Profissão: Ex-presidente

O Palácio do Planalto é a sede da Presidência da República.

Passeando pelo youtube achei uma série de reportagens interessantes sobre os ex-presidentes do Brasil após a ditadura militar. As entrevistas vão de José Sarney até Fernando Henrique, pois na época Lula ainda era presidente do Brasil. Vale a pena dar uma conferida.

José Ribamar Ferreira de Araújo Costa (José Sarney ) 1985 – 1990

José Sarney tornou-se presidente após o adoecimento e posterior morte de Tancredo Neves, entre março e abril de 1985. Sarney foi eleito vice-presidente da República na chapa de Tancredo Neves por eleição indireta.

Nasceu em Pinheiro, Maranhão, no dia 24 de abril de 1930. Presidente da transição para a democracia, assumiu o cargo após a morte de Tancredo Neves, que faleceu antes de tomar posse. Enfrentou um período de inflação descontrolada através de diversos planos, sendo o Plano Cruzado o que teve sucesso por mais tempo. Várias concessões políticas a seus grupos de sustentação impediram a manutenção de uma política econômica austera.

  • Ficha de José Sarney

Nome completo: José Sarney de Araújo Costa*
Data de Nascimento: 24 de abril de 1930
Local de Nascimento: Pinheiro (MA)
Primeira-dama: Marly de Pádua Macieira
Partido Político: PMDB
Profissão: Advogado e jornalista

  • Mandato de José Sarney

Início do mandato: 15 de março de 1985
Fim de mandato: 15 de março de 1990
Tempo de mandato: 5 anos
Vice-Presidente: –
Precedido por: Tancredo Neves
Sucedido por: Fernando Collor de Mello

*Em 1965 adotou legalmente o nome de José Sarney de Araújo Costa, o qual já utilizava para fins eleitorais desde 1958, por ser conhecido como “Zé do Sarney”, isto é, José filho de Sarney. O pai, por sua vez, recebeu esse nome por ter nascido na propriedade de um certo Sir Ney, de origem britânica, onde o avô de José Sarney trabalhava.

Fernando Collor de Melo 1990 – 1992

Primeiro presidente brasileiro eleito por voto direto depois da ditadura militar.

Nasceu no Rio de Janeiro, no dia 12 de agosto de 1949. Primeiro presidente brasileiro eleito por voto direto depois da ditadura militar e o único, até agora, a sofrer um processo de Impeachment. Foi eleito com um discurso anticorrupção e modernizador. Implantou o Plano Collor, que revoltou a população ao impedir saques de contas particulares e poupanças nos bancos acima de uma determinada quantia. Abriu o mercado para a entrada de produtos estrangeiros. Mesmo buscando manter uma imagem de herói junto à população, sofreu um processo de Impeachment por corrupção e renunciou ao seu cargo.

  • Ficha de Fernando Collor

Nome completo: Fernando Affonso Collor de Mello
Data de Nascimento: 12 de Agosto de 1949
Local de Nascimento: Rio de Janeiro (RJ)
Primeira-dama: Rosane Malta
Partido Político: PRN
Profissão: Jornalista

  • Mandato de Fernando Collor

Início do mandato: 15 de Março de 1990
Fim de mandato: 2 de Outubro de 1992
Tempo de mandato: 2 anos, 6 meses e 17 dias
Vice-Presidente: Itamar Franco
Precedido por: José Sarney
Sucedido por: Itamar Franco

Itamar Augusto Cautieiro Franco  (Itamar Franco )1992 – 1994

Vice de Fernando Collor, ele assumiu o cargo no meio de uma crise institucional, que terminou com o impeachment do titular.

Nasceu em 1930, abordo de um navio que fazia a rota Salvador – Rio de Janeiro, e passou a infância em Juiz de Fora, Minas Gerais. Vice de Fernando Collor de Melo, assumiu a presidência em caráter definitivo, em 29 de dezembro de 1992, após sua renúncia. Enfrentando novamente o retorno da inflação, deu início ao processo de desindexação que levou ao Plano Real, no mandato seguinte. Deixou o mandato em 1 de janeiro de 1995, com índice de popularidade entre os mais altos da República.

  • Ficha de Itamar Franco

Nome completo: Itamar Augusto Cautiero Franco
Data de Nascimento: 28 de Junho de 1930
Local de Nascimento: Salvador (BA)
Primeira-dama: –
Partido Político: PMDB
Profissão: Engenheiro civil

  • Mandato de Itamar Franco

Início do mandato: 2 de outubro de 1992
Fim de mandato: 1 de janeiro de 1995
Tempo de mandato: 2 anos, 3 meses e 29 dias
Vice-Presidente: Nenhum
Precedido por: Fernando Collor de Mello
Sucedido por: Fernando Henrique Cardoso

Fernando Henrique Cardoso (FHC ) 1994 – 2003

Primeiro presidente eleito a terminar o mandato, desde Juscelino Kubitschek, nos anos 60.

