Violência é Ouro

Por Jack Donovan, publicado originalmente no Arthur’s Hall of Viking Manliness e no site do autor. Traduzido e adaptado para o português do Brasil por Renan Felipe dos Santos. Para ler o artigo original, em inglês, clique aqui.

Muitas pessoas gostam de pensar que são “não-violentas”. Geralmente, as pessoas afirmam “abominar” o uso da violência, e violência é vista negativamente pela maioria das pessoas. Muitos falham em diferenciar a violência justa da injusta. Alguns tipos especialmente vaidosos e hipócritas gostam de pensar que eles ascenderam acima das culturas sórdidas e violentas de seus ancestrais. Eles dizem que “violência não é a solução”. Eles dizem que “a violência não resolve nada.”

Eles estão errados. Cada um deles depende da violência, todo santo dia.

No dia da eleição, pessoas de todos os estilos de vida fazem fila para votar, e fazendo isso elas esperam influenciar quem vai pegar o machado da autoridade. Aqueles que querem acabar com a violência — como se fosse possível ou mesmo desejável — frequentemente buscam desarmar seus concidadãos. Isto não acaba com a violência, na verdade. Isto meramente dá à gentalha do Estado o monopólio da violência. Isto te deixa “mais seguro”, contanto que você não incomode o chefe.

Todos os governos — esquerda, direita ou outros — são por sua própria natureza coercivos. Eles tem de ser.

A Ordem requer violência.

Um regra que não é coberta por uma ameaça de violência em última instância é meramente uma sugestão. Os Estados dependem de leis reforçadas por homens prontos para praticar a violência contra os que violam as leis. Cada imposto, cada código e cada requerimento de licença requer uma progressão escalar de penalidades que, no fim, devem resultar na apreensão forçada de propriedade ou prisão por homens armados preparados para violentar em caso de resistência ou não cumprimento da lei. Toda vez que uma dondoca exige penas mais severas para quem dirige bêbado, vende cigarro para menores, tem um pitbull ou não recicla o lixo, ela está fazendo uma petição ao Estado para que ele use a força para impor a vontade dela. Ela não está mais pedindo numa boa. A viabilidade de cada lei familiar, lei sobre armas, lei de zoneamento, lei de tráfego, lei de imigração, lei de importação, lei de exportação ou regulamentação financeira depende tanto da boa vontade quanto dos meios do grupo para impor a ordem à força.

Quando um ambientalista exige que “salvemos as baleias”, ele está em efeito dizendo que o argumento para salvar as baleias é tão importante que vale a pena machucar humanos que machucam baleias. O pacífico ambientalista está pedindo ao Leviatã que autorize o uso da violência no interesse de proteger leviatãs. Se os líderes do Estado concordarem e expressarem que é, de fato, importante “salvar as baleias”, mas se recusam a penalizar aqueles que causam danos às baleias, ou se recusam a reforçar as penalidades sob ameaça violenta da ação policial ou militar, o argumento expressado seria um gesto sem significado algum. Aqueles que quisessem machucar as baleias sentiriam-se livres para fazer isso, como se diz, na impunidade — sem punição.

Sem ação, palavras são só palavras. Sem violência, leis são só palavras.

A violência não é a única solução, mas é a resposta final.

Pode-se fazer argumentos morais e argumentos éticos, apelos à razão, à emoção e à compaixão. As pessoas são certamente movidas por estes argumentos, e quando bem persuadidas — levando em conta, é claro, que isto não lhes gera inconvenientes excessivos — frequentemente escolhem moderar ou mudar seu comportamento.

Entretanto, a submissão de boa vontade por parte de muitos inevitavelmente cria uma vulnerabilidade esperando por ser explorada por qualquer pessoa que não está nem aí para normas sociais e éticas. Se todos os homens baixam a guarda e se recusam a erguê-la, o primeiro que levantar os braços pode fazer o que quiser. A paz só pode ser mantida sem violência enquanto todos concordam com a barganha, e para manter a paz toda e qualquer pessoa em todas as sucessivas gerações — mesmo após uma guerra esquecida há muito tempo — deve continuar a concordar em permanecer pacífica. Para todo sempre. Nenhum delinquente ou arrivista poderá perguntar “Senão o quê?”, porque numa sociedade realmente pacífica a melhor resposta disponível é “senão vamos achar que você não é uma pessoa legal e não vamos compartilhar com você.” Nosso badernista está livre para responder “Não estou nem aí. Eu vou pegar o que eu quero.”

