Apoie a criminalização da apologia ao comunismo

Ideia Legislativa publicada no portal e-Cidadania pelo brasiliense Felipe Porto propõe a criminalização da apologia ao comunismo. A proposta, inspirada por leis similares adotadas em países europeus que viveram sob os regimes totalitários comunistas, aprimora a lei atual que criminaliza a divulgação do nazismo.

Comunismo_Holodomor

Se adotada, as duas ideologias responsáveis pelos maiores crimes contra a humanidade do século XX, nacional-socialismo e comunismo, passariam a ser tratadas da mesma maneira pela lei brasileira, o que representaria um grande passo para a democracia no país. Entre outras consequências previsíveis de uma lei como essas, seria o reconhecimento histórico dos crimes cometidos pelos regimes comunistas, como o Holodomor. Para entender mais sobre a importância de criminalizar a apologia ao comunismo e ao nazismo, recomendamos a leitura da Declaração de Praga, que está disponível no nosso site.

Atualmente a ideia conta com mais de 7.800 apoios. São necessários pelo menos 20.000 apoios para que a ideia se converta em sugestão legislativa e seja submetida à análise do Senado Federal.

Apoie a ideia acessando o link:

Ideia Legislativa – Criminalização da Apologia ao Comunismo

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A ”Cambojamentação” do interior brasileiro


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Depois de Belo Horizonte, agora é a vez de Florianópolis. O conceito de propriedade privada em nosso país vai minguando aos poucos, apesar do ritmo de eventos infelizes ser cada vez maior.

Pelas camisetas, pode-se constatar que é coisa do Partido Comunista Brasileiro (PCB). Não há sinais claros do MST, mas obviamente deve haver alguma participação da guerrilha rural.

Vemos a presença de estudantes (provavelmente de classe média alta, e da UFSC), trajando camisetas com estampa do Che Guevara. Ironicamente, se reúnem com os demais invasores do terreno, para rezar um Pai Nosso. Será que não conhecem a célebre frase?
“Na verdade, se o próprio Cristo estivesse no meu caminho eu, como Nietzsche, não hesitaria em esmagá-lo como um verme.” (GUEVARA, Che)

Os termos ”social”, ”capitalista” e ”ocupação” são utilizados exaustivamente, pelos invasores, como justificativa para suas ações, mesmo sabendo que estão cometendo um crime, observem a forma como negam que se trata de uma invasão. Nada menos que a novilíngua orwelliana, ou duplipensar. Interessante que nunca vemos trabalhadores utilizarem tais palavras, a não ser quando são instrumentalizados por algum político ou ”intelectual”.
”Quando as palavras perdem o significado, as pessoas perdem a liberdade.” (CONFÚCIO)

Em seguida, vemos um sujeito excêntrico, diga-se de passagem, falando sobre a legitimidade da invasão e da dita ”função social da terra” (duplipensar, mais uma vez, com a sua palavra preferida, ”social”). Tal sujeito é figurinha tarimbada do PCB, não recordo de seu nome, mas lembro da fala dele durante uma audiência na ALESC, em 2010, em que gritava empolgado que uma sociedade só poderá ser democrática com a extinção das classes. Quase pedi a palavra para avisá-lo de que está no século XXI.

Como nunca pode faltar nos rituais sacro-comunais, os velhos slogans bradados com pulso cerrado:
”Que não haja paz para os ricos, enquanto não houver justiça para os pobres.”
Como se pode ver, invariavelmente, quem instiga os invasores a gritar palavras de ordem é um camarada com o típico estereótipo de professor marxista ou agitador sindicalista (nesse caso, um visual lulesco podemos dizer).

”Se o presente é de luta, o futuro nos pertence.” (GUEVARA, Che)
Um futuro de 150 mil mortos, como em Cuba? Observem que isso está escrito com giz preto num ”paredón”, mera coincidência?! Pelo menos agora eu sei onde vai ser em Floripa, na beira da estrada…

O próximo representante a falar, não foge do modelo, também vestindo a grife revolucionária, com direito ao chapéu de Camilo Cienfuegos. Mas desta vez trata-se de um estudante de ciências sociais, aparentemente. Como sempre, cobrar coerência dessa gente é demais, o sujeito fala em ocupação e negociação! Da mesma forma que negociaram ao invadir uma propriedade privada?!

O camarada em seguida, segurando um bebê, pronto para receber os aplausos pelo seu bom-mocismo simbólico, menciona a presença de estudantes na empreitada. Tipo, jura?! Se duvidar deve haver mais estudantes do que trabalhadores! Fala que os estudantes estão contribuindo com seu conhecimento científico. Mas qual conhecimento científico, cara pálida?! Marxismo científico? Nota-se que sim, pelo modo como instrumentalizam e instigam trabalhadores inocentes a repetir mantras comunistas de forma agressiva, fomentando a luta de classes, clássica estratégia marxista de desestabilização da sociedade.

Senso de coerência e de proporções, todos sabemos que inexiste nos esquerdopatas, mas senso de ridículo então, nem se fala. Nomearam a comuna de ”Amarildo”. Isso me lembra um artigo muito bom, de uns meses atrás, de meu amigo Alexandre Borges, segue trecho:
”O povo está preocupado com 70.000 homicídios por ano, o que certamente inclui gente que ele conhece, um vizinho ou um parente pelo menos. Os jornalistas e sociólogos estão preocupados com o Amarildo.” (http://institutoliberal.org.br/blog/?p=7506)
Movimento popular? Creio que não há mais necessidade de falar sobre o Amarildo neste texto.

Agora até índios tem nesse lugar. Quem banca toda essa logística? Deixo a pergunta no ar. Em seguida, o tal cacique, com sua camisa polo ocidental, faz seu discurso vitimista, de ”excluídos” e ”esquecidos”. Se duvidar deve ser desses chefes de tribos, que na frente da imprensa, esconde o smartphone e tira o Nike do pé. Gostaria de saber que tipo de excluídos e esquecidos são esses que, compondo cerca de 1% da população nacional, controlam cerca de 13% do vasto território brasileiro. O que irá acontecer depois? A FUNAI vai enterrar ossos de sambaqui no terreno para forjar um laudo antropológico? Esses índios são brasileiros mesmo, ou vieram do Paraguai?

