Anticapitalismo é auto-sabotagem

O que acontece quando o ambiente de um país é hostil aos negócios, cheio de burocracia, impostos e proibições? Naturalmente, menos negócios abrirão ou permanecerão aí. Logo, haverá menos empregos e portanto menos demanda por mão-de-obra.

Mas o que isso significa para mim enquanto trabalhador assalariado? Menos demanda por mão-de-obra significa que haverá muito mais concorrência por vagas cada vez mais escassas e salários reais cada vez mais baixos. Haverá aqueles que argumentam que há empregos, mas falta mão-de-obra qualificada para ocupar as vagas. Porém, o mesmo efeito descrito acima para o mercado de trabalho afeta o principal responsável pela capacitação dos profissionais: a educação. A burocracia, os impostos, a hipertrofia regulamentar e a reduzida concorrência são fatores que contribuem para o encarecimento da formação de novos profissionais qualificados. A escassez de emprego e os baixos salários encarecem e dificultam a capacitação do profissional ou dos seus filhos, gerando um ciclo vicioso: a queda dos salários resulta em menor capacitação profissional, que faz com que no país parmençam empregos mais escassos e de salários mais baixos.

Não se engane, portanto, pensando que indicadores como liberdade econômica, facilidade de abrir negócios e defesa do direito de propriedade são de pouca importância para quem trabalha como assalariado. O principal afetado em um ambiente hostil aos negócios não é quem decide investir em outro lugar, mas aqueles que são privados do investimento: os trabalhadores e consumidores locais. O resultado desta hostilidade aos negócios e aos investimentos é uma Economia onde os bens, serviços e empregos são cada vez mais caros, escassos e de baixa qualidade.

Taleb para Políticos: Primeiro Princípio

O primeiro princípio político é um princípio “importado” da ética médica e que faz muita falta na área política. Veremos como, a partir dos conceitos desenvolvidos por Taleb, chegamos à conclusão de que o excesso de intervenção pode ser considerado uma violação do princípio da não-maleficiência.

ética médica

Antifragilidade vs. Resiliência

Coisas frágeis são aquelas que se buscam estabilidade e evitam riscos. Usando um exemplo do livro, uma xícara de porcelana é frágil porque ela não se beneficia de estar sobre uma superfície instável, e menos ainda de uma queda. Ela quebra.

Coisas que não sofrem danos, que saem intactas dos impactos aplicados sobre elas, são “resilientes”. Uma xícara de titânio, por exemplo.

Coisas “antifrágeis” são aquelas que se beneficiam de impactos, riscos e instabilidade. Um exemplo de antifragilidade é o gel desenvolvido pela empresa D3O, uma substância que endurece conforme o impacto aplicado sobre ela. Quanto maior o impacto sobre ela, mais resistente ela se torna. Nosso sistema imunológico também é um exemplo de antifragilidade, pois se torna mais forte a cada ameaça superada. Antifrágil é aquilo que se torna mais forte frente às adversidades. [1]

A proposta de Taleb é tornar nossos sistemas financeiros, sociais e políticos antifrágeis, ou pelo menos mais robustos. Mas como podemos fazer isso? Algumas pistas serão dadas nas seções seguintes.

Fragilidade Sistêmica

Para que um sistema se torne antifrágil, suas partes precisam ser frágeis. Voltando ao exemplo do sistema imunológico, para que o sistema se torne mais forte, ele precisa ser atacado e que algumas células morram no processo. Não significa que devemos sacrificar os indivíduos pelo bem do “sistema” (a sociedade). Precisamos que eles sejam frágeis.

Fragilidade significa que as partes de um todo (pessoas em uma sociedade, empresas em uma economia, jogadores em um time de futebol) precisam estar expostos a riscos e às consequências dos seus atos. Para isto elas precisam de liberdade para agir.

Para construir uma economia robusta, as empresas precisam ser frágeis. [2] O motivo pelo qual países capitalistas se desenvolvem mais do que os socialistas não é a eficiência ou a otimização gerada pelo capitalismo: a razão por trás do desenvolvimento ocidental está no fato de que as suas empresas têm mais oportunidades e assumem mais riscos. Este ambiente permite que as empresas falhem em uma velocidade muito maior e aprendam empiricamente a oferecer melhores produtos, melhores serviços e tecnologias mais avançadas [3].

O protecionismo é uma violação clara da definição acima, de um ambiente onde a oportunidade e risco, liberdade e responsabilidade, andam de mãos dadas. A máxima “proteção desprotege” não serve somente às mães, mas também a um governo saudável. A proteção, ao mesmo tempo que torna algumas empresas resilientes à concorrência, torna todo um sistema econômico e a população que depende dele mais frágeis. E esta ação, bem-intencionada mas com resultados catastróficos, tem um nome.

Iatrogenia

Iatrogenia, no contexto médico, é o nome dado à intervenção médica que em vez de resultar em benefícios para o paciente causa danos a ele ou o expõe a riscos desnecessários. É diferente da negligência, ou de uma ação mal-intencionada e proposital: a iatrogenia é o mal causado com a boa e legítima intenção de curar. O mal vai desde submeter o paciente a um procedimento cirúrgico desnecessário a interná-lo em um hospital onde as chances de ele contrair outras doenças aumenta exponencialmente o seu risco de morrer.

A iatrogenia – o mal causado por quem tem a intenção de curar – está tão ou mais presente na Política do que na área da saúde, e tem sua origem em duas coisas:

  1. a) O conflito de interesses das partes envolvidas, problema conhecido também como “problema do principal-agente” ou “dilema da agência”. [4] Significa que um agente tem a opção e a oportunidade de agir em interesse próprio em prejuízo de quem deveria representar.
  2. b) Há incentivos morais e financeiros para as ações, mas não para as omissões. [5] Omissões, mesmo aquelas que evitam grandes riscos ou consequências catastróficas, não costumam ser reconhecidas como “boas ações”, ao contrário de ações iatrogênicas no longo prazo, mas com efeitos benéficos superficiais no curto prazo.

Pela própria natureza da sua profissão, os políticos têm uma mentalidade muito intervencionista. Eles são eleitos para “fazer alguma coisa”, não para “deixar de fazer alguma coisa”. Consequentemente, são os responsáveis pelas maiores “catástrofes iatrogênicas” da História.

