A Dama de Ferro

Batizada pelos seus inimigos de Dama de Ferro, Margaret Thatcher fez juz ao apelido colocando ordem na Inglaterra, recuperando um país que estava em frangalhos. Talvez não haja melhor imagem para representar a força feminina do que Thatcher hoje em dia: foi, por três vezes, primeira-ministra da Grã-Bretanha. Feito este até hoje já mais alcançado por qualquer outra mulher. Entre revoltas de líderes sindicais, atentados do IRA e a Guerra das Malvinas, Thatcher emerge como um símbolo não só do conservadorismo  mas como uma prova cabal do poder feminino na política.

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Recentemente, sua vida virou tema de um filme que estreará este ano no cinema: The Iron Lady.

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10 anos sem Ronald Reagan

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Conselhos de Ronald Reagan:

Eu sinto saudades deste grande homem! Se nós não tivermos outro como ele em breve, a América estará condenada!

O ex-presidente dos Estados Unidos, Ronald Reagan, morreu há dez anos atrás em 5 de junho. Enquanto conduziu o povo americano (1981-1989) a economia dos EUA cresceu, o líder da União Soviética Mikhail Gorbachev epicamente derrubou o Muro de Berlim, e Reagan ganhou o título de “O Grande Comunicador “.

Apesar de ser um ator, ex-governador de dois mandatos da Califórnia, presidente de sindicato, e Democrata registrado (até meados dos anos 1950), ele finalmente começou a abraçar valores conservadores em função de que esses eram realmente eficazes. Reagan reconheceu que o mundo se tornou muito complexo para respostas “simples”. Ele reconheceu e abraçou as políticas que funcionam.

Se o quadragésimo presidente estivesse vivo hoje, ele poderia oferecer ao povo americano estes lembretes:

1) Excesso de poder Governamental:

“As palavras mais terríveis em Inglês são: Eu sou do governo e estou aqui para te ajudar.”

2) Desigualdade:

“O sonho americano não é que todo homem deva estar no mesmo nível de seu semelhante. O sonho americano é que cada homem deve ser livre para se tornar tudo o que Deus queira que ele se torne “.

3) Política Externa:

“Nós mantemos a paz através de nossa força; a fraqueza é apenas um convite a agressão”.

4) Aborto:

“Tenho notado que todos os que são a favor do aborto já nasceram.”

5) O Estado de Bem Estar Social:

“O propósito dos programas de bem-estar social devem ser a eliminação, o quanto antes possível, da necessidade de sua própria existência.”

6) Empreendedorismo:

“Não há grandes limites para o crescimento, porque não há limites para inteligência humana, para imaginação, e para os sonhos.”

7) A dívida nacional:

“Não temos uma dívida de trilhões de dólares porque não tributamos o suficiente; temos uma dívida de trilhões de dólares porque gastamos demais.”

8) Imigração:

“Uma nação que não consegue controlar suas fronteiras não é uma nação.”

9) Liberdade:

“A liberdade nunca esta mais do que uma geração de sua extinção. Nós não passamos ela para os nossos filhos hereditariamente. Devemos lutar por ela, protegê-la e entregá-la para que eles façam o mesmo “.

10) Liderança:

“O grande líder não é necessariamente aquele que faz grandes coisas. O grande líder é aquele que estimula as pessoas a fazerem grandes coisas.”

Reminders from Ronald Reagan

O que os críticos do capitalismo não entendem

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Atacar o capitalismo parece nunca sair de moda . Ao longo dos últimos 100 anos, poucas instituições têm sido atacados com tanta força , tão falsa e estupidamente.

No entanto, a resiliência do capitalismo continua. Governos com base na idéia de que o capitalismo é mau e que o Estado pode criar riqueza , controlando toda uma economia surgiram e caíram durante este período, mas o capitalismo continua a prosperar.

Hoje, já é auto evidente dizer que o capitalismo tem feito mais bem para mais pessoas do que qualquer outro arranjo econômico já inventado pelo homem. Economias capitalistas como os Estados Unidos são prósperas, crescentes e expansivas, criando oportunidades e riqueza para um números cada vez maior de pessoas.

“Eu acho que todo o mundo ganharia se o comércio fosse perfeitamente livre”, disse Thomas Jefferson, e nossa Constituição foi um grande passo nessa direção. O capitalismo é baseado no livre mercado , sobre as oportunidades para que todos possam entrar em qualquer mercado a qualquer tempo para produzir e oferecer produtos e serviços que as pessoas querem , precisam e vão comprar.

O capitalismo é realmente “poupanci-smo”. O capital fixo é constituído por bens imóveis, fábricas, máquinas, equipamentos e todos os outros fatores de produção que podem ser usados ​​para produzir e distribuir produtos e serviços para cada vez mais pessoas. O capital é acumulado apenas quando as pessoas se abstenham de gastar tudo o que ganham, poupando e posteriormente reinvestindo esse capital para produzir ainda mais bens e serviços no futuro.

A América é grande pois oferece a oportunidade para que quase todo mundo possa trabalhar , poupar, investir e construir o capital ao longo do tempo. Esse capital acumulado pode ser usado para iniciar um negócio ou pode ser combinado com o capital de terceiros para ajudar a financiar a criação de grandes corporações.

Os mercados de ações representa um lugar onde as pessoas podem reunir seu capital, investir em empresas, juntamente com o capital dos outros para produzir e vender produtos e serviços obtendo lucros e dividendos, que são distribuídos aos acionistas como os proprietários do negócio.

O capitalismo depende de uma combinação de produtividade, autodisciplina e autonegação. Ela exige a capacidade de adiar a gratificação de curto prazo, a fim de desfrutar de recompensas maiores a longo prazo. Ele aceita e ajuda a domar a natureza humana.

Como Steve Forbes observou certa vez em uma palestra para a Fundação Heritage, “o capitalismo encoraja os indivíduos ambiciosos para se envolver na busca da paz, em vez de saquear seus vizinhos.”

“Um empresário oferece algo, um produto ou serviço. Você não tem que aceitar. É uma transação voluntária. Ele incentiva a cooperação” , explicou.

A América é grande porque fornece um quadro jurídico e social que consiste de leis claramente compreendidas, contratos legalmente autorizadas, e uma moeda estável, que cria segurança suficiente para que as pessoas a poupem, invistam e arrisquem seu capital na expectativa de alcançar uma maior riqueza no futuro.

A América é grande porque o seu sistema capitalista permite que a pessoa média possa começar com pouco e construir uma propriedade substancial ao longo de uma vida inteira de trabalho. A América tem mais milionários e bilionários do que todos os outros países do mundo. 80 por cento dos americanos ricos começaram de baixo e ganharam o seu dinheiro em uma geração como resultado de investirem na construção de empresas capitalistas.

Onde certos países têm sistemas antigos de castas ou sistemas de classe arraigados em que crescer e prosperar em busca de uma vida melhor é quase impossível, o sistema capitalista de livre mercado nos Estados Unidos apresenta oportunidades para que cada indivíduo possa melhorar sua vida.

A América é grande porque a América é livre, e devemos sempre saber que se perdermos a liberdade econômica que garante o capitalismo, a nossa liberdade política também será gravemente ameaçada.

É por isso que os conservadores sempre defendem o estado mínimo. É a única maneira de trazer mais inovação, mais empregos e mais oportunidades para mais pessoas.

Isso é algo que os críticos do capitalismo sempre parecem ignorar, mas ajuda a explicar porque o capitalismo sobreviveu diante de todos os seus adversários ao longo do século passado.

O nazismo e o fascismo eram movimentos conservadores políticos?

Texto de Davi Caldas (colaborador do “Direitas Já!”), também publicado em seu blog “Mundo Analista“. Para ler o original, clique aqui.
Ronald Reagan, presidente dos EUA entre os anos de 1981 e 1989. Um dos maiores expoentes do conservadorismo politico moderno.

Normalmente livros e professores de história nos dizem que nazistas e fascistas eram conservadores e, portanto, de direita. E ai do aluno que tentar dizer algo contra esta concepção! Será taxado de revisionista, falsificador da história e etc. Mas será que é isso mesmo? Será que os dois movimentos realmente foram conservadores e isso é tão evidente que não pode ser questionado? Para responder a essa pergunta é necessário primeiro saber o que é conservadorismo.

1) Definindo Conservadorismo

Não existe um só conservadorismo. Esse é o primeiro fato que devemos ter em mente. Podemos falar em pelo menos três tipos de conservadorismos diferentes um do outro: o conservadorismo político, o conservadorismo moral e o conservadorismo religioso. Vamos observar cada um deles.

1.1) Conservadorismo Político

O primeiro tipo de conservadorismo diz respeito apenas à política. Ele se define por ser uma posição cética a mudanças abruptas e irrefletidas na sociedade, bem como a projetos que intencionam uma completa remodelação na estrutura social tradicional à qual estamos acostumados. Por quê? Existem três motivos básicos. O primeiro é a experiência. Para o conservador, o passado tem muito a nos ensinar, pois é por meio da observação do que já passou que podemos saber o que provavelmente dá certo e o que provavelmente dá errado em termos de vida social. Também é por meio da observação do que já passou que podemos entender como as coisas costumam a ser. Por exemplo, o conservador sabe que o ser humano, no geral, não costuma a ser confiável. Ele sabe disso porque tem sido assim há milênios e continua sendo assim hoje.

O conservador também sabe que existe um senso moral básico na humanidade porque, da mesma maneira, tem sido assim há milênios e continua ser. Não importa se ele vai acreditar que tal senso moral provém de Deus, ou existe por si só, ou é fruto da evolução; o fato é que a experiência mostra que este senso existe. E por aí vai.

