A Violência Política é um jogo que Direita não pode ganhar

Por David Hines, publicado originalmente na revista Jacobite. Traduzido, resumido e adaptado para o português por Renan Felipe dos Santos. Para ler o artigo original em inglês, clique aqui.


Se há uma coisa na qual os direitistas acreditam, é que eles podem ganhar dos esquerdistas em uma briga.

PSTU
Só nesta foto você está vendo a coordenação de protestos de um partido político, dois sindicatos e uma associação de estudantes. Qual foi a última vez que você viu algo assim na direita?

Esta atitude se reflete a com tanta frequência que provavelmente já está arraigada na mente da direita. Virjões otakus morando na garagem dos pais contra a máquina mortífera da estratégia? Pfff, eles não tem a menor chance. Vejam, os direitistas tem as armas, a polícia e o exército do seu lado. Se algum dia a chapa esquentar, os direitistas simplesmente se organizarão por trás de uma liderança militar, coordenarão suas ações com os militares da ativa, atirarão todos os esquerdistas de helicópteros e viverão felizes para sempre, correto?

Era isso aí que os russos pensavam dos bolcheviques, e olha só no que deu.

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Enfim, o que é a Esquerda?

Texto escrito pelo blogueiro Luciano Ayan, em 2010. Para ler o texto original clique aqui. Para ler as postagens atuais do seu blog, clique aqui.

Várias vezes neo ateus se opõem ao que escrevo de forma indignada, dizendo algo como “O Luciano quer dizer que nós somos de esquerda, mas eu não sou marxista”.

Por isso, já passou do tempo de esclarecer bem a questão da esquerda, e EXATAMENTE o que trato quando cito a esquerda.

Uma forma melhor de tratar a esquerda, como um todo, seria como sistema humanista de governo.

O humanismo, naturalmente, não nos diz como gerir economicamente um país, mas dá uma base para todas as ideologias da esquerda.

O humanismo é a crença na idéia de que o homem, por sua ação, poderá criar um mundo perfeito, isento “de males”.

Daí, os sistemas de governo da esquerda traziam a idéia: “Então vamos inchar o estado para fingir que lutamos por esse mundo”. Simples assim.

Muitos religiosos duvidam do paradigma humanista, pois simplesmente acreditam que o ser humano é falível. Digamos que para o religioso o ser humano é um pecador em potencial.

Para chegar à essa constatação, não precisamos nem da religião, pois até alguns filósofos ateus concordam exatamente com a mesma proposição. Como exemplo, John Gray e Arthur Schopenhauer.

Para John Gray, a idéia de que o homem poderá criar um paraíso em Terra através “da ciência” não passa de uma ilusão, um ranço que vem dos tempos do positivismo. E John Gray usa em sua teoria apenas a teoria da evolução. (Por isso, nem todo ateu é humanista, mas quase todo humanista é um esquerdista, e o neo ateu é um humanista radical)

Qualquer conservador, em essência, duvida de qualquer sistema de governo humanista. Portanto, por tabela duvida de qualquer sistema da esquerda.

Marxismo, liberalismo social e social democracia são as três principais alternativas para um sistema de governo de esquerda. E todos são derivados logicamente do humanismo.

O marxismo promete o mundo sem divisões sociais através da luta armada. Já a social democracia promete o mesmo mundo, mas obtido a partir de uma luta democrática. O liberalismo social é o mais facilmente vendável, e hoje atinge o PSDB no Brasil e o governo Obama nos Estados Unidos (lá eles atendem pelo nome de “Democratas” ou “Liberais”), e foca na luta por um mundo sem fronteiras, com “justiça social” e o blábláblá de sempre.

