Faculdade não é para todos

Universidades 2

Já escrevi diversos textos sobre reformas que eu faria na educação brasileira (se eu tivesse esse poder). Em geral, foquei nos ensinos básico, fundamental e médio, pois entendo que não adianta mexer na faculdade sem antes mexer na base. Mas hoje queria falar um pouco sobre ensino universitário.

Se tem algo ridículo no Brasil no que tange o ensino universitário é a ideia de que todo mundo precisa fazer faculdade. Essa ideia permeia nossa cultura e toda a estrutura de ensino, num processo de alimentação mútua. Ou seja, a estrutura de ensino nos força a manter essa cultura e a nossa cultura nos força a alimentar essa estrutura. Mas qual o grande problema dessa ideia? Na verdade são dois. Vamos destrinchar.

Primeiro: faculdade é (pelo menos foi projetado para e deveria ser) um local para formar uma elite intelectual. Assim, não há sentido em haver faculdade se as pessoas de lá forem medíocres ou ineptas intelectualmente.

Segundo: nem todo mundo deseja ser um intelectual. A maioria das pessoas quer apenas sair do ensino médio, conseguir um bom emprego e financiar suas necessidades e desejos.

Aqui é importante frisar que “intelectual” não é sinônimo de “inteligente”. Há pessoas muito inteligentes que não são intelectuais. Elas utilizam sua inteligência para as coisas práticas da vida: fazer contas em seu comércio, investir, ser estratégico em algum esporte, desenhar bem, jogar algum jogo com maestria, organizar a casa, ser criativo, ter boas ideias, saber conversar sobre vários assuntos, fazer artesanato, fazer belas obras de carpintaria, costurar boas roupas, etc. Mesmo uma grande quantidade de conhecimento teórico não necessariamente faz de alguém um intelectual. A pessoa pode ser apenas inteligente.

O intelectual não é o inteligente. É sim aquele que se debruça sobre temas de maneira aprofundada com o intuito de conhecê-los, entendê-los, análisá-los e explicá-los. Trata-se de um objetivo menos voltado para “o ganha pão” e mais centrado no estudo em si.

Um eletricista faz um curso para aprender a prática da instalação e manutenção de estruturas elétricas. Sua finalidade é prestar seus serviços para ganhar dinheiro. Seu estudo possui apenas essa finalidade. E ele cessa quando isso é aprendido, dando lugar ao mero emprego do que se aprendeu. Já um físico que trabalhe em um laboratório de robótica, ou um filósofo que estude metafísica, possuem um objetivo para além do ganho. Eles estudam para continuar estudando. E seus estudos podem gerar frutos para a sociedade que vão além do benefício direto de seus serviços prestados. O eletricista conserta seu sistema elétrico. O filósofo gera ideias que serão discutidas por milhões de pessoas pelos próximos séculos talvez.

Em resumo, o intelectual tem como finalidade de vida e trabalho uma atividade constante de estudo (o que chamamos de atividade intelectual). O inteligente apenas usa sua inteligência para finalidades mais pontuais.

Não há qualquer demérito em não ser um intelectual. E sem dúvida uma pessoa com grande inteligência pode ser mais inteligente que um intelectual em muitas coisas (por vezes até na maioria das coisas). Um intelectual, inclusive, pode não possuir grande inteligência, mas apenas grande conhecimento e talvez esforço. E grande conhecimento não vale muito se a qualidade do conhecimento e as conclusões a que um intelectual chega forem ruins, falhas, ilógicas.

Uma vez que se entenda isso, percebe-se que a sociedade precisa tanto de pessoas inteligentes sem pretensões intelectuais, quanto pessoas inteligentes que desejam seguir a carreira intelectual. Os dois grupos são igualmente importantes.

É aqui que voltamos ao problema brasileiro. Ele mistura as duas coisas. A faculdade passa a ser não um local com intuito de formar uma elite intelectual, mas um local com intuito de deixar o currículo melhor para o mercado de trabalho. E isso é engendrado para diversas profissões. Assim, a universidade se torna imprescindível para todos os que querem uma vida melhor, independente de almejarem uma vida intelectual ou não.

Note: a faculdade se torna uma necessidade para quem não tem necessidade de uma. Talvez fique mais claro com um exemplo. Suponha que o governo crie uma lei que obrigue todos os pedreiros a fazerem faculdade de pedreiro. A pessoa que fizer obra em casa sem um pedreiro formado, será multada. Nesse cenário, você terá diversos pedreiros fazendo faculdade apenas para poderem construir casas, mas sem qualquer pretensão intelectual. E o que é pior: eles terão de fazer faculdade para algo que pode-se aprender facilmente sem uma. Ou seja, criou-se uma necessidade que não existe originalmente.

Os resultados desse cenário absurdo seria a redução do número de pedreiros, a existência de diversos pedreiros ilegais e o enchimento das faculdades com pessoas sem qualquer intenção de serem intelectuais, o que rebaixa o nível de intelectualidade dos universitários.

O exemplo dos pedreiros pode parecer bizarro e distante, mas a verdade é que isso ocorre com um monte de profissões que não precisariam ser faculdades. Vou começar pelo jornalismo, que é a minha formação acadêmica. Definitivamente, não há qualquer necessidade de uma faculdade de jornalismo. Primeiro porque para ser jornalista basta escrever bem (e rápido), falar bem em público (para o caso de quem quer seguir jornalismo televisivo ou de rádio), saber apurar os fatos e ter uma boa capacidade de análise. A maioria dos melhores jornalistas que tivemos no Brasil (nos séculos 19 e 20) não fizeram faculdade. Eram “apenas” excelentes escritores, apuradores e analistas. Segundo porque um curso de dois anos com ênfase na prática seria mais que suficiente para quem quer começar a seguir a carreira já com algum conhecimento e experiência.

