O Reaça Interior

Cheguei à conclusão de que todo esquerdista tem um reacionário dentro de si. Daqueles bem rabugentos, que gritam aos quatro ventos a decadência e a promiscuidade do mundo moderno. Agora é mais fácil entender como socialistas convertem-se ao fascismo, as vezes sem nem perceber.

Podemos ver isso facilmente analisando uma série de aspectos presentes no esquerdista típico.

O esquerdista típico é, em primeiro lugar, anticapitalista. Mas o que o esquerdista vulgar compreende por capitalismo não é somente um modelo econômico: é o mundo moderno como um todo. Por capitalismo, ele assume não só a propriedade privada dos meios de produção e o livre mercado, mas também vícios humanos como o egoísmo, a arrogância, a ganância, a corrupção, a superficialidade, a promiscuidade, a avareza, enfim, “a Babilônia” com toda a sua imoralidade cosmopolita e opulenta.

Em segundo lugar, o esquerdista é antiliberal. Acredita que a liberdade do indivíduo deve ser restrita o quanto possível pela autoridade pública (seja o Estado ou ‘o Coletivo’) para colocá-lo na “senda reta” da moralidade, do altruísmo, da cooperação, etc. É bastante visível quando se trata de Economia, que é o campo em que o esquerdista mais abertamente defende o dirigismo e o autoritarismo: lucrar é obsceno, o Estado deve fazer da Economia um distribuidor de bens e serviços, não um mercado.

Em decorrência do abordado anteriormente, o esquerdista é autoritário. Ou seja, acredita que trocas e acordos feitos de mútuo acordo podem e devem sofrer interferência da autoridade pública. A escolha, o acordo mútuo, a concordância, a vontade das partes é irrelevante porque não conferem valor algum às relações sociais: as pessoas não sabem o que é melhor para elas, e a autoridade pública tem o dever de impedi-los de escolher quando lhe der na telha.

Conforme prenunciado pelo item anterior, o esquerdista também é absolutista. Um absolutista porque é indiferente a valoração subjetiva de cada indivíduo atuando livremente. O esquerdista crê que as coisas tem algum tipo de valor intrínseco, um valor em si, algo que não está sujeito a negociação entre as partes envolvidas, mas que ele conhece e que deve ser tomado como lei.

Por fim, o esquerdista é um moralista. A sua principal objeção ao estado de coisas atual não é pragmática ou utilitária: a ele pouco importa se a economia de mercado é ou não mais eficiente na satisfação da demanda por bens e serviços. Seu ódio ao mundo moderno é resultado de uma objeção àquilo que ele vê como imoral: o lucro, o consumismo, a desigualdade econômica, a urbanização, a industrialização, o êxodo rural, a globalização.

Toda esta aversão ao mundo moderno, “à Babilônia”, é conhecida há eras, desde os tempos bíblicos. A aversão ao dinheiro, às máquinas, à Cidade, cosmopolita e cheia de empresários, operários e prostitutas nada tem de revolucionária. O nome disso é anti-modernismo, e é um componente essencial de ideologias reacionárias. E é por isso que a maioria dos esquerdistas se parece mais com crentes pregando nas ruas dos centros urbanos do que com revolucionários propriamente ditos.


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Livro recomendado:

  • Ocidentalismo – Ian Buruma e Avishai Margalit.

Afinal, o que é a Escola Austríaca de Economia?

POR RODRIGO VIANA

Muito se tem falado sobre essa escola econômica tão desconhecida, a Escola Austríaca. Renegada na maioria acadêmica, das raras vezes mencionada é apenas em seu teor histórico. Porém algo que parecia estar apenas no limbo, no underground intelectual, começa a dar um sinal de vida.
Os ecos dessa visão econômica, um tanto excêntrica para a maioria, começa a ser ouvida na sociedade. Há uma certa comoção para entender o que esses “austríacos” dizem.

Mesmo marginalizada, dada como “maldita” na área intelectual, a Escola Austríaca vem crescendo fortemente pelo mundo. Suas diferentes visões de interpretação chama a atenção de quem não a conhece. Muito também por renegar o discurso mainstream da benfeitoria do intervencionismo (às vezes estatismo) como parte sadio de um arranjo econômico, tão vigente em nossos dias. Afinal, quem são esses autores? Quem é Böhm-Bawerk, Ludwig von Mises, Friedrich Hayek, Murray Rothbard, Hans-Hermann Hoppe, Jesús Huerta de Soto e Carl Menger?

Menções como Praxeologia, Individualismo Metodológico, Subjetivismo, Teoria do Capital e a Teoria dos Ciclos Econômicos são questões fundamentais para se entender a base dessa escola econômica.
Assuntos debatidos em exaustão como “a impossibilidade do cálculo econômico no socialismo” e a refutação da mais-valia e da teoria do valor-trabalho pela “teoria do valor subjetivo” são ainda desconhecidos pelos cantos intelectuais brasileiros, assim como os estudiosos dessa escola econômica. Então o que fazer para que esse quadro seja mudado?

Para preencher um pouco essa lacuna o Instituto Mises Brasil, em parceria com a Atlas Network e a UERJ, elaborou um curso para promover esse pensamento econômico. Ministrado no final de 2011 na Faculdade de Ciências Econômicas da UERJ, o curso de 60 horas é apresentado pelos professores Alex Catharino, André Azevedo Alves, Ubiratan Iorio e Hélio Beltrão. E navega nos âmbitos da história, ciência política, epistemologia, filosofia e economia.

O curso foi inteiramente gravado e disponibilizado gratuitamente na internet. Estudantes, jornalistas, economistas, professores, profissionais da área humana e social, empresários, políticos ou quaisquer curiosos de plantão já possuem uma boa atividade para esse final de ano. E então, quando vai começar a estudar a Escola Austríaca?

Clique aqui para acessar o Curso de Escola Austríaca.