Diante da possibilidade de causar danos irreversíveis (como na política e na medicina), é um dever moral que a decisão seja tomada com informação e consentimento da parte interessada, o que raramente acontece devido ao já mencionado problema da agência. Na impossibilidade de contar com o consentimento informado dos demais, o único caminho é a abstenção. Elaboramos então o nosso primeiro princípio político:

  1. Não-maleficiência: não causar o malAvaliar toda e qualquer nova política, antes da sua adoção, buscando por potenciais danos colaterais, efeitos adversos ou consequências indesejadas que não tenham sido previstas. Em caso afirmativo, não implementar a política. Dentro do possível barrar toda e qualquer nova política que implique aumento de impostos, restrições, regulações, proibições ou subsídios. Enfim, toda aquela política que tente construir a resiliência individual ao custo da fragilização de todo o sistema.

NOTAS:

[1] Um exemplo na área da saúde é o crescimento pós-traumático.

[2] Motivo pelo qual economias estatizadas, como as socialistas, são as mais frágeis e vulneráveis a crises e escassez crônica. Privando empresas de riscos, o socialismo impede a destruição criativa e suas economia estanca, passando a viver de importação ou imitação do que é produzido no exterior.

[3] Em inglês esta propriedade é chamada de “Fail-fast”. Os erros que cometemos fornecem informação sobre o mundo ou sobre nós mesmos, gerando feedback imediato que nos permite melhorar. Melhorias rápidas e significativas exigem que muitos erros sejam cometidos rápida e sucessivamente, desde que não sejam erros fatais que comprometam o sistema inteiro. Uma citação de Thomas Edison ilustra bem este princípio: “Eu não errei dez mil vezes tentando inventar a lâmpada elétrica. Eu descobri dez mil maneiras pelas quais ela não deveria ser feita”.

[4] O problema da agência é disseminado na política: há uma sensação generalizada da desconexão entre os interesses da classe política e do seu público eleitor. O político moderno não busca representar um setor da população, ele busca que um setor da população se identifique com ele e suas propostas, impondo as suas ideias à força em caso de dissidência.

[5] Os médicos tem um incentivo financeiro e moral para intervir na sua saúde, mas nenhum incentivo financeiro ou moral para não intervir. Muitas cirurgias potencialmente mortais são realizadas todos os anos em pacientes que poderiam dispensá-las, adotando formas alternativas de tratamento. Há casos de pacientes que, recusando cirurgias de alto risco na coluna, terminaram curados sem intervenção médica alguma.

A capacidade auto-curativa do nosso próprio corpo é frequentemente subestimada e definitivamente há espaço para uma política de “não-intervenção” na área da saúde e da medicina.


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Exportações e indústria

A descoberta de novas fontes de recursos naturais pode simbolizar um grande aumento da atividade econômica. O petróleo, então, é fundamental no processo econômico moderno. Todavia, há alguns que exalam certa preocupação, em parte composta por questionamentos justos, mas talvez inválidos.

Com a ampliação da exploração do petróleo no Brasil, muito por causa do pré-sal, há uma tendência daquilo conhecido como “doença holandesa”, que leva a desindustrialização de um país. A Holanda, na década de 1960, exportava bastante gás, e recebia muitos dólares pela venda. Essa enxurrada de dólares valorizou o florim, então a moeda local, e o país passou a enfrentar problemas para exportar outros bens, principalmente industriais, pois sua moeda estava mais cara para o mercado externo.

Entretanto, fundamental é localizar o problema, para, a partir daí, buscar soluções. Já no século XIX, o economista britânico David Ricardo falava das vantagens comparativas: grosso modo, se dois países se especializarem em produzir aquilo que são melhores e posteriormente comercializarem esses bens entre si, a produção e o ganho socioeconômico serão muito maiores do que se ambos produzissem ambas as mercadorias.

Um aumento das exportações de petróleo brasileiro simbolizaria uma vantagem comparativa do país para com o exterior, se tornando um meio para a obtenção de dólares para a importação de bens. E, para alguns, é aí que começa o problema. Nesse processo, o real tende a ser valorizar, e o dólar ficará mais barato; por conseguinte, os produtos importados também. O brasileiro passaria a importar mais, o que seria ruim para a indústria brasileira, que passaria por apertos ainda maiores já que agora enfrenta uma maior concorrência internacional.

Porém, retornando ao conceito de vantagem comparativa, vemos que agora o país está se beneficiando ao se especializar naquilo que produz de maneira mais eficiente. O Brasil estaria realocando recursos para fora de algo que o exterior está mais competitivo, e se aproveitando de um bem que produz de maneira eficaz. Além disso, essa diminuição do peso da indústria manufatureira no produto agregado da economia pode não estar necessariamente ligada a problemas de “câmbio sobrevalorizado”, e essa diminuição pode, também, não simbolizar decadência econômica. A seguir, dois países que passaram por processos parecidos, e qual o desenrolar da situação: Canadá e Noruega.

O caso canadense

Há algumas décadas atrás, a província de Alberta, no Canadá, aumentou significativamente sua exploração de recursos naturais, e a atividade econômica na região se intensificou. Depois de uma desvalorização lenta e gradual na década de 1990, a partir de 2002 o dólar canadense sofreu uma valorização significativa – a paridade em relação ao dólar americano naquele ano era de CAD$ 1,60; por volta de 2007, chegou a ser menos do que um para um.

Cotação do dólar canadense em relação ao dólar americano, de 1991 a 2007.

A indústria canadense, segundo dados da Statistics Canada, não passou por nenhum tipo de pânico nesse período. De 2003 a 2006 a produção industrial aumentou cerca de 1,3% em valores monetários reais, puxada por um aumento de cerca de 4,8% dos bens duráveis, contra uma redução de cerca de 3,4% dos bens não duráveis. Já no que diz respeito aos empregos, a taxa de desemprego, que oscilava pouco abaixo de 8% entre 2002 a 2004, caiu para pouco abaixo de 6% no começo de 2008. Distribuindo por setores e indústrias, de 2003 a 2007, apenas a agricultura e a manufatura enfrentaram queda na geração líquida de empregos. Ao passo que a manufatura perdeu pouco mais de 10% de empregos, mineração, petróleo e gás representaram um aumento de cerca de 28%, a construção civil, 26%, e as finanças, 17%.

O mercado de trabalho canadense, todavia, não é homogêneo. Enquanto as províncias do Oeste possuem taxas de desemprego que dificilmente ultrapassam os 7%, e Alberta e Saskatchewan, os 5%, as do leste enfrentam números que constantemente ultrapassam a casa dos 10%. Mas boa parte dessa diferença não se deve a exploração de recursos naturais. Alberta, por exemplo, simplesmente não cobra imposto provincial sobre o consumo. O imposto sobre o consumo cobrado existente é do governo federal, com uma leve alíquota de 5%. Outras províncias, somando a taxa federal e a provincial, chegam a quase 15%. Alberta e Saskatchewan também adotam políticas econômicas pró-negócios, evitando burocracias e flexibilizando mercados (incluindo privatizações até de lojas estatais que vendem bebidas alcoólicas, algo ainda comum no restante do país), o que atrai investimentos, imigrantes de todos os países e, também, migrantes de outras províncias.