O neo ateísmo é uma vertente liberal de anti-religiosidade, surgida com o fim de aumentar o poder político dos “seculares”, uma “tropa de elite” de humanistas seculares mais agressivos, sempre com o viés globalista, mania de todo liberal. (Não vamos confundir com liberalismo social, dos “liberais” da esquerda, com o liberalismo econômico, dos conservadores)

Em um post que que fiz em 15 de setembro, Brasil: Game Over OU O Começo da Ditadura Formal, Licorne Negro fez algumas perguntas extremamente relevantes:

Gostaria de saber qual a origem desse delírio esquerdista de achar que todo partido que está na situação é de direita, não importa que seja de esquerda e aja com uma agenda de esquerda, adaptando apenas pontos mínimos (geralmente na economia) devido à necessidade de agir de forma minimamente realista. Isso viria da época de Dom Pedro, em que se dizia que não há nada mais conservador que um liberal no poder? Ou isso faz parte da estratégia gramsciana? Também gostaria de saber porque no Brasil tratamos o PSDB como direita? E porque muita gente diz que nos Estados Unidos só há partidos de direita, mesmo que os Democratas tenham se mostrado esquerdistas em todo seu modo de agir?

Excelente questão, diga-se.

Os fatos são os seguintes.

O PSDB é de esquerda (da linha do liberalismo social) e o PT também (da linha marxista).

É importante notar que o fato do PT ser de linha marxista não implica em que eles tenham que usar a política soviética exatamente como foi feita por lá.

Pelo contrário. De acordo com a estratégia gramsciana, eles podem até utilizar preceitos liberais, uma política de mercado para alguns setores e até aliança com mega-empresários (Eike Batista, Abílio Diniz, Silvio Santos), tudo em nome da obtenção do poder.

Já o PSDB que aparenta ser de “direita” (somente no discurso dos marxistas puristas), no final das contas defende a mesma coisa, só que fez algumas privatizações.

Mas todas as privatizações feitas pelo PSDB foram insuficientes diante do inchadíssimo estado brasileiro.

É aí que temos o cerne da esquerda, da qual ambos fazem parte. Toda a esquerda tem como pilar o estado inchado.

Pois o estado inchado será o “meio” através do qual esses auto-declarados “iluminados” fariam a “justiça social”.

Mas toda essa idéia de que PSDB é de “direita” é derrubada com uma análise de debates recentes dos dois candidatos à presidência.

Dilma Rouseff ataca José Serra dizendo que ele é um “privatizador, que vai privatizar a Petrobrás”. Serra responde que não vai “privatizar a Petrobrás e nem o Banco do Brasil de jeito nenhum”.

Isso é sinal de que temos dois esquerdistas debatendo.

Alguém de direita já diria algo do tipo: “Sim, eu sou a favor de privatizar a Petrobrás, e também o Banco do Brasil, para que o estado receba impostos de ambos, agora como empresas privadas, empresas estas que não poderão mais serem usadas como cabide de emprego para partidos políticos. Em resumo, em um governo meu, as oportunidades de aparelhamento de estado cairiam ao mínimo, pois nas empresas privadas vocês não podem fazer a mesma bandalheira que fazem em empresas estatais”.

Qualquer resposta com um tom menor que este não é de direita.

Quem é de direita simplesmente NÃO CONFIA nas propostas humanistas, que geraram as ideologias da esquerda.

Quem é de direita NÃO CONFIA na Petrobrás nas mãos do estado, pois sabemos que eles utilizarão a empresa como máquina de cargos distribuídos para militantes.

Para alguém de esquerda, é normal a noção de que uma empresa desse porte fique nas mãos do estado. Pois o militante esquerdista tem a CRENÇA de que alguns homens (seriam os “anjos” em Terra, como diria Friedman) estão na missão de levar a “justiça social” através de sua ação, usando para isso “o Estado”.

Assim, não há como confundir esquerda ou direita.

E quando um petralha diz que “PSDB é de direita”, ele está simplesmente executando a Estratégia das Tesouras, de Stalin.

Olavo de Carvalho nos dá mais detalhes, conforme visto em seu texto “A Mão de Stálin está sobre nós”:

A articulação dos dois socialismos era chamada por Stalin de “estratégia das tesouras”: consiste em fazer com que a ala aparentemente inofensiva do movimento apareça como única alternativa à revolução marxista, ocupando o espaço da direita de modo que esta, picotada entre duas lâminas, acabe por desaparecer. A oposição tradicional de direita e esquerda é então substituída pela divisão interna da esquerda, de modo que a completa homogeneinização socialista da opinião pública é obtida sem nenhuma ruptura aparente da normalidade. A discussão da esquerda com a própria esquerda, sendo a única que resta, torna-se um simulacro verossímil da competição democrática e é exibida como prova de que tudo está na mais perfeita ordem.

