Nadja Pereira: Empreendedorismo e Empoderamento

Nadja Pereira é uma empreendedora baiana da área de comunicação e marketing digital, fundadora da ZeroPonto54. Seu trabalho foca em posicionamento de marcas através da representatividade. Participou do TED São Paulo “Mulheres que Inspiram” com sua conferência “Comunicação com propósito”, sobre a representatividade da população negra na comunicação de marca e como ela influencia a experiência do cliente.

Nadja Pereira
Leia a seguir nossa entrevista com ela, e o que ela tem a dizer sobre empreendedorismo e empoderamento.

DJ!: – Quem é a Nadja? Conta pra gente como foi o a sua formação, o seu início de carreira?
Nasci em Salvador na Bahia mas moro em São Paulo há seis anos. Eu sou jornalista por formação, mas trabalho na área de marketing digital desde 2011, sobretudo com conteúdo, estratégia de redes sociais e pesquisa de marketing. Por incrível que pareça, comecei trabalhando em um Sindicato, onde foi a minha grande escola de jornalismo. Foi um choque de realidade para mim, porque eu era muito romântica em relação à minha profissão. Recentemente montei meu primeiro negócio, a Zeroponto54, uma empresa de pesquisa e inteligência de mercado sobre a classe C.

DJ!: – Como você chegou à conclusão de que a representatividade pode ser uma força positiva tanto para o consumidor como para o empreendedor no Brasil?Representatividade é um bom negócio e, ao contrário do que muita gente pensa, ele não está somente quando chega ao consumidor no seu contato com peças publicitárias. Ainda existe uma falha em muitas marcas que não conseguem dialogar com a realidade da nova classe média ou da classe média presente na periferia/afastada dos grandes centros urbanos, por exemplo. A representatividade pode estar em todos os lugares, sobretudo no desenvolvimento de produtos e serviços que consigam dialogar com a rotina de consumo destas pessoas que ganham entre 1,500 e 5.000*. Os carnês de parcelamento que revolucionaram as Casas Bahia e o aplicativo Dr. Consulta são dois bons exemplos.

DJ!: – Em sua publicação mais recente no LinkedIn, você comentou a pesquisa encomendada pelo PT para entender porque perdeu o apoio entre a população de baixa renda. Você destacou o fato de que a população pobre está aprendendo que o empreendedorismo e a liberdade econômica são vias de acesso à ascenção econômica e social, enquanto o paternalismo do governo só gera mais dependência.

Qual você acha que deve ser a abordagem dos próximos governos para recuperar a confiança dessas pessoas?
A resposta está na própria pesquisa, menos interferência do estado em seus negócios e, claro, na vida deles. Eu gosto muito de uma frase que li onde diziam que o governo pega metade do dinheiro do empreendedor, mas não comparece ao trabalho. Fora que pequenos comerciantes da periferia certamente são mais vulneráveis a agentes corruptos sempre em busca de irregularidades, por exemplo.  O problema pode ser resolvido com a eleição de pessoas com valores liberais, mas eles precisam estar dispostos a comprar uma briga com uma estrutura social que favorece ao empresariado paternalista que não gosta de concorrência, nem de livre mercado.

DJ!: – Independente do próximo governo ser de esquerda ou de direita, qual você acha que deveriam ser as principais ações para empoderar as comunidades mais pobres, sobretudo os negros e as mulheres?
Precisamos acabar com a cultura do emprego porque o mesmo está sumindo; isto ainda está presente em todas as camadas da sociedade. Em 4 anos de jornalismo eu não tive aulas sobre empreendedorismo, por exemplo. Isto com o mercado de internet já começando a criar novas oportunidades na área de comunicação e marketing. Acredito que isso possa estar mudando porque me formei em 2010, mas abordar isto nas universidades já é muito tarde. Precisa ser estimulado desde a infância. Além disso, não somos uma nação que sabe lidar com dinheiro, nem falar dele. Pensamos que há uma fonte infinita de dinheiro em cascata nas esquinas sempre pronta a nos atender e que o governo vai nos recorrer caso a gente precise – é só observar a questão da previdência, por exemplo. Isto influencia diretamente na nossa má capacidade de poupar – sobretudo os mais jovens que cedem aos apelos hedonistas. E, por fim, o estímulo à inovação. O nosso empreendedorismo ainda é muito ligado a necessidade de ganhar mais dinheiro ou sobreviver, não é focado nas oportunidades de mercado, como existe nos Estados Unidos. Queremos segurança e evitamos o risco. Isto prova porque amamos reeleição, por exemplo. Espero que São Paulo como cidade cosmopolitana consiga exportar os valores liberais para o Brasil se não continuaremos atrasados em relação ao resto do mundo.

