Como Ser um Conservador Anti-Socialista Não-Liberal

Por Roger Scruton. Publicado originalmente em inglês no The Imaginative Conservative. Para ler o artigo original, em inglês, clique aqui.

roger-scruton

Os intelectuais do pós-guerra herdaram dois grandes sistemas de pensamento político com os quais satisfizeram seu desejo doutrinário: liberalismo e socialismo. É uma prova da persistência da mentalidade dicotomizadora que, mesmo no Leste Europeu, o “conflito mundial” que durou setenta anos era frenquentemente entendido nestes termos, como uma oposição entre estes sistemas. E porque eles são sistemas, assume-se que eles são organicamente unificados, que você não pode adotar qualquer parte deles sem aceitar o todo. Mas deixemos bem claro desde o início, partindo da nossa atual conjuntura, nada é mais óbvio sobre estes dois sistemas que o fato de que eles são, em seus pressupostos, substancialmente a mesma coisa. Ambos propõem uma descrição de nossa condição e uma solução ideal para ela, em termos que são seculares, abstratos, universais e igualitários. Ambos vêem o mundo em termos “dessacralizados”, em termos que, na verdade, não correspondem à qualquer experiência humana comum e duradoura mas somente aos frios e minguados paradigmas que assombram os cérebros dos intelectuais. Ambas são abstratas, mesmo quando se pretendem uma visão da história humana. Sua história, como a sua filosofia, é alienada da circunstância concreta da agência human e, de fato, no caso do marxismo, chega ao ponto de negar a eficácia da agência humana, preferindo ver o mundo como uma confluência de forças impessoais. As idéias pelas quais os homens vivem e encontram sua identidade local – idéias de lealdade, de país ou nação, de religião e dever – todas estas idéias são para o socialista mera ideologia, e para o liberal, questões de escolha “privada”, a ser respeitadas pelo Estado somente porque realmente não importam ao Estado. Somente em alguns poucos lugares da Europa e da América uma pessoa pode dizer-se conservadora e esperar ser levada a sério. A primeira tarefa do conservadorismo é, portanto, criar uma linguagem onde “conservador” deixe de ser um um termo pejorativo. Esta tarefa é parte de um outro esforço, maior: o de purificar a língua da “sloganização” perminiciosa que tem se apoderado dela. Não será um empreendimento fácil. De certo modo isto é tudo o que a política é. Como os comunistas descobriram desde o princípio, controlar a linguagem é controlar o pensamento – não o pensamento de verdade, mas as possibilidades de pensamento. É em parte devido aos bem-sucedidos esforços dos comunistas – ajudados, é claro, por uma guerra mundial que eles ajudaram a precipar – que nossos pais pensavam em termos de dicotomias rudimentares. Esquerda-direita, socialista-capitalista, e assim por diante. Tais eram os “temas de debate” que herdamos, a tal ponto que não ser “de esquerda” implicava que você era “de direita”; e, se não um comunista, então muito mais próximo do fascismo; se não um socialista, então um defensor do “capitalismo” como sistema econômico e político.

Se há uma dicotomia básica que enfrentamos hoje, é entre nós – os herdeiros do que sobrou da civilização ocidental e seu pensamento político – e os vendedores de dicotomias. Não existe a tal oposição entre esquerda e direita, ou entre comunismo e fascismo. Há simplesmente uma eterna aliança – ainda que uma “aliança dos injustos” que está sempre prestes a violar os acordos pelos quais se forma – entre aqueles que pensam em termos de dicotomias e rótulos. A eles pertence o novo estilo da política, a ciência que efetivamente substituiu “a política” tal e como esta sempre foi. A eles pertence o mundo das “forças” e “movimentos”; o mundo percebido por estas mentes infantis é um mundo em estado constante de agitação e conflito, avançando ora à esquerda, ora à direita, conforme as previsões precipitadas deste ou daquele teórico do destino social do homem. Acima de tudo, a mentalidade dicotomizadora necessita de um sistema. Ela busca um fundamento teórico da condição social e política do homem, do qual possa extrair a doutrina que responderá a todas as circunstâncias materiais.

Ambos os sistemas também são universais. Um socialismo internacional é o ideal declarado pela maioria dos socialistas; e um liberalismo internacional é a tendência implícita do liberal. A nenhum dos sistemas parece inteligível que os homens vivam não para aspirações universais, mas para sentimentos de pertencimento local; não por uma “solidariedade” que envola o mundo todo de ponta à ponta, mas por obrigações entendidas em termos que separam os homens da maioria dos seus vizinhos—termos como história nacional, religião, língua, e os costumes que fornecem a base da legitimidade. Finalmente – e a importância disto nunca deve ser subestimada – tanto socialismo como liberalismo são, em última análise, igualitários. Ambos partem do princípio que todos os homens são iguais em todos os aspectos relevantes para a política. Para o socialista, os homens são iguais em suas necessidades, e portanto devem ser iguais em tudo que concerne a satisfação das suas necessidades. Para o liberal, eles são iguais em direitos, e portanto devem ser iguais em tudo que afete sua posição política e social.

Devo dizer que eu tenho mais simpatia pelo liberal do que pela posição socialista. Pois ele se baseia em uma filosofia que não só respeita a realidade da ação humana, mas também tenta conciliar a nossa existência política com as liberdades elementares que são constantemente ameaçadas. Mas – qualquer que seja o seu valor como um sistema filosófico, o liberalismo continua sendo, para mim, não mais do que isso – um corretivo constante para uma dada realidade, mas não a realidade em si. É uma sombra, lançada pela luz da razão, cuja existência depende do corpo maciço que obstrui a luz, o corpo da existência política do homem.

A existência política do homem desafia os quatro axiomas do liberalismo e do socialismo. Não é secular, mas espiritual, não abstrato, mas concreto, não universal, mas particular, e não igualitária, mas repleta de diversidade, desigualdade, privilégio e poder. E assim deve ser. Eu digo que é espiritual, pois acredito que o mundo como o homem entende – o Lebenswelt – lhe é dado em termos que levam a marca permanente de obrigações que ultrapassam o seu entendimento. Ele nasce em um mundo que exige dele o sacrifício, e que lhe promete recompensas obscuras. Este mundo é concreto, não pode ser descrito numa língua abstrata do teórico socialista ou liberal sem remover a pele de significância que o torna perceptível. O mundo do socialista e o mundo do liberal são como esqueletos mortos, dos quais a pele viva foi removida. Mas este mundo real, o viver, o mundo social, é uma particularidade, uma coisa vital, e deve, para florescer, distribuir diferentemente e desigualmente sua vida sobre as suas partes. A igualdade abstrata do socialista e do liberal não tem lugar neste mundo, e pode ser realizada apenas pela afirmação de controles tão grandes a ponto de destruir a si mesmos.

A fim de justificar, e de fato ganhar a sua guerra com a realidade, a mente intelectual desenvolveu uma linguagem aniquiladora que usa para descrevê-la. Todas as realidades políticas são descritas fora da história, como se fosse possível ser estabelecida em qualquer lugar, a qualquer momento. Assim, o fenômeno particular polonês da “Solidariedade” é empurrado para as formas abstratas ditadas pela teoria da “democracia liberal”. Ele é visto até mesmo como uma espécie de socialismo, especialmente por intelectuais franceses para os quais não há nada bom que não possa ser chamado de socialista. O exemplo é ameaçador. Se quisermos voltar à realidade, devemos procurar uma linguagem que é escrupulosa em relação ao mundo humano.

Uma generalidade, no entanto, é útil para nós, justamente porque, por trás dela, milhares de particularidades se encontram escondidas. Refiro-me à ideia de legitimidade. Para seu imenso crédito, os liberais tentaram dar uma ideia alternativa de legitimidade – com a qual desafiam os direitos históricos que deveriam ser extintos pelo triunfo de seu sistema. A primeira, e última, condenação do comunismo desmentiu a ideia de legitimidade com uma gargalhada cavernosa. Não é a minha preocupação argumentar com o liberal, cujas idéias devem, eventualmente, ser incorporados em qualquer teoria filosófica de governo legítimo. Eu gostaria apenas de sugerir uma alternativa não-liberal, livre do contágio da teoria.

