É uma briga útil e real?

No último domingo (27 de maio), o jornal Folha de São Paulo publicou uma notícia dizendo que Dilma irá enfrentar as montadoras de veículos, numa luta contra altos lucros em cima dos preços dos carros. Comentarei logo em seguida.

Após a batalha da presidente Dilma Rousseff contra os juros dos bancos, o governo abrirá em breve outro front: quer que as montadoras de veículos no país abram as contas e margens de lucro, informa reportagem de Natuza Nery e Eduardo Sodré, publicada na Folha desde domingo.

O Executivo avalia que dá incentivos a um setor sem conhecer a real situação financeira das fabricantes.

Por isso, deseja “sair do escuro” e, eventualmente, cobrar reduções mais agressivas de preços, sobretudo, quando houver incentivos federais, como os anunciados na segunda.

Por lei, companhias de capital fechado, a maioria do setor, não são obrigadas a divulgar seus balancetes.

Procurada, a Anfavea (Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automores) não quis se pronunciar.

Trabalhando na hipótese de que Dilma realmente está com boas intenções para o consumidor brasileiro, essas medidas adotadas são completamente paliativas e não resolvem nada de fato.

A questão levantada pela presidente sobre problemas de preços e lucros, de fato, é real. No Brasil, muitas pessoas já perceberam que os preços dos carros são extremamente altos, principalmente ao comparar com outros países. A questão acaba sendo o porquê da situação e, principalmente, as soluções para esse problema.

Isso leva a um primeiro ponto: o motivo do alto preço dos carros no Brasil. As pessoas acabam dizendo que é por causa de altos impostos, de altos lucros, etc. De certa forma, tudo isso existe, mas é preciso ter cautela para realizar uma análise.

A questão dos impostos: No Brasil, temos uma alta carga tributária, o que já é de conhecimento geral. Os números do impostômetro são um exemplo que a própria mídia divulga bastante. O povo brasileiro paga diversos impostos diferentes ao comprar um carro, mas também irá pagar mais impostos para mantê-lo, como é o caso do IPVA, que nem existe em alguns países.

Existe ICMS e IPI, com diversas alíquotas, por exemplo. Porém, as empresas também pagam outros impostos que existirão sobre folha de pagamento, sobre conta de água, de luz, de telefone, sobre receita, sobre lucro, sobre bens de capital e sobre diversas outras coisas. Tudo isso será repassado para o preço final, até porque se não fosse, muitas empresas iriam simplesmente falir, pois os impostos trariam grandes prejuízos.

O problema de se comparar a carga tributária que incide sobre o preço final de um carro brasileiro com o de outros países é que existem dezenas de impostos que influenciam indiretamente o preço, e por isso podem ficar de fora de comparativos. Não são apenas os impostos sobre o veículo em si, mas toda a estrutura de produção. Os pneus que serão utilizados no veículo tiveram seus respectivos impostos repassados para a montadora, que irá repassar para o consumidor final.

Porém, existe algo em relação aos impostos ainda mais sutil, que é o protecionismo. O governo brasileiro aumentou, ano passado, ainda mais 30% de IPI para carros importados que não tivessem determinada quantia de peças nacionais em sua estrutura. Por que as empresas não utilizavam peças nacionais em seus veículos? Pode ser por alto preço, pode ser por baixa qualidade, ou pode ser uma mistura de ambos. Se fossem mais atrativas, as empresas utilizariam sem o governo dar um pitaco sequer.

Na prática, o que essas medidas são é mais protecionismo, e o que o protecionismo defende não é indústria, emprego e qualidade, e sim ineficiência e abusos, pois essas medidas blindam as montadoras da concorrência mundial, o que nos leva à outra questão: os lucros das montadoras.

Num curto período nos anos 90, para ajudar a conter a inflação de preços, o governo decidiu baixar impostos de importação. Nessa época, finalmente o preço de bons carros se tornou acessível, o que nos dias de hoje é algo distante. Porém, após o perigo de hiperinflação de preços se afastar, os impostos voltaram a patamares altos e o Brasil voltou a ver altos preços para carros.