O segundo motivo seria o medo dos excessos. O conservador entende que mudanças abruptas e irrefletidas podem gerar excessos sociais e políticos, tais como vandalismos, conflitos freqüentes, desordens urbanas, desrespeito às autoridades, desrespeito às leis, excesso de poder, autoritarismo e genocídios (excessos que podem ser cometidos tanto pelos governantes, quanto pela população). Por mudanças abruptas podemos entender modificações profundas feitas sem um processo de transição. Por mudanças irrefletidas podemos entender modificações que não se baseiam no que o passado nos ensinou, mas tão-somente em especulações e idealismos.

Por fim, o terceiro motivo são os pilares sociais. Para o conservador, a sociedade foi sendo erigida sobre certos pilares. Esses pilares, evidentemente, não podem ser destruídos, do contrário a sociedade entra em colapso. Podemos citar como pilares sociais a moral geral, o direito a vida, o Estado, as leis, a subordinação do ser humano às leis, a hierarquia, as forças armadas, o direito à propriedade privada, a cultura local, as crenças religiosas, a família e etc.

O conservador entende que esses fatores desempenham papel fundamental no funcionamento da sociedade tal como conhecemos. Por esse motivo são considerados pilares. Sua destruição não nos dá qualquer garantia de que poderemos ter uma sociedade melhor (ou mesmo que poderemos ter uma sociedade). Na realidade, o conhecimento experiencial de que o ser humano não perfeito (tampouco perfectível), parece indicar que tais fatores protegem os homens uns dos outros, de modo que, se forem atacados, farão levarão a espécie humana ao completo estado de caos.

É por causa desses três motivos básicos que o conservador político se opõe a políticas de viés revolucionário, socialista, progressista ou qualquer outro que apresente uma postura idealista. Elas são consideradas políticas mirabolantes e perigosas, porque idealizam um paraíso na terra (ou algo próximo a isso) e sustentam que o homem é capaz de alcançar este paraíso através da destruição e recriação da sociedade, fazendo uso do Estado como ferramenta para tal.

Em prol da reconstrução da sociedade, o governo idealista torna-se destruidor da experiência humana, dos pilares da sociedade e dos valores humanos mais básicos, passando por cima do que aprendemos com as gerações anteriores e o passado. Torna-se também coletivista e classista, obrigando o indivíduo a subordinar toda a sua vida a construção dessa sociedade ideal e criando uma série de inimigos que precisam ser destruídos (burgueses, religiosos, conservadores, judeus, negros, estrangeiros…), a fim de que a nova sociedade possa se consolidar. Neste ponto, o Estado se transforma em um Deus que controla o destino de todos os indivíduos.

Os revolucionários anti-religiosos da Revolução Francesa e os revolucionários maoístas chineses da metade do século XX são bons exemplos de idealistas que enchem os conservadores de horror. Em ambos os casos, tais revolucionários pretendiam moldar uma nova sociedade, destruindo o que conhecemos e impondo um novo sistema de crenças unificado. O resultado foi desastroso e só confirmou a importância, para os conservadores, de se conservar a sociedade que conhecemos.

É preciso enfatizar que o próprio conservadorismo político pode ser dividido em dois subtipos: o conservadorismo absolutista e o conservadorismo pós-absolutista (que podemos chamar de conservadorismo moderno). Em essência não há diferença entre eles. Ambos se tratam de uma posição cuidadosa em relação a mudanças sociais, que procura conservar o que julga ser mais garantido do ponto de vista da experiência. No entanto, o conservadorismo absolutista acreditava que o regime que melhor servia para os seus propósitos conservadores era a monarquia absolutista. O conservadorismo moderno quebrou com essa concepção.

Em princípio, a posição absolutista não apresentava argumentos muito fortes a seu favor. O poder absoluto do rei era justificado com base em uma suposta vontade divina de que as coisas fossem daquela forma. Com a chegada do iluminismo, alguns pensadores absolutistas foram desenvolvendo argumentos mais fortes. Thomas Hobbes, por exemplo, em sua obra Leviatã, entendia que o absolutismo tornava o Estado mais forte no que tange à manutenção da ordem e, consequentemente, da paz. Como para ele a única função do Estado era garantir minimamente o direito do cidadão à vida, então se fazia necessário a mão forte de um rei absoluto.

Curiosamente, os argumentos que Hobbes oferece ao longo de sua obra para defender a necessidade de um rei absoluto levam em conta um forte ceticismo em relação à bondade do ser humano, o que, certamente pode ser utilizado contra o próprio absolutismo. De fato, muitos autores iluministas que foram surgindo durante esta época fizeram exatamente isso: sustentaram que o poder deveria ser limitado para se evitar o despotismo.

É exatamente aí que surgem os conservadores modernos. Sem deixarem de ser conservadores, eles percebem, com base na experiência, que a monarquia absolutista levava ao abuso de poder. Percebem também que, embora o absolutismo já durasse muitas gerações, ele não se tratava do único regime que já existira, tendo existido outros que funcionaram de melhor maneira. Isso tornava a decisão de romper com este regime, um tanto refletida e, portanto, de acordo com o princípio conservador.

Essa ampla e prudente reflexão dos conservadores modernos sobre os perigos de se concentrar muito poder nas mãos de governantes criou um forte ceticismo em relação a Estados intervencionistas, centralizados e com muitas funções. Reconhecia-se que um Estado assim levaria facilmente ao abuso de poder. Deste modo, a defesa de um Estado mínimo e descentralizado logo se tornou uma das principais marcas do conservadorismo político moderno. Quando, por exemplo, a constituição americana foi formulada, grande cuidado houve para que o Estado não tivesse possibilidades de se tornar despótico.

É importante ressaltar que houve um choque entre esses dois subtipos de conservadorismo e que, inevitavelmente, os conservadores modernos foram taxados de revolucionários pelos conservadores absolutistas. Evidentemente, ambos ficaram em lados opostos na guerra política. É por este motivo que conservadores modernos, que eram partidários do liberalismo econômico, ficaram ao lado de revolucionários radicais e socialistas a princípio.

O posterior declínio do absolutismo inaugurou um novo contexto político, no qual os recém-criados termos políticos, “direita” e “esquerda”, passariam a ser usados para expressar a oposição entre os conservadores modernos (adeptos do liberalismo econômico – o “capitalismo”) e os idealistas revolucionários.

O conservadorismo absolutista não desapareceu de todo. Mesmo com a total destruição do absolutismo como forma de governo, resquícios de seu pensamento foram atravessando as décadas, se misturando a outras ideologias e mantendo viva uma posição que já não podemos nem chamar de conservadora, mas sim retrógrada. E, por assim ser, sequer encontra muita definição no espectro moderno. São reminiscências de outro contexto político, em que nem faria sentido falar em direita e esquerda.

Mas voltando ao conservadorismo pós-absolutista, ou moderno, algumas leituras são indispensáveis para que se tenha um panorama geral desta posição política. Iniciar com Edmund Burke é aconselhável. Em sua obra “Reflexões sobre a Revolução em França”, o político e pensador britânico expõe suas críticas à Revolução Francesa, que baseada em um idealismo cego e destruidor, gerou um banho de sangue. Sua defesa da prudência política é brilhante. Ao mesmo tempo, deixa claro o seu incondicional apoio ao sistema parlamentarista de governo, em lugar do despotismo monárquico. Em Burke achamos o equilíbrio entre liberdade política e ordem social que faltou à França.

Partindo de Burke, as considerações do francês Alexis de Tocqueville também são imprescindíveis, seguindo Smith, Jefferson, Lincoln e Hume, e avançando para Böhm-Bawerk, Voegelin, Ruy Barbosa, Churchill, Mises, Hayek, Kirk, F. F. Bunckley, Olavo de Carvalho, Reagan e Thatcher. Todos estes foram expoentes do moderno conservadorismo político. A leitura deles nos oferece um padrão de pensamento contínuo que é seguido desde a fase de declínio do absolutismo até os dias de hoje. Não houve grandes mudanças no interior do conservadorismo moderno de lá para cá.

1.2) Conservadorismo Moral

O segundo tipo de conservadorismo é o moral. Este é totalmente distinto do político. Embora muitos conservadores políticos sejam também conservadores morais, não é necessário ser ambos. O conservadorismo moral diz respeito à conservação da moral judaico-cristã. O adepto desta posição não apenas acredita em um conjunto de valores morais gerais, como o conservador político, mas também crê em um conjunto de valores morais mais específicos, que se encontram dentro da tradição judaico-cristã.

Desta forma, conservador moral vai condenar o aborto, a eutanásia, a venda e o consumo de drogas, a livre venda de órgãos, o consumo excessivo de álcool (ou até mesmo o consumo de álcool), o fumo, o jogo de azar, o divórcio, o homossexualismo, o casamento gay, a adoção de crianças por casais homossexuais, a bigamia, a poligamia, o poliamor, a pedofilia, a bestialidade, a pornografia, os palavrões, os filmes, desenhos e jogos violentos, o topless, o nudismo, a promiscuidade, a boemia e etc.

Como afirmei e o leitor pode constatar, há valores mais gerais, que são cridos pela grande maioria das pessoas, e valores mais específicos. Assim, é perfeitamente possível concordar com muitas posições do conservadorismo moral e ainda assim não ser um conservador moral.

Aqui, mais uma vez, podemos e devemos dividir o conservadorismo moral em dois subtipos (pelo menos): o moral passivo e o moral ativo. O passivo seria aquele em que o conservador apenas tem uma opinião moral conservadora, mas não acha que a maioria dos valores em que acredita deve se tornar lei. Eu, por exemplo, sou um cristão conservador moral e acredito que fumar e beber são hábitos moralmente degradáveis, contudo, não defendo a proibição da venda de álcool e cigarros. Cada um que escolha o que acha melhor para si (desde que não afete diretamente a liberdade do outro).

