A SUPOSTA UTILIZAÇÃO DA EDUCAÇÃO FÍSICA COMO FERRAMENTA DE CONTROLE IDEOLÓGICO PELOS MILITARES (1964-1985)

RESUMO
Entre os anos de 1964 e 1985, segundo as correntes ditas “humanistas”, a educação física focava seu desenvolvimento educacional para fortalecer as ideias difundidas pelos governos militares. Nesse período, o chamado binômio “Desenvolvimento com Segurança” era associado às práticas desportivas na escola. Constatada essa perspectiva crítica, o objetivo deste artigo foi averiguar se essa crítica se justifica, levando-se em consideração alguns dos principais documentos internacionais divulgados pelos governos militares. Para isso optamos pelo método documental. A partir desses documentos, em um total de cinco, constatamos uma enorme preocupação pedagógica e nenhuma relação com o âmbito da “Segurança Nacional”. Nesse sentido, não se confirma, segundo os documentos estudados, que a educação física estava a serviço dos militares

Link do artigo:

http://arquivos.cruzeirodosuleducacional.edu.br/principal/old/revista_educacao/pdf/volume_9_2/educacao_02_2015_148-160.pdf

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BALANÇO DAS OLIMPÍADAS DO RIO: ALEGRIA, CIDADANIA, ATLETAS MILITARES

Ricardo Vélez-Rodríguez

Mestre em Filosofia (PUC/RJ). Doutor em Filosofia (UGF). Professor da Universidade Federal de Juiz de Fora. Coordenador do Centro de Pesquisas Estratégicas “Paulino Soares de Sousa”. Coordenador do Núcleo de Estudos Ibéricos e Ibero-Americanos. Professor Emérito na Escola de Comando e Estado Maior do Exército.

As Olimpíadas do Rio chegam ao fim e é hora de fazer um balanço. Queria destacar três aspectos: 1 – De um lado, a alegria das medalhas conquistadas, notadamente do ouro no futebol e no vôlei, que simbolizou o clima popular que prevaleceu na grande festa. 2 –  O contraste dessa alegria com a falta de civilidade do público brasileiro em alguns eventos. 3 – Em terceiro lugar, a contribuição dada pelas Forças Armadas nos resultados positivos do magno evento, em termos de medalhas conquistadas pelos nossos esportistas.