A mocinha com o bebê no colo, finalmente essa sim, uma trabalhadora. Tanto que a forma como fala, entrega que foi a mando de alguém, pois balbucia de forma cômica a retórica marxista que nunca deve ter ouvido falar antes.

As duas mães, em seguida, se queixam das dificuldades de criar 4, 5 filhos. Poxa, pelo menos nessas horas dá para se ter um pouco de responsabilidade individual, não? Ninguém tem culpa de não conseguir pagar o aluguel, mas então que pare de fazer filhos! Aí vai um ponto muito importante, prefeitos socialistas aumentam o IPTU (como o Haddad agora em SP) e sucateiam o transporte público e o ensino municipal, apertando a renda dos mais pobres, mas a culpa vai parar nas costas de quem? Do capitalismo, do mercado, dos empresários e do ”neoliberalismo”.

No último quadro, juntam os trabalhadores e estudantes, para se declararem ”o povo brasileiro”. Não preciso citar a discrepância entre as duas ”classes”. Sem mencionar o cacique, que queria mesmo era falar que é kaingang, apenas afirma que é brasileiro, como se fosse algo de segunda importância, que de fato é, triste, mas é verdade, até às nossas leis eles não estão submetidos. Um outro índio com sotaque suspeito quase fala ”pueblo paraguayo” imagino, deve ser por isso que cortaram antes do coitado terminar de falar. O sujeito, no final, entrega o objetivo revolucionário, depois de se declararem ”o povo brasileiro”, o camarada, como todo bom marxista, já divide o pessoal em negros, índios, brancos (estes com importância secundária, pelo tom, pois são ”opressores”, mas pegaria mal falar isso neste contexto) e, comunistas! Vontade de ir lá falar para ele que trabalhador nenhum é comunista, mas sim, quem se aproveita dos trabalhadores para seus fins totalitários! E o meio para este fim é dividir a sociedade. Povo brasileiro? Que nada, estão dividindo cada vez mais.

Não dá para deixar de notar a sofisticada produção cinematográfica, não duvidaria se tivesse participação do curso de Cinema da UFSC, pelo contrário, fico surpreso se não tem! Afinal, que eu saiba, lá eles aprendem mais marxismo do que teoria e prática de produção audiovisual. Então aqui está a oportunidade deles de cumprirem com seu dever revolucionário!

Concluindo, acredito na hipótese de uma ”cambojamentação” do meio rural brasileiro. Ou seja, futuramente, todas essas terras de reservas indígenas e quilombolas, serão zonas de trabalho forçado e extermínio em massa, como foi o pequeno país do Sudeste Asiático, na década de 70, um grande gulag. Isso se a ”Pátria Grande Latino-Americana”, ou a União Latino-Americana das Repúblicas Socialistas (ULARS), termo cunhado pelo meu grande amigo Antonio Pinho, vingar! Coisa que impediremos, pois 2014 está aí!

Guerra Fria, Regime Militar e Democracia

Entre 30 e 31 de março, alguns acontecimentos no Brasil acabaram chocando a mídia mainstream e socialistas mijões em geral. Os acontecimentos em questão são: 1) A comemoração, por parte dos militares, do golpe de 64 (ou revolução de 64, ou contra-golpe de 64) que instaurou o regime militar e marcou a perseguição às milícias terroristas da esquerda no Brasil. 2) A percepção de que inúmeras pessoas reconhecem esta data como o dia em que os militares de fato salvaram o Brasil de uma tentativa de estabelecer um regime comunista por parte das militâncias comunistas aqui instaladas.

Houve até quem quisesse impedir o direito de militares octogenários de reunir-se e comemorar. É o exemplo da coragem revolucionária esquerdista: atacar velhinhos na rua.

Num país onde o meio acadêmico, a imprensa e agora até o governo são hegemonicamente esquerdistas, falar a verdade é um crime herético. É tabu dizer que os terroristas eram de fato terroristas, e não freedom fighters. É tabu dizer que – apesar da autoridade, da mão-de-ferro e até de algumas injustiças cometidas pelos militares – o Regime Militar nos salvou de coisas muito piores, como a desastrosa protoditadura de Allende, a Guerra Civil no Peru ou um regime totalitário como o cubano. Não entrarei aqui nos pormenores das diferenças entre o nosso Regime Militar e a ditadura castrista que até hoje escraviza e massacra o povo cubano, posto que a maioria delas é óbvia.

Vou me contentar com uma afirmação de minha parte e a publicação de um texto excelente que encontrei no site A Verdade Sufocada, que fala justamente da transição do Regime Militar para a Democracia. O que tenho a afirmar é que, apesar de um Regime Militar não ser uma forma de governo desejável, não garantir a plenitude dos direitos individuais, das liberdades e da privacidade do cidadão, ele foi o único instrumento possível para assegurar a sobrevivência da nossa nação. Impediu a explosão do terrorismo comunista, evitando uma guerra civil como a peruana ou uma revolução como a cubana, forçando as militâncias da esquerda a aceitar, pouco a pouco, as regras da democracia. É fundamental ressaltar que, comparativamente, nosso Regime Militar foi muito mais brando – tanto em números de execuções como de prisões – do que qualquer outro regime militar da América Latina (mesmo com uma população muito maior) e com certeza muito mais brando do que qualquer regime esquerdista vigente na época.

Segue o texto:

Texto do General da Reserva Luiz Eduardo Rocha Paiva, professor emérito e ex-comandante da Escola de Comando e Estado-Maior do Exército.

Nos anos 1960, a Guerra Fria entre EUA e URSS agitava o mundo com a disputa pela hegemonia global. Eram visões distintas de como o Estado proporciona desenvolvimento, segurança e bem-estar a uma nação. À visão capitalista, liberal, democrática e cristã dos EUA, opunha-se a socialista, centralista, totalitária e materialista da URSS. Na verdade, acima da crença ideológica estava a luta de dois impérios pelo poder hegemônico, sendo o Brasil uma prioridade da URSS, pois sua adesão ao bloco socialista arrastaria toda América do Sul, ameaçando diretamente os EUA.

