América Latina: Projetos e Projeções

Uma maior integração entre os mercados latinoamericanos passará, necessariamente, por importantes reformas nas estruturas viárias de seus países. Para que bens transitem livre e eficientemente, são necessárias rodovias, ferrovias e hidrovias modernas e bem-conservadas, além das políticas de livre comércio.

Importantes iniciativas estão sendo tomadas neste sentido, e esperamos que elas se concretizem, e as que já estão em andamento se consolidem cada vez mais. Algumas destas importantes iniciativas são:

Aliança do Pacífico

Fundada em 2012, é um bloco comercial líder em exportações e comércio exterior de toda a América Latina visando tornar-se o maior e mais ambicioso bloco comercial da América Latina. Atualmente, o bloco representa a oitava maior economia do mundo, seus quatro países membro reunindo cerca de 40% de todo o PIB da América Latina. Segundo a Organização Mundial do Comércio, os países da Aliança do Pacífico exportaram em conjunto cerca de U$445 bilhões em 2010, quase 60% mais que o Mercosul exportou no mesmo ano.

A Aliança stá composta de quatro países latinoamericanos com costa no Oceano Pacífico: Chile, Colômbia, Peru e México. Costa Rica passará a ser o primeiro país observador a aderir à aliança como o quinto membro pleno uma vez que ratifique o Tratado de Livre Comércio com a Colômbia, assim como o Acordo Marco da Aliança do Pacífico, processo que se espera acabar em 2013. Entre os acordos para integrar a Aliança se estabelece como requisito essencial a vigência de um Estado de Direito, da democracia e da ordem constitucional.

A intenção desta aliança, segundo a Declaración de Lima é “alentar a integração regional, assim como um maior crescimento, desenvolvimento e competitividade” das economias de seus países, uma vez que se comprometeram em “avançar progressivamente ao objetivo de alcançar a livre circulação de bens, serviços, capitais e pessoas”.

Corredor Bioceânico Aconcágua

Também aproveitando o processo de globalização do Pacífico, este projeto visa conectar melhor os mercados do cone sul ao tráfego de bens por este Oceano. O meio pensado para atingir isto é a transposição da Cordilheira dos Andes através de um túnel bioceânico ligando o Atlântico Sul ao Pacífico por uma ferrovia. Atualmente, as Cordilheiras são contornadas por rotas longas e caras em termos logísticos.

Para estimar a nova demanda estudaram-se os tráficos potenciais que a nova passagem internacional pode atrair. Este projeto compreende o crescimento da demanda e a possibilidade de gerar novos tráficos. Conforme os estudos para este projeto, a demanda atingiria em 2020 os 25 milhões de toneladas de carga, e em 2040 mais de 70 milhões de toneladas, considerando que diante de maior infraestrutura logística de otimização do transporte, maior é o incremento da demanda.

Os tráficos potenciais da Argentina seriam o Chile, o Peru, o Equador, os Estados Unidos, o México, a América Central, a Oceania e o Oriente. Por outro lado, os tráficos potenciais para o Chile estariam representados pela Argentina, o Brasil, o Norte da Europa, o Mediterrâneo, a África Central e os países do Oceano Índico. Também incluíram na análise os possíveis tráficos entre o Brasil e o Oriente, pelo grande volume.

É possível chegar aos destinos antes mencionados de forma mais econômica a partir de um porto argentino que de um chileno. Portanto, qualquer tráfico com origem no Chile e cujo destino seja, por exemplo, o Brasil ou a Europa é um tráfico potencial para o CBA. Qualquer tráfico originado na Argentina e com destino ao Pacífico, como por exemplo os Estados Unidos ou os mercados do Oriente, é um potencial interessado em utilizar o Corredor Bioceânico Aconcágua.

O projeto, com estimativa de conclusão para 2020, promete os seguintes benefícios: uma conexão bioceânica comercial e estratégica confiável e de longo prazo, disponibilidade operacional o ano inteiro, crescimento de longo prazo planejado em etapas, redução de até 70% do consumo energético por tonelada de carga, transporte de caminhões e contêineres, redução do tráfico rodoviário de caminhões, menor poluição, 80% menos acidentes fatais contra cargas viárias e maior velocidade de transporte de carga (até 60% mais rápido).

Hidrovia do Mercosul

Prevista para iniciar operações em 2014, a Hidrovia do Mercosul ligando o Brasil ao Uruguai será feita através das lagoas Mirim e Dos Patos no Rio Grande do Sul. Com a dragagem do canal do Sangradouro, será possível que embarcações uruguaias tenham acesso aos portos gaúchos como os de Rio Grande e Estrela, o que também promete acelerar projetos de terminais hidroviários sendo desenvolvidos no Uruguai por empresas como a Timonsur e a Hidrovia del Este.

Ligando as lagoas Mirim e dos Patos no Estado do Rio Grande do Sul aos rios Quaraí e Uruguai, esta hidrovia pode impulsionar o comércio fluvial entre os países cortados por estes rios: Argentina, Brasil e Uruguai.

Saiba mais sobre os projetos:

Ilhas Maurício, o país mais livre da África

A República de Maurício, Maurício, ou como é mais conhecida no Brasil, Ilhas Maurício, é uma nação insular na costa sudoeste do continente africano, localizada a 870 quilômetros da Ilha de Madagascar.