Já o conservadorismo moral ativo seria aquele em que o conservador acredita que a maioria dos valores morais que sustenta precisa estar na lei. Não obstante, outras subdivisões ainda podem ser feitas, já que um conservador poderia ser extremamente ativo ou extremamente passivo ou mesmo moderado. Eu acredito que a maioria dos cristãos seja composta por conservadores morais moderados.

Distinguir o conservadorismo político do conservadorismo moral é de suma importância para estabelecer a posição política de uma pessoa. Porque as aquelas posições morais que são mais específicas e individuais pouco importam para definir uma pessoa no espectro (ao contrário das posições mais gerais, como a do aborto, por exemplo, que lida com a questão do direito a vida).

1.3) Conservadorismo Religioso

Por fim, há o conservadorismo religioso. Este é o que menos tem a ver com política. Ele se refere tão somente à defesa da religião tradicional tal como ela é, sem abrir concessões a sincretismos e secularismos. O conservador religioso deseja apenas que sua religião seja respeitada e, dentro dela, procura incentivar que seus adeptos a sigam sem distorções.

Normalmente a esquerda associa este último conservador ao conservadorismo político e à direita, dizendo que conservadores religiosos pretendem impor sua religião a toda a sociedade. Há três mentiras aqui. Em primeiro lugar, não é necessário ser um conservador religioso para ser um conservador político e um direitista. E o oposto é verdadeiro. Uma coisa não tem nada a ver com a outra. Em segundo lugar, ser um conservador religioso não é ser um fanático. É simplesmente não querer ver sua religião mutilada por outras crenças. Finalmente, a imposição religiosa, sobretudo, através do Estado, não é algo que agrada ao conservador político moderno. Afinal, o conservador morre de medo de um Estado que se intrometa na vida individual. E um governo que tivesse o direito de impor uma religião, poderia impor qualquer outra coisa, destruindo assim o individualismo.

2) O que importa para a política

Uma vez entendido que existem tipos de conservadorismo diferentes e que eles não devem ser mesclados em uma coisa só, devemos agora separar o que realmente é importante para a política e o que não é. A resposta me parece ser bem óbvia. Se nós queremos saber a posição política de uma pessoa, o que realmente importa é o seu conservadorismo político. Podemos citar alguns exemplos.

O filósofo e escritor brasileiro Luiz Felipe Pondé é conhecido por suas posições abertamente direita. Ele se define politicamente como um “liberal conservate” e explica o termo: “Conservador na política e liberal em todo o resto”. Fato incontestável. Pondé é um extremo pessimista antropológico, antimarxista, antissocialista, antiprogressista, admirador de Burke, capitalista, opositor a idealismos de “mundo melhor”, defensor da meritocracia e do livre mercado, opositor do assistencialismo e respeitador da religião tradicional. Sem dúvida, um conservador político.

Não obstante, Pondé não tem nenhuma religião, não acha errado a prática homossexual (tampouco o casamento legal e a adoção de filhos), nem o divórcio, o sexo antes do casamento e etc. Embora apresente um profundo respeito pelas religiões e pela moral judaico-cristã, ele não acredita em grande parte de seus dogmas, tampouco os defende como políticas públicas. Assim, Pondé é um conservador político, mas não um conservador moral ou religioso.

Não foi o caso do Woodrow Wilson, presidente dos EUA entre os anos de 1912 e 1920. Wilson, embora fosse um cristão tradicional e um conservador moral, também era um progressista político. Ele entendia que o Estado deveria ser mais presente, mais forte e mais centralizador, pois aperfeiçoaria a política e tornaria o Estado muito mais útil aos interesses gerais. Durante sua presidência, tomou muitas medidas autoritárias, desfigurando aos poucos a idéia de um Estado pequeno e descentralizado, e criando no Partido Democrata uma linha mais intervencionista, que depois seria retomada por Franklin Roosevelt, tornando-se marca registrada dos democratas americanos.

Talvez o leitor discorde dessa visão de conservadorismo, alegando que a moral é parte importante do conservadorismo político e que, por isso, o mesmo é indissociável do conservadorismo moral. De fato, a moral é parte importante do conservadorismo político, mas apenas a moral geral. O fato, por exemplo, de um conservador defender o casamento gay não implica o abandono de valores atemporais básicos como o direito a vida e o individualismo, tampouco implica o menosprezo da experiência passada e dos pilares da sociedade. A essência do conservadorismo político permanece de pé.

É válido ressaltar que alguns conservadores políticos defendem determinadas posições do conservadorismo moral, nem tanto pela moral, mas porque acreditam que tais posições, se não defendidas, podem destruir a sociedade. Por exemplo, Olavo de Carvalho é contrário a legalização do casamento gay porque isso abriria precedente para os mais diversos tipos de uniões civis, desde casamentos poliafetivos, até casamentos entre pessoas e animais. E isso, segundo ele, certamente causaria um caos jurídico e social. Deste modo, a preocupação de Olavo de Carvalho se encontra dentro do campo do conservadorismo político. Ele teme a desestruturação da sociedade.

No entanto, um conservador que não creia na probabilidade desse caos jurídico, não poderia ser chamado de falso conservador só por isso. Ele continua conservador, mas abre concessão à legalização do casamento gay por não ver nesta concessão riscos à ordem social. Se os visse, certamente seria contrário à concessão. É aqui que reside a diferença entre esse conservador e um revolucionário. O revolucionário não está nem aí para os pilares da sociedade ou a sua ordem. Pelo contrário, ele quer destruir tudo, porque acredita com todas as forças que dá para fazer uma nova sociedade e que ela irá funcionar de maneira perfeita, tal como na música “Imagine”, de John Lennon. Não é o caso do conservador político, ainda que ele seja favorável ao casamento gay.

Outra crítica que o leitor poderia levantar é que com tais definições, até mesmo libertários e anarcocapitalistas seriam considerados conservadores. Mas não é bem assim. Libertários e anarcocapitalistas se distinguem de conservadores porque levam a confiança no livre mercado e no ideal de liberdade até as últimas conseqüências, o que acaba implicando a defesa de projetos e reformas muito radicais. Um conservador político, por exemplo, jamais iria defender uma sociedade sem Estado (como defendem os anarcocapitalitas), mesmo que tal sociedade fosse regida pelas leis do mercado. O seu pessimismo em relação a capacidade humana e o seu respeito pela antiguidade do Estado, faz ter desconfiança de tal projeto e achá-lo sem grandes garantias.

Além do mais, o conservador político certamente estaria mais disposto a aceitar alguns pontos do conservadorismo moral (mesmo que não fosse um conservador moral ou religioso) a permitir que em nome do livre mercado, valores sociais importantes fossem destruídos. Por exemplo, um libertário pode defender a livre venda de órgãos e o livre aborto em nome da liberdade, ao passo que, o conservador político pode ser contrário a isso por temer o desenvolvimento de uma banalização da vida individual, sentimento que é base para sistemas coletivistas de governo.

Enfim, o conservador político é basicamente alguém que só toma decisões muito bem refletidas e baseadas na experiência, ao passo que, libertários e anarcocapitalistas tomam decisões baseadas no anseio de uma sociedade totalmente livre. É por isso que pessoas como Mill, Popper e Rothbarth, embora tenham sido expoentes do liberalismo econômico e da direita, dificilmente poderiam ser chamados de conservadores. Havia um pouco de euforia e idealismo que lhes afastava da posição conservadora.

3) A análise dos movimentos Nazifascistas

Agora que sabemos o que é conservadorismo político estamos em boa posição para analisar se os movimentos fascistas e nazistas eram conservadores políticos e, por conseqüência, direitistas. Podemos começar perguntando: como esses movimentos viam a sociedade que conhecemos? Para eles, a sociedade que conhecemos era uma estrutura antropológica complexa, baseada em pilares que passaram pelos testes do tempo e da experiência, devendo assim ser conservada? Ou será que, para eles, a visão nazifascista da sociedade que conhecemos era a de um sistema cultural, político e econômico infectado por fatores externos à natureza geral do ser humano, que poderia e deveria ser totalmente destruída e reformulada?

Certamente, a visão nazifascista de sociedade era a segunda. Nazistas e fascistas não estavam interessados em conservar a sociedade que conhecemos. Havia em sua ideologia um elemento redentor. Eles acreditavam, tal como Rousseau, Robespierre e Marx, que em algum ponto da história humana, o homem corrompeu suas relações com o próximo, criando uma sociedade corrupta. O problema estava na sociedade e não no ser humano. Esta sociedade precisava ser destruída, para dar lugar a outra, reformulada, justa, ideal.

O fascismo italiano propunha como solução a intervenção estatal em todas as áreas da sociedade, a fim de reformulá-la. O Estado seria o redentor. Ele resolveria os conflitos entre patrões e empregados, abraçaria os pobres, dinamizaria a economia e uniria todas as classes sob um só sentimento de irmandade nacional. O nacionalismo deveria servir não apenas de ferramenta para a resolução de diferenças entre classes, mas como o motor para a transformação do próprio mundo. Afinal, se a suposição de que a raça italiana era superior estava certa, então o nacionalismo italiano teria poder para colocar todo o mundo nos eixos.

Sem grandes diferenças, o nacional-socialismo alemão propunha como solução, em primeiro lugar, o extermínio das raças consideradas inferiores, sobretudo, a raça dos judeus (que pretendiam, conforme Hitler, impor seu domínio ao mundo). Este seria o primeiro passo no processo de destruição desta sociedade e sua reformulação. O Estado, evidentemente, seria a ferramenta humana utilizada nesse processo. Destruídas as raças inferiores, o homem ariano, biologicamente superior, estaria livre para consertar todos os problemas sociais causados pelos “desviantes biológicos”, continuando o trabalho iniciado pelo Estado.

