A Verdade Sobre o Neoconservadorismo (parte final)


Continuação do ensaio escrito por Ron Paul. Para ler a primeira parte, clique aqui.

O comunismo seguramente perdeu muito com a quebra do Império Soviético mas isto dificilmente pode ser declarado como uma vitória para a liberdade americana, como os Pais Fundadores entenderam. O neoconservadorismo não é uma filosofia de livre mercado e uma sábia política externa. Pelo contrário, representa o governo inchado assistencialista interno e um programa de uso do nosso poderio militar para espalhar suas versões de valores americanos pelo mundo. Uma vez que os neoconservadores dominaram o jeito de fazer política no governo americano que agora opera, convém a nós todos entender suas crenças e metas. O rompimento do sistema soviético pode bem ter sido um evento épico, mas dizer que os pontos de vistas dos neocons são os vencedores incontestáveis e que tudo que precisamos fazer é esperar pelas suas implementações é uma rendição para controlar as forças da história que muitos americanos ainda não estão prontos para admitir. Certamente não há necessidade de fazê-lo.

Existe agora uma conexão filosófica reconhecida entre os neoconservadores modernos e Irving Kristol, Leo Strauss e Maquiavel. Isto é importante em entender que as políticas de hoje e os problemas subsequentes estarão conosco por anos a vir se essas políticas não forem revertidas.

Não apenas Leo Strauss escreveu de modo favorável a Maquiavel, Michael Ledeen, um atual líder do movimento dos neoconservadores, fez o mesmo. Em 1999 Ledeen intitulou seu livro “Machiavelli on Modern Leadership” (Maquiavel sobre a liderança moderna, tradução livre) e deu o subtítulo: “Porque as regras firmes de Maquiavel são tão convenientes e importantes hoje como há cinco séculos”. De fato, Ledeen é um teórico neocon influente cujo seus pontos de vista obtém muita atenção em Washington. Seu livro sobre Maquiavel, curiosamente, foi passado para os membros do congresso presentes uma reunião de estratégia política logo após sua publicação e em pouco tempo mais que A Clean Break foi lançado.

Na mais recente publicação de Ledeen, The War Against The Terror Master (A guerra contra o mestre do terror, tradução livre), ele reitera suas crenças delineado neste livro sobre Maquiavel de 1999. Ele especificamente elogia: “Destruição criativa… tanto dentro da nossa sociedade quanto fora… (estrangeiros) ao ver os Estados Unidos desfazerem sociedades tradicionais podem temer a nós, visto que eles não desejam serem desfeitas”. Surpreendentemente Ledeen conclui: “Eles devem nos atacar de modo a sobreviver, assim como devemos destruí-los para avançar nossa missão histórica”.

Se essas palavras não te assusta, nada te assustará. Se elas não são uma clara advertência, eu não sei o que poderia ser. Parece algo como ambos os lados de cada discordância no mundo vai estar seguindo o princípio da guerra preventiva. O mundo certamente é um lugar menos seguro por isso.

Em Machiavelli on Modern Leadership, Ledeen elogia um líder nos negócios por corretamente entender Maquiavel: “Não há soluções absolutas. Tudo depende. O que é certo e o que é errado depende sobre o que precisa ser feito e como”. Isso é uma clara afirmação da situação ética e não está vindo da esquerda tradicional. Isso me lembra de: “Depende de qual definição da palavra ‘é’ é”.

Ledeen cita Maquiavel de modo a aprovar sobre o que faz um grande líder. “Um príncipe não deve ter outros objetivos ou pensamentos ou tomar qualquer coisa em relação de sua habilidade, exceto a guerra”. Para Ledeen isso significa: “A virtude do guerreiro são essas, de grandes líderes de qualquer organização de sucesso”. No entanto, é obvio que guerra não é coincidente com a filosofia neocon, mas uma arte integrante. Os intelectuais justificam isso e os políticos o realizam. Há uma razão precisa para argumentar por guerra sobre a paz, de acordo com Ledeen pois “…a paz aumenta o nosso risco por fazer a disciplina menos urgente, encorajando alguns de nossos piores instintos, privando-nos de nossos melhores líderes”. Paz, ele alega, é apenas um sonho e nem mesmo algo agradável, por isso causaria indolência e iria minar o poder do estado. Embora eu reconheço que a história do mundo é a história de gerra frequente, a capitular e desistir até mesmo a lutar pela paz – acreditando que a paz não é um benefício para a humanidade – é um pensamento assustador que condena o mundo a uma guerra perpétua e justifica-o como um benefício e uma necessidade. Essas são ideias perigosas, pelo que nada de bom pode vir.

O conflito de eras tem sido entre o estado e o indivíduo: poder central contra liberdade. Quão mais contido o estado e mais ênfase na liberdade individual, maior tem sido o avanço da civilização e prosperidade geral. Como a condição do homem não foi fechada em um local pelos tempos e guerras do passado e melhorou com liberdade e mercados livres, não há razão para crer que um novo estágio para o homem não poderia ser alcançado por acreditar e trabalhar pelas condições de paz. A inevitável e tão chamada necessidade pela guerra preventiva deveria nunca ser justificada intelectualmente como sendo um benefício. Tal atitude garante um retrocesso da civilização. Neocons, infelizmente, alegam que a guerra está na natureza do homem e que nós não podemos fazer muita coisa sobre isso, então vamos usá-la em nosso proveito para promover nossa bondade em todo o mundo através da força das armas. Esta visão é anátema para a causa da liberdade e preservação da Constituição. Se não for refutada em voz alta, nosso futuro será, de fato, terrível.

