Fidel Castro saqueou Angola e torturou angolanos

Militante de esquerda, simpatizante do PC do B, o escritor angolano Nelson Pestana foi preso político em Angola. Ele conta que a tortura era feita pelo Exército cubano. Segundo ele, Fidel dilapidou o patrimônio de Angola, roubando até fábricas que eram levadas para Cuba. O exército cubano chegou a estuprar mulheres.

O artigo foi extraído do site Centro de Mídia Independente e é uma versão condensada do artigo A sangrenta tirania cubana em Angola, segundo discípulo angolano do PC do B, publicado no blog Palavra Acesa.

DEPOIMENTO DE NELSON PESTANA, ESCRITOR ANGOLANO DE ESQUERDA

O papel de Cuba em Angola, do meu ponto de vista foi um papel de potência de segundo grau e de colonização. Os cubanos representaram um mercenarismo de Estado. Da mesma maneira que houve a intervenção de outros exércitos, como o sul-africano e o zairense, por parte dos outros movimentos de libertação, Cuba interveio para apoiar o MPLA. E interveio como força expedicionária que se apropriou da riqueza nacional, inclusive porque os cubanos, a uma determinada altura, mandavam no país. Os angolanos eram marionetes nas mãos dos cubanos. O poder angolano de Agostinho Neto dependia da força expedicionária cubana. Tanto é assim que, quando houve uma cisão dentro do MPLA e há um golpe de Estado em 27 de maio de 1977, esse golpe é controlado pelos cubanos, que estão do lado de Neto. São os cubanos que reprimem a tentativa de golpe de estado dessa corrente do MPLA, que era comandada por Nito Alves e que tinha o apoio da União Soviética. Os cubanos tinham interesses próprios, como potência regional de segunda ordem, e, nesse caso, ficaram em lado oposto aos soviéticos.

A intervenção em Angola trazia um desafogo para a própria economia cubana. O internacionalismo é discurso de propaganda. Os cubanos eram pagos e bem pagos, inclusive os soldados, não era só o pessoal civil que era pago. Lembro-me que, numa determinada altura, cada soldado cubano custava mil dólares para Angola, por mês. Era uma factura muito elevada. O internacionalismo era apenas um discurso de legitimação. Essas quantias em dólares pagas aos cubanos deram um desafogo à economia de Cuba, que estava extremamente estrangulada na altura em que eles fizeram a intervenção em Angola. Daí os interesses diferentes de cubanos e soviéticos. Cuba apoiou Neto porque ele dava maior garantia aos cubanos de permanência no país. Cuba chegou a ter 60 mil pessoas em Angola, entre soldados e civis. Não eram os angolanos que diziam: “Agora, precisamos de 20 médicos”. Cuba que mandava 30 médicos. Angola tinha que os aceitar e lhes pagar os salários, além de comprar todo o material que era operado pelos cubanos. Inclusive, antes de Angola estruturar sua própria força repressiva, os cubanos é que torturavam diretamente os angolanos.

Os cubanos são idolatrados como internacionalistas, sei que na América Latina eles têm essa imagem, mas, pelo lado da população angolana, eles são vistos como força de intervenção. Eles tiveram as práticas de todas as forças de intervenção, como violação de mulheres, apropriação de fábricas completas. Os cubanos, normalmente, eram os primeiros que chegavam às cidades desertadas pelas forças sul-africanas e de outros movimentos de libertação. Então, os cubanos se apropriavam de tudo aquilo que lhes interessava. Conta-se, inclusive, uma anedota, que acho que tem a ver com a realidade, que, numa primeira viagem de Estado que Agostinho Neto fez a Cuba, ele levou vários ministros, entre eles o ministro da Justiça, que teve a surpresa de ver, em Havana, o carro que lhe tinha sido roubado em Havana. Muitos carros circulavam em Havana com a matrícula “MP”, que significava “matrícula pedida”. Eram carros roubados em Angola, levados para Cuba e, depois, matriculados com uma nova chapa cubana. Mas não foram só carros. Foram roubadas até fábricas. Eram desmontadas as fábricas, postas em barcos e levadas para Cuba, assim como clínicas e hospitais.

