A Boeing contra o povo americano

Imagine você, leitor, tendo a possibilidade de pagar mais barato num produto. Qual seria a sua reação? Favorável, provavelmente. Entretanto, o governo muitas vezes age em desacordo com a sua provável reação, ou seja, ele te impede de conseguir produtos mais baratos, e acreditando que isso é o correto.

No dia 26/09/2017 o Departamento de Comércio dos Estados Unidos aplicou uma taxa de 219,63% nos aviões comerciais da Bombardier, grupo empresarial canadense ligado aos transportes. O motivo? Subsídios provenientes do governo canadense, tornando os aviões comerciais canadenses mais baratos em solo americano. Todavia, a restrição só poderá entrar em vigor em 2018, caso seja aprovada pela Comissão de Comércio Internacional dos Estados Unidos (ITC), agência federal americana que, entre outras tarefas, avalia o impacto das importações na economia americana.

Bombardier-CSeries

O estopim para a medida foi após a Boeing, multinacional americana da área de transportes aéreos, acusar o Canadá de subsidiar injustamente os jatos de modelo CSeries da Bombardier, aviões de 110 a 130 assentos. Esses jatos seriam vendidos em solo americano abaixo do custo num pedido de 75 unidades por parte da Delta Air Lines, companhia aérea americana. A Boeing afirmou que essa disputa envolvendo as autoridades não é para “limitar a inovação e a concorrência”, mas sim para “igualdade e respeito aos acordos comerciais”. A Bombardier classificou a medida como “absurda” após discordar.

Esse é um caso claro de proteção para as empresas (Boeing, no caso), e não ao mercado dos EUA e aos consumidores americanos. Aliás, se alguém fosse reclamar, esse alguém deveria ser o povo canadense, não o americano.

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CNA vai monitorar lei agrícola dos EUA, enquanto isso, no Brasil o governo bolivariano vai tributar as vendas de soja em 9%

O Brasil realmente não corre o menor risco de dar certo.

Kátia Abreu, a traidora do agronegócio que subiu no palanque do PT e já defende a pauta do MST, sequer assinou a o requerimento para abertura da CPI da PeTrobras, agora vai cuidar da política publica voltada para o agronegócio nos EUA.

Realmente “muita falta do que fazer”, a começar porque o que os EUA fazem pelos seus produtores é problema deles e não representa praticamente nada dos prejuízos que o próprio governo Brasileiro nos causa, que tal a CNA dar prioridade para:

– Carga tributaria;

– Infraestrutura;

– Segurança Jurídica;

– Direito de propriedade;

– Burocracia;

– Leis trabalhistas;

E quantos aos outros problemas que o nosso próprio governo nos causa e que não esão na pauta da CNA? O que a CNA falou sobre o projeto de tributar as vendas de soja em mais 9%? Nada, nenhum pio e ai esta mais um grave atentado contra o setor produtivo Brasileiro.

Risco de tributação da soja inquieta produtor

Taxação de 9,25% na soja brasileira poderia causar prejuízo de R$ 6 bilhões

Chamar política agrícola de “subsidio ilegal” é absurdo. Se for assim por que o governo Brasileiro não “retalha” os EUA na mesma moeda nos dando melhores condições de trabalho?

Menos impostos, menos burocracia, abrindo o mercado de seguro agrícola para empresas privadas como é nos EUA.

Não passa da velha falácia de governos comuno-socialistas que acusam sempre os EUA pelos males causados por eles próprios. Quem Fidel Castro sempre culpou pelo caos na Cuba? Quem Hugo Chávez culpava pela miséria Venezuelana.

Sempre a culpa era e é dos EUA, sempre buscavam um bode expiatório, nunca se focavam no real problema interno. O Brasil não avança por causa de nós mesmos, nada tem haver com a politica agrícola nos EUA. Esse amontoado de problemas internos e vão se incomodar com a Farm Bill dos EUA? Deveriam parar de reclamar e copiar o modelo Americano que funciona deixando de copiar o modelo Venezuelano que é um fracasso. Vejam ai:

Uma das mudanças apontadas pela presidente da CNA é a transferência dos pagamentos diretos para o seguro agrícola. Desta forma, fica mantido o efeito distorcido dos programas anteriores, pois o seguro garante renda ao produtor em qualquer nível de preço. Conforme Kátia Abreu, fica claro que os americanos não estão buscando eficiência e produtividade. Eles estão premiando apenas a quantidade, disse ela.

