Documentário: Igreja Católica, Construtora da Civilização

POR RODRIGO VIANA

“A igreja é uma instituição machista!; A razão não tem lugar na igreja; Idade média? Idade das trevas!; A igreja não passa de um retrocesso para a sociedade; A ciência não tem vez na igreja.”

Frases familiares? Pois é, quem nunca ouviu algo do tipo? Crescemos em uma sociedade em que o descrédito para com as instituições tradicionais virou “verdade incontestável”. Mas será mesmo?

E se, de uma hora para outra, lhe dissessem que avanços científicos significativos se deram por conta de religiosos? Que grandes contribuições filosóficas, políticas e matemáticas nasceram de dentro dos seios da igreja? Que a economia começou a ser estudada em universidades por religiosos católicos muito antes de existir Adam Smith? Aliás, você sabia que a universidade é uma criação da Igreja Católica?

A liberdade individual, o jusnaturalismo, os princípios morais, o Direito internacional, o uso da razão e muitas outras questões também foram tratados na igreja. E em certas questões de modo pioneiro. E a caridade? Quem nunca se perguntou até onde vai o amor ao próximo dado por homens e mulheres da igreja?

Produzida em 2008, Igreja Católica, Construtora da Civilização é uma série de TV realizada pela EXTN. Contando com 13 capítulos, ela aborda questões que estão no limbo dos estudos históricos. Desconhecido por muitos e ignorados por outros, a série se mostra versátil para a disseminação de um legado dado como maldito na atualidade. Instrumento imprescindível para estudantes, professores, pesquisadores ou curiosos de plantão. Ela vem na carona dos historiadores revisionistas da Idade Média.

Baseada no livro Como A Igreja Católica Construiu a Civilização Ocidental, de Thomas Woods, a série passa por momentos que vão do instigante ao emocionante, do curioso ao perturbador. Impossível não se comover à promoção da benfeitoria através da caridade ou não se enojar pelas barbaridades ocorridas na Revolução Iluminista Francesa e Revolução Comunista Russa.

Thomas Woods
Thomas Woods

A série é apresenta pelo professor Thomas Woods. Formado na Havard University e Ph.D em História pela Columbia University, Woods é economista, historiador e analista político. Um dos grandes nomes do Libertarianismo no mundo, Woods é proponente da Escola Austríaca de Economia, católico tradicional e defensor do conservadorismo cultural[1][2].
Foi editor colaborador da revista religiosa
The Latins Mass Magazine e é editor contribuidor da revista política The American Conservative. Tornou-se muito conhecido pelo best-seller The Politically Incorrect Guide to American History além de ter artigos publicados em diversos veículos de mídia de cunho político, econômico e religioso.

Então segue abaixo os 13 capítulos que poderá mudar o seu modo de pensar sobre esta instituição tão marginalizada nos últimos séculos. Independente se você seja católico, não-católico ou um cético, essa nova visão poderá fazer você contestar muitas “verdades” ditas por autoridades diversas. Ideias estas tão propagadas em nossas escolas. Aliás, você ainda acredita que a escola hoje, direcionada por currículos pré-moldados pelos governos, de viés doutrinário, é uma instituição realmente comprometida com a verdade do ensino? Está aí uma pergunta a se questionar.

Disponibilizado por Canal Evangelização.

Episódio 1 – Introdução:
Desmentindo mitos sobre a Igreja Católica e seu impacto na Civilização Ocidental.

Episódio 2 – Igreja e Ciência:
A Ciência deve muitas de suas descobertas a sábios monges e padres católicos.

Episódio 3 – Padres como pioneiros da ciência:
Os principais pioneiros da astronomia, geologia e sismologia foram padres católicos.

Episódio 4 – O caso Galileu:
Uma leitura crítica do caso.

Episódio 5 – O Sistema Universitário:
A Igreja Católica tem sido há muito defensora do conhecimento e da ciência.

Episódio 6 – Deus existe?
Estudiosos da Igreja usam a razão para propor a existência de Deus.

Episódio 7 – Os monges:
Os monges foram os guardiões do ensino e do conhecimento durante as invasões bárbaras e na Idade Média.

Episódio 8 – A Caridade Católica:
Um vislumbre da imensidade de atos de caridade católica ativa e altruísta, praticados por fiéis de todos os séculos. Mesmo os anticatólicos mais inflamados assombraram-se ante semelhante generosidade.

Episódio 9 – A Moralidade Ocidental:
A Igreja Católica foi absolutamente crucial à formação dos padrões ocidentais de moralidade.

Episódio 10 – O Conceito de Direito:
Os sistemas legais modernos são como que um resíduo secular das atitudes conformes aos ritos e doutrinas da Igreja, como também do próprio entendimento católico do direito.

Episódio 11 – As origens do Direito Internacional:
A descoberta do Novo Mundo impeliu alguns teólogos católicos ao estudo e formulação de princípios gerais ao direito e tratamento dos povos. Esse estudo lançou as bases do Direito Internacional.

Episódio 12 – Atrocidades anticatólicas:
No decorrer da história, muitos católicos sofreram por sua fé. Alguns desses eventos não são muito comentados. Outros estão praticamente esquecidos, como os Afogamentos de Nantes e a Guerra dos Cristeros.

Episódio 13 – Recapitulação:
Revisão das influências católicas na cultura e sociedade ocidental.

Veja também:

Notas:

[1] History and Truth, An Interview With Thomas E. Woods, Jr., por Bernard Chapin – Lewrockwell.com
[2] Up From Conservatism Mises.org

O Caminho da Servidão

É comum ouvir algumas pessoas afirmando que a igualdade material deve antepor-se à liberdade individual. Para tornar esta ideia crível para o público, é necessário fazer confundir estas duas coisas, destruindo o sentido original da palavra Liberdade, não ser impedido de agir, e substituindo-o por outro, a liberdade da necessidade. Para funcionar, é necessário vender o kit completo: é necessário convencer a massa de que ela não é livre para escolher, de que ela é “escrava” do consumo, “escrava” do patrão, “escrava” do salário, “escrava” da escolha.

Na Convenção (Nº 29) sobre o Trabalho Forçado, 1930, a OIT define trabalho forçado, para efeitos da lei internacional, como “todo o trabalho ou serviço que seja exigido a qualquer pessoa, sob ameaça de qualquer penalidade, e para o qual a essa pessoa não se tenha oferecido voluntariamente”.

Esta definição foi retirada de um Relatório Global no seguimento da Declaração da OIT sobre os Direitos e Princípios Fundamentais do Trabalho, sob o título O Custo da Coerção.

A transição da Utopia da Imaginação para a Realidade.

Ironicamente, nenhum sistema empregou mais mão-de-obra escrava no mundo conteporâneo do que aqueles que juravam acima de tudo garantir a igualdade material. Durante o século XX, a União Soviética ficou especialmente conhecida pelo trabalho forçado imposto a prisioneiros políticos e outras pessoas perseguidas jogadas em campos de trabalho forçado. Milhões de pessoas foram exploradas e mortas pelas condições extenuantes do trabalho escravo e pelas péssimas condições de vida. Este sistema foi uma continuação do sistema de trabalho forçado da Rússia Imperial, mas numa escala muito maior.

Entre 1930 e 1960, o regime soviético criou muitos campos de trabalho forçado na Sibéria e na Ásia Central: havia cerca de 476 complexos separados, cada um composto de centenas ou mesmo milhares de campos individuais. Estima-se que havia entre 5 e 7 milhões de pessoas nestes campos, em média.

Em anos posteriores, estes campos também mantinham vítimas dos expurgos de Stalin e prisioneiros da Segunda Guerra Mundial. É possível que 10% dos prisioneiros morresse a cada ano.

Provavalmente os piores dos complexos foram os três construídos no Círculo Ártico em Kolyma, Norilsk e Vorkuta. Os prisioneiros nos campos de trabalho soviéticos eram mortos por uma misura de quotas abusivas de produção, brutalidade, fome, etc.

Estima-se que mais de 18 milhões de pessoas passaram pelo Gulag, com outras milhões sendo deportadas e exiladas em áreas remotas da União Soviética.

(Mais informações no Gulag History)


Poderíamos citar muitos outros exemplo, históricos e atuais como os laogais na China comunista, as prisões nortecoreanas e o trabalho escravo cubano.

Lidando com apologistas: três objeções básicas

Um apologista dos regimes de extrema-esquerda tentará três abordagens para contornar esta questão:

  1. Negar a existência da escravidão nos países socialistas. Tentará desacreditar as fontes ou fazer uma distorção do conceito de liberdade ou escravidão.
  2. Afirmar que a liberdade é menos importante do que garantir um mínimo de qualidade de vida. Ou seja, tudo bem ser escravo desde que o senhor te dê roupa, comida e habitação.
  3. Afirmar que as vertentes autoritárias e ditatoriais do socialismo que usam mão-de-obra escrava em escala massiva são um desvio do socialismo ‘verdadeiro’, e que são deturpações do que o socialismo é ou deve ser.

Quanto à primeira questão, existe farta documentação sobre os regimes de trabalho forçado na União Soviética e seus países satélite. É mais difícil encontrar informações sobre países comunistas atuais porque seus governos evitam o quanto podem o vazamento de informação e a entrada de organizações internacionais para averiguar as condições de trabalho. Mas, ainda assim, existem fortes evidências que atestam o trabalho escravo ou semi-escravo na China, na Coréia do Norte e em Cuba.