Quem define quanto uma empresa pode lucrar num sistema capitalista (mesmo um distorcido pelo governo como o brasileiro) são os consumidores. O lucro que vier da venda de veículos saiu (voluntariamente) do bolso do consumidor. Para o consumidor, foi mais vantajoso comprar um carro do que uma moto, uma bicicleta, do que andar de a pé, de ônibus ou metrô.

Se o carro 1.0 custa R$ 10.000 e o consumidor compra, a empresa pode tentar vendê-lo por, digamos, R$ 15.000. Continuadas as compras, a empresa tenta a venda por R$ 20.000. Novamente, continuadas as compras, a empresa pode tentar R$ 25.000. Se o consumidor continuar pagando, a empresa manterá o preço e poderá tentar aumentá-lo novamente. Para o consumidor, ainda é mais vantajoso pagar R$ 25.000 em um carro 1.0 do que manter esse dinheiro no bolso ou gastar com outros meios de locomoção.

Supondo a entrada de novos concorrentes (pois agora esse setor está dando mais lucros e consequentemente atraindo mais “empresários gananciosos”) um carro parecido pode sair por R$ 20.000, pois os concorrentes irão abocanhar o mercado praticando preços mais baixos, já que o consumidor não quer pagar caro em algo que não tem qualidade. Com essa disputa, no longo prazo, o preço do carro tenderá a voltar a um patamar pequeno com uma qualidade superior.

O que está desequilibrando essa relação é o governo brasileiro, que blinda as atuais montadoras. Ao aumentar os impostos de importação, o governo possibilita uma margem maior de lucro – que não existiria sem esse protecionismo – e o consumidor, sem a concorrência, acaba tendo que pagar mais caro, tanto para os nacionais quanto para os importados. Os nacionais estão mais caros pois as empresas agora podem trabalhar e lucrar sem se preocupar com a forte concorrência mundial e os importados ficaram naturalmente mais caros graças a abusivos impostos.

A posição do governo é a de defender a nossa “indústria nacional” da concorrência predatória mundial. E ele cumpre com a promessa, sempre protegendo os interesses da indústria em detrimento de todo o resto.

Mas o governo não se contenta em intervir apenas com protecionismo. Quando eventualmente alguns impostos são reduzidos (não os de importação, claro), o governo cobra que as montadoras reduzam também seus preços. Isso é controle de preços, algo autoritário, digno de governos intervencionistas fascistas. O que ocorre é uma intervenção (altos impostos de importação), que levam a outra intervenção (início de uma tentativa de controle de preços). A solução é apenas trazer a concorrência mundial para o Brasil, evitando assim qualquer tipo de intervenção.

Nesse caso, os preços serão definidos pelo mercado, na relação entre consumidor e um grande número de ofertantes. Com isso, o preço dos carros diminuirá bastante, algo que ocorre em países que são menos protecionistas nessa questão. O consumidor brasileiro poderia comprar um carro de qualquer lugar do mundo se achasse conveniente. Em um cenário desses, o “Lucro Brasil” sumiria, pois o consumidor assim decidiria.

O que o governo queria fazer é decidir quem pode produzir o que. Como isso obviamente trouxe problemas, agora o governo também quer decidir o preço dos carros, ou seja, primeiro você possibilita altos lucros para depois ordenar diminuição dos mesmos, fingindo-se de aliado numa luta por baixos preços. É exatamente isso que o governo está fazendo.

Não, as empresas não são inocentes nesse processo todo. A culpa delas não é querer lucrar mais, e sim defender todas essas políticas protecionistas. Com elas, as empresas podem lucrar mais sem grandes preocupações. Todas as empresas em um sistema capitalista querem lucrar mais, porém sem as intervenções protecionistas do governo as que irão vender e lucrar mais são as que o próprio consumidor decidir. Nos outros países, as empresas não vendem carros mais baratos e têm lucros menores porque são mais “solidárias”, lucram menos pois a concorrência é forte.

