Dilma e o Libertarianismo Pra Gringo Ver

POR RODRIGO VIANA

Vagando por esse caótico universo ordenado espontaneamente chamado internet, eis que me deparo com um discurso um tanto inusitado feito por nossa presidente. No dia 10 de Abril desse ano, a presidente Dilma fez um discurso na Universidade de Harvard, Estados Unidos. Exaltando a parceria entre os dois países em questões educacionais, Dilma tenta antes mostrar aos americanos alguns pontos do nosso país e seu crescimento relevante junto aos BRICs. Inflamando um texto onde vai do proselitismo de seu partido, verborragias esquerdistas e chavões costumeiros, o discurso governamental segue de modo típico: esperançoso e insosso por si só.

Assistencialismo, estado forte e muito, muito intervencionismo. O texto é carregado de tudo o que é mais insustentável para uma verdadeira prosperidade social. De verdade, as palavras ditas te levam aos longínquos anos de Vargas e seu governo de aspirações fascistas. A qualquer momento você pensa que a nossa presidente irá soltar a máxima tudo para o estado, nada contra o estado, nada fora do estado”. Para percorrer o discurso todo, é preciso ter um saco de vômito ao lado em caso de urgência. Tudo recheado de dirigismo econômico e social, exaltações à empresas e agências governamentais, e fomentação estatal.

Mas há momentos engraçados (tragicômicos?) como quando ela tenta se esquivar de perguntas sobre a relação com Hugo Chávez ou quando diz que “nós não somos um país protecionista, nós não consideramos correto o protecionismo, nem achamos que ele rende em matéria de crescimento da competitividade do país”. Poxa, tocante isso presidente. Só que não.

Além disso, ela tenta criar uma familiaridade histórica sobre o legado africano no país, passando pela inexistência da democracia na ditadura (sem mencionar que ela e seus companheiros fomentaram tais governos ditatoriais, claro) e nos focos de lutas a favor da liberdade na época colonial. Foco este relatado como Inconfidência Mineira, movimento libertário de inspiração na Revolução Americana.

Sobre esta questão, ela diz: “(…)Eu nasci num estado onde houve os primeiros movimentos de emancipação do jugo colonial, que chamou Inconfidência Mineira, e que foi derrotada, mas foi um marco na luta pela liberdade. Quem inspirou as lideranças da Inconfidência Mineira, com as ideias do Iluminismo e os princípios de liberdade, foi a Revolução Americana. Eu acredito que esses princípios libertários, que remontam a séculos atrás, possam também nortear nossos povos para sedimentar nossa cooperação econômica e política, e aproximar, cada vez mais, nossas culturas.

Para alguém que durante a juventude levantou a bandeira da servidão e hoje elogia ideias libertárias, mesmo com sua política totalmente às avessas, faz-nos pensar em que distopia estamos vivendo. Em suma, um verdadeiro freak-show do duplipensar tupiniquim em terras estrangeiras.

Sim presidente, eu também espero que os princípios libertários que nortearam a nossa Inconfidência seja relembrada novamente. Que os ideais americanos da Revolução Americana, dos Founding Fathers[1] e do episódio conhecido como Festa do Chá[2], por exemplo, venham a ser o nosso caminho a seguir.  Que o peso do estado nas nossas costas seja diminuído a cada dia e que assim, a liberdade esteja cada vez mais presente. De verdade presidente, isso é o que qualquer defensor da liberdade almeja. Mas sem discursos vagos, certo?

Para ler o discurso completo, clique aqui. É por sua conta e risco.

Veja também:

Em homenagem a Tiradentes – IMB

Notas:

[1] Pais Fundadores dos EUA – Wikipedia
[2] A Festa do Chá de Boston – Brasil Escola

Impostos, sempre eles

O assunto já foi abordado há algumas semanas atrás, mas creio que ainda é oportuno o texto. Como a história diz: Tiradentes junto aos Inconfidentes se rebelaram contra as explorações e altos impostos da Coroa Portuguesa (que era algo em torno de 10%), mas hoje em 2012, nós pagamos muito mais, em media 40% do salário dos brasileiros são pilhados pelo governo em forma de impostos e o pior que a população parece gostar disso, uma vez que Dilma Rousseff e seu antecessor Lula gozam de uma popularidade incrível.

