Um atalho para fugir do “paraíso”

Pelo visto, o Brasil, com o programa Mais Médicos, se tornou uma opção para aqueles que planejam fugir do suposto paraíso da América Latina, lugar também conhecido como Cuba.

A médica cubana Ramona Matos Rodriguez abandonou o programa e buscou por asilo não só em terras brasileiras, mas em americanas também. Escolherá aquele que decidir a favor primeiro, e que sua prioridade é “ser livre”. Ramona, que atuava na cidade de Pacajá (PA), buscou abrigo no gabinete da liderança do DEM na Câmara dos Deputados, o deputado Ronaldo Caiado (GO), após abandonar o programa. Ela afirmou que fugiu no dia 1º de fevereiro, após descobrir que médicos de outras nacionalidades recebiam muito mais e um salário “completo”.

Um salário completo seria o salário que um cidadão comum está acostumado. Mas esse não é o caso dos cubanos do programa. O contrato especifica o seguinte: dos mil dólares mensais que o médico recebe, apenas US$ 400 ficam com ele. Os outros US$ 600 vão para Cuba, e com algumas peculiaridades. A família tem acesso a apenas US$ 50, e o restante que for recebido só poderá ser recebido, de fato, no final do programa. Segundo Ramona, os cubanos só ficaram sabendo da quantia e das características do salário no momento da assinatura do contrato. Ainda havia um auxílio moradia, em que ela morava com outras duas cubanas em uma casa da prefeitura, e um auxílio para alimentação, de R$ 750 reais mensais. Havia a possibilidade de trazer familiares de Cuba, mas seria bem improvável, devido a dificuldade em se obter um visto para sair de Cuba.

Havia um controle de locomoção. Para sair da cidade, era necessária uma “autorização” de algumas pessoas que cuidavam do programa na região. Certa vez, foi pedida uma autorização para um passeio em Anapu (PA), que foi concedida. Não poderiam entrar nos “detalhes” do contrato com os outros, e que o simples ato de ter relações amorosas com pessoas que não são cubanas dependia de uma autorização de representantes do governo cubano. Quando realizou um curso em Brasília, soube que os não cubanos recebiam R$ 10.000 por mês. Sentiu-se enganada. Aqui está a ata da audiência no Ministério Público do Trabalho (MPT).

Qualquer um pode observar o claro intuito dessas medidas: forçar com que o médico finalize sua participação e retorne dentro dos (belos) conformes estabelecidos. Porém, fica uma questão que para alguns, é dúvida; para outros, fanáticos e cegos pelo regime, é um mistério – ou mentira, conspiração; e para o restante, é apenas uma simples pergunta retórica: se Cuba é um dos melhores lugares para se viver na América Latina, afastada das amarras do capitalismo, com todo o seu enfoque social a favor do povo, por quais motivos os cubanos não iriam querer voltar?

Um pouco antes, no final de janeiro, Ortelio Jaime Guerra anunciou em seu Facebook um feito mais ambicioso: fugiu para os Estados Unidos. Ao invés de, em Cuba, se lançar em alto mar rumo ao sul da Flórida, aproveitou a (não tão mais) livre situação política brasileira e foi para lá, muito provavelmente, confortável na poltrona de um avião. Entretanto, a Secretaria Municipal de Saúde de Pariquera-Açu (SP), cidade na qual ele trabalhava, só noticiou o caso na segunda-feira, 10 de fevereiro.

Perfil de Ortelio na rede social, local aonde avisou sobre o que estava fazendo.

Ortelio afirmou que fugiu sem avisar ninguém por questões de segurança e que, no momento da publicação, já estava nos EUA. Agradeceu àqueles que ficaram ao seu redor durante seu tempo no Brasil, citando alguns nomes. Se desculpou pelo português que teve pouco tempo para aperfeiçoar e, logo em seguida, mais uma publicação, agora em espanhol. Afirmou que precisava dar esse passo, se orgulhava de sua terra e suas raízes, e agradeceu por toda a preocupação.

Segundo o diretor de Saúde de Pariquera-Açu, Willian Rodrigo de Souza, o motivo da fuga de Ortelio ainda é desconhecido. “Os próprios colegas que moravam com ele, em uma residência alocada pelo município, não sabem o que aconteceu.” Só pode estar brincando. Ortelio fugiu pelo mesmo motivo que toda aquela, literalmente, maré de cubanos que já tentaram atravessar o estreito da Flórida: fugir de Cuba, arriscando a própria vida em busca de algo melhor no capitalismo dos EUA. Não parece nada razoável que alguém que dispunha de uma boa vida se sujeitasse a isso. Talvez seja, simplesmente, que a vida não fosse boa, como alguns socialistas – que em lá não moram, e muito provavelmente nunca irão – teimam em afirmar.