Isso só pode ser uma piada, eu mesmo não entendo isso como um “subsidio” maléfico da forma que “nossos representantes” políticos nos tentam passar. Os tais pagamentos diretos nos EUA se referem a terras não cultivadas que os produtores deixam como reservas ambientais, qual o problema com isso? Por que o nosso governo não nos paga também pelas reservas legais que nos foram impostas via Código ambiental? Nos EUA a reserva legal é voluntaria, ninguém é obrigado a inutilizar parte de seu patrimônio sem compensação financeira por isso, direito de propriedade é o principal pilar de qualquer estado democrático. Tudo que é obrigatório não é bom.

O governo Brasileiro também subsidia o seguro agrícola e ate onde sei, proporcionalmente, o subsidio aqui é bem maior que nos EUA. O problema é que nosso seguro estatal é obrigatório/compulsório e não funciona, sequer cobre os custos do produtor e o mesmo ainda é obrigado a contratar o seguro caso precise financiar a safra no Banco do Brasil. Nada que é obrigado é bom ou funciona!

Quem é mais protecionista? segundo o ranking da heritage foundation os EUA estão em décimo segundo lugar enquanto o Brasil em centésimo décimo quarto lugar. Antes de criticarmos qualquer um por protecionismo deveríamos lavar a boca com soda primeiro.

Eu estou revoltado com o seguro agrícola Brasileiro, fui obrigado a contratá-lo para a safra de soja que foi colhida no mês de fevereiro e março de 2014. Tive todo problema possível, seca severa, sol escaldante, granizo… A quebra foi enorme, o prejuízo também e o seguro não cobre nada, pois, a produtividade mínima garantida por hectare é de 27 sacas de soja. Só pagam a diferença abaixo dessa produtividade, que pela realidade tecnológica atual é praticamente impossível de ocorrer, há não ser que um furacão ou um meteoro atinja a região.

O produtor rural paga por um serviço que jamais terá serventia, nunca vai se beneficiar com mesmo. É praticamente extorsão, venda casada, praticas ilegais segundo o a lei Brasileira.

Em 20 anos que exerço a atividade isso nunca ocorreu, o pior ano aqui foi em 2006 que a produtividade atingiu 30 sacas por ha. Segundo produtores que estão há mais tempo atuando na região essa baixa produtividade acontecia nos anos 70, quando a tecnologia era muito defasada, porem os custos eram muito menores e realidade econômica diferente.

Já expliquei como funciona o seguro agrícola nos EUA em Mitos sobre “protecionismo” agrícola nos EUA, baseado no livre mercado e na realidade de cada produtor, onde usam a produtividade media de cada fazenda para definir o nível de proteção. Alguém faria seguro do carro se o índice para ressarcimento em caso de acidente fosse de 200% o valor do veiculo? Claro que não, pois jamais algo assim iria acontecer, em caso de perda total no máximo o custo do carro seria o valor de mercado do mesmo.

Atacar a politica agrícola dos EUA não vai resolver em nada nossos problemas, vamos continuar seguindo esse modelo socialista falido de atacar os outros por problemas causados por nós mesmos ou vamos começar a usá-los como modelo a ser seguido? E dai que os EUA gastem dinheiro dos tributos recolhidos, que foram pagos pelos contribuintes, incluindo produtores rurais, para com políticas publicas voltadas aos cidadãos dos EUA? Essa é obrigação do governo. Qual o tamanho da carga tributaria no Brasil e nos EUA? Muito maior aqui no Brasil e consequentemente a renda per capta é quatro vezes maior nos EUA. E onde estão as contrapartidas publicas por esses impostos que pagamos?

Faça-me rir! Os EUA são ineficientes e improdutivos?! Kátia Abreu tirou essa bobagem de onde? Aderiu definitivamente ao modus operandi bolivariano de culpar “uzamericanu”? Esta andando muito com a Dilma Rousseff pelo visto, a confusão mental parece ser contagiosa.

Lembrem-se, “Os cães ladram e caravana passa”.

Leitura recomendada:

Economias à prova de políticas

Nobel de Economia Michael Spence e o professor de Stanford David Brady afirmam que economias menos engessadas e que são à prova de protecionismo crescem mais

Liberdade Econômica Contra a Desigualdade Racial

Walter Williams é um radical. Na juventude, preferia o incendiário Malcolm X ao pacifista Martin Luther King. Hoje, aos 74 anos, Williams admira os dois líderes negros, repudia a violência e se define como um libertário radical, como os americanos se referem aos que se opõem ao excesso de ativismo do estado e propugnam mais liberdade individual. Fiel ao seu ideário, é contra ações afirmativas e cotas raciais, e diz que o melhor instrumento para vencer a desigualdade racial é o livre mercado: “A economia de mercado é o grande inimigo da discriminação”. Criado pela mãe na periferia de Filadélfia, Williams acaba de publicar uma autobiografia em que narra sua trajetória da pobreza à vida de professor universitário (desde 1980, leciona economia na Universidade George Manson, na Virgínia). Com 1,98 metro de altura, voz de barítono, bom humor, ele demonstra muita coragem nesta entrevista.