1 –  A alegria das medalhas conquistadas e as festas de abertura e encerramento. O espírito olímpico é, antes de tudo, de congraçamento alegre entre as Nações. Esse clima prevaleceu ao longo da grande festa, em que pese incidentes dolorosos  no terreno da segurança pública, ensejados pela crônica criminalidade. A máxima manifestação do clima de alegria pôde ser observada na animada torcida de aproximadamente um milhão de pessoas, que ocupou o Boulevard Olímpico na tarde e na noite do sábado 20 de Agosto, quando do jogo decisivo entre a Alemanha e o Brasil, que terminou conferindo à nossa seleção o almejado ouro olímpico. Essa alegria acompanhou, também, as belíssimas cerimônias de abertura e encerramento dos jogos. O Brasil deu mais uma vez, perante o mundo, prova de que é craque na produção de grandes eventos. A nossa imagem reluziu no cenário internacional das festas populares.
A alegria das grandes massas que acompanham os Jogos Olímpicos, essa foi a herança que os modernos organizadores tiraram da antiga tradição grega. Na Antiguidade clássica, suspendiam-se as guerras entre as cidades-estado, a fim de que as Olimpíadas possibilitassem uma festa em que cada grupo expunha perante os outros o valor da força, da disciplina e da habilidade corporal, num contexto em que o que valia era a competição honesta entre os esportistas, sem esperar mais reconhecimento do que a admiração dos concidadãos e a perpetuação da memória dos heróis olímpicos, simbolizada na coroa de louro com que eram agraciados os vencedores.
Nesses eventos se colocava de relevo o valor da amizade e da lealdade entre os contendores e os assistentes, numa espécie de antítese à ferocidade das guerras muito frequentes entre as várias cidades da península helênica e das suas ilhas. Os Jogos constituíam, assim,  um oásis de diálogo amistoso e de negociação entre as cidades guerreiras. O valor supremo da “paideia” ou educação para a cidadania, era o binômio “kalós kaí agathós” (beleza e coragem) que, na antiga Atenas, sedimentava o espírito de defesa da Cidade, após as reformas de Clístenes ocorridas por volta do ano 500 a.C.
Ora, os Jogos eram como uma espécie de projeção artística daquilo que havia de mais perdurável na lide desportiva: a beleza dos corpos e a habilidade nas várias provas. Os Romanos sintetizaram no trinômio famoso: “citius, “fortius”, “altius” (“mais rápido, mais forte, mais alto”) esse espírito de competição e de progressiva superação dos jovens atletas.
A tradicional hospitalidade do povo carioca e, em geral, dos brasileiros, reluziu nas festas olímpicas. O bom humor das pessoas ajudou a mitigar as deficiências administrativas nos transportes e na alimentação. A festa foi, em termos gerais, maravilhosa, contagiando os nossos visitantes que, certamente, quererão voltar. Essa é uma prova do nosso soft power que, livre de manipulações populistas, é um ativo importante neste mundo globalizado refém do terrorismo.
2 – O contraste da alegria olímpica com a falta de civilidade do público brasileiro em alguns eventos. A torcida é inerente aos grandes eventos esportivos. Pesquisas realizadas por arqueólogos americanos e gregos revelam que nos Jogos antigos da cidade de Olímpia havia torcidas organizadas. O que não significa que as vaias contra as equipes adversárias pudessem se sobrepor ao espírito olímpico.
Infelizmente as vaias sobrepuseram-se ao espírito olímpico em alguns momentos da Olimpíada do Rio. As provas de atletismo viram-se prejudicadas por manifestações dessa natureza. Os organizadores falharam ao não terem desenvolvido campanha publicitária adequada, a fim de que se preservasse a compostura para que não fossem prejudicadas provas em que é primordial o silêncio que garanta a concentração dos atletas. Essa falha insere-se, a meu ver, na mais larga carência que o Brasil hodierno sente em relação à educação para a cidadania.
Os nossos períodos democráticos são confundidos com espírito de vale-tudo, como se não fosse essencial a manutenção de condutas condizentes com os valores cidadãos. No ciclo militar, o ensino básico cuidava para que os alunos recebessem noções básicas de cidadania e da preservação de valores que dizem relação ao nosso convívio coletivo. Eram conhecidas disciplinas como “Educação Moral e Cívica”, ministradas ao longo dos níveis fundamental e secundário. Na Universidade, era ministrada a disciplina “Estudo de Problemas Brasileiros”, em que eram discutidas as grandes questões que, do ângulo comportamental, dificultavam o desenvolvimento.
Chegado o período da redemocratização, após o fim do regime militar, tudo isso foi jogado no lixo da história como “entulho autoritário”, sem que se cuidasse da educação para a cidadania num contexto democrático. A bem da verdade, as únicas instituições de ensino que passaram a desenvolver uma reflexão nesse ponto foram as Academias Militares das três Armas, que cuidaram de preparar o pessoal militar, tanto de oficiais quanto de suboficiais e praças, para a adequada atuação das Forças Armadas num contexto democrático.
Resultado: hoje elas representam uma instituição respeitável e afinada com a nossa democracia. Ao longo dos agitados anos do regime lulopetista que conseguiu pôr em xeque as instituições republicanas, em nenhum momento as nossas Forças Armadas colocaram como saída opções diferentes das consagradas na Constituição de 1988. Ora, não se pode dizer o mesmo da totalidade da nossa sociedade civil, em cujo seio  políticos, sindicalistas e militantes de várias siglas da esquerda apregoam soluções de fato, acusando os seus oponentes de um “golpe” que, paradoxalmente, forma parte do seu próprio cardápio.
3 – A contribuição dada pelas Forças Armadas nos resultados positivos do magno evento, em termos de medalhas conquistadas pelos nossos esportistas. O positivo resultado conquistado pelos nossos atletas nestas Olimpíadas foi evidentemente superior ao alcançado em certames anteriores. A razão funda-se na política adotada pelo Ministério da Defesa desde 2008, no que tange à realização, pelas Forças Armadas, de programas de treinamento de alto rendimento de jovens participantes dos quadros militares, com vistas a melhorar a performance brasileira no terreno esportivo. Inicialmente foram visadas as Olimpíadas Militares realizadas no Brasil em 2011 (quando o nosso país ficou em 1º lugar), tendo ficado em 2º, quatro anos depois.
É um programa que deve continuar, junto com o chamado de “Força no Esporte”, do qual participam 21 mil crianças, que têm acesso regular à prática supervisionada de esportes em unidades militares em todo o país. Os jovens suboficiais que venceram provas nas várias modalidades, do atletismo às provas de remo, honraram a memória das Forças Armadas às quais pertencem, adotando a posição de sentido na hora de receber as medalhas conquistadas. Bela manifestação de patriotismo nestes tempos empanados pela corrupção generalizada. Os jornais noticiaram com ressalvas esses fatos. Alguns afoitos criticaram a atitude dos nossos atletas militares. Divirjo veementemente dessa posição. Acho que foi muito positiva a atitude dos que receberam com a saudação militar as suas honrarias esportivas. Afinal, o número deles foi significativo: da Olimpíada que ora se encerra os militares constituíram 33% dos atletas brasileiros, com 81% das medalhas conquistadas. Um sucesso retumbante!

