Ócio

Um dos aspectos mais preocupantes que tenho notado na adoção de bandeiras liberais por conservadores é a condenação do ócio. A própria aproximação intransigente já é temerária, mas esse é um ponto especial, já que pode desconfigurar totalmente o pensamento conservador. O ócio não é algo a ser temido: pelo contrário, sua existência propaga a civilização através de suas mais belas expressões; multiplica a arte, a filosofia, a cultura em geral.

Vejo isso ocorrer principalmente quando se valoriza o trabalho, como se a existência desse fosse oposta ao momento de reflexão. Sim, o trabalho é um valor exaltado pelo conservador, mas é importante lembrar que este não deve se deixar seduzir pelos fetiches materialistas das doutrinas modernas. Quando lembramos que o homem não é um ser meramente econômico não precisamos assumir que esse homem seja cristão e gaste seu tempo na devoção a Deus. Voltar-se ao espírito é algo muito mais amplo: desde o pensar sobre si mesmo e sua condição no mundo, até pensar a comunidade e seus problemas; desde o pensar suas ações futuras, até transcender de todas elas e refugiar-se dos obstáculos da vida terrena por um breve momento.

O ser humano que não se volta para a sua humanidade é incapaz de perceber a humanidade dos outros, e até mesmo sua própria: está propício a deixar de lado seus valores em busca do material. Por isso é tão importante que o ser disponha de tempo para a reflexão, o pensamento e a produção cultural: as artes humanizam, e não nos deixam ser indiferentes. Apenas a reflexão é capaz de ressuscitar a moral de uma sociedade decadente, que chega a ser capaz de colocar o prático e o material acima até mesmo da vida humana.

Diante disso, é difícil negar que conservadores devem reencontrar sua identidade. De nada adiante aproximar de radicais, já que o que é necessário em meio a tanta loucura é de equilíbrio. Esse sim, um valor presente nas mais diversas culturas desde tempos imemoriais, um valor que urge pela ressurreição. O valor da prudência, tanto na política, quanto na vida pessoal. E esse equilíbrio não existe sem reflexão.

O PT e a censura

Um fato que causou certa polêmica na última semana (mas não o tanto quanto deveria) foi a apreensão de exemplares da revista Free em sua edição que vinha a atacar o PT nesse momento conturbado que vive o partido, com acusação nas costas de tentar protelar o julgamento do mensalão através do ex-presidente em exercício, Lula. A revista Free tratou em sua edição sobre um suposto esquema de corrupção do PT que estaria diretamente envolvido com o assassinado do ex-prefeito. Certamente não é interessante uma matéria dessas em ano eleitoral. Enfim:

http://noticias.terra.com.br/eleicoes/2012/noticias/0,,OI5807023-EI19136,00-Revista+que+ataca+PT+por+caso+Celso+Daniel+e+apreendida+em+SP.html

Digo que o caso não causou a polêmica que deveria não pela apreensão em si, mas pelo caráter autoritário do partido, que diz se orgulhar de “ter lutado pela democracia” nos anos de ditadura militar. O fato é que esse não é um caso isolado do PT. Ao deixar o poder, Lula deixou também uma proposta no mínimo suspeita, envolvendo o controle da mídia. Chamam esse controle de “marco regulatório”, um nome pomposo e retórica apelativa para uma proposta que pretende, efetivamente, censurar.

http://veja.abril.com.br/noticia/brasil/pt-aprova-resolucao-com-controle-da-midia-e-repudio-a-pt-dem-e-pps

http://noticias.r7.com/brasil/noticias/proposta-de-marco-regulatorio-da-midia-gera-polemica-entre-entre-base-e-oposicao-20110905.html

O povo deve sempre desconfiar de regulações em quaisquer esferas. O governo, lembrem-se, busca sempre através de seus atos legitimar o poder. Principalmente quando o partido é favorável a um Estado grande. Este tende a sempre aumentar seus tentáculos, buscar o poder onde ainda não o tem.

Um Estado grande o suficiente para dar tudo que você quer é um governo grande o suficiente para tirar tudo que você tem. – Gerald R. Ford

Cartilha Politicamente Correta: Um atentado contra a Liberdade de Expressão

O patrulhamento ideológico brasileiro me espanta mais a cada dia. Inicialmente proveniente do governo, hoje também é praticado pelas escolas fundamentais e de ensino médio. A onda esquerdista que começou a invadir o ensino nos anos de ditadura está longe de minguar: torna-se cada vez mais forte, alienando e aprisionando as mentes de cada vez mais jovens que passam a ter sua capacidade de pensar limitada e enferrujada. Dizer verdades, hoje, é grosseria. Ainda mais quando se posicionam contra o poder estabelecido, contra a ditadura politicamente correta.

Muito se fala que o discurso politicamente incorreto é necessariamente um discurso preconceituoso, que busca legitimar o discurso de ódio. E muito se repete essa mentira sem que se pense à respeito. Mas é fácil reprovar o politicamente incorreto: ele incomoda, provoca o pensar. Se desvincula de interesses momentâneos e dispara verdades que machucam os ouvidos frágeis dos despreparados. Quantos pararam para pensar na origem desse termo? Eu explico.

A ideia de politicamente incorreto nasceu com a Igreja Católica, durante a Idade Média. Esse era um dos critérios para se proibir livros, que se posicionassem contra a política estabelecida. E isso não se atém à origem do termo: estende-se até hoje, mas sob outras roupagens. O termo politicamente incorreto nada mais é do que uma desculpa para censurar discursos indesejados.

Acredito na existência da verdade. Duvido de relativistas como Foucault, mas este disse algo que é de grande pertinência nos dias atuais: a verdade depende do contexto histórico. A verdade, hoje em dia, nada mais é do que a versão do poder. Pouco importam os fatos, se a narrativa mirabolante esquerdista trilhar caminho distinto do ocorrido. E quando se tenta combater esse discurso hipócrita, a resposta é rápida: A pessoa é rapidamente taxada de preconceituosa, e a repressão à opinião é tamanha que as pessoas passam a ter medo de expressar o que pensam. O povo teme se posicionar contra as cotas raciais por medo de ser taxado de racista; assim esse se torna um discurso politicamente incorreto. O povo teme se posicionar contra o assistencialismo por medo de ser taxado de elitista; assim esse se torna um discurso politicamente incorreto. E quando o medo toma conta da população, agora temerosa de expor o que pensa, o resultado é claro: censura velada sob o nome da boa educação, do politicamente correto.