Essa alteração se deveu bastante ao boom das commodities e à bolha imobiliária, dentro do novo contexto em que a economia chinesa criou. Na prática, o que houve foi uma realocação de capital humano, financeiro e maquinário, e não a aniquilação do mesmo; além disso, a balança comercial manteve-se positiva e estável, apresentando valores muito próximos daqueles dos anos 1990, em que o câmbio estava bem mais desvalorizado.

Balança comercial canadense, entre 1996 e 2007. Realmente apresentou mais superávit com a desvalorização, mas os valores continuaram praticamente no mesmo nível com a posterior valorização, caindo só depois de 2006.

O caso norueguês

Já sobre a Noruega, uma situação parecida se verifica. A coroa norueguesa enfrentou forte valorização na década de 2000, depois de forte desvalorização na década de 1990. Por volta de 1995, US$ 1,00 valia cerca de 6,20 NOK e, em meados de 2001, estava em 9,50 NOK. Já na década de 2000, após essa desvalorização encerrada em 2001, a moeda sofreu uma gradual valorização, chegando a 5,5 NOK no final de 2007.

Cotação da coroa norueguesa, entre 1995 e 2007.

A economia norueguesa também se comportou positivamente nesse período. O superávit comercial, de pouco mais de 5 mil NOK de 1995 a 1998 sofreu um boom no final da década, e passou a oscilar entre 20 mil NOK e 25 mil NOK no começo da década de 2000. Com a valorização, o superávit caiu para cerca de 15 mil NOK no final de 2002; todavia, as contas melhoraram e em 2006 chegou a 35 mil NOK, caindo para 25 mil NOK no final de 2007 – valor maior do que o ápice daquele quando o câmbio estava desvalorizado. A moeda sofreu desvalorização com a crise de 2008 e o comércio internacional norueguês se deteriorou, mas claro que o contexto internacional influenciou bastante nessa queda. A moeda voltou a valorizar, e o superávit aumentou para mais de 40 mil NOK em 2012.

Balança comercial norueguesa entre 1995 e 2012.

A produção industrial, por sua vez, desacelerou na época de desvalorização cambial, após uma época de crescimento no começo da década de 1990. Após crescer 7,5% em 1994 em relação a 1993, os números se deterioraram lentamente até meados de 1999, em que houve retração na produção de quase 5%, melhoraram um pouco na virada da década e se estagnaram na década de 2000.

Variação na produção industrial da Noruega, entre 1994 e 2007.

Evidente que um setor da economia estagnado durante uma década não é motivo para se comemorar. Só que isso, ao mesmo tempo, não transforma a economia como um todo em algo que enfrenta problemas. Com o câmbio desvalorizado nos anos 1990, o desemprego caiu de mais de 4% em 1997 para 2,7% em meados de 1999; a partir daí, houve um aumento bem lento e gradual do desemprego com a valorização do câmbio, chegando a 4,6% no final de 2005. Porém, esse movimento freou em 2007, em que a taxa caiu para pouco menos de 2,5% no final do ano.

Taxa de desemprego norueguesa entre 1997 e 2007.

Os salários nominais na indústria aumentaram cerca de 75% de 2000 a 2014, e os índices de preço somente cerca de 28% no mesmo período. Como dito anteriormente, houve estagnação na produção, logo, o aumento salarial sem problemas sérios de desemprego foi possível graças ao ganho de produtividade. A produtividade norueguesa estava estagnada no início dos anos 1980, tendo em vista que nesse período houve certo protecionismo, já que a paridade com o dólar, que era cerca de 5,00 NOK há anos, mudou para quase 10,00 NOK no começo de 1985. A partir daí, houve uma valorização da coroa norueguesa, acompanhada de uma aceleração na produtividade – o aumento da concorrência externa força com que a indústria nacional se aprimore mais para sobreviver.

Taxa de câmbio da coroa norueguesa em relação ao dólar, entre 1980 e 1993.
Produtividade norueguesa, que aumentou mesmo com a “ameaça” da valorização da moeda.

Importante ressaltar que o governo norueguês, adepto do Estado de bem-estar social, realmente gasta bastante dentro do produto agregado da economia. Porém, as contas públicas são relativamente responsáveis: o governo gasta aquilo que possui. Boa parte da receita do governo tem como origem a renda do petróleo, e o gasto têm como base isso, e não endividamento. O país apresenta constantes superávits nas contas públicas, mesmo com esse tipo de política fiscal; mesmo com o Estado de bem-estar social, ainda sobram recursos, e isso é fundamental para que tal sistema socioeconômico não imploda. A dívida pública em relação ao PIB não ultrapassou os 60% nos últimos 24 anos, e pouco depois da crise, que evidenciou um aumento da dívida, a mesma já diminuiu e gira em torno de 29%, muito diferente dos endividados países da Europa Ocidental e Meridional, que apresentam dívidas crescentes e que se aproximam de uma média de 100%. Pouco antes da crise, mesmo com o Estado de bem-estar social, a Noruega apresentava superávits de cerca de 18% do PIB, e um ambiente regulatório não muito intrusivo e que facilita os negócios, sendo considerada a nona entre as economias mundiais menos atravancadas e burocratizadas em 2014.

Dívida do governo em relação ao PIB nos últimos 24 anos.
Resultado orçamentário do governo em relação ao PIB. Em poucos momentos o superávit foi menor do que 10%, algo “impossível, terrível e contraproducente” na mentalidade keynesiana. Definitivamente, o governo norueguês não atrapalha muito a oferta de recursos no mercado financeiro.

A preocupação deve girar em torno do fato de que o petróleo é um recurso finito. Na Noruega, a produção já vem declinando. É fundamental que durante esse processo de queda da produção da commodity a economia possa realocar novamente os recursos da economia para outros mercados. Para tal, a flexibilização da economia torna-se necessária. O atual modelo socioeconômico do país dificilmente sobreviveria sem a renda atual e acumulada do petróleo. Portanto, no longo prazo, para o sustento da própria economia, seria de bom grado uma redução gradual da participação estatal no âmbito econômico, preparando a economia para um ambiente ainda mais globalizado e competitivo. Dessa forma, com a queda da renda do petróleo, a indústria norueguesa estaria mais preparada para enfrentar o mercado internacional, principalmente se não precisar mais arcar com um pesado Estado de bem-estar social, que será cada vez mais caro sem o petróleo.