Resumindo: quando tratamos o PSDB como “de direita”, já caímos na fase em que a estratégia das tesouras está bem desenvolvida em nosso país.

Aqui, no máximo o DEM poderia ser quase um partido de direita.

Mas as declarações de Índio da Costa no mês de agosto, dizendo que “é de esquerda”, causam algum desânimo. E o partido quase inexiste politicamente.

Quer dizer, direita não existe. Temos uma QUASE direita com o minúsculo DEM.

E a partir dali, é tudo esquerda, e isso inclui PSDB, PMDB, PV, PT, PCdoB, PSOL e todo tipo de porcaria.

A pergunta que resta é: como pudemos chegar à esse estágio de dominação esquerdista?

Simples: estratégia gramsciana.

Em raros países a estratégia gramsciana foi executada de forma tão coordenada, utilizando-se inclusive de unidades especializadas de doutrinação em grandes universidades, como a USP.

O senso comum da população brasileira, mesmo que seja um povo inerentemente conservador, está “formatado” para ir pensando de acordo com as ideologias da esquerda.

Tanto que nesse novo universo mental, até mesmo diante de diferentes sistemas de esquerda se convencionou chamar um deles de “direita” e outra de “esquerda”.

Por isso, chegamos à esse estágio de declínio cultural em que grande parte da população sequer consegue saber o que “direita” significa.

Ser de direita significa ser conservador, um adepto do livre mercado, do estado enxuto, da meritocracia, de uma moral objetiva (e não uma “moral fluida” ou “moral discutida”), etc.

Tanto PSDB como PT não tem absolutamente nada do que se esperaria em um partido de direita.

Nos Estados Unidos, os Democratas são um partido de esquerda, e os Republicanos são um partido de direita.

Vemos isso claramente na obsessão pelo estado inchado dos Democratas, como com o “Obama Healthcare”. E a rejeição ao estado inchado é base das manifestações republicanas.

Enfim, a diferença entre direita e esquerda nos Estados Unidos é claríssima.

Quando um petralha diz que “nos Estados Unidos só há partidos de direita”, ele mente no mínimo duas vezes.

Primeiro, por que na verdade, nos Estados Unidos há direita e esquerda, e isso é visto na diferença radical entre as duas propostas.

Segundo, por que no Brasil, o máximo de “direita” que temos são partidos iguais aos Democratas norte-americanos, portanto não faz sentido chamar qualquer grande partido nacional de “esquerda”.

Enfim, aqui vão duas regras básicas para facilitar a classificação:

  • Se alguém defende o estado inchado, inclusive com manutenção de estatais como Banco do Brasil e Petrobrás na alçada do governo, é de esquerda; se defender a manutenção apenas do básico absoluto com o Estado (como a segurança pública), é de direita;
  • Se vier com conversinhas como “nós lutamos pela justiça social”, é de esquerda, pois qualquer esquerdista tenta “se vender” fingindo que luta por todos, quando na verdade é só busca de autoridade; quem é de direita geralmente diz que “quem trabalha mais, merece mais”, o que pode parecer menos demagógico,  mas é mais realista.

Aplicando essas duas regras, que podem ser sustentadas por qualquer investigação na literatura dos autores de esquerda, vemos que nem PSDB e nem PT são de direita.

Aliás, no Brasil, não há direita.

E precisamos de uma direita ativa para fazer a oposição à esquerda.

Até por que os ideólogos da esquerda estão na espiral da bobagem, até por que é difícil encontrar bobagem maior do que dizer que o PSDB é de “direita”.

Se daqui uns 15 ou 20 anos, tivermos uma elite conservadora para fazer contraposição aos ideólogos da esquerda, talvez deixem de falar tanta bobagem.