Minha faculdade de jornalismo pouco me acrescentou no que tange o jornalismo prático. Por ser uma faculdade, a teoria ganhou grande destaque. E por ter uma estrutura deficitária, o ensino prático foi pouco e de má qualidade. Considero que minha faculdade de jornalismo me fez um comunicólogo, um acadêmico, mas não um jornalista. Do ponto de vista prático, que é o mais importante (já que a ideia é formar um jornalista), ela de nada me serviu.

Em contraponto, um amigo meu, que não fez faculdade de jornalismo, trabalhou alguns anos em alguns jornais pequenos da Baixada Fluminense. A prática cotidiana, a experiência e o fato de ele ser um excelente escritor fizeram dele um jornalista de verdade, um jornalista que eu, formado, não sou e nunca fui.

A teoria jornalística, a sua história e matérias não jornalísticas, como economia, filosofia, sociologia, história, etc. são importantes, claro. Mas não para o fazer jornalístico diário. Para a prática, basta um mínimo desse conhecimento teórico. O aprofundamento nessas áreas é o que difere um profissional prático (como é o jornalista) de um intelectual.

É óbvio, nada impede, que alguém seja jornalista e intelectual. Mas trata-se de escolha pessoal, não de necessidade. A mistura das duas coisas em uma faculdade faz com que tanto quem quer ser só um profissional prático como quem quer ser intelectual percam tempo. Pior: a mistura imposta na faculdade reduz a qualidade tanto da parte prática, quanto da parte intelectual. Querendo focar igualmente nas duas coisas para dois grupos que precisam de ênfases distintas, acaba por não se especializar bem em nenhuma delas.

Em suma, jornalismo poderia facilmente ser um curso de dois anos voltado para a prática e conhecimentos técnicos. O que vai definir, para além da prática, se um indivíduo será bom jornalista ou não é sua índole moral e seu apreço por leitura, coisas que não se aprendem em uma faculdade.

De igual maneira, administração, contabilidade, marketing, publicidade, relações públicas, design, nutrição, pedagogia e tantas outras formações poderiam ser cursos em vez de faculdades. A minha proposta seria a seguinte: transformar diversas formações que exigem uma atividade mais prática e menos intelectual em cursos de dois anos a serem oferecidos no ensino médio, a partir do terceiro ano. O aluno faria um ano ainda concomitante ao ensino médio e completaria o outro ano de curso já depois de terminar o colégio.

Como resultado, aos 18 ou 19 anos, a maioria dos jovens já teria um conhecimento prático profundo em alguma profissão. Aqueles que quisessem seguir carreira acadêmica ou se tornarem professores, poderiam optar pela faculdade. Para tanto, as faculdades poderiam apresentar, além das graduações normais que restariam, cursos de complementação. Seriam cursos de dois anos, voltados para a parte teórica, que serviriam para complementar os dois anos de curso prático do jovem. Este segundo curso daria a ele a possibilidade de dar aulas daquela área nos cursos práticos e/ou continuar na área acadêmica, pois os dois diplomas teriam o valor de uma graduação.

Nesse modelo, eu faria valorizar o autodidatismo também. Assim como creio que o homeschoollig é um modelo bom, que deve ser permitido às famikias que assim desejam, há quem tenha a capacidade de aprender de modo autodidata. É justo que pessoas que adquiriram grandes conhecimentos em uma área ao longo de anos, tenham um ou mais modos de ter esse conhecimento reconhecido. Dois modos que podem ser pensados são: um sistema de provas na qual o candidato passando estaria habilitado a apresentar seu trabalho monográfico, dissertação ou tese, para defender o título. Outro modo seria por tempo de trabalho na função ou por produção de obras de grande impacto e rigor científico. Essas pessoas ganhariam título honoris causa, sem precisar cursar faculdade.

No caso de jornalistas, por exemplo, alguém que tivesse trabalhado por dez anos como um poderia receber o título de comunicólogo (ou prestar maiores prova para receber esse título), o que lhe daria requisito pra dar aulas. Há maneiras de se pensar isso. O importante aqui não são os detalhes, mas o espírito da ideia. O sistema educacional como um todo precisa valorizar o verdadeiro intelectual. Para isso, a faculdade não deve ser um lugar para meramente te dar currículo melhor para trabalhos práticos. Muito menos um lugar cujo diploma, um pedaço de papel, não possa ser dado a um autodidata ou profissional experiente que, embora não tenha passado por todo o rito tradicional, seja claramente um intelectual de ponta.

Como é hoje, o diploma deixou de ser uma evidência de intelectualidade. Passou a ser mera formalidade exigida pelo Estado e que não reflete necessariamente um alto nível do diplomado. Assim, criou-se uma curiosa distorção onde muitas vezes pessoas não diplomadas possuem um apreço pelo conhecimento e uma cultura intelectual muito maior do que pessoas que tem diplomas. O nível da faculdade baixou tanto que em vez de ela ser um diferencial, passou a ser uma quase certeza de que a pessoa é tão tapada como qualquer outra. Faculdade já não diferencia em nada.

As medidas aqui propostas acabariam com essa necessidade fictícia de faculdade para todos que nos tem sido impostas; faria as pessoa perderem menos tempo na vida; e aumentaria a possibilidade de empregos para os mais jovens. Ao mesmo tempo, tornaria a faculdade um lugar mais reservado para quem quer algo a mais que um emprego prático: uma vida voltada à atividade intelectual.

Agora, claro, não adianta fazer essas mudanças se não houver modificações lá nas bases. E é o que tenho dito em todos os meus textos sobre educação. Você só resolve o problema do baixo nível e do pouco acesso das pessoas ao ensino superior se prepará-las melhor nos ensinos básico, fundamental e médio. E para isso, tenho receitado sempre as mesmas medidas: retorno da autoridade do professor na sala de aula e na escola, reformulação do ECA, expulsão de alunos desordeiros e desrespeitosos, militarização de pelo menos 25% das escolas públicas, estímulo à reestruturação das famílias e aos valores familiares e cívicos, esvaziamento das salas de aula, implementação do sistema de bolsas (vouchers) em colégios privados para alunos pobres de bom desempenho, legalização do homeschoollig, adoção de maior transparência nas contas das escolas, etc.

