Nadja Pereira: Empreendedorismo e Empoderamento

Nadja Pereira é uma empreendedora baiana da área de comunicação e marketing digital, fundadora da ZeroPonto54. Seu trabalho foca em posicionamento de marcas através da representatividade. Participou do TED São Paulo “Mulheres que Inspiram” com sua conferência “Comunicação com propósito”, sobre a representatividade da população negra na comunicação de marca e como ela influencia a experiência do cliente.

Nadja Pereira
Leia a seguir nossa entrevista com ela, e o que ela tem a dizer sobre empreendedorismo e empoderamento.

DJ!: – Quem é a Nadja? Conta pra gente como foi o a sua formação, o seu início de carreira?
Nasci em Salvador na Bahia mas moro em São Paulo há seis anos. Eu sou jornalista por formação, mas trabalho na área de marketing digital desde 2011, sobretudo com conteúdo, estratégia de redes sociais e pesquisa de marketing. Por incrível que pareça, comecei trabalhando em um Sindicato, onde foi a minha grande escola de jornalismo. Foi um choque de realidade para mim, porque eu era muito romântica em relação à minha profissão. Recentemente montei meu primeiro negócio, a Zeroponto54, uma empresa de pesquisa e inteligência de mercado sobre a classe C.

DJ!: – Como você chegou à conclusão de que a representatividade pode ser uma força positiva tanto para o consumidor como para o empreendedor no Brasil?Representatividade é um bom negócio e, ao contrário do que muita gente pensa, ele não está somente quando chega ao consumidor no seu contato com peças publicitárias. Ainda existe uma falha em muitas marcas que não conseguem dialogar com a realidade da nova classe média ou da classe média presente na periferia/afastada dos grandes centros urbanos, por exemplo. A representatividade pode estar em todos os lugares, sobretudo no desenvolvimento de produtos e serviços que consigam dialogar com a rotina de consumo destas pessoas que ganham entre 1,500 e 5.000*. Os carnês de parcelamento que revolucionaram as Casas Bahia e o aplicativo Dr. Consulta são dois bons exemplos.

DJ!: – Em sua publicação mais recente no LinkedIn, você comentou a pesquisa encomendada pelo PT para entender porque perdeu o apoio entre a população de baixa renda. Você destacou o fato de que a população pobre está aprendendo que o empreendedorismo e a liberdade econômica são vias de acesso à ascenção econômica e social, enquanto o paternalismo do governo só gera mais dependência.

Qual você acha que deve ser a abordagem dos próximos governos para recuperar a confiança dessas pessoas?
A resposta está na própria pesquisa, menos interferência do estado em seus negócios e, claro, na vida deles. Eu gosto muito de uma frase que li onde diziam que o governo pega metade do dinheiro do empreendedor, mas não comparece ao trabalho. Fora que pequenos comerciantes da periferia certamente são mais vulneráveis a agentes corruptos sempre em busca de irregularidades, por exemplo.  O problema pode ser resolvido com a eleição de pessoas com valores liberais, mas eles precisam estar dispostos a comprar uma briga com uma estrutura social que favorece ao empresariado paternalista que não gosta de concorrência, nem de livre mercado.

DJ!: – Independente do próximo governo ser de esquerda ou de direita, qual você acha que deveriam ser as principais ações para empoderar as comunidades mais pobres, sobretudo os negros e as mulheres?
Precisamos acabar com a cultura do emprego porque o mesmo está sumindo; isto ainda está presente em todas as camadas da sociedade. Em 4 anos de jornalismo eu não tive aulas sobre empreendedorismo, por exemplo. Isto com o mercado de internet já começando a criar novas oportunidades na área de comunicação e marketing. Acredito que isso possa estar mudando porque me formei em 2010, mas abordar isto nas universidades já é muito tarde. Precisa ser estimulado desde a infância. Além disso, não somos uma nação que sabe lidar com dinheiro, nem falar dele. Pensamos que há uma fonte infinita de dinheiro em cascata nas esquinas sempre pronta a nos atender e que o governo vai nos recorrer caso a gente precise – é só observar a questão da previdência, por exemplo. Isto influencia diretamente na nossa má capacidade de poupar – sobretudo os mais jovens que cedem aos apelos hedonistas. E, por fim, o estímulo à inovação. O nosso empreendedorismo ainda é muito ligado a necessidade de ganhar mais dinheiro ou sobreviver, não é focado nas oportunidades de mercado, como existe nos Estados Unidos. Queremos segurança e evitamos o risco. Isto prova porque amamos reeleição, por exemplo. Espero que São Paulo como cidade cosmopolitana consiga exportar os valores liberais para o Brasil se não continuaremos atrasados em relação ao resto do mundo.

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Reduzir parlamentares não é o mesmo que reduzir a estrutura estatal

lenin
O espírito de Lenin agradece à toda redução de representatividade política. Quem sabe também a eliminação de partidos e formação de um único que se confunda com o próprio estado? Analogamente, liberais querem reduzir o estado via redução de parlamentares…

 

Certamente vocês já devem ter se deparado com a proposta de emenda constitucional que reduz o número de deputados dos atuais 513 para 385 e de 81 senadores para 54. Enfim, a proposta é adulada por liberais e socialistas contrários ao governo e estado vistos como “de direita”. Enfim, eu sou radicalmente contra e por uma razão bastante lógica: reduzir o número de parlamentares não tornará nosso estado menor ou menos intervencionista, pelo contrário, sem discutir o que realmente importa, seus custos de manutenção irá apenas concentrar mais poder, uma vez que teremos os mesmos gastos e total de atribuições em menos mãos.

 

Pensem em uma rede de postos de combustível… Onde vocês acham que se tem mais chance de cartelizar, combinando preços? Em uma pequena cidade, onde há menos postos ou em uma metrópole com milhões de habitantes a demandar pelo produto em milhares de unidades distribuidoras concorrendo entre si? Então, pela mesma lógica, se tivermos uma concorrência entre parlamentares para sua manutenção via novas eleições, o poder ainda que concentrado tende a se mover, há uma circulação de parlamentares, o que fica mais difícil com a consolidação e cristalização de oligarquias regionais bem definidas. Eu prefiro um maior número de parlamentares, especialmente com a entrada de novos elementos oriundos de legendas simpáticas como o PSL ou o Novo do que a força da tradição de Sarneys, Barbalhos, Gomes etc. Além do mais, se fosse por um menor número apenas, países como o Reino Unido deveriam ser mais intervencionistas que o Brasil, já que tem muito mais representantes que nós (vide Câmara dos Comuns…).

 

Se é lícito acharmos que o ser humano, como qualquer indivíduo animal é, essencialmente, egoísta temos que aprender a utilizar esta premissa a nosso favor pondo-os para concorrer e não acreditando apenas que irão, da noite para o dia, mudar toda a maneira de pensar e agir se pondo a nosso serviço só porque eu quero, só porque eu acredito e só porque eu torço por “outro mundo possível”. O mundo que temos é um e é nele que temos que fincar bases teóricas sólidas para agir. Sem sonho de virgem, esta proposta de emenda é o sonho de todo estuprador político que inventa uma historinha de amor para roubar tua ingenuidade e pureza. Depois esqueça, só se é virgem uma vez, então saiba escolher o sistema mais operacional para nossa representação no Planalto Central.