Aqui, mais uma vez, o Estado é responsável por resolver os conflitos entre patrões e empregados, abraçar os pobres, dinamizar a economia e unir as classes sob um só sentimento de irmandade nacional (e racial), bem como o de chamar a atenção das classes para um objetivo supremo: a construção de uma nova sociedade (no caso do nazismo, o Terceiro Reich).

A isenção da natureza humana como a única culpada pelo mal, a transformação do Estado em um redentor, o ímpeto de destruir a sociedade que nós conhecemos há milênios e a idealização de uma nova sociedade, justa e perfeita, são marcas típicas de revolucionários, progressistas e socialistas. São marcas típicas da esquerda. Não há nada de conservador nestas visões.

Um segundo questionamento que podemos fazer é sobre a visão que fascistas e nazistas tinham sobre alguns pilares sociais e direitos inalienáveis. De maneira geral, eles pretendiam conservá-los ou não? A história confirma que não. O nazifascismo, para começar, não valorizava o individualismo. O indivíduo deveria servir aos propósitos do Estado, que era o detentor do “bem comum” e do “objetivo supremo”. Ora, se o bem era comum e o objetivo era supremo, então qualquer que quisesse outro bem para si e almejasse outro objetivo em detrimento do supremo, era um inimigo da sociedade. É óbvio também que o nazifascismo não valorizava o direito à vida. Tal “direito” se submetia à vontade do Estado.

Alguns esquerdistas têm sustentado que nazistas e fascistas eram conservadores porque eram contrários à prática homossexual. Mas há vários erros aqui. Em primeiro lugar, ser contrário à prática homossexual é uma posição do conservadorismo moral e não do conservadorismo político. Como já vimos, um conservador político pode ser bem liberal em nesses aspectos morais mais específicos e pessoais.

Em segundo lugar, ser contrário à prática homossexual não é o mesmo que ser hostil ao homossexual ou querer que o Estado o condene por sua prática. Na verdade, é ridículo pensar que um conservador político seria favorável a um Estado que condena pessoas por escolhas tão pessoais como esta. Mesmo que um conservador possa ser particularmente muito preconceituoso contra homossexuais e insensível a ponto de desejar seu extermínio, ele sabe que se der ao Estado poder para punir homossexuais, estará dando ao mesmo Estado poder para se meter na vida de qualquer indivíduo, o que, obviamente, ele não vai querer (a não ser que abandone o conservadorismo).

Em terceiro lugar, sabemos que o nazifascismo fazia dos homossexuais mais uma classe inimiga. Essa visão classista de sociedade, na qual sempre há uma classe boa lutando contra uma ou mais classes ruins, não faz parte da concepção conservadora de mundo. Para o conservador, a sociedade não pode ser vista pela ótica das classes, mas pela ótica dos indivíduos. A noção de indivíduo é tão forte no conservadorismo que muitos esquerdistas chamam o pensamento conservador de “egoísta”.

Um terceiro questionamento que podemos fazer é: o nacionalismo nazifascista é uma característica do conservadorismo político moderno, como costumam alegar os esquerdistas? A resposta é não. O nacionalismo se origina na Revolução Francesa como uma ideologia revolucionária de oposição ao feudalismo e ao domínio cultural da Igreja Católica. Esta ideologia entendia que o sistema de feudos e a extensão da ICAR criavam um grande império cultural que destruía diversas culturas e impediam que as pessoas de um mesmo país mantivessem laços mais próximos e se unissem em prol de interesses em comum.

Em resumo, o nacionalismo surgiu como uma ideologia anti-imperialista, que buscava na “identidade nacional” um novo elo social. Nas palavras do filósofo Olavo de Carvalho, o conceito de identidade nacional se constituiu, para os nacionalistas, um “sentimento quase animista de união solidária fundada na unidade de raça, de língua, de cultura, de território. A síntese das três foi resumida no lema: Liberdade-Igualdade-Fraternidade”.

Embora, posteriormente alguns daqueles antigos conservadores absolutistas tenham agregado às suas crenças o sentimento nacionalista (com os devidos reparos), a ideologia não deixou de ser revolucionária. Ela foi agregada pela grande maioria dos revolucionários que lutou pelas independências nacionais e coloniais na América Latina e, mais tarde, incorporou uma nova postura anti-capitalista: o inimigo não era mais o imperialismo cultural católico, sustentado pelo regime feudal, mas sim o imperialismo cultural, político e econômico dos países capitalistas, principalmente, a Inglaterra e os EUA. Em oposição a este imperialismo, tais revolucionários nacionalistas costumam supervalorizar sua cultura, em detrimento de tudo o que vem de fora, e a defenderem uma economia fechada, a fim de proteger a nação das garras do capitalismo global ou de nações vizinhas não confiáveis.

No início do século XX, esta ideologia entrou em um grande confronto com o marxismo ortodoxo, que era internacionalista e, como é comum nas rixas entre revolucionários, cada qual acusava um ao outro de não ser revolucionário. Entretanto, com a crise do marxismo ortodoxo, em vista das dificuldades práticas que essa teoria apresenta, muitos internacionalistas se renderam a um nacionalismo velado. Stálin, por exemplo, defendeu a tese do “socialismo em um país só”. A sua ideia era primeiro aprofundar a experiência socialista na URSS e transformar a nação em uma grande potência global, a fim de fazer frente aos países capitalistas.

No Brasil, durante a ditadura, diversos simpatizantes do marxismo também se mostraram influenciados pelo nacionalismo. Defendiam fortemente a cultura nacional, almejavam uma economia mais fechada para estrangeiros e relacionavam capitalismo, imperialismo americano e direita. Atualmente, países que ainda conservam um regime comunista, como Cuba e Coréia do Norte, são nacionalistas em muitos aspectos.

Enfim, a idéia de que nacionalismo é uma posição conservadora e inerente à direita é, no mínimo, contestável. É certo que formas de nacionalismo podem surgir entre regimes mais alinhados à direita e, de fato, muitos direitistas acabaram por se tornar ardorosos nacionalistas. Contudo, tanto a história quanto a estrutura classista e coletivista do nacionalismo testificam que tal visão tem DNA revolucionário e não conservador. O nacionalismo é um desvio do conservadorismo pleno.

Aliás, devemos nos lembrar que existe uma diferença entre nacionalismo e patriotismo. Historicamente, o segundo tem sido definido como um sentimento de amor e respeito à pátria. Não implica, necessariamente, em menosprezar outras nações, ser xenófobo e enxergar o mundo de modo classista e coletivista. Já o nacionalismo se baseia mais no ódio às outras nações e no conflito do que no amor a pátria. Para um conservador político puro, isso é estranho, visto que odiar classes não faz sentido para quem é individualista. Assim, quanto mais nacionalista um conservador se tornar, mais estará deturpando as idéias básicas do conservadorismo.

Feitas essas observações, no mínimo, devemos reconhecer que o nacionalismo nazifascista não prova que este era um movimento conservador e de direita. Ora, levando ainda em conta as demais idéias revolucionárias do nazifascismo e o modo como o nacionalismo deste movimento estava intimamente ligado aos seus ideais de reconstrução do mundo, torna-se inevitável concluir que seu nacionalismo não era fruto de algum tipo patriotismo conservador extremado, mas fruto da mentalidade idealista e revolucionária.

Aqui há algo notável e que devemos ter sempre em mente. A esquerda, por se basear em idealismo e revolução, acaba gerando uma miríade de projetos diferentes de remodelação da sociedade. É por esse motivo muitas vezes um movimento de esquerda pode ser frontalmente contrário ao outro, criando a ilusão de que um representa a direita e outro, a esquerda, quando, na realidade, temos apenas uma cisão entre revolucionários com projetos diferentes. Este parece ser o caso de nazismo, fascismo e comunismo.

Um quarto questionamento que podemos fazer é quanto a temas como elitismo, justiça social, igualdade econômica e classes pobres. O nazifascismo é freqüentemente associado ao conservadorismo e a direita por ser elitista e contrário a justiça e igualdade social, em oposição aos regimes de esquerda, como o comunismo, que seriam a favor do direito dos pobres e etc. Há muito que se dizer aqui. Em primeiro lugar, do ponto de vista da prática, nenhum governo de esquerda cumpriu o que prometeu em relação à justiça e igualdade social e ao fim do elitismo. Sobretudo os regimes comunistas, que criaram uma classe de burocratas com poder absoluto, generalizaram a pobreza, causaram fome, mataram inocentes, pisaram na democracia, proibiram greves de operários e etc. Então, colocar os regimes de esquerda do lado dos pobres e o nazifascismo como elitista e injusto é apenas um truque retórico.

Em segundo lugar, se por um lado podemos citar algumas reformas sociais feitas por regimes de esquerda (como o comunismo) em seus países, por outro lado, também podemos citar algumas reformas sociais feitas por nazistas e fascistas. Foi o fascismo, por exemplo, que criou a Carteira de Trabalho (“Carta de Lavouro”). E o nazismo pagava férias assalariadas. Então, parece haver um padrão comum entre regimes de esquerda e o nazifascismo: não cumpriram o que prometeram no que tange a elitismo, justiça e igualdade social, mas fizeram algumas reformas sociais.

Em terceiro lugar, do ponto de vista teórico, tanto os regimes de esquerda como o nazismo e o fascismo almejavam justiça e igualdade social. O fato de o nazifascismo falar abertamente que o poder deveria estar nas mãos de poucos, enquanto outros regimes de esquerda, como o comunismo, falarem de “povo no poder”, a concepção de poder dos líderes de cada um desses regimes era exatamente a mesma. Eles se achavam representantes do povo e entendiam que para suas reformas serem feitas era inevitável que o poder estivesse centralizado. A diferença do nazifascismo para os demais regimes é que o primeiro não distorcia o entendimento de democracia, mas sim se opunha a ela de modo direto, enquanto os demais idealizavam a existência de uma democracia dentro de um Estado centralizador e totalitário. Ou seja, para o regime comunista, por exemplo, sua ditadura era democrática e o povo estava no poder. Trata-se de uma distorção.