Os cubanos fizeram uma depredação histórica em Angola, não só porque arrancavam coisas para levar para Cuba, mas também porque quebraram monumentos, alegando que eram alusivos ao colono. E a depredação dos cubanos não foi só na retirada deles, mas assim que chegaram. Era uma depredação organizada. Por exemplo, em Cabinda, que é uma região de floresta, que tem madeiras preciosas, eles cortavam a madeira, punham nos barcos e levavam, simplesmente não pagavam impostos, não pagavam a madeira, não pagavam nada. Faziam uma exploração da madeira, por conta própria, sem qualquer autorização ou acordo entre Cuba e Angola. Os cubanos destruíram a produção de cana-de-açúcar em Angola. Os cubanos comandaram, durante muito tempo, a marinha mercante angolana, e fretavam barcos para servirem à sua própria marinha mercante. E nós pagávamos frete de barcos cubanos que serviam à sua marinha mercante.

Eles fizeram imensas coisas. Há coisas que já estão sendo mais ou menos relatadas por cubanos dissidentes. De qualquer maneira, os cubanos não saíram totalmente de Angola. Saíram as tropas. Muitos deles converteram-se em negociantes e continuam em Angola, com lojas de comércio externo, clínicas, entre outros negócios. Alguns deles são uma força de reserva do próprio regime, porque um general que vira comerciante é sempre general. Há bem pouco tempo, o presidente angolano José Eduardo dos Santos visitou Cuba para um novo incremento da colaboração militar com Cuba. Apesar dos pesares, não temos uma atitude revanchista em relação aos cubanos. Naquilo que eles forem interessantes para Angola, conversamos muito bem, pode haver colaboração com Cuba.

Deixe me dizer que conheci Cuba, em 1981, e o que mais me chocou em Cuba foi o racismo contra os negros, pior do que no Brasil, mas como é uma revolução socialista, fala-se muito de Guevara, esconde-se muito isso. A guerra em África, tanto em Angola como na Etiópia, serviu, também, um bocado à comunidade negra cubana para a sua afirmação, para a sua promoção social, porque não se viam generais negros no Exército cubano. Passou a haver numa determinada altura, porque a intervenção em África fez com que o discurso de Fidel incidisse sobre a recuperação das raízes africanas cubanas e isso motivou certa promoção da comunidade negra cubana. Há muito tempo que não vou a Cuba, mas, em 1981, quando estive lá, havia um racismo declarado em Cuba, a ponto de um branco não dançar com uma negra. E de eu me interessar por uma mulher que, nas circunstâncias, era negra e ela perguntar-me se eu efetivamente gostava dela, porque achava que um indivíduo com a minha pigmentação não poderia se interessar, de maneira nenhuma, por uma mulher de pele escura. Porque em Cuba havia essa separação, a separação das raças. Eu tinha companheiros cubanos desportistas que não dançavam num baile com brancas, porque se fossem pedir para dançar, elas não aceitavam porque eles eram negros. É um racismo que se pode encontrar mesmo nos textos do José Martí, quando ele fala no nosso “irmão mais novo”, o negro, numa atitude paternalista, que é, também, uma forma de racismo.

Costumo dizer aos meus amigos brasileiros, alguns com militância no PT, que Fidel Castro, moralmente, está uns pontos abaixo de Pinochet. Porque Pinochet era um ditador, mas, hoje, pôs a sua cadeira à disposição de um referendo. Fidel Castro, apesar de ter sido aconselhado a fazer o mesmo, até para renovar a sua legitimidade, nunca o fez e continua a manter uma ditadura das mais retrógradas. Mas eu costumo dizer aos meus amigos brasileiros que o nosso ditador é sempre mais simpático que o ditador do outro. O Pinochet era o ditador da direita e, por isso, é aquela besta que reprimiu a república, que matou Allende. Sabemos disso e tenho muito respeito por essa resistência, mas eu vi um resistente do Chile a ir buscar o Pinochet em Londres, para que ele não fosse julgado por Baltazar Garzón. E ele explicava que a democracia tinha sido negociada com esse ditador, que decidiu renunciar ao poder porque perdeu um referendo.

Não tenho simpatia nenhuma por nenhum tipo de ditador, mas, como homem de esquerda, embora de uma esquerda democrática, que não aceita nenhuma forma de coação sobre as liberdades individuais e coletivas, não posso me identificar com um ditador como Fidel Castro. Eu me identifico mais com aqueles a quem ele chama de vendilhões da pátria, que são esses movimentos da sociedade civil que apenas têm a fragilidade de seus corpos para opor ao regime brutal de Fidel Castro. E é um regime verdadeiramente brutal. Não é por acaso que alguns intelectuais de esquerda que até há pouco tempo o apoiavam cortaram relações com ele. O último caso foi o do escritor José Saramago, que escreveu aquela célebre carta aberta.