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A Dama de Ferro

Batizada pelos seus inimigos de Dama de Ferro, Margaret Thatcher fez juz ao apelido colocando ordem na Inglaterra, recuperando um país que estava em frangalhos. Talvez não haja melhor imagem para representar a força feminina do que Thatcher hoje em dia: foi, por três vezes, primeira-ministra da Grã-Bretanha. Feito este até hoje já mais alcançado por qualquer outra mulher. Entre revoltas de líderes sindicais, atentados do IRA e a Guerra das Malvinas, Thatcher emerge como um símbolo não só do conservadorismo  mas como uma prova cabal do poder feminino na política.

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Recentemente, sua vida virou tema de um filme que estreará este ano no cinema: The Iron Lady.

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Transferência de renda, riqueza e igualdade salarial: conceitos imorais

Transferência de riqueza, transferência de renda e igualdade salarial são conceitos imorais

Os motivos que revelam porque as premissas de sua luta pela transferência de renda estão recheadas de conceitos imorais.

 

Você, pessoa bem intencionada, talvez idealize um mundo onde a justiça é  construída por meios de uma intensa política de confisco da riqueza através de impostos e uma acentuada transferência de renda através de políticas sociais, com o objetivo de alcançar a sonhada igualdade econômica. Talvez você não acredite, mas é uma impraticável e uma tola utopia. Faça um pequeno exercício mental: imagine que na virada do próximo ano fosse possível distribuir toda a riqueza do mundo em partes iguais para cada cidadão. Digamos que cada um tenha ficado com 25 mil reais. Passados doze meses, o que aconteceria quando chegasse o final de Dezembro? Você ainda acha que teríamos alguma igualdade? Você acha que todas as pessoas decidiram poupar, consumir, doar, emprestar aquela quantia da mesma forma? Qual seria a nova sugestão? Redistribuí-lo novamente? Por quanto tempo duraria esse ciclo?

Quer seja seu desejo ou não, a riqueza possui um caminho natural na sociedade, fluindo aos indivíduos que são mais eficientes e eficazes em sua área de atuação. E note, leitor, que isso é bom. Bom porque a renda é uma das formas de remuneração para pessoas que oferecem algo positivo aos outros. Em um local onde não existam interferências estatais, a riqueza é meritória, isso é, as pessoas que a conquistaram, só a conquistaram porque foram recompensadas por outras pessoas que, voluntariamente, adquiriram o seu produto ou serviço. Você, que usa seu iPad, iMac ou iPhone, colaborou decisivamente aos executivos e acionistas da Apple a ficarem mais ricos. Você colaborou para essa transferência de renda. E não, esse conceito não é apenas elitista. Você que já pagou muitas prestações de seu carnê das Casas Bahia também enriqueceu a família Klein.

A inovação em um sistema livre de mercado, na qual a Apple é apenas um exemplo entre milhões, provém inicialmente do acúmulo de capital. Esse acúmulo de capital é essencial para que nossa sociedade continue em evolução e seria totalmente arruinado em um programa de transferência de renda como a descrita no primeiro parágrafo, além de extirpar o estímulo a novos empreendimentos em função da natureza imoral do ato.

Redistribuir renda por coação é algo obsceno e movido pela inveja, pois é um confisco de quem a ganhou honestamente (não estamos aqui falando de burocratas e empresários beneficiados pelos Estado, evidentemente) e solapa qualquer incentivo para que as pessoas produzam algo bom entre o grupo em que vivem. Diferentemente de ações louváveis como a filantropia direta e atividades voluntárias, a espoliação do dinheiro dos outros é mais uma forma de sustentação de poder aos políticos, gerando mais corrupção.

Além disso, a imposição de uma igualdade salarial demanda a supressão da desigualdade das pessoas. Mas as pessoas são naturalmente desiguais, possuem metas desiguais, possuem motivações desiguais. Ora, é claro que nunca serão economicamente iguais! Impor, em qualquer grau, através de uma transferência de renda forçada esse nivelamento econômico é uma imposição perversa por natureza.

O que precisa estar garantido, é a igualdade baseada nos direitos naturais entre todos os seres humanos, que deve estar acima de quaisquer classificações como cor de pele, preferências sexuais e afins (atribuir diferenças de direitos entre supostas castas é outro discurso alienado em moda hoje em dia). A real demanda é garantir as condições necessárias, como oportunidades de educação básica de qualidade a todos, de forma que suas próprias motivações internas, viabilizadas por suas capacidades intrínsecas, construam seu futuro. E que algumas exceções sejam tratadas como… exceções!

O discurso da esquerda estatista, que faz uso de ideias aparentemente dignas para legitimar atos funestos, precisa ser desmontado. Suas boas intenções são tão boas e nobres quanto às intenções dos ditadores comunistas de Cuba, Coréia do Norte e Venezuela. É irracional pensar que premiando setores improdutivos e castigando setores produtivos poderemos alcançar uma sociedade justa. Uma parte dessa esquerda sabe o que está fazendo, e deseja protelar por tempo indefinido a dependência dos supostos beneficiados, pois possui vantagens nessa situação. A outra parte são os idiotas úteis, que realmente acreditam que essa postura é um atestado de compaixão e integridade, mas que no fundo, apenas perpetua o atraso. A história do mundo é a maior referência que pode ser citada, mas infelizmente eles não são capazes de interpretá-la. Ao menos com lógica.

Enfim, a pobreza só será eliminada através de maior liberdade econômica. Transferência de renda não trará igualdade econômica, pois cada indivíduo, com suas diferentes aptidões e motivações conceberá um caminho diferente do outro. A liberdade econômica, entretanto, age em conjunto com o crescimento econômico para melhorar a renda de toda a população em geral. Dados demonstram que os países com uma economia mais livre possuem, invariavelmente, até melhores redistribuições de renda que os demais. De longe, o quintil dos mais pobres possuem uma renda muito maior do que o mesmo quintil dos países com menor liberdade econômica. Um resumo desses dados pode ser visto aqui.

Infelizmente, mesmo sendo impossível argumentar contra os dados, a mentalidade estatista ainda é preponderante às ideias liberais em terras tupiniquins. Mas já está começando a perder a grande hegemonia. Quem viver verá.

Esse texto foi publicado originalmente no blog Viagem Lenta. Para ler mais textos sobre Liberdade e Política, clique aqui.

Socialismo e emoção: o exemplo do Sudeste Asiático

Esse artigo foi publicado originalmente no site Viagem Lenta e pode ser lido aqui.

O socialismo disfarçado de capitalismo no Sudeste Asiático
Comiserados comunistas no Vietnã

Quais os motivos da dominância da mente socialista? Infância cultural, baixo IDP, auto-engano ou ineficiência dos discursos liberais? Ou uma combinação de todos esses? Socialismo e emoção no Sudeste Asiático.

 

Minha passagem aos três países da península da Indochina reforçou na minha mente uma das muitas ideias e características relacionadas ao socialismo e aos seus defensores: a impossibilidade de aceitar que durante todo o tempo eles estiveram (e estão) equivocados em sua visão de sociedade ideal, cuja viabilidade em tempos atuais é facilmente desconstruída apenas pela observação histórica e um mínimo de bom senso na observação do mundo atual.

Comecemos a análise pelos nomes oficiais dos países da península da Indochina: República Socialista do Vietnã, República Popular do Camboja e República Democrática Popular do Laos, denominações claramente socialistas/comunistas. Os governos, ostentam o orgulho de sua “revolução” na década de 70 e 80, exibem em inúmeros locais fotos dos seus líderes (o culto à personalidade já característico do sistema) e das bandeirinhas vermelhas da foice e do martelo, símbolo arcaico e ridículo de um sistema que já foi responsável pela morte de milhões e milhões de pessoas direta e indiretamente ao redor do mundo, e que, incrivelmente, ainda atrai seguidores, muitos deles por aqui… Como Millor Fernandes disse uma vez, “uma ideologia quando fica velhinha vem morar no Brasil” – e nos nossos vizinhos da América do Sul. Arrebatados desde o período escolar, infelizmente a grande maioria de seus discípulos desconhece o real significado e as consequências históricas desses movimentos, como a gradual perda de liberdade de cada indivíduo.

O socialismo disfarçado de capitalismo no Sudeste Asiático
Propagandas de empresa de telefonia celular no Laos

Esses governos porém, assim como o chinês, perceberam algo rapidamente: que o socialismo é impraticável economicamente – como bem observou Mises quase um século atrás, e apenas aprofunda a miséria na sociedade.  Foram muito mais ágeis, portanto, que Cuba (que só agora começa a admitir seu fracasso como país após a Revolução de 1959) e da Coréia do Norte, que sempre dependeu de ajuda externa para alimentar sua população. Possivelmente receberam o incentivo na década de 80 da pressão da população no leste europeu, e em certa medida da então URSS, que despertaram antes do próprio governo. Uma outra influência poderosa foi o despertar do vizinho chinês no final da década de 70, quando Deng Xiaoping aprovou os primeiros experimentos capitalistas na China. O fato é que na mesma década, os estados asíaticos alteraram sua rota, uma vez que sua própria existência poderia estar ameaçada.

O resultado hoje é que, na antiga Indochina, o capitalismo está por toda a parte. Na publicidade da telefonia celular no ponto de ônibus, na propaganda de cerveja, na lixeira das ruas, na importação de carros de luxo, nas lojas que vendem os últimos modelos de computadores e tablets e nas hábeis negociações de produtos dos inúmeros vendedores pelas ruas. A consequência dessa mudança de visão é notória: o crescimento dos países acelerou-se após as reformas de viés capitalista, com grandes melhorias correspondentes no IDH. Como exemplo, em 1986, o 6º Congresso do Partido Comunista do Vietnã aprovou várias diretrizes com profundas mudanças na sua economia, que foram ampliadas com mais intensidade nos anos seguintes, em um plano que ficou conhecido como “Doi Moi” ou “Renovação”. Essas medidas guiaram-se totalmente em prol a uma maior liberalização so sistema, direcionando-o para uma economia de mercado e abandonando na prática tudo o que o marxismo-socialismo preconiza. Curiosamente no entanto, o artigo 4º da constituição de 1992 prega que:

“O Partido Comunista do Vietnã, vanguarda da classe trabalhadora, fiel representante da classe operária, do povo trabalhador e da nação inteira, iluminado pela doutrina marxista-leninista e pelo pensamento de Ho Chi Minh, é a força diretriz do Estado e da sociedade”

 

Temos duas alternativas para entender tais declarações. Ou eles não conhecem nada da doutrina marxista-leninista ou são fanfarrões ao extremo, assim como muitos dos veículos de comunicação comunistas/socialistas de vários países, que aplaudem as reformas no Vietnã, como se fossem realizações baseadas na sua ideologia, afrontando totalmente o reconhecimento que foram justamente as mudanças capitalistas que fizeram com que o crescimento do país acontecesse. Vejam o que diz o jornal oficial cubano Granma, um dos sites esquerdistas na rede e de um encontro do Partido Comunista do Brasil. A leitura desses textos desnuda sua comicidade e avança para uma dramaticidade quando refletimos na lavagem cerebral que produzem em seus seguidores. Vale dar uma olhada.

O socialismo disfarçado de capitalismo no Sudeste Asiático
Invasão capitalista tupiniquim no Vietnã

Mas o assunto desse artigo é… por que esses governos continuam a se autodenominarem socialistas? Para os governos em si, uma simples tese mostra-se razoável: governos só se mantém através do exercício do poder aceito pela maioria da população. Assim, admitir um erro dessa natureza leva à sua desmoralização e enfraquecimento. Ocultar erros e apresentar-se como uma entidade onisciente e onipotente é uma das estratégias do Estado para manter-se no poder e ocultar a fraude de sua administração aos seus súditos. Admitir o capitalismo propiciaria uma fissura capaz de modificar a estrutura de poder e o seu domínio pelo Partido Comunista. Assim, a legitimidade do Estado deve ser construída e mantida através de uma ideologia, mesmo que afronte as mínimas verdades inseridas dentro de um conhecimento básico de economia.

Mas… e as pessoas? O que leva pessoas a não admitir os erros teóricos de uma utopia, sua impossibilidade de implantação e as nefastas consequências de todas essas tentativas? Mesmo as tentativas de disfarces hoje usadas, através dos governos sociais-democratas, não mostram um resultado econômico nada razoável, apesar de terem resolvido parcialmente o problema das liberdades individuais antes não existentes. A psicologia deveria interessar-se nisso, pois há muito a ser explorado para procurar um melhor entendimento desse tipo de comportamento.

O socialismo disfarçado de capitalismo no Sudeste Asiático
Centro “capitalista” de compras noturnas no Camboja

Uma das explicações possíveis para isso é o conceito de Infância Cultural, construído pelo professor Milton José de Almeida(1), uma metáfora para diversos estados sociais e psicológicos. Nesses estados, as pessoas alienam-se da realidade totalmente, através de três caminhos, uma vez que:

1) Rejeitam a realidade e evitam demandar esforços de entendimento, sensibilidade ou atenção como em filmes ou textos considerados difíceis e complexos;

2) Sentem insegurança e medo ante objetos da cultura que não se apresentem já legitimados e autorizados pelos produtores de opinião ou pelo mercado (e aqui a nossa fraca imprensa tem papel fundamental na manutenção dessa ideologia);

3) Vivenciam dificuldades em ter uma visão pessoal, levando à busca de juízos de autoridade ou a defender-se em conceitos opacos como: “de esquerda”, elitista, popular, reacionário, conservador, progressista, etc, que produzem no usuário a sensação de segurança intelectual.

Em geral, uma discussão com alguém militante de “esquerda” leva o mesmo a usar frequentemente acusações “espantalho”, “ad hominem” ou “ad populum”. Veja uma lista completa das táticas defensivas nessa excelente lista (2). Posteriormente, escrevi muitos textos sobre tal mentalidade e discursos, e um deles mostra como esses pensamentos pode levar à Idiocracia, uma sociedade de medíocres.

Outra possível explicação é o desejo de manter-se longe do poder e das decisões. Isso gera um aumento de um índice denominado IDP (Índice de distância do poder), conceito facilmente pesquisado na web. Em países de IDP alto, a cultura da hierarquia é forte e as pessoas são menos propensas a pensar por elas mesmas e resolver os problemas individualmente. Um Estado que mantém a hierarquia e a dependência como condição primária para sua existência e estabilidade, promove um IDP alto e evita um grau de liberdade maior de pensamento. E isso ocorre muitas vezes conscientemente, isso é, as pessoas simplesmente decidem que não querem pensar no assunto, e permanecem em um estado tal como as pessoas deliberadamente dopadas da realidade através do consumo do “soma” da obra de Aldous Huxley (veja o artigo Admirável Mundo Novo: até quando uma ficção?). Livro excelente, escrito na década de 30 do século passado e sugestão de leitura. Não sem dúvidas, estou confiante de que estamos acordando desse sono ideológico profundo aqui na América Latina.

Outra forma de procurar entender tais atitudes é não admitir uma falha em algo em que você fez uma grande aposta sentimental. Abandonar essa esperança de algo que poderia ser bom, abandonar o próprio discurso, seja público ou entre pessoas próximas leva à uma dor lascinante, uma vez que sua identidade está amalgamada com essa ideologia, que deu sentido à sua trajetória de vida. Repudiar de forma repentina e convincente tal engano é correr o risco de sabotar toda sua estrutura mental e expor verdades que podem levar o indivíduo a um estado de depressão ou desorientação mental completa. Auto-enganos são cometidos constantemente em nossas vidas, mas na maioria dos casos, limitam-se ao nosso ambiente individual, particular. O auto-engano socialista, ao contrário, é um auto-engano coletivo, um caldeirão recheado de auto-enganos individuais que propagam os delírios da esquerda aos quatro cantos do mundo. Para aprofundamento, vale a leitura do livro de Eduardo Gianetti.

Um quarto e último ponto é um contra-argumento, ou seja, a incapacidade das pessoas que defendem ideias opostas serem eficientes em seus discursos. O discurso socialista, progressista, ou simplesmente de “esquerda”, é muito poderoso e competente. Baseado no coletivismo e na associação de todos os males do mundo com teorias contrárias às suas doutrinas (opa, esse liberalismo…!), prega suas propostas através da emoção, nunca através da lógica. No fundo, precisamos melhorar muito nossa competência em mostrar que toda a crise econômica que o mundo mergulhou no final da década passada – assim como toda a estrutura e simbiose empresas-Estado, não é função dos capitalistas malvados, e sim dos governos.

O socialismo disfarçado de capitalismo no Sudeste Asiático
Grandes marcas capitalistas de consumo junto ao foice e ao martelo

Somos incompetentes em elucidar que os capitalistas “malvados” não são os responsáveis pelo aumento de preços, que por sua vez não é inflação, e sim a consequência da inflação. A causa principal da inflação é o descontrole fiscal do governo. Somos incompetentes em esclarecer que o conjunto de serviços ruins e caros que temos não é função do desejo de lucro de empresários insensíveis, e sim do nosso mercado fechado, que impede a entrada da livre concorrência. Com livre concorrência, somos incompetentes em provar que o desejo do lucro é nosso aliado, pois os empresários vão disputar os consumidores entre si livremente, sem pensar em fazer lobbies no governo. Para lucrarem mais e sobreviverem, serão mais eficientes em nos oferecer um produto melhor e mais barato.

E o pior, muitos que tendem a pensar de forma oposta ao pensamento coletivista são inibidos e desencorajados por essa fanática cruzada compostas por falsos intelectuais e militantes que se auto apregoam paladinos do bem, que não se permitem ao diálogo e recusam-se a aceitar outra forma de pensamento ao qual foram doutrinadas. A tática mais usada, como comentei acima, é a apelação da emoção – falsamente colocada, para criar no oponente um sentimento de culpa, contaminando jornalistas, pensadores e outros formadores de opinião.

Sinto uma mudança no ar desse pensamento, e a internet, até então livre, tem sido essencial na disseminação desses conceitos que para muitos, até ontem, seriam arduamente assimilados. Espero que essa fresta de luz brilhe cada vez mais forte para os que insistem em acreditar nessa ideologia das trevas.

Sobre liberdade, política e Estado, visite no site Viagem Lenta essa página.

(1) Ver nota na página 21

Política e corrupção: com o atual modelo mental estatista, há solução?

O modelo mental estatista é a causa principal da corrupção. Mais Estado, mais favores, mais propinas, mais política, menos justiça.

Este texto também foi publicado no blog “Viagem Lenta“, e pode ser lido aqui.

O modelo mental estatista é a causa principal da corrupção. Mais Estado, mais favores, mais propinas, mais política, menos justiça.
Corrupt Legislation, de Elihu Vedder

A íntima conexão entre política e corrupção só poderá ser enfraquecida quando a mentalidade estatista for varrida do modelo mental da maioria da população.


Em comentários de postagens, em conversas nas redes e em meu blog pessoal, tenho enfatizado constantemente a relação da maciça influência do Estado em nossa vida, o que gera um notável e intrincado convívio entre a política e corrupção. Apesar de eu perceber tal relação – do Estado, do poder e da corrupção, uma manifestação tão evidente quanto óbvia, sou consciente de que faço parte da minoria da população, que vê o Estado como o grande provedor de suas necessidades e supressão de suas angústias. É primordial que tais correspondências sejam melhor elucidadas, ratificando a afirmação de que, quem luta por menos corrupção mas insiste em manter o Estado como uma força motriz na economia, defendendo suas políticas intervencionistas, tem grandes problemas no seu modelo mental de percepção de mundo. E as mais prováveis e evidentes consequências de suas demandas são mais e mais corrupção.

A estrutura estatal, arquitetada sobre uma fachada de incentivo ao crescimento da economia e virtuoso assistencialismo social, ramifica-se em diversas áreas e encontra-se presente por toda parte. O poder executivo federal assusta com seus quase 40 ministérios, e fornece um sinistro exemplo para as esferas estaduais, municipais e aos demais poderes, que, da mesma forma, não são exemplos de eficiência. Tal inchaço não deve ter paralelo no mundo. Os tentáculos e o poder dessa imensa estrutura alcançam muito além do círculo político eleito, com as nomeações de todos os cargos comissionados de empresas como Petrobrás, Eletrobrás, Correios, CEF e BB, designados totalmente para fins políticos em troca de favores. Agências reguladoras, como ANATEL e ANEEL têm um imenso poder sobre várias empresas privadas, enquanto toda a rede de assistência social, da educação e da saúde expõem infindáveis casos de imoralidades, onde uma pequena parte, apenas, é revelada pela mídia.

É notório o poder que todo esse arcabouço sórdido exala. Em todos os níveis hierárquicos, as facilidades vendidas pelos burocratas estão disponíveis para quitar favores anteriores e para gerar outros benesses futuros, enriquecendo paralelamente, os próprios ocupantes desses cargos. O universo da corrupção abrange desde fatos constantemente expostos na mídia, como o Petrolão que irradia-se para outras empresas estatais, até a  divulgação de episódios muitas vezes desconhecidos pelo grande público, como as irregularidades de hospitais na compra de medicamentos de laboratórios. Soma-se a isso o poder mais perverso: a distribuição de “bondades” visando a formação de um curral de eleitores para garantir os votos da próxima eleição. Um extenso livro poderia ser escrito sobre todas as falcatruas existentes, e o leitor poderia citar muitas delas de cabeça, principalmente se faz parte da estrutura governamental. Ambas, política e corrupção, fornecem material abundante para tal pesquisa. Não é o objetivo desse espaço, entretanto.

O ponto principal é que esse jogo político é de claro prognóstico, uma vez que as pessoas reagem ao ambiente e às facilidades. O tamanho do Estado brasileiro entrega poder excessivo aos atores públicos, na forma de acordos de propinas – e suas tantas variações, para empresas e pessoas. Nesse círculo de concentração de poder, até os mais dispostos a lutar pela honestidade e pela lisura das ações tornariam-se vulneráveis e se perverteriam dentro desse sistema, mesmo que seja de uma forma oculta. Como explicar o silêncio ou a conivência do meio artístico, por exemplo, com a presença de leis como a Rouanet? Exceções existem, claro, mas como o próprio nome revela, são apenas exceções.

A única forma de interromper essa forma degradante de produzir política e corrupção é a diminuição extrema do poder estatal. Isso obstruiria o fluxo da corrupção, envolto principalmente no próprio enriquecimento ilícito e nos “favores” que envolvem tanto o setor público em si quanto o setor privado, de forma que o governo não se utilize de seus cargos e contratos para expandir seu poder.

Privatizar as empresas estatais seria umas das principais ações. Uma privatização de fato “para” a população, dividindo e entregando suas ações a cada CPF, cujo dono poderia comercializá-las da forma que melhor lhe conviesse. Privatizar inclusive as estruturas da saúde e educação, onde em um período de transição o papel do governo deveria ser apenas de distribuir vouchers à população realmente carente, ideia defendida por Milton Friedman. E, entre outras medidas, eliminar todas as agências de regulação e implantar de fato, o livre mercado no país, estabelecendo o (real) conceito de uma livre concorrência, onde o consumidor – e não os patetas do Poder Executivo, ditará os rumos da economia. Isso geraria inclusive uma mudança no gerenciamento de negócios das empresas: ao invés de se preocuparem em alimentar lobbies no governo, investirão seu tempo e riqueza em produtividade, proporcionando melhores produtos a preços mais justos.

Com essa gradual diminuição de poder governamental, verificaremos, eleição a eleição, uma mudança no perfil de candidatos. Uma vez que os futuros políticos conscientizarem-se que manobra ilícitas são cada vez mais inacessíveis, e o que lhes é devido são “apenas” seus próprios salários, teremos naturalmente pessoas mais dispostas a trabalhar de fato para uma melhor administração, e não para seus próprios bolsos. Não é uma mudança rápida, porém é um caminho efetivo e estável, uma vez que ataca a real raiz do problema. Os elos entre um e outro, política e corrupção, começarão a ser desfeitos nessa nova ordenação.

Mas para isso, a grande maioria da população precisa mudar radicalmente o seu modelo mental de achar que as coisas devem ser resolvidas pelo Estado. A transformação vem de baixo para cima. As pessoas precisam assumir que sua desilusão com a política provém da expectativa que possui em relação ao governo. E, principalmente, assumir a responsabilidade pelas suas próprias escolhas, pelo seu destino, tornando-se protagonista de sua existência.

A arma é civilização

Maj. L Caudill USMC (Ret)

 

Manifestação do Major L. Caudill – Corpo de Fuzileiros Navais dos EUA – USMC

As pessoas só possuem duas maneiras de lidar umas com as outras: pela razão e pela força. Se você quer que eu faça algo para você, você tem a opção de me convencer via argumentos ou me obrigar a me submeter à sua vontade pela força. Todas as interações humanas recaem em uma dessas duas categorias, sem exceções. Razão ou força, só isso. Em uma sociedade realmente moral e civilizada, as pessoas somente interagem pela persuasão.
A força não tem lugar como método válido de interação social e a única coisa que remove a força da equação é uma arma de fogo (de uso pessoal), por mais paradoxal que isso possa parecer.
Quando eu porto uma arma, você não pode lidar comigo pela Força. Você precisa usar a Razão para tentar me persuadir, porque eu possuo uma maneira de anular suas ameaças ou uso da Força.
A arma de fogo é o único instrumento que coloca em pé de igualdade uma mulher de 50 Kg e um assaltante de 105 Kg; um aposentado de 75 anos e um marginal de 19, e um único indivíduo contra um carro cheio de bêbados com bastões de baseball.
A arma de fogo remove a disparidade de força física, tamanho ou número entre atacantes em potencial e alguém se defendendo.

Há muitas pessoas que consideram a arma de fogo como a causa do desequilíbrio de forças. São essas pessoas que pensam que seríamos mais civilizados se todas as armas de fogo fossem removidas da sociedade, porque uma arma de fogo deixaria o trabalho de um assaltante (armado) mais fácil. Isso, obviamente, somente é verdade se a maioria das vítimas em potencial do assaltante estiver desarmada, seja por opção, seja em virtude de leis – isso não tem validade alguma se a maioria das potenciais vítimas estiver armada.
Quem advoga pelo banimento das armas de fogo opta automaticamente pelo governo do jovem, do forte e dos em maior número, e isso é o exato oposto de uma sociedade civilizada. Um marginal, mesmo armado, só consegue ser bem sucedido em uma sociedade onde o Estado lhe garantiu o monopólio da força.
Há também o argumento de que as armas de fogo transformam em letais confrontos os que de outra maneira apenas resultariam em ferimentos. Esse argumento é falacioso sob diversos aspectos. Sem armas envolvidas, os confrontos são sempre vencidos pelos fisicamente superiores, infligindo ferimentos seríssimos sobre os vencidos.
Quem pensa que os punhos, bastões, porretes e pedras não constituem força letal, estão assistindo muita TV, onde as pessoas são espancadas e sofrem no máximo um pequeno corte no lábio. O fato de que as armas aumentam a letalidade dos confrontos só funciona em favor do defensor mais fraco, não do atacante mais forte. Se ambos estão armados, o campo está nivelado. A arma de fogo é o único instrumento que é igualmente letal nas mãos de um octogenário quanto de um halterofilista.