Sobre Cuba, as acusações mais recentes vieram de médicos. Você pode ler sobre isso nos seguintes links:

Sobre a China, existe um site dedicado exclusivamente à denúncia do seu sistema de laogais: o Laogai Research Foundation.

Sobre a Coréia do Norte, pode-se obter algumas informações lendo reportagens no Asia Times ou na CNN:

Quanto à segunda questão, é auto-evidente que a liberdade de uma pessoa não pode ser trocada por um prato de comida. O fato de um senhor de engenho dar comida, senzala e roupas para os seus escravos não justifica a escravidão e muito menos torna a escravidão mais desejável que a vida como um homem livre.

As duas primeiras objeções são de caráter moral. É necessário somente honestidade e acesso à informação para ver a escravidão nos regimes ditatoriais. Para saber que oferecer bens nunca foi justificativa para tirar liberdade de alguém, é necessário somente a honestidade. Vamos partir para a terceira objeção. Seria a escravidão fruto de uma deturpação do socialismo, do ideal de uma sociedade materialmente igualitária? Ou seria uma consequência lógica deste raciocínio?

Escravidão: consequência lógica do socialismo?

Imagine que você é o administrador da uma empresa. Você paga um salário para cada um dos seus funcionários em troca dos serviços que eles realizam na empresa, de modo que eles podem comprar bens ou pagar por serviços.

Vamos simular uma economia estatizada. Você, o administrador da empresa, é o Estado, e os seus funcionários serão os servidores públicos. Para simular uma economia socialista, precisamos prover o que os nossos cidadãos consomem. Quer dizer que temos que bancar a educação, a saúde, a segurança, o vestuário, a alimentação, a diversão, etc. É necessário atender, ou pelo menos tentar atender, as necessidades de consumo dos trabalhadores. Afinal, tudo será provido pelo Estado.

Vamos chegar num ponto em que você perceberá que está tirando dinheiro de um bolso para colocar em outro. Você paga os trabalhadores para que eles comprem algo que você mesmo fornece. Logicamente, isto é uma movimentação desnecessária de recursos. O que seria mais sábio fazer? Descontar o almoço diretamente do salário. Assim, o Estado deduz dos salários o preço dos produtos e serviços que ele providencia. Um Estado que tenha a pretensão de produzir tudo que seus cidadãos possam consumir, logicamente, não pagará salário algum. Em troca do trabalho, você dará tudo o que eles poderiam comprar, dentro do limite que você puder bancar, e ninguém ganhará salários.

Substituição do trabalho livre assalariado pelo trabalho servil

Temos um dos elementos do trabalho servil, que é a subtração da remuneração. Seus funcionários, como recebem tudo que poderiam consumir diretamente de você, não recebem salário.

O segundo elemento do trabalho servil é a dependência do trabalhador por um único provedor. Temos então uma economia dual onde há somente um fornecedor e um consumidor: seus ‘consumidores-funcionários’ não tem outra opção de escolha. Só consomem o que você produz, do jeito que você produz e na quantidade que você produz, gostem eles ou não. O trabalhador não pode optar por outro empregador e, não tendo salário, não há o que ele possa oferecer em troca do produto de outro fornecedor.

Por fim, seus funcionários estão dependentes do seu planejamento central. É o terceiro e mais importante elemento do trabalho servil: a ausência de liberdade profissional. Você é o administrador que lhes provê tudo e determina o que eles devem fazer, como devem fazer e quando devem fazer. Se você acha que é melhor que o João corte cana, então ele tem que cortar cana. Caso contrário você pode privar ele dos serviços monopolizados por você, deixando ele sem serviços médicos, ou sem a comida racionada. Mais ainda, você pode até aplicar um castigo físico em João caso ele se recuse a cortar cana, ou prendê-lo, ou mandá-lo para uma instituição de “reeducação” para ele aprender o seu lugar dentro do sistema.

O trabalhador então é tratado como um recurso dentro de um projeto, devendo ser alocado de acordo com o programa do governo. Ele não tem a liberdade de escolher sua profissão, de buscar outro empregador ou fornecedor de bens, ou de trabalhar como autônomo. Toda a sua formação e carreira é determinada pelo Estado. O que será produzido e consumido é determinado pelo Estado. O modo de vida do cidadão é determinado pelo Estado. Tudo tem que estar de acordo com o plano.

Chegamos à conclusão lógica do socialismo. A abolição do mercado, das livres trocas, do trabalho livre, da concorrência entre empregadores e fornecedores, da liberdade de escolha e a instituição de uma Economia assentada sobre o planejamento central, o trabalho compulsório e o monopólio. Onde o Estado é o único empregador e o único produtor, o trabalhador não tem outra opção além da submissão.

Dica de leitura

O Caminho da Servidão, de Friedrich A. Hayek. Clique na imagem acima para ler o livro disponível em nossa biblioteca.