Ócio

Um dos aspectos mais preocupantes que tenho notado na adoção de bandeiras liberais por conservadores é a condenação do ócio. A própria aproximação intransigente já é temerária, mas esse é um ponto especial, já que pode desconfigurar totalmente o pensamento conservador. O ócio não é algo a ser temido: pelo contrário, sua existência propaga a civilização através de suas mais belas expressões; multiplica a arte, a filosofia, a cultura em geral.

Vejo isso ocorrer principalmente quando se valoriza o trabalho, como se a existência desse fosse oposta ao momento de reflexão. Sim, o trabalho é um valor exaltado pelo conservador, mas é importante lembrar que este não deve se deixar seduzir pelos fetiches materialistas das doutrinas modernas. Quando lembramos que o homem não é um ser meramente econômico não precisamos assumir que esse homem seja cristão e gaste seu tempo na devoção a Deus. Voltar-se ao espírito é algo muito mais amplo: desde o pensar sobre si mesmo e sua condição no mundo, até pensar a comunidade e seus problemas; desde o pensar suas ações futuras, até transcender de todas elas e refugiar-se dos obstáculos da vida terrena por um breve momento.

O ser humano que não se volta para a sua humanidade é incapaz de perceber a humanidade dos outros, e até mesmo sua própria: está propício a deixar de lado seus valores em busca do material. Por isso é tão importante que o ser disponha de tempo para a reflexão, o pensamento e a produção cultural: as artes humanizam, e não nos deixam ser indiferentes. Apenas a reflexão é capaz de ressuscitar a moral de uma sociedade decadente, que chega a ser capaz de colocar o prático e o material acima até mesmo da vida humana.

Diante disso, é difícil negar que conservadores devem reencontrar sua identidade. De nada adiante aproximar de radicais, já que o que é necessário em meio a tanta loucura é de equilíbrio. Esse sim, um valor presente nas mais diversas culturas desde tempos imemoriais, um valor que urge pela ressurreição. O valor da prudência, tanto na política, quanto na vida pessoal. E esse equilíbrio não existe sem reflexão.

Quem foi J. R. R. Tolkien?

John Ronald Reuel Tolkien, mais conhecido como J. R. R. Tolkien, nasceu em 3 de janeiro de 1892 em Bloemfontein, no então Estado Livre de Orange, hoje África do Sul.

I. Família
Aos três anos parte com a sua mãe e com o seu irmão para a Inglaterra, onde pretendiam passar apenas uma temporada devido a questões de saúde da mãe, mas devido à morte do pai, eles ali permaneceram por toda a vida. O pai, um bancário que trabalhava para o Bank of Africa, contraiu febre reumática e morreu em 1896 no Estado Livre de Orange, antes de juntar-se à família, e foi enterrado na África.

II. Conversão ao Catolicismo
Em 1900 a situação financeira da família complicou-se. Mabel Suffield fazia parte da Igreja Anglicana, e quando tornou-se católica, sua família cortou a ajuda financeira que lhe dava, e assim ela morreu, por diabetes, sem tratamento na época. Tolkien, que considerava esse fato um sacrifício da mãe em nome da fé, converteu-se ao Catolicismo, religião na qual permaneceu até o fim da vida, tornando-se um católico fervoroso.

Tolkien e seu irmão foram entregues então aos cuidados do Padre jesuíta Francis Xavier Morgan, que Tolkien mais tarde descreveu como um segundo pai, e aquele que lhe ensinara o significado da caridade e do perdão.

III. Casamento
Conheceu Edith Bratt em 1908, quando ele e seu irmão Hilary foram alojados no mesmo local que a jovem, três anos mais velha, e os dois começam a namorar escondidos. Entretanto, seu tutor, o Padre Francis Morgan, descobriu a situação e, acreditando que este relacionamento fosse prejudicar a educação do rapaz, proibiu-o de vê-la até que completasse vinte e um anos, quando Tolkien alcançaria a maioridade. Na noite do seu vigésimo primeiro aniversário, Tolkien escreveu a Edith, e convenceu-a a casar-se com ele, apesar de ela já estar comprometida, e também converteu-a ao catolicismo. Juntos eles tiveram quatro filhos: John Francis, Michael Hilary, Christopher John e Priscilla Anne.

Tolkien era um pai dedicado. Essa característica mostrava-se bastante clara nos livros, muitas vezes escritos para seus filhos, como Roverandom, escrito quando um deles perdeu um cachorrinho de brinquedo na praia.

IV. Vida profissional e o sucesso na Literatura
Foi professor de língua e literatura anglo-saxônica e inglesa de 1925 a 1959 na Universidade de Oxford. Tolkien é mais conhecido por seus livros O Hobbit (1937), O senhor dos anéis, que compreende três volumes: A sociedade do anel, As duas torres e O retorno do rei (1954-55), e O Silmarilion (1977), todos ambientados no mundo mitológico da Terra-Média. Tolkien foi um católico ardoroso que lembrava-se e experimentara um período onde a liberdade religiosa ainda não estava completamente garantida na Grã-Bretanha. A fé, para Tolkien, como observa seu biógrafo literário Joseph Pearce, “não era uma opinião a que poderíamos subscrever, mas uma realidade a que deveríamos nos submeter.” De fato, o relacionamento de Tolkien com C. S. Lewis, seu colega na Universidade de Oxford, foi providencial para levar um Lewis desiludido de volta à fé cristã. A fé de Tolkien é tão central em seus livros sobre a Terra-média quanto sua preocupação em preservar a liberdade. Antes de se tornar um professor ilustre, Tolkien serviu no exército britânico durante a Primeira Guerra Mundial. As experiências em primeira mão que teve na Primeira Guerra trouxeram uma imensa preocupação, para não dizer uma total apreensão, com a ascensão do totalitarismo.

V. O Senhor dos Anéis e o Totalitarismo
O mal do poder totalitário é um dos temas centrais d’O senhor dos anéis. Como ele mesmo explicava, O senhor dos anéis é uma história “formulada em termos de um lado bom e um lado mau, da beleza contra a feiura cruel, da tirania contra a realeza, da liberdade moderada pelo consentimento contra a compulsão que há muito perdeu o objeto, salvo o mero poder, e assim por diante.” O enredo central d’O senhor dos anéis envolve a questão épica de destruir o Um anel, que continha o poder de governar toda a Terra-média. Ainda que as personagens e os acontecimentos d’O senhor dos anéis geralmente desafiem precisos paralelos alegóricos, o Um anel facilmente simboliza a corrupção e a tirania que resultam do poder político incontrolado. O Um anel dá ao usuário o poder de governar a Terra-média, mas também impõe uma escravidão inescapável para manter o poder a qualquer custo. Num determinado nível, O senhor dos anéis faz a alegoria da progressão de um tirano. Começando como governante, até mesmo com boas intenções, ele ou ela passa a ser governado por uma ânsia espasmódica de adquirir ainda mais poder e o desejo insaciável de esmagar qualquer liberdade. O tirano, então se torna tão escravo quanto seus súditos, onde tudo o que existe passa à um estado banal de servidão que repudia qualquer expressão de virtude.

VI. Morte
No dia 28 de Agosto de 1973 Tolkien sentiu-se mal durante uma festa, e na manhã do outro dia foi internado, com úlcera e hemorragia. No sábado descobriu-se uma infecção no peito.

Aos 81 anos de idade, então, nas primeiras horas do domingo de 2 de Setembro de 1973, J. R. R. Tolkien morre na Inglaterra. Foi enterrado junto com a esposa, no Cemitério de Wolvercote.