Já esteve sob domínio colonial holandês, francês, e britânico, obtendo sua independência do Reino Unido em 1968. É uma república parlamentar assim como a Índia, a Turquia, a Finlândia e a Mongólia. Faz parte da Comunidade para o Desenvolvimento da África Austral (Southern African Development Community – SADC), do Mercado Comum da África Oriental e Austral (Common Market for Eastern and Southern Africa – COMESA), da União Africana (African Union – AU) e da Commonwealth of Nations.

Seu sistema legal em vigor se baseia em elementos da Lei Comum Britânica e da Lei Civil Francesa. O judiciário opera de maneira independente. É considerado um dos países onde a política é menos corrupta em toda a África. De acordo com o International Property Rights Index, índice internacional que mede a defesa da propriedade privada, o escore geral das Ilhas Maurício é de 6,2 (acima dos 4,5 que é a média geral da África), com um destaque para a defesa das propriedades privadas físicas, onde obtém o score 7 (a média do continente é 5,2).

Um fruto da liberalização
O país passou por um processo de liberalização desde a década de 70, e hoje colhe os frutos. A liberdade econômica do país, medida pelo ranking da Heritage Foundation, obteve um escore geral de 77 no ano de 2012 (um aumento de 0.8 desde a última comparação). É o país africano mais bem posicionado no ranking, e o oitavo melhor colocado do mundo – logo atrás do Chile. O país cresce a uma média de 4% ao ano.

De acordo com índice de GINI, que mede a igualdade da distribuição da riqueza num país, tem o score de 39 pontos. Outros países com índice similar são a Jordânia, Gana, Indonésia, Mauritânia e Malawi.

Educação
O índice de analfabetismo para maiores de 15 anos é de 12%. Entre jovens de 15 a 24 anos, a taxa de analfabetismo é de 3,5%. No ano de 2011, os gastos do governo em educação foram estimados em 11,709 milhões de rúpias. Ou seja, 12,5% de todo o investimento governamental e 3,1% do PIB.

As matrículas nas escolas pré-primárias atingiram 97% da população com uma taxa de 12 alunos por professor. Na educação primária, a taxa de matrícula foi de 100% com uma taxa de 27 alunos por professor. Na educação secundária, a taxa de matrícula foi de 70% e com uma taxa de 15 alunos por professor. Na educação terciária, a taxa de matrícula foi de 6,9%.

Saúde
A expectativa de vida ao nascer é de 73 anos. A mortalidade infantil até os cinco anos é de 15 (por mil), inferior à brasileira. O gasto percentual do PIB em saúde, no ano de 2009, foi de 5,7%. A subnutrição atinge somente 5% da população.

Comunicações
Mais de 22% da população tem acesso à internet, mais de 81% da população utiliza celular e cerca de 29% da população tem linhas telefônicas.

Economia
O PIB para 2010 foi de 9,46 milhões de dólares, com uma taxa de crescimento real de aproximadamente 4%. A renda per capita com paridade do poder de compra é estimada em 13,670 mil dólares para o mesmo ano. Um negócio pode ser aberto no país em 6 dias úteis.

A agricultura representa 3,6% do PIB, enquanto o setor de manufatura representa 18%, o turismo 7% e os serviços financeiros 10%. Os principais produtos de exportação são os têxtis, os vestuários, os alimentícios, os derivados de petróleo, os produtos químicos, a carne, o peixe, o arroz, a farinha, o óleo vegetal, o ferro, o aço, o cimento, fertilizantes, relógios, joalheira e instrumentos ópticos. Seus principais supridores são a Índia, a França, a África do Sul, a China, o Japão e a Austrália.

Liberdade de imprensa e democracia
Considerado um país de imprensa livre pela Freedom House e um país em situação satisfatória pelo Reporters Without Borders. Também pela Freedom House, o país é considerado uma democracia plena com um escore geral de 8.04, superando a Espanha.

Desenvolvimento Humano
Segundo o índice de desenvolvimento humano (IDH) provido pelo Programa de Desenvolvimento das Nações Unidas (United Nations Development Program, UNDP), as Ilhas Maurício tem um desenvolvimento humano superior à média da África Sub-Saariana e superior à média mundial, aproximando-se bastante dos países de alto desenvolvimento humano. O IDH das Ilhas Maurício, registrado para o ano de 2011, fica em 0.728.

A lição que se tira de Maurício
Assim como o Taiwan, Maurício é uma lição para muitos países do mundo. É mais uma prova viva de que mesmo um país pequeno, sem muitos recursos naturais e que viveu séculos sob dominação colonial ou ditaduras de partido único, pode alcançar um grande nível de desenvolvimento humano, garantindo bem-estar, qualidade de vida e liberdade para o seu povo. Para isso, basta levar a sério as medidas de democratização, investimento e liberalização necessárias ao pleno desenvolvimento de uma economia saudável, de uma educação de qualidade e de uma sistema legal justo.


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Fontes dos dados:
Direitos de Propriedade
http://www.internationalpropertyrightsindex.org/

Liberdade econômica
http://www.heritage.org/

GINI
https://www.cia.gov/

Educação, saúde e economia
http://data.worldbank.org/
http://www.gov.mu/
http://ddp-ext.worldbank.org/
http://ddp-ext.worldbank.org/
http://www.who.int/
http://www.state.gov/

Liberdade de imprensa
http://www.freedomhouse.org/country/mauritius
http://en.rsf.org/
http://en.rsf.org/

Democracia
http://www.eiu.com/

Índice de Desenvolvimento Humano
http://hdrstats.undp.org/

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