Eu fico imaginando como reagiriam os Inconfidentes mineiros diante da atual carga tributária. Se fossem apenas 10% de nossos ganhos em impostos eu não ficaria preocupado, mas são 40% e não tem como você não pagar, o Estado nos obriga.  Se 60% da população acha que não tem problema nisso e aprova a nossa ‘Coroa’(Dilma), Eu não e garanto que mais gente também não aprova e questiona, por que temos que pagar esses impostos?  Se eu os visse sendo revertido em algum beneficio a minha pessoa, talvez, eu não iria ter problema em pagar, mas não há. No Brasil se você quer alguma coisa de qualidade têm que recorrer ao setor privado, é assim com segurança, saúde, educação, transporte e outras coisas.

Somos incapazes de fazer escolhas na visão do Governo, ele acha que não temos condições de gastar nosso dinheiro da forma que bem entendemos, porém o Estado é de tamanha “benevolência”, que pega nosso dinheiro e gasta da forma que ele julga mais correta para o tal do ‘ bem-comum ’.

Claro que alguns setores devem estar na mão do Estado, tais como segurança, educação de base e saúde (essa questionável), mas o resto tem que ficar a cargo da população, ninguém gosta de ver o seu ganho sendo tomado pelo o outro, o mais engraçado que os defensores de um Estado centralizador são em boa parte, fascinados por Karl Marx, o mesmo Karl Marx que criticava o patrão por tomar a mais-valia do trabalhador, porém quem mais explora o trabalhador brasileiro é o próprio Estado.

Image

Em 2011 o Impostômetro da ACSP (associação comercial de São Paulo) fechou o ano contabilizando mais de 1,51 trilhão de reais arrecadados por meio de tributos (federais, estaduais e municipais) e em maio de 2012 já foram arrecadados 505 bilhões de reais em impostos. Não sou contra a abolição dos impostos ou do Estado, mas defendo que ambos sejam menores do que são hoje, o imposto de renda poderia ser apenas 10% ou 15% e não os 40% que muitos contribuintes pagam e não vê voltar.

Quem defende os impostos advoga que eles ajudam as pessoas de baixa renda, mas isso é uma falácia sem nexo, veja o exemplo, se uma pessoa compra um veiculo Honda Civic paga algo em torno de 70 mil reais, mas o mesmo veiculo (até com qualidade melhor) é vendido no EUA por 15 mil dólares (35 mil reais). Você deve estar se perguntando o que faz esse carro ser mais caro aqui? Simples os impostos, sem eles o carro seria mais barato, porém nosso governo socialista “defende” o povo ao taxar tudo, pois na cabeça esquerdista, o sujeito que tem 70 mil reais para pagar um Civic tem que pagar impostos para fazer a tal ‘justiça social’ (justiça do bolso dos políticos), mas o governo estaria ajudando mais se não houvesse tantos impostos, assim uma pessoa que iria comprar um Uno, Gol, Ka ou outro carro popular, iria ter dinheiro para comprar um Civic caso ele custa-se  40 mil reais e o sujeito que compra o civic por 70 mil, poderia muito bem adquirir um Camaro ou carro nesse nível.

Em homenagem a Tiradentes

Artigo publicado originalmente no Instituto Ludwig von Mises Brasil. Para ler o artigo original, clique aqui.

Há 220 anos, o dentista, comerciante, militar e ativista político Joaquim José da Silva Xavier era enforcado e esquartejado em praça pública pelo estado.

Seu crime?  Defender a independência da colônia de Minas Gerais em relação à Coroa Portuguesa, movimento esse inspirado pela recente independência das colônias americanas.  A motivação desta “revolta”?  A decretação da derrama pelo governo local, uma medida que permitia a cobrança forçada de impostos atrasados, autorizando o confisco de todo o dinheiro e bens do devedor.  Para onde ia o dinheiro?  Para a Real Fazenda, credora de uma dívida mineira que, àquela altura, já estava acumulada em 538 arrobas de ouro.