Entre as várias dicotomias que têm pulverizado a inteligência moderna – suponho que devido a Weber – aquelas entre a legitimidade e a legalidade, entre os modos de autoridade “tradicional” e “racional-legal”, tem sido a dicotomia mais prejudicial. Somente se a lei é mal-interpretada, como um sistema de abstrações, a legalidade pode ser considerada uma alternativa à – em vez de uma uma realização particular da – legitimidade. Mas a lei abstrata, por esse motivo, não possui uma força duradoura.

Legitimidade é, simplesmente, o direito ao comando político. E este direito inclui o exercício da lei. O que confere este direito sobre um povo? Alguns diriam que a sua “escolha”. Mas essa ideia ignora o fato de que temos apenas os instrumentos mais rudimentares pelo qual as escolhas são medidas, e essas escolhas dizem respeito apenas à mais fortuita das coisas. Além disso, o que leva as pessoas a aceitarem a “escolha” que é imposta a eles por seus companheiros, se não um sentimento prévio que eles estão unidos em uma ordem legítima?

A tarefa para o conservador é encontrar os fundamentos da existência política concreta, e trabalhar para o restabelecimento de um governo legítimo em um mundo que foi varrido e desprotegido por abstrações intelectuais. Nosso modelo final para um fim legítimo é aquele que é dado historicamente, para as pessoas unidas por seu senso de um destino comum, uma cultura comum e uma fonte comum dos valores que regem suas vidas.

A intelligentsia liberal no Ocidente, como a antiga intelligentsia comunista no Oriente, persistentemente se recusou a aceitar a naturalidade da existência humana. El tornou a vida, e em particular a vida política, em uma espécie de experiência intelectual. Vendo a infelicidade do homem, ela se pergunta – o que deu errado? Sonha com um mundo em que um ideal abstrato de justiça se tornará realidade. Procura, em todos os lugares, uma única solução que irá resolver os conflitos e restaurar a harmonia em todos os lugares, seja no Pólo Norte ou no Equador. Por isso, a total incapacidade do liberalismo para fornecer uma solução para aqueles que estão aflitos por uma ilegitimidade totalitária. O liberal começa a partir do mesmo pressuposto do totalitário, ou seja, que a política é um meio para um fim, e o fim é a igualdade – não uma igualdade material, mas a igualdade moral, uma igualdade de “direitos”. A democracia é o resultado necessário deste ideal liberal, uma vez que a democracia é a realização final da igualdade política. Para o liberal, a única forma de se opor ao totalitarismo é através da lenta e constante democratização da ordem social.

Quem pode duvidar do apelo dessa ideia? Mas esta negligencia um fato inescapável. Eu não consigo ver a minha vida como os liberais desejam ver a vida política. Eu não consigo ver a minha vida como um experimento. Nem posso considerar minhas obrigações como sendo inteiramente criações da minha liberdade, de ações responsáveis. Eu nasci em uma situação que eu não criei, e estou sobrecarregado desde o nascimento com as obrigações que não são de minha própria concepção. Minha dívida básica para o mundo não é de justiça, mas de piedade, e é só quando eu reconhecer esse fato que eu posso ser verdadeiramente eu. Apenas em relação a minha dada situação é que posso formar esses valores e pretensões sociais que me dão forças, e assim, por fim, experimentar a liberdade.

Qualquer avaliação genuína do nosso sentimento de legitimidade deve começar com o reconhecimento de que a piedade precede a justiça, tanto em nossas vidas, quanto em nosso pensamento, e que, até que tenhamos nos associado um lugar e a um povo, e comecemos a pensá-los como “nossos”, as exigência de justiça, a superstição da igualdade, são inteiramente sem sentido para nós. Mas esse apego ao lugar e as pessoas não é escolhido: não é o resultado de uma reflexão liberal sobre os direitos do homem, nem é concebido no espírito experimental que é tão importante para o programa socialista. Nascemos para as obrigações da família, e na experiência de nós mesmos como partes de um todo maior. Não reconhecer a prioridade desta experiência é admitir a premissa maior do pensamento totalitário, que afirma que a existência política nada mais é que um experimento de longo prazo. Há uma visão particular, ainda popular entre os intelectuais de esquerda no Ocidente, que o sistema soviético era um “socialismo errado.” Esse pensamento expressa precisamente o grande perigo político de nosso tempo, que é a crença de que a política envolve uma escolha de sistemas, como um meio para um fim, de modo que um sistema pode “dar errado”, enquanto outro “dar certo.” A verdade é que o socialismo é errado, justamente porque acredita que ele pode dar certo – justamente porque ele vê a política como um meio para um fim. A política é uma forma de existência social, cujo fundamento é as obrigações dadas a partir do qual nossas identidades sociais são formadas. A política é uma forma de associação que não é um meio para um fim, mas um fim em si mesmo. É fundada na legitimidade, e legitimidade reside em nosso senso de que somos feitos por nossa herança.

Assim, se quisermos redescobrir as raízes de ordem política, devemos tentar endossar as obrigações não escolhidas que nos conferem nossa identidade política, e que estabelecem para um polonês que ele  não pode ser governado de Moscou, ou para um habitante das Ilhas Malvinas que ele não pode ser legitimamente governado a partir de Buenos Aires.

Vale a pena fazer uma pausa para mencionar outra generalidade, rival, que tem sido de algum serviço para o intelectual de esquerda liberal no nosso tempo, em seu esforço de acabar com o passado e encontrar uma base política obrigatória que olha apenas para o presente e para o futuro. É a ideia do “povo” como uma fonte de ordem legítima. A ideia é normalmente combinada com a fantasia de que o intelectual tem alguma faculdade peculiar de ouvir, e também articular, a “voz do povo.” Esta auto-ilusão, que persistiu inalterada desde os tempos da Revolução Francesa, expressa a preocupação do intelectual de se reunir com a ordem social de que seu próprio pensamento foi tão tragicamente separado.

Ele deseja se redimir de sua “externalidade”. Infelizmente, entretanto, ele consegue unir-se não com a sociedade, mas só com outras abstrações intelectuais – “o povo” – projetadas de acordo com exigências teóricas impecáveis, precisamente para ocultar a intolerabilidade da realidade da vida cotidiana. “O povo” não existe. Mesmo se existisse, seria autoridade para nada, uma vez que não teria nenhuma base concreta sobre a qual construir a sua legitimidade. Ninguém pode falar para o povo. A verdade, no entanto, se esforça para ser dita, e pode encontrar expressão, ora nesses lábios, ora naqueles.

Ao contrário do “povo”, a nação não é uma abstração. É um dado da realidade histórica. É construído em particular e imediato numa linguagem, costume, religião e cultura. Ela contém em si a sugestão de uma ordem legítima. Isto, creio eu, deve ser sempre lembrado, mesmo por aqueles – e isso inclui a maioria de nós agora – que hesitam em adotar o nacionalismo objetivo que surgiu a partir do Congresso de Viena e que a princípio pacificou, mas, posteriormente, destruiu, o nosso continente.

Mas, certamente, você vai dizer, não há outra fonte de legitimidade, que não requeira o apoio dessas obrigações piedosas que parecem nos comprometer com tanto na base de tão pouco? Não há uma legitimidade a ser encontrada na democracia, que um dia substituirá o apelo à piedade?

Essa é uma grande questão. Mas duas coisas precisam ser ditas em resposta. Em primeiro lugar, a “democracia” é um termo disputado, e ninguém sabe bem o que isso significa ou como garantir sua estabilidade. Devemos esperar até que todos os paradoxos da escolha social tenham sido resolvidos antes de formular nossos compromissos políticos?