Elas simplesmente não funcionariam como equalizador de Forças se não fossem igualmente letais e facilmente empregáveis.
Quando eu porto uma arma, eu não o faço porque estou procurando encrenca, mas por que espero ser deixado em paz. A arma na minha cintura significa que eu não posso ser forçado, somente persuadido. Eu não porto arma porque tenho medo, mas porque ela me permite não ter medo. Ela não limita as ações daqueles que iriam interagir comigo pela razão, somente daqueles que pretenderiam fazê-lo pela força. Ela remove a força da equação. E é por isso que portar uma arma é um ato civilizado.
Então, a maior civilização é onde todos os cidadãos estão igualmente armados e só podem ser persuadidos, nunca forçados.

Direito ao Trabalho

Uma das preocupações do homem, em qualquer época, é prover o próprio sustento. O meio empregado para prover o próprio sustento, em uma sociedade civilizada, é o exercício de uma profissão, um ofício, que permita ao homem ou produzir o que necessita para viver ou produzir o que os outros necessitam para viver e, por fim, trocar o produto do seu trabalho pelo produto do trabalho de outros.

labor right

Decorre disto que a sobrevivência do homem, em sociedade, é praticamente impossível sem o trabalho. Assim como a sua integridade física (a segurança da sua vida), a liberdade para agir e a propriedade, o trabalho é essencial para a vida humana ainda que seja apenas um mal necessário. Talvez haja um dia em que a quantidade de trabalho necessária para o sustento de uma sociedade seja negligível o suficiente para declararmos a extinção do trabalho… mas, até lá, temos que lidar com esta questão.

Suscitamos aqui um problema: o homem tem um “direito ao trabalho”? A resposta para esta pergunta depende de como conceituamos o direito. Se estamos falando de um direito positivo que implique a obrigatoriedade do setor público garantir o emprego de um cidadão, seja empregando-o no setor público ou forçando um contrato no setor privado, está claro que este direito simplesmente inexiste. E se existe, é irrealizável e mesmo indesejável: suporia uma reabilitação da Escravidão e a total obliteração do direito de livre associação. Mas, se estamos falando de um direito negativo que implique que ninguém pode impedir uma pessoa de exercer pacificamente um ofício ou profissão, então a resposta é óbvia: o homem tem o direito (negativo) ao trabalho.

Se o homem tem o direito negativo ao trabalho podemos analisar um cenário e dizer se nele tal direito é respeitado ou desrespeitado. Tomemos o Brasil como exemplo. Há pessoas ou instituições que possam, legalmente, impedir você de trabalhar? Infelizmente, sim. São inúmeros os exemplos de mecanismos institucionais que tem o objetivo de impedir certas pessoas de trabalhar, ou mesmo certos ofícios. Por exemplo, você não pode exercer a profissão de advogado sem a aprovação de uma instituição chamada OAB, a única guilda defendida até na Constituição. Você também não pode oferecer serviços de transporte usando o seu carro. Você também não pode ser camelô sem ter de se preocupar com batidas da polícia. Todas estas restrições, é claro, existem para proteger certas pessoas e instituições: a restrição ao exercício da advocacia é uma medida protecionista que favorece o monopólio da OAB na certificação de profissionais desta área, a criminalização do transporte “clandestino” supostamente protege o oligopólio do transporte público ou o monopólio da prefeitura sobre o serviço de táxi, a perseguição ao comerciante informal visa impedir que a cultura da “sonegação” se espalhe para outros comércios. Tudo isto é violação, em primeiro lugar, do direito de trabalhar e, em segundo lugar, do direito de adquirir pacificamente o produto do trabalho alheio.

O motivo pelo qual tais restrições ainda existem é porque, infelizmente, as pessoas tendem a pensar como produtores e não consumidores. Existe uma cultura corporativista que faz com que o taxista e o cobrador de ônibus pensem que só podem beneficiar-se do negócio de transporte se os “caroneiros clandestinos” forem punidos por fazer concorrência. Nenhum setor escapa: pergunte a um professor, do setor público ou privado, se ele aceitaria concorrer no mercado com um instrutor informal. Pergunte a um médico se ele acha “justo” que pessoas possam exercer a sua profissão sem o carimbo do Conselho Regional de Medicina. No Brasil, se bobear, até freelancer quer que sua profissão seja regulamentada e sindicalizada. O resultado disso é uma Economia onde os bens e serviços são cada vez mais caros, escassos e de baixa qualidade e onde praticamente metade da riqueza da população é literalmente destruída em burocracia, impostos e serviços públicos de última.

Se nossa Constituição fosse um pingo mais liberal e menos anti-empreendedora, incluiria entre os direitos do cidadão aquele de trabalhar sem ser interrompido e prejudicado pela polícia, pelo sindicato, pelas corporações de ofício e pelos grevistas com sanha piromaníaca. O verdadeiro direito ao trabalho só pode ser garantido e exercido dentro de uma economia de livre onde a liberdade de empresa, a liberdade de associação e a liberdade de escolha são respeitadas.