A indústria em específico e a economia como um todo

O que se pode concluir, portanto, é que valorizações cambiais podem sim pressionar a indústria de um país, mesmo se tenham como origem exportação de recursos naturais. Entretanto, esse cenário não é necessariamente ruim, caso os recursos da economia sejam realocados, como houve na economia canadense, ou então a própria manutenção de indicadores socioeconômicos mesmo com a valorização cambial e a estagnação da indústria, como no caso norueguês.

A indústria de um país não pode se tornar uma finalidade. Os setores da economia são meios, e não fins em si mesmos. A finalidade da economia é, afinal, a produção e distribuição de bens e serviços pela e para a sociedade. Esse é o objetivo. Se a indústria consegue agregar a esse processo, ótimo; se a agricultura de um país possui determinadas vantagens comparativas, é algo benéfico. O problema seria a decadência do produto da economia, o desemprego alto e constante, a má qualidade de vida da população, e não quedas específicas na indústria, na agricultura ou no setor de serviços. Quedas em um setor específico, se acompanhadas de aumentos minimamente proporcionais ou ainda maiores em outros setores representam um avanço econômico, e não um retrocesso.

Isso também não significa que todo um setor deva ser sucateado. Por isso, é fundamental, ao mesmo tempo em que se aumente a competição com o mercado externo, que o mercado interno receba a devida atenção, mas sem proteção. A indústria brasileira, por exemplo, sofre com impostos em cascata, o que é ainda pior para o setor, pois conforme vai agregando valor ao produto, de quebra acaba por “agregar impostos” também, encarecendo o processo. Além disso, ela paga mais impostos proporcionalmente do que outros setores. A Fiesp já destacou que a indústria arca com mais impostos em relação ao PIB do setor. Eles representam mais da metade do PIB da indústria, sendo praticamente o dobro do que acontece noutros setores. Além disso, analisando friamente, a indústria contribui mais para a arrecadação de impostos para o governo do que para o PIB do país. A indústria de transformação, em 2011, segundo o IBPT, respondeu por 14,6% do PIB, mas por 33,9% dos impostos. É um tratamento injusto dado ao setor, que sai prejudicado perante o mercado externo e até mesmo em relação aos outros setores da própria economia brasileira.

No que diz respeito à exploração do petróleo no Brasil e suas consequências socioeconômicas, se trata de um tema que desperta emoções nas pessoas, pois, como os próprios nacionalistas afirmam, “o petróleo é nosso!”, e se trata de uma commodity extremamente “estratégica”. Os Estados Unidos, certamente, consideram o petróleo muito mais importante e estratégico do que o Brasil. Reflexo disso é a política externa americana, que constantemente se relaciona intensamente com países petroleiros, como Irã, Iraque e Kuwait. Todavia, ao passo que lá a exploração de petróleo praticamente sempre foi delegada ao setor privado, já que os Estados Unidos, por sua tradição capitalista, sabem que o setor privado é mais eficiente que o setor público e, dado que o petróleo é de suma importância ao país, nada surpreendente a exploração desse recurso natural ser delegada ao setor privado. Tudo bem que a ExxonMobil se destaca por seu market share nesse ramo dentro da economia americana, com 1/3 entre as doze maiores, mas o país possui mais de uma dúzia de empresas de faturamento bilionário no setor.

No Brasil, o Estado sempre interveio bastante (não somente) nesse setor. Em 1936, até mesmo o escritor Monteiro Lobato fazia oposição ao governo, com seu livro O Escândalo do Petróleo, em que acusava o governo de não perfurar e não deixar que (o setor privado) perfure. Sofreu censura do Governo Vargas, que proibiu a venda do livro, e lançou um livro infantil logo em seguida, O Poço do Visconde, mas com a mesma temática, para tentar driblar a censura governamental. Não obteve sucesso, sendo até mesmo preso em 1941.

Em 1938, houve a criação do Conselho Nacional do Petróleo (CNP), que considerava todas as jazidas minerais em território brasileiro, até mesmo as que nem foram sequer descobertas até aquela data, como pertencentes à União. Após anos de debates, em 1953, Getúlio Vargas sancionou a Lei nº 2004, que criou a Petrobrás e instituiu o monopólio do Estado sobre exploração, refino e transporte do petróleo no país. Isso seria parcialmente revogado em 1997, durante o primeiro mandato de Fernando Henrique Cardoso, com a Lei nº 9.478, que permitiu que pelo menos a concessão para o setor privado dessas práticas fosse autorizada. Ainda se trata de um mercado extremamente regulamentado e atrelado legalmente à Petrobrás, principalmente no que foi verificado no leilão do campo de Libra e com a criação da Pré-Sal Petróleo S.A. (PPSA), também conhecida como Petrosal, responsável pela gestão de contratos das concessões, mas já é uma situação mais positiva.

A permissão da exploração do petróleo por parte das empresas estrangeiras não se trata de “entreguismo”. Se trata da autorização para que empresas do mundo todo possam vir para o Brasil, investir, gerar empregos, renda e infraestrutura. As mesmas remetem lucros para o exterior, só que ao mesmo tempo realizam todas essas ações que melhoram e muito a economia de um país, e ainda por cima dentro de um ambiente mais livre economicamente – até porque um monopólio estatal ainda é um monopólio. Além disso, o investimento externo não surge do nada, e muito menos cai do céu sem motivos, aleatoriamente.

Quando um país possui potencial para investir em mercados lucrativos mas os investidores dali não investem, não é porque não querem. Querer querem, mas não basta apenas querer, é preciso ter capital para investir. Dada a escassez do capital, que precisa ser acumulado constantemente, realizar investimentos a partir do zero é muito mais difícil. E é nesse ponto em que os investidores estrangeiros entram em ação, aproveitando essa oportunidade de utilizarem seu próprio capital para preencher essa “brecha”. Dessa forma, os países em desenvolvimento se aproveitarão de capital mais moderno e que não estava disponível para os países que desenvolveram antes; ao invés de todos partirem igualmente do zero, aqueles que se desenvolverem depois terão um auxílio externo que os países que lideraram a Revolução Industrial, por exemplo, não tiveram. A não ser, claro, que o governo do país rompa com esse processo.