Quem lê sua autobiografia fica com a impressão de que ser negro nos Estados Unidos das décadas de 40 e 50 era melhor do que ser negro hoje.
Claro que os negros estão muito melhor agora, mas não em todos os aspectos. Hoje, se os negros americanos fossem uma nação à parte, seriam a 15ª mais rica do mundo. Entre os negros americanos, há gente riquíssima, como a apresentadora Oprah Winfrey. Há famosíssimos como o ator Bill Cosby, que, como eu, vem de Filadélfia. Colin Powell, um negro, comandou o Exército mais poderoso do mundo. O presidente dos Estados Unidos é negro. Tudo isso era inimaginável em 1865, quando a escravidão foi abolida. Em um século e meio, fizemos um progresso imenso, ao contrário do que aconteceu no Brasil ou no Caribe, onde também houve escravidão negra. Isso diz muito sobre os negros americanos e sobre os Estados Unidos.

Em que aspectos a vida dos negros hoje é pior?
Cresci na periferia pobre de Filadélfia entre os anos 40 e 50. Morávamos num conjunto habitacional popular sem grades nas janelas e dormíamos sossegados sem barulho de tiros nas ruas. Sempre tive emprego, desde os 10 anos de idade. Engraxei sapatos, carreguei tacos no clube de golfe, trabalhei em restaurantes, entreguei correspondência nos feriados de Natal. As crianças negras de hoje que vivem na periferia de Filadélfia não têm essas oportunidades de emprego. No meu próximo livro, Raça e Economia, que sai no fim deste mês, mostro que em 1948 o desemprego entre adolescentes negros era de 9,4%. Entre os brancos, 10,4%. Os negros eram mais ativos no mercado de trabalho. Hoje, nos bairros pobres de negros, por causa da criminalidade, boa parte das lojas e dos mercados fechou as portas. Outra mudança dramática é a queda na qualidade da educação oferecida às crianças negras e pobres. Atualmente, nas escolas públicas de Washington, um negro com diploma do ensino médio tem o mesmo nível de proficiência em leitura e matemática que um branco na 7ª série. Os negros, em geral, estão muito melhor agora do que há meio século. Mas os negros mais pobres estão pior.

Para o professor Williams, as principais questões políticas, sociais e econômicas atuais deveriam ser analisadas e corrigidas levando-se em consideração que tudo é “uma questão de se respeitar a propriedade privada”. Para ele o livre mercado é o melhor instrumento regulador para qualquer tipo de relação, seja humana ou mercantil.
“Quanto menos intervenção do Estado – em qualquer área – melhor”, defende ele.

O estado de bem-estar social, com toda a variedade de benefícios sociais criados nas últimas décadas, não ajuda a aliviar a situação de pobreza dos negros de hoje?
Todos os economistas, sejam eles libertários, conservadores ou liberais, concordam que sempre cai a oferta do que é taxado e aumenta a oferta do que é subsidiado. Há anos, os Estados Unidos subsidiam a desintegração familiar. Quando uma adolescente pobre fica grávida, ela ganha direito a se inscrever em programas habitacionais para morar de graça, recebe vale-alimentação, vale-transporte e uma série de outros benefícios. Antes, uma menina grávida era uma vergonha para a família. Muitas eram mandadas para o Sul, para viver com parentes. Hoje, o estado de bem-estar social premia esse comportamento. O resultado é que nos anos da minha adolescência entre 13% e 15% das crianças negras eram filhas de mãe solteira. Agora, são 70%. O salário mínimo, que as pessoas consideram uma conquista para os mais desprotegidos, é uma tragédia para os pobres. Deve-se ao salário mínimo o fim de empregos úteis para os pobres. A obrigação de pagar um salário mínimo ao frentista no posto de gasolina levou à automação e ao self-service. O lanterninha do cinema deixou de existir não porque adoramos tropeçar no escuro do cinema. É por causa do salário mínimo. Na África do Sul do apartheid, os grandes defensores do salário mínimo eram os sindicatos racistas de brancos, que não aceitavam filiação de negros. Eles não escondiam que o salário mínimo era o melhor instrumento para evitar a contratação de negros, que, sendo menos qualificados, estavam dispostos a trabalhar por menos. O salário mínimo criava uma reserva de mercado para brancos.

As ações afirmativas e as cotas raciais não ajudaram a promover os negros americanos?
A primeira vez que se usou a expressão “ação afirmativa” foi durante o governo de Richard Nixon (1969-1974). Os negros naquele tempo já tinham feito avanços tremendos. Um colega tem um estudo que mostra que o ritmo do progresso dos negros entre as décadas de 40 e 60 foi maior do que entre as décadas de 60 e 80. Não se pode atribuir o sucesso dos negros às ações afirmativas.

