Nascido para Mandar

Por Fernando Pessoa, in ‘Teoria e Prática do Comércio’

Os homens dividem-se, na vida prática, em três categorias – os que nasceram para mandar, os que nasceram para obedecer, e os que não nasceram nem para uma coisa nem para outra. Estes últimos julgam sempre que nasceram para mandar; julgam-no mesmo mais frequentemente que os que efectivamente nasceram para o mando.

O característico principal do homem que nasceu para mandar é que sabe mandar em si mesmo.

O característico distintivo do homem que nasceu para obedecer é que sabe mandar só nos outros, sabendo obedecer também. O homem que não nasceu nem para uma coisa nem para outra distingue-se por saber mandar nos outros mas não saber obedecer.

O homem que nasceu para mandar é o homem que impõe deveres a si mesmo. O homem que nasceu para obedecer é incapaz de se impor deveres, mas é capaz de executar os deveres que lhe são impostos (seja por superiores, seja por fórmulas sociais), e de transmitir aos outros a sua obediência; manda, não porque mande, mas porque é um transmissor de obediência. O homem que não nasceu nem para mandar nem para obedecer sabe só mandar, mas como nem manda por índole nem por transmissão de obediência, só é obedecido por qualquer circunstância externa – o cargo que exerce, a posição social que ocupa, a fortuna que tem…

Pró-vida – uma escolha lógica (parte III)

Prosseguindo com nosso trabalho de denunciar as sandices usadas como argumentos pelos abortistas em geral, segue a 3ª mentira:

III. A mentira do “bebê alien”
Conceitos-chave:

Espécie – Uma das unidades básicas da classificação biológica. Uma espécie é frequentemente definida como um grupo de organismos capazes de cruzar e gerar uma prole fértil. Ainda que seja uma definição adequada na maioria dos casos, medidas de diferenciação mais precisas são frequentemente usadas, como a similaridade do DNA, morfologia ou nicho ecológico.

Humano – Animal da espécie humana, homo sapiens.

Pessoa – Entidade portadora de personalidade. Dentre as características da personalidade estão a consciência, a agência, a memória e a auto-imagem. Aceito este conceito, nem todo humano é uma pessoa e uma pessoa não necessariamente é um humano (pode ser um animal, uma máquina, um espírito, etc).

O argumento:
Esta é a mais absurda. Os defensores do aborto dizem que embriões não são “pessoas”. Bom, pessoas jurídicas como por exemplo eu, você, a Microsoft e a Dercy Gonçalves eles realmente não são enquanto não tiverem seus direitos reconhecidos. No entanto, como vc deve ter reparado, o conceito de “pessoa” varia de acordo com cada campo de estudo.

No Direito, pode ser uma instituição (como a Microsoft), bem como não deixa de ser pessoa quem já morreu (Dercy Gonçalves). Em outras áreas como Psicologia ou Filosofia, o termo é ainda mais complexo. Basicamente, uma pessoa é um ser dotado de personalidade, o que inclui alguns atributos como consciência, auto-imagem, agência e memória.  Em resumo, um humano não necessariamente é uma “pessoa” e uma pessoa não necessariamente é um humano.

Mas o que nós cidadãos comuns queremos dizer com “pessoa” e “gente”? Obviamente estamos nos referindo aquilo que reconhecemos de prontidão: o animal da espécie humana. Um humano, um homem.  O embrião, sobre o qual se discute tanto, pertence à espécie humana.

Exemplos de "amontoados de células".

Alguns, no entanto, vão dizer que ser “tecido humano” ou “aglomerado de células humanas” não te faz um humano (óbvio que isto desconsidera os conceitos previamente abordados de indivíduo e ser vivo). Nesta estratégia vão tentar convencer o cidadão médio de absurdos como dizer que um embrião é tão humano quanto é um tumor ou um apêndice (novamente, só se assumirmos como verdade as duas mentiras anteriores – mentira 1 aqui e mentira 2 aqui).

O principal argumento deles é que as células embrionárias podem gerar diferentes tipos de tecido.

Óbvio, há algo errado aí. Tudo que pode “surgir” deste embrião humano é humano. Não sairá dali jamais um gato, uma pedra, uma planta ou qualquer outra coisa que não tenha estrita relação com o DNA humano. O fato de um embrião estar gerando tais células se dá porque ele está crescendo, se desenvolvendo em estruturas maiores e mais complexas. Ou seja, está realizando o processo anti-entrópico que contraria a entropia universal que decompõe todas as coisas não-vivas.  Um embrião, portanto, não só tem identidade própria e é vivo, como também é um humano.

Artigos anteriores:
Parte II aqui.
Parte I aqui.