‘Para sobreviver é preciso lutar o tempo todo. A paz leva a decadência. Por isso, uma ordem política somente pode ser estável se for unida por uma ameaça externa. Se não existir nenhuma ameaça externa, então, é preciso fabricar uma.’ – Leo Strauss

Ledeen acredita que o homem é mal e não pode ser deixado por seus próprios desejos. Portanto, ele deve ter uma liderança adequada e própria, assim como Maquiavel argumentou. Somente assim o homem pode alcançar o bom, como explica Ledeen: “A fim de alcançar as mais notáveis realizações, o líder pode ‘entrar para o mal’. Essa é a visão arrepiante que fez Maquiavel tão temido, admirado e desafiador… nós estamos podres”, argumenta Ledeen. “É verdade de que nós podemos alcançarmos a grandeza se, e somente se, estivermos adequadamente conduzidos”. Em outras palavras, o homem é tão depravado que indivíduos são incapazes de grandeza moral, ética e espiritual e alcançar excelência e virtude pode somente vir de um líder autoritário poderoso. Que ideias depravadas são essas que agora influenciaram nossos líderes em Washington? A questão de Ledeen não respondida é: “Por que os líderes políticos não sofrem das mesmas deficiências e onde eles obtém seus monopólios sobre a sabedoria?”

Uma vez que esta confiança esteja colocada nas mãos de um líder poderoso, esse neocon argumenta que certas ferramentas são permissíveis de uso. Por exemplo, “a mentira é fundamental para a sobrevivência das nações e para o sucesso das grandes empresas, porque se nossos inimigos podem contar com a confiabilidade de tudo que você disser, sua vulnerabilidade é enormemente aumentada”. E sobre os efeitos de mentir sobre seu próprio povo? Quem se importa se um líder pode enganar o inimigo? Chamando-o de “estratégia de decepção” faz a mentira moralmente justificável? Ledeen e Maquiavel diz que sim, conquanto que a sobrevivência do estado esteja em jogo. Preservar o estado é seu objetivo, ainda que a liberdade pessoal de todos os indivíduos tenha que ser suspensa ou cancelada.

Ledeen deixa claro que a guerra é necessária para estabelecer fronteiras nacionais – porque esse é o modo que sempre foi feito. Quem precisa de progresso da raça humana! Ele explica: “Olhe para o mapa do mundo: as fronteiras nacionais não foram desenhadas por homens pacíficos conduzindo vidas de contemplação espiritual. Fronteiras nacionais tem sido estabelecidas por guerra e o caráter nacional tem sido moldado por luta, geralmente lutas sangrentas”.

Sim, mas quem está a liderar o comando e decidir por quais fronteiras iremos lutar? Que tal fronteira com 6 mil milhas de distância sem relação com nossas próprias fronteiras contíguas e nossa própria segurança nacional? Afirmando um relativo truísmo em relação a frequência de guerra por toda a história, dificilmente deveria ser a justificação moral para a expansão do conceito de guerra para resolver disputas humanas. Como alguém pode chamar isso de progresso?

Maquiavel, Ledeen e os neocons reconheceram a necessidade de gerar um zelo religioso para promover o estado. Isso, afirma ele, é especialmente necessário quando a força é usada para promover uma agenda. Tem sido verdade ao longo da história e continua ser verdade até hoje, cada lado de grandes conflitos invoca a aprovação de Deus. Nosso lado se refere a uma “cruzada”, o deles a um “Jihad sagrado”. Muitas vezes as guerras se resumem a seu deus contra o nosso Deus. Parece que esse princípio é mais um esforço cínico para ganhar a aprovação das massas, especialmente daqueles mais prováveis de serem mortos pela causa dos promotores de guerra de ambos os lado que possuem poder, prestígio e riqueza em jogo.

Ledeen explica por que Deus deve sempre estar do lado dos defensores da guerra: “Sem temor a Deus, nenhum estado pode durar tanto tempo, visto que o pavor da danação eterna que mantém os homens na linha, faz eles honrarem suas promessas e inspira-os a arriscar suas vidas para o bem comum”. Parece que morrer ao bem comum ganhou um status moral mais elevado do que a salvação eterna da alma. Ledeen continua: “Sem o medo da punição, os homens não obedecerão as leis que os forcem a agir o contrário de suas paixões. Sem medo de armas, o estado não pode aplicar as leis… para este fim, Maquiavel quer líderes para tornar o estado espetacular”.

É interessante notar que algumas grandes denominações cristãs junta neoconservadores em promover a guerra preventiva, enquanto ignoram completamente a doutrina cristã da Guerra Justa. Os neocons solicitaram e receberam abertamente seus apoios.

Eu gostaria de alguém para recolher qualquer coisa do que os Pais Fundadores disseram ou colocaram na Constituição que concorde com a doutrina agora professada de um estado “espetacular”, promovido por aqueles que agora possuem muita influência em nossas políticas aqui no país e no exterior. Ledeen argumenta que este elemento religioso, este temor de Deus, é necessário para aqueles que podem ser hesitantes em sacrificar suas vidas pelo bem do “estado espetacular”.