Violência é a resposta final para a pergunta “Senão o quê?”

Violência é o padrão ouro, a reserva que nos garante ordem. Na verdade, é melhor que o padrão ouro, porque a violência tem valor universal. Violência transcende os ruídos da filosofia, da religião, da tecnologia e da cultura. As pessoas dizem que a música é a língua universal, mas um soco na cara faz o mesmo dano não importa qual língua você fale ou qual tipo de música você goste. Se você está trancado em uma sala comigo e eu pego um pedaço de cano e faço um gesto agressivo demonstrando que vou te bater, não importa quem você seja, o seu cérebro primata vai entender imediatamente “senão o quê.” E assim, uma certa ordem é obtida.

O entendimento prático da violência é tão básico para a vida humana e para a ordem humana como saber que o fogo é quente. Você pode usá-lo, mas deve respeitá-lo. Você pode agir contra ele, e as vezes você pode controlá-lo, mas você não pode simplesmente fazê-lo sumir magicamente. Como um raio, às vezes ele é esmagador e você não perceberá sua presença até que seja tarde demais. Às vezes é maior que você. Pergunte aos cherokees, aos incas, aos romanovs, aos judeus, aos confederados, aos bárbaros e aos romanos. Todos eles conhecem “senão o quê.”

O saber básico de que a ordem requer violência não é uma revelação, mas para alguns para ser como uma. Esta noção em si pode deixar algumas pessoas apopléticas, e algumas vão tentar furiosamente rebatê-la com argumentos distorcidos e hipotéticos, porque isto não soa muito “legal”. Mas algo não precisa ser “legal” para ser verdadeiro. A realidade não se dobra para acomodar-se a suas fantasias ou sentimentos.

Nossa complexa sociedade emprega a violência por procuração de modo que muitas pessoas no setor privado podem passar toda sua vida sem sequer ter de entender profundamente a violência, porque elas foram removidas dela. Percebemos ela como um problema distante e abstrato para ser resolvido com uma estratégia bem bolada e algum tipo de programação social. Quando a violência bate à porta, simplesmente fazemos uma ligação e a polícia vem para “parar” a violência. Poucos cidadãos param para pensar que o que estamos fazendo é, essencialmente, pagar pela proteção de um bando armado que vem e ordeiramente pratica a violência em lugar de nós mesmos. Quando aqueles que iriam praticar a violência contra nós são levados pacificamente, a maioria de nós realmente não faz a conexão, nem mesmo é capaz de afirmar a si mesmo que a razão pela qual o perpetrador se deixa prender é a arma na cintura do policial ou o entendimento implícito que ele será eventualmente caçado por mais policiais que tem a autoridade para matá-lo se ele for uma ameaça. Ou seja, se ele for uma ameaça para a ordem.

Há cerca de dois milhões e meio de pessoas encarceradas nos Estados Unidos. Mais de noventa porcento delas são homens. A maioria deles não se entregou. A maioria deles não tenta escapar à noite porque há alguém na torre de vigia pronto para atirar neles. Muitos são ofensores “não-violentos”. Donas de casa, contadores, ativistas célebres e vegetarianos enviam seus dólares via imposto, e por procuração gastam bilhões e bilhões para alimentar um governo armado que mantém a ordem através da violência.

É quando a nossa violência ordenada dá espaço à violência desordenada,  como acontece depois de um desastre natural, que somos forçados a ver como dependemos daqueles que mantém a ordem através da violência. Pessoas pilham porque elas podem, e matam porque acham que não vão ser pegas. Lidar com a violência e encontrar homens violentos que vão te proteger de outros homens violentos repentinamente se torna uma preocupação real e urgente.