Conheci Cuba e não vi as grandes conquistas do socialismo que eles vendem. Mas, mesmo que houvesse essas grandes conquistas do socialismo, nada justifica a opressão sobre as pessoas. Não é por um prato de arroz que um ditador qualquer tem direito a impor uma ditadura como a de Fidel Castro. Por isso, acho que o PT teria muito a ganhar demarcando-se desse tipo de ditadura, a não ser que ele concorde com uma política de dois pesos e duas medidas: por um lado, o PT que fez um percurso de 20 anos de luta e chegou ao poder pela legitimidade do voto popular; por outro, o PT que apoia Fidel Castro, um dinossauro que não tem legitimidade nenhuma.

Fidel não aceita pôr o seu poder ao referendo da população cubana, porque acha que isso é invenção do ianque. Mas não é. Ele pode organizar as manifestações que quiser, com a população que quiser, para dizer que aqueles ativistas cívicos cubanos que lutam pela liberdade do país não representam ninguém. Mas Ceaucescu, na Romênia, também tinha eleições com 90 por cento de aprovação, mas, de um dia para o outro, caiu e nós depois vimos o que era efetivamente esse poder. No Iraque, Saddam ganhou as últimas eleições que fez com 100 por cento dos votos, mas hoje vemos que as manifestações no Iraque contra a potência ocupante mostram uma pluralidade de movimentos e não 100 por cento em favor do ditador que foi derrubado pela intervenção americana. Fidel não tem, com certeza, 100 por cento da população do seu lado. Mas bastava que houvesse um cubano que pensasse diferente do Fidel para que ele tivesse o direito de pensar diferente.

Voltando ao PT, eu acho que há uma corrente no partido que, efetivamente, não aceita a democracia como modelo a seguir, que se submeteu a ela, nas circunstâncias do Brasil, e que, por isso, poderá ser sempre um risco para a própria democracia brasileira. E eu, não sendo brasileiro, sendo angolano, digo isso com preocupação, porque é normalmente nesses modelos ditatoriais que os nossos ditadores se inspiram. E, por isso, o exemplo brasileiro, nesse capítulo, pode ser um mau exemplo para Angola. E, como tal, eu tenho que me bater para que a própria democracia brasileira se fortaleça e se desenvolva naquele caminho que todos nós desejamos.

Vargas Llosa diz que o socialismo do século XXI morreu com Chávez

“Com o comandante Chávez morreu o socialismo do século XXI através de uma eleição que acabamos de ver. O povo venezuelano reagiu”, observou o escritor peruano numa conferência no Rio de Janeiro, Brasil.

Vargas Llosa afirmou que o resultado das presidenciais de domingo na Venezuela, vencidas por Nicolás Maduro com uma pequena margem face ao opositor, Henrique Capriles, revela que o “populismo começou a retroceder” na América Latina.

“Estão enganados os que pensam que a América Latina está entre a democracia e o populismo autoritário”, disse durante uma conferência do Instituto Brasileiro de Mercado de Capitais sobre “A nova era de incerteza — Para compreender o século XXI”.

Vargas Llosa, fervoroso defensor da liberdade e democracia, constatou que a história recente da Venezuela é a de um “regime populista” guiado por um “caudilho messiânico” que, com petrodólares, exportou o seu modelo de socialismo a “facções” de outros países da região e o que conseguiu foi “semear a confusão na América Latina”.

“O socialismo do século XXI é uma ficção ideológica que não se diferencia do socialismo autoritário de Cuba”, defendeu.

Para Llosa, a “democracia na América Latina já não é frágil” como há décadas e na região há mais motivos para o otimismo do que para o pessimismo.

“Na América Latina nos nossos dias há um rumor de progresso, uma música que desconhecíamos até há pouco”, disse, salientando que “o caminho do verdadeiro progresso é o da liberdade, não o da intolerância”.

O escritor exortou o povo da América Latina a renunciar à utopia da sociedade perfeita, em que todos são felizes, porque “isso não existe”, alertando que essa ideologia tem trazido a região mais males do que benefícios.