Sociólogo e político carioca, radicado em São Paulo, nasceu em 18 do junho de 1931, assumiu prometendo vincular o projeto econômico com o social. Implementou o Plano Real, que reduziu significativamente a inflação. Iniciou o processo de privatização das empresas estatais, enfrentando protestos. Conseguiu aprovar no Congresso Nacional várias emendas à Constituição, inclusive a que permite a sua própria reeleição.

  • Ficha de Fernando Henrique Cardoso

Nome completo: Fernando Henrique Cardoso
Data de Nascimento: 18 de Junho de 1931
Local de Nascimento: Rio de Janeiro
Primeira-dama: Ruth Valença Correia Leite
Partido Político: PSDB
Profissão: Sociólogo

  • Mandato de Fernando Henrique Cardoso

Início do mandato: 1 de Janeiro de 1995
Fim de mandato: 1 de Janeiro de 2003
Tempo de mandato: 8 anos
Vice-Presidente: Marco Maciel
Precedido por: Itamar Franco
Sucedido por: Luiz Inácio Lula da Silva

Fontes:

http://www.mundovestibular.com.br/articles/2799/1/PRESIDENTES-DO-BRASIL—PRESIDENTE-DA-REPUBLICA/Paacutegina1.html

http://www.duplipensar.net/dossies/historia-das-eleicoes/

Porque a greve no setor público não deve ser um direito

Vivemos o auge da social-democracia. “O auge?”, você pergunta. Eu digo que sim. O auge. O auge da insolvência, da imoralidade. Mas o auge, sim, da social-democracia, já que nada além disso podia se esperar de um sistema que muito promete a uns às expensas de outros. Até que os “outros” sejam insuficientes, e as medidas geniais aparecem: endividamento, impressão descontrolada de papel moeda, etc. Soluções mágicas, no governo mais próximo de você.

Impressão de dinheiro – O real símbolo da social democracia

Nesse mesmo cenário, houve uma evolução dos direitos sedimentados pelos liberais, e os direitos individuais passaram a sociais, difusos. A chamada, por Bobbio, Era dos Direitos. Nada contra, afinal de contas, é interessante analisar essa expansão dos direitos por um ponto de vista que busque uma coesão social. O direito à informação, à preservação do meio ambiente (sem radicalismos eco-terroristas, é claro), essenciais a um ambiente democrático.

Mas nesse mesmo cenário, direitos esdrúxulos aparecem. Um tal de Cristovam Buarque, conhecido ingênuo esquerdista, propôs até mesmo positivar na constituição o direito de ser feliz. Imagino a onda de depressivos movendo uma ação civil pública contra o Estado, exigindo sua indenização por não ter um direito “de classe” (quem sabe até com direito a sindicato) tutelado. A obrigação por parte do Estado de garantir que a felicidade jamais seja retirada de uma classe de infelizes. É claro que aqui uso um exemplo absurdo (Até porque imagino que na verdade se tenha confundido com algo já existente: O direito de buscar a felicidade existente na Declaração da Independência das 13 Colônias, e que se desdobra em inúmeras consequências que não cabem ser tratadas aqui). Em meio a essa manada de direitos (no Brasil pouco importa a eficiência e a aplicabilidade dos direitos, então compensamos com o grande número) existem alguns que, por estarem já enraizados em nosso meio, já não parecem tão surreais.

Greve dos professores

Um deles é o direito à greve, mais especificamente no setor público (já que no privado nada pode impedir que trabalhadores se organizem; e talvez sejam demitidos por isso, mas não vem ao caso). O setor público é sustentado com o dinheiro do contribuinte. Em geral é um sistema deficitário, já que no Brasil não existem muitas empresas governamentais voltadas ao lucro (o que em outros países é comum). Tendo isso em vista, o único retorno que os impostos devem trazer, no caso, é o serviço bem executado (ou pelo menos executado, já que eficiência não é o lema de nosso sistema público). A conclusão é simples: o sistema público não deve, em hipótese alguma, parar.

No Brasil, o sonho de muitos, assim que entram na universidade, é prestar concurso para integrar o corpo de servidores públicos. Não para servir o povo, como sugere o nome, mas em busca da estabilidade que o setor, em tese, oferece (em tese pois os salários dependem do cargo, e em alguns o salário é baixo). Oferecendo um serviço bom, não há nada de errado em pessoas buscarem, ao servir o povo, um bom salário e, também, nessa empreitada, satisfazer seus interesses pessoais. Não se espera que a pessoa vá ao sistema público por puro altruísmo. Existem casos, mas são raros.

O caso mais recente de insatisfação, e que tem ocupado espaço nos noticiários, é o dos professores das universidades federais. A greve já se estende por dois meses, com duas propostas de aumento do governo federal. Aumentos respeitáveis, diga-se de passagem. Não concordo com a extensa greve, e para isso destacarei alguns pontos:


I – O Salário é definido em Edital

Podemos começar com o fato que o salário inicial é dado, e ninguém é obrigado a prestar o concurso. A carreira acadêmica deve ser incentivada? É claro. Mas o salário em edital é baseado nos recursos destinados ao setor em questão. Em outras palavras, é o que o governo, em tese, pode oferecer.

