pede punição, não está sendo desumano e sem coração, mas apenas querendo paz.

Como discutir a redução da maioridade penal com um esquerdista

Este texto foi originalmente publicado no blog Mundo Analista. Pode ser lido neste link.

BandidosO problema de discutir diminuição da maioridade penal com um esquerdista é que ele vai ficar a discussão inteira jogando rótulos em você. A intenção dele é fazer você assumir o papel do indivíduo bruto e ignorante, que não se preocupa em prevenir a entrada de menores no mundo do crime (através de educação pública de qualidade, por exemplo), mas deseja apenas se vingar dos que já entraram, desejando fazê-los sofrer em presídios superlotados, ao lado de bandidos já maiores de idade.

Se você aceita esses rótulos, sem rebater corretamente, ele já ganhou o debate sem precisar argumentar. Afinal, aos olhos do público, ele se tornou uma cara sensível e inteligente, que prefere prevenir do que remediar. E você se tornou um facistoide que quer resolver tudo na base da violência.

Mas como é que se rebate esses rótulos corretamente? Vamos ver.

Em primeiro lugar, destrua a alegação dele de que você acha que “a redução da maioridade penal vai resolver o problema da violência”. Eu nunca vi nenhum defensor da redução dizer isso. E você provavelmente não acredita nisso também. É o esquerdista que está alegando esta ideia. Desmascare ele. Mostre a todos que ele não está atacando suas ideias, mas as ideias que ele mesmo alega que você defende. Isso é desonestidade.

Em segundo lugar, deixe claro que não existe nenhuma contradição em você defender a redução e, ao mesmo tempo, defender reformas efetivas na educação pública, nos presídios e nas casas de recuperação de menores.

Em terceiro lugar, rebata a alegação dele de que “você quer colocar menores junto com bandidos maiores de idade em celas superlotadas”. Mais uma vez, quem foi que disse isso? Eu nunca vi alguém defendendo essa ideia. E, se defende, eu sou radicalmente contra. Até porque isso é absolutamente desnecessário. As próprias casas de reabilitação podem ser transformadas em presídios, de forma que os menores fiquem lá, separados dos presídios de maiores. Não é preciso misturar ninguém.

Em quarto lugar, rebata a alegação de que “você quer se vingar dos menores infratores, retalhá-los, castigá-los, puni-los, fazê-los sofrer miseravelmente”. Não, nós não queremos isso. Nós queremos simplesmente que os criminosos sejam isolados da sociedade, para que não cometam mais crimes contra os cidadãos honestos. O que está em jogo aqui NÃO É a punição do criminoso, mas a proteção do cidadão honesto. Por mim, se o criminoso estiver isolado em um presídio com piscina, cerveja e televisão, eu não me importo… Desde que, claro, ele mesmo TRABALHE lá dentro e pague por essa diversão com O SEU PRÓPRIO SALÁRIO e não com os nossos impostos. Tenho absoluta convicção de que todas as pessoas (mesmo as mais raivosas) se sentiriam satisfeitas se os criminosos estivessem isolados da sociedade (não nos oferecendo mais riscos) e trabalhando para sustentarem a si mesmos. Se chegássemos a essa situação, ninguém iria reclamar do governo dizendo: “As condições dos presídios estão boas. Vocês precisam tornar a vida deles ruim!”.

Você, amigo de direita, precisa entender que como temos uma violência absurda no Brasil hoje, as pessoas se revoltam e acabam dizendo frases raivosas como: “Bandido tem que sofrer mesmo na cadeia!”. Mas no fim das contas, todos nós só queremos que o bandido não nos faça mais sofrer e que sustente seus gastos. Feito isso, acabam-se nossos motivos de revolta, e as pessoas ficam satisfeitas porque podem andar despreocupadas na rua. Então, mostre isso ao esquerdista e mande ele parar de ser desonesto, te acusando do que você não defende.

Em quinto lugar, mostre que você se preocupa muito mais com a educação do que ele. Você sabe, por exemplo, que os professores de ensino fundamental e médio não tem autoridade nem dentro, nem fora de sala de aula. Os alunos podem fazer o que quiser com os professores e nada acontece. E todas as decisões importantes para uma escola não são tomadas pelos professores da própria unidade escolar, mas pela Secretaria de Educação e outros órgãos do governo. Ou seja, a educação é extremamente centralizada e está nas mãos de quem nunca entrou em uma sala de aula, de quem passa o dia inteiro dando canetada atrás de um gabinete. A esquerda não clama contra isso. Por quê? Porque ela mesma apoia esse quadro. Ela deseja uma educação em que a criança e o adolescente tenham liberdade total e o professor não possa fazer nada. Eles desejam uma educação centralizada nas mãos do governo e não nas mãos dos professores de cada escola, porque para eles tudo é melhor centralizado nas mãos do governo. A educação já teve vários problemas, mas os atuais foram causados e são mantidos pela esquerda.