Os valores nacionais identificam-se mais com a visão norte-americana, mas ela não serve ao Brasil em sua forma pura, haja vista as nossas peculiaridades. Por outro lado, o modelo soviético foi fracasso total.
No País, Jango herdara uma situação econômica difícil, agravada em sua gestão. Em 1963, abandonou o plano econômico ortodoxo de Celso Furtado, pelo alto custo político, e lançou um programa radical de Reformas de Base sem ter força política para aprová-lo no Congresso Nacional, daí a tentativa de implantar o estado de sítio no final daquele ano. Reformas na lei ou na marra era o revelador slogan da campanha desencadeada com ameaças ao Legislativo e ao direito de propriedade, com a anarquia levada às ruas, para intimidar as instituições, e aos quartéis para quebrar a hierarquia, disciplina e coesão, imobilizando as Forças Armadas (FA). Foi suicídio político a sua aliança com o então ilegal Partido Comunista Brasileiro (PCB), que empregava a subversão e infiltração nas instituições, estratégias da matriz soviética para a conquista do poder e a abdução do Brasil. Luiz Carlos Prestes, líder do PCB, chegou a declarar: já temos o governo, nos falta o poder.

A luta armada também estava em preparação. Militantes comunistas faziam cursos de guerrilha na China, havia 218 Ligas Camponesas armadas no Nordeste, sob a orientação cubana, e se organizavam os Grupos dos Onze, em todo país, cujos estatutos previam “a utilização de escudos civis, principalmente mulheres e crianças”; e o “julgamento sumário de oponentes — os reféns deverão ser sumária e imediatamente fuzilados”.
A tentativa de imobilizar as FA teve momentos cruciais. A Revolta dos Sargentos em setembro de 1963 e o Motim dos Marinheiros em março de 1964, quando, em ambos, os revoltosos presos foram soltos sem punição nem julgamento, num incentivo à indisciplina. E, ainda, o jantar em apoio ao Presidente, oferecido por sargentos no Automóvel Clube do Rio de Janeiro onde, após discursos políticos de praças, Jango ameaçou os oficiais que se pronunciavam contra a indisciplina nos quartéis.

Em 13 de março de 1964, o Comício da Central do Brasil marcou, tanto a escalada do golpe comuno-sindicalista como a organização da reação democrática até então dispersa. Para uma Nação predominantemente católica e conservadora e com instituições políticas fracas, para garantir a democracia em crises políticas agudas, era como se o próprio Presidente ameaçasse a Constituição que jurara defender. Isso gerou insegurança e desconfiança em toda a sociedade, particularmente em setores decisivos como a classe média, a Igreja, a imprensa, a classe política, o empresariado e as FA, que optaram por corrigir o rumo imposto ao País, mesmo com o rompimento da ordem constitucional.

O 31 de Março foi um movimento civil-militar, haja vista as gigantescas manifestações de apoio da população antes e após o evento. Jango, que tivera amplo respaldo para tomar posse em 1961, não teve nenhuma reação das instituições, dos partidos ou da Nação em sua defesa, em 1964. Para muitos estudiosos, ele não era comunista, mas sim um político populista e pragmático, que perdera para o PCB, Brizola e os sindicatos as rédeas do movimento ao qual se aliara e pensara conduzir de acordo com seus propósitos.

O regime militar era de exceção como os generais-presidentes reconheciam ao defenderem a necessidade de redemocratização. Autoritário, ao limitar liberdades individuais, políticas e de imprensa, mas não totalitário, que elimina a liberdade e a oposição, cala a imprensa e impõe o pensamento único. Havia partido de oposição – o MDB – com espaços na mídia e disputando eleições livres. A bandeira do MDB era democracia já e o partido do governo, a ARENA, pregava a abertura gradual e segura. Músicas de protesto, festivais da canção, grupos, peças teatrais e periódicos criticavam o regime e livrarias vendiam obras de linha marxista-leninista. São liberdades impensáveis em regimes totalitários como o cubano, chinês e soviético, matrizes da esquerda revolucionária brasileira.

A luta armada no Brasil não teve o reconhecimento de nenhuma democracia ou organismo internacional de que lutasse por liberdade ou representasse parte do povo brasileiro. É hipocrisia a condenação dos governos militares por setores então alinhados ou que ainda professam a ideologia de Estados totalitários como foram URSS e China, responsáveis pelos maiores crimes contra a humanidade. Tomado o poder, cometeriam atrocidades como as de suas matrizes, inclusive a cubana.

A redemocratização, a partir de 1978, não foi obra da esquerda revolucionária, então totalmente desmantelada. É engano considerá-la vitoriosa pelo fato de antigos militantes ocuparem, hoje, posições de liderança na sociedade. Eles não chegaram ali pela força das armas e ao arrepio da lei e sim como cidadãos com plenos direitos assegurados pela anistia em 1979. Abandonaram a luta armada, derrotados, e submeteram-se às normas democráticas, reintegrando-se à sociedade na forma da lei e em pleno regime militar. O Brasil tornou-se uma democracia, propósito da sociedade, da oposição legal e dos governos militares, e não um país comunista, escravizado por um partido único, objetivo não alcançado pela esquerda revolucionária.

Texto original disponibilizado no site A Verdade Sufocada. Para ler o artigo original, clique aqui.

O Demolidor de Presidentes (Parte III)

V. Governador do Estado da Guanabara
Em 1960, o eleitorado foi às urnas para eleger não só o governador do estado, mas também o sucessor de JK na presidência da República. Jânio Quadros venceu o general Lott com uma margem mais confortável que a de Lacerda sobre seus opositores, o deputado Sérgio Magalhães (PTB-PSB) e Tenório Cavalcanti, político do município de Duque de Caxias, que conseguiu arrebanhar mais de 20% dos votos cariocas.

Vencida a eleição, o grande desafio era: como um político nacional, radical, que
desprezava a “política da conversa”, poderia articular apoios para governar, fazer
alianças com os grupos locais, construir, enfim, as bases políticas de um novo estado? Lacerda apostou na montagem de um governo “técnico”, constituído com base em critérios de impessoalidade, neutralidade e racionalidade.

