Comparando o Brasil com o Mundo

O site The Economist fez uma análise da Economia dos estados brasileiros (dados de 2008), em comparação com outros países. O resultado é no mínimo interessante e reproduzimos eles aqui. Para ler o artigo original, em inglês, clique aqui.

População
Com relação à população, o destaque fica para São Paulo, o estado mais populoso (41 milhões), que é comparável à Argentina (39,7 milhões). Outros destaques são o estado do Amazonas que, com toda a sua extensão territorial, tem população equivalente a do Uruguai (3,3 milhões), e o Distrito Federal (2,6 milhões) com população pouco menor que a da Mongólia (2,7 milhões).

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Produto Interno Bruto
Outros resultados surpreendentes surgem na análise do PIB: o Rio Gande do Sul (U$108,7 bi) tem um PIB pouco menor que o do Catar (U$110,7 bi), enquanto São Paulo (U$546,7 bi) tem um PIB maior que o da Polônia (U$529,4 bi) e o Rio de Janeiro (U$187,1 bi) se aproxima de Singapura (U$189,4 bi). Rondônia se aproxima de Moçambique, Tocantins das Bahamas e Santa Catarina, da Croácia.

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PIB per capita
Este revela mais surpresas. O Distrito Federal é o que apresenta o maior índice (U$25,062), superando Portugal (U$23,844). É seguido por São Paulo (U$13,331) que neste quesito também se aproxima da Polônia (U$13,887), e por Rio de Janeiro (U$11,786) que ultrapassa a Rússia (U$11,701). Outros destaques ficam para os estados do Piauí (que se aproxima da Geórgia), da Paraíba (pouco menos que o Equador) e Bahia (que supera o Irã).

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Índice de Desenvolvimento Humano
Aproveitando a deixa, criei um gráfico similar, em português, comparando o IDH dos estados brasileiros com o dos países, ressaltando os que mais apresentam similaridades.

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Neste quesito, o destaque fica para o Distrito Federal (0.874) que apresenta o mesmo índice de Israel. Santa Catarina (0.840) supera Singapura (0.835), enquanto São Paulo (0.833), Rio de Janeiro (0.832) e Rio Grande do Sul (0.832) ultrapassam Brunei Darussalam (0.830). A surpresa do gráfico é Rondônia (0.776) que está pouco abaixo do Chile (0.779), país normalmente tido como referência em qualidade de vida na América do Sul.

Uma distribuição desigual… de capitalismo

por Johan Norberg. Traduzido e adaptado para o português do Brasil por Renan Felipe dos Santos a partir da versão em espanhol disponível no site da ODLV (Organización por la Democracia Liberal en Venezuela).

Vinte porcento (20%) da população do mundo (ouvimos muito isso) consome mais de oitenta porcento (80%) dos recursos do planeta, enquanto que os outros 80% consomem menos de 20%. Os críticos da globalização nunca se cansam de nos lembrar esta injustiça. Mas pouquíssimas vezes escutamos uma análise adequado da razão desta situação.

Os críticos a colocam como “os pobres são pobres porque os ricos são ricos”, como se os 20% mais ricos houvessem roubado de alguma forma estes recursos dos outros 80%. Isso está errado. Os países ricos cresceram mais rápido desde que perderam as suas colônias. E as regiões que as nações imperialistas subjugaram cresceram mais rápido assim que se converteram em colônias do que haviam feito antes. Muitas das nações mais ricas do mundo — como a Suiça e os países escandinavos — nunca tiveram colônias de grande importância. Outros, como Estados Unidos, Canadá, Austrália, Nova Zelândia, Hong Kong, e Singapura, foram colônias. Por outro lado, muitos dos países menos desenvolvidos – Afeganistão e Nepal, por exemplo — nunca foram colônias.

E financiando todos os outros -ismos, desde 4000 a.C.

A principal razão para que estes 20% consumam 80% dos recursos é que eles produzem 80% dos recursos. Os 80% consomem somente 20% porque eles produzem só 20% dos recursos. É este último problema que devemos enfrentar. O problema é que há muitos pobres, não que há alguns ricos.

Os críticos do capitalismo afirmam que o PIB per capita é 30 vezes maior nos 20 países mais ricos do mundo que nos 20 mais pobres. Os críticos tem razão que esta desigualdade se deve ao capitalismo — mas não pelas razões que eles creem. A diferença se deve a que certos países tomaram a senda do capitalismo, o que lhes resultou em uma fantástica prosperidade para seus habitantes, enquanto que aqueles que escolheram impedir a propriedade privada, o comércio, e a produção permaneceram atrasados. Os fatores como o clima e os desastres naturais não carecem de importância, mas a maior parte deste atraso pode ser atribuída a que certos países optaram pela liberalização enquanto outros optaram pelo controle.