Em segundo lugar, o que as pessoas têm apreciado na democracia não é uma escolha coletiva periódica. O que há de tão estimável no fato de que uma maioria ignorante de vez em quando escolha ser orientada por um novo partido, em direção a objetivos que não entendem melhor do que entendiam os objetivos do partido anterior? O que é apreciado são certas virtudes políticas que associamos justamente com a democracia britânica e americana, mas que já existia antes da democracia, e poderia ser estabelecida em outro lugar sem a sua ajuda. Estas virtudes são as seguintes:
(I) O poder limitado: ninguém pode exercer o poder ilimitado quando seus projetos estão para ser extintos por uma eleição.
(II) O governo constitucional: mas o que defende a Constituição?
(III) Justificação por consentimento.
(IV) A existência de instituições autônomas, e as associações livres que as fazem possíveis.
(V) Estado de Direito: em outras palavras, a possibilidade de adjudicar cada ato, mesmo quando ato de um oficial – mesmo quando o ato é em nome do poder soberano.
(VI) A oposição legítima: em outras palavras, o direito de formar partidos e publicar opiniões que se opõem ao governo, e o direito de lutar abertamente pelo poder.

Teóricos políticos estão familiarizados, é claro, com esses assuntos, e este não é o lugar para discuti-los em detalhes. Mas vale a pena resumir sua importância. Tomadas em conjunto, essas seis características do governo, dizem respeito não à democracia, mas à limitação constitucional. Dizendo de forma mais direta, elas denotam a separação do Estado (que é o lugar de autoridade legítima) daqueles que detêm o poder em virtude do Estado. Aqueles que exercem o poder podem ser julgados em termos das próprias funções de que sejam titulares. Esta é certamente parte essencial da verdadeira ordem política. É também uma parte indispensável de qualquer legitimidade bem elaborada. De fato, podemos ver a legitimidade do Estado Moderno como composta de duas partes: uma raíz, que é o apego devoto que atrai as pessoas a uma única entidade política, e uma árvore que cresce a partir dessa raíz, que é o estado soberano, ordenado pelos princípios que recomendei. Neste estado, o poder é submetido a condições limitantes, e de uma maneira que o torna responsável por aqueles que podem sofrer por seu exercício. Este estado mostra o verdadeiro florescimento de uma “sociedade civil” – uma vida pública que seja aberta, digna, e imbuída com uma legitimidade instintiva. Tal legalidade cresce e exprime a legitimidade que é armazenada em sua raíz. Esta é a parte superior, a parte visível da legítima polis que é tão evidentemente destruída pelas doutrinas políticas de nossos tempos. Mas a sua destruição se torna possível, não tanto pela eliminação da democracia, mas pelo sufocamento do sentimento legítimo do qual se alimenta.

A democracia pode, é claro, sustentar as seis virtudes políticas que eu listei. Mas também pode destruí-las. Todas dependem de uma coisa que a democracia não pode fornecer, e que é insinuada na questão que eu adicionei para o número (II): autoridade. O que leva as pessoas a aceitar e se comprometer com os resultados de uma eleição democrática, ou pela lei existente, ou pelas limitações incorporadas em um gabinete? O que, em suma, dá origem ao “espírito público” que notavelmente desapareceu das instituições do governo em grande parte da Europa moderna? Certamente é o respeito – às instituições, aos procedimentos, aos poderes e privilégios efetivamente apreciados. Esse respeito é derivado da sensação de que estes poderes, privilégios e procedimentos refletem algo que é verdadeiramente “nosso”, algo que cresce a partir do vínculo social que define a nossa condição. Aqui reside a autoridade do real: a que ele demonstra conter em si o resíduo da fidelidade que define o meu lugar.

Agora, o que é a verdadeira legalidade? Eu já sugeri a distinção entre a lei abstrata e a lei concreta, e eu impliquei que só a lei concreta pode realmente preencher o vácuo de legitimidade que atualmente encontra-se diante de nós. A lei concreta é exemplificada no seu melhor na tradição inglesa da lei costumeira – leis criadas por juízes em resposta aos problemas concretos que surgem diante deles, e em que os princípios emergem lentamente, e já se tornam sujeitos a severa disciplina do real. Qualquer lei que é o resultado do raciocínio judicial sério, fundada em precedentes e autoridades, tem a marca de uma ordem histórica; também continua a responder à realidade dos conflitos humanos e constitui uma tentativa genuína para resolvê-los, ao invés de ditar uma solução intelectualmente satisfatória o que pode ser inaceitável para as partes. Esse tipo de lei incorpora a verdadeira fonte de autoridade legal, que é convicção da autor de que a justiça será feita, não abstratamente, mas de acordo com seu caso particular, tendo em conta as circunstâncias específicas que são dele, e que são, talvez, até mesmo exclusivas dele. Para a lei concreta existir, de qualquer forma, deve haver uma independência judicial. E uma vez que existe a independência judicial haverá o que todos razoavelmente aspiravam sob a bandeira dos “direitos do homem”. Pois existirá a garantia de que a justiça possa ser feita, seja qual for o poder que pretende extingui-la.

Existem duas grandes ameaças lei concreta. Uma delas é a abolição da independência judicial. Isto foi conseguido pelo Partido Comunista, em prol de uma justiça “abstrata” – uma “igualdade” de recompensa – que inevitavelmente entra em conflito com as circunstâncias concretas da existência humana. A segunda ameaça é a proliferação da lei de estatuto – de lei por decreto, a lei repetidamente feita e re-feita em resposta às idéias mal feitas dos políticos e seus assessores. Toda essa lei é fatalmente defeituosa: o Partido Comunista repousava toda a sua pretensão de legalidade na geração de tais leis, ao remover o único instrumento – a independência judicial – que poderia transformá-las em verdadeiras leis, ao invés de liminares militares.

O liberalismo sempre valorizou a importância da legalidade. Mas legalidade liberal é uma legalidade abstrata, preocupada com a promoção de uma ideia puramente filosófica de “direitos humanos”. Quais valores são direitos humanos, sem o processo judicial que irá defendê-los? E além disso, ao deixar na mão de alguém esta fé abstrata e sedutora, não estamos dando a um inimigo o bastião contra o reconhecimento de sua ilegitimidade? Não existe a possibilidade de ele dizer que respeita os direitos humanos – mas direitos diferentes? (O direito de trabalhar, por exemplo, ou o direito de uma participação nos meios de produção.) Se olharmos de volta para a Revolução Francesa, vê-se o quão fácil é para a doutrina dos “direitos humanos” se tornar um instrumento da tirania mais terrível. Basta fazer como os jacobinos fizeram a abolir o sistema judicial e substituí-lo por “tribunais populares”. Então qualquer coisa pode ser feita para qualquer um, em nome dos Direitos do Homem.

Em resposta ao liberalismo, portanto, é necessário trabalhar para a restauração das circunstâncias concretas da justiça. Mas a lei concreta que eu tenho defendido é muito diferente de qualquer coisa que tanto um socialista ou um liberal aprovaria. Ela preserva as desigualdades, confere privilégios, justifica o poder. E, no entanto, é isso a sua força. Para sempre haverá desigualdades: haverá sempre o privilégio e o poder. Esses não são nada, mas sim os traços de uma ordem política real. Desde que as igualdades, privilégios e poderem exista, é certo que elas devam coexistir com uma lei que possa justificá-las. Caso contrário, elas serão injustas e também descontroladas.


Gostou deste artigo? Receba nossas atualizações por e-mail assinando o nosso boletim:
Boletim Direitas Já!

Contra os comissários da ignorância

Abaixo segue um artigo QUASE IRRETOCÁVEL de Luiz Felipe Pondé na Folha de hoje.

Quase irretocável, pois no ultimo paragrafo ele menciona corruptos de direita no Brasil, sendo que não consigo identificar um corrupto sequer que defenda o ideário direitista (livre mercado, estado mínimo, propriedade privada, direitos e responsabilidades individuais, respeito integral as leis e a constituição democrática republicana, etc.)

Se identificarem um ou mais corruptos que não sejam populistas (pró-assistencialismo), que não sejam adeptos do estado inchado e intervencionista, que não apoiem nenhuma forma de terrorismo (MST, ONG’s indigenistas e afins) que não ataquem os direitos e liberdades individuais dos cidadãos dentre outros fatores similares, postem os nomes na área de comentários. Ressaltando que defender um ou dois desses aspectos apenas não enquadra ninguém no espectro da direita.