Em sexto lugar, mostre que é fácil mudar os problemas dos presídios terceirizando-os. Há exemplos de presídios terceirizados no Brasil como a Penitenciária Industrial do Cairi (CE) e a Penitenciária Industrial de Guarapuava (PR). Há também projetos alternativos de presídios em Minas Gerais. Todos esses presídios não tem problemas de superlotação. São limpos, arrumados e possuem fábricas nas quais os presos trabalham. O índice de reeducação é enorme. Por que não espalhar esse modelo por todo o Brasil? O modelo atual, além de ser gerar condições sub-humanas para os presos, é caro demais para nós. Cada bandido custa em torno de 3 mil reais mensais para os cofres públicos.

“Ah, Davi, mas terceirizar os presídios faria os empresários estimularem o crime, pois quanto mais presos tivessem, mais eles lucrariam”. Quem pensa isso, precisa me explicar como um empresário lucra com mais um preso. De onde vem esse dinheiro? Explica-me essa relação: mais um preso, mais dinheiro no caixa. Não deveria ser o contrário? Mais um preso, mais gastos com comida, água, energia, limpeza, salário (pois, nesse sistema, cada preso trabalha e ganha um salário). Como então eu lucro mais com um preso? Se você conseguir me explicar isso, aproveita e me explica por que ainda existe desemprego. Afinal, se contratar um funcionário a mais significa lucrar mais, as empresas contratariam infinitamente até não haver mais desempregados, não é? Pela lógica do esquerdista, iriam lucrar astronomicamente.

Como você pode ver, o esquerdista não sabe o que fala. Ter mais um preso não gera mais lucro para o empresário. À priori, vai gerar mais gastos. Até determinado número de pessoas, esses gastos podem ser supridos pelo próprio trabalho do bandido dentro da prisão. E se o bandido for um funcionário produtivo, pode até gerar lucro. Mas quando o quadro de funcionários está cheio, o empresário não pode continuar aumentando esse quadro, pois não consegue mais pagar os salários (e a estadia) dos presos. É por isso que as empresas não contratam infinitamente. Elas contratam só até onde podem pagar. Da mesma forma, nenhum presídio terceirizado iria querer mais presos do que consegue pagar.

Alguns apontam problemas em presídios privados nos EUA. Dizem que lá as empresas lucram sim quando o número de presos aumenta. Mas eles não dizem, claro, que o sistema lá envolve o governo. O governo repassa dinheiro para as empresas privadas por número de presos. Quanto mais presos elas possuem, mais essa verba aumenta. Assim é fácil entender porque o negócio é lucrativo. Mas precisamos adotar ESSE sistema? É lógico que não. A ideia é que o governo não repasse nenhuma verba. E se o governo precisar ajudar a empresa, que seja pagando contas fixas, como de energia e água. O lucro da empresa precisa vir do trabalho feito pelos presos, assim como ocorre em uma empresa normal. A meta é que a prisão seja apenas mais uma filial da empresa que a está administrando. Ela vai lucrar não com o crime, mas com o trabalho desempenhado pelos funcionários daquela filial. E ela pode reempregar os próprios presos que saírem de lá. O que há de errado nisso?

Em sétimo lugar, as casas de reabilitação de menores também precisam ser terceirizadas. Os efeitos serão os mesmos. A diferença é que os menores trabalharão menos tempo. Em vez de oito horas, quatro horas. Serão menores aprendizes. No restante do tempo, estudarão. E terão acompanhamento psicológico e religioso. Sim, religioso. Por que as religiões são importantes instituições de regeneração e o Estado não deve se furtar a contar com o apoio delas. Até porque elas não gastam o dinheiro dos nossos impostos. E, obviamente, com a redução da maioridade penal, esses menores ficarão nessas casas presos, sem possibilidade de sair até que se tenha certeza de que o indivíduo não oferece risco aos cidadãos honestos (se isso precisar demorar dez anos, demorará dez anos).