Os 20 países economicamente mais livres do mundo têm um PIB per capita aproximadamente 29 vezes maior do que as 20 nações menos livres economicamente. Então, se falamos sério sobre eliminar o atraso com relação do Sul ao Norte, deveríamos esperar com todos os nossos corações que o Sul também ganhe acesso a uma economia livre e a mercados abertos. Os países em desenvolvimento que tem feito aberturas em décadas recentes não só tem crescido mais rápido que os outros países em desenvolvido – tem crescido mais rápido que os países ricos também.

A desigualdade do mundo se deve ao capitalismo. Não ao capitalismo empobrecendo a certos grupos, mas sim enriquecendo os seus praticantes. A distribuição desigual da riqueza do mundo se deve à distribuição desigual de capitalismo.

Capitalismo desigual: países capitalistas enriquecem. Países não capitalistas, não enriquecem. Problem?

Um quarto do investimento internacional direto entre 1988 e 1998 foi para os países em desenvolvimento. Desde començos dos anos oitenta, os fluxos de investimento aos países em desenvolvimento aumentaram de $10 bilhões a $200 bilhões ao ano. Se olhamos unicamente para os fluxos de capital ao mundo em desenvolvimento, descobrimos que 85% do investimento direto vai a tão somente 10 países, frequentemente os mais liberalizados. Mas devido ao fato que tais investimentos cresceram a uma taxa anual de 12% nas últimas três décadas, os países que não se encontram nestes 10 primeiros lugares também experimentaram crescimentos estupendos.

Os países ricos representaram 80% do PIB mundial em 1975, uma cota que caiu a 70% hoje em dia. Como já foi mencionado, os países pobres que optaram pela liberalização econômica e o livre comércio tiveram um crescimento mais rápido que os países ricos em décadas recentes. O livre comércio e o liberalismo econômico são uma forma para que os países em desenvolvimento não só enriqueçam, mas que também possivelmente alcancem os países mais prósperos.

Como disse o secretário geral das Nações Unidas, Kofi Annan, em uma conferência levada a cabo em fevereiro de 2000, pouco depois das demostrações contra a Organização Mundial do Comércio: “Os maiores perdedores neste mundo tão desigual de hoje em dia não são aqueles que estão expostos demais à globalização. São aqueles que ficaram fora dela”.

Sete lições do Taiwan para a América Latina

De Carlos Alberto Montaner. Artigo traduzido da versão em espanhol disponível no site da ODLV (Organización por la Democracia Liberal en Venezuela).

O Taiwan é uma ilha menor que a Costa Rica e quase tão povoada quanto a Venezuela. Não tem petróleo nem riquezas naturais. Em 1949 era mais pobre que Honduras e mais tiranizada que o Haiti. Hoje é uma democracia estável duas vezes mais rica que a Argentina. Há alguma lição a aprender? Pelo menos sete. Suponho que Chávez, Correa, Ortega, Morales e Raúl Castro, os cinco cavaleiros do Apocalipse do Século XXI, deveriam prestar atenção.

Primeira lição.
Não há destinos imutáveis. Em quatro décadas, o Taiwan logrou superar a tradicional pobreza e despotismo que sofria o país há séculos até converter-se numa nação de primeiro mundo com um per capita de $37,900 anuais medido em paridade de poder de compra. Este milagre econômico se levou a cabo em apenas duas gerações. A pobreza ou a prosperidade são opcionais em nossa época.

Segunda lição.
A teoria da dependência é totalmente falsa. As nações ricas do planeta – o chamado centro – não designaram aos países da periferia econômica o papel de supridores ou abastecedores de matérias-primas para perpetuar a relação de vassalagem. Nenhum país (salvo a China continental) tentou prejudicar o Taiwan. Esta visão paranóica das relações internacionais é uma mentira. Não vivemos em um mundo de países algozes e países vítimas.

Terceira lição.
O desenvolvimento pode e deve ser para benefício de todos. Mas a divisão equitativa da riqueza não se obtém redistribuindo o que foi criado, senão agregando-lhe valor à produção paulatinamente. Os taiwaneses passaram de uma economia agrícola a outra industrial, mas o fizeram mediante a incorporação de avanços tecnológicos aplicados à indústria. O operário de uma fábrica de chips ganha muito mais que um camponês dedicado à produzir açúcar porque o que ele produz tem um valor muito maior no mercado. Isto explica porque o Índice Gini do Taiwan – o que mede as desigualdades – seja um terço melhor que a média latinoamericana. Só 1,16% dos habitantes deste país está sob o umbral da pobreza extrema.