Obviamente, a esquerda socialista brasileira não gostou dos acontecimentos. O caso de Ramona seria apenas mais uma grande farsa montada para benefício próprio e para enganar o povo brasileiro – apesar de os mesmos problemas ocorrerem em nossos vizinhos bolivarianos, incluindo até sutis toques de recolher depois das seis da tarde. Que se há problemas em relação ao governo cubano, isso é problema deles e que brasileiros não deveriam julgar – é claro que, para eles, o mesmo não é válido para os erros dos EUA. Aqui uma entrevista dela, se defendendo das acusações.

Supondo, para o bem do debate, que Ramona tenha se aproveitado do Brasil e feito mídia em cima, diferente de Ortelio, que fugiu sem ninguém ficar sabendo. Pois bem. O que muda é um caso em específico, e não todo o contexto. Pode até ser verdade que apenas 24 médicos dentre milhares abandonaram o programa.  Entretanto, não é fácil tomar uma decisão radical como essa adotada pelos dois, principalmente se tratando do governo cubano. Se apenas esses casos ocorreram, não quer dizer que outros cubanos não estejam planejando o mesmo para o futuro, aguardando uma oportunidade – Ramona conhecia pessoas que estavam aqui no Brasil e puderam ajudá-la em sua empreitada. Porém, não é de estranhar se boa parte dos cubanos do programa – e também daqueles que estão vivendo neste exato momento em Cuba – desejarem o mesmo caminho.

Esses fatos recentes reforçam a crítica ao modelo cubano. Afinal de contas, se aquele lugar é tão vantajoso, por qual motivo as pessoas de lá iriam querer morar em outras países? Por que são encantadas por uma mentira, assim como um rato e uma ratoeira? Difícil de acreditar em algo do tipo, principalmente com um fluxo migratório tão negativo como o cubano – desde a Revolução Cubana mais pessoas saem (fogem) de lá do que novos moradores chegam ao país do regime castrista. Negar que as pessoas façam isso pois Cuba não é o paraíso que os socialistas imaginam é negar a racionalidade humana, que busca sempre melhorar de vida sob um ponto de vista subjetivo.

O Espírito Revolucionário

São tantos os vícios da mentalidade revolucionária que me é difícil imaginar como começar a discorrer sobre o assunto. Não acredito que tenha existido um grande movimento genuinamente revolucionário que se ateve a seus princípios até o fim. E de nada adianta citar a Revolução Americana, que de revolução só tem o nome. É comum que as revoluções percam totalmente seu rumo, algumas vezes tomando não um rumo diferente, mas rumo nenhum.

1. O Movimento Revolucionário se perde daquilo a que se propôs

O caos é o resultado único possível de uma revolução. Movida por idealismos abstratos comove facilmente a massa por tocar, em tempos de crise, o povo emocionalmente. Não dotado de planos institucionais, convence o povo de qualquer coisa: socialistas convencem os cooptados de que pode existir democracia do outro lado da revolta; fascistas invocam um nacionalismo exacerbado que faz exalar todo o ódio reprimido existente na população. O ser humano é imperfeito, como é qualquer organização social pretendida pelo mesmo. A sociedade nunca será ideal. Progresso nada mais é que uma grande ilusão num mundo em que o movimento histórico é pendular, e não contínuo. Mesmo assim a massa segue um grande líder em sua empreitada rumo à Utopia (como o próprio Thomas More batizou sua ilha; um dos precursores do socialismo). O nome diz: Utopia. E no pináculo do sentimento revoltoso nasce o perigo. O sentimento de paranoia toma conta dos líderes, que passam a atacar ou eliminar qualquer um que se coloque contra a revolução, mesmo os críticos que se encontrem dentro do meio revolucionário. Os ideais que primeiramente moveram a revolução são esquecidos e postos em segundo plano, e o grande guia da perigosa manada revolucionária é a revolução: esta se torna um bem em si. Isso é notado facilmente nas revoluções Francesa e Cubana. A Revolução Francesa criou um tribunal revolucionário que eliminava sistematicamente opositores. Diz a lenda que em Paris o sangue dos decapitados atingia as canelas de quem andasse pelo palco de terror e morte que virou a cidade. Já a Revolução Cubana segue um roteiro cômico, para não dizer trágico: Alegando que lutavam pela democracia, angariando recursos nos Estados Unidos, lutaram contra a ditadura de Batista. Após derrubá-lo, Fidel foi aclamado pela população, para logo em seguida traí-la e instaurar outra ditadura, a do proletariado com apoio soviético. E àqueles que lhe deram apoio e facilidade para angariar recurso, destinou ódio e repúdio. Os Estados Unidos eram, automaticamente, os culpados por toda a desgraça cubana (que nada tinha a ver com as políticas desastradas do pulha chamado Che Guevara).