Por fim, é questionável dizer que o conservadorismo é elitista e contrário aos pobres porque se opõe a projetos de plena igualdade social. Afinal, esses projetos nunca alcançaram seus objetivos, como já vimos. Então, não faz sentido dizer que quem se opõe a eles é elitista. Pelo contrário, na visão do conservador, tais projetos não têm capacidade alguma de gerar tal igualdade e, por isso, sempre acabam sendo usados justamente por líderes e governos elitistas (como no comunismo).

Diante dessas observações, concluímos que a posição do nazifascismo sobre temas como elitismo, justiça e igualdade social era bem semelhante a de outros regimes de esquerda (sobretudo o comunismo), tanto na teoria, como na prática; uma posição que poderia ser resumida na crença de que “quando o partido assumir o poder, tudo será diferente”.

Até aqui, tudo o que analisamos indica que os movimentos nazistas e fascistas não eram conservadores, mas sim idealistas e revolucionários. Mas ainda há alguns pontos que precisamos analisar. Um deles é a posição nazifascista favorável à família e a religião. São posições tradicionalmente conservadoras. O que dizer disso? Vamos por partes.

Com relação à defesa da família, devemos entender o contexto dessa defesa. Sabemos que os marxistas da época não eram muito simpáticos à família. Cria-se que a família, tal como a conhecemos, era uma criação burguesa (ou, no mínimo, estava grandemente infectada pelos valores da burguesia). Como a burguesia era uma classe inimiga para os marxistas, então a família acabava recebendo certa oposição.

Entretanto, para nazistas e fascistas, a burguesia não era uma classe inimiga. O nazifascismo acreditava que burguesia e proletariado poderiam laborar juntos, sob a orientação do Estado, na construção da sociedade renovada e no engrandecimento da nação. Bastava o Estado estar na equação, interferindo em conflitos e explorando o que de melhor havia das duas classes. Deste modo, lutar contra a família não fazia muito sentido. Era desnecessário. Como também a defesa da família em duas nações que eram cristãs (Itália e Alemanha) era uma ótima propaganda contra comunistas, a posição foi enfatizada. Isso parece ser muito mais uma expressão de estratégia do que uma defesa conservadora da família.

O mesmo pode se dizer com relação à religião. Como o nazifascismo não via a religião como criação burguesa e nem a burguesia como um inimigo a ser destruído, mas como um servo do Estado, lutar contra a religião era desnecessário. Mais que isso, lutar contra a religião era contraproducente, já que os religiosos eram maioria. Aliás, a defesa da religião era ainda mais pragmática do que a defesa da família. Tanto que era plano dos regimes instituir uma religião estatal, uma estatolatria, que elevasse o Estado, o regime e o líder do regime à posições divinas. Hitler, por exemplo, chegou a ordenar que as músicas natalinas na Alemanha passassem a exaltar o regime e ele. A idéia era claramente infectar a religião tradicional com as ideologias do governo até ao ponto de desfigurá-la totalmente, transformando-se em uma religião política. Certamente isso não é uma expressão de conservadorismo político, mas nos lembra muito, sem dúvida, a posição dos revolucionários franceses, que almejavam criar uma religião secular na França e colocá-la no lugar do cristianismo.

Há um último questionamento. A visão de economia do nazifascismo expressava conservadorismo e ideais de direita? Marxistas geralmente dizem que sim porque os regimes nazifascistas não queriam destruir o capitalismo e a burguesia. Como podemos ver, a pressuposição aqui é que para ser de esquerda é necessário querer destruir a burguesia e o capitalismo. Evidentemente isso está longe de ser verdade. Nem toda a doutrina de esquerda é comunista. Na verdade, a maioria dos regimes de esquerda não pretendeu destruir o capitalismo, mas controlá-lo através do Estado, a fim de “fazer justiça social”. Isso é fato, sobretudo hoje, no contexto pós-comunismo soviético.

Muito embora as esquerdas preservem, em geral, um espírito anticapitalista, isso não implica em querer destruí-lo. Quando se tem um inimigo, pode-se optar por dois modos diferentes de combate: ou (1) matá-lo, ou (2) torná-lo um escravo. Um regime anticapitalista não precisa optar pela primeira opção, como fez o comunismo. A segunda opção é perfeitamente viável, pois o Estado estará no controle de seu inimigo e poderá extrair dele benefícios. Assim, para um regime ser de esquerda e até revolucionário, não é preciso ser comunista, querendo destruir a burguesia e o capitalismo. Basta querer escravizar a economia capitalista.

Ora, como o leitor já deve saber, tornar o sistema capitalista um escravo do Estado significa criar um governo extremamente intervencionista. Ou seja, por mais que a burguesia não seja destruída e a propriedade privada continue existindo, tudo está sob um forte controle do Estado, que pode guiar todos os setores da forma como melhor julgar, de acordo com seus propósitos de mundo melhor. Esse tipo de visão econômica, que era a base dos regimes nazifascistas, de forma alguma faz parte do conservadorismo político. Embora certamente nem todo o conservador seja defensor do laissez-faire e totalmente contrário ao intervencionismo, o extremo intervencionismo econômico, sobretudo aquele que é abertamente orientado para um projeto de remodelação da sociedade, é uma característica de movimentos de esquerda.

A leitura de “O Caminho da Servidão”, de Friedrich Hayek, é imprescindível para entendermos os motivos pelos quais um genuíno conservador político rechaça essa visão econômica de que o capitalismo deve ser escravo do Estado. Com propriedade, o economista liberal mostra como que esse intervencionismo leva, invariavelmente, à perda de liberdades individuais e a regimes totalitários. Ora, isso é básico para qualquer conservador político moderno. Além do mais, o conservador (e o direitista, em geral) não acredita nessa idéia de que o governo vai conseguir criar um paraíso através de uma forte intervenção. Isso é idéia de progressista. Por isso, as economias nazistas e fascistas não podem ser consideradas expressões de conservadorismo e da direita em hipótese nenhuma. São economias progressistas e idealistas. São expressões da esquerda.

Considerações Finais

Não há como fazer uma análise completa dos movimentos nazistas e fascistas em uma dúzia de páginas. Contudo, os pontos básicos que vimos neste texto nos são mais que suficientes para compreender que estes movimentos estavam bem distantes do conservadorismo político moderno e da direita. Talvez, em uma análise mais extensa, possam ser encontrados alguns poucos elementos tradicionalmente da direita nesses movimentos. Mas certamente não são muitos, tampouco justificam que o nazifascismo seja posto, no espectro político, ao lado de governos conservadores como o de Margaret Thatcher e o de Ronald Reagan, e, no campo das idéias, ao lado de Friedrich Hayek, Ludwig von Mises, Eric Voegelin, Böhm-Bawerk, Alexis de Tocqueville, Edmund Burke, David Hume e Adam Smith.

A verdade é que os fatores determinantes para que a história aceitasse a idéia de nazifascismo como um movimento conservador e direitista foram: (1) o conflito interno esquerdista entre o nazifascismo e o comunismo, que criava uma falsa aparência de polarização “esquerda x direita”; (2) a hegemonia dos ideais comunistas dentro da esquerda, que acabou ofuscando por um bom tempo todos os movimentos da esquerda que não eram comunistas e tornando esquerdismo sinônimo de comunismo; (3) o fato de que a URSS ganhou a segunda guerra mundial contra o nazifascismo, abrindo assim o caminho para demonizar os movimentos derrotados, associá-los ao capitalismo e exaltar o comunismo como o regime que venceu os “capitalistas nazifascistas” (aqui, mais uma vez, a polarização cria uma falsa aparência de “esquerda x direita”).

A influência desses fatores na historiografia é tão clara que qualquer livro ou site que critica a idéia de que o nazifascismo era de esquerda, apela para o “argumento” de que o nazifascismo não defendia a destruição da burguesia e do capitalismo, como se ser de esquerda se limitasse a ser comunista (hegemonia). Em outras palavras, a maioria dos historiadores interpreta a história do ponto de vista da propaganda comunista. Não obstante, do ponto de vista do que realmente é conservadorismo e direita, colocar o nazifascismo como um movimento conservador político e de direita é negligenciar toda uma literatura conservadora de mais de duzentos anos e ignorar toda influência dos ideais revolucionários sobre o nazifascismo. Ora, se isso é considerado correto do ponto de vista historiográfico, não sei mais o que é bom senso e honestidade intelectual.

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Sugestões de Leitura

Livros

  1. Burke, Edmund. Reflexões sobre a Revolução em França.
  2. Hayek, Friedrich. O Caminho da Servidão.
  3. Kirk, Russell. The Conservative Mind: From Burke to Santayana.
  4. Pereira, João Coutinho; Pondé, Felipe Luiz; Rosenfield, Denis. Por que virei à direita: Três intelectuais explicam sua opção pelo conservadorismo
  5. Tocqueville, Alexis de. O antigo Regime e a Revolução.
  6. Tocqueville, Alexis de. A Democracia na América.
  7. Goldbert, Jonah. Fascismo de Esquerda.
  8. Mises, Ludwig. As Seis Lições.
  9. Voegelin, Eric. As Religiões Políticas.
  10. Johnson, Paul. Tempos Modernos.
  11. Gray, John. Cachorros de Palha.
  12. Gray, John. A Missa Negra.
  13. Overy, Richard. Os Ditadores – A Rússia de Stalin e a Alemanha de Hitler.
  14. Gellately, Robert. Lênin, Stálin e Hitler: A Era da Catástrofe Social.
  15. Gregor, Antony James. Marxism, Fascism and Totalitarianism: Chapters in the Intellectual History of Radicalism.