Quarta lição.
A riqueza no Taiwan é fundamentalmente criada pela empresa privada. O Estado, que foi muito forte e intervencionista no passado, foi se retirando da atividade produtiva. O Estado não pode produzir eficientemente porque não está orientado a satisfazer a demanda, gerar benefícios, melhorar a produtividade e investir e crescer, senão para privilegiar a seus quadros e a fomentar a clientela política.

Quinta lição.
No muito citado começo de Ana Karenina, Tolstoy assegura que todas as famílias felizes se parecem umas às outras. A observação pode aplicar-se aos quatro dragões ou tigres asiáticos: Taiwan, Singapura, Coréia do Sul e Hong Kong. Ainda que tenham tomado caminhos parcialmente distintos até o topo do mundo, se parecem nestes cinco pontos:

  • Criaram sistemas econômicos abertos baseados no mercado e na propriedade privada.
  • Os governos mantém a estabilidade cuidando das variáveis macroeconômicas básicas: inflação, gastos públicos, equilíbrio fiscal e, por consequência, o valor da moeda. Com isto, facilitam a economia, o investimento e o crescimento.
  • Melhoraram gradualmente o Estado de Direito. Os investidores e os agentes econômicos contam com regras claras e tribunais confiáveis que lhes permitem fazer investimentos a longo prazo e desenvolver projetos complexos.
  • Abriram-se à colaboração internacional, entrando de cabeça na globalização, apostando na produção e exportação de bens e serviços que são competitivos, em lugar do nacionalismo econômico que postula a substituição de importações.
  • Focaram na educação, na incorporação da mulher no trabalho e no planejamento familiar voluntário.

Sexta lição.
O caso do Taiwan demonstra que um país governado por um partido único de mão forte, como era o caso do Kuomintang, pode evoluir pacificamente para a democracia e o multipartidismo sem que a perda de poder traga perseguições ou desgraças a quem até o momento deteve este processo. A essência da democracia é esta: a alternabilidade e a existência de vigorosos partidos de oposição que auditam, revisam e criticam o trabalho do governo. A imprensa livre é benéfica.

Sétima lição.
Em essência, o caso taiwanês confirma o valor superior da liberdade como atmosfera em que se desenvolve a convivência. A liberdade consiste em poder tomar decisões individuais em todos os âmbitos da vida: o destino pessoal, a economia, as tarefas cívicas, a família. Não há contradição alguma entre a liberdade e o desenvolvimento. Quanto mais livre é uma sociedade mais prosperidade será capaz de alcançar. Para isto, claro, é imprescindível que a imensa maioria das pessoas, encabeçadas pela classe dirigente, se submetam voluntária e responsavelmente ao império da lei.

Artigo original em espanhol aqui.

Diminuir o Estado o aumenta

Todos sabemos que diminuir o tamanho do Estado, assim como os impostos, leva a um crescimento econômico do setor privado. Mas, por mais curioso que isso venha a ser, diminuir o tamanho do Estado tende, no futuro, aumentá-lo novamente.

Quando o Estado é pequeno ele não cria muitas burocracias e impostos, a economia cresce mais, pois recursos serão melhor aplicados (incluindo o tempo perdido pela burocracia), o que leva melhor desenvolvimento econômico para um país (ou para a região específica que se beneficia da liberdade).

Exemplos práticos para aqueles que desconfiam das teorias não faltam. Os EUA fizeram isso no passado, o que possibilitou um grande desenvolvimento. A China, após uma leve abertura de mercado, já possibilitou alguns resultados para o grande país em território e população, mas ainda falta muito a ser feito. Alberta, província canadense, foi eleita a região administrativa mais economicamente liberal não só do Canadá, mas também, recentemente, do que qualquer estado dos EUA. Na prática, isso resulta no segundo maior PIB per capita canadense, perdendo apenas para os Territórios do Noroeste. Porém, esses territórios mais ao norte recebem diversos subsídios federais, o que joga índices econômicos para cima. Além de que a população é extremamente pequena, e com os subsídios, fica mais fácil apresentar dados per capita melhores. Alberta também tem o maior IDH provincial do Canadá.

Todos os ganhos apresentados representam a diminuição do Estado e sua influência. E no final das contas, acabará gerando um aumento do Estado. Isso ocorre porque a economia cresceu, e o Estado, acompanhando esse crescimento, cresceu junto.