Um amigo meu uma vez me contou uma história sobre um incidente recontado por um amigo da família que era policial, e acho que ela vai direto ao ponto. Alguns adolescentes estavam passeando no shopping, em frente a uma livraria. Eles estavam zoando e conversando com alguns policiais que passavam por lá. O policial era um cara relativamente grande, alguém com quem você não gostaria de mexer. Um dos garotos disse ao policial que não via o porquê da sociedade necessitar da polícia.

O policial se inclinou em direção a ele e disse ao garoto esmilinguido, “você tem alguma dúvida de que eu possa quebrar os seus braços e tomar este livro de você se eu quiser?”

O adolescente, obviamente abalado pela brutalidade da pergunta, disse “Não”.

“É por isso que você precisa de policiais, garoto.”

George Orwell escreveu em seu “Notas sobre o Nacionalismo” que, para o pacifista, a verdade que, “Aqueles que ‘renunciam’ à violência só podem fazer isso porque outros estão cometendo violência no lugar deles”, é óbvia mas impossível de aceitar. Muita insensatez flui da inabilidade de aceitar nossa dependência passiva em relação à violência para nossa proteção. Fantasias escapistas do tipo “Imagine” de John Lennon corrompem nossa habilidade de ver o mundo como ele é, e de sermos honestos conosco sobre a natureza da violência no animal humano. Há evidência substancial para apoiar a noção de que a violência sempre foi parte da vida humana. Todo dia, arqueologistas desenterram outra caveira primitiva com danos causados por armas ou traumas gerados por contusão. Os primeiros códigos legais eram chocantes de tão macabros. Se nos sentimos menos ameaçados hoje, se nos sentimos como se vivêssemos numa sociedade não violenta, é só porque cedemos tanto poder ao Estado sobre nossas vidas cotidianas. Alguns chamam isso de razão, mas poderíamos também chamar simplesmente de preguiça. Uma preguiça perigosa, ao que parece, dado o fato de que pessoas confiam muito pouco nos políticos.

Violência não vem dos filmes, dos videogames, ou da música. Violência vem das pessoas. É hora das pessoas acordarem da fumaceira dos anos 60 e começarem a ser honestas sobre a violência novamente. Pessoas são violentas, tudo bem. Você não pode acabar com isso por lei ou acabar com ela na conversa. Com base nas evidências disponíveis, não há razão para acreditar que a paz mundial algum dia será alcançada, ou que a violência algum dia poderá ser “detida”.

É hora de parar de se preocupar e começar a amar o machado de batalha. A História nos ensina que se não o fizermos, outro alguém o fará.


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Quem Controlará as Armas?

Por Jack Donovan. Traduzido e adaptado para o português do Brasil por Renan Felipe dos Santos. Conteúdo retirado do site do autor. Para ler o artigo original, em inglês, clique aqui.

Quando as pessoas falam sobre armas em consequência de uma tragédia como os massacres em escolas, elas discutem sobre o que “nós” deveríamos fazer sobre as armas na América.

“Nós deveríamos limitar a capacidade das lojas. Ninguém precisa disparar centenas de balas.”

“Deveríamos banir rifles de assalto. Ninguém precisa deste tipo de arma. Ela foi desenvolvida para uso militar.”

“Deveríamos impedir as pessoas de comprar coletes a prova de balas. Ninguém precisa deste tipo de proteção.”

“Deveríamos impedir pessoas “mentalmente instáveis” de ter acesso a armas.”

Se você diz coisas como estas, você deve estar fora da casinha.

Quem é este “nós”? Você e o seu voto? É você e seus representantes eleitos no Congresso – aqueles morais bem-feitores que tem uma taxa de aprovação beirando os 20%? É você e eles? Os seus trutas?

Quando você diz “nós” devemos controlar as armas, você está efetivamente dizendo que “eles” deveriam controlar as armas. Afinal, a menos que você seja um legislador ou oficial da justiça, você não vai escrever ou aplicar leis, ou mesmo controlar as armas. Outra pessoa vai estar fazendo isso. E esta pessoa terá uma arma, ou estará na frente de alguém que tenha.

Quem vai decidir quem é mentalmente instável? Você é que não.

Quem vai decidir quanta munição você precisa ou quanto de proteção você precisa? Você é que não.