Ele explica em termos estranhos: “Morrer pelo país não vem naturalmente. Exércitos modernos, surgidos da população, devem ser inspirados, motivados e doutrinados. Religião é o centro do empreendimento militar, para homens que estão mais propensos a arriscar suas vidas, se eles irão acreditar que serão recompensados para sempre depois de terem servidos seu país”. Isso é uma admoestação que poderia muito bem ter sido dada por Osama bin Laden, reunindo suas tropas para o sacrifício em matar infiéis invasores, como por nossos intelectuais no AEI, que influencia grandemente nossa política externa.

Neocons – ansiosos para os EUA usarem força para realinhar fronteiras e mudar regimes no Oriente Médio – claramente entende o benefício da galvanização e evento emocional para reunir pessoas para a sua causa. Sem um evento especial, eles perceberam a dificuldade em vender sua política de guerra preventiva, onde nosso próprio pessoal militar seria morto. Se fosse na Lusitânia, Pearl Harbor, no Golfo de Tonkin ou no Maine, todos serviram seus propósitos em promover uma guerra que fora solicitada por nossos líderes.

Ledeen escreve um evento fortuito (1999): “…claro, nós sempre podemos ter sorte. Eventos colossais de fora podem providencialmente despertar a empresa de seu entorpecimento crescente e demonstrar a necessidade de reversão, como o devastador ataque japonês a Pearl Harbor em 1941, de modo tão efetivo despertou os EUA de seus sonhos tranquilizantes de neutralidade permanente”.

Surpreendentemente, Ledeen chama Pearl Harbor de um evento “de sorte”. O Project for a New Amrican Century, como recentemente, em Setembro de 2000, igualmente previu a necessidade por “um evento de Pearl Harbor” que galvanizaria o povo americano a apoiar seus planos ambiciosos para garantir a dominação política e econômica do mundo, enquanto isso estrangulando qualquer “rival” em potencial.

Reconhecendo uma “necessidade” para um evento de Pearl Harbor e referenciando a Pearl Harbor como sendo de “sorte”, não são idênticos aos de apoio e conhecimento de um evento como esse, mas que essa simpatia para um evento a galvanizar, como o 11 de Setembro se tornou, foi formulado para promover uma agenda que constitucionalistas ferrenhos e devotos dos Pais Fundadores desta nação encontrou terrível, é de fato perturbante. Depois do 11 de Setembro, Rumsfeld e outros discutiram por um ataque imediato no Iraque, mesmo que não estive implicado nos ataques.

O fato de que neo-conservadores ridicularizam aqueles que firmemente acredita que o interesse dos EUA e da paz mundial seria melhor servido por uma política de neutralidade e evitar envolvimentos estrangeiros não deveria ser incontestado. Não o fazer é tolerar seus planos grandiosos por uma hegemonia americana mundial.

A atenção atual dada a neocons normalmente vem no contexto de política externa. Mas há mais do que está acontecendo hoje em dia do que apenas a influência tremenda que neocons tem em nossa nova política de guerra preventiva com o objetivo de império. Nosso governo está agora sendo movido por uma série de idéias que vem juntos no que chamo de “neoconismo”. A política externa está sendo debatida abertamente, mesmo se suas implicações não estão sendo totalmente compreendidas por muitos que as apoiam. Washington está agora sendo dirigida por antigos pontos de vistas reunidas em um novo pacote.

Nós sabemos que aqueles que nos governam – ambos na administração e no congresso – mostram nenhum apetite para desafiar sistemas fiscais ou monetário que causam tantos danos a nossa economia. A Receita Federal e o Banco Central estão fora dos limites das críticas e reformas. Não há resistência aos gastos, tanto no campo doméstico quanto no exterior. A dívida não é vista como problema. Economistas da corrente “Lado da Oferta” venceram esta questão e agora muitos conservadores prontamente defenderam gastos deficitários.

Não há uma oposição séria à expansão do estado assistencialista, com rápido crescimento da burocracia da educação, agricultura e assistência médica. Apoio a sindicatos trabalhistas e protecionismo não são incomuns. As liberdade civis são facilmente sacrificadas na atmosfera predominante pós-11 de Setembro em Washington. Questões de privacidade são de pouco interesse, exceto por poucos membros do congresso. Ajuda internacional e internacionalismo – apesar de algumas críticas saudáveis da ONU e da nossa crescente preocupação pela nossa soberania nacional – são defendidos por ambos os lados do corredor. A aprovação está dada ao livre mercado e para a liberdade de tratados de comércio, contudo toda a economia é regida por legislações de interesses comerciais favorecendo grandes corporações, grandes sindicatos e, especialmente, grandes gastos do governo em modelar o mercado.

Em vez do “fim da história”, nós agora estamos experimentando o fim de um movimento sonoro do governo limitado na capital de nossa nação. Enquanto muitos conservadores já não defendem orçamentos equilibrados e redução de gastos, muitos progressistas tem aumentado uma lenta defesa pelas liberdade civis e agora estão aprovando guerras que iniciamos. A então chamada “terceira via” chegou e, infelizmente, tomou o pior do que os conservadores e progressistas têm para oferecer. As pessoas estão bem menos fora disso, enquanto a liberdade definha como um resultado.

Os neocons entusiasticamente abraçaram o Ministério da Educação e o exame nacional[1]. Ambos os partidos apoiam de forma esmagadora o enorme compromisso para um novo programa de prescrição de medicamentos. Suas devoções para a nova abordagem chamada “conservadorismo compassivo” atraiu muitos conservadores no apoio a programas para a expansão do papel do governo federal sobre o assistencialismo e caridades promovida por instituições religiosas. A iniciativa baseada na fé é um projeto neocon, ainda que reformula e expande a noção progressista de assistencialismo. Os intelectuais que promoveram essas iniciativas eram neocons, porém não há nada de conservador em promover a expansão do papel do governo federal sobre o assistencialismo.