Portanto, a solução não é mais intervenção do governo, pois são as próprias intervenções que estão gerando problemas. A solução é por um fim nas intervenções, que possibilitam altos lucros por baixa qualidade.

Entrevista com a Campanha do Armamento

O governo federal junto a ONGs vem fazendo inúmeras campanhas para desarmar a população civil com o pretexto de diminuir a violência, porém a população se opõe. A oposição da população foi comprovada no referendo de 2005 sobre o desarmamento onde mais de 63% dos eleitores votaram contra o fim a comercialização legal de armas de fogo. Porém o governo federal não sossegou e continuou fazendo campanhas pelo desarmamento e dificultando o acesso da população ao porte legal de arma, mas novamente a população se opõe, e uma forma de se opor e pelas redes sociais. A Campanha do Armamento é uma das formas de se opor e protestar contra o governo, a página da campanha no facebook já conta com mais de 6.500 likes e nós do Direitas Já conversamos com a equipe da Campanha do Armamento.

Direitas Já: Como surgiu a ideia de fazer a Campanha do Armamento?

Campanha do Armamento: Em primeiro lugar, obrigado pela oportunidade de falar sobre a Campanha.

A Campanha do Armamento surgiu como um contraponto de cunho irônico às campanhas do desarmamento impostas pelo Governo Federal ao povo brasileiro. Com a clara manifestação da vontade popular contra o desarmamento civil no Referendo de 2005, essas manifestações da administração pública se mostraram notadamente antidemocráticas e a movimentação social no sentido contrário era só uma questão de tempo.

DJ: O grupo tem líderes?

CA: A intenção da Campanha é dar o máximo de poder e liberdade ao povo, e isso só pode ser construído a partir de uma organização verdadeiramente democrática.

Eu (Lucas Silveira) tive a iniciativa da movimentação nas redes sociais em um primeiro momento, mas hoje a maior parte das publicações parte dos próprios membros que, de todas as regiões do país, enviam suas imagens, vídeos, matérias de jornais e outras contribuições.

A título de exemplo temos o nosso recém-criado canal no Youtube: os vídeos que postamos lá são feitos pelos membros e não pela organização da campanha.  Todos são convidados a participar. É melhor não falar em líderes, portanto, mas em mediadores.

DJ: No Brasil há um grande lobby de ONGs, governo e outros grupos para que se acabe com o direito de portar e comprar armas e toda essa propaganda está enraizada na maioria dos jovens. O que pode ser feito para mudar esse senso comum de que armas são perigosas?

CA: Se você observar nossas publicações encontrará argumentações de todos os gêneros: Temos publicações científicas de diversas fontes, inclusive do próprio Governo Federal, publicações argumentativas, de caráter meramente reflexivo, publicações humorísticas e irônicas e até publicações de teor artístico. Alguns membros já se dispuseram a fazer charges e até animações para reforçar o nosso posicionamento.

O melhor caminho para mudar a visão sobre as armas é o debate. Não importa o teor de qualquer forma de debate nos favorece.

DJ: O Grupo tem alguma preferência política?

CA: Nosso objetivo é agregar pessoas e esforços e jamais segregá-las. Procuramos nos manter afastados de partidarismos, especialmente na nossa relação com os congressistas.

EU (Lucas Silveira), pessoalmente, tenho meu posicionamento político, mas a Campanha do Armamento não pode tê-lo, sob pena de comprometer a sua causa.

DJ: Na página da Campanha do Armamento no facebook que vocês estão indo atrás de senadores e deputados questionando se eles são a favor ou contra o desarmamento. Como tem sido? Há políticos receptíveis a causa da campanha?

CA: Estamos entrando em contato com cada um dos legisladores federais do Brasil. Em um primeiro momento faremos isso pelo Twitter. Em seguida será feito por e-mail e por último, por telefone. Infelizmente a lista é muito grande, e estamos chegando apenas aos 20% do total de Deputados nesse momento, em seguida ainda faltarão os Senadores.

