Lucros são para pessoas

Texto de Walter E. Williams, Professor Emérito de Economia da Universidade George Mason (Virginia, EUA) e colunista do jornal The Washington Examiner.

Os manifestantes do “Ocupe Wall Street” estão exigindo “pessoas antes dos lucros” – como se a motivação pelo lucro fosse a fonte dos problemas da Humanidade – quando é frequentemente a ausência de motivação que é a verdadeira vilã.

Primeiro, vamos entender a definição e a magnitude dos lucros. Lucros representam o ganho residual conquistado por empreendedores. Eles são o que sobra depois que outros custos de produção – como salários, aluguel e juros – são pagos.

Lucros são o pagamento pela assunção de riscos, inovação e tomada de decisão. Como tal, eles são um custo de negócios tanto quanto salários, aluguel e juros. Se esses pagamentos não são feitos, trabalho, terra e capital não poderão oferecer seus serviços.

De maneira similar, se o lucro não é pago, os empreendedores não poderão oferecer seus serviços. Historicamente, lucros corporativos alcançam entre 5 e 8 centavos por dólar, e salários, entre 50 e 60 centavos por dólar.

Mais importante do que simples estatísticas sobre a magnitude dos lucros é o seu papel, que é efetivamente o de forçar produtores a atender os anseios e desejos do homem comum.

Quando foi a última vez que ouvimos reclamações generalizadas sobre nossas lojas de roupas, supermercados, lojas de informática ou de eletrodomésticos?

Estamos muito mais sujeitos a ouvir pessoas reclamando dos serviços que recebem da agência de correios, departamento de veículos e de polícia, conselhos de educação e outras agências governamentais.

A diferença fundamental entre áreas de satisfação e insatisfação geral é que a busca por lucros está presente em uma e não na outra.

A busca por lucros força os produtores a estarem atentos à vontade de seus consumidores, simplesmente porque o consumidor de, digamos, um supermercado pode excluí-lo ao procurar outro negócio.

Se um departamento de veículos ou uma agência de correios do Estado fornece serviços insatisfatórios, não é tão fácil para consumidores insatisfeitos tomar uma atitude contra eles. Se um negócio privado tivesse tantos consumidores insatisfeitos quanto nossas escolas governamentais, ele teria saído do mercado há muito tempo.

O capitalismo de livre mercado não perdoa. Produtores satisfazem consumidores, com minimização de custos, e obtém algum lucro, ou encaram perdas ou vão à falência. Essa é a disciplina de mercado que alguns negócios tentam evitar.

É por isso que eles pressionam Washington urgindo por um capitalismo camarada – socorros financeiros do governo, subsídios e privilégios especiais. Eles desejam reduzir o poder dos consumidores e acionistas, que não possuem grande simpatia para asneiras e os jogarão no olho da rua no ato.

Ter o Congresso ao seu lado significa que os negócios podem ser menos atenciosos à vontade dos consumidores. O Congresso pode mantê-los seguros com ajudas financeiras, como aconteceu com a General Motors e a Chrysler, com a justificativa de que essas companhias são “grandes demais para falir”.

Besteira! Se a General Motors e a Chrysler fossem deixadas à bancarrota, não significaria que seus ativos produtivos, como linhas de montagem e ferramentas, virariam fumaça e desapareceriam no ar.

A bancarrota conduziria à mudança da propriedade desses ativos por alguém que poderia administrá-los melhor. A ajuda financeira propiciou a essas empresas se esquivar das consequências plenas de seus equívocos.

Por falar nisso, frequentemente ouvimos pessoas dizendo, com um tom de santidade, “Somos uma organização sem fins lucrativos”, com se isso se traduzisse em decência, objetividade e desprendimento. Eles querem que pensemos que eles estão nisso pelo bem da sociedade e não por causa daqueles “maléficos” lucros.

Se pensássemos um pouco sobre isso e perguntássemos que tipo de organização através da história humana mais contribuiu para prejudicá-la, a resposta não seria uma empresa lucrativa e privada do livre mercado; seria o governo, a maior organização sem fins lucrativos.

Os manifestantes do “Ocupe Wall Street” estão seguindo o caminho previsto pelo grande filósofo e economista Frédéric Bastiat, que disse em “A Lei” que “em lugar de extirpar o que a sociedade continha de injustiça, generaliza-se esta última”.

Em outras palavras, os manifestantes não querem o fim do capitalismo camarada, com seus privilégios e seu favoritismo governamental; eles querem participar dele.

 

Artigo originalmente publicado na Juventude Conservadora da UnB.

O PIB e as suas limitações

Provavelmente você leitor já ouviu falar de PIB (Produto Interno Bruto). Principalmente no Brasil, já que muitas pessoas estão comemorando o fato do nosso PIB ser um dos maiores do mundo. Mas até quando isso é realmente bom? Até que ponto isso de fato é um avanço?

O que é o PIB?


Basicamente, o PIB é a soma de todos os bens e serviços finais que foram produzidos. Pode ser medido tanto para cidades, estados/províncias, países e continentes, durante períodos como meses, semestres ou anos. Geralmente, o PIB é utilizado para medições econômicas de países durante um período de um ano.