 

Michael Ledeen, um dos mais influentes nomes da política externa americana.

Políticas econômicas baseado no “Lado da Oferta” de baixos impostos marginais tem estado incorporado no neoconismo, assim como seus apoios a crédito e inflação monetária abundantes. Neoconservadores não tem interesses no padrão-ouro e até mesmo ignoram o argumento por um falso padrão-ouro dos economista da vertente “Lado da Oferta”.

Há alguma surpresa de que os gastos do governo federal está crescendo, em um ritmo mais rápido do que em qualquer época dos últimos 35 anos?

Poder, política e privilégio prevalecem sobre o império da lei, liberdade, justiça e paz. Mas não precisa ser dessa maneira. O neoconismo reuniu muitas ideias antigas sobre como o governo deveria governar o povo. Pode ter modernizado seus atrativos e sua embalagem, porém governança autoritária é governança autoritária, independente das conotações humanitárias. Uma solução só pode vir após a ideologia atual que dirige nossa políticas de governo ser substituída por algo mais positivo. Em um contexto histórico, a liberdade é uma ideia moderna e deve, mais uma vez, recuperar o fundamento de moral elevada para a civilização avançar. Reafirmando as antigas justificações para guerra, o controle de pessoas e um estado benevolente não será suficiente. Não se pode eliminar as deficiências que sempre ocorrem quando o estado assume autoridade sobre os outros e quando a vontade de uma nação é forçada em uma outra – se for ou não for feita com boas intenções.

Eu percebo que todos os conservadores não são neoconservadores e todos os neocons necessariamente não concordam com todos os pontos – o que significa que, apesar sua tremenda influência, a maioria dos membros do congresso e da administração, necessariamente não tomam suas ordens direcionadas ao American Enterprise Institute ou Richard Perle. Mas para usar isso como uma razão para ignorar o que os líderes neoconservadores acreditam, escrevem e discutem por algo – com sucesso espetacular eu poderia assinalar – estaria em nosso próprio risco. Este país ainda permite abrir discursos – embora menos ultimamente – e nós que não concordamos deveríamos forçar a discussão e expor aqueles que dirigem as nossas políticas. Está ficando mais difícil conseguir uma discussão honesta e equilibrada nesses pontos, porque tornou-se rotina para as hegemonias em rotular aqueles que contestam a guerra preventiva e vigilância doméstica como traidores, anti-patriota e anti-americano. A uniformidade de apoio por nossa atual política externa pelas majoritárias e redes de noticiários de TV a cabo deveria preocupar todo americano. Todos nós deveríamos ser gratos pelo C-SPAN[2] e a internet.

Michael Ledeen e outros neoconservadores já estão fazendo lobby para a guerra contra o Irã. Ledeen é um pouco antipático para aqueles que falam por uma abordagem calma e razoável, chamando aqueles que não estão prontos para a guerra de “covardes e conciliadores de tiranos”. Porque alguns incitam uma abordagem menos militarista para lidar com o Irã, ele alega que eles estão traindo as melhores “tradições” dos Estados Unidos. Eu me pergunto de onde ele aprendeu o início da história americana! É óbvio que Ledeen não considera os Pais Fundadores e a Constituição parte de nossas melhores tradições. Quase que em nenhum momento fomos encorajados pelos revolucionários americanos a perseguir um império americano. Entretanto, fomos instigados em manter a república que eles tão meticulosamente projetaram.

Se os neoconservadores retém o controle de conservador, do movimento de governo limitado em Washington, das ideias, uma vez defendidas por conservadores, de limitar o tamanho e o escopo da vontade do governo, será um sonho há muito esquecido.

Os que acreditam na liberdade não devem enganar a si mesmos. Quem deve estar satisfeito? Certamente não os conservadores, pois não há movimento conservador à esquerda. Como poderia os progressistas estarem satisfeitos? Eles se agradaram com a centralização de programas de educação e saúde em Washington e apoiam muitas propostas do governo. Mas nenhum deve estar satisfeito com o ataque constante às liberdade civis de todos os cidadãos americanos e o consenso atual aceito de que guerra preventiva – por qualquer razão – seja uma política aceitável para lidar com os conflitos e os problemas do mundo.

Apesar da deterioração das condições em Washington – com perda de liberdade pessoal, uma economia fraca, déficits explodindo, guerra perpetual, seguido de nacionalismo/ desenvolvimentista – há ainda um número considerável de nós que apreciaria a oportunidade de melhorar as coisas, de um modo ou de outro. Certamente um crescente número de americanos frustrados, tanto de direita quanto de esquerda, estão ficando ansiosos para ver o congresso fazer um trabalho melhor. Mas, primeiro, o congresso deve parar de fazer um mau trabalho.

Nós chegamos num ponto em que precisamos pegar em armas, tanto aqui, em Washington, quanto em todo o país. Não estou falando sobre armas de fogo. Aqueles entre nós que se importam precisam levantar os braços e encarar nossa vitória por fora e começar a acenar e gritar: pare! Chega e basta! E deveria incluir progressistas, conservadores e independentes. Nós todos estamos fazendo falsas acusações vindos de políticos que são pressionados por pesquisas e controlados por interesse especial de dinheiro.