Revolução Francesa
A sutileza revolucionária: Àqueles que não gostarem, guilhotina.

2. A Revolução não é a maior expressão da democracia

Dizem, alguns, que a revolução é a maior expressão da democracia. É belo o cenário em que o povo, revoltado, faz valer sua vontade contra o Estado, dizem eles. Esquecem-se, porém, que existem pessoas que não apoiam a revolução. Grande parcela da revolução, normalmente. Esquecem-se também que esses revolucionários impões através da força sua vontade sobre todos. Inclusive sobre aqueles que não desejavam a revolução, em primeiro lugar. Aliás, normalmente pouco importa a vontade dos contra-revolucionários, já que estes são sumariamente eliminados. A maior sorte que aguarda aqueles que não compactuam com os ideais revolucionários é a morte rápida. Sem falar que, muitas vezes, a revolução não é um movimento das massas, mas sim de um pequeno grupo de revolucionários profissionais. A revolução bolchevique, diferente do que se acredita, não foi uma grande revolta popular que clamava pela coletivização de todos os meios de produção. A população, num geral, apenas queria a paz (saída da primeira guerra mundial) e, sim, a redistribuição das terras, mas em forma de propriedade. Os bolcheviques eram intelectuais da elite que, habilidosamente, aproveitaram-se da revolta dos pequenos e cooptaram-os contra os grandes. Lenin, por exemplo, não era um proletário oprimido: sua família possuía título de nobreza. Não será este apenas um golpe pelo poder? Não é possível afirmar com certeza, mas Lenin tornou-se líder da URSS, mantendo tal status mesmo após a morte, até a queda do muro de Berlim. E para, democraticamente, afirmar a revolução, instaurou o Terror Vermelho: “Devemos colocar para baixo toda a resistência com tal brutalidade que não vai esquecer por várias décadas … Quanto maior o número de representantes do clero reacionário e da burguesia reacionária conseguirmos executar … melhor”. Mais democracia, impossível.

Lênin
O regime vermelho era mais democrático que os ocidentais, eles diziam…

3. A Revolução legitima crimes

Costumeiramente, quando chamamos Che de criminoso esquerdistas rebatem dizendo que ele foi um revolucionário, um romântico, e que em sua luta por uma sociedade mais justa seus crimes eram releváveis. Como resultado da paranoia já anteriormente citada, matava colegas de revolução pela simples desconfiança de que existisse traição. Depois tomava os bens do executado. Nada como uma justiça distributiva bem realizada. O saldo de terror e morte legado pelo socialismo é legitimado por seu caráter revolucionário. O nazismo foi justamente proibido após suas barbáries. O comunismo vive até hoje. Não existe símbolo que represente tão bem o comunismo como o martelo e a foice. As vidas ceifadas nada representam, a não ser a manutenção de um sistema justo e igualitário, em que todos devem se espelhar.

Che
Nunca pediu nada para lutar pela liberdade dos povos latino-americanos: Apenas um cargo de alta influência em que pudesse satisfazer seus desejos sádicos

4. A Revolução ignora fatos

Marcada por seu caráter romântico, idealista e emocional, ignora experiências anteriores que geraram nada além de morte e profunda tristeza. Inclusive diz-se que, por exemplo, o comunismo nunca foi antes implantado corretamente, e que hoje talvez tenhamos tecnologia para tal. Realmente, a sociedade é apenas um laboratório para os intelectuais testarem suas teorias mirabolantes. Para que nos basearmos em erros do passado para evitá-los se podemos repeti-los? Trazendo essa imensa sabedoria temos os revolucionários contemporâneos que, de acordo com alguns lutam por uma bela causa de maneira errada. A bela causa de nos trazer o sofrimento que outros já antes sentiram. A bela causa de fazer que aqueles que morreram nas mãos de revolucionários tenham morrido em vão.