E o setor petrolífero, como um monopólio estatal, sofre das mesmas consequências de ineficiências que um monopólio privado, exceto pelo fato de, por questões sociais e principalmente políticas, haver uma pressão por preços baixos e subsidiados, ao invés de altos. O petróleo, sob esse sistema, é tão “nosso” quanto eram os minérios, antes da privatização da Vale, a telefonia, antes da privatização da Telebrás, a siderurgia, antes da privatização da Companhia Siderúrgica Nacional (CSN), e a produção de aviões, antes da privatização da Embraer. Antes das privatizações, essas empresas via de regra davam prejuízo aos cofres públicos, e às vezes lucros bem modestos se comparados com os atuais. Após as privatizações, a produção das empresas aumentou drasticamente, assim como a qualidade dos serviços realizados. As empresas, hoje, objetivando a maximização do lucro, pagam muito mais em imposto de renda ao governo do que pagavam de dividendos enquanto estatais, e o governo melhorou suas contas com o auxílio do dinheiro que entrou por meio das vendas das empresas. No que diz respeito ao emprego, houve algumas demissões durante o processo da (necessária) reestruturação. Mas nos dias atuais, com o crescimento dessas empresas, muito mais postos de empregos (bem mais produtivos) já foram criados se comparados com o patamar de antes das privatizações – a Vale dobrou os postos em poucos anos. Inegável o avanço socioeconômico dessas medidas.

Conclusão

O Brasil pode se beneficiar muito com a produção e exportação de petróleo. Mas só a exploração de petróleo não é suficiente para resolver os problemas do Brasil, pois essa exploração precisa ocorrer em um sistema com maior concorrência para maximizar os ganhos socioeconômicos. Há, também, o fato de novas jazidas e novos meios de produção para concorrer com o pré-sal e a exploração de petróleo em águas profundas. Os Estados Unidos, com avanços na extração do petróleo em terra firme no meio das rochas de xisto, está buscando a autossuficiência, algo que pode ocorrer por volta de 2035, caso as previsões dos analistas sobre as reservas estejam corretas. Em 2005 o país importava 60% do combustível consumido. Em 2013, o valor já havia caído para 36%, e as projeções indicam 25% já em 2016. As exportações da Petrobras ao mercado americano caíram 60% entre 2011 a 2013.

Dessa forma, caso aumente a produção de petróleo, há a necessidade de que a economia brasileira tenha a possibilidade de ter condições de enfrentar uma realocação de capital na situação de alterações em sua estrutura, o que provavelmente significaria uma gradual redução do peso da indústria e um aumento do peso do setor de serviços e da extração de recursos naturais. Para tanto, uma economia burocratizada e altamente taxada não é o caminho a ser seguido.

Atraso constitucional

Uma babaquice dessa só poderia estar na Constituição do Brasil. Desde a revolução industrial que vem se provando que a automação leva a riqueza para onde não havia, gera empregos e torna bens e serviços acessíveis à população geral, cosias que antes eram inacessíveis.

Mais protecionismo em detrimento da eficiência e da qualidade.

Está na Constituição: os trabalhadores têm direito a proteção em face da automação (artigo 7º, inciso 27).

Descubra mais sobre os direitos de todos os brasileiros e ajude a divulgá-los compartilhando os cards da série “Está na Constituição”, da página Notícias do Senado: http://bit.ly/estanaConstituicao

Você também pode baixar todas as artes no Flickr: http://ow.ly/uHKZF

Agro Brasileiro deve se focar no Benchmarking com os EUA

“Os cães ladram e caravana passa” diz o velho ditado.

As causas de todos nossos problemas são internas, a carga tributaria absurda sem nenhuma contrapartida que nos massacra, a burocracia que impede e desestimula o trabalho e investimento, a falta de segurança jurídica e respeito a propriedade privada que nos mantêm constantemente receosos de perder tudo para algum grupelho marxista, a infraestrutura caótica que nos custa caríssimo, a corrupção que é endêmica justamente em função de um Estado grande e centralizador além tantos outros problemas conhecidos por Custo Brasil.

Com todos esses problemas nossos “representantes” decidem atacar a politica agrícola dos EUA, como se isso fosse a principal causa de nossos problemas e prejuízos. Parece que é difícil para eles se focar em reduzir a carga tributaria que o principal vicio do Estado Brasileiro e a causa da maioria dos problemas do setor produtivo. Raramente vemos nossos representantes atacar com firmeza esse problema que se amenizado já criaria um círculo virtuoso para solução de outros problemas como infraestrutura, logística e mais investimento em tecnologia. Menos impostos resultam produtos e serviços mais baratos e mais dinheiro no bolso do setor produtivo para investir nessas melhorias.

Raramente alguém faz uma defesa veemente do direito a propriedade e a legitima defesa, quando o fazem é de forma tímida e hipócrita, afinal a maioria deles virou a casaca e se mancomunou com os comuno/socialista de plantão.

O país cada vez mais parecido com a Argentina, esta que esta cada vez mais parecida com a Venezuela a qual dispensa maiores explicações e os mesmo continuam focados no discurso “moderado”, “apolítico”, e “apartidário” que sempre fomentou todas as ditaduras esquerdistas.

Mas como “bons” socialistas, não poupam folego quando é para criticar o capitalismo e os EUA, ai eles mostram que tem “sangue nos olhos”.

Ao invés de copiarmos o modelo que deu certo praticado nos EUA, Federalismo (descentralização do poder), Estado mínimo, baixa carga tributaria, respeito a propriedade privada e garantias de legitima defesa e tudo mais que os Pais Fundadores sabiamente forjaram na solida constituição, “seguimos latindo” contra supostos problemas que os outros nos causam desviando do real foco de nossos problemas e agindo “moderadamente” contra e quanto aos mesmos. Lembrando o que Barry Goldwater ensinou: ““Extremismo na defesa da liberdade não é um vício!… Moderação na busca da justiça não é uma virtude!“.

Politica de avestruz, enfiar a cabeça na terra diante dos reais problema ao invés de enfrentá-los e procurar bodes expiatórios para os fracassos consequentes.

Outra máxima bíblica diz “Não julgueis, e não sereis julgados. Porque do mesmo modo que julgardes, sereis também vós julgados e, com a medida com que tiverdes medido, também vós sereis medidos. Por que olhas a palha que está no olho do teu irmão e não vês a trave que está no teu? Como ousas dizer a teu irmão: deixa-me tirar a palha do teu olho, quando tens uma trave no teu? Hipócrita! Tira primeiro a trave de teu olho e assim verás para tirar a palha do olho do teu irmão.” (Mt 7,1-5)

Enquanto “nossos cães” se concentram em latir para quem segue adiante, nos continuaremos relegados ao atraso e ao esquecimento.