O PIB não leva em consideração bens de consumo intermediários (uma laranja que foi produzida para um suco, em que o suco será o produto final). Então, acaba omitindo parte da estrutura de produção.

Por que o PIB não é tão relevante como dizem?

Como já foi dito acima, o PIB leva em conta todos os bens e serviços finais produzidos. Porém, nisso estão incluídos a iniciativa privada e o os gastos do governo. O governo, dentro de nossa sociedade, é quem mais consegue gastar erroneamente.

Isso acontece por vários fatores. Dentre eles, o Estado com serviços públicos não tem um sistema de lucro e prejuízo como o existente dentro de um ambiente privado. Então muitas decisões a respeito do destino de gastos serão tomadas na base do “achismo”: se acharem que será bom será gasto.

Então, lembre da última vez que você pegou um jornal e viu a notícia de que a prefeitura de sua cidade investiu determinada quantia em determinada obra, porém a população não sentiu nenhum efeito positivo decorrente disso. Pois bem, para o PIB, isso é um avanço, pois foi gasto dinheiro em determinado serviço. Porém, isso não representou um avanço, como a própria população sentiu (ou melhor, no caso, não sentiu) na pele.

Obras públicas paradas: aumentam o PIB, mas não melhoram a vida do povo.

E não é somente o Estado que investe de forma equivocada, embora quase sempre esteja presente em erros. Quando o banco central de algum país altera a taxa de juros (jogando-a para baixo, sem nenhuma boa referência real) e aumenta a quantidade de dinheiro na economia (você já deve ter visto no noticiário, principalmente se tratando de economia dos EUA ou da União Europeia, imagens ao fundo de um banco imprimindo dinheiro) surgem investimentos privados economicamente insustentáveis, pois após essas ações governamentais, a economia privada ficou distorcida e muitas pessoas irão investir nesse ambiente surreal. A expansão da quantia de dinheiro na economia gera inflação, e então, para conter a inflação, o banco central terá que aumentar a taxa de juros, diminuindo a necessidade de criação de dinheiro que surgiu graças às intervenções no mercado, freando a expansão artificial e gerando uma recessão, dificultando a vida de todos na sociedade.

Quando esse boom de crescimento ocorre, para o PIB é bom, pois são feitos mais investimentos. Mas depois, como eles foram feitos de forma equivocada, haverá uma diminuição na atividade econômica. Tudo isso para voltar para o mercado economicamente sustentável, não havendo uma evolução real na vida das pessoas. Qualquer semelhança com as atuais crises internacionais, não é mera coincidência.

Então, chegamos a mais uma limitação do PIB e do governo keynesiano, que distorce o capitalismo (e sempre joga a culpa de seus próprios erros no capitalismo, passando a informação errada para a população). Quando chega o período de recessão, o governo tenta “salvar” a economia que estava voltando aos trilhos da realidade sozinha, aumentando seus gastos, contratando mais funcionários públicos, aumentando mais a atividade estatal de uma forma geral. Como o governo aumentou seus gastos, distorce a apresentação do caminho da economia, modificando mais o PIB, que iria diminuir, passando uma impressão de avanço. Como o governo gasta muito equivocadamente, não existirão avanços reais com esses gastos.

Um exemplo clássico disso, e ao mesmo tempo, uma das maiores falácias econômicas da história, é o “fato” de que a Segunda Guerra Mundial salvou a economia dos EUA.

Não entrando no mérito da validade ética e moral de ter entrado na Segunda Guerra, apenas observando seu aspecto econômico, podemos verificar que de fato durante a guerra o PIB e o desemprego dos EUA diminuíram. Por quê? Simples, o Estado gastava com a guerra (aumentando o PIB) e pessoas iam para a guerra, diminuindo a possibilidade de um aumento no desemprego.

População mobilizada: pleno emprego e nada para comer. (AP Photo/Kyodo News)

Observando apenas do ponto de vista econômico, não houve um avanço real.

Outras limitações podem ser observadas com um exemplo de desastre natural. Se um país é devastado por um terremoto, por exemplo, e for reconstruído, para o PIB será bom (mais atividade econômica para a reconstrução), mas não existirá um grande avanço, pois ele não mediu o que foi destruído, e a tendência será de voltar para a situação anterior a do desastre, mesmo com um provável aumento do PIB.

Fora a questão população/área.  Existem países com população bem inferior a população brasileira, assim como sua extensão territorial, mas seus respectivos PIBs são apenas um pouco inferiores ao nosso. Ou seja, com muito menos território e com muito menos pessoas, países como Canadá, Itália e Espanha conseguem ter um PIB que não é muito menor que o nosso. Esse é o caso do PIB per capita, em que se divide o PIB pela população absoluta.

Nosso PIB não dobra o PIB deles, mas o PIB per capita deles é quase o quádruplo do nosso.

Conclusão

O PIB pode aumentar e a saúde econômica diminuir. É só passar o boom do keynesianismo, a situação começar a degradar e o governo imediatamente passar a gastar muito. O PIB poderá até aumentar um pouco, mas isso não será um avanço.

Não que o PIB de fato seja 100% irrelevante, mas as pessoas superestimam sua qualidade de forma considerável.

Portanto, lembre-se da frase: se o PIB aumentou, não quer dizer que a economia melhorou.