A Dama de Ferro

Batizada pelos seus inimigos de Dama de Ferro, Margaret Thatcher fez juz ao apelido colocando ordem na Inglaterra, recuperando um país que estava em frangalhos. Talvez não haja melhor imagem para representar a força feminina do que Thatcher hoje em dia: foi, por três vezes, primeira-ministra da Grã-Bretanha. Feito este até hoje já mais alcançado por qualquer outra mulher. Entre revoltas de líderes sindicais, atentados do IRA e a Guerra das Malvinas, Thatcher emerge como um símbolo não só do conservadorismo  mas como uma prova cabal do poder feminino na política.

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Recentemente, sua vida virou tema de um filme que estreará este ano no cinema: The Iron Lady.

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Partidocracia

Na política dos tempos absolutistas, o despotismo era caracterizado pelo personalismo que orbitava ao redor da figura do monarca. Com a ascensão da nova política e a divisão do espectro político-ideológico entre esquerda e direita, consolidou-se uma nova forma de concentração de poderes do Estado. Não mais o poder era conquistado para uma pessoa que dizia “O Estado sou eu”, mas em uma agremiação política – o Partido – que dizia “O Estado é o Partido, e o Partido é a Sociedade”.

O termo “Partidocracia” é frequentemente utilizado por apologistas de ditaduras e regimes de partido único em geral para se referir à democracia ou qualquer outra forma de regime pluripartidário. Especialmente comunistas e fascistas se referem à democracia como “Partidocracia”. No entanto, o termo tem outro significado e pode, justamente, ser aplicado aos regimes defendidos por aqueles que atacam a democracia.

Quando um Partido ou agremiação política permanece pautando as políticas de governo de um Estado por muito tempo ou de modo muito radical, pode ocorrer que este Partido se confunda com o próprio Estado e monopolize todo o poder político. Embora isto seja muito mais comum em regimes de partido único, como nos casos de governos comunistas ou fascistas, não é raro ocorrer em regimes multipartidários. A partidocracia é o sinal de um governo autoritário e monocromático ou, no mínimo, de uma democracia deficiente.

Exemplos Históricos e Atuais

Há muitos exemplos históricos de Partidocracias resultantes de democracias bipartidárias ou pluripartidárias deficientes. A Colômbia, por exemplo, teve o seu cenário político dominado pelo Partido Liberal de 1863 a 1880, e posteriormente dominado pelo Partido Conservador de até 1930. No Uruguai, a hegemonia política – ininterrupta – coube ao Partido Colorado de 1865 a 1959. No México, o Partido Revolucionário Institucional é a maior força política do país desde 1929. De 1929 até o ano 2000, todos os presidentes eleitos no México vieram deste Partido. No Brasil, o bipartidarismo imposto pela Ditadura Militar colocou a ARENA (Aliança Renovadora Nacional) como força política hegemônica até 1979.

Os regimes de partido único são exemplos extremos da Partidocracia. Em regimes de orientação marxista-leninista, é comum que o único partido legalizado seja o Partido Comunista. É o que ocorria na União Soviética e ocorre em Cuba, China, Coréia do Norte, Laos e Vietnã. Antes do Partido Comunista Chinês assumir o comando do país em 1959, o país foi governado exclusivamente pelo Partido Nacionalista (Kuomintang) e este modelo de governo nacionalista de partido único permaneceu no Taiwan até meados da década de 1980. O mesmo fenômeno era comum em países com regimes de orientação fascista, como a Itália sob o governo do Partido Nacional Fascista, a Romênia sob o governo da Guarda de Ferro, a Hungria e seu Partido da Cruz Flechada, Portugal sob a União Nacional e a Espanha sob a Falange.

Falhas em Democracias que podem provocar a Partidocracia:

1. As alianças entre os partidos políticos, através da partilha do poder, podem infringir o sufrágio universal. Fica impossível, por exemplo, que alguém vote em um social-democrata sem favorecer um trabalhista ou conservador coligado a ele.

2. Muitas decisões importantes são tomadas pelos líderes partidários cuja imparcialidade não é garantida, o que acaba por neutralizar o poder de escolha em um ou outro candidato com base em suas propostas.

3. O aparecimento de partidos políticos fortes, através de alianças capazes de reprimir partidos novos e pequenos, constitui um risco de se seguir na direção a um pensamento único.

4. A separação dos poderes não é garantida: a direção de um partido forte pode assumir todos os poderes.

5. Um partido forte e aparentemente imbatível por meio de eleição força a polarização política, seja na forma da criação de uma grande coalizão oposicionista – tornando sistemas multipartidários de jure em sistemas bipartidários de facto – seja na forma de conflitos armados e uso do terrorismo como forma de obter poder político.

Quando partidos assumem para si todo o poder do Estado, é comum que o próprio Estado se confunda com o partido a ponto de ser representado exclusivamente por ele. Isto está, frequentemente, expresso na adoção da bandeira do partido como a bandeira nacional ou a inclusão de seus símbolos na bandeira. Da esquerda para a direita e de cima para baixo temos as bandeiras da União Soviética (comunista), da República da China (nacionalista), do III Reich (nacional-socialista), do Vietnã (socialista) e da Espanha (falangista/franquista).

Soluções possíveis para o problema:

1. Flexibilidade nas leis sobre criação de novos partidos. Facilitam o engajamento da população na política nacional por meios democráticos e pacíficos, sem necessidade de recorrer ao aparelhamento de partidos já existentes.

2. Regionalização e municipalização da política partidária. Permite a criação de partidos com atuação limitada à política estadual ou municipal, facilitando a criação de partidos mais focados, pragmáticos e reduzindo os perigos da burocratização da política partidária e das alianças predatórias que inviabilizam os projetos de partidos de pequeno porte.

3. Permissão de candidaturas independentes. Permitem que pessoas assumam cargos eletivos sem a necessidade de uma filiação partidária, o que assegura uma concorrência menos oligopolizada e evita a polarização política.

4. Lei de verticalização de alianças partidárias. Impede alianças partidárias predatórias, de modo que as alianças estabelecidas no âmbito federal devem ser estendidas aos âmbitos estadual e municipal. Incentiva a regionalização e municipalização da política partidária, aproximando candidatos e eleitores e distanciando a política local do poder central.

5. Voto facultativo. Inibe o efeito da corrupção eleitoral e da compra de votos e aumenta a liberdade de escolha dos cidadãos. Põe fim às absurdas punições impostas aos que escolheram não exercer o direito de votar.

6. Limite de mandatos para Partidos. Estende, do candidato para o partido, a proibição do exercício de muitos mandatos consecutivos. Não necessariamente o número máximo de eleições, para partidos, deve ser o mesmo que o fixado para candidatos.

Conclusão
Apesar de a democracia ser a pior forma de governo depois de todas as outras, como nos dizia Winston Churchill, as suas falhas podem ser corrigidas. O risco de um partido usar a democracia para destrui-la por dentro é real, mas pode ser reduzido ou mesmo neutralizado por reformas políticas inteligentes. Adiantar o seu processo de deterioração banindo os partidos ou impedindo a criação de novos é apenas um modo de acelerar a sua consolidação e destruir a democracia.


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O sistema eleitoral canadense comparado ao brasileiro

O vlogueiro Luiz Felipe Nobre, brasileiro que atualmente mora no Canadá, fez 2 excelentes vídeos com entrevistas e informações sobre o sistema eleitoral canadense e o comparou com o brasileiro.

Nos vídeos, há a participação de Carlos Almeida, membro do Partido Conservador da província de Alberta. Carlos participou voluntariamente do processo eleitoral que elegeu Alison Redford como premier (chefe do executivo) da província (estado) de Alberta, em 2011, e explica certos aspectos do processo eleitoral canadense, que comparado com o brasileiro, é muitos menos custoso e mais eficiente, por diversos fatores. Além do fato de que o voto não é obrigatório e não existe o horário eleitoral gratuito obrigatório, forçando que candidatos se esforcem cada vez mais para conseguir votos, e que praticamente não existe aparelhamento do Estado, já que os políticos eleitos sabem que existe uma diferença entre partido e Estado.