  1. Custo Brasil, Preço dos Grãos e o custo de produção.

  2. Brasil é o pior em retorno de impostos a população, aponta estudo.
  3. Por que produzir nos EUA é mais fácil?, por Glauber Silveira

  4. Os dois lados da moeda na agricultura brasileira.

INTERVENÇÃO DO GOVERNO NO MERCADO DE COMBUSTIVEIS “SÓ ATRAPALHA”

Vejam a matéria que vai abaixo, Rubens Ometto, presidente da Raízen e conselheiro da UNICA (UNIÃO DA INDUSTRIA DE CANA DE AÇÚCAR) falou sobre os absurdos do protecionismo estatal, da carga tributaria e o intervencionismo no setor privado, defendendo o livre mercado:

SAFRAS (29) – Os subsídios à gasolina e ao diesel no Brasil são “muito constrangedores” para aqueles que prezam o mercado, constituindo” um acinte, um aleijão que agride a Petrobrás, o produtor de etanol eaçúcar, e ilude o consumidor brasileiro.” Assim se manifestou Rubens Ometto Silveira Mello, conselheiro da União da Indústria de Cana-de-Açúcar (UNICA) e presidente do conselho da maior empresa do setor sucroenergético nacional, a Raízen, em discurso como convidado de honra do tradicional Sugar & Ethanol Dinner. O jantar de gala para mais de 800 convidados de diversos países foi realizado no dia 23 de outubro na Sala São Paulo.

O empresário descreveu a intervenção governamental sobre os preços de combustíveis nos últimos anos como errática e algo que só atrapalha a ação do setor privado, que necessita de regras claras, transparentes e estáveis para investir seu capital de risco. Ele descreveu o ressurgimento da interferência governamental como uma recaída de décadas, geradora de prejuízos para o setor.

“(O governo) não investe mas cria dificuldades para o investimento privado, mudando as regras do jogo no meio da partida. Ressuscita em tempos modernos o controle de preços da gasolina que vigorou na década de 80, extingue gradualmente o valor da CIDE (Contribuição de Intervenção de Domínio Econômico) sobre a gasolina, repassando-o apenas para a Petrobrás e trazendo uma efetiva, real, perda de competitividade para o etanol,” frisou.

Para Silveira Mello, o resultado da interferência governamental está na gasolina e o diesel subsidiados, no gás natural com diferentes preços e na energia elétrica de diversas fontes tratadas como se fossem todas iguais, sem levar em conta os impactos positivos ou negativos de cada uma delas: “São impostos sem racionalidade econômica.”

Ele lembra que a efetiva desregulamentação do setor, particularmente para o etanol, só foi possível com a criação da CIDE, tributo federal com alíquotas incidentes sobre a gasolina e o diesel. Foi o que permitiu, segundo o empresário, que o etanol competisse de forma justa com a gasolina.

Apesar do retrocesso, Silveira Mello afirmou que continua acreditando no setor, que tem como bem mais precioso uma demanda em expansão para açúcar, etanol e energia: “Como maior produtor, mais que o dobro do segundo colocado, quero manter a Raízen a todo vapor, investindo, ganhando produtividade, moendo mais a cada safra. Afinal, essa é a nossa praia, a nossa cachaça. Mas o Brasil e o mundo precisam de greenfields e, como estamos, eles serão postergados e oportunidades serão certamente perdidas.”

Ele concluiu confirmando que no médio e longo prazos, a racionalidade econômica acaba prevalecendo sobre as distorções que a política possa criar.

“Não posso deixar de dizer que há, mundialmente, uma profunda preocupação com políticos e política,” afirmou, e concluiu citando palavras do empresário Antonio Ermírio de Moraes: “Os políticos passam e o Brasil fica.”

As informações partem da assessoria de comunicação da UNICA. (FR)

Estou de pleno acordo com o mérito da questão, o mal do Brasil é falta de livre mercado, o excesso de regulamentação estatal que inviabiliza a constituição e sobrevivência de muitas empresas, consequentemente mata a concorrência, a carga tributaria é absurda, os serviços péssimos. Tudo correto, não deveria haver nenhum controle de preços estatal, países que adotam essa politica acabam tendo desabastecimento e inflação. Mas o que ele esquece de dizer?

Que o etanol também é subsidiado pelo Estado, através da mistura obrigatória de 25% de Etanol na gasolina, sendo um absurdo sem tamanho já que pagamos um preço altíssimo por uma gasolina impura e de péssima qualidad, carregado de tributos que a torna uma das mais caras dos mundo. Nos EUA os impostos sobre a gasolina são de 13%, aqui 55%. O setor é um dos contemplados pelo “Bolsa BNDES” e pela propaganda estatal, figurando entre os maiores financiadores do PT:

O setor sucroalcooleiro surpreendeu como um dos principais doadores de Dilma. Foram mais de R$ 10 milhões, o que representa cerca de 8% das doações totais. Os maiores doadores individuais do segmento foram Cosan, Copersucar e Açúcar Guarani.

Lembrando que a Cosan agora é a Raízen.

No mérito da questão esta correto, o Brasil não progride em função do protecionismo, desse capitalismo de estado “Chines”, onde o governo escolhe os “Campeões Nacionais” para receber bolsa BNDES que é pago através dos impostos do contribuinte. Essa defesa seletiva de “livre mercado” é uma vergonha.

Toda medida protecionista deve ser eliminada, o livre mercado deve determinar o preço de todos os produtos e serviços, não de forma seletiva e hipócrita.

O protecionismo em alguns setores do agronegócio prejudica outros que vivem de acordo com a leis de oferta e demanda, o livre mercado, pois cria uma concorrência desleal.

Agora que o barco socialista começa afundar os ratos fogem. A politica de campeões nacionais esta indo para o brejo, o “garoto de ouro do PT” esta perto da falência, o preço das politicas populistas/assistencialistas sera cobrado com juros mais cedo ou mais tarde, a consequência natural de uma economia Keynesiana é a falência, afinal dinheiro não da em arvores. Ate então os beneficiários dessas politicas ficaram calados, assistindo de camarote o país ser consumido pelo câncer socialista, agora começam ver seus “negócios insustentáveis” fazer água, estão em busca de “outra muleta” para apoiá-los.

Mitos sobre “protecionismo” agrícola nos EUA

Muito se repete no Brasil que a agricultura nos EUA é eficiente em função de de subsídios estatais, o que é completamente ilógico, ou se é eficiente ou dependente de protecionismo estatal, são como água e óleo. O protecionismo estatal fomenta a ineficiência de determinado setor onde é aplicada impedindo a livre concorrência, a competição que resulta em mais qualidade e menores preços. O Brasil sim é campeão em protecionismo como podemos ver no Ranking da Heritage Foundation (Acessem o link para analisar o ranking completo, ajuda a compreender melhor a realidade):

Estive entre os meses de agosto e setembro (2013) em tour de negócios na principal região produtora de grãos dos EUA (Corn Belt), visitei 4 fazendas, a sede da Dow Agroscience, a Bolsa de Chicago, a Feira Agrícola Farm Progress Show e uma associação de produtores, sendo que em todas ocasiões as informações e lições foram de valor inestimável.