“O IDH de Cuba é maior que o do Brasil”

Quando se discute com socialistas, quase sempre eles apresentam Cuba como um modelo a ser seguido. Talvez porque tenham perdido as esperanças com Coréia do Norte, Laos, Vietnã ou a China “vendida” ao capitalismo.

Para fazer de Cuba um modelo, é necessário primeiramente reduzir a qualidade de vida de um ser humano àquilo que ele pode consumir: comida, água, habitação, etc. Partindo deste ponto, temos a conclusão lógica de que se uma pessoa tem o mínimo necessário de comida, educação e saúde, então ela tem qualidade de vida. Exclua deste cálculo absolutamente toda e qualquer liberdade de expressão, de imprensa, de associação, de ir e vir, etc. A isto chamamos “liberdade da necessidade”, que é o conceito esquerdista de liberdade. Nada a ver com viver para si, busca da própria felicidade e ausência de coerção. Basicamente é assumir que, se um senhor de escravos provê comida, habitação e vestuário aos seus escravos, então estes são “livres”.

A bandeira alardeada é o IDH Cubano. Sobretudo o índice de educação, no qual o país se destaca realmente como o “melhor” da América Latina. No entanto há alguns problemas com relação ao IDH que serão abordados aqui.

Em primeiro lugar, o IDH de Cuba não pode ser calculado com precisão por um problema técnico: o governo cubano não permite que instituições independentes avaliem o país. Todos os dados são invariavelmente fornecidos pelo governo, e este não fornece dados confiáveis sobre renda, que é uma variável do cálculo. Sem a variável renda, o IDH não pode ser calculado. A alegação oficial é que, como o governo provê tudo, ou praticamente tudo, que o cidadão poderia comprar, logo o seu salário é reduzido.

Em segundo lugar, é um erro afirmar que a ilha supera em qualidade de vida seus vizinhos americanos. Muitos países ou estados americanos que se comparam à Cuba em tamanho da população tem uma qualidade de vida superior. É o caso das divisões administrativas brasileiras do Paraná, Rio Grande do Sul e Bahia e cidades como São Paulo, Rio de Janeiro, Cidade do México, Buenos Aires e Bogotá, e de países menores como o Chile e o Uruguai.

Se pegarmos a avaliação do IDH dos estados brasileiros realizada pelo UNDP em 2005, veremos que muitos estados brasileiros apresentam um IDH superior ao de Cuba no mesmo ano. O Rio de Janeiro é um deles. Podemos dizer que o Rio de Janeiro em 2005, com um IDH de 0.832 (em contraste com os 0.681 de Cuba no mesmo ano) tinha uma excelente qualidade de vida? Podemos afirmar que o Rio de Janeiro em 2005 tinha uma qualidade de vida superior à do Chile do mesmo ano, que contabilizava 0.779 no índice de desenvolvimento humano? Não tenho tanta certeza.

Acredito que o método “FarmVille” de calcular a qualidade de vida só pelos índices de educação, saúde e renda seja muito grosseiro. Qualidade de vida é ter ração todo dia, ter um galinheiro onde dormir e serviço veterinário? Acho que qualidade de vida vai muito além disso e engloba uma série de coisas que não são abordadas neste índice, como a liberdade de ir e vir, a liberdade de expressão, a liberdade de imprensa, de culto, de associação, etc.

Mas, o IDH é o que temos. Como a última avaliação dos estados brasileiros a que tive acesso foi feita em 2005, vou postar aqui uma comparação simples entre os índices de desenvolvimento humano de estados brasileiros e países sul-americanos, incluindo Cuba. Os números relacionados à população brasileira são do censo de 2010 realizado pelo IBGE. O total da população brasileira segundo este último censo é de 185.712.713. Com relação às populações de outros países latinos, as fontes são os institutos nacionais de estatística e, quando não disponíveis estas informações o Factbook da Central de Inteligência Americana.

Se fôssemos selecionar o TOP 10 do ranking de IDH, ficaria assim:

Todas as dez primeiras posições são ocupadas por estados brasileiros. São nada mais nada menos que 115,4 milhões de pessoas,todas brasileiras, o que representa mais de 62% da população brasileira. Nada de Cuba por enquanto.