As ações afirmativas não funcionam?
Os negros não precisam delas. Dou um exemplo. Houve um tempo em que não existiam jogadores de basquete negros nos Estados Unidos. Hoje, sem cota racial nem ação afirmativa, 80% são negros. Por quê? Porque são excelentes jogadores. Se os negros tiverem a mesma habilidade em matemática ou ciência da computação, haverá uma invasão deles nessas áreas. Para isso, basta escola, boas escolas, grandes escolas. Há um aspecto em que as ações afirmativas são até prejudiciais. Thomas Sowell, colega economista, tem um estudo excelente sobre o assunto. Mostra como os negros se prejudicam com a política de cotas raciais criada pela disputada escola de engenharia do Instituto de Tecnologia de Massachusetts (MIT), uma das mais prestigiosas instituições acadêmicas dos Estados Unidos. Os negros recrutados pelo MIT estão entre os 5% melhores do país em matemática, mas mesmo assim precisam fazer cursos extras por alguns anos. Isso acontece porque os brancos do MIT estão no topo em matemática, o 1% dos melhores do país. Os negros, mesmo sendo muito bons, estão abaixo do nível de excelência do MIT. Mas eles podiam muito bem estudar em outras instituições respeitáveis, onde estariam na lista dos candidatos a reitor e sem necessidade de cursos especiais. Por causa de ações afirmativas, muitos negros estão hoje em posição acima de seu potencial acadêmico. Se você está aprendendo a lutar boxe e sua primeira luta é contra o Mike Tyson, você está liquidado. Você pode ter excelente potencial para ser boxeador, mas não dá para começar contra Tyson. As ações afirmativas, nesse sentido, são cruéis. Reforçam os piores estereótipos raciais e mentais.

O senhor já teve alguma experiência pessoal nesse sentido?
Quando eu dava aula na Universidade Temple, em Filadélfia, tive uma turma com uns trinta alunos, todos brancos, à exceção de um. Nas primeiras aulas, eles me fizeram uma bateria de perguntas complexas. Você pode achar que era paranoia minha, mas eu sei que o objetivo deles era testar minhas credenciais. A cada resposta certa que eu dava, eu podia ver o alívio no rosto do único aluno negro da classe. De onde vinha esse sentimento, esse temor do aluno negro de que seu professor, sendo negro, talvez não fosse suficientemente bom? Das ações afirmativas. Não entrei na universidade via cotas raciais. Por causa delas, a competência de muitos negros é vista com desconfiança.

Num país como o Brasil, onde os negros não avançaram tanto quanto nos Estados Unidos, as ações afirmativas não fazem sentido?
A melhor coisa que os brasileiros poderiam fazer é garantir educação de qualidade. Cotas raciais no Brasil, um país mais miscigenado que os Estados Unidos, são um despropósito. Além disso, forçam uma identificação racial que não faz parte da cultura brasileira. Forçar classificações raciais é um mau caminho. A Fundação Ford é a grande promotora de ações afirmativas por partir da premissa errada de que a realidade desfavorável aos negros é fruto da discriminação. Ninguém desconhece que houve discriminação pesada no passado e há ainda, embora tremendamente atenuada. Mas nem tudo é fruto de discriminação. O fato de que apenas 30% das crianças negras moram em casas com um pai e uma mãe é um problema, mas não resulta da discriminação. A diferença de desempenho acadêmico entre negros e brancos é dramática, mas não vem da discriminação. O baixo número de físicos, químicos ou estatísticos negros nos Estados Unidos não resulta da discriminação, mas da má formação acadêmica, que, por sua vez, também não é produto da discriminação racial.

Qual o meio mais eficaz para promover a igualdade racial?
Primeiro, não existe igualdade racial absoluta, nem ela é desejável. Há diferenças entre negros e brancos, homens e mulheres, e isso não é um problema. O desejável é que todos sejamos iguais perante a lei. Somos iguais perante a lei, mas diferentes na vida. Nos Estados Unidos, os judeus são 3% da população, mas ganham 35% dos prêmios Nobel. Talvez sejam mais inteligentes, talvez sua cultura premie mais a educação, não interessa. A melhor forma de permitir que cada um de nós — negro ou branco, homem ou mulher, brasileiro ou japonês — atinja seu potencial é o livre mercado. O livre mercado é o grande inimigo da discriminação. Mas, para ter um livre mercado que mereça esse nome, é recomendável eliminar toda lei que discrimina ou proíbe discriminar.