V de vitória: a história do maior estadista do século XX

Sir Winston Leonard Spencer-Churchill (1874-1965) descrevia a si mesmo como “uma União da Língua Inglesa”, sendo o filho do inglês Lord Randolph Churchill e da americana Jennie Jerome. Foi educado em Harrow e no Royal Military College de Sandhurst, e foi enviado para a Índia com uma comissão de cavalaria em 1895. Ganhou fama precoce como correspondente de guerra, cobrindo a revolta cubana contra a Espanha (1895), e campanhas britânicas na Fronteira Noroeste da Índia (1897), no Sudão (1898) e na África do Sul durante a Guerra dos Boeres (1899). Churchill já era o autor de cinco livros aos 26 anos de idade. Sua ousada fuga de um campo de prisioneiros Boer em 1899 fez dele um herói nacional e introduziu-o na Câmara dos Comuns, onde sua carreira se estendeu por 60 anos. Ocupou várias posições durante sua longa carreira e foi um notório servidor público. Winston Churchill entrou para o Royal Military College de Sandhurst, e se graduou com honras em dezembro de 1894. Mais tarde, viu ação em Cuba, Índia, Egito, Sudão, na linha de frente da I Guerra Mundial, e até mesmo participou de uma das últimas cargas de cavalaria britânica da história. Quando fez 25 nos, Churchill foi eleito para o Parlamento, e começou sua carreira como estadista na Câmara dos Comuns. Ele passou a servir como Primeiro Lorde do Almirantado, ministro das Munições, Chanceler do Tesouro, e primeiro-ministro. Em sua vida privada, Winston Churchill foi um ávido leitor e estudioso, pintor, escritor, jornalista e correspondente de guerra. Historiadores atribuem a Churchill a imagem de um líder e estadista eficaz dada a sua enorme capacidade de inspirar as pessoas, sua visão estratégica única, sua paixão implacável e personalidade inabalável. O maior estadista do século XX.

Churchill, aos 24 anos, no regimento de cavalaria 4th Queen’s Own Hussars

Um dos principais atributos de Winston Churchill como líder foi a sua capacidade de inspirar as pessoas, independentemente das circunstâncias desfavoráveis. A fonte dessa inspiração foi seu próprio caráter. Churchill perpetuamente demonstrou entusiasmo, determinação e otimismo, se não em todos os momentos em privado, pelo menos sempre em público. Um dos secretários particulares de Churchill disse sobre Churchill:

Os efeitos do zelo de Churchill foram sentidos imediatamente em Whitehall. Departamentos do governo que, sob Neville Chamberlaincontinuavam a trabalhar namesma velocidade dos tempos de paz acordaram para a realidade da guerra. Um senso de urgência foi criado no curso de poucos dias e respeitáveis funcionários públicos eram avistados literalmente correndo pelos corredores.

Atrasos não eram perdoados; centrais telefônicas quadruplicaram a sua eficiência, o Chiefs of Staff e o Joint Planning Staff estavam em sessão quase constante; horário normal de expediente deixou de existir e fins de semana desapareceram com eles.

Aos 26 anos.

A capacidade de Churchill para inspirar pode ser vista já nos primeiros dias da Segunda Guerra Mundial. Ele não permitia uma atitude derrotista, nem cogitava falar em condições razoáveis com Adolf Hitler. Como Sir Martin Gilbert, biógrafo oficial de Churchill, escreveu: “Foi a própria oposição de Churchill a todas as formas de derrotismo que marcou os primeiros seis meses de seu ministério na guerra e estabeleceu a natureza e o modelo de sua liderança na guerra.”

Outro exemplo do poder de inspiração de Churchill foi a sua capacidade de canalizar sua determinação para o povo britânico, e em geral reforçar a sua resolução através do encorajamento e elogios entusiasmados para com os outros. Durante os primeiros dias da guerra, disse que, “O povo britânico é como o mar. Você pode colocar o balde em qualquer lugar, e puxá-lo para cima, e sempre encontrará nele, o sal.” Churchill inspirou não só os líderes britânicos, mas também os cidadãos britânicos, pela projeção de uma atitude de otimismo e coragem inabalável. Finalmente, o otimismo robusto de Churchill é excelentemente apresentado em um discurso que ele fez na Câmara dos Comuns em 4 de junho de 1940, quando ele disse estas famosas palavras:

Iremos até o fim. Nós lutaremos na França, lutaremos nos mares e oceanos, lutaremos com crescente confiança e crescente força no ar, defenderemos nossa ilha, a qualquer custo. Lutaremos nas praias, lutaremos nos campos de aterrissagem, lutaremos nos campos e nas ruas, lutaremos nas colinas; nunca nos renderemos.

Churchill e o V da Vitória. “We shall never surrender!”