O mundo precisa saber que as Forças Armadas Brasileiras preparam a nossa juventude para a prática sadia do esporte de alto rendimento. Esta é, aliás, a ponta do iceberg. Na base, sabemos que há muita dedicação e competência na gestão acadêmica das Escolas Militares. O professor Alessandro Barreta García, em obra recente (Educação física e Regime Militar, Jundiaí: Paço Editora, 2015, apresentação de minha autoria), destacou esses aspectos.

Um pequeno exemplo: as únicas instituições de ensino que fazem avaliação de docentes no Brasil, de forma sistemática e seriamente planejada,  são as pertencentes às Forças Armadas, tanto nos níveis de ensino médio (Colégios Militares) quanto na graduação e na pós-graduação. Sou, com muita  honra, professor emérito da ECEME e posso dar este testemunho a partir da própria experiência. Colaboro com o Exército desde 1983 na preparação de oficiais em nível de pós-graduação, tanto nessa instituição quanto no Centro de Estudos de Pessoal, no Rio de Janeiro. Também colaboro com o Clube da Aeronáutica, no Rio, nos cursos de Pensamento Brasileiro organizados ali em nível de pós-graduação. Nas minhas atividades docentes nas Escolas Militares sempre fui avaliado de forma séria e regular, coisa que não tenho experimentado nas Universidades públicas nas quais trabalhei desde a minha chegada ao Brasil em 1979. Nestas, as políticas de avaliação acomodaram-se aos interesses do sindicalismo petista que deformou totalmente o caráter de seriedade acadêmica que deveria presidir esse tipo de análise do desempenho docente.

Poucas são as Universidades que no Brasil têm programas continuados de educação física e de prática esportiva abertos à comunidade. A Universidade Gama Filho foi exemplo que se destacou nesse campo. Infelizmente, foi clausurada pelo MEC, numa decisão atabalhoada e pouco transparente, sob a regência do ex-ministro Aloísio Mercadante.

Fonte: http://pensadordelamancha.blogspot.com.br/2016/08/balanco-das-olimpiadas-do-rio-alegria.html

Por um Conservadorismo na Educação Física: As Virtudes do Esporte na Escola (Org) Alessandro Barreta Garcia

As Virtudes do Esporte na Escola

 

Apresentação

 

A finalidade deste livro, desde o início, foi oferecer propostas que não deixassem de lado as tradições da Educação Física. Desde a década de 1980, a Educação Física escolar tem sido alvo de duras críticas feitas por acadêmicos de posicionamento político progressista/marxista. Ao estudarmos a história da disciplina, verificamos que, até o fim dos anos 1970, especialmente durante o regime militar, predominaram modelos de ensino pautados em conhecimentos das áreas biológicas, cujo escopo era o desenvolvimento físico e a aquisição da técnica, mas não só biológicos como se evidencia a literatura sobre o período do Regime Militar, por exemplo, Negrine (1979a, 1979b) e Garcia (2015).

Bracht (1986), com base em Parlerbas, entende que as condições do esporte organizado ou de rendimento são simultaneamente as mesmas condições de uma sociedade de estruturação autoritária. O ensino enfatiza o respeito às regras incondicionais e irrefletidas, dá a estas, um caráter estático e inquestionável, o que não leva à reflexão e ao questionamento, e sim ao acomodamento. Todo o esporte sob a perspectiva competitiva cogita a ideia de um mundo capitalista. Entende-se, portanto, que o esporte competitivo é um mecanismo alienante.