O senhor é contra leis que proíbem a discriminação?
Sou um defensor radical da liberdade individual. A discriminação é indesejável nas instituições financiadas pelo dinheiro do contribuinte. A Universidade George Manson tem dinheiro público. Portanto, não pode discriminar. Uma biblioteca pública, que recebe dinheiro dos impostos pagos pelos cidadãos, não pode discriminar. Mas o resto pode. Um clube campestre, uma escola privada, seja o que for, tem o direito de discriminar. Acredito na liberdade de associação radical. As pessoas devem ser livres para se associar como quiserem.

Inclusive para reorganizar a Ku Klux Klan?
Sim, desde que não saiam matando e linchando pessoas, tudo bem. O verdadeiro teste sobre o nosso grau de adesão à ideia da liberdade de associação não se dá quando aceitamos que as pessoas se associem em torno de ideias com as quais concordamos. O teste real se dá quando aceitamos que se associem em torno de ideais que julgamos repugnantes. O mesmo vale para a liberdade de expressão. É fácil defendê-la quando as pessoas estão dizendo coisas que julgamos positivas e sensatas, mas nosso compromisso com a liberdade de expressão só é realmente posto à prova quando diante de pessoas que dizem coisas que consideramos absolutamente repulsivas.

O senhor exige ser chamado de “afro-americano”?
Essa expressão é uma idiotice, a começar pelo fato de que nem todos os africanos são negros. Um egípcio nascido nos Estados Unidos é um “afro-americano”? A África é um continente, povoado por pessoas diferentes entre si. Os vários povos africanos estão tentando se matar uns aos outros há séculos. Nisso a África é idêntica à Europa, que também é um continente, também é povoada por povos distintos que também vêm tentanto se matar uns aos outros há séculos.

A presença de Obama na Casa Branca não ajuda os negros americanos?
Na autoestima, talvez. Mas não por muito tempo, o que é lamentável. Em 1947, quando Jackie Robinson se tornou o primeiro negro a jogar beisebol na liga profissional, ele tinha a obrigação de ser excepcional. Hoje, nenhum negro precisa ser tão bom quanto Robinson e não há perigo de que alguém diga “ah, esses negros não sabem jogar beisebol”. No caso de Obama, vale a mesma coisa. Por ser o primeiro negro, ele não pode ser um fracasso. O problema é que será. Aposto que seu governo, na melhor das hipóteses, será um desastre igual ao de Jimmy Carter. Vai ser ruim para os negros.

FONTE:
André Petry – Páginas Amarelas, Revista Veja, Edição 2207 – 9 de março de 2011

Defendendo Reagan de Paul Krugman

Artigo escrito originalmente por William L. Anderson, postado no Instituto Ludwig von Mises Brasil, com tradução de Leandro Roque.

Paul Krugman, em sua interminável busca por novas interpretações históricas que finalmente confirmem suas mais disparatadas teorias, aparentemente acredita ter finalmente feito a descoberta do milênio: ele declarou que Ronald Reagan era na realidade mais keynesiano do que Barack Obama.  Por quê?  Eis suas palavras:

Reagan, e não Obama, foi o grande gastador.  Embora tenha havido um breve surto de gastos governamentais no começo da gestão Obama, isso já passou faz tempo.  Na verdade, a esta altura, o gasto público está caindo rapidamente, com o gasto real per capita encolhendo ao longo do último ano em um ritmo que não era visto desde a desmobilização que se seguiu à Guerra da Coreia.

E ele continua:

Por que o governo gastava muito mais sob Reagan do que na atual crise?  O “keynesianismo bélico” — a grande expansão militar feita por Reagan — teve algum papel.  Mas a grande diferença eram os gastos reais per capita em níveis estadual e local, que continuaram crescendo sob Reagan, ao passo que caíram significativamente desta vez.

E isso, por sua vez, reflete a mudança ocorrida no ambiente político.  Em primeiro lugar, os estados e os municípios costumavam se beneficiar do ‘compartilhamento de receitas’ — auxílios automáticos repassados pelo governo federal, um programa que Reagan acabou abolindo, mas somente depois que a recessão do início de seu governo já havia acabado.  Mais importante, durante a década de 1980, o dogma anti-impostos ainda não possuía o mesmo apelo de hoje, de modo que os governos estaduais e municipais eram muito mais dispostos do que hoje a cobrir déficits temporários por meio de aumentos de impostos, desta forma evitando profundos cortes de gastos.

É claro que isso estava demorando.  Algum dia, quando seu repertório de desculpas terminasse, Krugman iria finalmente entregar os pontos, “sequestrar” a agenda de Reagan e dizer: “Esse cara é dos meus!”.  Mas o problema é que há um caminhão de confusões neste trecho, algo em que Krugman é especialista em criar por meio de sua destreza em manipular estatísticas, as quais ele distorce até que finalmente elas confessem aquilo que ele quer ouvir.  Além desta sua prestidigitação estatística, típica de um mágico manipulando um baralho, há a sua total recusa em examinar o real cenário em que se encontrava a economia americana em 1982, e que permitiu que a economia finalmente saísse da recessão iniciada em 1980.