Vamos adicionar mais 10 e ficar com o TOP 20:


Mais 6 estados brasileiros, totalizando 16. São agora 125,6 milhões de brasileiros contabilizados. Ou seja, 67,7% da população brasileira. Entram Argentina, Bahamas, Barbados e Chile. Se somarmos a população destes países (57,3 milhões) aos estados já contabilizados, temos 183 milhões de pessoas na América Latina. Nada de Cuba ainda.

Vejamos os próximos 10 para fechar o TOP 30:


Pausa. Mais 5 estados brasileiros entram no ranking. São 21 agora, somando uma população de 152,6 milhões de brasileiros… ou seja, 82,2% da população brasileira. Se somarmos os outros felizes latino-americanos vivendo melhor que os cubanos – algo em torno de 177,5 milhões – temos um total de cerca de 330 milhões de pessoas. É mais do que a população dos Estados Unidos.

Cuba aparece ali no 30º lugar, logo abaixo de Trinidade e Tobago. Veremos agora os que, de acordo com o índice de desenvolvimento humano da ONU, tem o infortúnio de viver “pior” do que os cubanos:

Entram ali as outras 6 divisões administrativas do Brasil. Dá um total de 33 milhões de brasileiros, 17,8% da população. Os outros povos que estão na lista somam uma população de 196,6 milhões. Com os brasileiros, são 229,6 milhões. Somados os cubanos, são 240,9 milhões.

Analisamos então 54 unidades políticas, que englobam quase todos os países da América Latina, mais o Brasil dividido em unidades federativas. São 571,1 milhões de pessoas, das quais 57,8% vivem melhor que os cubanos.

Em azul, regiões com IDH maior que o Cubano.

Resumindo:
1) O IDH cubano é mediano dentro do contexto latino-americano. Países grandes como o Brasil, ou mesmo o México, acabam passando uma visão distorcida do seu desenvolvimento por causa da disparidade entre as suas regiões: a média que resulta do cálculo pode iludir.

2) A impressão de que as 185 milhões de pessoas vivendo no Brasil tem uma qualidade de vida inferior àquela dos 11,2 milhões habitantes de Cuba é falsa: 82% da população brasileira desfruta de um IDH mais alto do que o de Cuba.
É este o modelo que propõem? Piorar a vida de 82% da população apenas para reduzir a desigualdade relativa, em vez de preocupar-se com a pobreza absoluta?

3) Mais da metade da população latino-americana vive melhor que os cubanos. O número de sul-americanos vivendo em áreas com qualidade de vida superior à cubana excede a população dos Estados Unidos: 330 milhões de pessoas.

Mas o mais importante, ainda assim, é enfatizar que educação, saúde e renda não são os definidores absolutos da qualidade de vida de um povo. Há uma série de fatores importantes que este índice não aborda: liberdade de expressão, de culto, de imprensa, de ir e vir, de fazer negócios, etc. Um homem livre tem mais qualidade de vida que o escravo bem alimentado, sem dúvidas. É o caso dos uruguaios, costarriquenhos, chilenos, jamaicanos, panamenhos, colombianos, peruanos, salvadorenhos, paraguaios, guianenses, surinameses, bahamenses, barbadenses…


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FONTES E REFERÊNCIAS:


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Socialismo à cubana

Que a ilha-cárcere da dinastia Castro é a Meca do socialismo latinoamericano, todos sabemos. Que os cidadãos cubanos tem negados seus direitos e liberdades fundamentais também, não é segredo para ninguém. O que se consegue esconder um pouco é que o “primeiro país latinoamericano a erradicar a fome” também tem uma incidência de anemia de mais de 50% entre crianças menores de 2 anos e precisa do Word Food Program para alimentar umas 140 mil pessoas.

Mas, o que poucos conhecem é o lado capitalista da menina-dos-olhos comunista. Isso mesmo, o lado capitalista de Cuba.

Quem já estudou a história de Cuba, sabe que o país tinha uma relação muito saudável com os EUA antes da Revolução de 59. A ilha era um paraíso do turismo para os americanos, e contava com linhas de ferryboats para transportar os turistas com carro e tudo para Cuba. A prosperidade da ilha era tanta que havia mais americanos morando em Cuba do que cubanos vivendo nos EUA.