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Focando na questão da intervenção estatal no agronegócio o que se tem basicamente nos Estado Unidos é unicamente o subsidio ao premio de seguro rural, onde o produtor contrata a seguradora privada de sua preferencia pagando em torno de 70% do valor do premio da apólice e o governo repassa o restante diretamente a companhia de seguros em questão. No restante do processo não há mais nenhuma interferência estatal, o volume de produção a ser coberto pela apólice e feita com base na produtividade media nas ultimas safras da fazenda e o preço do produto é fixado com base no vencimento de dezembro do contrato vigente na Bolsa de Chicago. O produtor escolhe o nível de proteção da sua apólice  de acordo com tecnologia que pretende aplicar e fecha o contrato com a companhia de seguros, tendo sua produção e renda garantidas.

No Brasil o Estado interfere em tudo, desde o setor de seguros em geral, ate no valor do produto e produtividade a ser segurada. O volume de produtividade máxima por hectare coberta no Brasil é determinado com base em índices Nacionais/Regionais e não na media da propriedade em questão. O Brasil também paga o subsidio ao seguro agrícola, de acordo com a apólice que tenho em mãos  em torno de 70% é subsidiado pelo estado.

Um exemplo, uma propriedade onde produtividade media de soja dos últimos anos 3850 kg/ha tem o teto de cobertura de no máximo 2787 kg/ha e o preço base de 48,09 R$ por saca de 60 Kg, que tem um deságio de 10% indo para 43,28 R$ por saca segurados, detalhe para o preço de mercado para o contrato futuro de soja na época estar em 63,00 R$ por saca. Isso tudo em função dos preços mínimos estatais para soja e outros produtos agropecuários.

Os EUA não tem politica de preços mínimos para produtos agrícolas, quem determina o valor é o mercado através das regras de oferta e demanda refletidas nas Bolsas de mercadorias e futuros.

Mesmo o Estado subsidiando 70% do premio, o seguro agrícola Brasileiro é ineficiente e ineficaz, sendo inviável ao produtor do Brasil, mesmo este pagando 30% do premio da apólice, pois em caso de sinistro o seguro sequer cobre custos os custos básicos de produção em função das distorções causadas pelo intervencionismo estatal. A cereja do bolo é que o produtor que fizer financiamento agrícola em Bancos Públicos é obrigado a contratar o seguro, lembrando que nada que é bom ou útil precisa ser compulsório, obrigatório. E como bancos públicos detêm monopólio direto e ou indireto de algumas linhas de credito para o setor…

No final subsídios e controle estatal de preços (politicas de preço mínimo) só servem para piorar a situação do setor, pois essas dão margem para burocracia, aumento de impostos, manipulação estatal de preços e casos como esse do seguro agrícola onde o preço mínimo acaba sendo o teto de cobertura da apólice com deságio ainda por cima. Serve para fomentar esse calculo confuso e ilógico além de distorcer as leis mercadológicas (oferta e demanda) criando problemas sérios a médio e longo prazo. Fica provado que a interferência estatal na forma de subsídios só serve para fomentar a ineficiência e manter os produtores reféns do governo, assim como ocorre com programas assistencialistas de transferência de renda e seus assistidos. Com o tempo os “beneficiários” acabam dependentes e  acomodados, sem sequer conseguindo enxergar os malefícios gerados por essas politicas, e pior ainda acreditando que sem elas estariam em pior situação sem esses programas assistencialistas.

Por exemplo, uma comparação rápida:

1) A mesma Fazenda de acordo com o modelo de seguros dos EUA teria garantido pela apólice baseado no livre mercado 64,17 sacas de soja (60 kg) por hectare ao preço de 63,00 R$ por saca gerando uma receita segurada de 4042,71 R$ por hectare de receita, sendo que vier abaixo desse valor é coberto pelo seguro.

2) De acordo com o modelo Brasileiro a Fazenda teria garantido 46,45 sacas/ha a 43,28 R$/saca gerando receita de 2010,35 R$ por ha, como existe uma clausula que o nível de cobertura 60% a receita na apólice garantida é de 1355,00 R$ por hectare, sendo que somente os custos diretos de produção com insumos (sementes, defensivos, fertilizantes e corretivos) já atinge esse valor, ficando descoberto mão de obra, custos fixos, despesas, depreciação, etc. A apólice é confusa, os números realmente não batem aritmeticamente, cheia de índices e deságios, mas no final o valor garantido é esse, 1355,00 R$, que daria 21,5 sacas por hectare seguradas com base no preço de mercado (63,00R$). Para o produtor colher algo abaixo disso nos dias de hoje sera necessária uma catástrofe muito grande, esse seguro dificilmente cobrira algo mesmo em caso de seca severa, chuva de granizo ou afins. A pior produtividade media que tive nos últimos 14 anos foi de 37 sacas de soja por hectare em um ano completamente adverso e atípico. Pagar um seguro desse é rasgar dinheiro a toa e creio que se houver um problema que gere uma quebra de safra abaixo desse numero o produtor não estará nem vivo para receber a misera indenização.

O setor de seguro agropecuário no Brasil é esse caos ineficiente em função do excesso de estado, de “monopólios estatais” que impedem a livre concorrência entre empresas de seguros e resseguros.

O ponto que da margem para os papagaios de pirata alardearem o “protecionismo Yankee” é o pagamento por serviços ambientais que os produtores prestam a nação. La reservas legais/áreas de preservação ambiental não são compulsórias e retroativas como aqui, afinal viola o direito de propriedade.

Resumidamente, la o produtor faz reservas ambientais em sua propriedade voluntariamente, se registrando no órgão federal competente, vai ter a área certificada e recebera do estado uma valor com base no valor de mercado que teria de lucro se explorasse comercialmente com sua atividade naquela parte de suas terras, podendo reincidir o contrato com o estado e voltar a explorá-la normalmente se tiver interesse e achar mais viável, deixando de receber pelos serviços ambientais prestados. Por lá também os proprietários além de receber por serviços ambientais prestados podem explorar suas reservas ambientais para o turismo vendendo licenças de caça e pesca durante as temporadas legais para essas atividades, bastando registrar essa atividade no órgão competente.

Pagar por serviços prestados que a população “demanda” não é subsidio, afinal o produtor comprou aquela terra e pagou por ela em sua totalidade, para ter retorno financeiro, nada mais justo.