As palavras de Churchill levaram o deputado trabalhista Josiah Wedgwood a dizer que “aquilo valeu por mil armas, e os discursos de mil anos.” Churchill compreendia os perigos do derrotismo e do moral baixo como um soldado e um líder, então deu o exemplo necessário para inspirar outras pessoas ao seu redor. Winston Churchill também foi um estadista e líder eficaz porque tinha visão estratégica. Um exemplo de sua intuição aguçada é encontrado nas consequências do Acordo de Munique. Enquanto Neville Chamberlain proclamou que suas políticas de apaziguamento tinham trazido a “paz no nosso tempo,” Winston Churchill queixou-se dos termos. Ele declarou que: a) nada vital estava em jogo; b) a Tchecoslováquia “não poderia estar pior” nos termos do contrato, e c) o acordo não seria bem sucedido na preservação da paz na Europa, enquanto a ameaça da Alemanha nazista de Hitler persistisse. A Segunda Guerra Mundial iria provar que sua intuição estava certa. Apesar de seus receios, Churchill, “nunca duvidou … que a aliança ocidental seria a derrota de Hitler e, posteriormente, do Japão”, e sua visão foi novamente clara. Outro exemplo que mostra a visão estratégica de Churchill é a Rússia comunista. Churchill tinha dúvidas iniciais sobre a Rússia, além das que ele expressou em seu famoso discurso “A Cortina de Ferro”, onde falou de uma cortina de ferro sendo colocada sobre a Europa Oriental. Em 1931, Churchill declarou na frente de um grande público no Brooklyn, New York, que a grande luta do futuro seria entre as nações de língua inglesa e o comunismo. A Guerra Fria viria a provar sua profecia. Um terceiro exemplo de intuição estratégica de Churchill é mostrado durante seu período como Primeiro Lorde do Almirantado, a partir de outubro de 1911. Churchill resumiu sua abordagem ao poder naval britânico com estas palavras:

Preparação adequada para a guerra é a única garantia para a preservação da riqueza, dos recursos naturais, e do território do Estado, e só pode ser baseada em um entendimento, em primeiro lugar, sobre os perigos prováveis que possam surgir. Em segundo lugar, dos melhores métodos gerais de encontrá-los deduzindo a partir dos acontecimentos da história. E, em terceiro lugar, a aplicação mais eficiente do material de guerra da época.

Uma das fotos mais clássicas de Sir Winston Churchill, tirada em 1941.

Churchill aplicou essa política para as suas funções como Primeiro Lorde do Almirantado e começou a preparar cuidadosamente a frota da Grã-Bretanha para a guerra. Ele também estudou o progresso, a força e as manobras navais alemãs. Apenas quatro anos mais tarde, a Primeira Guerra Mundial eclodiu, e graças a sabedoria de Churchill, a Marinha Britânica estava bem preparado para a batalha.

Em resumo, Churchill possuía visão estratégica excepcional, temperada com uma dose saudável de realismo. Como um observador escreveu: “Churchill tinha grande clarividência, mas ele sabia que o futuro é mais imprevisível.” Enquanto a previsão de Winston Churchill foi um componente chave de sua liderança, houve um outro fator que levou todos os seus talentos para a frente: a sua paixão. Winston Churchill possuía uma paixão pela liberdade democrática que o levou a trabalhar arduamente para a sua preservação, permitindo-lhe ser um estadista e líder eficaz. Talvez o melhor exemplo de paixão de Churchill seja encontrado em algumas das palavras que ele usou para inspirar as pessoas e combater o derrotismo:

Estou convencido de que cada um de vocês se levantaria e me derrubaria do meu lugar se por um momento eu contemplasse a negociação ou a rendição. Se esta nossa longa história insular deve perdurar, que acabe somente quando cada um de nós esteja derrubado e afogando-se em próprio sangue no chão.

A paixão de Churchill alimentou seu desejo de maximizar a eficiência do governo e otimizar a burocracia durante a guerra. Um excelente exemplo dessa eficiência é a organização estrutural que Churchill implementou na cadeia de comando Inglês. Sir Martin Gilbert escreve que: A organização de seus tempos de guerra foi uma característica central da liderança de Churchill na guerra. Essa organização levou vários meses para aperfeiçoar, mas a partir de seus primeiros dias como primeiro-ministro e ministro da Defesa, ele trabalhou para estabelecê-lo, e criar de imediato no número 10 da Downing Street uma organização que daria a nação uma forte e eficaz liderança.

Durante a Conferência de Yalta em 1945, ao lado do presidente americano Franklin Delano Roosevelt e do ditador soviético Josef Stalin.

Esta organização era composta de diferentes conselhos, executivos, comitês e conselhos. Cada líder encarregado dos respectivos órgãos sentava-se em um conselho executivo presidido por Churchill chamado Chief of Staff Comittee. Churchill uma vez definiu o sistema como, “… a acumulação do mais alto conhecimento profissional que estava à sua disposição.”

A paixão de Churchill também produziu inovação. Por exemplo, a invenção do tanque. A fim de romper o impasse da “terra de ninguém” da Primeira Guerra Mundial, Churchill sugeriu que um modelo de trator pesado com esteiras robustas fosse produzido, a partir do qual os homens poderiam disparar metralhadoras e lançar granadas de trás de uma blindagem. Essa sugestão levou à produção dos primeiros tanques.