Realizou um governo dinâmico, reconhecido pelo impulso que deu à educação, implantando a obrigatoriedade escolar, construindo inúmeras escolas primárias – com o apoio da Fundação Otávio Mangabeira – e criando a Universidade do Estado da Guanabara, além de inúmeras escolas técnicas e ginásios. Fez elevados investimentos em obras públicas, principalmente no que tange ao abastecimento de água, como a estação de tratamento de água do Guandu, e o tratamento de esgoto.

Seu governo destacou-se também pela construção de grandes obras que mostraram suas habilidades de administrador e consolidaram a simpatia da população. Seu Secretário de Obras foi o eminente engenheiro civil e sanitarista Enaldo Cravo Peixoto. Construiu a estação de tratamento de água do Guandu (até hoje a maior do país) e um sistema de distribuição que resolveram um centenário problema de abastecimento – como a falta de água crônica. Construiu túneis importantes para o trânsito de veículos, como o Santa Bárbara e o Rebouças, ligando a Zona Norte à Zona Sul da Cidade do Rio de Janeiro. Terminou a construção e reurbanização do aterro do Flamengo. Removeu favelas de bairros da zona sul e Maracanã, criando o parque da Catacumba, o campus da UEG (atual UERJ), e instalando seus antigos habitantes em conjuntos habitacionais afastados como Cidade de Deus e Vila Kennedy. Construiu inúmeras escolas e manteve um alto padrão de qualidade dos hospitais públicos. Educação, urbanização e habitação foram as áreas mais beneficiadas, e que até hoje, não por acaso, dão a Lacerda um lugar privilegiado na memória carioca.

VI. A renúncia de Jânio Quadros e a Revolução de 64
Em 1961, discursou pela televisão atacando o então Presidente Jânio Quadros. A renúncia de Jânio ocorreu em seguida, a 25 de agosto. A fama de “demolidor de presidentes” voltou com força, ainda mais pela movimentação subseqüente para impedir a posse do vice João Goulart, o herdeiro do getulismo.

Em 1965, fundou a editora Nova Fronteira, que publicou importantes autores nacionais e estrangeiros, inclusive o dicionário Aurélio. Escreveu numerosos livros, entre eles O Caminho da Liberdade (1957), O Poder das Ideias (1963), Brasil entre a Verdade e a Mentira (1965), Paixão e Ciúme (1966), Crítica e Autocrítica (1966), A Casa do Meu Avô: pensamentos, palavras e obras (1977). Depoimento (1978) e Discursos Parlamentares (1982) foram compilados e publicados após a sua morte.

Foi um dos líderes civis da Revolução de 1964, porém voltou-se contra o Regime Militar, com a prorrogação do mandato do presidente Castelo Branco.

VII. A Traição de Castelo Branco e a perseguição política
Decidido a exorcizar o fantasma do “demolidor”, o general-presidente Castelo Branco suspendeu as eleições previstas para 1965 e obteve a prorrogação de seu mandato até março de 1967. Segundo Lacerda, a prorrogação do mandato de Castelo Branco levaria à consolidação do governo numa ditadura militar permanente no Brasil, o que realmente aconteceu. Derrotado na própria sucessão na Guanabara, quando seu candidato, Flexa Ribeiro, foi batido por larga diferença de votos por Negrão de Lima, candidato da aliança PTB-PSD, Lacerda teve que se defrontar com as mudanças institucionais impostas pelo regime militar: fim dos partidos políticos, imposição do bipartidarismo e implantação de eleições indiretas para presidente da República e governador.

A frente ampla
Movimento político lançado em 28 de outubro de 1966 com o objetivo de lutar pela “restauração do regime democrático” no Brasil, a Frente Ampla tem como principal articulador Carlos Lacerda, e contou com a participação dos ex-presidentes (e inimigos) Juscelino Kubitschek e João Goulart.

Em setembro, a imprensa referia-se à formação de uma frente política — batizada de Frente Ampla — reunindo Carlos Lacerda, Juscelino Kubitschek e João Goulart, e seus correligionários. As negociações de Lacerda com Juscelino, cassado em junho de 1964 e exilado em Lisboa, encaminhadas pelo deputado do MDB Renato Archer, avançavam com relativa facilidade, mas com Goulart, desenvolvidas por intermédio do emedebista Armindo Doutel de Andrade, mostravam-se mais difíceis. Cassado pelos militares logo após o golpe, Goulart vivia em Montevidéu.

Os militares da linha dura ameaçaram retirar o apoio a Lacerda, caso ele continuasse os entendimentos com os dois inimigos da Revolução de 64. A Frente Ampla foi finalmente lançada em 28 de outubro de 1966, através de um manifesto dirigido ao povo brasileiro e publicado no jornal Tribuna da Imprensa. Assinado apenas por Carlos Lacerda, o documento defendia eleições livres e diretas, a reforma partidária e institucional, a retomada do desenvolvimento econômico e a adoção de uma política externa soberana. Apesar de não ter sido firmado por Goulart e Kubitschek, o manifesto confirmava as negociações entre eles e Lacerda.

Em 19 de novembro de 1966, Lacerda e Kubitschek emitiram a Declaração de Lisboa, na qual afirmavam terem superado as divergências e estarem dispostos a trabalhar juntos numa frente ampla de oposição ao regime militar. Formalizada a aliança Lacerda-Juscelino, impunha-se a obtenção de um compromisso de Goulart. Lacerda admitia que o movimento não ganharia amplitude sem a inclusão da componente popular representada pelos partidários do ex-presidente e pelos sindicatos.

Em maio de 1967, em discurso na Câmara dos Deputados, Renato Archer declarou que a Frente Ampla entraria em recesso por 90 dias, na expectativa de uma melhor definição do recém-instalado governo do marechal Costa e Silva. No período que se seguiu, diluíram-se os apoios da bancada do MDB. No final de agosto, reiterando o agravamento das relações da Frente com o governo, o ministro da Justiça, Gama e Silva, proibiu a presença de Lacerda na televisão. Foi nessa conjuntura de tensão que Archer foi designado secretário-geral da Frente Ampla.