Protestos, protestos

Mais do que noticiada esta sendo a série de protestos no Brasil contra o aumento da passagem no sistema de transporte coletivo. Os protestos, organizados por  grupos socialistas como PSTU, AnonymousBR, UNE e Juntos! (militância estudantil do PSOL), lograram angariar amplo apoio entre os mais jovens e mobilizar uma grande massa em torno da causa.

Alguns simplesmente querem a revogação do aumento da passagem, outros querem o passe livre e a total estatização do sistema de transporte coletivo. Não discutirei longamente estas questões pois quem acompanha este blog já sabe o porque tais idéias são absurdas e porque, se adotadas, resultarão em um serviço de transporte mais caro e menos eficiente.

O que sei sobre os protestos contra o aumento da passagem é o seguinte:

  1. Quem está protestando não entende nada de formação de preços e portanto não sabe a causa do preço artificialmente caro do transporte coletivo no Brasil.
  2. Quem está protestando geralmente pede como solução para o problema aquilo que está causando o problema neste exato momento: governo se metendo onde não deve.
  3. Quem pede transporte público e gratuito não entende que os serviços “públicos e gratuitos” são pagos via imposto, compulsoriamente, independente da pessoa usar ou não. A saúde pública, que é uma bosta, você paga por ela e paga caro. A educação pública, que está às moscas, você paga por ela e paga caro. Com o transporte não será diferente: você pagará caro por um serviço ruim.
  4. Diferente de um serviço que é pago voluntariamente, seja mensal seja a cada uso, você não pode optar por boicotar um serviço público. Sonegar imposto é crime, boicotar um serviço ruim não.
  5. Nunca vi ônibus pegando fogo nem patrimônio sendo destruído em “protestos pacíficos”. Neste tipo muito peculiar de protesto pacífico a polícia intervém pacificamente com cacetetes pacíficos, bombas de gás pacíficos e pacíficas balas de borracha, como é de se esperar.

Basicamente as pessoas envolvidas no protesto estão ali por uma euforia juvenil e por pura vontade de participar de uma mudança, de algo grande, etc. Entendo. Também entendo que nestes movimentos sempre haverá um ou dois mais “revolucionários” para dar a idéia idiota de queimar ônibus, depredar patrimônio público e privado ou mesmo iniciar um confronto com a polícia. Entendo ainda mais que os outros 95% levem cacetadas, bombas de gás lacrimogênio e balas de borracha por culpa dos poucos que iniciaram os atos de vandalismo e violência. Este comportamento do aparelho de repressão do Estado é previsível e o escudo humano em volta da minoria violenta proporciona uma proteção que torna seu comportamento violento ainda mais previsível.

O que não entendo é como os jovens são capazes de identificar que há uma relação corruptora entre o Estado e o setor privado e ainda assim desejar que o Estado assuma para si todas as funções do setor privado. É tão difícil perceber que os preços abusivos são gerados por um sistema de concessões estatais que, na prática, impedem concorrência entre linhas de ônibus? Ou, pior ainda, que uma redução do preço da passagem é totalmente inútil quando é artificalmente imposta pelo Estado, uma vez que o Estado a garante através do subsídio às empresas de transporte às custas do contribuinte? E que o contribuinte, caro militante revoltado, é você?

Não existe, portanto, as opções de pagar ou não pagar pelo transporte coletivo. As únicas opções disponíveis são:

  1. Pagar voluntariamente pelo serviço privado que você usa e não usá-lo no caso de se recusar a pagar o preço estipulado. Ou seja, pagar voluntariamente.
  2. Pagar todo mês, compulsoriamente, por um serviço público independente de usá-lo e arriscar ir para a cadeia se recusar-se a pagar por ele, o que constituiria sonegação. Ou seja, pagar sob coerção.

Pluripartidarismo ilusório

Apesar de o debate político ser centralizado, o Brasil pode se orgulhar do seu número de legendas. Ostenta o glorioso número de 30 partidos registrados no TSE, com muitos outros ainda por vir. Muitas legendas desnecessárias ou redundantes politicamente. Aliás, a maioria assim o seria se considerássemos seus programas de governo. A mais recente palhaçada é o Partido Ecológico Nacional, que vem para somar ao cenário político a luta pelo meio ambiente, supostamente já lutada pelo Partido Verde. Verde é o novo vermelho. Mas isso não vem ao caso. A subdivisão no Brasil tendendo a infinitos partidos é interessante pelo fato de que nenhum partido que aparece vem a somar algo novo ao cenário: aqueles que o fariam não possuem força o suficiente nem mesmo para regularizar sua legenda para poderem lançar candidatos.