Artigos

  1. Confusões clássicas sobre direita e esquerda
  2. Que é fascismo?
  3. A Mentalidade Revolucionária
  4. Ainda a Mentalidade Revolucionária
  5. Lindeza de Estupidez
  6. A tentação Totalitária
  7. Do mito ao fetiche
  8. Um texto fundamental de Pondé para facilitar a compreensão da essência deste blog: “Do mito ao fetiche”
  9. Quando o fascismo era de esquerda
  10. Tudo o que você deveria saber sobre o fascismo, mas não quer
  11. O Antimarxismo de Hitler prova que ele era de direita?
  12. Será o nazismo de extrema-direita? Not so fast, Junior
  13. O sucesso como a maior das semelhanças entre o nazismo e o comunismo do século XX
  14. Como a dinâmica social resolve o problema da rotulagem equivocada de nazismo e fascismo como regimes de direita
  15. Entra em cena o ceticismo plítico para resolver de vez o problema da falsa rotulagem de nazismo e fascismo como regimes de direita
  16. Mussolini, Hitler e Wilson. Wilson?
  17. Socialismo no Terceiro Reich
  18. As raízes socialistas de Benito Mussolini
  19. As raízes do Estado intervencionista moderno
  20. Nazismo e suas raízes marxistas

Ao manifestante brasileiro

Legal. Mas será que ele sabe o que é lutar por um Brasil melhor?

Tem algumas coisas que eu gostaria de dizer às pessoas que tem saído às ruas para se manifestar a favor de um Brasil melhor ou que não saíram, mas apoiam a causa com todo o fervor. Em primeiro lugar, um elogio. Eu admiro o fato de o brasileiro estar se mobilizando politicamente e cobrando dos políticos que são, no fim das contas, os nossos funcionários. Sou a favor. Legal. O elogio acaba aqui.

Concordar com a mobilização política do povo não significa concordar com o que o povo tem proposto para mudar o Brasil. Salvo a oposição dos brasileiros contra projetos infames como a PEC 37 e semelhantes, o que tenho visto ser pedido pelos manifestantes são coisas tão idiotas que provam categoricamente que o brasileiro, no geral, ainda não entende absolutamente nada de política. Então, aqui vão as críticas.

O manifestante reclama do descaso do governo com a saúde e a educação. Aí vai à rua e pede mais investimentos do governo nessas áreas. Está errado! Se o problema é o descaso do governo, pedir mais investimento só vai agravar a situação. O governo não tem capacidade de administrar bem esses setores. Já ficou mais que provado. Então, dar mais dinheiro para o governo é pedir para ser roubado. Aliás, devo ressaltar que o Brasil é um dos países que mais investe em educação. É a administração que não é boa.

O manifestante pede a estatização dos ônibus. Meu Deus, mas se o governo não administra bem nem mesmo os hospitais públicos, você acha mesmo que ele vai gerir o sistema de transportes com louvor?

O manifestante pede o fim da polícia militar e a união das polícias. Mas para quê? Centralizar as coisas sempre torna mais fácil o autoritarismo. O princípio básico da democracia é a tensão entre os poderes. Na polícia não tem porque ser diferente. Cada polícia deve trabalhar na sua área. Os problemas da incompetência da polícia, da corrupção interna e da violência dos PM’s só serão resolvidos com uma coisa: rigor nas leis penais.

Rigor nas leis. Eis uma coisa que eu não vi os manifestantes pedindo. Pessoas são assaltadas, violentadas e mortas todos os dias por bandidos menores de idade. Estes cometem os mesmos crimes dia após dia e não são presos por causada da lei absurda que proíbe menores de responderem por seus crimes. Cadê os protestos contra isso? E quanto aos imprudentes do trânsito, que dirigem bêbados e não perdem suas carteiras mesmo quando matam alguém? Por que os manifestantes não falaram nisso? E o tempo máximo de prisão, que é só de 30 anos, com direito a redução de pena, mesmo quando o crime cometido foi hediondo? E as autoridades que cometem crimes e em vez de serem julgados por tribunais civis, são julgados por tribunais especiais e, no máximo, recebem a pena serem afastados de seus cargos? Não vi ninguém protestar contra esses tópicos e pedir uma lei mais rígida.

Sabe por que o manifestante não pede leis rígidas? Sabe por que ele não se concentra nisso? Porque ele é tolo. Ainda acredita na lorota de que se o governo for bom e os policias forem bons e todo mundo for bom, a gente resolve tudo. Mas não é assim. O homem precisa de limites. E o que limita o homem não é a boa intenção de um governo, ou as teorias bem intencionadas de acadêmicos, ou as vigorosas manifestações de milhões de pessoas. Sinto muito. O que impõe limites ao homem é a lei. Se a lei é fraca, os limites são fracos.

O manifestante vai à rua e reclama contra a corrupção. Está certo. Mas quer entregar mais poder e funções nas mãos do governo. Está errado. Ele não consegue enxergar que quanto mais ele exigir que o governo resolva os problemas, mais problemas ele vai criar. Porque, como diria o ex-presidente americano Ronald Reagan: “O governo não é a solução. É o problema”.

O manifestante grita contra o desvio de verbas, mas não grita pela diminuição dos impostos. Cadê as milhões de pessoas pedindo: “Reduza os impostos!”. Pedir redução de tarifa de ônibus não adianta, porque o nosso governo entende que precisa gerir os negócios do país junto com os empresários. Então, se a tarifa é diminuída, o governo aumenta o imposto. Não existe almoço grátis, meu amigo. Alguém vai ter que pagar pela redução. E não serão os políticos.

Ora, mesmo entre os manifestantes que desejam menos impostos, é uma minoria que realmente sabe no que isso implica. Diminuir impostos é tirar a mão do governo sobre os serviços. Afinal, são os impostos que financiam os serviços públicos, querido leitor. Ou seja, quem quer diminuir impostos, deve ser a favor da privatização de empresas públicas, do fim de bolsas para pobres, do incentivo à iniciativa privada, do incentivo à concorrência entre as empresas privadas (pois é a concorrência que diminui os preços, melhora os serviços e reduz os monopólios) e etc.

O manifestante brasileiro é ignorante. Ele ainda acha que a culpa dos problemas do Brasil é o “capitalismo selvagem”, porque ele aprendeu desde pequeno que capitalismo é a união de políticos e empresários para lucrar em cima do povo. Ele não sabe que “capitalismo” na verdade é a economia de livre mercado (ou liberalismo), uma doutrina que luta para que o governo se meta o mínimo possível na economia e que, portanto, quanto mais o governo se une com empresários, menos capitalista o país se torna. Quer dizer, o problema do Brasil é justamente ser pouco capitalista.

O manifestante é ingênuo. Ele cai na ladainha do nosso governo de que privatizar é entregar o patrimônio público nas mãos das empresas. Não é! As empresas públicas não são nossas, são do governo. É ele que lucra com elas, pois pode usá-las para fazer propaganda política quando convém, para oferecer empregos para seus amigos e para desviar dinheiro público. Quando se privatiza, os serviços melhoram, a empresa lucra mais e o governo continua arrecadando dinheiro pelos impostos que essas empresas pagam. E se temos mais empresas lucrativas pagando impostos, os impostos que a população paga pode ser diminuído. Quer dizer, a privatização é ruim apenas para o nosso governo de esquerda, que quer fazer a festa com nosso dinheiro. Mas qual é o manifestante que falou sobre isso?

O manifestante brasileiro ainda acredita nas mentiras que a esquerda diz. Ele crê que os grandes empresários são de direita. Não são. Pequenos empresários podem até almejar um governo de direita, pois sabem que a direita arranca as imensas burocracias e regulamentações que o governo impõe, que dificultam sua sobrevivência. Mas grandes empresários amam governos de esquerda (desde que esses não sejam comunistas), pois as dificuldades que eles impõem as empresas fazem com que só as grandes consigam sobreviver; também por causa das alianças que esses governos acabam fazendo com os empresários, já que, para a esquerda, o governo deve sempre intervir na economia. Os grandes impérios são fruto direto da intervenção governamental.

O manifestante brasileiro, sobretudo o jovem universitário, vê com bons olhos o Che Guevara, que foi um louco, genocida, que lutou por uma utopia a vida inteira. Ele simpatiza com socialistas e comunistas, ignorando o fato de que essas ideologias, quando postas em prática foram responsáveis por matar mais de 100 milhões de pessoas durante o século XX (mais do que o Nazismo, que matou 50 milhões). Ele acha que só a esquerda muda o cenário político, ignorando grandes revoluções como a americana e a inglesa, que foram feitas por direitistas conservadores. Ele não entende que quanto mais o governo acumula funções e impostos, mais chance ele tem de se tornar um estado totalitário e ditatorial. Ele não entende que quanto mais um governo intervém, mais a liberdade de expressão é tolhida. Ele não vê que o enorme poder que temos dado ao governo através de nosso dinheiro é o responsável pelos desvios de verba e pela terrível incompetência administrativa.

O manifestante brasileiro sequer tem senso crítico. Mesmo aqueles que têm um pouco mais de conhecimento (e eu torno a falar aqui dos universitários), acreditam nos livros que dizem que o Nacional Socialismo alemão foi de direita, que a ditadura militar brasileira foi de direita, que o PSDB é de direita. Conhece Marx e diversos autores de esquerda, mas é incapaz de citar ideias de autores como Burke, Bastiat, Tocqueville, Kirk, Voegelin, Mises e Hayek (os principais autores de direita). O universitário do Brasil chega a ser uma ameaça à democracia. Ele se levanta para aplaudir ditaduras comunistas, dizendo que os países com estes regimes são verdadeiramente livres. Ele demoniza os americanos. Ele acha que nos EUA todo mundo é de direita e que o Partido Democrata é igual ao Partido Republicano (meu Deus…) e como odeia a direita sorri quando lembra do ataque às torres gêmeas (não é exagero de minha parte, pois já vi isso mais de uma vez na minha universidade).