Os contatos com Goulart, mantidos através do deputado Osvaldo Lima Filho e de José Gomes Talarico, evoluíam. No final de setembro, mais de dez meses depois da Declaração de Lisboa, Lacerda firmou em Montevidéu uma nota conjunta com Goulart, na qual a Frente Ampla era caracterizada como um “instrumento capaz de atender… ao anseio popular pela restauração das liberdades públicas e individuais”.

Depois da entrada de Goulart, e graças também à maior aceitação por parte dos parlamentares do MDB, deu-se início a mobilizações públicas, com comícios nas cidades paulistas de Santo André, São Bernardo do Campo e São Caetano do Sul, em dezembro de 1967, e em Londrina e Maringá, no Paraná, no início de abril de 1968. Esses últimos eventos, reunindo mais de 15 mil pessoas, coincidiram com as manifestações estudantis realizadas em todo o país em repúdio à violência policial que, no Rio de Janeiro, causara a morte do estudante Edson Luís de Lima Souto no final de março.

No dia 5 de abril, por intermédio da Portaria nº 117 do Ministério da Justiça, todas as atividades da Frente Ampla foram proibidas e Carlos Lacerda foi cassado pelo Regime Militar.

V. A morte e o reconhecimento
Morreu na madrugada 21 de maio de 1977, em uma clínica particular após ter contraído uma gripe comum. Em 20 de maio de 1987, através do decreto federal nº 94.353, teve restabelecidas, post mortem, as condecorações nacionais que foram retiradas e reincluído nas ordens do mérito das quais fora excluído em 1968.

Parte I
Parte II 

Leia mais em:

O Demolidor de Presidentes (Parte II)

III. O Atentado da Rua Tonelero
Lacerda foi vítima de uma tentativa de assassinato na porta do prédio onde residia, em 5 de agosto de 1954, quando voltava de uma palestra no Colégio São José, no bairro da Tijuca. No atentado morreu o major da Aeronáutica Rubens Vaz, membro de um grupo de jovens oficiais que se dispuseram a acompanhá-lo e protegê-lo das ameaças que vinha sofrendo. Atingido de raspão em um dos pés, Lacerda foi socorrido e medicado em um hospital. Lá mesmo acusou os homens do Palácio do Catete como mandantes do crime.

A pressão midiática e a comoção pública com a morte do major Rubens Vaz obrigaram o governo a instaurar um Inquérito Policial Militar para investigar o atentado. Uma série de investigações levou à prisão dos autores do crime, que confessaram o envolvimento do chefe da guarda pessoal de Vargas, Gregório Fortunato, e do irmão do presidente, Benjamim Vargas. Com a conclusão do IPM, instaurado pelo Brigadeiro Nero Moura, o presidente do Inquérito, Coronel João Adil de Oliveira, informou em audiência com o presidente Vargas, que havia a existência de indícios sólidos sobre a participação de membros da Guarda no atentado. Dezenove dias depois, com o agravamento da crise política e o ultimato das Forças Armadas pela sua renúncia, Getúlio Vargas suicidou-se em 24 de agosto. O suicídio alvorotou a opinião pública e provocou uma imensa onda de revolta. Isso obrigou Lacerda e parte de seus aliados a deixar o país. Na época, milhares de revoltosos tomaram as ruas, empastelando jornais ligados à oposição.

IV. A tensão com JK e Jango e o Golpe de Lott
No entanto, pouco mais de um mês depois do suicídio, Lacerda derrotou um Vargas. Não Getúlio, é claro, mas Lutero, seu filho e presumido herdeiro político. Na eleição de 3 de outubro, foi o deputado federal mais votado no Distrito Federal com uma diferença de quase 40 mil votos sobre o segundo colocado, Lutero Vargas. Na Câmara dos Deputados tornou-se logo porta-voz da UDN contra a posse de Juscelino Kubitschek na presidência da República.

Lacerda participou de uma tentativa de impedir a posse de Juscelino Kubitschek em 1955, quando uniu-se aos militares e à direita udenista. Na época, era possível eleger um presidente sem a maioria dos votos, falha esta que a oposição pretendia remediar com uma emenda constitucional, que não foi aprovada. A fama de “demolidor de presidentes” se firmaria em novembro de 1955. Como escreveu em editorial da primeira página da Tribuna, no dia 9, “esses homens não podem tomar posse; não devem tomar posse; não tomarão posse”.

As manobras políticas começaram já no período eleitoral, quando ocorreu o episódio da Carta Brandi, uma notícia divulgada pelos opositores no jornal de Lacerda, denunciando o envolvimento de João Goulart em um contrabando de armas da Argentina para o Brasil.

Depois de eleito Juscelino, Carlos Luz, presidente interino à época, aliado aos militares e a Carlos Lacerda, tentaram depô-lo. A bordo do Cruzador Tamandaré fizeram a resistência, mas foram alvejados a tiros pela artilharia do exército a mando do General Teixeira Lott, que também tinha pretensões de se candidatar a presidência. Foi o último tiro de guerra disparado na Baía da Guanabara no Rio de Janeiro. Durante anos o episódio ficou conhecido como o Golpe de Lott.

Lacerda partiu para um exílio breve em Cuba, que ainda era governada por Fulgêncio Batista. Voltou em outubro de 1956 para reassumir sua cadeira de deputado, e continuar a oposição a Juscelino Kubitschek, atacando, entre outras coisas, a construção de Brasília. Reeleito em 1958, defendeu a autonomia do Rio de Janeiro e a criação do estado da Guanabara.

Juscelino não permitiu jamais o acesso de Carlos Lacerda à Televisão. Para se precaver contra sua volta à cena política, Juscelino anexou uma nova cláusula aos contratos de concessão de rádio e TV, mediante a qual os concessionário seriam punidos com suspensão por 30 dias no caso de transmitir programas “insultuosos às autoridades públicas”. Segundo confissões do próprio ex-presidente, a primeira  pessoa em quem pensava ao acordar era Carlos Lacerda. Juscelino confessou a Lacerda, no encontro de Lisboa, em 1966, que se deixasse Lacerda falar na televisão, Lacerda o teria derrubado do governo.