Quem delatou Tiradentes aos portugueses?  Joaquim Silvério dos Reis, um fazendeiro e proprietário de minas que, devido aos altos impostos cobrados pela Coroa Portuguesa, estava falido.  Qual foi seu prêmio por essa delação?  O perdão dessa dívida de impostos.  E mais: o cargo público de tesoureiro, uma mansão, uma pensão vitalícia, o título de fidalgo da Casa Real e a “honra” de ser recebido pelo príncipe regente Dom João em Lisboa.

Ou seja, o episódio da Inconfidência Mineira é apenas mais um exemplo da única e genuína luta de classes que existe no Brasil, criada pelo estado: pagadores de impostos versus recebedores de impostos.  Ela nos dá uma chance de refletir sobre a natureza dos impostos e do próprio estado.

São José, hoje Tiradentes, é a cidade natal de Joaquim José da Silva Xavier - o Tiradentes.

A principal lição é a de que o estado não tolera pessoas que se recusam a abrir mão dos frutos de seu esforço, ao mesmo tempo em que ele sabe recompensar muito bem aquelas que o auxiliam a espoliar e destruir esses rebeldes.  (Como exemplo atual, apenas pense na batalha diária entre empreendedores criadores de riqueza e funcionários do fisco.)

Como consequência direta, deduz-se que a tributação, de qualquer tipo, nada mais é do que um roubo, puro e simples.  Afinal, o que é um roubo?  Roubo é quando você confisca a propriedade de um indivíduo por meio da violência ou da ameaça de violência — o que significa, obviamente, que o esbulho é feito sem o consentimento da vítima.

Por outro lado, sempre existem aqueles apologistas do governo — muito provavelmente pessoas que dependem dele para sobreviver — que afirmam que o ato de se pagar impostos é, por algum motivo místico, algo cívico e “voluntário”.  Fossem estes seres minimamente lógicos, não teriam qualquer problema em defender uma mudança na lei, a qual diz que o não cumprimento das obrigações tributárias é algo criminoso e sujeito às “devidas penalidades”.

(Alguém realmente acredita que, se o pagamento de impostos fosse algo voluntário, o governo viveria com os cofres abarrotados, como ocorre hoje?  É exatamente por isso que a tributação tem necessariamente de ser compulsória).

Consequentemente, se você é uma pessoa que não tem quaisquer dificuldades com a lógica e, exatamente por isso, entende que o ato da tributação é idêntico a um roubo, então você também não terá dificuldade alguma em concluir que as pessoas que praticam esse ato, e que vivem dele, são uma gangue de ladrões.

Por conseguinte, você também não terá dificuldade alguma em concluir que qualquer organização governamental, que inevitavelmente vive do esbulho alheio, é “uma gangue de ladrões em larga escala”, como disse Murray Rothbard, e que, exatamente por isso, merece ser tratada — moral e filosoficamente — como um simples bando de meros rufiões, parasitas imerecedores de qualquer reverência, deferência ou mesmo do mais mínimo respeito.

O IMB dedica esse dia de Tiradentes a todos aqueles bravos brasileiros que trabalham duro dia e noite e que são obrigados a entregar para a gangue de ladrões em larga escala mais de 40% dos frutos do seu esforço, apenas para sustentar o bem-bom de uma classe parasitária — e tudo sob a mira de uma arma e sob a ameaça de encarceramento.

Eis um assunto de grande apelo para todos aqueles que trabalham no setor produtivo: jovens e velhos, pobres e ricos, “proletários” e classe média, brancos e negros, homens e mulheres, cristãos, judeus, muçulmanos e ateus.  Eis um assunto que todos estes criadores de riqueza entendem muito bem: tributação.

E eis um assunto que o outro lado, o dos recebedores de impostos, também entende muito bem: parasitismo.

Um bom feriado a todos.