TSE
TSE e suas regras que dificultam a renovação e facilitam o mais do mesmo

As últimas aberrações mostram claramente esse fato triste: primeiro veio o PSD, que nada fez além de criar um clone do DEM na base aliada. Então o Partido Pátria Livre, que pretende ser apenas um PCO mais amigável. Por último, o Partido Ecológico Nacional… que dispensa comentários. E essa redundância política não se restringe aos mais recentes: a política nacional é inundada dessas redundâncias. A maioria dos partidos possuem programas de governo idênticos, propostas idênticas, todas dentro de dois paradigmas políticos: Welfare State, entre os fabianos, e socialismo entre os mais radicais. E a política nacional se polariza entre as duas esquerdas.

Não sendo injusto, pode-se até dizer que nos últimos tempos existiram propostas no sentido de se alterar o centro do debate, mas mesmo esses tem medo de se assumir como a Direita. Até mesmo o em tese fabiano PSDB, apesar de sua formação socialista, construiu uma tradição no sentido de diminuir o tamanho do Estado quando assumiu em coligação com o PFL (apesar de suas privatizações mal feitas). O Aécio Neves em recente entrevista ressaltou a importância de descentralizar o poder para que se possa fazer uma reforma tributária e retirar o peso do Estado da vida do cidadão, para que este pare de atrapalhar o cidadão. Mas mesmo esses tem medo de fazer oposição. Ficam apenas, eternamente, esperando seu lugar ao sol.

Paulo Freire
Paulo Freire – O Embuste que cooptou um plano de educação e trocou seus conceitos pela luta de classes. O resultado de nossa educação depois desse ilustríssimo mentor é claro: sucata.

No fim o pluripartidarismo é uma ilusão, já que, desde o ensino mais básico, a diversidade ideológica é cerceada. Na academia, então, a esquerda é predominante e doutrina a seu bel prazer. E se podem até existir alternativas no campo da economia (Escolha entre um certo liberalismo do PSDB ou o PT se afogando nas glórias alheias sem executar uma só medida de peso), todas se rendem ao marxismo cultural: ninguém, além da bancada evangélica, tem coragem de se opor ao aborto, por exemplo. Como consequência, a causa da vida acaba sendo associada exclusivamente à Igreja, e não à vida em si como deveria. E no campo cultural não existe oposição. E prevalece, sem o menor esforço, o politicamente correto, que nada mais é do que o que o poder aceita que seja dito.

Esquerdopatia recorrente: o caso Pinheirinho.

Os coitadinhos do Pinheirinho se preparando para atacar a polícia.

A cada dia as certezas parecem aumentar sobre o caso do região do Pinheirinho em São José dos Campos. Todos parecem ter uma filosofia de vida pronta, onde analisam qualquer acontecimento sob esta ótica, sem nem se esforçarem para ter o mínimo de conhecimento sobre o assunto. A gritaria dos esquerdistas e “defensores” da vida humana está grande, porém duvido muito que tenham parado para analisar por cinco minutos toda a história daquela região antes de saírem emitindo opiniões.

A região invadida há quase uma década pertence à massa falida do grupo Selecta, que tem como dono o Sr. Naji Nahas. Nahas reivindica a área na justiça desde 2004, e em julho de 2011 foi emitida a ordem de reintegração de posse. De lá até hoje, o monitoramento da região por parte das esquerdas aumentou. Até a União entrou na história para tentar se resolver a situação mediante um acordo. O fato é que depois de sucessivas liminares, caçando e revalidando a integração, foi revalidada a decisão inicial da 6ª Vara Cível de São José dos Campos – começa aí o primeiro argumento daqueles que bradam em favor dos invasores. O TRF havia proibido a reintegração de posse, um prato cheio para os esquerdopatas de plantão que passaram o dia todo alegando que a polícia militar de São Paulo e o Sr. Geraldo Alckmin desrespeitaram uma decisão da Justiça Federal, porém uma decisão da  6ª Vara Cível de São José dos Campos só poderia ser revogada pelo STJ ou pelo STF, não havendo qualquer motivo para a gritaria instaurada.