O serviço de Churchill como soldado também mostra a sua paixão. Durante a Primeira Guerra Mundial, Churchill atuou na linha de frente na França como major no 2 º Batalhão da Grenadier Guards. Eventualmente, Churchill tornou-se o comandante do 6 Fusiliers Royal Scots, um batalhão da nona divisão. Como um soldado, ele possuía uma coragem constante e desafiadora, dando um excelente exemplo para os seus homens. Quando ele deixou a França em 1916, um escocês sob seu comando, declarou que: “Eu acredito que cada homem na sala [em um almoço de despedida] sentiu a partida de Winston Churchill como uma verdadeira perda de pessoal.”

O último componente da notável fórmula de Churchill para o sucesso foi sua personalidade imperturbável. Juntamente com uma determinação selvagem, foi uma personalidade que era dotada de muito charme e inteligência, e que levou as pessoas a gravitar em torno dele. Churchill descreveu-se da seguinte maneira: “Somos todos vermes, mas eu acredito que eu sou um glow worm.” (glow worm é um verme que brilha, um tipo de vaga-lume).

A história mostra que ele realmente brilhava. Por exemplo, ele foi capaz de manter um equilíbrio mesmo nos momentos mais estressantes: os datilógrafos de Churchill também descobriram que, por pior que fossem seus humores em momentos terríveis da guerra, ele sempre tinha palavras de conforto para eles e um sorriso pronto – seu “sorriso beatífico”, como Marian Holmes chamou. “Não se importe comigo”, ele diria depois de uma explosão, “não é você, é a guerra.”

Pode-se dizer que a personalidade de Churchill foi o resultado de uma combinação de qualidades diferentes que produziram seu charme espirituoso. John B. Severance, um autor britânico escreve que, “Muitas pessoas têm imaginação, coragem e tenacidade. Poucas pessoas têm na quantidade ou na combinação que Churchill fez.” Churchill usou seu charme e personalidade para encorajar as pessoas a se esforçarem em seu trabalho e para se destacarem nos trabalhos que lhes fossem atribuídos. As pessoas exibiam seu afeto por Churchill, como o general Ismay lembrou em um incidente em Downing Street quando um grande grupo de pessoas esperava do lado de fora da entrada privativa do Almirantado, e lhe saudara com gritos de encorajamento e boa sorte.

O equilíbrio de Churchill também é demonstado em sua conhecida sagacidade. Uma noite, quando um Churchill cansado e vacilante deixava a Câmara dos Comuns, a membro do Parlamento do Labour – Bessie Braddock -acusou-o de estar “terrivelmente bêbado.” Ele respondeu: “Bessie, minha querida… você é terrivelmente feia. Mas amanhã eu estarei sóbrio e você continuará terrivelmente feia.”

A Segunda Guerra Mundial, no entanto, é onde a personalidade de Churchill brilha mais. Ele incansavelmente viajou para posições e instalações militares, realizando inspeções, para elevar o moral das tropas, e apoiar os comandantes. Ele também estabeleceu uma amizade pessoal com Franklin Delano Roosevelt e manteve relações fortes e os laços diplomáticos com o governo norte-americano. Por tudo isso, ele foi capaz de manter uma garantia legal de vitória e inspirar confiança em todos ao seu redor. Em conclusão, de todas as qualidades que Churchill exibia, talvez a mais interessante fosse as suas explosões inesperadas de humildade. Enquanto o poder de Churchill para inspirar, sua visão estratégica, a sua paixão de condução, e sua personalidade incontrolável eram as qualidades essenciais que fizeram dele um líder e um estadista eficaz, a percepção de que ele também era um “worm” (um verme, ainda que um glow worm) temperava seu caráter e mantinha-o focado. Sua vida estendeu-se não só pelas duas Guerras Mundiais do século XX, mas outros conflitos, reuniões diplomáticas históricas, e o início da Guerra Fria.

Winston Churchill conduziu a nação britânica em duas ocasiões distintas como primeiro-ministro, na paz e na guerra, e em duas ocasiões distintas como Primeiro Lorde do Almirantado, tanto no escritório e na linha de frente. No entanto, ele se recusou a tomar o crédito. Quando aplaudiram o fim da Alemanha nazista, ele respondeu: “Eu nunca aceitei o que muitas pessoas têm gentilmente dito, a saber, que eu inspirei a nação. Era uma nação e uma estirpe que durante todo o tempo tinha o coração de leão. Eu tive a sorte de ser chamado a dar o rugido.”

Para conhecer mais sobre a vida e a obra de Churchill, acesse: http://www.winstonchurchill.org/.