Para Bracht (1986), a socialização deste ideal reproduz desigualdade social. No esporte escolar, ensina-se que as pessoas através das regras e normas impostas pelos dominantes, seguem as regras da burguesia. Em síntese, é uma educação que induz ao acomodamento, deixando de lado o questionamento e privilegiando o respeito às regras sem discutir se esta é certa ou errada. A discussão é extinta, pois o propósito é “vencer na vida a qualquer custo”. O autor apresenta sinais de que havia durante o regime militar uma educação física com características retóricas, onde o diálogo não era evidente. Para este autor, o ideal é que a pedagogia militar não comprometesse os interesses burgueses, onde o professor de educação física não podia dialogar com seus alunos. O que se entende até aqui, é que o autor Valter Bracht é contra os métodos ditos burgueses, e acredita que o melhor para sociedade seria o método baseado na ideologia marxista.

Estas críticas não se sustentam perante os fatos, Garcia (2015) é enfático em sua refutação:

 

Nos estudos apresentados, não foi possível verificar qualquer relação com as categorias utilizadas pelos estudos marxistas. Isto de forma pejorativa como estes autores as reconhecem. Todavia, o que se observa nos estudos da época é um total equilíbrio em benefício de uma educação física que prezasse a ética e a moral desportiva. Para isto, os aspectos biológicos e fisiológicos, bem como os aspectos relacionados ao rendimento, à eficiência e à eficácia da técnica e da competição eram essenciais para a educação física. Já os aspectos acríticos, mecânicos e alienantes não foram encontrados na literatura estudada. (Garcia, 2015, p. 55)

 

De tal modo, observamos que as críticas ao esporte não retrocedem, e apenas intensificam-se sem proporcionar algo melhor do que as ideias anteriores. É a crítica pela crítica. A Educação Física brasileira vem sendo seduzida e reduzida à pura individualização, como se o corpo dentro da sociedade pudesse por meio de uma autonomia absoluta criar milhares de satisfações aleatórias. Até pode, no entanto, qual será o resultado? Os piores possíveis. Decorrente do pensamento subdesenvolvido das correntes progressistas e marxistas, a Educação Física perde a cada dia o que possui de melhor, sua tradição, ética, e sua valorosa técnica, com isto, perde sua identidade, valores e se resume a pura vontade do indivíduo egoísta e degradante.

É com isto em mente que este livro se apresenta como uma opção valiosa para a Educação Física. Abrindo este livro, o primeiro texto, escrito por mim, trata de uma concepção histórica a respeito da técnica e sem dúvida de uma refutação implacável aos críticos desta. O segundo texto trata da Educação Física e do judô, sob uma perspectiva desenvolvimentista, apresenta soluções práticas para o cotidiano escolar e do professor. O terceiro texto discorre sobre o rugby nas aulas de Educação Física, valorizando as regras, fundamentos e as técnicas deste esporte. No último texto, o quarto artigo, sobre o atletismo, levanta-se as mazelas da estrutura material para as aulas de atletismo, porém, identificando-se positivamente o uso das técnicas de atletismo nas aulas de Educação Física, fato raro nas aulas de hoje.

 

Referências

 

BRACHT, V. A criança que pratica esporte respeita as regras do jogo… Capitalista. Revista Brasileira de Ciências do Esporte, v. 7, n. 2, p. 62- 68, 1986.

GARCIA, A. B. Educação física e regime militar: Uma guerra contra o marxismo cultural. Jundiaí, Paco Editorial: 2015.

NEGRINE, A. A progressão pedagógica e o resultado da aprendizagem no ensino dos desportos. Revista Brasileira de Educação Física e Desportos, Brasília, n. 43, p. 42-47, 1979a.

______. A finalidade da educação física nos primeiros anos escolares e a atuação do professor especializado em educação física. Revista Brasileira de Educação Física e Desportos, n. 42, 69-72, 1979b.

 

Alessandro Barreta Garcia

10/02/2016

SOBRE OS AUTORES

 

ALESSANDRO BARRETA GARCIA (Org)

Mestre em Educação pela Universidade Nove de Julho. Licenciado e Bacharel em Educação Física pela Universidade Nove de Julho. Autor dos livros: Educação Grega e Jogos Olímpicos: Período Clássico, Helenístico e Romano, Aristóteles nos Manuais de História da Educação e Educação Física e Regime Militar: Uma Guerra Contra o Marxismo Cultural. Professor de Ensino Superior pela Universidade Nove de Julho.

FÁBIO RODRIGO FERREIRA GOMES

Faixa preta 2º grau de Judô graduado pela Federação Paulista de Judô; Licenciatura Plena em Educação Física pela Universidade do Grande ABC; Mestrado em Educação Física (biodinâmica do movimento) pela escola de Educação Física e Esporte da Universidade de São Paulo (USP); Doutorando em Educação Física (biodinâmica do movimento) pela escola de Educação Física e Esporte da Universidade de São Paulo; Professor de Ensino Superior pela Universidade Nove de Julho.