Contra os comissários da ignorância

O que é conservadorismo? Tratar o pensamento político conservador (“liberal-conservative”) como boçalidade da classe média é filosofia de gente que tem medo de debater ideias e gosta de séquitos babões, e não de alunos.

Proponho a leitura de “Conservative Reader” (uma antologia excelente de textos clássicos), organizada pelo filósofo Russel Kirk. Segundo Kirk, o termo começou a ser usado na França pós-revolucionária.

Edmund Burke, autor de “Reflexões sobre a Revolução na França” (ed. UnB, esgotado), no século 18, pai da tradição conservadora, nunca usou o termo. Tampouco outros três pensadores, também ancestrais da tradição, os escoceses David Hume e Adam Smith, ambos do século 18, e o francês Alexis de Tocqueville, do século 19.

Sobre este, vale elogiar o lançamento pela Record de sua biografia, “Alexis de Tocqueville: O Profeta da Democracia”, de Hugh Brogan.

Ainda que correta a relação com a Revolução Francesa, a tradição “liberal-conservative” não é apenas reativa. Adam Smith, autor do colossal “Riqueza das Nações”, fundou a ideia de “free market society”, central na posição “liberal-conservative”. Não existe liberdade individual e política sem liberdade de mercado na experiência histórica material.

A historiadora conservadora Gertrude Himmelfarb, no seu essencial “Os Caminhos para a Modernidade” (ed. É Realizações), dá outra descrição para a gênese da oposição “conservador x progressista” na modernidade.

Enquanto os britânicos se preocupavam em pensar uma “sociologia das virtudes” e os americanos, uma “política da liberdade”, inaugurando a moderna ciência política de fato, os franceses deliravam com uma razão descolada da realidade e que pretendia “refazer” o mundo como ela achava que devia ser e, com isso, fundaram a falsa ciência política, a da esquerda. Segundo Himmelfarb, uma “ideologia da razão”.

O pensamento conservador se caracteriza pela dúvida cética com relação às engenharias político-sociais herdeiras de Jean-Jacques Rousseau (a “ideologia da razão”).

Marx nada mais é do que o rebento mais famoso desta herança que costuma “amar a humanidade, mas detestar seu semelhante” (Burke).

O resultado prático desse “amor abstrato” é a maior engenharia de morte que o mundo conheceu: as revoluções marxistas que ainda são levadas a sério por nossos comissários da ignorância que discutem conservadorismo na cozinha de suas casas para sua própria torcida.

Outro traço desta tradição é criar “teorias de gabinete” (Burke), que se caracterizam pelo seguinte: nos termos de David Hume (“Investigações sobre o Entendimento Humano e sobre os Princípios da Moral”, ed. Unesp), o racionalismo político é idêntico ao fanatismo calvinista, e nesta posição a razão política delira se fingindo de redentora do mundo. Mundo este que na realidade abomina na sua forma concreta.

A dúvida conservadora é filha da mais pura tradição empirista britânica, ao passo que os comissários da ignorância são filhos dos delírios de Rousseau e de seus fanáticos.

No século 20, proponho a leitura de I. Berlin e M. Oakeshott. No primeiro, “Estudos sobre a Humanidade” (Companhia das Letras), a liberdade negativa, gerada a partir do movimento autônomo das pessoas, é a única verdadeira. A outra, a liberdade positiva (abstrata), decretada por tecnocratas do governo, só destrói a liberdade concreta.

Em Oakeshott, “Rationalism in Politics” (racionalismo na política), os conceitos de Hume de hábito e afeto voltam à tona como matrizes de política e moral, contra delírios violentos dos fanáticos da razão.

No 21, Thomas Sowell (contra os que dizem que conservadores americanos são sempre brancos babões), “Os Intelectuais e a Sociedade” (É Realizações), uma brilhante descrição do que são os comissários da ignorância operando na vida intelectual pública.

Conservador não é gente que quer que pobre se ferre, é gente que acha que pobre só para de se ferrar quando vive numa sociedade de mercado que gera emprego. Não existe partido “liberal-conservative” no Brasil, só esquerda fanática e corruptos de esquerda e de direita.

Conservadorismo verdadeiro vs. Neoconservadorismo*

Artigo original por Nelson Hutberg. Tradução de Rodrigo Viana.

Introdução do tradutor
Embora este artigo trate do cenário político americano, ele serve muito bem como uma lição para nós brasileiros. Esclarece posições políticas que para muitos soa duvidosa e opositora (o que na prática pode não soar assim) como também mostra quem são os reais opositores. Indo direto ao ponto, é necessário saber que o conservadorismo anglo-saxão não é o mesmo que o conservadorismo continental europeu. Do mesmo modo que no anglo-saxão, o conservadorismo americano não é exatamente o mesmo que o britânico. E entender tudo isso é de suma importância. Porém este artigo não fala sobre isso. Deixo tais questões para uma outra oportunidade. Enfim, com a ascensão do movimento denominado pela mídia de “Nova Direita”, grupos de diferentes tendências começam a emergir e fazer barulho no cenário político nacional. Como toda ideia feita por humanos, naturalmente aparece divergências de todo o tipo. Tentando mostrar uma luz a ser
norteada, este artigo visa querer “separar o joio do trigo” desse movimento a fim de que ele cresça de modo saudável. É preciso entender quem são realmente aliados e opositores. Mesmo num movimento que está sendo germinado, se faz mais do que necessário conhecer cada pensamento e sua história. Por isso, espero que este artigo sirva como uma admoestação para que pensamentos torpes importados ditos por certos grupos ou mentores não sejam realmente postos em nossa sociedade. De ideias bizarras já estamos saturados. E bem saturados.

Conservadorismo verdadeiro vs. Neoconservadorismo

O falecido William Simon[1], ex-secretário do tesouro no governo Ford[2], não era seu funcionário do governo como de costume. Como evidenciam suas memórias de 1978 intitulada A Time for Truth, tornou-se um dos livros mais influenciáveis nos últimos 50 anos para esclarecer em prosa vigorosa o governamentalismo que aflige os EUA. O governo federal tem estado, por muitas décadas até agora, corrompendo nosso país como uma gangrena devastando uma perna ferida, e Simon capturou magistralmente o ideológico do por que e do como desta doença.

Simon adorava o “sistema da liberdade natural” de Adam Smith[3] que construiu a cultura da liberdade que nós conhecemos como uma nação antes de 1913[4]. Tão eloquente quanto o tomo de seu livro foi, contudo, continha um erro profundo. Foi um erro o grave desencaminhar no governo Reagan[5], o Partido Republicano[6], e o renascimento capitalista lançado por intelectuais libertários pós-guerra.

William Simon abraçou a noção de que o crescente movimento neoconservador, encabeçado por Irving Kristol[7] no final da década de 70, poderia tornar um aliado valoroso para restaurar a liberdade e um governo constitucional para os EUA. Simon foi brilhante, mas nesta questão falhou em ver “lobos vestidos de ovelhas”, pessoal de Kristol e sua turma coletivista de estudiosos que o havia reunido em torno dele – Patrick Moynihan[8], Norman Podhoretz[9], Daniel Bell[10], Nathan Glazer[11], e Sidney Hook[12] (com o apreço Richard Perle[13], Paul Wolfowitz[14], Bill Kristol[15], William Bennett[16], e George Will[17] tão logo a seguir).

Como Simon colocou, estes distintos intelectuais “ainda são intervencionistas em um grau que eu mesmo não aprovo, mas eles compreenderam a importância do capitalismo[18] estão batalhando alguns aspectos despóticos do igualitarismo e podem ser contados como aliados em certas frentes cruciais da luta pela liberdade individual” [A Time For Truth, 1978, p. 227.]