Parte I
Parte III

O Demolidor de Presidentes (Parte I)

Quando falamos em direita política, hoje, a primeira coisa que vem na nossa cabeça é oposição. Com tantos partidos de esquerda e centro-esquerda, a política acaba virando uma orgia incestuosa. Precisamos, urgentemente, de oposição. Uma oposição real, corajosa, sem rabo preso. Historicamente, há um homem na política brasileira que se destaca exatamente pela sua arte de fazer oposição. Este homem é Carlos Lacerda.

Carlos Frederico Werneck de Lacerda foi um jornalista e político brasileiro. Membro da União Democrática Nacional (UDN), foi vereador , deputado federal e governador do estado da Guanabara. Fundador e proprietário do jornal Tribuna da Imprensa e criador da editora Nova Fronteira. Ganhou a alcunha de “Demolidor de Presidentes” por causa do seu forte oposicionismo: alguns o acusam de ser responsável pelo suicídio de Getúlio Vargas, Jânio Quadros renunciou por causa de sua pressão e o próprio Juscelino Kubitschek admite que se lhe tivesse dado voz na televisão ele o teria derrubado também. Nesta série de artigos, vamos conhecer a trajetória do Demolidor de Presidentes.

I. Infância e juventude
Filho de Maurício de Lacerda e Olga Caminhoá Werneck. Pela família materna, era descendente direto do barão do Ribeirão. Nasceu no Rio de Janeiro, mas foi registrado como tendo nascido em Vassouras, cidade onde seu avô residia e seu pai exercia atividades políticas. Ingressou em 1929 no curso de Ciências Jurídicas e Sociais da então Faculdade de Direito da Universidade do Rio de Janeiro, atual Faculdade Nacional de Direito da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ). Durante seu período acadêmico, destacou-se como orador e participou ativamente do movimento estudantil no Centro Acadêmico Cândido de Oliveira. Devido ao grande envolvimento em atividades políticas, abandonou o curso em 1932.

A militância comunista e o antigetulismo
Tornou-se militante comunista, seguindo os passos de seu pai, Maurício de Lacerda, e do seu tio Paulo Lacerda, antigos militantes do Partido Comunista Brasileiro (PCB).

Sua primeira ação contra o governo de Getúlio Vargas implantado com a revolução de 1930, deu-se em janeiro de 1931, quando planejou, junto com outros comunistas, incentivar marchas de desempregados no Rio de Janeiro e em Santos durante as quais ocorreriam ataques a lojas comerciais . A conspiração comunista foi descoberta e desbaratada pela polícia liderada por João Batista Luzardo, o que até virou notícia no jornal americano The New York Times. Em março de 1934, leu o manifesto de lançamento oficial da Aliança Nacional Libertadora (ANL) em uma solenidade no Rio de Janeiro à qual compareceram milhares de pessoas.

Quando ocorreu o fracasso da Intentona Comunista de 1935, teve que se esconder na velha chácara da família em Comércio (atual Sebastião Lacerda, Vassouras) e ser protegido pela família influente.

II. Carlos Lacerda se endireita
A violenta repressão ao movimento comunista de novembro de 1935 o levou à clandestinidade até 1938, quando foi trabalhar na revista O Observador  Econômico e Financeiro. Um artigo seu, publicado na edição de janeiro de 1939, foi considerado prejudicial ao PCB e provocou sua “expulsão” do partido, do qual, aliás, nunca fora membro.  Rompeu com o movimento comunista em 1939 dizendo considerar que tal doutrina “levaria a uma ditadura, pior do que as outras, porque muito mais organizada, e, portanto, muito mais difícil de derrubar”.

Em plena ditadura do Estado Novo, obrigado a abandonar o círculo intelectual e político da esquerda, associou então, ao antigetulismo trazido da juventude,
um forte anticomunismo. A partir de então, como político e escritor, consagrou-se como um dos maiores porta-vozes das ideologias conservadora e direitista no país, e grande adversário de Getúlio Vargas, e dos movimentos políticos Trabalhista e Comunista. De sua lavra saíram contundentes artigos contra essa ideologia e o anticomunismo tornou-se uma verdadeira obsessão, resultando em ataques constantes aos países da então “cortina de ferro” e à ideologia de esquerda.

A ascenção como jornalista e a filiação à UDN
Lacerda ganhou notoriedade como jornalista ao publicar no Correio da Manhã, em 22 de fevereiro de 1945, a entrevista com José Américo de Almeida, em que este, rompendo o bloqueio da censura à imprensa, criticava o regime ditatorial de Vargas. No mesmo jornal, lançou a coluna “Na tribuna da imprensa”, destinada a cobrir os trabalhos da Assembléia Constituinte (1946).

Seria este o trampolim de onde daria seus primeiros  saltos rumo à política. Filiado à União Democrática Nacional (UDN), foi o candidato mais votado na eleição de 1947 para a Câmara Municipal do Rio de Janeiro, então Distrito Federal. A experiência parlamentar durou apenas um ano, já que renunciou ao mandato por discordar da Lei Orgânica do DF, que dava aos senadores, e não aos vereadores, o poder de examinar os vetos do prefeito carioca, o qual, por sua vez, era indicado pelo presidente da República. Nesta mesma época, fez campanha a favor da autonomia do Distrito Federal, defendendo a eleição do prefeito, ao invés de sua nomeação pelo presidente da República.

A Tribuna da Imprensa
Em 27 de dezembro de 1949 fundou a Tribuna da Imprensa, jornal que defendia o ideário da UDN, fazendo oposição ferrenha ao getulismo. Deste jornal iria comandar uma campanha implacável contra Getúlio Vargas, eleito em 1950 para presidir o país. Um de seus principais alvos passou a ser a Última Hora, de propriedade de Samuel Wainer, amigo dos tempos de esquerda, a quem acusava de ter obtido empréstimos favorecidos junto aos bancos oficiais para fundar um jornal governista. Foi a pedido de Wainer que o caricaturista Lan desenhou Lacerda como um corvo, símbolo de mau agouro e de morte.

Em 1953, Lacerda fundou, no Rio de Janeiro, o Clube da Lanterna, que publicava um periódico intitulado O Maquis, através do qual, juntamente com vários parlamentares udenistas, ele denunciava o que considerava as mazelas e a corrupção do governo Vargas.

Inimigo político de Getúlio Vargas, Carlos Lacerda foi o grande coordenador da oposição à campanha de Getúlio à presidência em 1950, que continuou durante todo o mandato de Vargas, até agosto de 1954. Uniu-se aos partidos oposicionistas, principalmente a UDN, num esforço conjunto para depor o presidente Vargas, através de acusações que publicava em seu jornal, Tribuna da Imprensa.

Parte II
Parte III

Seriam mesmo os porcos capitalistas? – Parte 2

Análise do Livro “A revolução dos Bichos”

  • Principais personagens:

– Senhor Jones: proprietário da fazenda. Representa a personificação do regime o qual eles querem combater.

– Major: Um velho porco muito respeitado na fazenda, é ele quem idealiza a tal revolução.

– Sansão e Quitéria: Representam a massa trabalhadora, os personagens são estúpidos (palavras do próprio autor), porém bastante dispostos a trabalhar e o mais importante, eram honestos.

– Benjamin: Era um burro (no sentido literal). Era também o animal mais idoso da fazenda. Pouco falava e das poucas vezes que falava, era emitir algum comentário cínico.

– Mimosa: Era uma égua altamente vaidosa e adorava torrões de açúcar. (Nos dias de hoje, acho que ela tomaria Coca-Cola e sua lanchonete preferida seria o Mc Donald’s.

– O gato: Sempre sumia na hora do trabalho e votava dos dois lados. O típico em cima do muro.

– Moisés: O corvo domesticado. Sempre falava da existência duma espécie de “céu”, pra onde os animais iriam depois de morrer.

– Bola de Neve, Napoleão e Garganta: Porcos que estavam à frente da administração da fazenda, representavam a classe privilegiada.

A história tem início quando Major, antes de morrer, reúne os animais da fazenda pra falar que teve um sonho. Antes de contar o tal sonho, ele enfatiza o quanto suas vidas são miseráveis, o quanto trabalham duro, que eles não sabem o que é felicidade ou lazer e que tampouco sabem o que é liberdade. Em contrapartida, a terra é fértil, o clima é bom e que o culpado por tudo de ruim que acontece com eles são os seres humanos – o que pra eles significava o regime em vigor. Para eles os homens – representados por Senhor Jones – que são a raiz de todo o mal, consomem sem produzir. Ficam com todo o fruto do trabalho dos animais só dando a eles de volta o suficiente para que possam sobreviver (salário) e ficam com o restante (lucro). Isso é o que Böhm-Bawerk, em seu livro “Kapital und Kapitalzins” (Capital e Juros), chama de teoria da exploração do socialismo-comunismo, teoria esta oriunda de pensamentos os quais Marx precisou de quatro livros para defendê-la e Böhm-Bawerk apenas um livro para desmenti-la.

Major insiste que bastaria que se livrassem dos homens para que num passe de mágica todos os seus problemas desaparecessem.  Ele instrui que essa informação fosse passada de geração para geração e ressalta, principalmente, que os doutrinados tampem os ouvidos quando qualquer um venha a dizer algo que seja contrário ao novo  regime, o qual futuramente ganhará o nome de Animalismo. (Será por isso que nossos colegas de outras vertentes políticas parecem ser surdos quando finalmente lhes é apresentada a verdade?). Por fim, ele repassa aos animais uma canção chamada “Bichos da Inglaterra” que nada mais é do que uma espécie de hino do regime futuramente implantado. Essa canção nada mais é do que algo q serve para motivar, inflamar os animais. Do mesmo jeito em que na URSS Lenin falece  e Stalin acaba sendo o chefe de Estado em seu lugar, Major 3 dias depois falece e a revolução fica por conta dos porcos Bola de Neve (O mais carismático, porém com honestidade meio duvidosa) e Napoleão (mais rígido, porém com bastante força de vontade e ao decorrer do livro, mostra sua total falta de caráter) por serem, sem dúvida, os animais mais inteligentes da fazenda. Garganta era o porquinho altamente falante que fazia o papel que hoje em dia podemos chamar de mídia, já que todo regime totalitário é caracterizado por uma forte propaganda estatal. Durante algum tempo os adeptos do Animalismo faziam reuniões secretas. No Brasil podemos citar o PCB (Partido Comunista Brasileiro) que durante vários anos mantiveram-se na clandestinidade, esperando o momento certo pra “dar o bote” e tentar instalar o tal regime no país (graças a Deus esse dia nunca chegou).

Lenin
Stalin

Durante as reuniões secretas, os animais faziam muitas perguntas, uma delas é a pergunta da Mimosa, que questiona se no Animalismo ela poderá comer torrões de açúcar. Logo os líderes do movimento falam que não, pois tudo aquilo que eles consideravam supérfluo, seria banido. Para eles não importava o quão importante para os animais eram alguns hábitos, pra eles o que importava era obter aquilo que era essencial para a sobrevivência. Alguns animais concordavam, apesar de não estarem realmente convencidos de que isso era o melhor para eles.

Os porcos tiveram trabalho com Moisés, o corvo, pois este espalhava que existia uma espécie de “Montanha de Açúcar” (o que pra nossa linguagem podemos chamar de céu) e era pra este lugar que todos os animais iriam após a morte. Como nos regimes totalitários, como o comunismo, socialismo e etc. não há liberdade de credo, no Animalismo não era interessante que os seguidores acreditassem nisso. Eles tiveram bastante trabalho para convencer os animais de que isso não passava de devaneios da mente tola do corvo.

Cristã sendo perseguida na Coréia do Norte, país de regime socialista

Nas reuniões, Sansão e Quitéria nunca tiveram capacidade de pensar por si próprio, porém absorviam tudo que lhes era ensinado pelos porcos, tal qual muitos trabalhadores acreditam que seus sindicatos servem somente para lhes ajudar e lutar pelos seus interesses. Sansão é tão alienado que chega a dar dó. O típico “idiota útil”.

A revolução enfim aconteceu quando um dia Senhor Jones, passando por problemas pessoais, esquece de alimentar os bichos e isso faz com que estes se rebelem. Podemos citar isso como um momento de crise do atual regime. Eles usaram de violência e luta e expulsaram a personificação do regime da fazenda. Trataram de se livrar de tudo que lembrava o Senhor Jones e tiveram uma falsa sensação de que tudo aquilo agora pertencia a eles. Sensação que ao longo do livro vai se esvaindo.

No dia seguinte os porcos reúnem a todos para comunicar a mudança do nome da fazenda, revelam que aprenderam a ler e escrever e então resolvem repassar aos seus seguidores as principais regras do Animalismo.

  • OS SETE MANDAMENTOS
  1. Qualquer coisa que ande sobre duas pernas é inimigo;
  2. Qualquer coisa que ande sobre quatro pernas, ou tenha asas, é amigo;
  3. Nenhum animal usará roupas;
  4. Nenhum animal dormirá em camas;
  5. Nenhum animal beberá álcool;
  6. Nenhum animal matará outro animal;
  7. Todos os animais são iguais.

Logo os líderes do movimento conseguem convencer os animais de que eles deveriam trabalhar mais ainda do que na época do Senhor Jones, e a exploração maior da força de trabalho destes começou mais cedo do que se imaginava. Estes, de boa fé, começaram a produzir mais ainda. Logo nesse primeiro dia acontece um fato bastante curioso. Todo o leite produzido some misteriosamente.

Não se pode negar que de início foi bem produtivo, os animais em sua grande parte faziam o serviço pesado do campo, com exceção dos porcos que tinham a justificativa de que supervisionavam o trabalho dos demais. Sansão – pobre coitado – pedia até pro galo acordá-lo mais cedo para que ele pudesse trabalhar mais. Sua frase preferida era “Trabalharei mais ainda.” Alguns animais se “encostavam” no trabalho dos outros, era o caso do gato. Afinal para que se preocupar em  produzir muito se tudo que os outros produzissem seria dividido por igual? Afinal, no Animalismo não existia MERITOCRACIA.

Durante os domingos aconteciam cerimônias como hasteamento da bandeira e reuniões para decidir questões rotineiras. Os porcos estavam sempre à frente, os restantes não emitiam opiniões, pois nem isso sabiam fazer, mas tinham o direito de votar. Nesse momento começa a se notar que Bola de Neve e Napoleão sempre estavam um contra o outro: é o começo do racha dentro do “partido”. Criaram-se vários comitês. Podemos citar entre eles o comitê de reeducação dos animais selvagens, a liga das caudas limpas. Estes não alcançaram os objetivos para os quais foram criados. Qualquer semelhança com o que acontece com os programas assistencialistas brasileiros, é mera coincidência.

Os animais, em sua grande maioria, eram analfabetos e não se incomodavam com essa condição. Como não conseguiam ler, os 7 mandamentos foram resumidos para eles de forma que pudessem memorizar: “Quatro pernas bom, duas pernas ruim”. Ou seja, tudo aquilo que ia de encontro ao regime, era considerado prejudicial. As ovelhas, que representam aqui a massa de manobra dos regimes não democráticos, repetiam isso pra todos os animais a fim de que ficasse no seu subconsciente.

Descobre-se que o leite desaparecido fora consumido totalmente e exclusivamente pelos porcos, e logo depois quando os mesmos tratam de convencer a população de que as frutas deveriam ter esse mesmo destino, fica nítida a formação de uma classe privilegiada. Coisa bastante comum em regimes implantados em Cuba, URSS, entre outros países considerados comunistas/socialistas. Garganta foi o responsável por dar explicações bastante “convincentes” à população.

Todas as vezes que um animal tentava se opor ao que era dito, o governo os convencia de que se não fosse desse modo, Jones voltaria ao poder. Os animais ficavam assustados e logo ficavam quietos.

Durante toda a Inglaterra foi conhecida a história de uma tal granja que era administrada por bichos. Tornou-se um lugar lendário, onde acreditava-se ser o verdadeiro paraíso na Terra.

Havana, Capital de Cuba

Um dia houve uma tentativa frustrada pelo Senhor Jones de retomar a posse de sua fazenda. Todos os animais defenderam-na com unhas e dentes, literalmente falando. Bola de Neve foi o animal que mais se empenhou nessa batalha sangrenta que terminou com mortes. Sansão sente sua consciência doer, ao achar que matou um homem. Sansão até poderia ser ignorante, porém tinha caráter. Depois desse episódio, tomou conta do lugar o nacionalismo exacerbado. Animais que morreram recebem homenagens e os que lutaram bravamente, condecorações militares.

Mimosa um dia foi vista olhando pros muros além da fazenda, toda saudosa. E fora até indagada porque foi vista recebendo carinhos de um humano. Ela negou que isso aconteceu, pois sabia que não era livre pra manifestar seus pensamentos  e desejos. Mimosa escondia entre suas coisas vários pertences proibidos, como torrões de açúcar e laços de fita. Imaginem o que fariam com ela se encontrassem um tênis da Nike. Mimosa desapareceu, conseguiu fugir da granja. Pediu asilo em outra fazenda. Os bichos depois desse episódio nunca mais tocaram em seu nome.

Ficou acertado que os porcos, por serem mais inteligentes, tomariam todas as decisões referentes à política da granja: o voto só aconteceria pra se ratificar essas decisões. O único problema era a disputa política que acontecia entre Napoleão e Bola de Neve. Bola de Neve era popular e a maioria das vezes obtia a maioria dos votos e era ele também que sempre tinha as idéias. Napoleão nunca criava nada e ainda colocava defeitos nas idéias de Bola de Neve. Bola de Neve chegou a arquitetar a construção de um complexo moinho de vento. Napoleão, claro, desde o início declarou-se contra a criação do moinho de vento. A promessa era de que após construído o tal moinho, os bichos poupariam tanta energia que só seriam necessário três dias de trabalho semanais.

Parte 1

Parte 3