FERNANDO GARBELOTO DOS SANTOS

 

Faixa preta de Judô graduado pela Federação Paulista de Judô e ex-atleta da Sociedade Esportiva Palmeiras e do Clube Atlético Paulistano; Mestrado em Educação Física (biodinâmica do movimento) pela escola de Educação Física e Esporte da Universidade de São Paulo (USP); Pós Graduação: Especialização em Treinamento Desportivo – Universidade Gama Filho, conclusão Jul/2010.

 

ANTONIO CARLOS GONÇALVES JUNIOR

Licenciado e Bacharel em Educação Física Anhanguera, Bauru/SP.

 

EVANDRO ANTONIO CORRÊA

Mestre e Doutorando em Ciências da Motricidade Humana Unesp Rio Claro/SP. Professor na Faculdade Educação Física Barra Bonita/SP (FAEFI) e na UNIARARAS (Fundação Hermínio Ometto).

 

ALLANTHÊVSON DE SÁ SAMPAIO

Graduado em Licenciatura Plena em Educação Física pela Universidade do Estado da Bahia, UNEB, Campus IV. É membro do Grupo de Estudo, Pesquisa e Extensão em Educação Física, Esporte e Lazer (GEFEL).

 

OSNI OLIVEIRA NOBERTO DA SILVA

Mestre em Educação pela Universidade Federal da Bahia (UFBA). Professor do Departamento de Ciências Humanas – Campus IV da Universidade do Estado da Bahia. Líder do Grupo de Estudos, Pesquisa e Extensão em Educação Especial e Educação Física Adaptada (GEPEFA) e membro do Grupo de Estudo, Pesquisa e Extensão em Educação Física, Esporte e Lazer (GEFEL).

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EDUCAÇÃO FÍSICA E REGIME MILITAR: UMA GUERRA CONTRA O MARXISMO CULTURAL

O livro “EDUCAÇÃO FÍSICA E REGIME MILITAR: UMA GUERRA CONTRA O MARXISMO CULTURAL” é um resgate teórico a respeito das aulas de educação física durante os anos de 1964-1985. Trata de desmistificar o período mencionado, libertando-o das trevas e o do obscurantismo que lhe impuseram como retórica raivosa e histérica da esquerda brasileira. Apresenta por um lado, um período contextualizado pelo desejo da população e por outro a obrigação das Forças Armadas brasileiras de atender os anseios e desejos da maioria civil.

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O livro trata também, de explicar como a contra-revolução foi necessária, e como a educação física se estabeleceu nessa época a partir de uma concepção racional. Para isso, o livro se contrapõe aos escritos “críticos” da educação física a partir dos anos de 1985, sobretudo aqueles enraizados no marxismo clássico e cultural. Apresenta as categorias utilizadas pelo marxismo de forma contrária ao esporte e não encontra justificativa para a sua existência. Apresenta o sistema educacional do regime militar como conservador e diretamente ligado ao sistema educacional do filósofo Aristóteles. Em síntese, desqualifica as críticas contrárias ao desenvolvimento esportivo nas aulas de educação física, bem como, apresenta o período como um estado virtuoso, técnico e competitivo. Autor: Alessandro Barreta Garcia

O livro já está disponível:

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Alessandro Barreta Garcia é mestre em Educação pela Universidade Nove de Julho. Possui Licenciatura e Bacharelado em Educação Física pela Universidade Nove de Julho. É autor dos livros: Educação grega e jogos olímpicos e Aristóteles nos manuais de história da educação. Suas pesquisas relacionam conhecimentos da Antropologia, História do Brasil, História da Educação, Filosofia e História da Educação Física.

A escola de Frankfurt. Ou: cuidado, o comunismo bate em sua porta.

O marxismo cultural nasce com a escola de Frankfurt, pela qual funcionou como um Instituto de Pesquisa Social (REALE e ANTISERI, 2005b).  Para Carvalho (2002), sua fundação teve ajuda direta de Felix Weil e seu primeiro colaborador e diretor foi Karl Grunberg.  Carvalho (2002) aponta que Félix: “… achava muito lógico usar o dinheiro que seu pai acumulara no comércio de cereais como um instrumento para destruir, junto com sua própria fortuna doméstica, a de todos os demais burgueses”. Carvalho (2002) quer dizer que grande parte dos chamados revolucionários são burgueses brincando com o dinheiro do papai.

Paim (2005) explica que Weil estava a serviço dos soviéticos desde o início, pois:

Mantém relações com os chamados “revisionistas” da social democracia, corteja a liderança comunista, paga generosamente as contas de pessoas influentes nesses diversos grupos (financiou a primeira edição de História e consciência de classe, de Lukacs), mas pretende talvez perpetuar a sua memória com a criação do que viria a ser denominado de Instituto de Pesquisa Social. Concebeu-o segundo o modelo das fundações norte-americanas, dotando-o de um fundo milionário que lhe permitiria viver de rendimentos. Esses eram tão abundantes que, tendo o Instituto que emigrar para os Estados Unidos, devido á ascensão do nazismo, recusou integrar-se à Universidade de Columbia. Muito provavelmente, isto limitaria a sua liberdade de atuar como linha auxiliar da política externa soviética, o que vinha fazendo de forma muito criativa e inteligente (PAIM, 2005, p. 318).

Segundo Rodriguez (2006), os recursos para a escola de Frankfurt surgiram de um elaborado sistema de envio de dinheiro, principalmente de judeus argentinos exportadores de trigo. Paim (2005) aponta que o primeiro diretor do instituto foi Carl Grunberg (1861/1938), isto, até 1927. Adiante teria como diretor em 1931, Max Horkheimer que desenvolveu uma profunda idealização da denominada teoria crítica da sociedade.

Seria o responsável pela transferência do Instituto aos Estados Unidos, após a ascensão do nazismo e durante a guerra. Regressou a Frankfurt em 1950, onde cuidou da sua reconstituição. Faleceu em 1973 (PAIM, 2005, p. 320).

Os pesquisadores da teoria crítica pautavam-se em estudos que deveriam partir da ideia de totalidade e dialética, tendo como alvo a autoridade religiosa, familiar e escolar. Para estes críticos, o sistema opressor precisa ser combatido e uma sociedade sem exploração precisa ser esperada. É notável como a escola de Frankfurt se empenhou na destruição das bases do capitalismo, fora do campo prático, ou seja, após se neutralizar a revolução urbana (o terrorismo revolucionário), a teoria crítica passa a ser a nova salvação.

Paim (2005) destaca que com Herbert Marcuse o niilismo de Nietzsche proporciona a corrente crítica um caráter destruidor. Com seu niilismo pretendia-se a erotização da sociedade.

Nesse sentido:

Encontra em Freud a indicação de que existiria no homem um instinto voltado à felicidade e à liberdade, com base no que poderia ser alcançado o que chama de “desalienação da libido e do trabalho”, cuja expressão maior seria a liberdade sexual (PAIM, 2005, p. 324).

Marcuse enxerga os hippies e beatniks como a nova classe revolucionaria, na qual substituía o trabalho por sexo. E toda a base conservadora, pela qual, segundo Marcuse, reprime o homem, deveria ser eliminada. Como resultados práticos observam-se os objetivos de maio de 1968 na França (PAIM, 2005). Esses movimentos, unidos ao campo político e sindical chegam a realidades devastadoras, tanto na França como no Brasil.

Com a escola de Frankfurt segundo Reale e Antiseri (2005), é possível observar sua configuração original em meio aos sistemas totalitários na Rússia, Alemanha e Itália. Nessa configuração nascem às teorias críticas, e também as suas contradições. Os mais conhecidos da escola de Frankfurt, são Horkheimer, Adorno, Marcuse, Fromm, Beijamin, Lowenthal e Neumann.

Com Hitler no poder todo esse grupo teve que ir para os Estados Unidos da América, em Nova York (REALE e ANTISERI, 2005). Conforme Carvalho (2002): “Expulsos da Alemanha pela concorrência desleal do nazismo, os frankfurtianos encontraram nos EUA a atmosfera de liberdade ideal para a destruição da sociedade que os acolhera”. Adorno fica conhecido por sua dialética negativa, que nega, realidade e pensamento, nega, portanto a possibilidade da razão captar a totalidade real. Nega-se o metafísico e combate-se o universal. Nesse caso existe uma individualização contrária ao universal e favorável ao singular. Existe deste modo um retorno ao plano da natureza, do individuo isolado, de um átomo solto como no período helenístico.

Para Horkheimer, a razão é nociva porque foi constituída para controlar. Reale e Antiseri (2005b) explicam que para Horkheimer, o sistema racional não permite autonomia, por isso se permanece fechado na lógica instrumental criada pela própria vontade de ser livre e de querer controlar a natureza. É como se a razão girasse contra você. Como o antigo epicurismo, para Horkheimer é preciso afastar-se da dor.

Marcuse para Reale e Antiseri (2005) levanta o tema freudiano da repressão permanente. A guerra para Marcuse não é econômica, ela deve ser cultural, dever ser uma guerra de ideias. Em Fromm, recusar o sistema é recusar as normas, ele proclama deste modo uma total desobediência. A sociedade se desenvolveu segundo Fromm, com base na desobediência, o que é evidentemente uma loucura. A desordem romana e seu fim em 476 d/C explica muito bem, pois, a Igreja durante a Idade Média prova exatamente o contrário. Esta mesma Igreja re-civilizou o ocidente.

Outros representantes da escola de Frankfurt são: Walter Benjamin e Habermas. Em geral, estes representantes da escola de Frankfurt ficaram conhecidos pela denominação de teóricos críticos, tendo como objetivo a destruição das tradições universais, tais como as tradições religiosas e familiares, sobretudo as tradições judaico-cristãs.

No campo educacional e cultural brasileiro, como bem aponta Paola (2008), os alicerces já começavam a ser abalados quando os teóricos percebiam na disciplina de educação moral e cívica, certa mina de ouro. Cientes da possibilidade do uso de tais conhecimentos se infiltraram em disciplinas de psicologia, história, ciências sociais entre outras. Tudo como descreve Paola (2008) para formar idiotas úteis ao partido. Cuidado, o comunismo cultural bate em sua porta, ensina seus filhos e destrói sua família.

REFERÊNCIAS

CARVALHO, O. Do marxismo cultural. O Globo, 8 de junho de 2002. Acesso em: 20/04/2012. http://www.olavodecarvalho.org/semana/06082002globo.htm

CARVALHO, O. Período Helenístico I. Coleção história essencial da filosofia. São Paulo: É Realizações, 2006a.

CARVALHO, O. O imbecil coletivo: atualidades inculturais brasileiras. São Paulo: É Realizações, 2006b.

PAIM, Antônio. Avaliação do marxismo e descendência. Lisboa, 2005.http://www.institutodehumanidades.com.br/arquivos/avaliacao_do_marxismo%20_1_.pdf

PAOLA, H, de. O eixo do mal latino-americano e a nova ordem mundial. São Paulo: É Realizações, 2008.

REALE, G, ANTISERE, D. História da filosofia, 6 De Nietzsche à escola de Frankfurt. São Paulo: Paulus, 2005.

RODRÍGUEZ, R. V, E , DE SOUSA, P. S.  O marxismo gramsciano: pano de fundo ideológico da reforma educacional petista. Revista Interdisciplinar de Estudos Ibéricos e Ibero-Americanos. Ano I, Nº 1, Juiz de Fora, set.-nov./2006.

Publicado originalmente em: http://aliancacidada.wordpress.com/2013/06/13/a-escola-de-frankfurt-ou-cuidado-o-comunismo-bate-em-sua-porta/


[1] Aula do Padre Paulo Ricardo sobre o marxismo cultural.

http://www.youtube.com/watch?v=FJi7CugwzVw&list=PL0493DA0FBE27560D

Marxismo cultural na prática

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Não é de hoje que venho escrevendo artigos a respeito do marxismo cultural que acontece nos meios de ensino. No meu primeiro artigo “A esquerda e seu modus operandi” explico as técnicas utilizadas pelos esquerdopatas para propagar seu discurso nos meios acadêmicos, na televisão, na igreja e em vários setores da sociedade. No dia 26 de setembro deste corrente ano chegou até a mim uma carta manifesto de um estudante indignado pela doutrinação forçada que os alunos de sua universidade, a Univali, vinham sofrendo por parte de alguns professores.

Esta semana, nas minhas leituras diárias, me deparo com uma notícia de título: Universidade do governo terá aulas de marxismo para politizar trabalhadores.

Segundo a matéria da Veja, os trabalhadores terão aulas de marxismo em uma universidade criada pelo governo, pois o ministro do trabalho afirma serem despolitizados e ele os considera como “peça fundamental na discussão política”.

Que os trabalhadores são peças importantes na política, isso não se discute. Porém o que o governo pretende não é politizar, pois se fosse isso seriam ministradas aulas não só de marxismo e sim de várias correntes ideológicas, para que assim o trabalhador pudesse formar sua própria opinião. Fica claro com essa medida que a intenção é de formar uma gigantesca massa de manobra.  Eles pretendem implantar de forma mais forte o esquerdismo no nosso país. Começaram devagar, despercebidamente, mas agora não se dão ao trabalho de disfarçar.