Até o presente o maior problema tem sido a omissão. Alguns congressistas preferem ignorar a pergunta ou, quando respondem, o fazem de forma evasiva. É um assunto muito polêmico, não para o povo, mas para a política intrinsecamente. Quem se coloca contra o desarmamento, necessariamente se posiciona contra o Governo Federal e favoravelmente ao povo. É preciso escolher, e nem todos têm coragem.

Felizmente existem exceções, e estamos muito satisfeitos em poder contar com o Dep. Rogério Peninha (PMDB/SC), que, em respeito a nossa manifestação se prontificou a apresentar um Projeto de Lei, e também com alguns outros parlamentares que, sem pestanejar, apoiaram nossa causa, como o Dep. Guilherme Mussi (PSD/SP), O Dep. Luis Carlos Heinze (PP), O Dep. Onyx Lorenzoni (DEM) e diversos outros.

DJ: Vocês têm algum apoio da indústria bélica ou lojas de armas?

CA: Hoje não temos nenhum tipo de auxílio financeiro dessas partes interessadas, todavia, esperamos que as indústrias brasileiras e as demais partes interessadas, sobretudo o cidadão brasileiro, logo se deem conta da importância da Campanha, e da necessidade do aporte de capital para que ganhemos ainda mais visibilidade.

Infelizmente e ainda não se sabe o motivo, a Taurus, que é brasileira e uma das maiores indústrias de armas curtas do mundo, fez doações a alguns políticos que se posicionaram favoravelmente ao desarmamento civil.

Estou certo de que com o crescimento da Campanha é inevitável que a Taurus se retrate com o consumidor brasileiro. Nos EUA, onde a Taurus também tem uma indústria, quem adquire uma pistola ganha uma filiação a NRA (National Rifle Association), não faz nenhum sentido que aqui no Brasil seja diferente.

DJ: Quanto a Campanha, existem projetos para levar ela além das redes sócias, por exemplo, realizando palestras e outras atividades para expandir o movimento?

CA: Nossa Campanha não é feita PARA as pessoas. Nossa campanha É cada uma dessas pessoas. Nós não precisamos convencer ninguém, pois as pessoas já se manifestaram: 60 MILHÕES de brasileiros não querem o desarmamento. Quase 64% dos eleitores.

Algumas pessoas ainda não se deram conta da magnitude da situação, então eu vou deixar claro: apenas a vitória, assim entendida como o respeito irrestrito à liberdade da legítima defesa, pode parar a Campanha.

O movimento nas redes sociais é uma parcela quase insignificante do que está por vir caso os nossos legisladores insistam em não revogar o Estatuto. Eles se esqueceram de que no Brasil, a Constituição Federal é clara: o poder emana do povo que o exerce diretamente ou pelos seus representantes, ora, se os representantes não representam de fato os anseios populares, o poder deverá ser exercido pelo povo, diretamente. Vamos até lá dentro do Congresso se for preciso, e vamos arrebatar nossa liberdade das mãos deles.

A manutenção do Estatuto não é uma opção.

DJ: Nos EUA, existe a NRA (National Rifle Association), eles seriam um exemplo para a campanha do armamento?

CA: Não exatamente. No Brasil o que temos mais próximo da NRA é o Movimento Viva Brasil, presidido pelo douto Prof. Bene Barbosa, a quem eu admiro muito e cujo trabalho pela legítima defesa no Brasil não tem precedentes. Quem puder se filiar ao MVB, não deixe de fazê-lo.

A Campanha do Armamento não tem a função precípua de ser algo tão organizado. Nosso objetivo é mover as massas, alertar o brasileiro para o direito que lhe está sendo negado e fazer com que ele manifeste a sua insatisfação publicamente.

***

Conheça a Campanha do Armamento:

Site do Movimento Viva Brasil: