Enquanto isso, no ajuste fiscal de mentira…

O ano de 2015 era para ser um ano de reajustes na economia brasileira, principalmente fiscais. As contas públicas estão cada vez mais deterioradas e cortes nos gastos são necessários, assim como reajustes nos preços controlados pelo setor público. Nesse cenário, a presidente Dilma Rousseff chegou ao ponto de pedir paciência à população. Para maiores detalhes de tal processo, recomendo este artigo.

E dentro desse cenário de cortes de gastos, em 2015 o governo destinará R$ 867 milhões aos partidos políticos. O texto original destinava “apenas” R$ 289 milhões ao Fundo Partidário, mas o digníssimo senador Romero Jucá (PMDB-RR), relator da proposta, ampliou a previsão em R$ 578 milhões adicionais.

Segundo Jucá, inclusive, o montante reservado para o fundo partidário foi negociado com o governo e é, por mais incrível que possa parecer, menor que o reivindicado por nossos maravilhosos parlamentares. “O pedido era para destinar R$ 2 bilhões para o fundo. Estabelecemos um valor possível de atender, que melhora a situação dos partidos e inicia o debate sobre o financiamento público de campanha”. R$ 2 bilhões de dinheiro do contribuinte era para tentar começar com o financiamento público de campanha. Já estamos começando a ver as maravilhas de tal modelo. Aliás, segundo o próprio Jucá, “se tiver financiamento público, esse valor vai ter que ser muito maior. Seria preciso entre R$ 4 bilhões a R$ 5 bilhões.” Destaco: dinheiro seu, que acorda cedo para trabalhar, para financiar propaganda de político – mesmo que você não concorde com nenhum candidato e anule seu voto.

Conforme a reportagem, segundo a lei eleitoral, 5% do total do Fundo Partidário são destacados para entrega, em partes iguais, a todos os partidos que tenham seus estatutos registrados no Tribunal Superior Eleitoral. Os outros 95% são distribuídos às siglas na proporção dos votos obtidos na última eleição geral para a Câmara dos Deputados. Ou seja, apenas 5% são destinados igualmente aos partidos, e 95% ao status quo que vemos na política brasileira, já atolada em escândalos.

E o salário?

Ainda na mesma reportagem, o relatório aprovado pelo plenário do Congresso reserva R$ 900 milhões para pagar somente o aumento do salário de parlamentares, ministros do Supremo Tribunal Federal (STF), procurador-geral e presidente da República.

A remuneração de senadores, deputados, PGR e ministros do STF passou, em janeiro deste ano, a ser de R$ 33,7 mil por mês. Já presidente da República e ministros de Estado receberão R$ 30,9 mil.

Na próxima vez que você pagar um imposto lembre-se que parte dele é destinado para essas verbas. Depois, compare quanto você ganha com quanto ganham nossos “líderes”. Lembre-se, então, que você é um dos que sustentam todo esse sistema.

“Democracia” sem partido de direita, só no Brasil

A principio, não existe em nenhuma parte do mundo um Estado republicano de regime democrático em que apenas partidos de esquerda representem a população na disputa eleitoral.

Onde isso acontece, os estados se tornaram regimes comunistas/socialistas através das urnas, ditaduras “democraticamente” eleitas, como na Venezuela.

No Brasil temos uma disputa esquizofrênica entre partidos e legendas de esquerda (de diferentes correntes e espectros esquerdistas) e partidos fisiológicos que abrem mão da causa socialista.

Com isso uma boa parcela da população, não duvido que a maioria, é órfã de representantes políticos. Pode parecer confuso, mas muito desses eleitores tem ideias de direita, são conservadores, querem estado enxuto, carga tributaria baixa, menos burocracia, menos corrupção estatal, mais eficiência e mais liberdade individual com seus direitos legais respeitados e garantidos.

O que falta para essas pessoas se descobrirem é esclarecimento, ter representantes que não sejam covardes e mostrem que são de direita, que assumam a posição e essa parcela “órfã” de representantes da população sem medo da pressão politicamente correta que a rede esquerdista faz.

Hoje pela manhã me deparei com esse questionamento enquanto lia mensagem na internet:

Pergunta ao Partido Novo: “O partido é de direita ou esquerda?”

Resposta: “O NOVO não acredita que rótulos antigos sejam uma boa definição da sua ideologia. Acreditamos num Estado Democrático que preserve as liberdades individuais, incentive o empreendedorismo, a concorrência, a participação do cidadão na vida política e tenha sua atuação focada nas áreas de educação básica, saúde, segurança, infraestrutura e na preservação da moeda.”

Ou seja: DIREITA! Qual é o problema de se ASSUMIR como tal?

Boa parte da população não tem representantes políticos, votam como eu: apenas o voto anti-ditadura bolivariana, o voto no “menos pior” e por que? Porque não temos um partido que nos represente, um partido que assuma sua condição a direita no espectro político, que abrace sem medo o legado de Abraham Lincoln, Thommas Jefferson, Margaret Thatcher, Ronald Reagan, Winston Churchill para citar os mais famosos.

Quem tem medo do rótulo de “Direita” reconheceu o triunfalismo da esquerda ao operar a estigmatização do termo. A derrota está na cabeça das pessoas. Essa mentalidade ambígua nada mais é do que um subproduto de uma mentalidade covarde e submissa ao império da esquerda e do progressismo na definição e interpretação do espírito de nosso tempo. Na verdade todo esse eufemismo é puro esquerdismo. É o politicamente correto às ultimas consequências. O Novo, enquanto não se posicionar, é de esquerda. Eufemismo e ambiguidade é coisa de esquerda, é coisa de Lulinha paz e amor.

– Rodrigo R. Pereira.

No Brasil os partidos de “oposição” ficam batendo cabeças sobre como conquistar boa parte do eleitorado contrária ao socialismo. Mas esses partidos da dita oposição querem ganhar essa fatia do eleitorado oferecendo praticamente a mesma coisa que partidos da “situação”, variando apenas a forma e intensidade das políticas de esquerda. Correndo atrás do próprio rabo com ideias absurdas e utópicas que normalmente foram inseridas pela esquerda “hard core” para justamente extirpar e esterilizar qualquer forma real de oposição ideológica. A esquerda treme de pensar em ser confrontada ideologicamente com fatos, pois seus pilares se baseiam em crimes, terrorismo e mentiras.

O Brasil até poucas semanas tinha 30 partidos políticos, agora são 29, pois o PPS e o PMN se fundiram. Desses 29 a maioria deles são meras legendas de aluguel,  todas claramente a esquerda no espectro político, com exceção do DEM que é centrista.

A esquerda monopolizou o discurso político através do domínio “intelectual” nas universidades, na área cultural e na imprensa em geral. Com isso convencionou-se que jamais poderia haver oposição ideológica no Brasil, apenas a “oposição pragmática”.

Como disse Jonah Goldberg em The Tyranny of Clichés, “O pragmatismo é o disfarce que os progressistas e outros ideólogos vestem quando querem demonizar ideologias concorrentes”.

Com isso os partidos que atuam na “oposição” hoje são de esquerda social democrata (PPS/PMN e PSDB) e o centrista DEM, mas “todos” eles covardes em assumir posições firmes, todos rendidos e sedentos por algum reconhecimento da mídia oficialista e da patrulha politicamente correta. Todos “pragmáticos” ao combater a corrupção, os crimes contra o Estado de Direito e a Constituição. Meu caro amigo Bruno Gimenes Di Lascio uma vez fez a seguinte explanação “o PSDB somente é saudável em um estado democrático como representante da esquerda social democrata”.

Como bem disse Barry Goldwater, “Extremismo na defesa da liberdade não é vício. Moderação na busca por justiça não é virtude”.

E agora está surgindo uma nova leva de partidos buscando representar essa fatia do eleitorado sem representação até então. Porém já começam errado, começam com medo de assumir uma ideologia, coisa que a esquerda jamais teve, mesmo com motivos reais para isso (Fidel Castro, Stalin, Mao, Hitler, Hugo Chávez e tantos outros regimes destrutivos que somente distribuíram morte e miséria em seus países).

Nascem na demagogia, caminhando para o fisiologismo covarde e esperam que o eleitor vá acompanhá-los? Já temos 29 partidos à esquerda para representar essa corrente. NÃO QUEREMOS MAIS UM CONSUMINDO IMPOSTOS ATRAVÉS DO FUNDO PARTIDÁRIO e não precisamos de mais partidos fisiologistas, já temos o PMDB e o P$D (Nem de direita, nem de centro e nem de esquerda), apenas um parasita oportunista pronto a vender a mãe ao diabo assim como o PMDB. Me impressiona como partidos de “oposição” se negam a assumir as demandas da parcela da população que teoricamente deveriam representar, como se uma empresa fizesse produtos de acordo com a “vontade” de seus concorrentes e não com a demanda do consumidor, completamente ilógico e absurdo. No mundo real não há como ficar neutro, alheio aos problemas, existem dois lados e neutralidade não é um deles.

Essa fatia da população quer um partido realmente de oposição, que assuma a ideologia e os ideais da direita, estado mínimo, punição aos criminosos, respeito a propriedade privada, a livre iniciativa defesa das liberdades individuais, etc.

Esse é um dos principais motivos pelo qual a direita não consegue articulação no Brasil, insistem em não se assumir como tal. E como disse outro estimado amigo, Rodrigo A. Tonet, “Enquanto a direita não sair do armário e deixar de ser enrustida a esquerda vai mandar e desmandar no Brasil”. Me lembrei de um filme antigo, “Campo dos Sonhos” e célebre frase “Construa que eles virão”.

DEMAGOGIA, HIPOCRISIA, FISIOLOGISMO, MEDO DE CONFRONTAR A REDE ESQUERDISTA POLITICAMENTE CORRETA… O NOVO JÁ NASCE VELHO NO BRASIL.

O Brasil na encruzilhada

Por Ives Gandra. Publicado originalmente no jornal O Estado de São Paulo.

A economia não é uma ciência ideológica, como quer certa corrente política, nem uma ciência matemática, como pretendem os econometristas. É evidente que a matemática é um bom instrumental auxiliar, não mais que isto, enquanto a ideologia é um excelente complicador. A economia é, fundamentalmente, uma ciência psicossocial, que evolui de acordo com os impulsos dos interesses da sociedade, cabendo ao Estado garantir o desenvolvimento e o equilíbrio social, e não conduzi-la, pois, quando o faz, atrapalha.

Por outro lado, o interesse público, em todos os tempos históricos e períodos geográficos, se confunde, principalmente, com o interesse dos detentores do poder, políticos e burocratas, que, enquistados no aparato do Estado, querem estabilidade e bons proventos, sendo o serviço à sociedade um mero efeito colateral (vide meu “Uma breve teoria do poder”, Ed. RT). Por esta razão, o tributo é o maior instrumento de domínio, sendo uma norma de rejeição social, porque todos sabem que o pagam mais para manter os privilégios dos governantes, do que para que o Estado preste serviços públicos. A carga tributária é, pois, sempre desmedida, para atender os dois objetivos.

Na super-elite nacional, representada pelos governantes, o déficit previdenciário gerado para atender menos de 1 milhão de servidores aposentados foi superior a 50 bilhões de reais, em 2011; enquanto para os cidadãos de 2ª. Categoria – o povo -, foi de pouco mais de 40 bilhões, para atender 24 milhões de brasileiros!!!

Numa arrecadação de quase 1 trilhão e quinhentos bilhões de reais (35% do PIB brasileiro), foram destinados à decantada bolsa família menos de 20 bilhões de reais! Em torno de 1% de toda a arrecadação!!! O grande eleitor do Presidente Lula e da Presidente Dilma não custou praticamente nada aos Erários da República.

O poder fascina! No Brasil, há 29 partidos políticos. Mesmo consultando os grandes filósofos políticos desde a antiguidade até o presente, não consegui encontrar 29 ideologias políticas diferentes, capazes de criar 29 sistemas políticos autênticos e diversos. Desde Sun Tzu, passando por indianos, pré-socráticos, a trindade áurea da filosofia grega (Sócrates, Platão e Aristóteles), pelos árabes Alfarabi, Avicena e Averróis e os patrísticos e autores medievais, entre eles Agostinho e São Tomas, e entrando por Hobbes, Locke, Montesquieu, Hegel até Proudhon, Marx, Hannah Arendt, Rawls, Lijphart, Schmitt e muitos outros, não encontrei 29 sistemas políticos distintos.

Ora, 29 partidos políticos exigem de qualquer governo a acomodação de aliados e tal acomodação implica criação de Ministérios e encargos burocráticos e tributários para o contribuinte. O Brasil tem muito mais Ministérios que os Estados Unidos.
Por esta razão, suporta uma carga tributária indecente e uma carga burocrática caótica para tentar sustentar um Estado, em que a Presidente Dilma não conseguiu reduzir o peso da Administração sobre o sofrido cidadão. E os detentores do poder, num festival permanente de auto-outorga de benesses, insistem em aumentar seus privilégios, como ocorre neste fim de ano, com a pretendida contratação de mais 10.000 servidores e aumentos em cascata de seus vencimentos.
Acresce-se a este quadro a ideológica postura de que os investidores no Brasil não devem ter lucro, ou devem tê-lo em níveis bem reduzidos. Resultado: México e Colômbia têm recebido investidores que viriam para o Brasil, pois tal preconceito ideológico inexiste nesses países.

A consequência é que, no governo Dilma, jamais os prognósticos deram certo. Têm seus ministros econômicos a notável especialidade de sempre errarem seus prognósticos, o que dá insegurança aos agentes econômicos e desfigura o governo. Os 4,5% de crescimento do PIB para 2011 ficaram torno de 2,5%. Os 4% prometidos para 2012 ficarão ainda pior, ou seja, pouco acima de 1%.
A política energética – em que o governo pretende seja reduzido o preço da energia pelo sacrifício das empresas, e não pela redução de sua esclerosadíssima máquina pública – poderá levar à má qualidade de serviços e desistências de algumas concessionárias de continuarem a prestar serviços. A Petrobrás, por exemplo, para combater a inflação, provocada, principalmente pela máquina pública, tem seus preços comprimidos. Nem mesmo a baixa de juros está permitindo combater a inflação, com o que terminaremos o ano com baixo PIB e inflação acima da meta.

Finalmente, a opção ideológica pelo alinhamento com governos como os da Venezuela, Bolívia, Equador e Argentina tem feito o Brasil tornar-se o alvo preferencial dos descumprimentos de acordos e tratados por parte desses países, saindo sempre na posição de perdedor.
Muitas vezes tenho sido questionado, em palestras, porque o Brasil, com a dimensão continental que tem, em vez de relacionar-se, em pé de igualdade, com as nações desenvolvidas, prefere relacionar-se com os países de menor desenvolvimento, tornando-se presa fácil de políticas estreitas, nas quais raramente leva a melhor. Tenho sugerido que perguntem à presidente Dilma.

Como a crise européia não será solucionada em 2013, como os investidores estão se desinteressando pelo País, por força desta aversão dos governantes brasileiros ao lucro, e com os investimos em consumo, beneficiando, inclusive, a importação, e não a produção e o desenvolvimento de tecnologias próprias, chegamos a uma encruzilhada. Bom seria se os Ministros da área econômica deixassem de fazer previsões sempre equivocadas e que a Presidente Dilma procurasse saber por que os outros países estão recebendo investimentos e o Brasil não. Como dizia Roberto Campos, no prefácio de meu livro “Desenvolvimento Econômico e Segurança Nacional – Teoria do limite crítico”, “a melhor forma de evitar a fatalidade é conhecer os fatos”.