O manifestante brasileiro cai na armadilha da luta esquerdista pelo “estado laico”, que na verdade é a luta pela eliminação da moral judaico-cristã e da liberdade de expressão dos conservadores. Ele cai na armadilha esquerdista de que a grande mídia é de direita. Tudo bem, ela pode não ser comunista, mas está a quilômetros de distância de ser de direita. Se ela fosse direitista, defenderia o fim da burocracia para a criação de canais abertos de TV, por exemplo. Se fosse direitista, pararia de fazer do homossexual uma classe de pessoas que não pode ser criticada e de incentivar a destruição da família tradicional, ao tentar normatizar adultérios, libertinagem e relacionamentos abertos (não que as pessoas não tenham direito de fazer isso; cada um faz o que quiser, mas não quer dizer que seja normal). A grande mídia é socialdemocrata. É aquela esquerda moderada, quase centro, que não quer o radicalismo comunista, mas corre do conservadorismo moral e do laissez-faire econômico da direita.

O manifestante brasileiro está totalmente perdido. Ele acha que o seu país acordou e que as pessoas estão mais politizadas. A verdade é que o povo brasileiro levantou, mas não acordou. Ele é um enorme gigante sonâmbulo que está sendo guiado por um governo também gigante e cheio de poder. É por isso que não estou muito esperançoso quanto a essas manifestações. O que sairá daí? Mais serviços públicos mal administrados? Mais empresas públicas desviando dinheiro? Mais leis frágeis e cheias de brechas? Mais impostos? Mais empresas hegemônicas? Mais inflações causadas pela intervenção governamental através do Baco Central? Mais governo? Mais estatismo? Mais utopia? Mais esquerda? Já não basta?

Por isso, venho pedir encarecidamente aos manifestantes: parem de lutar por mais governo. Lutem por um governo menor, menos poderoso, com menos funções e que cobra menos impostos. Lutem por um governo que intervém menos e que se dedica apenas às suas funções primordiais: criar e zelar pelas leis, julgar crimes, proteger interna e externamente o país. É só assim que as coisas poderão melhorar um pouco.

Entrevista com Marcelo Mota Ribeiro, representante do CONS

Entrevista realizada em 16 de junho de 2013. Por motivos de estilo e legibilidade, esta entrevista foi editada. Para lê-la no formato original de perguntas e respostas, clique aqui.

Marcelo Mota Ribeiro.

Nosso entrevistado, Marcelo Mota Ribeiro, é mineiro de Muriaé e tem 33 anos. É graduado em Análise e Desenvolvimento de Sistemas, trabalha há dez anos na área de TI como Desenvolvedor de Software em Belo Horizonte, cidade onde atualmente reside. É graduando em Direito pela UNA/BH, onde presidiu o Diretório Acadêmico Mirtes de Campos. Filiado ao PFL, posteriormente ao Democratas, foi Presidente Municipal e Vice-Presidente Estadual da Juventude do partido em seu Estado, onde coordenou diversas campanhas eleitorais. É o atual coordenador nacional do CONS.

O CONS é um movimento espontâneo que surgiu em meados de 2009, quando diversos indivíduos declaradamente conservadores passaram a se reunir na rede social do Orkut assumindo este acrônimo como uma identidade mútua.

Atualmente participam de um grupo de discussão que reúne mais de duas mil pessoas, embora em seu cadastro oficial – lançado recentemente – constem trezentos registros de membros apoiadores dispostos a trabalhar diretamente na causa. Seu coordenador nacional, Marcelo Mota Ribeiro, considera que o movimento ainda está em uma fase embrionária de concepção e maturação. Apesar do senso de urgência, aponta que o movimento privilegia a solidificação de seus pilares em detrimento de agir com pressa para ver as coisas acontecerem o que, segundo ele, foi a causa do fracasso de muitas outras iniciativas de direita.

Segundo Marcelo, é impreciso apontar uma data precisa da fundação do movimento. Os membros do CONS pretendem realizar, com previsão para 31 de março de 2014, o seu primeiro Encontro Nacional para oficializar a fundação.

Quais são as ideias e os objetivos do CONS?

As ideias do grupo podem ser melhor conhecidas no seu site, indicado ao final deste artigo. Elas estão agrupadas hierarquicamente em três níveis: elementares, fundamentais e políticas. O nível mais baixo agrupa os fins, enquanto os outros agrupam os princípios e os meios.

No primeiro nível, elementar, advogam a proteção de valores inalienáveis como a vida, a liberdade religiosa, a autonomia da família e a dignidade da pessoa humana. No plano fundamental, a liberdade e a propriedade. Por fim, no nível político, a segurança jurídica, o império das leis e a limitação da intervenção governamental na vida social, cultural e política.

O objetivo do movimento é levar pessoas conservadoras a assumir uma identidade política, uma marca, que seria o CONS. Segundo Marcelo, os conservadores brasileiros estão alheios à militância em defesa de suas ideias e de seus valores, e a ausência desta identidade dificulta uma interação colaborativa que permita uma atuação organizada.

Quais são as figuras inspiradoras do CONS? O que leem os conservadores?
O CONS é um grupo heterogêneo. Pessoas de diferentes vertentes que bebem de diferentes fontes, embora comunguem de ideias fundamentais que são comunitárias.

Influências nacionais na filosofia conservadora: Olavo de Carvalho, Plínio Corrêa de Oliveira e Mário Ferreira dos Santos.

Marcelo fala apenas por si quando afirma que muito aprendeu com a leitura dos apontamentos de Olavo de Carvalho, embora este autor seja notável influência para grande parte dos conservadores brasileiros. No âmbito nacional, Marcelo adiciona as influências de Plínio Corrêa de Oliveira e Mário Ferreira dos Santos, dentre outros. Pensadores conservadores de fora do Brasil incluem Thomas Hobbes, Edmund Burke e Russel Kirk e, no campo econômico, Milton Friedman, Ludwig von Mises e Friedrich A. Hayek, os quais Marcelo considera leituras fundamentais.

Influências internacionais na filosofia conservadora: Thomas Hobbes, Edmund Burke e Russel Kirk.

Outras figuras em atividade que inspiram o movimento com suas críticas políticas são Bruno Garschagen, João Pereira Coutinho, Luiz Felipe Pondé, Roger Scruton e outros articulistas. No campo político, personalidades do século XX como Winston Churchill, Ronald Reagan, Margaret Thatcher e Carlos Lacerda também servem de inspiração.

Quais são os símbolos e cores dos conservadores no Brasil?

Uma marca, representada por uma Harpia, águia típica do norte do Brasil, combinada em círculo de fundo azul com as estrelas que representam nossos Estados. As cores, derivadas da bandeira nacional, são o azul, o amarelo e o branco.

Como o CONS pode fazer do Brasil um país melhor?

Objetivamente: contribuindo com ações que permitam o fortalecimento do pensamento conservador, na esfera cultural e no plano político. Os conservadores entendem que o equilíbrio entre forças progressistas e conservadoras é requisito essencial para uma sociedade prosperar. A preponderância de uma delas leva a um sistema “manco”, sem sensatez e ponderação nas decisões econômicas e políticas.

Acreditam que toda sociedade próspera se funda em uma base de valores bem definida, com conceito claro do que é certo e do que é errado, semeando, assim, entre seus membros, o interesse em uma colaboração pacífica, em atitudes propositivas e construtivas que, independente de arranjos políticos e ideológicos, acabam por ensejar o desenvolvimento intelectual e material enquanto nação, pois os participantes se consideram mutuamente como partes de um mesmo fim.

O Brasil, infelizmente, ainda não construiu essa base de valores e por isso tem um sistema cultural e político débil, que não nos permite identificar de forma clara e real qual é a “nossa” identidade, qual é o norte que estamos a seguir.
Vivemos, não como uma nação mas, como um bando de pessoas de diferentes “nações”, vendo-nos como concorrentes, passando uns por cima de outros, sempre quando há uma chance. Não definimos, por exemplo, se o “jeitinho brasileiro” é atitude desonesta ou mérito. Não sabemos se elogiamos alguém que cria riqueza, ou se o chamamos de explorador. E, é dessa confusão que originam-se todos os demais problemas, como os relacionados à corrupção, à violência e à falta de desenvolvimento econômico. O discurso político atual, todavia, só trata da superfície e não ataca os problemas que existem na base. Por isso nada funciona, porque não é edificado sobre uma sustentação sólida e aderente ao que desejam as pessoas.

Precisamos de políticos menos proselitistas e que trabalhem mais pela construção de uma nação do que de uma carreira pessoal que só vise vencer eleições. Criando um movimento conservador, acreditam oferecer, em um futuro breve, esse tipo de agente cultural e político, que servirá de exemplo para que outras pessoas sigam o mesmo caminho e aceleremos assim a edificação desse necessário sentimento de nação, de forma livre e espontânea, de baixo para cima, do povo para o Estado, não vice-versa como se tem tentado há quinhentos anos.


Acesse o site do CONS: 
www.conservadores.com.br

Site dos articulistas mencionados no artigo:

Olavo de Carvalho;
Plínio Corrêa de Oliveira;
Bruno Garschagen;
João Pereira Coutinho;
Luiz Felipe Pondé;
Roger Scruton (em inglês).