Em todos estes três pontos, Simon não poderia ter estado mais errado. Neoconservadores nunca compreenderam a importância do capitalismo. Se tivessem, eles entenderiam que programas intervencionistas arrogantes que se apegam nos dias iniciais do New Deal[19] são anátemas ao capitalismo. Ademais, eles e seus acólitos não estão batalhando os aspectos despóticos do igualitarismo sem qualquer coisa substantiva, somente com um falso apoio. Irving Kristol tem sido veemente apoiador de ações afirmativas e cotas sexuais e raciais durante anos, enquanto guiando seus seguidores sempre em direção a uma atenciosa obediência para a agenda das “liberdades civis” da esquerda.

E o mais errôneo de tudo era a pretensão de Simon de que neoconservadores “pode se contar como aliados” na “luta pela liberdade individual”. Do contrário, eles provaram nas duas últimas décadas ser precisamente o oposto entusiasticamente defendendo a expansão indiscriminada do estado assistencialista/ belicista a cada vez e oportunidade.

Raízes ideológicas dos neocons

Mas o que mais devemos esperar. Kristol e a turma original de intelectuais neocon foram seguidores do comunista Leon Trotsky[20] em suas juventudes durante as décadas de 30 e 40. Suas raízes ideológicas eram socialistas por completo. Eles absorveram a Revolução Bolchevique de 1917[21] de Lenin[22] e viram o socialismo como um ideal que precisava ser espalhado ao Ocidente. Enquanto neoconservadores modificaram as raízes leninistas de sua ideologia em favor da metodologia gradualista dos socialistas fabianos ingleses[23], eles ainda são defensores inflexíveis do coletivismo para os EUA. Eles são completamente socialistas? Não, mas suas propostas políticas são sempre em favor de uma rígida expansão governamental, domesticamente e internacionalmente.

O paradigma que deram suas vidas baseia-se sobre um mega-estado centralizado, administrando de Washington a sociedade americana. No ponto de vista de Kristol, a visão de livre mercado dos Pais Fundadores[24] era uma “fantasia doutrinária”. Aderir a isso hoje é uma tolice anacrônica, deve ser eliminada de nossa consciência coletiva. Todos os neoconservadores pensam que os princípios morais que fundamentam a visão política dos Pais Fundadores são um impedimento para uma sociedade estável. Portanto a adesão por tais princípios morais deve ser descartado em favor do pragmatismo amoral.

Em suas visões, os princípios dos direitos individuais e governo limitado são inexequíveis. Maquiavel[25] e Platão[26] tiveram a melhor ideia. Pessoas precisam ser manipuladamente lideradas por elites estatistas – via diálogo aberto e democracia se possível, mas por engano, coerção e conveniência quando necessário. Por exemplo, Kristol fala de modo muito favorável sobre a era da Lei Seca[27] da década de 20, e entusiasticamente aprova censuras. “Se você se preocupa pela qualidade de vida e nossa democracia americana, então deve ser a favor da censura” ele afirma. [Citado por Daniel Shapiro, “The Neoconservatives”, Libertarian Review, January-February, 1978, p. 30.]

Enquanto neoconservadores sempre estavam na esquerda política e fortemente alinhados com o estatismo durante as décadas de 40 e 50, eles ficaram horrorizados com a rebelião da Nova Esquerda[28] da década de 60 e suas intimidações ralés do grupo. Consequentemente com a nomeação de George McGovern[29] do Partido Democrata[30] em 1972, neoconservadores começaram a migrar para o Partido Republicano em busca de sanidade. Sendo bons leninistas de coração, eles souberam como disfarçar a si mesmos com prestidigitação verbal. Adotaram o nome de neo-conservador para se distanciarem do que perceberam como falha do esquerdismo, mas também orientar claramente do conservadorismo libertário que inspirou a direita política. Eles se apresentaram como o que eles esperaram que se tornaria um novo conservador de meio termo cujo o mega-estado de Franklin Roosevelt[31] e Lyndon Johnson[32] seria aceito como progressista e adequado.

Conservadores verdadeiros, corrida ao poder

Infelizmente a intelligentsia do conservadorismo estabelecido absorveu o disfarce leninista dos neocons e seu pseudo apoio do capitalismo. Fechando seus próprios olhos para as perigosas raízes ideológicas dos neocons e suas adoções abertas ao mega estatismo, conservadores já consagrados viram somente o que eles queriam ver em tal fusão – uma chance no poder político de Washington. Visto que os grandes princípios do movimento conservador tiveram que ser descartados para acomodar estes altos proeminentes ex-esquerdistas, esta ausência teve de ser suprimida em suas mentes. Mas que assim seja, para a obtenção de poder real que estava acenando. Conservadores tinham estado num deserto por muito tempo e ansiavam por um governo em Washington.

Gregos sinistros estavam, deste modo, tentando obter uma entrada em Troia e o livro de William Simon os ajudou muito. Quando ele convidou todos os defensores da liberdade na direita para acolher estes “ilustres intelectuais” em seus campos, o prestígio de sua carreira e a eloquência de sua mensagem acalmou o movimento conservador em uma decisão malfadada. Depois que Reagan foi eleito em 1980, seus conselheiros abriram as portas e trouxeram dezenas de maquiavélicos de Kristol nos círculos de poder de Washington para administrar o país nos próximos oito anos. Bush “pai”[33] seguiu o exemplo em 1989 e o plano foi colocado para o golpe final, que era pra realizar com o Bush “filho”[34], que forçou os EUA no desejo de buscar a hegemonia mundial. Até o ano de 2000, os neocons tinham vermifugado seus caminhos até os lugares mais altos. Tornaram influentes no Wall Street Journal, The Washington Times, The Weekly Standart, Fox News, no American Enterprise Institute, Project for the New America Century e uma enorme quantidade de outros think tanks e instituições de mídia. Washington tinha deixado de ser uma cidade predominantemente esquerdista, foi agora governada igualmente por neocons. Mesmo que o bastião do esquerdismo, Washington Post, cordialmente aprovou especialistas neoconservadores tal como Charles Krauthammer[35] e seu cunho ultranacionalista nestas questões.

O movimento conservador original estava muito longe do neoconservadorismo. Ele surgiu de seus defensores da Republica em oposição ao New Deal na década de 30, apoiando a livre iniciativa no país e o não-intervencionismo no exterior. Mas na metade da década de 60 tinha sido adulterado de maneira ruim pela política externa belicista do National Review[36] e a falta exasperada de suporte principal face ao estatismo interno. Como resultado, a infiltração de neocons nos anos 70 foi capaz de efetuar um grande dano na transformação política que forçou o verdadeiro conservadorismo ao exílio. O movimento conservador foi sequestrado pelos próprios inimigos que foi formado pra lutar – socialistas fabianos, apoiadores do New Deal, assistencialistas, progressistas, globalistas, intervencionistas, militaristas, tecnocratas e todo o resto da laia coletivista que foi assiduamente trabalhando para destruir a Republica de Estados dos Pais Fundadores.

Muitos conservadores verdadeiros falharam em compreender que uma vez que a adesão ao princípio correto foi abandonada em busca do poder, seria quase impossível recuperar a grandiosidade da verdade e justiça para o qual já tinham aderidos. O poder era um narcótico terrível e viciante. Invariavelmente corrompe o senso moral e dissolve-se um desejo para a retidão.

A República pode ser restaurada?

A premente questão agora é: o que deve ser feito em face a esta tragédia? Pode o original, o movimento conservador verdadeiro ser reacendido – o movimento para restaurar a república que iniciou nas décadas de 40 e 50 por conservadores constitucionais e libertários como Richard Weaver[37], Clyde Wilson[38], Ludwig von Mises[39], Friedrich Hayek[40] e Milton Friedman[41]?

Sim, certamente pode ser reacendido. Neoconservadores não são os líderes de nossa causa jeffersoniana[42]. As causas deles são de uma filosofia estrangeira de autoritarismo importado em nossas bordas por coletivistas europeus como Leo Strauss[43] e ex-marxistas como James Burnham[44]. O verdadeiro movimento conservador foi, desde o início, um misto de libertarianismo político, conservadorismo cultural, não-intervencionismo externo que nos foi legado pelos Pais Fundadores. Sem dúvida alguma não era um misto socialista/ fascista de maquiavelismo, que os neoconservadores estão empurrando goela abaixo dos americanos hoje em dia.