Essas medidas visam atacar os dois problemas básicos da nossa educação atual: a má administração das escolas públicas (que abre margem para corrupção também) e a falta de limites dos alunos. Sem limites, não há ordem. Sem ordem, não há concentração, silêncio, respeito, interesse, noção de relevância e, por consequência, aprendizado. Com má administração, não há verba, nem participação das pessoas (pais, alunos e professores) nos assuntos financeiros da escola, o que a deixa eternamente centralizada nas mãos de burocratas. Mas isso é assunto de outros textos. A suma do texto de hoje é: faculdade não é e não deve ser para todo mundo. Entender isso nos ajuda a perceber que simplesmente empurrar um monte de gente para dentro dela não mudará a situação do país. Teremos graduados desempregados e acadêmicos sem apreço e aptidão intelectual.

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A mentalidade psicótica de alguns universitários

Ser jovem não é crimeEstá vendo esse cartaz ao lado? Foi colocado na UERJ alunos contrários à redução da maioridade penal. Eles fizeram um Sarau, com comida, bebida, música e DJ’s em uma das instalações da universidade, no qual protestaram contra a proposta de lei. Quero fazer uma breve análise sobre o que foi escrito. Note bem: “Ser jovem não é crime. UERJ contra a redução”.

A proposta da redução da maioridade penal, obviamente, não pretende sair prendendo todos os jovens por aí só porque eles são jovens. E é óbvio que ninguém acredita nisso. Então, o que a mensagem quer dizer? Só há uma interpretação possível: a de que atitudes como matar, assaltar, roubar, estuprar, espancar e etc. não são crimes quando cometidas por jovens. São o quê, então? São coisas de jovem. Tal como é coisa de jovem pintar o cabelo de verde e tirar 200 fotos iguais fazendo biquinho. Coisas de jovem. Atos inocentes e inofensivos.

Logo, se uma lei pretende isolar da sociedade um jovem apenas por fazer “coisas de jovem”, atos “inocentes” e “inofensivos” (como esfaquear um ciclista ou estuprar e decapitar uma adolescente), esta lei está, obviamente, punindo um jovem simplesmente por ser jovem. E ser jovem não é crime. Então, poxa… É uma tremenda injustiça!

Bom… Quando você ou alguém que você ama for agredido, assaltado ou morto por um desses jovens, sabe aonde procurar quem é que os defende.

O problema administrativo das Universidades Federais

Ao legitimar a greve dos professores das universidades federais, muitas tem sido as alegações falaciosas. A que mais me chamou atenção é a de que os professores estariam lutando pela melhoria das condições de trabalho, e não apenas por salários ou carreira. Besteira. Usarei a UFPR como exemplo.

Prédio Histórico da Universidade Federal do Paraná

A verba destinada, anualmente, à UFPR, é de R$ 822.326.481. Pouco mais de R$ 589 milhões são destinados ao pagamento de funcionários e professores, e o restante (R$ 233 milhões) é destinado ao que chamam de despesas com custeio e capital. Descontados os encargos sociais, restam R$179.660.230,00 a serem divididos em três grandes setores: Emendas Individuais e Bancada (R$ 11.850.000,00), Benefícios e Sentenças Judiciais (R$25.050.333,00) e Manutenção das Atividades da Instituição (R$ 142.759.897). Apenas o último grupo nos interessa, já que é o único ponto em que a administração realmente possui algum controle ou liberdade de atuação.

Desse último grupo, aproximadamente 50 milhões são gastos com a política do REUNI, obrigatórios para manter o recebimento de verbas. Mas é interessante o resto dos gastos. Apenas R$400.000,00 são destinados para a construção e manutenção de laboratórios, enquanto mais de 7 milhões são destinados a obras, em um cenário em que existem salas sobrando. Foram construídos, nos últimos dois anos, 5 prédios (isso mesmo, cinco novos prédios) dentro do Campus Politécnico, enquanto existiam salas sobrando. Enquanto os laboratórios estavam em condições lastimáveis, alguns não resistindo até mesmo a chuvas. Mas o campus torna-se uma cidadezinha, pelo menos. Não me espantará o dia em que inaugurarem um viaduto para desafogar o trânsito do campus.

Um dos prédios em construção na UFPR

Agora, comparemos o orçamento anual da UFPR com o de uma universidade qualquer. Harvard. O orçamento anual da melhor universidade do mundo é de US$ 2,8 bilhões, em média, o que, em reais, constitui 5,6 bilhões. A melhor universidade do mundo tem um orçamento médio apenas seis vezes maior que o da UFPR. Isso cometendo o injusto de converter a moeda, já que se Harvard arrecada em dólares, também gasta em dólares. Mantendo a paridade, o orçamento médio anual da melhor universidade do mundo é de apenas três vezes maior do que da UFPR, sendo que US$ 800 milhões, em média, provém apenas de doações.

Harvard Business School

Com um investimento desses, podíamos esperar uma universidade de ponta. Mas a administração interna das universidades não colabora. E os alunos, no momento de cobrar o reitor, de fiscalizar (os dados estão na internet para todos da comunidade verem), não existem. Apenas no momento de fomentar a baderna dos sindicatos. Não resta dúvida sobre a idoneidade dos últimos, imagino. Nem sobre a dos estudantes grevistas. Os professores, reza a lenda, estão mais do que satisfeitos com a proposta. Uma minoria não permite. Minoria radical, revolucionária. O objetivo da greve é a greve em si. Um sequestro do nosso sistema de educação superior para interesses sectários. Melhorias na estrutura e condições de trabalho? Isso se cobra do reitor. O resto é baderna.

