Esquerda e o “racismo do bem”

Já sabemos como adjetivar aquele sujeito que espera algum tipo de determinismo genético, racial e étnico. Aquele que associa cor de pele a um determinado padrão de comportamento, o racista.

O mais perigoso deste tipinho é o que associa os seus preconceitos a ideologia política. É o tipinho que planeja engenharias sociais análogas as de Hitler e Mugabe. Aquele para o qual, embora não admita, o Holocausto e o apartheid foram apenas políticas mal planejadas ou que fugiram do controle, não contendo em si mesmas nenhum tipo de imoralidade ultrajante. É o sujeitinho que se acha no direito de adotar por moral sexual as leis raciais de Nurembergue que proíbem a miscigenação com “degenerados”.

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O “traidor da raça” pego com a boca na botija. Imagem retirada do próprio artigo do senhor Paulo Nojeira, para o Diário do Centro do Mundo.

O racismo no Brasil está se alastrando à galope e com patrocínio estatal, não obstante toda a população demonstrar resistência às suas investidas. Pergunte a qualquer brasileiro, do mais claro ao mais escuro, o que ele pensa das cotas raciais, por exemplo. Fora dos minúsculos círculos de militância socialista, o seu repúdio é quase onipresente entre os brasileiros, principalmente em vista do fato de que a alternativa das cotas sociais já existe.

Vamos refrescar a nossa memória. Como eram os racistas do século passado?

  • Eles instituíam políticas de governo e Estado que punham em evidência a “raça” do beneficiário.
  • Eles adotavam políticas de numerus clausus como as cotas para garantir a presença de uma determinada “raça” em espaços públicos e privados.
  • Eles incentivavam políticas identitárias e segregacionistas.
  • No campo, optavam por políticas de “sangue e solo” atrelando etnias a um espaço geográfico.

Já vimos tudo isso. A raça era componente importante para o status de nobreza no tempo da Colônia: quem tinha “sangue infecto” não podia ascender a esta casta. Os nacional-socialistas alemães adotavam a política de cotas raciais para garantir que um mínimo de 80% dos empregados nas empresas alemãs era alemão “ariano”. Nos EUA, as Jim Crow Laws segregaram a população negra da branca e negaram seu poder de voto até 1965. Em todos estes cenários uma coisa é certa: a miscigenação é o equivalente a degenerescência, a sujeira do próprio sangue, a condenação das gerações posteriores. Para a mente de um racista, o processo de miscigenação é o responsável pela destruição das raças. Por “consciência racial” o indivíduo deve abrir mão do seu amor por outra pessoa, concreta e real, em prol de um amor à raça, uma abstração sociológica.

Mas o mais absurdo é ver este tipo de pensamento sendo difundido na mídia com a maior naturalidade, na maior cara de pau mesmo. O “Diário do Centro do Mundo”, notável veículo de mídia da espécie Esquerdissimus patrocinius estatalis (nome vulgar: blog chapa-branca), publicou já no dia 1º um artigo em que critica Pelé e Joaquim Barbosa por serem desprovidos da tal “consciência racial”. A acusação inapelável é que ambos são ou foram casados/namorados/juntados com mulheres brancas. Olha só, que absurdo destes reacionários miseráveis traidores da própria raça! Se não acreditam, leiam esta porcaria:

(NOTA: Se o engraçadinho resolver editar ou excluir o artigo, tenho uma cópia salva neste link.)

É de autoria de Paulo Nogueira. Eu apostaria que a estratégia suja de atribuir, por associação, racismo a Joaquim Barbosa, tem mais a ver com a preferência política do autor e do site pelos mensaleiros do que alguma particular admiração pela beleza negra. É este o tipo de gente que sai gritando histericamente em defesa dos mensaleiros e acusando o Joaquim Barbosa de “trair a própria raça”. Como se algum dos chefes da quadrilha petista fosse negro. Que eu me lembre, entre todos os petistas condenados pelo mensalão, não havia um negro sequer.

A adição do “caso Pelé” foi só para distrair os desavisados: o alvo do artigo não é o racismo, nem a Xuxa, nem o Pelé. É o Joaquim Barbosa mesmo. Mas fica a reflexão sobre o tipo de lixo ideológico que está sendo aceito na nossa imprensa, para a qual até mesmo publicações de cunho racista já estão sendo aceitas. É um absurdo ter que ler este tipo de coisa em pleno século XXI. Agora a cor de pele deve determinar até quem você ama ou com quem se casa. Meu conselho? Que Pelé e Joaquim Barbosa processem o autor do texto e o veículo que o publicou!