II – A universidade é um ambiente de pesquisa

Muitos reclamaram das propostas pois elas beneficiam mais os doutores do que os mestres. Em um ambiente que objetiva o desenvolvimento da ciência, não poderia ser diferente. Assim estimula-se que os professores busquem se aprimorar cientificamente, realizando doutorados e contribuindo para o aumento no número de patentes.

III – A universidade é mantida com o dinheiro dos contribuintes

Como consequência, ela deve estar formando para o mercado de trabalho, para a carreira acadêmica e contribuindo para com o futuro do país. Independente do que aconteça. É isso que se espera de onerosas instituições: que deem o retorno à sociedade em forma de tecnologia e ciência.

Muitos podem pensar que sou a favor das condições precárias que acometem as universidades federais. Ledo engano. O governo tem sua parcela de culpa: o valor investido nas universidades poderia oferecer uma estrutura muito melhor do que a existente. Parcerias com o setor privado deveriam ser buscadas para um maior desenvolvimento do setor (mas isso apavora os lunáticos do DCE e professores adeptos ao comunismo dinossauro). Não julgo correto que os salários dos professores se mantenham congelados por tempo indeterminado, também: nesses casos, a justiça deveria se incumbir de indenizar, além de que o governo deveria ser mais claro no que tange os reajustes.

Mas agora, volto ao que abordei ainda no primeiro parágrafo desse texto: vivemos um sistema que está à beira da bancarrota. Uma crise se alastra e, cada vez mais, arrisca atravessar o atlântico para provar que, diferente do que disse Lula, não é só uma “marolinha”. Já sentimos seus impactos na inflação, tão temida pelos professores com relação aos aumentos (que, sinceramente, foram respeitáveis). Enquanto os governos do mundo precisam se adaptar fiscalmente, aumentar suas responsabilidades no que tange os gastos, os professores do ensino público desejam um aumento surreal. Quem sabe possamos imprimir milagrosamente o dinheiro que os professores e os sindicatos desejam. Então, num passe de mágica, entraremos de cabeça na crise, que demanda o corte de gastos. Mas sempre podemos nadar contra a correnteza. Os tempos de Sarney não nos ensinaram nada.

Demóstenes e o Mensalão

Nos últimos dias o caso Demóstenes preencheu as folhas e horários do noticiário em um evento histórico, em que o Brasil cassou pela segunda vez em toda a história um senador. Alguns dizem que Demóstenes acabou por manchar o congresso. Se olharmos para o fato pela óptica de ser apenas o segundo senador efetivamente cassado na história até que parece verídica essa afirmação, transformando o ilustríssimo congresso em um símbolo de probidade e lisura. Besteiras à parte, o motivo que derrubou Demóstenes não foi a inegável corrupção que cometia. O político caiu pois, além de ser da oposição, fazia efetivamente oposição.

Demostenes
Demostenes Torres – Ao ser caçado, recebeu um torpedo: “Força na peruca!”, ele dizia.

Não venho por meio desta defender o ex-senador da punição que mereceu receber (aliás, merecia mais). Longe disso. Eu mesmo, na época das acusações, escrevi sobre a decepção que foi esse político, antes paladino da ética e da lisura, hoje apenas um bandido comum. O fato é que diversos nomes já foram identificados como favorecidos em esquemas com o mesmo “empresário” e sobre nenhum deles está a cair a mão pesada da Ética do congresso. Pelo contrário, o congresso encontra-se manso. A CPI, com a mesma invejável celeridade do judiciário nacional, não sai do lugar. Mas o importante, no momento, não é a CPI.

Mais importante que todo esse escândalo é o mensalão. Aguardamos ansiosos pelo julgamento do maior esquema de corrupção já desvelado na história do Brasil. Ou como diria Lula, nunca antes na história desse país viu-se tamanho esquema de corrupção! Orgulho nacional! O fato é que a velocidade judiciária, já destacada no parágrafo anterior, é um grande serviço a todos aqueles que participaram do grande esquema. Não gosto de fazer acusações, mas até parece que o STF aguarda a prescrição propositalmente. Novamente, sem querer acusar, mas grande parte dos ilustríssimos ministros foram indicados pelo não menos ilustre Lula, governo sob o qual aconteceu tal escândalo, com ameaça de um tão merecido (mas não executado) impeachment. Só coincidência.

Lula
Lula – Doutor Honoris Causa, e maior empecilho, ao lado do STF, no julgamento do mensalão

Entre as palhaçadas que alegraram o picadeiro, ocorreu a já (infelizmente) esquecida ameaça praticada por Lula ao ministro Gilmar Mendes, um dos únicos que não foi indicado pelo PT. O que será que aconteceu com a ação criminal que seria movida contra o ex-presidente em exercício? Nada mais se noticia à respeito, e o silêncio impera. Nada diferente poderia ser esperado em um país que mantém Collor no conselho de ética, Sarney na presidência do senado… faltou apenas Toninho Malvadeza para completar a gangue. E Lula, doutor honoris causa, novamente na chefia do executivo em alguns anos. Aí o circo fica completo.