Todos os dados (Planejamento orçamentário de 2011) estão disponíveis em: http://www.proplan.ufpr.br/home/CPCO/arquivos/PropostaOrcamentaria2011pagina.pdf

A Educação liberta

Segundo o ranking global de universidades da QS Stars, as universidades asiáticas entre as 100 melhores do mundo são:

  1. Universidade de Hong Kong (22ª), Hong Kong. Score: 87.04
  2. Universidade Nacional de Singapura (28ª), Singapura. Score: 84.07
  3. Universidade de Tóquio (25ª), Japão. Score: 85.9
  4. Universidade de Kyoto (32ª), Japão. Score: 82.86 
  5. Universidade Chinesa de Hong Kong (37ª), Hong Kong. Score: 79.5
  6. Universidade de Ciência e Tecnologia de Hong Kong (40ª), Hong Kong. Score: 79.09
  7. Universidade Nacional de Seoul (42ª), Coréia do Sul. Score: 78.65
  8. Universidade Carnegie Mellon (43ª), Estados Unidos (matriz). Score: 78.46 
  9. Universidade de Nova Iorque (44ª), Estados Unidos (matriz). Score: 77.71
  10. Universidade de Osaka (45ª), Japão. 77.55
  11. Universidade de Pequim (46ª), China. Score: 77.44
  12. Universidade Tsinghua (47ª), China. Score: 76.25 
  13. Istituto de Tecnologia de Tóquio (57ª), Japão. Score: 72.71
  14. Universidade Tecnológica de Nanyang (58ª), Singapura. Score: 72.51
  15. Universidade de Tohoku (70ª), Japão. Score: 69.67
  16. Universidade de Nagoya (80ª), Japão. Score: 67.97
  17. Universidade Nacional do Taiwan (87ª), Taiwan. Score: 66.62
  18. Instituto de Ciência e Tecnologia Avançada da Coréia (90ª), Coréia do Sul. Score: 65.96 
  19. Universidade Fudan (91ª), China. Score: 65.74
  20. Universidade de Ciência e Tecnologia de Pohang (98ª), Coréia do Sul. Score: 65.1

Vinte (20) universidades entre as 100 melhores do mundo. Isso mesmo, das 100 melhores universidades do mundo, nada menos do que um quinto está no sudeste da Ásia, hoje uma das regiões com melhor qualidade de vida do mundo, com uma elite técnico-científica que não deve em nada a americanos e britânicos.

Sabe porque isso acontece? Porque na Ásia vigora o liberalismo, aquele que a História mostrou ser o mais eficiente: o livre mercado, a livre iniciativa, a liberdade individual, o estímulo à competitividade, o estímulo a ser cada vez melhor, que faz com que as universidades ofereçam um ensino cada vez melhor, uma querendo ser melhor do que a outra. E quem ganha com isso? O Povo de Hong Kong, Singapura, Taiwan, China (em parte), Coréia do Sul e Japão, que pode escolher qualquer universidade de seu país sem medo de ser feliz.

Só existem dois problemas nesse país que impedem que esse tipo de modelo seja aplicado no Brasil: a ditadura do politicamente correto, do “coitadinho”, e a vontade de nossos políticos. Explicarei os dois abaixo.

Competitividade? Liberalismo? Deus nos livre desse “demônio”. Sim, no Brasil que a mentalidade de esquerda dominou após a “redemocratização”, a competitividade e a ideologia liberal se tornaram um crime mais grave que um assassinato em massa. Estimular o aluno a estudar mais, a se dedicar cada vez mais aos estudos? Deus nos livre. “Cria traumas”, gera “luta de classes”, “evasão escolar”, “preconceito na escola”, “elite intelectual”, “infância perdida”, bostejam os pseudo-intelectuais esquerdistas que dominam o sistema educacional brasileiro, enquanto conduzem o Brasil a um processo de imbecilização que nunca nenhum país do Mundo passou igual. Para os “sociólogos de Vieira Souto”, que nunca souberam nem de longe o que é miséria, estudar e se aprofundar muito é perda de tempo. Para eles, é mais “produtivo” soltar pipa o dia inteiro ou ficar de fuzil 762 na mão esperando os “alemão” subir para meter bala. Isso sim é “infância ganha”. Esse sim terá uma vida feliz, terá uma vida produtiva, fará o Brasil crescer, levará o nome da pátria ao topo do mundo, e não aquele “idiota” que ralou a vida inteira para ser PhD em Singapura ou na Coréia Do Sul. Esse é o “parasita” da nação.

Outro problema: o liberalismo na educação liberta. Pode parecer pleonasmo mas eu vou explicar. O indivíduo têm uma liberdade que 90% da classe política de nosso país detesta: a liberdade de pensar, de andar com as próprias pernas. O establishment político incute na mentalidade brasileira o conceito de que “sem o Estado você não é ninguém”, ou seja, querem é que o brasileiro fique a vida inteira dependente das esmolas de políticos “bonzinhos”, vivendo de migalhas como refugiados somalis, dependendo de cargos públicos para sobreviver, criando uma “elite de Tiriricas” que só sabe assinar o próprio nome. Analfabetos funcionais, mas altamente produtivos na hora do voto, na hora da urna, pois esse é o voto fácil de se conseguir: uma massa mal instruída é garantia de poder por muitos e muitos séculos. É a arma das oligarquias regionais de nosso país. Pois quem tem instrução elege Angela Merkel e não Renan Calheiros. Mas este é o país que se orgulha de eleger analfabetos.

Enfim, a educação liberta, e não querem que o povo seja livre…

Lula honoris causa

Lula doutor honoris causa. Mais um deboche ao povo brasileiro. Mas, pensando bem, foi uma decisão coerente: a única das 5 universidades que lhe deu o título de doutor a figurar no ranking mundial das melhores universidades é a UFRJ, na posição 381 do ranking, atrás de 82 universidades americanas. Ou seja, quem brinca de ensinar homenageou quem brincou de governar.