Primeiro, a ideia de que os programas do governo federal de ‘compartilhamento de receitas’ realmente ajudaram a tirar o país da recessão é um genuíno uivo krugmaniano.  As reais quantias de dinheiro distribuídas em forma de doações com mínima supervisão regulatória federal (algo que Krugman sem dúvidas alegaria ser maléfico) eram uma ninharia se comparadas ao tamanho total dos orçamentos de cada estado.

Segundo, e ainda mais importante, na última frase do trecho destacado acima, Krugman está alegando que aumentos de impostos feitos pelos governos estaduais tiveram um importante papel na recuperação da economia.  Em outras palavras, dinheiro confiscado de cidadãos e empresas privadas e transferido para funcionários públicos e empresas em conluio com o estado de alguma forma efetuou a mágica de finalizar uma penosa recessão.

A menos que Krugman queira recorrer à simplória teoria do “multiplicador orçamentário“, não estou muito certo de que sua “lógica” faça sentido.  (A teoria do “multiplicador orçamentário” se baseia na ideia de que, dado que o governo irá gastar absolutamente todo o dinheiro tomado das famílias e empresas em vez de apenas uma fração dele, um aumento dos impostos irá gerar um aumento de receitas e consequentemente um aumento dos gastos do governo, o que por sua vez irá deixar a economia mais robusta.  Obviamente, esta “lógica” inevitavelmente leva à defesa daquele esquema que seria a Mãe de Toda a Prosperidade: uma carga tributária de 100%).  Afirmar que roubar de Pedro para dar a Paulo é uma medida que gerará recuperação econômica é uma teoria que não passa nem no teste da risada.

Krugman recorre a novos truques quando afirma que o “keynesianismo bélico” também ajudou a gerar recuperação econômica.  É verdade que Reagan aumentou substancialmente os gastos do Pentágono, algo que sem dúvidas deixou as empresas fornecedoras de armas e suprimentos militares, bem como seus funcionários, pra lá de satisfeitas e em melhor situação financeira; porém, se elevar os gastos militares representasse um genuíno benefício — e não um custo — para uma economia, então a chave para a prosperidade eterna seria fazer com que todos os países do mundo entrassem em guerra permanente e gerassem o máximo possível de destruição.  Quanto maior os estragos, mais rica estaria a economia mundial.

(Assim como em sua afirmação de que aumentos nos impostos tiveram um papel decisivo para a recuperação econômica, Krugman jamais poderia reclamar de qualquer aventura militar americana em outros países, uma vez que elas inevitavelmente demandam mais gastos governamentais.  E, como todo bom keynesiano sabe, mais gastos governamentais significam mais prosperidade para todos.)

Mas há algo substancial que Krugman não aborda em seu artigo, e que foi de suprema importância para a recuperação da economia americana no início da década de 1980: a quantidade de liquidações, falências e mudanças na estrutura de produção da economia americana que ocorreu naquela época.  Dado que Krugman e eu nascemos no mesmo ano, nós dois nos lembramos bem das coisas que ocorreram durante a recessão de 1982 — bem como todas as lamúrias midiáticas que foram feitas à época.

Vários agricultores americanos que haviam se endividado enormemente (seguindo conselhos de burocratas do Ministério da Agricultura) prevendo mais inflação e um contínuo aumento nos preços das safras repentinamente se descobriram falidos e tiveram de ver suas fazendas sendo levadas a leilão quando os preços das safras despencaram em decorrência dos esforços do Banco Central americano (sob o comando de Paul Volcker) em reduzir a taxa de crescimento da oferta monetária.  Várias pessoas se lembram de Dan Rather [famoso âncora americano] fazendo matérias ao vivo direto destes leilões de fazendas, bem como vários filmes de Hollywood retratando as agruras de agricultores cronicamente endividados.

Uma grande quantidade de siderúrgicas e usinas de fundição de ferro e aço foi abandonada, e cidades como Pittsburgh, na Pensilvânia, passaram por substanciais alterações econômicas, uma vez que setores industriais inteiros, que eram a base das economias destes lugares, faliram e fecharam.  Igualmente, várias fábricas automotivas ao redor do país fecharam permanentemente, o que abriu espaço para que montadoras de outros países fossem para os EUA e construíssem fábricas e contratassem mão-de-obra não sindicalizada, apresentando, desde então, um desempenho muito melhor do que suas rivais americanas.