Pois bem, parece que Fidelito e Raulzito são burros, mas nem tanto. Apesar do processo de autodestruição da economia cubana engendrado pelo seu “ministro” da economia (Che Guevara), apesar da ilha praticamente quebrar (o “período especial”) após a dissolução da URSS e apesar de perder mais da metade da sua capacidade de produção na indústria açucareira pelos idos de 2002-2003 e mais recentemente sofrer abalos pelas perdas de produção e consumo do seu tabaco, ela permanece um paraíso para turistas. Para turistas.

Apartheid à cubana
O sistema econômico da ilha é bastante dificil de compreender. Há um sistema nacional, para os cubanos, e um internacional, para turistas e os peixes grandes do Partido Comunista. Há redes de hotéis específicas para turistas, e hotéis onde cubanos podem se hospedar. Há redes de supermercado específicas para turistas, onde se pode comprar com cartão de crédito e pagar em dólar, e as bodegas para os cubanos onde só se compra em peso cubano e com o cartão de racionamento do governo. O mesmo acontece com os tão famosos hospitais cubanos: há uma rede internacional, que conta até com seguros de saúde da Allianz [1][2][3], e uma rede nacional que funciona como o nosso SUS.

Primeiramente vamos ter em conta alguns dados.O salário médio de um cubano é em torno dos 400 pesos. Convertido em reais é o equivalente à R$27,75. Em euros são 11,54. Esta cotação é a de 16 de abril de 2012, de acordo com o site XE.

Hoje vamos dar uma olhada no que há para turistas burgueses explorar em Cuba.

Igualdade à cubana
Vamos dar uma rápida olhada nos luxuosos hotéis cubanos da rede Meliá (ou Meliã, conforme a grafia do site). Selecionamos três hotéis.

Paradisus Princesa del Mar Resort & SPA

434 quartos: 218 suítes junior, 115 suítes junior superior, 27 suítes junior com vista para o mar, 8 suítes Deluxe, 16 suítes Deluxe Romance, 8 suítes Royal Service, 16 suítes Royal Service com vista para o mar, 8 suítes Luxury Royal Service, 16 suítes Luxury Royal Service com vista para o mar, 2 suítes presidenciais Royal Service.

Oito restaurantes continentais, a la carte, casuais e buffet, uma cafeteria e cinco bares. Sem cartão de racionamento, claro.

Também tem pacotes especiais de SPA, academia, serviço de quarto, aluguel de carros, pista de dança, piscina, quadras desportivas, e esportes náuticos.

Mínima diária: 162 euros (R$389,30)
Em pesos cubanos: 5.612,25 (1 ano e 2 meses de trabalho para um cubano)

Paradisus Varadero Resort & Spa

510 quartos: 344 suítes junior, 72 suítes junior com vista para o mar, 6 suítes familiares junior com vista para o mar, 6 suítes Deluxe com vista para o mar, 48 suítes Master Junior Royal Service, 26 suíte Master Junior Royal Service com vista para o mar, 6 suítes Master Junior Romance Royal Service, 2 Garden Villa Royal Service.

7 restaurantes (A la Carte, Buffet, churrascaria, Gourmet), 6 bares. Nada de racionamento aqui.

Atividades: SPA, pista de dança, piscina recreativa, piscina desportiva, quadras desportivas e esportes náuticos.

Mínima diária: 172 euros (R$413,44)
Em pesos cubanos: 5.958,68 (1 ano e 3 meses de trabalho para um cubano)

Meliá Las Antillas All Inclusive

O mais humilde. Tem água fresca, ar condicionado, banheiro completo, máquina de café, armários no quarto, caixa-forte, controle de temperatura, telefone, terraço, tv a cabo, coquetel de boas vindas, vinho no almoço e na janta, centro de saúde, sauna, academia, piscina, aulas de dança e espanhol, karaoke, golfe, etc.

Mínima diária (promocional): 90 euros (R$216,33)
Em pesos cubanos: 3,118.10 (8 meses de trabalho para um cubano)

Feitos os devidos cálculos, o cubano médio precisa trabalhar no mínimo 3 anos e 4 meses se quiser passar uma única semana de cinco dias num hotel desses. Um brasileiro médio, ganhando R$1200 por mês, faria o mesmo com um mês de economia. Se você acha que isso não deixa o cubano irado, não se encante: até os  sindicalistas mais vermelhos estão putos da cara com o desgoverno do Partido Comunista.

Então, se você ainda acredita que em Cuba todo mundo é pobre mas é igual, é melhor rever os seus conceitos sobre o que se faz na ilha com o suor do povo cubano.