É um prêmio à política de  imbecilização do Brasil. O Brasil se tornou um país de pessoas que sofrem desde a infância um processo de imbecilização patológica. Um doutorado brasileiro vale menos do que uma graduação americana. O diploma universitário se banalizou nesse país, então a decisão de dar título de doutor ao Lula é certa, porque, afinal de contas, hoje um filhinho de papai que estuda a vida inteira em um colégio mediano, estilo “papai pagou passou”, passa para uma “universidade” federal, que perante o mundo civilizado não existe, e sai de lá se achando intelectual. Ora, perto de  CIEP e Colégio Estadual qualquer colégio particular brasileiro é de nível europeu, porque os mesmos recebem um ensino pior que o da Etiópia. Aliás, no ranking de citações por paper das revistas científicas internacionais, os trabalhos dos alunos brasileiros são menos citados que o dos alunos da Etiópia, Uganda e Serra Leoa. Ou seja, o ensino oferecido é melhor nas universidades dos países mais pobres do mundo do que nas universidades brasileiras. Ex-Presidente Lula, não morro nem nunca morrerei de amores pelo senhor, mas nessa questão tenho que concordar: em um país que muitos alunos se formam sem frequentar as aulas, e quando vão é para dormir ou marcar presença, lhe dar o título de doutor honoris causa não é nenhum absurdo. O senhor é um símbolo: símbolo da cultura da imbecilidade brasileira, do imbecil coletivo, do camarada que escuta o termo “ditadura militar” na escola, grava e sai proclamando essa merda por aí a vida toda, dando totais provas de que recebeu uma formação mais voltada á formação ideológica do que á formação profissional. Lula é o símbolo da “inducassão” brasileira, das pessoas que estudam pouco, porque, afinal de contas, a educação liberta, e nossos políticos não querem o povo livre. Enquanto os EUA têm um presidente formado em Harvard, aqui temos um ex-presidente analfabeto que se aposentou por causa de um dedo mindinho arrancado da mão e uma presidenta que inventa um diploma de doutorado que ela nunca teve. Se o Brasil ficasse onde fica Cuba, eu até me arriscaria no meio dos tubarões para sumir daqui e nunca mais voltar…

Vestibular Vermelho

Vestibular de inverno Mackenzie (São Paulo) (2007)

59. “O que é meridianamente claro é que a ditadura deixa uma herança arrasadora. Desorganização, miséria, cinismo político, corrupção institucional, inflação de três dígitos e recessão, uma dívida interna e externa calamitosa e combinada ao controle imperialista, programado por dentro da nossa economia e da nossa política econômica, uma burguesia desmoralizada pela aventura contra-revolucionária, um Estado minado por doutrinas e práticas autocráticas, um regime de partidos montado para pulverizar as forças sociais ativas na sociedade civil e, especialmente, para fortalecer o sistema como núcleo de militarização do poder político estatal.” (Florestan Fernandes – Eleições diretas e democracia).

O texto acima, do eminente sociólogo brasileiro, aponta traços de uma “herança arrasadora” legada

a) pelos longos anos do Estado oligárquico, dominado pelos cafeicultores de São Paulo e Minas Gerais, entre 1890 e 1930.

b) pela década e meia do governo conduzido autoritariamente por Getúlio Vargas, após o triunfo do movimento político de 1930.

c) pelos governos populistas de Juscelino Kubitschek e João Goulart, entre 1946 e 1964.

d) pelo regime militar, durante o qual se sucederam cinco presidentes generais, entre 1964 e 1985.

e) pelos desastrosos anos dos governos de Fernando Collor e Itamar Franco, de 1990 a 1995.

Gabarito: d)

Comentários: O viés ideológico se manifesta já na escolha do autor: Florestan Fernandes, socialista notório, ícone da esquerda, ex-membro do PT. O texto menciona aspectos negativos do Brasil no fim da ditadura militar, como se antes desta existisse um país de maravilhas que os militares destruíram. Falar de miséria como característica específica do governo militar é falso, pois a miséria existe há séculos em nosso país e foi justamente o milagre econômico da ditadura militar que mais tirou brasileiros da miséria. Culpar os militares pela disseminação da corrupção é fato que não encontra lastro histórico. Basta lembrar que Jânio Quadros ganhou as eleições presidenciais de 1960 prometendo combater a corrupção. É bom lembrar também que a dívida interna não era um grande problema ao fim dos governos militares e que a dívida externa só se tornou gigantesca em razão das duas crises do petróleo ocorridas nos anos 1970. A ditadura pode e deve ser criticada; mas com objetividade e isenção.

Esquerdopatia no vestibular da UFRGS
Vocês sabem que destaco sempre a esquerdopatia vigente nos vestibulares país afora, especialmente nas universidades públicas. Pois bem: leiam a questão 24 da prova de história da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (em vermelho):

Assinale a alternativa que preenche corretamente as lacunas do texto abaixo, na ordem em que aparecem.

A América Latina ocupa posição periférica na economia mundial. Os países da região ora adotam políticas que reforçam esta sua posição, ora defendem propostas alternativas em relação às economias centrais. Uma das políticas das economias centrais para manter a posição periférica dos demais países é a ………..; e um projeto internacional destinado a inibir as iniciativas de autonomia e integração dos países latino-americanos é ……..

Aí a questão oferece as seguintes alternativas:

(A) neoliberal – o Acordo de Livre Comércio das Américas (ALCA)
(B) liberal – a Comissão Econômica para a América Latina (CEPAL)
(C) populista – o Mercado Comum do Cone Sul (MERCOSUL)
(D) socialista – a Associação Latino-Americana de Livre Comércio (ALALC)
(E) nacionalista – a Organização dos Estados Americanos (OEA)

O candidato, é claro, deve assinalar a altrnativa “A” se quiser “acertar”. O que dizer? Isso não é uma prova de conhecimento, mas um teste ideológico. A rigor, inexiste resposta correta para a formulação, ela mesma uma estupidez ditada pela tolice esquerdista a mais prosaica.

Quem elaborou a pergunta? Desafio o “doutor” a escrever um texto neste blog demonstrando quais foram os instrumentos empregados pelas economias centrais para obrigar os “países periféricos” a adotar esta ou aquela políticas. Não precisamos ir longe. O “antineoliberal” PT, por exemplo, antecipou uma parcela do pagamento ao FMI — e não precisava fazê-lo — quando o câmbio estava em depreciação. Tivesse pagado a sua dívida no prazo certo, teria desembolsado bem menos reais em razão da queda do dólar. Quem foi o “neoliberal” que obrigou o Brasil a fazer essa besteira?