No que diz respeito ao trabalho… Sim, menor precisa ter uma ocupação. Isso não é nenhum problema, desde que haja tempo para estudar e brincar. E para quem bater o pé, lembremos: crianças e adolescentes trabalham como atores. Se não pode, alguém tem que proibir a existência de atores mirins urgentemente.

Em oitavo lugar, mostre que esquerdista não sabe fazer contas. Se eu tenho um bandido solto e eu o prendo, eu passo a ter menos um bandido solto. Isso é matemática. Então, é claro que prender criminosos faz diferença. Agora, como eu disse, não é o suficiente. Se eu prendo criminosos e continuo tendo o mesmo número de criminosos, é porque a “fabricação de criminosos” está aumentando. Ou seja, é preciso resolver este problema também. Isso não é um argumento contra a redução. É perfeitamente possível lutar para conter as causas do problema e também os seus efeitos. O cidadão honesto sai ganhando.

Em nono lugar, embora a reeducação e a reintegração de um criminoso à sociedade sejam importantes, não deixe o esquerdista fazer você aceitar que essa é a principal função da prisão. Não é. Isso é uma inversão de valores. É você priorizar o bandido em vez dos cidadãos honestos. A principal função da prisão não é reeducar, mas isolar o criminoso para proteger à sociedade. Pensar de maneira contrária é como ter uma filha estuprada e, em vez de correr para consolá-la, correr para ajudar o criminoso, dizendo: “Coitado dele! Ele precisa ser reeducado! Vou lá dar um abraço no estuprador. Depois vejo minha filha. Esse pobre estuprador é vítima da sociedade. Já minha filha tem uma condição melhor que a dele. Não preciso me preocupar com ela primeiro. Ela vai superar”. É exatamente isso que o esquerdista está fazendo quando afirma que a função primária da cadeia é reeducar.

Em décimo lugar, nosso “maravilhoso” governo gasta com um monte de merda. Poderia gastar com propagandas ensinando valores familiares e cívicos, veiculando isso massivamente. Com o tempo, isso influencia as famílias. E o principal núcleo responsável pela educação não é a escola, mas sim a família. Uma família desestruturada gera filhos problemáticos. E nisso a esquerda tem uma enorme culpa, pois todos os seus projetos culturais tem desestruturado famílias, através do incentivo ao sexo livre e sem compromisso, à objetificação sexual das pessoas, ao hedonismo (que leva ao egoísmo), à desvalorização da vida e dos filhos (através do apoio ao aborto) e etc.

Desmascare o esquerdista diante do público. Exponha a todos as suas desonestidades intelectuais. Não deixe ele ficar jogando rótulos em você, fazendo você parecer um imbecil defensor de violência. Você só quer o bem do cidadão honesto. Ele quer que suas ideias sejam ridicularizadas.

Violência é Ouro

Por Jack Donovan, publicado originalmente no Arthur’s Hall of Viking Manliness e no site do autor. Traduzido e adaptado para o português do Brasil por Renan Felipe dos Santos. Para ler o artigo original, em inglês, clique aqui.

Muitas pessoas gostam de pensar que são “não-violentas”. Geralmente, as pessoas afirmam “abominar” o uso da violência, e violência é vista negativamente pela maioria das pessoas. Muitos falham em diferenciar a violência justa da injusta. Alguns tipos especialmente vaidosos e hipócritas gostam de pensar que eles ascenderam acima das culturas sórdidas e violentas de seus ancestrais. Eles dizem que “violência não é a solução”. Eles dizem que “a violência não resolve nada.”

Eles estão errados. Cada um deles depende da violência, todo santo dia.

No dia da eleição, pessoas de todos os estilos de vida fazem fila para votar, e fazendo isso elas esperam influenciar quem vai pegar o machado da autoridade. Aqueles que querem acabar com a violência — como se fosse possível ou mesmo desejável — frequentemente buscam desarmar seus concidadãos. Isto não acaba com a violência, na verdade. Isto meramente dá à gentalha do Estado o monopólio da violência. Isto te deixa “mais seguro”, contanto que você não incomode o chefe.

Todos os governos — esquerda, direita ou outros — são por sua própria natureza coercivos. Eles tem de ser.

A Ordem requer violência.