Holodomor
Será que precisamos voltar a viver cenas como essa? De acordo com os revolucionários é apenas a receita para uma sociedade livre e justa.

Guerra Fria, Regime Militar e Democracia

Entre 30 e 31 de março, alguns acontecimentos no Brasil acabaram chocando a mídia mainstream e socialistas mijões em geral. Os acontecimentos em questão são: 1) A comemoração, por parte dos militares, do golpe de 64 (ou revolução de 64, ou contra-golpe de 64) que instaurou o regime militar e marcou a perseguição às milícias terroristas da esquerda no Brasil. 2) A percepção de que inúmeras pessoas reconhecem esta data como o dia em que os militares de fato salvaram o Brasil de uma tentativa de estabelecer um regime comunista por parte das militâncias comunistas aqui instaladas.

Houve até quem quisesse impedir o direito de militares octogenários de reunir-se e comemorar. É o exemplo da coragem revolucionária esquerdista: atacar velhinhos na rua.

Num país onde o meio acadêmico, a imprensa e agora até o governo são hegemonicamente esquerdistas, falar a verdade é um crime herético. É tabu dizer que os terroristas eram de fato terroristas, e não freedom fighters. É tabu dizer que – apesar da autoridade, da mão-de-ferro e até de algumas injustiças cometidas pelos militares – o Regime Militar nos salvou de coisas muito piores, como a desastrosa protoditadura de Allende, a Guerra Civil no Peru ou um regime totalitário como o cubano. Não entrarei aqui nos pormenores das diferenças entre o nosso Regime Militar e a ditadura castrista que até hoje escraviza e massacra o povo cubano, posto que a maioria delas é óbvia.

Vou me contentar com uma afirmação de minha parte e a publicação de um texto excelente que encontrei no site A Verdade Sufocada, que fala justamente da transição do Regime Militar para a Democracia. O que tenho a afirmar é que, apesar de um Regime Militar não ser uma forma de governo desejável, não garantir a plenitude dos direitos individuais, das liberdades e da privacidade do cidadão, ele foi o único instrumento possível para assegurar a sobrevivência da nossa nação. Impediu a explosão do terrorismo comunista, evitando uma guerra civil como a peruana ou uma revolução como a cubana, forçando as militâncias da esquerda a aceitar, pouco a pouco, as regras da democracia. É fundamental ressaltar que, comparativamente, nosso Regime Militar foi muito mais brando – tanto em números de execuções como de prisões – do que qualquer outro regime militar da América Latina (mesmo com uma população muito maior) e com certeza muito mais brando do que qualquer regime esquerdista vigente na época.

Segue o texto:

Texto do General da Reserva Luiz Eduardo Rocha Paiva, professor emérito e ex-comandante da Escola de Comando e Estado-Maior do Exército.

Nos anos 1960, a Guerra Fria entre EUA e URSS agitava o mundo com a disputa pela hegemonia global. Eram visões distintas de como o Estado proporciona desenvolvimento, segurança e bem-estar a uma nação. À visão capitalista, liberal, democrática e cristã dos EUA, opunha-se a socialista, centralista, totalitária e materialista da URSS. Na verdade, acima da crença ideológica estava a luta de dois impérios pelo poder hegemônico, sendo o Brasil uma prioridade da URSS, pois sua adesão ao bloco socialista arrastaria toda América do Sul, ameaçando diretamente os EUA.

Os valores nacionais identificam-se mais com a visão norte-americana, mas ela não serve ao Brasil em sua forma pura, haja vista as nossas peculiaridades. Por outro lado, o modelo soviético foi fracasso total.
No País, Jango herdara uma situação econômica difícil, agravada em sua gestão. Em 1963, abandonou o plano econômico ortodoxo de Celso Furtado, pelo alto custo político, e lançou um programa radical de Reformas de Base sem ter força política para aprová-lo no Congresso Nacional, daí a tentativa de implantar o estado de sítio no final daquele ano. Reformas na lei ou na marra era o revelador slogan da campanha desencadeada com ameaças ao Legislativo e ao direito de propriedade, com a anarquia levada às ruas, para intimidar as instituições, e aos quartéis para quebrar a hierarquia, disciplina e coesão, imobilizando as Forças Armadas (FA). Foi suicídio político a sua aliança com o então ilegal Partido Comunista Brasileiro (PCB), que empregava a subversão e infiltração nas instituições, estratégias da matriz soviética para a conquista do poder e a abdução do Brasil. Luiz Carlos Prestes, líder do PCB, chegou a declarar: já temos o governo, nos falta o poder.