Leia o que vai em azul no jornal gaúcho Zero Hora:

Apesar das críticas, o teste é considerado correto por professores de cursinhos pré-vestibular da Capital. Para o professor de história do Unificado José Carlos Tamanquevis, não há o que discutir:

— A questão não tem um fundo ideológico, mas sim realista. Do ponto devista da história, ela está totalmente certa.

Conforme o professor de história do Universitário Gilberto Kaplan, o conteúdo do teste reflete a realidade e foi exposto de forma objetiva. Para ele, mesmo os alunos menos preparados teriam condições de acertar a questão ao eliminar as alternativas incorretas.

— É natural que quem defenda essa postura (neoliberal) se manifeste contrariamente. Mas o fato é que a questão traduz um momento histórico — argumentou Kaplan.

De mesma opinião, o professor de geografia do Unificado Saul Chervenski Gonçalves Filho, que também atua na área de história, afirma que o teste não merece reparações. Segundo ele, o governo brasileiro recuou do acordo para ingressar na Alca justamente porque perderia competitividade e abriria as portas para o domínio dos Estados Unidos. Apesar disso, Saul reconhece que a questão apresenta um “discurso de esquerda”.

— Embora a questão esteja certa, aqueles que são favoráveis ao neoliberalismo certamente ficaram descontentes, pois acreditam que o Estado mínimo e a abertura de mercado ao capital externo são positivos — pondera o professor.

Comento
Não há novidade na reação dos professores de cursinho, eles próprios, com raras exceções, os maiores agentes do esquerdismo burro que grassa nas escolas de segundo grau, cursos pré-vestibular e universidades. Vejam lá o que diz o tal Saul Chervenski Gonçalves Filho. É de uma ignorância oceânica, coitado! O pior é que deve dizer aquela bobagem em sala de aula.

Antes que o Brasil resistisse à Alca, os Estados Unidos já haviam caído fora. E a razão é simples: o país chegou à conclusão de que lhe era bem mais vantajoso, como está sendo, fazer acordos bilaterais com os países. O Brasil não queria a Alca por tacanhice ideológica; os EUA, como sempre, por pragmatismo. Pobres idiotas! Depois se pergunta por aí por que o país amarga os últimos lugares em provas internacionais.

O DEM protestou e levou a polêmica a seu site. Deixo aqui uma sugestão ao partido, que se tem mostrado bastante vigilante: é preciso criar uma secretaria, ligada à chamada ala jovem, para acompanhar casos assim, inclusive com assessoria jurídica. Está na hora de combater a Al Qaeda esquerdopata nas universidades, um braço bem mais importante da vagabundice ideológica do que se supõe.

Universidade do Lula: Brasil, ame-o ou deixe-o
Já expus aqui mais de uma vez o filtro ideológico que passou a vigorar no processo de seleção para ingresso nas universidades públicas brasileiras. Exige-se do aluno que demonstre o seu, como é mesmo?, “compromisso com as questões sociais”. Dito assim, parece bacana. Ocorre que esse tal “compromisso” não é, como sabem, um valor absoluto. Exige-se a sua adequação a um corte ideológico — de esquerda — e a uma agenda: a do PT. Pois bem, estão atingindo o estado da arte na manipulação e na vigarice. A prova de redação do vestibular da Universidade Federal do Pará é um escândalo sob muitos pontos de vista. Supostamente inspirados num texto de Cecília Meireles —A Arte de ser feliz—, para o qual se formulam questões (energúmenas, diga-se) de interpretação, os examinadores elaboraram a seguinte prova de redação:
A vida é marcada por acontecimentos que são fonte de satisfação, contentamento, prazer e por acontecimentos que são fonte de desânimo e angústia. O brasileiro, por exemplo, convive com a desigualdade social, com inúmeras formas de carência, com atos de violência, no entanto tem também motivos para felicidade. Escreva um texto em prosa em que você exponha um dos motivos pelos quais se sente feliz por ser brasileiro, apresentando argumentos consistentes que justifiquem seu sentimento de felicidade
Vamos lá
Sugiro que a Universidade Federal do Pará adote Marcelo Coelho, colunista da Folha, como patrono. Dia desses, ele esculhambou a mim e a três outros colunistas, dois deles da própria Folha, acusando-nos de “pessimistas” e “sombrios”. Em posts do seu blog, acabou fazendo uma defesa oblíqua do petismo. Como vocês percebem, estamos diante de uma mentalidade, que caracteriza uma época.Comecemos pelo aspecto moral, individual e existencial da prova:

A – é possível ser feliz sem que isso tenha qualquer relação com o Brasil;
B – é possível ser feliz, APESAR de ser brasileiro;
C – é possível que alguém considere que a felicidade, dados os fatores apresentados na própria formulação, é inviável;
D – é possível que existam pessoas infelizes sem que isso tenha qualquer relação com o Brasil e suas dificuldades;
E – é possível haver quem nunca tenha pensado no assunto.

Se é de felicidade pessoal que se está falando, como é que o examinador pode impor ao candidato um ponto de vista? E se ele considerar que ser brasileiro é mesmo uma porcaria? Não pode? Convenhamos: ser brasileiro não é como ser corintiano. Não é uma questão de gosto, de opção. Pode ser uma fatalidade. Pois é. Então chegamos ao aspecto perverso da coisa e ao óbvio viés ideológico da prova. A formulação induz o candidato a falar sobre os motivos que “o brasileiro” tem para ser feliz. E a referência aos problemas sociais ali fornece uma pista. Quem, devidamente afinado com estes tempos, afirmar que se sente feliz porque, finalmente, há um governo ocupado das questões sociais já está com pelo menos dois pés na vaga… E, claro, haverá os incrédulos que saberão jogar as regras do jogo: “Querem elogio? Então tomem elogio; eu quero é passar.” E pobre de quem não encontrar motivos para felicidade e resolver ser sincero. Vai levar zero. A prova já fornece a tese: “Você tem motivos para ser feliz; queremos saber se são os motivos certos”. Sim, isto mesmo: assim como Marcelo Coelho não quer “pessimistas sombrios” escrevendo em jornais, blogs e revistas, a Universidade Federal do Pará não quer saber de pessoas infelizes. Por lá, parece, todo mundo deve ter aquela exuberante alegria da família Carepa… Deus meu! Universidade Federal do Pará… A casa de Benedito Nunes, um patrimônio da inteligência nacional, amigo e melhor crítico de Mário Faustino.