Por exemplo, supondo que hoje um país tem um PIB de 1 trilhão e uma carga tributária de 38% do PIB. Os impostos serão, aproximadamente, 380 bilhões para o governo. Então, ocorrem algumas mudanças liberais no país e essa carga cai para 20% do PIB. A nova receita será de cerca de 200 bilhões (180 bilhões a mais para serem melhor aproveitados pelo setor privado).

Com essa nova mudança, muito provavelmente a Economia irá crescer e se desenvolver. Em alguns anos, dependendo do país em questão, é possível que o PIB até dobre (no caso, para 2 trilhões). Mantendo as mudanças liberais (o que é muito difícil e será explicado logo em seguida) com uma carga tributária de no máximo 20%, a nova receita do governo será de 400 bilhões, 20 bilhões a mais do que quando a carga era 38%. Inclusive com o tempo, graças ao crescimento, será possível reduzir gradualmente a carga tributária e ao mesmo tempo aumentar a receita do governo.

O governo não precisa de pressa para tributar. A economia irá crescer se ele não atrapalhar e o setor privado irá lhe dar mais recursos. Se o governo não possibilitar o desenvolvimento, de nada adiantará uma grande carga tributária, pois além de desperdiçar recursos estarão tributando algo que ainda não é grande.

Infelizmente, esse exemplo é um dos mais otimistas possíveis. Sem dúvidas, um mercado que opera livremente sem grandes burocracias cresce e se desenvolve mais rapidamente. E com isso surge um problema político.

Uma das formas mais práticas de um político conseguir votos é satisfazer os desejos de um povo. Numa sociedade capitalista, uma forma muito eficiente é o desenvolvimento econômico e é difícil saber até quando as reformas liberais irão durar, pois após esse período de crescimento, burocratas terão mais recursos para gastar (como explicado acima). Então, cresce uma enorme possibilidade de aumentar novamente o tamanho do Estado (só que agora, proporcionalmente), numa busca para melhorar o “bem-estar social”.

Talvez os melhores exemplos sejam os países escandinavos e os EUA, em que um Estado pequeno possibilitou um Estado gigante. Se não houvesse um Estado pequeno no passado, a economia desses países não teria crescido e o mesmo vale para seus governos. E um exemplo para as transições explicadas (um Estado grande que diminui e volta a aumentar) é a Irlanda, que depois de reduzir o tamanho do Estado (até então, falido), abriu uma nova possibilidade para cometer os mesmo erros do passado, só que ainda maiores, já que a economia cresceu.

Mas isso é uma possibilidade. Um exemplo contrário é a Nova Zelândia, que realizou diversas reformas liberais nos anos 80 e que agora, de certa forma, ainda persistem. Exemplos das ações neozelandezas foram no Ministério do Meio Ambiente, que tinha 17.000 empregados e passou a ter 17, além do Departamento do Transporte, que tinha 5.600 empregados e passou a ter 53. As reformas já não estão mais com a mesma força, claro, mas não deixa de ser referência.

Então, conclui-se que uma redução do Estado, necessariamente, leva a um aumento do tamanho absoluto do mesmo, pelo menos no longo prazo. Porém, será preciso muito esforço político para evitar que o Estado cresça proporcionalmente.

O PIB e as suas limitações

Provavelmente você leitor já ouviu falar de PIB (Produto Interno Bruto). Principalmente no Brasil, já que muitas pessoas estão comemorando o fato do nosso PIB ser um dos maiores do mundo. Mas até quando isso é realmente bom? Até que ponto isso de fato é um avanço?

O que é o PIB?


Basicamente, o PIB é a soma de todos os bens e serviços finais que foram produzidos. Pode ser medido tanto para cidades, estados/províncias, países e continentes, durante períodos como meses, semestres ou anos. Geralmente, o PIB é utilizado para medições econômicas de países durante um período de um ano.

O PIB não leva em consideração bens de consumo intermediários (uma laranja que foi produzida para um suco, em que o suco será o produto final). Então, acaba omitindo parte da estrutura de produção.

Por que o PIB não é tão relevante como dizem?

Como já foi dito acima, o PIB leva em conta todos os bens e serviços finais produzidos. Porém, nisso estão incluídos a iniciativa privada e o os gastos do governo. O governo, dentro de nossa sociedade, é quem mais consegue gastar erroneamente.

Isso acontece por vários fatores. Dentre eles, o Estado com serviços públicos não tem um sistema de lucro e prejuízo como o existente dentro de um ambiente privado. Então muitas decisões a respeito do destino de gastos serão tomadas na base do “achismo”: se acharem que será bom será gasto.