Houve também mudanças fundamentais no setor de transportes.  A Comissão Interestadual de Comércio — agência reguladora que controlava os preços de transportes ferroviários e de carga, e que havia criado vários cartéis nestes setores — passou por uma série de transformações, o que posteriormente levou à sua total abolição.  Vários esquemas regulatórios foram abolidos, o que levou ao surgimento de novas empresas nestes setores, bem como mais concorrência.

Profundas desregulamentações também no setor de telecomunicações acabaram com os cartéis, quebraram empresas obsoletas e permitiram o surgimento e o rápido crescimento de novas indústrias de alta tecnologia, o que acabou pavimentando o caminho para o moderno uso da internet.

Em outras palavras, embora haja várias críticas a serem feitas a Reagan, principalmente no que concerne ao aumento dos gastos militares, o fato é que ele, ao menos durante o seu primeiro mandato, permitiu que várias coisas boas pudessem ocorrer.  Ele permitiu que enormes setores da economia americana quebrassem e fossem liquidados, um termo que é anátema para keynesianos como Krugman.  Foi esta liquidação, como bem explica a teoria austríaca, que expurgou os investimentos ruins e insustentáveis da economia americana, permitindo que recursos escassos fossem direcionados para novos e mais modernos setores, de acordo com a nova demanda dos consumidores.

Não obstante várias e clamorosas demandas do Congresso para que o governo adotasse “políticas industriais” que estimulassem indústrias decadentes e falidas, e concedesse mais subsídios para aqueles setores favoritos dos Democratas (que controlavam o Congresso), o que houve na realidade foi um substancial crescimento econômico conduzido pelo livre mercado, de modo que, já no início de 1984, era nítido que a economia americana estava forte processo de recuperação.

Agora, de acordo com Krugman, tudo isso que ocorreu naquela época é na realidade impossível de ocorrer.  Sim, houve um crescimento no tamanho do governo, mas certamente nada comparável — principalmente nos dois primeiros anos de Reagan, seus melhores — aos maciços gastos que os keynesianos alegam serem necessários para que haja uma real e sustentável recuperação econômica.  Adicionalmente, os keynesianos de hoje nos fariam crer que a quantidade de liquidações ocorrida em 1982 arrastaria a economia americana para um atoleiro do qual ela jamais sairia sem acentuados gastos governamentais, subsídios, pacotes de estímulos, impressão maciça de dinheiro, juros extremamente baixos e afins.  E nada disso ocorreu.

Pessoas bem treinadas em métodos estatísticos sabem que sempre há maneiras espertas de se apresentar e interpretar números, e Krugman sabe como jogar este jogo.  Um grande número de pessoas já abordou esta maneira krugmaniana de lidar com números e não é minha intenção se juntar a elas.  Pretendo lidar com Krugman na base da teoria.

De acordo com Paul Krugman, considerando-se todas as liquidações e falências ocorridas em 1982, a recuperação econômica americana de 1983-1984 não poderia ter acontecido.  Mas ela ocorreu.  E ocorreu sem maciças doses de pacotes de estímulos, subsídios, impressão de dinheiro e aumento de gastos.  Consequente, Krugman se vê obrigado a criar fantasias sobre como o “compartilhamento de receitas”, o “keynesianismo bélico”, e o aumento de impostos dos governos estaduais foram na realidade os grandes agentes da prosperidade.  Adicionalmente, vale ressaltar que a taxa de inflação caiu acentuadamente durante aquela época, algo que os keynesianos argumentariam não ser possível durante uma recuperação econômica.

Infelizmente, Krugman é muito influente e várias pessoas acreditam em suas tolices — e são tolices —, o que dá aos governos a desculpa perfeita para confiscar mais riqueza da economia, asfixiá-la com mais regulamentações, aumentar seus gastos e seu controle sobre todos nós.  E ainda fazer os ingênuos acreditarem que este caminho da servidão é na realidade o caminho da prosperidade.

Para complemento de leitura e facilitação de entendimento, são recomendáveis também o artigo Liberalizar gera desemprego? e a biografia de Ronald Reagan.

Bolsas e auxílios destroem recursos

Nota: Os auxílios aqui criticados são as entregas de dinheiro público ou incentivos fiscais para uma determinada empresa, não eventuais políticas fiscais baseadas em cortes de impostos no geral para a sociedade, o que é bom para a economia.

É comum ver pessoas comemorando o fato de que o governo criou uma nova bolsa ou um novo auxílio, com a crença de que isso ajudará quem não tem recursos para um determinada atividade. Porém, na prática, isso não gera um avanço real.

Todos pagamos impostos para o governo. Alguns pagam mais, e outros pagam menos. Com um complexo sistema tributário como o brasileiro, composto por diversos impostos diretos e indiretos tanto para pessoas físicas como jurídicas, fica difícil calcular quanto cada um pagou exatamente.