Eles cuidarão disso para você. Você não terá poder de parar eles. Você não terá poder para fazer qualquer outra coisa a não ser gritar, chorar e “protestar”. E tome cuidado, porque se você gritar demais, eles podem te declarar mentamente instável. Quem vai pará-los? Quem poderia? Você é que não.

Recentemente, o documentarista Michael Moore fez um emocionado discurso na televisão sobre a necessidade de mais leis para controlar as armas. Moore se especializou em filmes sobre a corrupção do Estado e de grandes empresas. Se os americanos concordarem amanhã em entregar pacificamente as suas armas para o Estado, esta corrupção acabaria? As corporações globais, os interesses estrangeiros e os extremamente ricos parariam de influenciar as políticas públicas?

É claro que não.

Moore também foi um dos apoiadores do movimento “Occupy Wall Street” que criticava o “um porcento” dos americanos que controlavam praticamente a metade da riqueza da nação. O “um porcento” sem dúvidas é responsável por boa parte da injustiça e , obviamente, desempenha um grande papel na corrupção estatal. Se o “um porcento” controla o Estado, também controla a maioria das armas por procuração. Afinal – se Moore e outros devem ser acreditados – a América não vai à guerra principalmente para proteger os interesses financeiros do “um porcento”?

As pessoas dizem que querem “igualdade”. Bem, armas são ótimos equalizadores.

Não é importante para os cidadãos ter armas para caçar ou praticar tiro esportivo. Auto-defesa é uma boa razão para ter uma arma, mas não é a mais importante. A mais importante razão para cidadãos terem armas é como uma forma de impedimento contra a corrupção e a tirania do Estado. O Estado não luta com espadas ou varinhas mágicas. Ele luta com armas. Americanos precisam de rifles de assalto precisamente porque foram desenhados para uso militar. Americanos precisam de armas porque sem elas americanos nunca poderão fazer o que os seus Founding Fathers fizeram. Sem armas, americanos nunca mais serão capazes de dizer CHEGA de um modo que importa. Claro, poderão gritar, chorar e protestar. Mas, o que acontece com protestantes quando são confrontados com poder de fogo superior? Eventualmente eles vão para  casa ou para a cadeia. O que mais poderiam fazer? Não obtém nada, porque não tem o poder que importa. O “um porcento” permanece no comando. As armas mudam as coisas a favor dos “noventa e nove porcento”.

Mao Zedong escreveu uma citação famosa: “o poder político nasce do cano de uma arma.” Ele estava certo. Violência é ouro. Dar ao Estado o completo controle sobre tal poder significa dar cem porcento do poder ao “um porcento” que controla o Estado corrupto.

Homens sem armas estão à mercê dos homens que tem armas. Se o Estado controla todas as armas, as pessoas estão à mercê do Estado. Tudo que elas podem fazer é implorar. Homens que não tem permissão e acesso aos meios de combater a tirania não são mais homens livres. Eles são súditos, possivelmente até escravos. Um país onde o povo não tem o poder que importa não pode mais se chamar um país livre. Um Estado onde o povo precisa confiar na benevolência de uma pequena classe toda-poderosa que mantém completo controle e monopólio da violência é um Estado Policial.

O Estado Policial controla as armas, e usa as armas para controlar você.

Defensores do controle de armas estão, efetivamente, exigindo um Estado Policial.

Acho que deveríamos chamá-los assim. Deveríamos começar a referir-nos a eles como “defensores do Estado Policial”, porque um Estado Policial é essencialmente o que eles estão pedindo.

Os americanos hoje estão distraídos por idéias superficiais do que a liberdade significa. Para muitos, “liberdade” significa legalizar a maconha e o casamento gay. Nenhuma destas “liberdades” ameaça o Estado Policial.

De qualquer formas — nossos manipuladores dirão — fique chapado e case com seu namorado gay se isto te faz sentir “livre”. Só não se oponha a nossa autoridade crescente e intrusiva, nem ameace nossos interesses financeiros. Dê-nos suas armas, e nunca mais diga CHEGA de um modo que importe.

É para o seu próprio bem, vejam. Não queremos que vocês se machuquem ou machuquem uns aos outros.


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