Nosso primeiro passo em direção a restauração deve ser revisitar o que é o verdadeiro conservadorismo. Richard Weaver falou dele deste modo:

“É de minha opinião que um conservador é realista, que acredita que há uma estrutura de realidade independente da sua própria vontade e desejo. Ele acredita que há uma criação do qual estava aqui antes dele, pelo qual existe agora não apenas por seu consentimento tácito, e do qual estará aqui depois que ele se for.

Esta estrutura consiste não meramente do grande mundo físico mas também de muitas leis, princípio e regulamentos que controla o comportamento humano. Embora esta realidade seja independente do indivíduo, não é hostil a ele. É na verdade submissa a ele em vários modos, mas não pode ser mudado radicalmente e arbitrariamente. Esse é o ponto básico. O conservador afirma que o homem neste mundo não pode fazer de sua vontade a sua lei sem respeito algum aos limites e à natureza fixa das coisas.” [“Conservatism and Libertarianism: The Common Ground,” Life Without Prejudice, 1965, pp. 158-159.]

Como Weaver enxergaria os neoconservadores de hoje? Ele sem dúvida os enxergaria com o mesmo desprezo mantido pelos esquerdistas radicais de sua época que estavam tentando fazer de suas vontade suas leis:

“Há uma diferença entre tentar reformar seus semelhantes pelos processos normais de demonstração lógica, recurso e persuasão moral – há uma diferença entre isto e passando por cima para usar força ou coação. O primeiro é algo que envolve todos nós em todos os dias. O último é o que faz o radical moderno perigoso e, talvez, em um sentido demente.” [Ibid, p. 161.]

Weaver era o arquétipo do conservador libertário e entendeu muito bem o terreno comum filosófico entre ambos os movimentos. Ele era um extremo constitucionalista porque uma constituição previa um “código estabelecido de liberdade para o indivíduo”. [Ibid, p. 163.]

Retorno à razão e a Lei Natural

Acadêmicos e especialistas estatistas de hoje, claro, zombam a um retorno ao governo constitucional estrito e um “código estabelecido de liberdade para o indivíduo”. Eles consideram uma saudosa nostalgia embrulhado numa irrelevância ingênua de seres humanos que resistem ao progresso. Mas eles não poderiam ir mais longe da verdade. A adoção de um pregador religioso pela Regra de Ouro[45] é um anacronismo tolo? A Lei Física da Gravidade significava apenas para aqueles anteriores ao século 20? Dificilmente não! E o grande documento político do homem não é pra ser tratado como um modismo cultural. Nossa constituição é baseada sob leis morais fundamentais tão imutáveis como a Regra de Ouro e a Lei da Gravidade. Sua restauração para a vida americana é vitalmente tão importante quanto o retorno da razão foi para a metafísica na Europa medieval. Nossa constituição é a personificação da lei racional transcendente. Somente por vir a agarrar a sua natureza transcende e racionalidade, os EUA podem endireitar a si mesmo e reconstruir as bases de uma sociedade livre. Isso, os neoconservadores são incapazes de fazerem, por eles estarem presos no autoritarismo socialista falido de suas juventudes e irão se agarrar com seus paradigmas irracionais para seus leitos de morte.

Isto significa que todos aqueles que no movimento conservador que sinceramente desejam liberdade para nossa nação devem fazer um ruptura inequívoca do neo-conservadorismo e retornar ao verdadeiro conservadorismo – o conservadorismo libertário dos Pais Fundadores. Eles devem começar a estabelecer eles próprios como uma força de oposição genuína ao estatismo, ao invés de imitar filosofias maquiavélicas e tirânicas em busca de poderes momentâneos.

Verdadeiros conservadores devem estar veementemente em oposição a coletivização dos EUA que está sendo promovido pelos gostos de Bill Kristol, William Bennett, George Will, e Bill Buckley[46]. Conservadores verdadeiros devem, mais uma vez, tomar suas posições sobre os grandes conceitos de “governo limitado” e “lei objetiva”. Isto significa uma vontade para defender a liberdade em todo o mercado. E mais importante, significa uma vontade em denunciar privilégios cedidos pelo governo a grupos de interesse especiais em ambos os lados, da direita ou esquerda. Significa um apoio em completa escala de um governo constitucional estritamente limitado que ceda favor a ninguém, rico ou pobre, negro ou branco, jovem ou idoso. Isto significa uma eliminação progressiva do estado de bem-estar social e ao federalismo estrito e soberania dos estados. Isto não significa uma eliminação imediata, mas certamente significa um fim.

Ao menos que os conservadores tenham a coragem de travar a batalha desta maneira, com o compromisso para o estabelecimento definitivo de um ideal de vida capitalista (onde a inviolabilidade da propriedade privada é restaurada e o governo federal é limitado a uma interpretação literal de seus mandados constitucionais) há pouca esperança para mais nada do que o crescimento explosivo do Leviatã. Certamente não há esperança para uma reversão do processo de coletivização que dominou o século 20. Essa é a grande lição esclarecedora que os últimos 50 anos ensinaram – pelo menos para os americanos que ainda possuem um senso de história.

Por ideologicamente apoiar o establishment estatista e seu paradigma assistencialista, conservadores, claro, obtém uma medida de popularidade e aprovação social mas eles não fizeram nada para deter a maré da crescente destruição moral e econômica tão exponencialmente em nosso meio. Ele ganham uma celebridade momentânea mas abandonam a verdade imutável.

Tornando-se um “comentarista” celebrado e sendo amplamente aceito pela mídia, as bases de prestígios, e as elites políticas, tudo é muito gratificante para o ego mas o preço final pago é fatal.

Isto porque, afim de ganhar status estimado na sociedade de hoje, deve aceitar e promover a a validade do pesado estatismo arbitrário. Isto significa que deve abandonar os princípios filosóficos de “governo limitado” e “igualdade de direitos” e conceder aos esquerdistas suas premissas morais básicas – que o estado tem o direito de redistribuir riqueza individual e arbitrariamente reorganizar seres humanos.

Uma vez que essa premissa moral é concedida (e é concedida por todos aqueles que aceitam a validade do estado assistencialista), então não há jeito para lutar efetivamente pela liberdade. Então ele é reduzido a lutar apenas por um burocratismo mais eficiente, por uma tirania mais benevolente. A batalha, em seguida, se torna somente a marca do estatismo insuportável que devemos nos resignar, em vez de como vencer dramaticamente o futuro pela liberdade e justiça.

Desafiando a premissa moral

Reflita sobre isso: porque neoconservadores como Bill Kristol, William Bennett, George Will, e Bill Buckley são aceitáveis tão graciosamente pelo establishment  esquerdista predominante? Porque eles não contestam a premissa moral do estatismo. Eles aceitam o uso do estatismo de lei arbitrária, sua violação de direitos individuais e sua transmissão de privilégios especiais. Sendo assim, eles não representam ameaça moral ao esquerdismo e não são temidos por aqueles que estão tiranizando nossas vidas com um governo onipresente.

Neoconservadores como Kristol, Bennett, Will, e Buckley optaram por uma inclusão no establishment predominante em vez de demarcar uma posição heróica pela verdadeira liberdade e governo constitucional. Eles optaram pela popularidade acima do princípio. Por toda história, isso tem sido a natureza daqueles que almejam os confortos da aprovação desses grupos.

Tais grupos são invariavelmente conglomerados brandos de conformistas e bajuladores, loquazes em vez de sábios, irrelevantes de longa data porque não estão interessados com a grande figura da história – sendo relutantes ou incapazes de compreendê-la. O que move a mente da história desses grupos é o obsessivo cultivo de seus status pessoais e a adoção de qualquer ideologia (ou anti-ideologia) que passa a ser moda no momento. Pela razão dos neoconservadores apoiarem o estatismo modista dos modernos esquerdistas, eles são inimigos dos EUA.