Então, lembre da última vez que você pegou um jornal e viu a notícia de que a prefeitura de sua cidade investiu determinada quantia em determinada obra, porém a população não sentiu nenhum efeito positivo decorrente disso. Pois bem, para o PIB, isso é um avanço, pois foi gasto dinheiro em determinado serviço. Porém, isso não representou um avanço, como a própria população sentiu (ou melhor, no caso, não sentiu) na pele.

Obras públicas paradas: aumentam o PIB, mas não melhoram a vida do povo.

E não é somente o Estado que investe de forma equivocada, embora quase sempre esteja presente em erros. Quando o banco central de algum país altera a taxa de juros (jogando-a para baixo, sem nenhuma boa referência real) e aumenta a quantidade de dinheiro na economia (você já deve ter visto no noticiário, principalmente se tratando de economia dos EUA ou da União Europeia, imagens ao fundo de um banco imprimindo dinheiro) surgem investimentos privados economicamente insustentáveis, pois após essas ações governamentais, a economia privada ficou distorcida e muitas pessoas irão investir nesse ambiente surreal. A expansão da quantia de dinheiro na economia gera inflação, e então, para conter a inflação, o banco central terá que aumentar a taxa de juros, diminuindo a necessidade de criação de dinheiro que surgiu graças às intervenções no mercado, freando a expansão artificial e gerando uma recessão, dificultando a vida de todos na sociedade.

Quando esse boom de crescimento ocorre, para o PIB é bom, pois são feitos mais investimentos. Mas depois, como eles foram feitos de forma equivocada, haverá uma diminuição na atividade econômica. Tudo isso para voltar para o mercado economicamente sustentável, não havendo uma evolução real na vida das pessoas. Qualquer semelhança com as atuais crises internacionais, não é mera coincidência.

Então, chegamos a mais uma limitação do PIB e do governo keynesiano, que distorce o capitalismo (e sempre joga a culpa de seus próprios erros no capitalismo, passando a informação errada para a população). Quando chega o período de recessão, o governo tenta “salvar” a economia que estava voltando aos trilhos da realidade sozinha, aumentando seus gastos, contratando mais funcionários públicos, aumentando mais a atividade estatal de uma forma geral. Como o governo aumentou seus gastos, distorce a apresentação do caminho da economia, modificando mais o PIB, que iria diminuir, passando uma impressão de avanço. Como o governo gasta muito equivocadamente, não existirão avanços reais com esses gastos.

Um exemplo clássico disso, e ao mesmo tempo, uma das maiores falácias econômicas da história, é o “fato” de que a Segunda Guerra Mundial salvou a economia dos EUA.

Não entrando no mérito da validade ética e moral de ter entrado na Segunda Guerra, apenas observando seu aspecto econômico, podemos verificar que de fato durante a guerra o PIB e o desemprego dos EUA diminuíram. Por quê? Simples, o Estado gastava com a guerra (aumentando o PIB) e pessoas iam para a guerra, diminuindo a possibilidade de um aumento no desemprego.

População mobilizada: pleno emprego e nada para comer. (AP Photo/Kyodo News)

Observando apenas do ponto de vista econômico, não houve um avanço real.

Outras limitações podem ser observadas com um exemplo de desastre natural. Se um país é devastado por um terremoto, por exemplo, e for reconstruído, para o PIB será bom (mais atividade econômica para a reconstrução), mas não existirá um grande avanço, pois ele não mediu o que foi destruído, e a tendência será de voltar para a situação anterior a do desastre, mesmo com um provável aumento do PIB.

Fora a questão população/área.  Existem países com população bem inferior a população brasileira, assim como sua extensão territorial, mas seus respectivos PIBs são apenas um pouco inferiores ao nosso. Ou seja, com muito menos território e com muito menos pessoas, países como Canadá, Itália e Espanha conseguem ter um PIB que não é muito menor que o nosso. Esse é o caso do PIB per capita, em que se divide o PIB pela população absoluta.

Nosso PIB não dobra o PIB deles, mas o PIB per capita deles é quase o quádruplo do nosso.

Conclusão

O PIB pode aumentar e a saúde econômica diminuir. É só passar o boom do keynesianismo, a situação começar a degradar e o governo imediatamente passar a gastar muito. O PIB poderá até aumentar um pouco, mas isso não será um avanço.

Não que o PIB de fato seja 100% irrelevante, mas as pessoas superestimam sua qualidade de forma considerável.

Portanto, lembre-se da frase: se o PIB aumentou, não quer dizer que a economia melhorou.