Outro ponto é que não existem empresas estatais de extensão rural e congeneres como aqui, por lá a extensão rural é basicamente privada e a pesquisa se dá no ambiente privado e nas universidades (publicas e particulares), porem o conceito de universidade publica por lá não é como o daqui. As universidades publicas tem bem mais autonomia e não são aparelhadas pelo governante de turno.

Rodrigo Constantino sintetiza bem o que quero dizer:

É preciso combater a impunidade e reduzir o tamanho do estado.

Quem chega ao poder hoje controla 40% do PIB, sabendo que os desvios ou “malfeitos” não serão punidos de verdade. Essa combinação é explosiva, o maior convite ao crime que existe. O grupo terá acesso a gastos bilionários, e sabe de antemão que não corre sérios riscos de acabar na prisão com seus infindáveis esquemas. Sem atacar essas causas do problema, ele jamais irá diminuir muito (desaparecer é impossível).

É esse prêmio de meter a mão em um estado inchado, obeso, gastador, centralizador, que deve mudar. O escopo do estado deve ser bem menor, ele não deve ser empresário, não deve ter estatais à sua disposição, não deve ter tantos programas sociais e cuidar de tantas obras. Deve ser enxuto, voltado para poucas áreas básicas, sob maior fiscalização. E com severa punição para quem, ainda assim, aproveitar a deixa para desvio de recursos.

Estado menor e punição maior: eis o caminho para combater a corrupção.

É no mínimo curioso que representantes do agronegócio e muito agropecuaristas acreditem que os problemas que temos serão resolvidos com mais intervenção estatal, como exemplo essa entrevista onde o diagnostico quanto aos problemas é preciso, citando que a produção de soja tem crescido em função do crescimento da área de plantio sobre outras culturas como milho que vem perdendo competitividade anos apos em função de maiores exigências com fertilizantes principalmente o que torna o custo de produção impraticável, mas a produtividade do setor não. O diagnostico é obvio, problemas de infra estrutura, burocrática, intervencionismo estatal, insegurança jurídica, resumindo os componentes do famigerado Custo Brasil, mas o remédio sugerido é mais presença estatal? O Estado nos quebra as pernas para depois nos oferecer muletas e ainda acreditamos na bondade do mesmo?!

Eu fico intrigado com a logica que descrevi acima, neste artigo em que o autor trata dos problemas inerentes a ineficiência estatal, que também é obvia e clara, fruto unicamente do sistema socialista que a criou e em todos os casos acabaram em fracasso, como esperar um resultado diferente repetindo o mesmo método? Procurar uma “reforma” dos mesmo órgãos estatais que nos colocaram nessa situação não é uma abordagem diferente para o problema que vivemos, é nos colocar apenas no circulo vicioso do problema. O economista Rodrigo Constantino escreveu dois artigos que refletem bem essa situação, a logica é a mesma, só de muda o setor, O livreiro social. Ou: Deve o governo ajudar as livrarias menores a sobreviver? e Ainda o caso dos livros: muita ajuda quem não atrapalha.

E muitos ainda acreditam que sem as pesquisas de órgãos estatais estaríamos sem tecnologias que hoje temos a disposição. Mas isso é ilusório, é o que a propaganda ufanista estatal nos induz a pensar, pois nos EUA existem um numero infinitamente maior de empresas privadas fazendo pesquisa e desenvolvimento com resultados muitos mais efetivo e com uma gama muito maior de opções para o produtor, graças ao livre mercado. Justamente as únicas duas culturas de grãos que lideram a economia agrícola são as que menos estão sujeitas a interferência estatal, soja e milho nessa ordem, em função dos preços balizados de acordo com as leis de oferta e demanda, são as que o setor privado mais pesquisa e desenvolve, gerando grande quantidade de cultivares e híbridos para diferentes condições tecnológicas e edafoclimáticas. A cultura da soja, basicamente, por ser o único grão exportável quase em sua totalidade, ele acaba por ser de menor custo e, consequentemente, de maior renda e menor risco, seguido pelo milho que sofre mais com intervenções estatais que a soja em função de boa parte da produção se destinar ao mercado interno, estando mais exposto as consequências causadas por essas ingerências internas.

Outras como o trigo praticamente parou no tempo há 20 anos atrás no Brasil quanto ao desenvolvimento de genética de cultivares e diversidade das mesma em função das constantes manipulações estatais que impediram que as regras livre mercado imperassem para esse cultivo. Hoje o Brasil é um dos maiores importadores do mundo de trigo, em minha região, outrora grande produtora do cereal, são raras as cerealistas e armazenadoras de grãos que recebem trigo do produtor que não possui estrutura de armazenagem própria, a grande maioria, assim ninguém mais planta a cultura. Formou-se o ciclo vicioso, não existe desenvolvimento de cultivares e técnicas novas, não existe comercialização eficiente, fazendo com que as empresas e produtores percam o interesse pela atividade.

O resumo de um diálogo do livro “As aventuras de Jonas, o ingênuo” de Ken Schoolland esclarece bem como funciona o patrimônio publico em países socialistas onde o estado controla praticamente tudo e todos:

– Eu não beberia essa água se fosse você.

Jonas ‘O ingênuo’, olhou ao redor e viu um homem ajoelhado na margem do rio limpando alguns pequenos peixes. “- a pesca foi boa?” perguntou Jonas educadamente.

– Não, essas pequenas criaturas foi tudo o que consegui hoje.

Jonas, que se considerava um talentoso pescador perguntou: – O que o senhor usou como isca?

Ao que o velho homem respondeu: – Não há nada de errado com as minhas iscas garoto. Eu peguei o melhor que foi deixado aqui nesse lago. E o homem continuou: – Anos atrás tínhamos peixes realmente grandes aqui. Mas pescaram todos. Agora só restaram esses peixinhos.

Jonas respondeu: – Mas esses pequenos crescerão, certo?

– Não. As pessoas pegam todos os peixes, inclusive os pequenos. Não apenas isso, as pessoas jogam lixo na beira do lago. Vê essa espuma ao longo da margem?

Jonas perplexo, pergunta: – Por que as pessoas pegam seus peixes e jogam lixo no seu lago?

“Oh não”, disse o pescador, – Esse lago não é meu. Ele pertence a todo mundo, assim como as florestas e os rios.

” – Esses peixes são meus também?” perguntou Jonas, ‘O ingênuo’.

– Não exatamente. O que pertence a todos, na verdade não pertence a ninguém, isto é, até o meu anzol ser mordido. Aí ele é meu.

– Mas você faz alguma coisa pra cuidar dos peixes ou ajudá-los a crescer?

– Claro que não. . . Porque eu deveria cuidar dos peixes, se alguém pode vir aqui e pescá-los? Se alguém pegar os peixes ou poluir o rio, meu trabalho seria em vão.