Uma coisa é certa, não importa o quão moralmente justificável os programas e as políticas pareçam, a capacidade para financiar todos os canhões ou manteigas prometidos é limitada e tais limites estão se tornando aparente a cada dia que passa.

Gastos, empréstimos e dinheiros impressos não pode ser o caminho da prosperidade. Não funcionou no Japão e também não está funcionando aqui. Na realidade, nunca funcionou em qualquer momento ao longo da história. Um ponto é sempre alcançado onde o planejamento governamental, gastos e inflação perde a força. Ao invés destas ferramentas antigas reviverem a economia, como eles fazem nos primeiros estágios do intervencionismo econômico, eventualmente eles se tornam o problema. Ambos os lados do espectro político devem, um dia, compreender que a intrusão governamental sem limites na economia, em nossas vidas pessoais e nos assuntos de outras nações não podem servir os melhores interesses para os Estados Unidos. Isto não é um problema conservador nem é um problema progressista – é um problema de intrusão governamental que vem de ambos os grupos, embora por diferentes razões. Os problemas emanam de ambos os lados que defendem diferentes programas por diferentes razões. A solução virá quando ambos os grupos perceberem que não é um mero problema de partido único, ou somente um problema progressista ou conservador.

Uma vez que muitos de nós decidirmos que nós já tivemos o bastante dessa então chamada boas coisas que o governo está sempre prometendo – ou, mais provavelmente, quando o país está quebrado e que o governo é incapaz de cumprir suas promessas ao povo – nós poderemos iniciar uma discussão séria sobre o papel apropriado do governo em uma sociedade livre. Infelizmente, será depois de um tempo em que o congresso receber as informações de que as pessoas estão exigindo uma verdadeira reforma. Isso exige que aqueles responsáveis pelos problemas de hoje sejam expostos e suas filosofias de intrusão governamental penetrante seja rejeitada.

Deixe não ser dito de que ninguém importava, de que ninguém se pôs, uma vez que seja percebido que nossas liberdades e riquezas estão em perigo. Alguns tem, outros continuarão a fazer, mas muitos – tanto dentro como fora do governo – fecham seus olhos para questões de liberdade pessoal e ignoram o fato de que empréstimos infinitos para financiar demandas infinitas não podem ser sustentadas. A verdadeira prosperidade pode somente vir através de uma economia saudável e dinheiro lastreado. Que somente pode ser alcançado em uma sociedade livre.

Notas do tradutor:
[1] Exame estudantil semelhante ao Enem.
[2] Rede televisiva de caráter governamental, semelhante ao nosso TV Senado ou TV Câmara.

Ron Paul é médico e ex-político americano, já foi candidato à presidência dos Estados Unidos pelo Partido Libertário e Partido Republicano.

Traduzido por Rodrigo Viana

Leituras complementares:

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A Verdade Sobre o Neoconservadorismo (parte 1)

POR RON PAUL
Artigo escrito em Julho de 2003.

Errata: segue as notas do tradutor não publicadas anteriormente. Para ler a continuação deste ensaio, clique aqui.

Nos dias atuais, o movimento do governo limitado tem sido cooptado. Os conservadores falharam em seus esforços em diminuir o tamanho do governo. Não houve, nem haverá tão logo, uma revolução conservadora em Washington. O controle do partido político do governo federal mudou mas, inexoravelmente, cresceu em tamanho e escopo do governo continuou sem se abater. O argumento progressista pela diminuição governamental em assuntos pessoais e o aventureirismo militar estrangeiro nunca foram seriamente considerado como parte dessa revolução.

Dado que a mudança do partido político no comando não fez uma diferença, quem está realmente no comando? Supondo o determinado partido no poder faz pouca diferença, de qual a política é a que permite programas do governo expandidos, aumento de despesas, enormes déficits, políticas nacionalistas/ desenvolvimentistas[1] e a invasão penetrante de nossa privacidade, com menos proteção da Quarta Emenda[2] do que nunca?

Alguém é responsável e é importante que aqueles de nós que amam a liberdade e ressentem-se a um governo do Grande Irmão[3], identificar os apoiadores filosóficos que tem mais dito sobre a direção que o nosso país está indo. Se eles estiverem errados, e acredito que estejam, nós precisamos mostrar, alertar o povo americano e oferecer uma abordagem mais positiva ao governo. Contudo, isso depende se o povo americano deseja viver em uma sociedade livre e rejeita a noção perigosa de que precisamos de um governo central forte para cuidar de nós do berço à sepultura. O povo americano realmente acredita que é responsabilidade do governo em fazermos moralmente melhores e economicamente iguais? Nós temos uma responsabilidade em policiar o mundo, ao passo que impondo a nossa visão de bom governo em todo o resto do mundo com alguma forma de nacionalismo/ desenvolvimentismo utópico? Supondo que não e com os inimigos da liberdade expostos e rejeitados, então cabe a nós apresentar uma filosofia alternativa que seja superior moralmente, economicamente sólida e provê um guia de assuntos ao mundo para realçar a paz e o comércio.

Uma coisa é certa: os conservadores que trabalharam e votaram por menos governo nos tempos de Reagan e receberam bem a aquisição do congresso americano e a presidência nas décadas de 90 e início de 2000 foram enganados. Em breve ele irão perceber que a meta do governo limitado tem estado quase parada e que suas visões quase não importam mais.