Nem durante a ditadura se viu coisa assim — não em exames oficiais. Havia, claro, os propagandistas meio apalhaçados do regime, como a dupla Dom e Ravel. A música “Eu te amo, meu Brasil” virou uma febre nacional. Até a nossa mulher tinha mais amor:

As praias do Brasil ensolaradas
O chão onde o país se elevou
A mão de Deus abençoou
Mulher que nasce aqui tem muito mais amor

O céu do meu Brasil tem mais estrelas
O sol do meu país mais esplendor
A mão de Deus abençoou
Em terras brasileiras vou plantar amor

Eu te amo, meu Brasil, eu te amo
Meu coração é verde, amarelo, branco, azul anil
Eu te amo, meu Brasil, eu te amo
Ninguém segura a juventude do Brasil

As praias do Brasil ensolaradas
O chão onde o país se elevou
A mão de Deus abençoou
Mulher que nasce aqui tem muito mais amor

O céu do meu Brasil tem mais estrelas
O sol do meu país mais esplendor
A mão de Deus abençoou
Em terras brasileiras vou plantar amor

Eu te amo, meu Brasil, eu te amo
Meu coração é verde, amarelo, branco, azul anil
Eu te amo, meu Brasil, eu te amo
Ninguém segura a juventude do Brasil, Brasil

Questão de tempo
Anotem aí: é uma questão de tempo Lula fazer um discurso convidando os “pessimistas sombrios” de Marcelo Coelho a deixar o país. É só a crise se agravar um pouquinho. Voltaremos ao “Ame-o ou deixe-o”.

Como sabemos, a infelicidade é uma expressão da falta de patriotismo…

Texto de Reinaldo Azevedo publicado originalmente aqui.
Universidade de Brasília (2008)
A Universidade de Brasília vai merecer, um dia, um estudo de caso. Em nenhuma outra instituição de ensino a esquerdização bocó foi tão longe. Basta lembrar que é o território de uma estrovenga chamada “O Direito Achado na Rua”. Quem não sabe o que é deve procurar no arquivo do blog. Em síntese, é uma corrente de pensamento do direito que, na prática, manda a lei às favas em nome daquilo que os valentes consideram ser o justo e o legítimo. A UnB fez vestibular. Trata-se de uma prova toda moderninha — e, com efeito, nada mais velho do que aquilo. Do candidato é cobrado o esforço supremo de dizer se as proposições estão certas (e, então, ele marca “C”) ou erradas (“E”). Na página 12, o aluno é convidado a ler um texto. Em seguida, há oito questões (da 100 à 107) de interpretação.
Acompanhem. A prova segue em vermelho, interrompida por observações minhas, em azul.
O ano de 1979 pode ser tomado como marco da construção de uma nova ordem econômica mundial. Na seqüência, os governos de Thatcher e Reagan adotaram políticas neoliberais — privatização, desregulamentação e desmantelamento das conquistas sociais que estiveram na base do crescimento econômico com distribuição de renda que caracterizou os países do centro nos primeiros trinta anos do pós-guerra. E, com o fim do mundo socialista, elas tenderam a adquirir um âmbito efetivamente mundial. As políticas neoliberais abriram espaço para mudanças muito importantes que deram início a uma nova etapa de internacionalização do sistema capitalista, a fase do capitalismo mundializado.
Brasilio Salloum Jr. In: A condição periférica: o Brasil nos quadros do capitalismo mundial (1945-2000). Carlos Guilherme Mota (org.), op. cit., p.423-24 (com adaptações).

Julgue os itens que se seguem, tendo o texto acima como referência inicial.

100) Na linha 9, o pronome “elas” retoma a idéia de “políticas neoliberais” (R.4).
O aluno deve marcar C se quiser provar que não é um débil mental ou analfabeto. Não há ideologia nesse caso, só estupidez.

101) Depreende-se do texto que a “nova ordem econômica mundial”, que, como referido, teve no ano de 1979 seu marco inicial, reforçou as bases do Estado de bem-estar social surgido no pós-Segunda Guerra, ampliando-as de maneira global.
O texto não é explícito, mas arreganhado, na afirmação de que a “tal nova ordem” desmantelou as conquistas sociais. O coitado do aluno deve marcar “E”. De novo, é um teste de leitura ginasiano, ainda que o candidato ignore o assunto. O mais estupidamente divertido é a afirmação de que as políticas neoliberais só se expandiram com “o fim do mundo socialista” — logo, o mundo capitalista anterior, que o autor parecia até apreciar (aquele do “crescimento e da distribuição de renda”) eram também, vejam só, conquistas indiretas do… socialismo!!!

102) A China representa uma exceção ao “fim do mundo socialista” ao manter, ainda, seu regime de governo e sua economia alheia à possibilidade de investimentos externos.
Deve ser “E”, né, leitor amigo?, já que, como sabemos, a China é chegadita num investimento externo. E aqui surge um outro aspecto problemático da prova. Observem que a questão anterior busca verificar se o aluno entendeu o sentido do que está escrito. Feito isso, ele é conduzido, então, a uma espécie de armadilha, já que o texto de Salloum, por inepto, ignora a realidade chinesa.