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Joaquim Barbosa não é um herói

Mais uma vez estou perplexo ao ver grande parte da população idolatrar e endeusar uma pessoa que cumpre com suas obrigações básicas dentro da função que exerce. Não sei por que ainda fico estarrecido, mas fico. Quando deixar de me assustar com isso, sera porque perdi noções básicas de valores democráticos, do estado republicano.

Em um momento a sapiência telúrica é um malandro populista, agitador sindical, em outro um atleta marxista, politicamente correto, um palhaço malandro ou qualquer outro ser bizarro.

Joaquim Barbosa, a sapiência telúrica da vez aos olhos de gente que desconhece os princípios da democracia republicana e da Constituição que a sustenta, é “nada mais que um” Juiz da suprema corte nacional. Ou seja, sua função básica é garantir que as leis e os direitos constitucionais sejam respeitados e protegidos no exercício do cargo, não tem nada de heroico nisso. Estão querendo colocar ele no altar, só porque agiu de acordo com a lei e a Constituição no caso do Mensalão? Isso é a obrigação mínima de um Juiz do STF. Se esqueceram dos votos inconstitucionais dele nos casos da marcha da maconha, cotas raciais, reservas indígenas, raposa serra do sol, aborto dentre outros.

Os votos do Dr. Barbosa no julgamento do Mensalão são evidentemente perfeitos, o problema é que não me parecem sinceros: o combatedor dos corruptos votou no PT em 2002, 2006, 2010 e deve votar igualmente em 2014. Além disso, votou de acordo com o PNDH-3 do Partidão desde que assumiu seu posto. O menino Joaquim da foto também nunca votou contra a cartilha da TV Globo.

A realidade sobre o Dr. Joaquim Barbosa é um pouco distinta da do heroico retrato divulgado pela mídia: o Ministro do STF cansou de votar contra a Constituição Federal e contra as leis do país, sempre endossando a opinião do governo federal e suas extensões culturais, a imprensa e a academia. Casamento homossexual, aborto eugênico, cotas racistas em universidades e retroatividade da Ficha Limpa? Votou contra a Constituição. Marcha da maconha? Votou contra a Lei Penal. Cesare Battisti? Votou contra Tratado Internacional (impiedoso, não?). E tudo a favor do governo e da falsa maioria midiática. Pois bem, condenar uma dúzia de marginais com dinheiro na cueca e batom na gola da camisa não é dos atos mais surpreendentes. E boa parte deles sequer dormirá na cadeia. Para Sua Excelência, um parlamentar emporcalhado vale mais que a defesa da vida ou o futuro de todo o sistema educacional do Brasil. O heroísmo nacional faliu. (Bruno Gimenes Di Lascio)

Mesmo que não tivesse todos esses episódios vergonhosos no currículo também não seria herói, pois cumprir com a obrigação inerente ao cargo que ocupa não é ato de heroísmo: a função do Juiz é garantir a lei e a ordem.

E por esse tipo de atitude e de falta de memória que chegamos a esse ponto, o Juiz em questão ajudou a colocar no poder toda essa quadrilha socialista, louca para implantar uma ditadura bolivariana no Brasil, responsável por esses crimes que estão sendo julgados e por tantos outros.

É lamentável ver que a população que em teoria abomina a corrupção, adere facilmente a indivíduos assim, que são da mesma “estirpe”, apenas estando em uma legenda fisiológica e ou de aluguel, usando um discurso “apolítico” e sem assumir posições, sempre estando em cima do muro ate chegar ao poder, esses são os “paladinos da justiça” dessas pessoas.

Barbosa esta agindo de acordo com a lei no caso do mensalão, porem isso não devia ser motivos de festa ou idolatria, pois isso nada mais é que o cumprimento do seu dever como ministro da suprema corte.

Significado de Heroísmo

s.m. Virtude excepcional própria do herói.
Qualidade do que é heróico.
Fig. Arrojo, coragem, magnanimidade, bravura que leva a praticar ações extraordinárias.

Enquanto não pararmos de achar que justiça é um favor, um ato sobrenatural, nunca este país terá justiça plena para todos. Sempre teremos uma entidade suprema disposta a nos conduzir e já sabemos como isto termina.


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