A então chamada revolução conservadora de duas décadas passadas tem dado-nos um enorme aumento no tamanho do governo, em gastos e regulamentações. Déficits estão explodindo e a dívida nacional está agora a subir a mais de meio trilhão de dólares por ano. Os impostos não caem – mesmo que votamos para diminuí-los. Eles não podem, contanto que despesas esteja aumentada, uma vez que todos os gastos devem ser pagos de um jeito ou de outro. Tanto os presidentes Reagan[4][5] e George Bush “pai” aumentaram impostos diretamente. Com esta administração, até agora, impostos diretos tem sido reduzidos – e eles certamente deveriam estar estar reduzidos – mas significa pouco se gastos aumentam e déficits sobem.

Quando impostos não são elevados para acomodar gastos altos, as contas deverão ser pagas tanto por empréstimo ou por “imprimir” dinheiro novo[6]. Esta é uma razão do porque nós temos um generoso presidente do Banco Central que está disposto acomodar o Congresso. Com empréstimo e inflação, “imposto” é adiado e distribuído de um jeito que dificulta, para aqueles que pagam impostos, identificá-lo. Por exemplo, gerações futuras, ou aqueles com rendimentos fixos que sofrem dos aumentos de preço e daqueles que perdem empregos – eles certamente sentem as consequências dos deslocamentos econômicos que este processo causa. Gasto governamental é sempre um “imposto” carregado pelo povo americano e nunca é distribuído igualmente ou de modo justo. O trabalhadores pobres e os de renda média-baixa sempre sofrem a maior parte dos impostos enganosos da inflação e do endividamento.

Muitos conservadores de hoje, que geralmente argumentam por menos governo e que apoiaram a aquisição Reagan/Gingrich/Bush do governo federal, estão agora justificativamente desiludidos. Embora não sendo um grupo monolítico, eles quiseram encolher o tamanho do governo.

No início de nossa história, os que advogavam um governo limitado e constitucional reconheceram dois importantes princípios: o estado de direito foi crucial e um governo constitucional deve derivar “somente poderes do consentimento dos governados”. Foi entendido que uma transferência explícita de poder ao governo poderia somente ocorrer com o poder corretamente e naturalmente dotado para cada indivíduo como um direito dado por Deus. Portanto, os poderes que poderiam ser transferidos seriam limitados ao propósito de proteger a liberdade.

Irving Kristol, o “pai” do neoconservadorismo.

Infelizmente, nos últimos 100 anos, a defesa da liberdade tem sido fragmentada e partilhada por vários grupos, com algum protegendo as liberdades civis, outras liberdade econômica e um pequeno grupo diverso argumentando por uma política externa não-intervencionista.

A filosofia da liberdade tem tido um difícil caminho, e foi esperado que o interesse renovado em um governo limitado de duas décadas atrás iria reviver um interesse em constituir a filosofia da liberdade sem algo mais consistente. Aqueles que trabalharam pela meta de um governo limitado creram a retórica de políticos que prometeram o governo menor. Às vezes era somente um plano de pensamento desleixado de suas partes, mas em outras vezes, eles foram vítimas de uma distorção deliberada de uma filosofia de governo limitado conciso por políticos que induziram muitos a crer que nós veríamos um recuo na intromissão do governo.

Sim, sempre houve um remanescente que ansiava por um governo verdadeiramente limitado e mantido na crença do Império da Lei, combinado com uma profunda convicção de que as pessoas livres e um governo sujeito a Constituição eram formas mais vantajosas de um governo. Eles reconheceram isso como a única forma prática para a prosperidade ser espalhada para o número máximo de pessoas ao passo que promovendo paz e segurança.

Esse remanescente – imperfeito como deve ter sido – foi ouvido nas eleições de 1980 à 1994 e então alcançado grandes vitórias em 2000 e 2002 quando proponentes declaradamente pelo estado limitado assumiram a administração, o senado e a Casa Branca. No entanto, os apoiadores do estado limitado estão agora sendo evitados e sendo motivo de risos. No mínimo, são ignorados – exceto quando eles são usados por novos líderes da direita política, os novos conservadores que agora estão no comando do governo dos EUA.

Os instintos dos remanescentes estavam corretos, e os políticos aquietaram os com a conversa de mercados livres, governo limitado e uma modesto nacionalismo/ desenvolvimentismo em política externa. Contudo, um pequeno interesse pelas liberdades civis foi expressado nesta recente busca por menos governo. No entanto, para uma vitória final de alcançar a liberdade, isto deve mudar. Interesse em privacidade pessoal e escolhas tem, geralmente, permanecido fora do interesse de muitos conservadores – especialmente com o grande dano causado por apoiarem a guerra contra as drogas. Apesar de que algumas confusões emergiram sobre a nossa política externa desde o colapso do império soviético, tem sido um benefício líquido em ter alguns conservadores de volta aos trilhos de uma política externa menos militarista e intervencionista. Infelizmente, depois do 11 de Setembro, a causa da liberdade sofreu um revés. Como resultado, milhões de americanos votaram “revolução americana do menos pior” porque acreditaram nas promessas se políticos.

Agora há crescentes evidências para indicar exatamente o que ocorreu com a revolução. O governo está maior do que nunca e os futuros compromissos são esmagadoras. Em breve, milhões ficarão desencantados com o novo status quo que foi entregue ao povo americano pelos defensores do estado limitado e vão achar nada mais do que o velho status quo. As vitórias pelo governo limitado tem se tornado, de fato, vazias.