103) A fase do denominado “capitalismo mundializado”, referido no texto, tem, entre seus fatores de expansão, o desenvolvimento da tecnologia da informação, que propicia, por exemplo, o aumento na circulação de capitais.
É Cêêêêêêê. Adoraria que a UnB definisse num livrinho o que entende, por exemplo, por “circulação de capitais”. A tecnologia da informação não nos trouxe nada além dessa facilidade conferida aos capitalistas cúpidos e desalmados?

104) No âmbito das mudanças decorrentes do que foi referido no texto como “nova etapa de internacionalização do sistema capitalista”, observa-se a diminuição das disparidades socioeconômicas entre os países.
É a mais dolosa de todas as questões. O aluno tem de responder “E” — ou seja, tem de asseverar que a afirmação está errada quando ela, de fato, está CERTA. A disparidade entre os países diminuiu brutalmente. A China saiu da fome para se tornar uma das maiores economias do mundo, aquela que mais cresce hoje. A Coréia do Sul se tornou uma potência econômica e exemplo de eficiência em educação e saúde. A Índia é uma das estrelas do mercado global. Só aí já estamos falando de um terço da humanidade.

105) No Brasil, o governo Collor deu início às reformas neoliberais, concluídas nos anos do governo Fernando Henrique Cardoso com as privatizações da Vale do Rio Doce e da Petrobrás.
Pegadinha vagabunda. De fato, essa gente acha que Collor e FHC tocaram o projeto neoliberal no Brasil. Isso está em tudo o que é livro didático; isso é afirmado nos cursinhos de maneira obsessiva. Há dias, assistimos a uma campanha dos esquerdopatas para reestatizar a Vale do Rio Doce. Onde está o truque? A Petrobrás não foi privatizada. E só por isso o examinador cobra que o aluno marque “E”, embora torça para ele marcar “C”…

106 Antecipando-se em cerca de uma década ao denominado socialismo do século XXI, do venezuelano Hugo Chávez, os governos de Menem (Argentina) e de Fujimori (Peru) adotaram ideais bolivarianos e teses socialistas.
Está errado, claro! O aluno, aqui, tem de saber que Menem e Fujimori são dois porcos reacionários de direita, que nada têm a ver com o “grande” Hugo Chávez e seus “ideais bolivarianos e teses socialistas”. A propósito: o que essa questão tem a ver com o texto?

107) A dificuldade material de acompanhar os EUA com seu milionário projeto Guerra nas Estrelas, lançado por Reagan, foi fator significativo para a explicitação da crise que levou ao desmantelamento da União Soviética.
Que vontade de chorar ou de pegar o chicote! O aluno tem de marcar C, tem de dizer que essa porcaria está certa, embora seja uma mentira tosca, bisonha.
a – o projeto de Reagan não era milionário — pode-se dizer que era, sim, trilionário;
b – nunca existiu nada parecido com “Guerra nas Estrelas”. Isso foi um termo criado pela imprensa anti-Reagan para dar um caráter delirante a um projeto de defesa;
c – de fato, o projeto original, bastante ambicioso, nunca saiu do papel;
d – o regime soviético já estava em crise, tanto que deu início à abertura, com Gorbatchev, e isso nada teve a ver com o tal Guerra nas Estrelas.

Por que o Brasil dá vexame em tudo o que é prova internacional? A resposta está no que vai acima. É a Universidade de Brasília, a mais petista das universidades brasileiras.

Publicado por Reinaldo Azevedo aqui.
Quer saber mais? Acesse o site Escola Sem Partido.

A mediocridade do ensino superior brasileiro

Segundo o QS World University Ranking de 2011, ranking da educação universitária no mundo, estas são as 3 melhores colocações brasileiras:

  • USP: 169º
  • Unicamp: 235º
  • UFRJ: 381º

Isso mesmo: Não há nenhuma universidade brasileira entre as 100 melhores do mundo, contra 31 universidades americanas e 6 japonesas.

Pode parecer absurdo, mas não é. Esse pífio resultado pode assustar os leigos politicamente, mas quem conhece a política nacional a fundo sabe do que se está falando: faz parte de um projeto de poder. Ou melhor, de perpetuação do poder político neste país.

"Estudante" revolucionário da USP: filhinho de papai tirando lugar de quem quer estudar, para fazer agitação política.

Lendo bem a tabela que consta no link, reparemos o seguinte: não consta nenhuma universidade do Nordeste e do Norte do Brasil. Será mera coincidência que esses mesmos Estados onde, segundo o ranking, o ensino superior não existe, sejam governados por oligarquias que se perpetuam no poder há mais de 50 anos?

Não, não é coincidência não: faz parte do projeto. Um povo mal educado, mal instruído, é fácil massa de manobra nas mãos de políticos inescrupulosos. Ou melhor: sustenta várias indústrias criminosas deste país, como a indústria dos cursinhos pré-vestibulares, pré-OAB, pré-ENEM, etc. Ou a pior de todas: a do concurso público, que torna o cidadão cada vez mais dependente do emprego público e faz com que as pessoas se voltem contra as privatizações que ajudaram o país a crescer, pois o  setor privado – cada vez mais sufocado pelos impostos extorsivos – exige uma atualização que estes nunca terão.

A Musa do Lixo, mostrando toda sua "consciência social" e respeito com os oprimidos funcionários da limpeza.

A educação liberta, mas não querem que o povo seja livre. Não querem mesmo. Essas colocações no ranking mundial estão até boas demais: eles queriam é que todas estivessem fora do ranking das 600 melhores. Se o leitor examinar bem o ranking, verá que universidades ditas “de excelência” no Brasil não constam no ranking.

No ensino brasileiro hoje em dia predomina uma regra: a do anti-americanismo ridículo e patológico, uma coisa deprimente e medonha que doutrina as nossas crianças. O vestibular hoje é um verdadeiro vestibular vermelho, onde só se passa quem responde de acordo com o que o comunista da banca examinadora pensa.

A liberdade custa caro e passa pela educação. Mas atenção: quantidade não é qualidade. Universidade é o que não falta no Brasil, o que falta é qualidade…