Lutando contra a opressão do sistema aritmético: 2 + 2 = 5

Uma esforçada ativista lutando contra o imperialismo e a exploração aritmética. Ela vai chegar ao resultado 2 + 2= 5.

De vez em sempre, esquerdistas simpáticos ao marxismo nos dizem
que os regimes comunistas que se instauraram na URSS, China,
Camboja, Vietnã e etc. não representam o verdadeiro comunismo,
pois desvirtuaram a teoria original. Bom, eu concordo plenamente
que o regime instaurado nesses países não se deram como Marx um dia imaginou. Mas tal fato nada faz para tornar a teoria marxista aceitável (o que me parece ser o objetivo de quem usa esse argumento). Afinal, o que temos aqui é uma teoria que prevê um resultado que jamais poderá ser alcançado. Para entender isso, lancemos mão de uma analogia.

Imagine que alguém proponha a seguinte teoria: 2 + 2 = 5. Não
importa o quão bem intencionada seja a pessoa que formulou esta teoria, ou quão bem intencionados sejam os que procuram colocá-la em
prática… o resultado jamais será 5, porque 2 + 2, na prática,
sempre será 4.

Aqui está o ponto cômico da história. Quando os marxistas dizem
algo como “nestes regimes ditatoriais não se instaurou o
verdadeiro comunismo e, portanto, devemos continuar tentando”,
estão essencialmente dizendo o seguinte: “Nestes regimes, 2 + 2 deu
4. Mas esta não é a verdadeira teoria contra a opressão aritmética. Na verdadeira teoria, 2 + 2 é 5. Portanto, vamos continuar tentando colocar a verdadeira
teoria em prática”.

Conclusão: Mesmo que isso custe a vida de milhões de pessoas e a
liberdade de dezenas de países, não devemos parar de lutar contra o imperialismo e a opressão do maldito sistema aritmético. Se a teoria diz que 2 + 2 deve ser igual a 5, então 2 + 2 será igual a 5. E quem reclamar, vai pro Gulag.

Tragicomédia revolucionária

Por Salvador Suniaga. Traduzido e adaptado para o português do Brasil por Renan Felipe dos Santos.

A tragicomédia do revolucionário é que -em sua imperiosa necessidade de retaliação, de vingança, de ressentimento- fabula conspirações onde não existem, encontra “ovelhas” em todas as partes, e ansia que a natureza se adapte ao seu igualitário e míope sentido de justiça. Isto, ignorando que:

  • Ser revolucionário, em si mesmo, é ser vítima de uma conspiração. O ideal, por ser ideal, não é real nem realizável.
  • Na lida contra a cegueira da humanidade, o revolucionário desconhece a história universal, o rigor filosófico, as ciências econômicas, a técnica científica, a biologia; e todos os fatores que poderiam, ironicamente, tirá-lo da cegueira emocional e explicar-lhe porque, de forma natural, o mundo é como é.
  • A justiça não existe em si mesma. A igualdade não existe em si mesma. E se há uma convenção humana de igualdade, não é possível formar, ao mesmo tempo, uma convenção humana de justiça; e vice-versa.

Por ser um flagelo emocional, e não de inteligência, a humanidade nunca se livrará do revolucionário, assim como ninguém se livrará do primeiro amor e da primeira decepção. É um assunto da juventude, de ingenuidade de espírito. Por sorte, a vida, por si só, ensina os meninos a ser homens.

Quem aos 18 anos não foi comunista, não tem coração; quem aos 30 anos segue sendo comunista, não tem cérebro.

– Arturo Uslar Pietri