Os neocons modernos tem vindo da extrema-esquerda, um grupo historicamente identificado como ex-trotskystas. 

Uma vez que a dívida nacional está a aumentar sob uma taxa de maior do que meio trilhão por ano, o limite da dívida foi recentemente aumentado por um espantoso 984 bilhões de dólares. As obrigações totais do governo dos EUA são de 43 trilhões, enquanto o total do patrimônio líquido das famílias americanas é de apenas 40 trilhões. O país está quebrado, mas ninguém em Washington parece notar ou se importar. O compromisso filosófico e político por canhões ou manteigas[7] – e especialmente pela expansão do império americano – deve ser desafiada. Isso é crucial para nossa sobrevivência.

Apesar da economia estar em tropeços, o congresso e a administração continua a fazer novos compromissos em ajuda externa, educação, agricultura, medicina, esforços múltiplos em um estado nacionalista/ desenvolvimentista e guerras preventivas em volta do mundo. Nós já estamos fixados no Iraque e Afeganistão, com planos para aumentar rapidamente novos troféus para nossas conquistas. Conversa de guerra a se produzir quanto a quando Síria, Irã, e Coreia do Norte serão atacadas.

Como tudo isso aconteceu? Por que o governo fez isso? Por que o povo não se opôs? Quanto tempo isso vai continuar antes que algo seja feito? Alguém se importa?

Será que a euforia das grandes vitórias militares – contra não-inimigos – já amadureceram? Em algum dia, nós como um corpo legislativo devemos encarar a realidade da terrível situação pelo que temos permitindo a nós mesmos sermos enredados. Esperemos que será breve!

Chegamos aqui porque ideias tem consequências. Ideias más tem consequências más e até mesmo a melhor das intenções tem consequências não intencionais. Nós precisamos saber exatamente quais ideias filosóficas foram que nos levaram a este ponto; então, esperamos, rejeitá-los e decidir sobre outro conjunto de parâmetros intelectuais.

Há evidência abundante para aqueles que dirigem nossa política externa justificando guerra preventiva. Aqueles quem esquematizam são orgulhosos das realizações em usurpar o controle sobre a política externa. Estes são os neoconservadores de fama recente. Admitidos, eles são talentosos obtiveram uma vitória política em que todos os formuladores de política devem admirar. Mas pode a liberdade e a república sobreviver a este aquisição? Esta pergunta deveria nos preocupar.

Neoconservadores estão, obviamente, em posições de influência e estão completamente bem alocados em nosso governo e na mídia. Um congresso apático levantou uma pequena resistência e abdicou suas responsabilidades sobre os assuntos estrangeiros. O eleitorado foi facilmente influenciado a se juntar no fervor patriótico apoiando o aventureirismo militar defendido pelos neoconservadores.

O número daqueles que ainda tem esperança por um governo verdadeiramente limitado diminuiu e teve seus interesses ignorados nestes últimos 22 meses, durante a consequência do 11 de Setembro. Membros do congresso foram facilmente influenciados a apoiar publicamente qualquer política doméstica ou aventura militar estrangeira que, supostamente, era para ajudar a reduzir a ameaça de um ataque terrorista. Crentes do governo limitado era mais difícil de encontrar. Dinheiro político, como de costume, desempenhou um papel em pressionar o congresso em apoiar quase que qualquer proposta sugerida pelos neocons. Este processo – onde dólares de campanha e esforços de lobbies afeta a política – é, dificilmente, o domínio de qualquer simples partido político e, infelizmente, é o estilo de vida em Washington.

Há muitas razões do por quê o governo continua a crescer. Seria ingenuidade para alguém esperar o contrário. Desde o 11 de Setembro, a proteção da privacidade, se médica, pessoal ou financeira, desapareceu. A liberdade de expressão e a Quarta Emenda tem estado sob constante ataque. Despesas assistencialistas altas são endossadas por líderes de ambos os partidos. Policiar o mundo e questões nacionalistas/ desenvolvimentistas são alvos de campanha popular, e ainda eles agora padronizam procedimentos operacionais. Não há sinal de que estes programas serão diminuídos ou revertidos, tanto por estarmos parados pela força além mar (pelo que não será breve) ou quanto quebrarmos e podermos não mais dispor desses planos grandiosos para um império mundial (pelo que, provavelmente, virá mais cedo do que tarde).

Nada disso aconteceu por acaso ou coincidência. Ideias filosóficas precisas induziram certos indivíduos a ganhar influência para implementar estes planos. Os neoconservadores – o nome que eles se deram – diligentemente trabalharam em seus caminhos em posições de poder e influência. Eles documentaram suas metas, estratégias e justificação moral para todos os que esperavam realizar. Acima de tudo, eles não eram e não são conservadores dedicados ao governo limitado e constitucional.

Leo Strauss, o intelectual que está por trás das ideias imperialistas neoconservadoras.

O neo-conservadorismo tem estado em volta por décadas e, estranhamente, possui conexões com gerações passadas já em Maquiavel. O neo-conservadorismo de hoje foi introduzido a nós na década de 1960. Implica tanto uma estratégia detalhada quanto uma filosofia de governo. As ideias de Teddy Roosevelt[8] e, com certeza, Woodrow Wilson[9] foram muito semelhantes das ideias dos neocons modernos. O porta-voz neocon Max Boot se gaba de que o que ele defende é o “Wilsonianismo[10] forte”. Em muitos aspectos, não há nada “neo” em seus pontos de vistas e, com certeza, nada conservador. No entanto, eles tem sido capazes de cooptar o movimento conservador por propagandear a eles mesmos como uma nova ou moderna forma de conservadorismo.