Um regra que não é coberta por uma ameaça de violência em última instância é meramente uma sugestão. Os Estados dependem de leis reforçadas por homens prontos para praticar a violência contra os que violam as leis. Cada imposto, cada código e cada requerimento de licença requer uma progressão escalar de penalidades que, no fim, devem resultar na apreensão forçada de propriedade ou prisão por homens armados preparados para violentar em caso de resistência ou não cumprimento da lei. Toda vez que uma dondoca exige penas mais severas para quem dirige bêbado, vende cigarro para menores, tem um pitbull ou não recicla o lixo, ela está fazendo uma petição ao Estado para que ele use a força para impor a vontade dela. Ela não está mais pedindo numa boa. A viabilidade de cada lei familiar, lei sobre armas, lei de zoneamento, lei de tráfego, lei de imigração, lei de importação, lei de exportação ou regulamentação financeira depende tanto da boa vontade quanto dos meios do grupo para impor a ordem à força.

Quando um ambientalista exige que “salvemos as baleias”, ele está em efeito dizendo que o argumento para salvar as baleias é tão importante que vale a pena machucar humanos que machucam baleias. O pacífico ambientalista está pedindo ao Leviatã que autorize o uso da violência no interesse de proteger leviatãs. Se os líderes do Estado concordarem e expressarem que é, de fato, importante “salvar as baleias”, mas se recusam a penalizar aqueles que causam danos às baleias, ou se recusam a reforçar as penalidades sob ameaça violenta da ação policial ou militar, o argumento expressado seria um gesto sem significado algum. Aqueles que quisessem machucar as baleias sentiriam-se livres para fazer isso, como se diz, na impunidade — sem punição.

Sem ação, palavras são só palavras. Sem violência, leis são só palavras.

A violência não é a única solução, mas é a resposta final.

Pode-se fazer argumentos morais e argumentos éticos, apelos à razão, à emoção e à compaixão. As pessoas são certamente movidas por estes argumentos, e quando bem persuadidas — levando em conta, é claro, que isto não lhes gera inconvenientes excessivos — frequentemente escolhem moderar ou mudar seu comportamento.

Entretanto, a submissão de boa vontade por parte de muitos inevitavelmente cria uma vulnerabilidade esperando por ser explorada por qualquer pessoa que não está nem aí para normas sociais e éticas. Se todos os homens baixam a guarda e se recusam a erguê-la, o primeiro que levantar os braços pode fazer o que quiser. A paz só pode ser mantida sem violência enquanto todos concordam com a barganha, e para manter a paz toda e qualquer pessoa em todas as sucessivas gerações — mesmo após uma guerra esquecida há muito tempo — deve continuar a concordar em permanecer pacífica. Para todo sempre. Nenhum delinquente ou arrivista poderá perguntar “Senão o quê?”, porque numa sociedade realmente pacífica a melhor resposta disponível é “senão vamos achar que você não é uma pessoa legal e não vamos compartilhar com você.” Nosso badernista está livre para responder “Não estou nem aí. Eu vou pegar o que eu quero.”

Violência é a resposta final para a pergunta “Senão o quê?”

Violência é o padrão ouro, a reserva que nos garante ordem. Na verdade, é melhor que o padrão ouro, porque a violência tem valor universal. Violência transcende os ruídos da filosofia, da religião, da tecnologia e da cultura. As pessoas dizem que a música é a língua universal, mas um soco na cara faz o mesmo dano não importa qual língua você fale ou qual tipo de música você goste. Se você está trancado em uma sala comigo e eu pego um pedaço de cano e faço um gesto agressivo demonstrando que vou te bater, não importa quem você seja, o seu cérebro primata vai entender imediatamente “senão o quê.” E assim, uma certa ordem é obtida.

O entendimento prático da violência é tão básico para a vida humana e para a ordem humana como saber que o fogo é quente. Você pode usá-lo, mas deve respeitá-lo. Você pode agir contra ele, e as vezes você pode controlá-lo, mas você não pode simplesmente fazê-lo sumir magicamente. Como um raio, às vezes ele é esmagador e você não perceberá sua presença até que seja tarde demais. Às vezes é maior que você. Pergunte aos cherokees, aos incas, aos romanovs, aos judeus, aos confederados, aos bárbaros e aos romanos. Todos eles conhecem “senão o quê.”

O saber básico de que a ordem requer violência não é uma revelação, mas para alguns para ser como uma. Esta noção em si pode deixar algumas pessoas apopléticas, e algumas vão tentar furiosamente rebatê-la com argumentos distorcidos e hipotéticos, porque isto não soa muito “legal”. Mas algo não precisa ser “legal” para ser verdadeiro. A realidade não se dobra para acomodar-se a suas fantasias ou sentimentos.