A luta armada também estava em preparação. Militantes comunistas faziam cursos de guerrilha na China, havia 218 Ligas Camponesas armadas no Nordeste, sob a orientação cubana, e se organizavam os Grupos dos Onze, em todo país, cujos estatutos previam “a utilização de escudos civis, principalmente mulheres e crianças”; e o “julgamento sumário de oponentes — os reféns deverão ser sumária e imediatamente fuzilados”.
A tentativa de imobilizar as FA teve momentos cruciais. A Revolta dos Sargentos em setembro de 1963 e o Motim dos Marinheiros em março de 1964, quando, em ambos, os revoltosos presos foram soltos sem punição nem julgamento, num incentivo à indisciplina. E, ainda, o jantar em apoio ao Presidente, oferecido por sargentos no Automóvel Clube do Rio de Janeiro onde, após discursos políticos de praças, Jango ameaçou os oficiais que se pronunciavam contra a indisciplina nos quartéis.

Em 13 de março de 1964, o Comício da Central do Brasil marcou, tanto a escalada do golpe comuno-sindicalista como a organização da reação democrática até então dispersa. Para uma Nação predominantemente católica e conservadora e com instituições políticas fracas, para garantir a democracia em crises políticas agudas, era como se o próprio Presidente ameaçasse a Constituição que jurara defender. Isso gerou insegurança e desconfiança em toda a sociedade, particularmente em setores decisivos como a classe média, a Igreja, a imprensa, a classe política, o empresariado e as FA, que optaram por corrigir o rumo imposto ao País, mesmo com o rompimento da ordem constitucional.

O 31 de Março foi um movimento civil-militar, haja vista as gigantescas manifestações de apoio da população antes e após o evento. Jango, que tivera amplo respaldo para tomar posse em 1961, não teve nenhuma reação das instituições, dos partidos ou da Nação em sua defesa, em 1964. Para muitos estudiosos, ele não era comunista, mas sim um político populista e pragmático, que perdera para o PCB, Brizola e os sindicatos as rédeas do movimento ao qual se aliara e pensara conduzir de acordo com seus propósitos.

O regime militar era de exceção como os generais-presidentes reconheciam ao defenderem a necessidade de redemocratização. Autoritário, ao limitar liberdades individuais, políticas e de imprensa, mas não totalitário, que elimina a liberdade e a oposição, cala a imprensa e impõe o pensamento único. Havia partido de oposição – o MDB – com espaços na mídia e disputando eleições livres. A bandeira do MDB era democracia já e o partido do governo, a ARENA, pregava a abertura gradual e segura. Músicas de protesto, festivais da canção, grupos, peças teatrais e periódicos criticavam o regime e livrarias vendiam obras de linha marxista-leninista. São liberdades impensáveis em regimes totalitários como o cubano, chinês e soviético, matrizes da esquerda revolucionária brasileira.

A luta armada no Brasil não teve o reconhecimento de nenhuma democracia ou organismo internacional de que lutasse por liberdade ou representasse parte do povo brasileiro. É hipocrisia a condenação dos governos militares por setores então alinhados ou que ainda professam a ideologia de Estados totalitários como foram URSS e China, responsáveis pelos maiores crimes contra a humanidade. Tomado o poder, cometeriam atrocidades como as de suas matrizes, inclusive a cubana.

A redemocratização, a partir de 1978, não foi obra da esquerda revolucionária, então totalmente desmantelada. É engano considerá-la vitoriosa pelo fato de antigos militantes ocuparem, hoje, posições de liderança na sociedade. Eles não chegaram ali pela força das armas e ao arrepio da lei e sim como cidadãos com plenos direitos assegurados pela anistia em 1979. Abandonaram a luta armada, derrotados, e submeteram-se às normas democráticas, reintegrando-se à sociedade na forma da lei e em pleno regime militar. O Brasil tornou-se uma democracia, propósito da sociedade, da oposição legal e dos governos militares, e não um país comunista, escravizado por um partido único, objetivo não alcançado pela esquerda revolucionária.

Texto original disponibilizado no site A Verdade Sufocada. Para ler o artigo original, clique aqui.