Tais mentalidades de curto alcance escolheram venerar o altar de burocratas mafiosos de uma democracia sem limites junto com seus camaradas esquerdistas. Ao fazê-lo, eles ajudam a conduzir a civilização ocidental ao pântano do burocratismo oportuno e da decadência sócio-econômica que agora amarguramos. Sua forma de regra, se for diferente em grau de despotismo, não é diferente, em princípio, do que leviatãs monstruosos como a Suécia. A democracia absoluta que necons e esquerdistas veneram é apenas uma maior e mais pesada, mas não menos execrável, forma de oligarquia.

Não é de se esperar que tais mentes maquiavélicas e cegamente pragmáticas serão capazes de enfrentar suas irracionalidades presunçosas, pois é da natureza dos homens míopes no poder a retirar o entolho em torno da pouca visão que possuem de modo a evitar enfrentar a decadente turbulência provocada a partir de sua ignorância.

O que é de se esperar, contudo, é que o forte intelecto e mente aberta dos EUA, que não deseja fazer parte da coletivização de sua alma, estará disposto a enfrentar os requisitos de uma sociedade verdadeiramente livre baseada em leis objetivas.

Liberdade não é para o covarde buscando a institucionalização da dependência e do privilégio. Nem para os bajuladores da vida tão obcecados por popularidade. É para os robustos dotados de corações heróicos e almas impetuosas – os filhos espirituais daqueles que caminharam na história duzentos anos atrás pra registrar em pergaminho sua primeira grande idealização conhecida pelo homem.

Se conservadores desejam somente governar em vez de reformar, eles não são apenas o Partido Estúpido, são covardes. Seu legado histórico será a abdicação pusilânime, e o futuro dos EUA como um brilhante ideal para todo o mundo estará morto.

Ser meramente governantes e exercer o poder é um objetivo intelectual insignificante. Certamente não foi para isso que os Pais Fundadores lutaram a revolução. Eles lutaram bravamente para estabelecer a “verdade” e um “ideal” de liberdade político-econômica. Neoconservadores de hoje e suas multidões da corrente principal do Partido Republicano tinham que reavaliar melhor o significado dos EUA. Não é sobre manter uma Grande Sociedade Planejada a partir de Washington. É sobre proteger a rede da liberdade sem remendo para que os indivíduos possam construir suas vidas pessoais e comunidades locais por conta própria até o nível mais alto de suas capacidades.

Se abandonarmos o legado dos Pais Fundadores, em princípio, então nós teremos destruído isso na verdade. Nossos esforços hoje são bem limitados, em princípio, e muito preocupados com o poder. É essa declaração que desejamos inscrever nas páginas da história como contribuição da nossa vida para o grande drama da existência – que nós apenas corremos e brigamos em busca de poder? Um EUA livre não pode ser salvo com tal abordagem egoísta e qual objetivo há de mais valoroso do que a salvação de um EUA livre?


Nelson Hultberg é um escritor freelancer, graduado na Beloit College e diretor executivo do site Americans for a Free Republic. Já publicou artigos no The Dallas Morning News, The San Antonio Express-News, The American Conservative, Insight, The Freeman, Liberty, The Social Critic e em sites como Free Market News, Financial Sense e Safe Haven.

É autor dos livros The Conservative Revolution: Why We Must Form a Third Political Party to Win It e The Golden Mean: The Case for Libertarian Politics and Conservative Values. Durante a década de 90 trabalhou em projetos para reformas tributárias promovendo a abolição do imposto de renda. Foi apresentado pela revista Texas Business, em conjunto com alguns políticos americanos, como um dos líderes reformadores fiscais do Texas.

Leituras recomendadas:

The voice of neoconservatism, por Ronald Bailey – Reason.com: http://reason.com/archives/2001/10/17/the-voice-of-neoconservatism

A Tragedy of Errors, por Michael Lind – The Nation: http://www.thenation.com/article/tragedy-errors

Context of ‘Late 1930s – 1950s: Neoconservative Philosophy Grows from Communist Intellectuals’ Disenchantment with Soviet Ideology’, History Commons: http://www.historycommons.org/context.jsp?item=a30s50sneoconideology

A ignorância de Naomi Klein, por Diogo Costa – Ordem Livre: http://www.ordemlivre.org/2008/07/a-ignorancia-de-naomi-klein/

How neoconservatives conquered Washington — and launched a war, por Michael Lind – Salon: http://www.salon.com/2003/04/09/neocons_4/

Idol With Clay Feet, por Samuel Francis – The American Conservative: http://www.theamericanconservative.com/articles/idol-with-clay-feet/

Leituras complementares:

Russell kirk e a filosofia conservadora da cultura: conversa com Alex Catharino, Diálogos Exemplares: http://dialogosexemplares.wordpress.com/2011/11/29/entrevista-com-alex-catharino/

Os liberais e o desentendimento disfarçado de debate, por Bruno Garschagen – Ordem Livre: http://www.ordemlivre.org/2011/08/os-liberais-e-o-desentendimento-disfarcado-de-debate/

What conservatism means, por Owen Harries – The American Conservative: http://www.unz.org/Pub/AmConservative-2003nov17-00013

Notas do tradutor:

* Dentro do espectro político conservador americano há alas de diferentes tendências. O que é dito como “conservadorismo verdadeiro” é conhecido atualmente como paleoconservadorismo (daí a distinção entre o neoconservadorismo). Este movimento político (não é necessariamente um pensamento) remete às ideias originárias dos Pais Fundadores americanos: federalismo radical, estado limitado, liberdade individual, não-intervencionismo externo, economia de livre mercado e valores tradicionais. Em suma, é o libertarianismo político-econômico junto com o tradicionalismo cultural. São herdeiros diretos de intelectuais liberais clássico como Edmund Burke, John Locke e Adam Smith. Pode-se dizer também que descendem da chamada “Antiga Direita” americana (Old Right no original),  grupo de políticos que foi contrário às políticas progressistas do New Deal. Os paleocons tem como representante histórico Barry Goldwater e atualmente Pat Buchanan. Vale dizer que Ron Paul é um de seus representantes, embora suas posições tendem a se fundir com o paleolibertarianismo.

[1] William Simon foi empresário, filantropo e secretário do tesouro americano durante três anos no governo Nixon e mais tarde no governo Ford. Foi um defensor nato do livre mercado em sua vida.

[2] Gerald Ford foi presidente dos EUA eleito pelo Partido Republicano. Tendo seu mandato entre os anos de 1974 à 1977.

[3] Adam Smith, conhecido como o pai da economia moderna, foi um dos fundadores da economia de livre mercado (laissez-faire). Um dos pilares da escola clássica de economia.

[4]Provável alusão a criação do Fed, o banco central americano. Instituição que eliminou pouco a pouco o sistema de livre mercado que vigorava razoavelmente no país.

[5] Ronald Reagan foi presidente dos EUA eleito pelo Partido Republicano com dois mandatos, entre os anos de 1981 à 1989. Seus governos foram marcados pela pressão externa contra o socialismo soviético, desregulamentação econômica e diminuição dos impostos.

[6] Partido político americano de tendência liberal-conservadora.

[7] Irving Kristol foi jornalista, cronista e escritor. Tendo colaborado em diversas revistas, influenciou sobremaneira a cultura política e intelectual de seu país principalmente na última metade do século 20. O mais representativo intelectual do movimento neoconservador, é conhecido como o “padrinho do neoconservadorismo”. Seu livro, The Neoconservatives: The Men Who Are Changing America’s Politics, foi um divisor de águas no cenário político. Em suas próprias palavras, neoconservador é dito como “um esquerdista que foi assaltado pela realidade”.

[8] Patrick Moynihan foi sociólogo e político pelo Partido Democrata. Foi também embaixador na ONU e na Índia.

[9] Norman Podhoretz foi escritor e comentarista político. Vindo de uma tradicional família esquerdista, chegou a participar de um movimento socialista em sua juventude.