Nossa complexa sociedade emprega a violência por procuração de modo que muitas pessoas no setor privado podem passar toda sua vida sem sequer ter de entender profundamente a violência, porque elas foram removidas dela. Percebemos ela como um problema distante e abstrato para ser resolvido com uma estratégia bem bolada e algum tipo de programação social. Quando a violência bate à porta, simplesmente fazemos uma ligação e a polícia vem para “parar” a violência. Poucos cidadãos param para pensar que o que estamos fazendo é, essencialmente, pagar pela proteção de um bando armado que vem e ordeiramente pratica a violência em lugar de nós mesmos. Quando aqueles que iriam praticar a violência contra nós são levados pacificamente, a maioria de nós realmente não faz a conexão, nem mesmo é capaz de afirmar a si mesmo que a razão pela qual o perpetrador se deixa prender é a arma na cintura do policial ou o entendimento implícito que ele será eventualmente caçado por mais policiais que tem a autoridade para matá-lo se ele for uma ameaça. Ou seja, se ele for uma ameaça para a ordem.

Há cerca de dois milhões e meio de pessoas encarceradas nos Estados Unidos. Mais de noventa porcento delas são homens. A maioria deles não se entregou. A maioria deles não tenta escapar à noite porque há alguém na torre de vigia pronto para atirar neles. Muitos são ofensores “não-violentos”. Donas de casa, contadores, ativistas célebres e vegetarianos enviam seus dólares via imposto, e por procuração gastam bilhões e bilhões para alimentar um governo armado que mantém a ordem através da violência.

É quando a nossa violência ordenada dá espaço à violência desordenada,  como acontece depois de um desastre natural, que somos forçados a ver como dependemos daqueles que mantém a ordem através da violência. Pessoas pilham porque elas podem, e matam porque acham que não vão ser pegas. Lidar com a violência e encontrar homens violentos que vão te proteger de outros homens violentos repentinamente se torna uma preocupação real e urgente.

Um amigo meu uma vez me contou uma história sobre um incidente recontado por um amigo da família que era policial, e acho que ela vai direto ao ponto. Alguns adolescentes estavam passeando no shopping, em frente a uma livraria. Eles estavam zoando e conversando com alguns policiais que passavam por lá. O policial era um cara relativamente grande, alguém com quem você não gostaria de mexer. Um dos garotos disse ao policial que não via o porquê da sociedade necessitar da polícia.

O policial se inclinou em direção a ele e disse ao garoto esmilinguido, “você tem alguma dúvida de que eu possa quebrar os seus braços e tomar este livro de você se eu quiser?”

O adolescente, obviamente abalado pela brutalidade da pergunta, disse “Não”.

“É por isso que você precisa de policiais, garoto.”

George Orwell escreveu em seu “Notas sobre o Nacionalismo” que, para o pacifista, a verdade que, “Aqueles que ‘renunciam’ à violência só podem fazer isso porque outros estão cometendo violência no lugar deles”, é óbvia mas impossível de aceitar. Muita insensatez flui da inabilidade de aceitar nossa dependência passiva em relação à violência para nossa proteção. Fantasias escapistas do tipo “Imagine” de John Lennon corrompem nossa habilidade de ver o mundo como ele é, e de sermos honestos conosco sobre a natureza da violência no animal humano. Há evidência substancial para apoiar a noção de que a violência sempre foi parte da vida humana. Todo dia, arqueologistas desenterram outra caveira primitiva com danos causados por armas ou traumas gerados por contusão. Os primeiros códigos legais eram chocantes de tão macabros. Se nos sentimos menos ameaçados hoje, se nos sentimos como se vivêssemos numa sociedade não violenta, é só porque cedemos tanto poder ao Estado sobre nossas vidas cotidianas. Alguns chamam isso de razão, mas poderíamos também chamar simplesmente de preguiça. Uma preguiça perigosa, ao que parece, dado o fato de que pessoas confiam muito pouco nos políticos.

Violência não vem dos filmes, dos videogames, ou da música. Violência vem das pessoas. É hora das pessoas acordarem da fumaceira dos anos 60 e começarem a ser honestas sobre a violência novamente. Pessoas são violentas, tudo bem. Você não pode acabar com isso por lei ou acabar com ela na conversa. Com base nas evidências disponíveis, não há razão para acreditar que a paz mundial algum dia será alcançada, ou que a violência algum dia poderá ser “detida”.

É hora de parar de se preocupar e começar a amar o machado de batalha. A História nos ensina que se não o fizermos, outro alguém o fará.


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