O primeiro convênio para criação da Universidade do Trabalhador foi firmado com a UFSC que como se sabe tem um amplo número de esquerdistas que inclusive tentaram levar Cesare Battisti com verbas federais para ministrar uma palestra na instituição. A universidade receberá uma verba do governo Federal de 2,5 milhões de reais em dois anos para implantação do tal projeto. O próximo passo será fechar convênio com a UNB.

A pergunta que não quer calar: os Universitários Catarineses deixarão isso acontecer sem se manifestarem contra? Espero que não. Espero inclusive que  o mesmo grupo que organizou a bem sucedida manifestação que intimidou a presença do terrorista Cesari Battisti de palestrar com verbas públicas na UFSC se organize e faça alguma coisa contra essa ação absurda do governo federal.

Leia também: Não deixe que um professor comunista adote o seu filho

As fantasias do dia do professor: NÃO BASTA EU ME AMAR!

Itamar Flávio da Silveira*

Como nunca fiz mesmo questão de ser simpático… lá vou eu mais uma vez provocar meus coleguinhas! Na maioria dos casos as pessoas foram levadas a profissão de professor por uma série de circunstâncias que nem elas mesmas sabem dizer ao certo. Mas, hoje elas estão na profissão e é isto o que importa. Para muitos parece que ser professor é fruto de puro masoquismo, pois vivem reclamando da má sorte, e muitas vezes fazem isto com razão. Afinal, ser professor em escolas despida de disciplina e hierarquia é uma tarefa para pessoas desesperadas. Nos casos mais extremos dá a impressão de que alguns colegas são escravos de um deus impiedoso que os condenou a sofrer o resto da vida.

A profissão de professor em si, como outra qualquer, pode ser usada para o bem ou para o mal. Na atual situação da educação brasileira, tomada pelas ideias totalitárias do marxismo cultural, com professores formados para combater a sociedade das liberdades individuais, com educadores instruídos por uma literatura revolucionária, não temos muito motivos para glorificar os profissionais do ensino. As homenagens para uma profissão se deve aos resultados que esta produz aos demais membros da sociedade. Será que os professores estão efetivamente melhorando a vida da nação brasileira com o trabalho que desempenham?

Todos nós ficamos emocionados quando assistimos pela televisão as atitudes heroicas de profissionais que ariscam sua própria vida para salvar a vida de outros. É realmente louvável quando pessoas diligentemente instruem uma mãe em pânico a desengasgar seu filho! É admirável quando entre escombro em chamas visualizamos a figura de um bombeiro carregando nos braços o corpo de alguém que insiste em viver! E nós professores? Estamos resgatando vidas com nosso trabalho ou estamos apenas cumprindo o contrato de trabalho esperando o mês terminar? Estamos levando conhecimento ou apenas inflamando nossos alunos para destruir a sociedade que lhe sustenta? Não tenho dúvida que na maioria das vezes os professores mal formados atuam apenas na multiplicação da desinformação (informando errado). Os professores, em sua maioria, cultivam os princípios decrépitos do marxismo cultural; admiram facínoras como Che Guevara, Fidel Castro, Lênin e Stálin; se fundamentam em teóricos mentirosos como Rousseau, Marx, Engels, Gramsci, Lukács e Marcuse; sonham com regimes totalitários como o socialismo cubano, soviético e norte coreano.

Como diz o provérbio “O tenor merece os aplausos pelo que canta e não pelo fato de limpar a garganta”. Não basta ter uma vida sofrida, o professor precisa efetivamente cumprir seu papel de informar e formar seus alunos. Mas, para tanto, é preciso conhecer efetivamente o que se ensina, é preciso honestidade, é preciso sinceridade. Não é qualquer conteúdo que melhora a sociedade, não é qualquer professor que contribui para o desenvolvimento do país. Os professores hoje, em sua maioria, cumprem muito bem o papel do Partido e efetivamente contribuem para um Brasil pior! Sei que as pessoas gostariam que eu estivesse aqui a amaldiçoar o patrão e extremar o sofrimento da categoria, mas acho que isto não contribui para efetiva melhoria do país. Fui para profissão livremente e adoro o que faço. Está aí… falei!

*Professor do Departamento de História da Universidade Estadual de Maringá.