Em 2011, segundo dados do IBPT (Instituto Brasileiro de Planejamento Tributário), o brasileiro trabalhou até o dia 29 de maio somente para criar receita para o governo – na prática, foram 149 dias trabalhando para sustentar o governo. Depois, os frutos do trabalho continuaram para o setor privado. Se comparado a outros países da América Latina como Argentina e Chile, o brasileiro trabalhou cerca de 55 dias a mais somente para pagar impostos.

Uma parte dessa receita (obviamente, apenas uma parte) foi utilizada para “benefícios sociais”, o que inclui bolsas e auxílios. Talvez, o mais famoso seja Bolsa-Família.

Por mais que atitudes concretas para ajudar os mais necessitados sejam louváveis, nesse caso, o que vale não é a intenção. O que vale é o crescimento, é o desenvolvimento. Mesmo tentanto distribuir renda dessa forma, as pessoas podem até sair mais pobres do que antes, dependendo do caso.

Quando você paga impostos para o governo (tanto diretos quanto indiretos), deixa de ter dinheiro. Mas então, o governo, com seus “projetos sociais”, devolveria o dinheiro para o pagador de impostos. O que acontece é que para o governo funcionar, ele precisa de funcionários, precisa cobrir gastos com equipamentos, e por aí vai. Logo, uma parte desse dinheiro se perderá, pois foi utilizado em inutilidades.

Exemplificando, se uma pessoa de baixa renda pagar apenas $100 para o governo e receber de volta em forma de auxílio $100 (uma das melhores hipóteses), recursos de terceiros foram desperdiçados, pois o governo teve gastos com funcionários e equipamentos, tanto para fazer a cobrança quanto para devolver o dinheiro. Se o cidadão não tivesse que pagar inicialmente esse valor, não seriam precisos gastos governamentais (bancados por terceiros) para devolver o dinheiro para o cidadão.

Se uma pessoa com uma condição social um pouco melhor pagar $500 de impostos para o governo e receber em forma de auxílio $150, uma parte do valor pago foi desperdiçado pelos mesmos motivos já expostos, pois o governo teve gastos para devolver o dinheiro. Uma parte dos $350 restantes foi gasta somente para devolver recursos, logo, se a pessoa tivesse pagado $350 de uma vez só, a totalidade dos $350 “contribuídos” poderia ter sido empregada de uma forma um pouco mais eficiente na medida do possível.

O mesmo vale para empresas que possam receber dinheiro público (milagrosamente, para fins sócio-econômicos e não políticos). O que a empresa recebe veio dos recursos que ela mesma forneceu ao governo.

Também serve para o caso do Estado realizar eventuais obras ou serviços, intermediando a contratação. Muitas vezes não é preciso uma intermediação estatal (principalmente em países em que há altos gastos públicos), pois o Estado estaria apenas fazendo algo que poderia ser feito pela iniciativa privada. Com isso, tempo e dinheiro seriam economizados, com a economia tendendo levemente a outro caminho. Além do fato de que uma intermediação do Estado (em que seus recursos não são produzidos por ele mesmo) facilitaria a existência de corrupção.

Há casos mais extremos como exemplos agrícolas em outros países, em que o governo praticamente banca o agricultor, o que evidencia que o Estado está tentando distorcer demais a economia, pois ninguém está disposto a realizar tal atividade. Então, a solução é não produzir alimentos, por exemplo, e deixar todos os mais pobres morrerem de fome?

Não. Centenas de países no mundo produzem alimentos e de boa qualidade. A solução é não produzir alimentos (já que por algum motivo interno não está dando retorno) e, em vez de gastar muito dinheiro público com algo de retorno questionável, facilitar a importação de alimentos, cortando os impostos e derrubando as barreiras. Quanto à Balança Comercial, o setor privado terá, nessa situação, mais recursos para investir em outros setores, podendo melhorar a produtividade e/ou aprimorar a qualidade da quantidade atual, podendo assim também exportar, evitando um déficit.

De vez em quando, o governo fornece incetivos fiscais para apenas uma determinada empresa de um setor, o que também não deixa de ser um erro. Políticos dificilmente fazem isso sem pensar em algo em troca. No final das contas, por causa de facilidades específicas, surgirá um jogo de interesses corrupto de ambas as partes, isso graças a mais uma intervenção do Estado na economia.

Portanto, para aqueles que aprovam esses benefícios governamentais, é muito mais prático defender cortes de gastos do governo e uma consequente redução na carga tributária pois, de qualquer forma, a pessoa terá uma quantidade a mais de dinheiro no bolso, porém, sem precisar passar pelo governo, evitando assim evidentes desperdícios e desvios de recursos escassos.