[10] Daniel Bell foi professor, sociólogo, escritor e editor. Foi um crítico do capitalismo e chegou a descrever-se como um “socialista em economia, progressista em política e conservador na cultura”.

[11] Nathan Glazer foi professor, sociólogo e co-editor da revista neoconservadora The Public Interest. Sempre esteve ligado intelectualmente ao Partido Democrata.

[12] Sidney Hook foi filósofo da Escola Pragmática. Defensor do comunismo em sua juventude, tornou-se mais tarde um crítico de políticas totalitárias, tanto fascista como marxista-leninista. Tendo apoiado posteriormente o pensamento social-democrata.

[13] Richard Perle. Cientista político neoconservador. Chegou a trabalhar nos governos de Reagan e Bush na área de política externa.

[14] Paul Wolfowitz. Político que já atuou em assuntos nas áreas de defesa, embaixada e outros. Conhecido como um dos grandes líderes neocon e arquiteto da política externa na era Bush.

[15] Bill Kristol é professor, editor e comentarista político neocon. É ligado a vários think tanks e atualmente comenta no Fox News Channel. É filho de Irving Kristol.

[16] William Bennett. Comentarista e teórico político. No passado foi filiado ao Partido Democrata e já recebeu apoio político de neoconservadores liderados por Irving Kristol.

[17] George Will é cronista, colunista e escritor. Foi um entusiasta da invasão americana no Iraque em 2003.

[18] Em todo o texto o termo capitalismo é descrito em seu sentido original e verdadeiro, de livre mercado. Deve ser entendido como um mecanismo de trocas pacíficas e voluntárias entre indivíduos e não tem relação com o atual arranjo intervencionista. Para uma melhor compreensão leia o artigo “O que é livre mercado?”, http://www.mises.org.br/Article.aspx?id=52

[19] Foi um pacote com uma série de implementações do governo Roosevelt para estimular a economia e estimular economia entre 1933 à 1936. Tais estímulos consistiam em investimentos em obras públicas, controle de preços e produções, salário-mínimo, seguro-desemprego, reforma monetária e uma série de outros programas. Já é sabido que sua nem todo o campo intelectual compartilha de sua suposta eficácia, reprovando-o totalmente.

[20] Leon Trotsky foi revolucionário e teórico marxista, político soviético e fundador do Exército Vermelho soviético. Foi um dos grandes líderes do comunismo soviético.

[21] Revolução que desencadeou no processo de socialização todo o estado russo.

[22] Vladimir Lenin foi revolucionário e político marxista, líder do Partido Comunista e um dos responsáveis pela Revolução Russa.

[23] Sociedade Fabiana é uma organização britânica que promove o pensamento socialista por vias reformista e gradualista, opondo-se a meio revolucionários. Possui forte impacto no Partido Trabalhista britânico. Influenciou grupos e pessoas em diversos países como o ex-presidente brasileiro Fernando Henrique Cardoso e seu partido, o PSDB.

[24] Do inglês Founding Fathers, foram líderes políticos e estadistas que participaram da Revolução Americana, assinando a Declaração da Independência e mais tarde a Constiruição Americana. Os principais nomes desse grupo de muitas pessoas são: John Adams, Benjamin Franklin, Alexander Hamilton, John Jay, Thomas Jefferson, James Madison, e George Washington.

[25] Nicolau Maquiavel foi historiador, diplomata, humanista, escritor e filósofo italiano da época da Renascença. Fundador da moderna Ciência Política e ator do célebre livro O Príncipe.

[26] Platão foi um filósofo grego clássico, matemático e fundador da primeira Academia em Atenas. Seus escritos são um dos pilares do pensamento ocidental.

[27] Foi uma proibição de caráter nacional nos EUA ratificada pela por uma emenda constitucional na confecção de venda, produção e transportação de bebidas alcoólicas a partir de 1920. Foi revogada em 1933.

[28] Movimento político criado por educadores, agitadores e ativistas de visões progressistas, anarquista socialistas e marxistas ligados primeiramente a instituições de ensino superior nos EUA. Suas reivindicações eram por democracia, direitos civis, reformas e protestos contra a Guerra do Vietnã. Tal movimento é bastante ligado ao movimento Hippie. Seu nome de “novo” vem do fato de se diferenciarem da “Antiga Esquerda”, focada em questões sobre trabalho e medidas revolucionárias.

[29] George McGovern foi político, historiador e escritor.

[30] Partido politico americano de tendência social-democrata

[31] FDR ou Franklin Roosevelt foi presidente americano pelo Partido Democrata, tendo seus mandatos entre 1933 à 1945. Sua administração cobre eventos como a Grande Depressão e a Segunda Guerra Mundial.

[32] Lyndon Johnson foi presidente americano pelo Partido Democrata, tendo seus mandatos entre 1963 à 1969. Sua administração se dá por iniciar após o assassinato do então presidente J. Kennedy e os eventos da Guerra no Vietnã.

[33] Relativo ao presidente George H. W. Bush do Partido Republicano, que governou o país entre 1989 à 1993. Tendo em seu mandato o cenário bélico da Guerra do Golfo.

[34] Relativo ao presidente George W. Bush do Partido Republicano, que governou o país entre 2001 à 2009. Tendo em seu mandato os ataques terroristas de 11 de Setembro e o cenário bélico da Guerra ao Terror no Iraque e Afeganistão.

[35] Charles Krauthammer  é médico, cronista, jornalista e comentador político. Já foi um ganhador de um Pulitzer.

[36] Revista americana que teve bastante impacto no cenário político conservador americano. Mais tarde mudou sua visão para a defesa de certas políticas neoconservadoras.

[37] Richard Weaver foi um intelectual americano conservador e considerado como um dos nomes mais importantes do grupo intelectual chamado “New Conservatives”, intelectuais que repudiavam políticas progressistas como o New Deal, o complexo industrial militar e a cidadania consumista e comercializada. De uma breve passagens por ideias socialistas na juventude, tornou-se um grande defensor das tradições americanas posteriormente. Seu mais livro notável, Ideas Have Consequences, é um tratado sobre o nominalismo na Civilização Ocidental.

[38] Clyde Wilson é professor de história, comentarista político e contribuidor para as revistas Chronicles: A magazine of American Culture, Southerns Patisan e National Review e membro adjunto do Ludwig von Mises Institute.

[39] Ludwig Von Mises foi filósofo e economista. É, talvez, o nome mais importante da Escola Austríaca de economia. Fundou a ciência que estuda a ação humana, chamada de Praxeologia.

[40] Friedrich Hayek foi filósofo e economista. Ganhador do Nobel em economia, teve trabalhos marcantes sobre teoria monetária e ciclos econômicos. Um dos nomes mais importantes da Escola Austríaca de economia.

[41] Milton Friedman foi professor, economista e estatístico. Ganhador do Nobel em economia, é um dos nomes mais importantes do monetarismo da Escola de Chicago de economia.

[42] Relativo a Thomas Jefferson.

[43] Leo Strauss foi um filósofo, professor e classicista teuto-americano. Estudioso de filosofia política clássica, foi duramente criticado por suas influências políticas neocons.

[44] James Burnham foi um filósofo e teórico político. De um líder marxista nos anos 30, mudou sua posição política com o tempo. Colaborador da revista National Review, foi considerado como sendo “o primeiro neoconservador” por sua visão de política externa.

[45] Também conhecida como “ética da reciprocidade”, a Regra de Ouro é um código ético que consistem em tratar os outros do modo que quer ser tratado. Apresentado em várias religiões mundo afora, na tradição judaica-cristã é apresentada nas passagens: “Amarás o Senhor teu Deus com todo seu coração e com toda a tua alma e com toda sua força e com todo o teu entendimento, e ao teu próximo como a ti mesmo” (Lucas 10:27) e “O que é odioso para ti, não o faças ao próximo. Esta é toda lei, o resto é comentário” Talmude – Shabbat 31a.

[46] William Frank Buckley, Jr. foi escritor e comentarista político de visão neoconservadora. Foi o fundador da revista National Review.