Desmistificada a suposta rebeldia da Polícia e do Governo do Estado de São Paulo, começaram as acusações de que a polícia chegou no Pinheirinho dando tiros para todo lado. Só esqueceram de contar que esta mesma polícia foi recebida a pedradas e que carros foram incendiados, tudo para impedir a ação de reintegração de posse. Fica a pergunta: queriam que a polícia reagisse como? “Senhores, convido vocês a se retirarem da região além de pedir encarecidamente para que parem de tacar pedras e incendiar carros”? Este, sem dúvida não é o modo mais adequado para tratar invasores rebeldes. Este vídeo mostra claramente o modo como a polícia foi recebida, além de dar algumas outras explicações.

Com mais um argumento posto a baixo, partiram para, talvez, o mais grave de todos. Em nome de um sentimento transcendente de solidariedade, surgiram as primeiras palavras em repúdio ao direito da propriedade privada sob o pretexto de defesa da vida humana. Locke, no século XVII já havia escrito sobre os direitos naturais do cidadão: a vida, a liberdade e a propriedade. Além disso, teorizou que a formação do Estado se deu justamente para se garantir estes direitos naturais, e caso o Estado fosse ineficiente nesta função, os cidadãos tinham total direito de se rebelar. No século XIX foi a vez de Bastiat, em “A Lei” ele escreveu:

A vida, a liberdade e a propriedade não existem pelo simples fato de os homens terem feito leis. Ao contrário, foi pelo fato de a vida, a liberdade e a propriedade existirem antes que os homens foram levados a fazer as leis.
O que é então a lei? É a organização coletiva do direito individual de legítima defesa. Cada um de nós tem o direito natural, recebido de Deus, de defender sua própria pessoa, sua liberdade, sua propriedade.

Ou seja, não cabe questionar a lei de defesa da propriedade privada, qualquer questionamento seria um questionamento a um direito natural e qualquer decisão que vá contra estes direitos implicará na perda da única função estatal – a defesa dos direitos naturais,  além de representar um passo rumo ao socialismo, tão desejado pelas nossas esquerdas.

Aliás, a esquerda não perde tempo. O líder do Pinheirinho é filiado ao PSTU, tem casa própria, tem carro e ainda é filiado ao Sindicato dos Metalúrgicos, ou seja, o Pinheirinho nada mais era do que um braço político do partido, fato aliás confirmado pelo próprio partido em nota que repudia a reportagem que denuncia esta aliança invasores-partido.

De toda esta gritaria, fica uma certeza. O viés marxista de pensamento já está arraigado na consciência nacional. As pessoas emitem opiniões pensando estarem sendo imparciais, mas não estão. Pensam o mundo a partir da dicotomia ricos-empresários-Estado X povo, tendo o povo o monopólio da bondade e da razão. Só esquecem que tanto o empresário, quanto os ricos, como os integrantes do Estado também fazem parte do povo e estão submetidos ao estado democrático de direito.

Não importa se a propriedade é da empresa falida do Sr. Nahas, se é do padeiro, do carpinteiro ou de qualquer outro cidadão. A propriedade privada deve sempre ser preservada independente de quem seja o dono.

O absurdo no Brasil é tanto que invasor de terra alheia é tido como mocinho, e a justiça que só faz cumprir a lei é tida como vilã – fora isto, o Sr. Geraldo Alckmin ainda anuncia um “Bolsa-moradia” para os invasores. Pagar invasores com dinheiro do “contribuinte”, realmente vamos mal das pernas.

Ouvi uma simpatizante do PSOL dizer que as leis têm de priorizar o ser humano. Concordo. E nada melhor prioriza o ser humano do que a garantia dos seus direitos naturais: vida, liberdade e propriedade – invadir a propriedade alheia não prioriza, apenas desrespeita o próximo.