Leia também:

A Droga da Mentalidade Classista

Pedro Bandeira é um famoso escritor de livros infanto-juvenis com temática predominantemente voltada para romances policiais, suspense e mistério. Uma de suas obras mais conhecidas chama-se “A Droga da Obediência”. O título, um tanto sugestivo, faz referência a uma droga que, no livro, fazia as pessoas obedecerem a um comando.

Por algum motivo, a lembrança do livro de Bandeira, me fez atinar para o fato de que a mentalidade classista (ou coletivista, se preferir) também é uma droga. Para quem não sabe, mentalidade classista é a tendência de encarar os indivíduos sempre como representantes de uma classe homogênea e uniforme. Ora, se a classe é homogênea e uniforme, todos os indivíduos serão tratados como se fossem exatamente iguais. Logo, o indivíduo deixa de existir e a classe passa a existir em seu lugar.

Dando continuidade ao raciocínio, averigüei que, semelhantemente às drogas, a mentalidade classista causa vício e leva o indivíduo a querer usar cada vez mais da droga. Vou mais longe: a mentalidade classista entorpece as pessoas de tal modo que seus cérebros são levados a criar alucinações. O resultado é que o classista começa a desenvolver graves psicoses, como a síndrome da perseguição. Um exemplo disso pode ser visto neste vídeo:

Perceba que no vídeo, a mocinha não reconhece a existência de indivíduos, mas apenas de classes. No caso específico, as classes são: negros e brancos. Os negros são definidos como indivíduos pobres, injustiçados e trabalhadores, ao passo que os brancos são definidos como bem abastados, “filhinhos-de-papai”, exploradores, parasitas e vagabundos.

Qualquer pessoa sã consegue perceber o delírio aqui. Não podemos reunir um monte de pessoas diferentes, cuja maioria nós sequer conhecemos, e traçar um perfil igual para todas elas. Há negros honestos e desonestos. Há brancos ricos e pobres. E por aí vai. Mas a idéia delirante de enxergar os indivíduos como classes, impele a jovem a traçar um perfil específico para cada classe.

É daí que se iniciam as psicoses. Em geral começa com a síndrome maniqueísta, isto é, a mania de entender as interações humanas em termos de bem versus mal. O seu cérebro aqui monta um cenário onde a classe a que você pertence é a classe dos caras do bem, os mocinhos. As demais classes são dos malvados, os vilões. E a história se resume a essa luta entre a classe boa e a classe má.

A síndrome maniqueísta desencadeia a síndrome da perseguição. A pessoa começa a se enxergar como explorado, perseguido e injustiçado. Isso resulta em vários problemas. O primeiro é que a pessoa se torna paranóica. Ela enxerga discriminação e exploração contra a sua classe em tudo. Qualquer fala, qualquer opinião, qualquer gesto, pode servir como base para que o indivíduo alegue injustiça.

O segundo é a perda de percepção do tempo. O indivíduo não consegue mais entender o que é passado. Por exemplo, se um etíope matou um egípcio há 400 anos, os egípcios de hoje são os injustiçados e os etíopes de hoje são os vilões. Não importa se foi há 400 anos. Não importa se o evento envolveu só duas pessoas. Não importa se as pessoas de hoje em dia nada tem a ver com o evento. Estamos falando de classes. O que um faz, todos fazem, em todos os tempos.

O terceiro problema que a síndrome da perseguição gera em uma pessoa é a idéia de que os fins justificam os meios. Ora, se você está sendo perseguido por um inimigo sórdido, cruel e explorador, seu cérebro vai impelir você a acreditar que pode fazer qualquer tipo de atrocidade para com ele. Aliás, você pode fazer até injustiças porque, em sua mente, o injustiçado é você e assim sempre será.

A síndrome da perseguição e todos os seus efeitos desencadeiam o ódio extremo à classe inimiga e o culto extremo a sua própria classe. A sua classe se torna uma classe superior e a classe inimiga se torna inferior. Na verdade, já era assim antes, quando você via sua classe como a classe dos caras bons. Mas, como já disse, a mentalidade classista é uma droga, e a droga torna a dependência do indivíduo gradualmente maior. O último estágio deste drogado é a hábito discriminatório, o preconceito.

É a hora em que nos perguntamos: não foi exatamente este o processo pelo qual passou Adolf Hitler? E não é exatamente este o processo pelo qual passam todos os genocidas? Lênin, Stálin, Mao Tsé Tung, Pol Pot… A mentalidade classista tem várias faces, cada qual com suas classes e seus antagonismos entre classes. Negros x Brancos; Mulheres x Homens; Homossexuais x Heterossexuais; Religiosos x Anti-religiosos; Ricos x Pobres; Patrões x Funcionários; Nativos x Estrangeiros; Saudáveis x Doentes; Esquerdistas x Direitistas e etc. Mas a droga é a mesma, bem como os seus efeitos.

Uma Tendência Humana
Pode-se perguntar: “Mas agrupar-se e enxergar as pessoas em grupos não é uma tendência humana?”. A resposta é sim. Em geral, desejamos estar com pessoas que tem os mesmos gostos que nós, a fim de podermos compartilhar o que nos agrada com elas e de nos sentir parte de um grupo. Gostamos de estar em grupos. E é normal valorizar os grupos em que nos enquadramos. Certamente é por isso que tendemos a agrupar as pessoas em nosso cérebro.

Entretanto, seguir essa tendência natural humana é diferente de adulterá-la por meio de uma mentalidade psicótica, tornando-a um elemento discriminador. Este é o x da questão. Querer estar em um grupo ou reconhecer a existência de grupos no mundo nada tem a ver com enxergar o indivíduo como o grupo. O reconhecimento de grupos não pode substituir o reconhecimento do indivíduo. Classe não é indivíduo e indivíduo não é classe. Entende?

Eu posso fazer parte da classe dos rockeiros, mas devo ser analisado, tratado e julgado como Davi Caldas e não como rockeiro. Conforme afirmei uma vez em uma breve reflexão, eu não sou negro, nem branco, nem alemão, nem italiano, nem ariano, nem proletariado, nem burguesia, nem machista, nem feminista, nem gayzista, nem uma ONG, nem uma ideologia, nem um partido, nem uma religião, nem o povo, nem a massa, nem a comunidade, nem a sociedade, nem a humanidade…

Posso até fazer parte dessas classes, mas não sou uma abstração coletivista. Eu sou eu. Eu sou Davi Caldas, um indivíduo, com toda a sua individualidade. Por isso, me recuso a ser caracterizado, conhecido, definido, analisado e julgado como mais um número dentro de algum rótulo coletivista.

A minha individualidade está acima da coletividade onde me encontro. Isso não é egoísmo. Isso é o entendimento de que cada pessoa deve ser tratada, definida e respeitada como uma pessoa e não como parte de uma massa amorfa, abstrata e indefinida. Se um dia todos entendessem isso, o preconceito diminuiria muito e a manipulação de massas não lograria mais êxito algum. O ator Morgan Freeman diz isso de modo simples e direito nesta entrevista:

A Mentalidade Classista e a Esquerda
Compreendendo que a mentalidade classista é uma droga perigosa, que pode levar algumas pessoas a contraírem sérios distúrbios e psicoses, como já evidenciado, nossos olhos se voltam imediatamente para a esquerda política. A esquerda tem em seu DNA a mentalidade classista. Desde que o seu pensamento começou a se desenvolver, com Rousseau, Robespierre, Fourier e Marx, a idéia de enxergar os indivíduos como massa e o mundo como um campo de batalha entre classes antagônicas sempre esteve em sua base. E assim é até hoje. Não há esquerda se não houver a psicose classista.

Invariavelmente esse posicionamento nos tem levado às discriminações, aos regimes antidemocráticos, às perseguições, aos genocídios; ao culto ao partido que está no poder, ao governo, ao Estado, ao líder; à homogeneização forçada do mundo. A liberdade de expressão é destruída. A sociedade vira palco de uma luta sangrenta na qual uma classe deverá sucumbir para que a paz no mundo seja alcançada. Esse é o projeto da esquerda.

A Mentalidade Classista e a Direita
A direita rechaça e sempre rechaçou a mentalidade classista. Digo a direita e não os direitistas (notou a diferença?). É certo que há direitistas que foram contaminados pela droga da mentalidade classista, afastando-se dos ideais originais da direita. Mas o pensamento da direita encara a mentalidade classista como um delírio. Desde Smith e Burke até Churchill, Kirk, Thatcher e Reagan, a idéia de que o indivíduo deve ser valorizado acima da classe sempre foi a base do pensamento da direita.

Para a direita o mundo pode até ser um campo de batalha, mas entre indivíduos e não entre classes. Porque a classe, seja esta a burguesia, o proletariado, a mulherada ou uma nação inteira, ela não define todos os indivíduos. Isso é generalizar. É olhar para uma favela e dizer que lá só tem bandido. A mentalidade classista é o princípio de quase todos os preconceitos. “Todo religioso é burro”, “todo padre é pedófilo”, “todo pastor é ladrão”, “todo ateu é imoral”, “todo rico é explorador”. São preconceitos típicos de quem se droga com a mentalidade classista. É o que a direita rechaça.

Que fique claro que não estou dizendo que nenhum direitista é preconceituoso ou que todo o esquerdista o é. Longe de mim, fazer tal generalização (o que, iria ruir com todo o meu texto, aliás). Apenas estou dizendo que o pensamento da esquerda se baseia na mentalidade classista e o da direita não.

Para aqueles que querem seguir fielmente os seus princípios, isso precisa ser esclarecido. Um direitista que siga total e irrestritamente os ideais de direita, não poderá se drogar com a mentalidade classista, ao passo que um esquerdista que siga total e irrestritamente os ideais de esquerda, não poderá se abster de usar a droga da mentalidade classista. Este é um dos motivos pelos quais escolhi ser de direita.