Mais recentemente, os neocons modernos tem vindo da extrema-esquerda, um grupo historicamente identificado como ex-trotskystas. O progressista Christopher Hitchins[11] recentemente se juntou oficialmente aos neocons. E tem sido relatado de que ele já foi à Casa Branca como um consultor ad hoc. Muitos neocons agora em posição de influência em Washington podem traçar seus status de vota ao professor Leo Strauss, da Universidade de Chicago. Um dos livros de Strauss foi Thoughts on Machiavelli (Reflexões sobre Maquiavel, tradução livre). Este livro não foi uma condensação da filosofia de Maquiavel. Paul Wolfowitz, na verdade, teve seu doutorado sobre Strauss. Outros intimamente associados com estes pontos de vistas são Richard Perle, Eliot Abrams, Robert Kagan e William Kristol. Todos são peças-chaves em elaborar nossa nova estratégia de guerras preventivas. Outros incluem: Michael Ledeen, do American Enterprise Institute; James Woolsy, ex-diretos da CIA; Bill Bennet do famoso livro Book of Virtues (Livro de virtudes, tradução livre), Frank Gaffney, Dick Cheney e Donald Rumsfeld. Há pouco demais para mencionar quem estão filosófico ou politicamente conectados a política neocon em algum variados grau.

O padrinho do moderno neo-conservadorismo é considerado Irving Kristol, pai de William Kristol, que preparou o terreno em 1983 com sua publicação Reflections of a Neoconservative (Reflexões de um neoconservador, tradução livre). Neste livro, Kristol também defende a tradicional posição progressista do assistencialismo.

Mais importante do que os nomes de pessoas afiliadas om o neo-conservadorismo, são os pontos de vistas do qual eles aderem. Aqui está um breve resumo do entendimento geral do que os neocons acreditam:

  1. Concordam com Trotsky em uma revolução permanente, violenta, bem como intelectual.
  2. Eles estão redesenhando o mapa do Oriente Médio e estão dispostos a usar da força para fazê-lo.
  3. Acreditam em guerras preventivas para alcançar os fins desejados.
  4. Aceitam a noção de que os fins justificam os meios – que seus métodos políticos em usar modos desumanos, cruéis e agressivos é uma necessidade moral.
  5. Não expressam oposição ao estado assistencialista.
  6. Não estão envergonhados sobre o império americano, pelo contrário, o aprovam.
  7. Acreditam na mentira como necessário para o estado sobreviver.
  8. Acreditam que um poderoso governo em âmbito federal seja benéfico.
  9. Acreditam em fatos pertinentes em como a sociedade deveria ser executada e realizada pela elite e retida daqueles que não tem coragem de lidar com isso.
  10. Acreditam que a neutralidade nas relações exteriores é desaconselhável.
  11. Possuem alta estima por Leo Strauss.
  12. Acreditam que o imperialismo, se de natureza progressiva, é apropriado.
  13. Usando o poderio americano em forçar ideais aos outros é aceitável. Esse uso da força não deveria ser limitada a defesa de nosso país.
  14. O 11 de Setembro resultou na falta de envolvimentos estrangeiros e não de muitos envolvimentos.
  15. Não gostam e menosprezam libertários (portanto, o mesmo se aplica a todos os ferrenhos constitucionalistas)
  16. Defendem ataques contra as liberdades civis, como aqueles encontrados no Patriot Act, como sendo necessário.
  17. Incondicionalmente apoiam Israel e tem uma aliança próxima com o Partido Likud.

Várias organizações e publicações dos últimos 30 anos desempenharam um papel significante na ascensão do poder dos neoconservadores. Pegaram muito dinheiro e compromisso para produzir argumentos intelectuais necessários para convencer muitos participantes do movimento de sua própria respeitabilidade.

Não é segredo – especialmente depois da obstinada pesquisa e artigos escritos sobre neocons desde a nossa invasão no Iraque – em como eles ganharam influência e quais organizações foram usadas para promoverem suas causas. Apesar de décadas, eles agitaram suas crenças através de publicações como National Review, The Weekly Standard, The Public Interest, The Wall Street Journal, Commentary e New York Post, suas opiniões somente ganharam força nos anos 90, seguido da primeira Guerra do Golfo Pérsico – que ainda não terminou, mesmo com a remoção de Saddam Hussein. Eles tornaram-se convencidos de que uma abordagem muito mais combativa para resolver todos os conflitos no Oriente Médio era uma necessidade absoluta, e estavam determinados a implementar essa política.

Além das publicações, múltiplos institutos e projetos foram criados para promover sua agenda. Um produto do Bradley Foundation, o American Enterprise Institute (AEI) levou o neocon comandar, mas o verdadeiro impulso pela guerra veio do Project for a New American Century (PNAC), outra organização ajudada pela Bradley Foundation. Isto ocorreu em 1998 e foi presidido pelo editor da Weekly Standard, Bill Kristol. Logo no início, eles insistiram uma guerra ao Iraque mas ficaram desapontados com a administração de Clinton, que nunca seguiu seus ataques periódicos. Obviamente, esses ataques foram motivados mais pelo problemas pessoais e políticos de Clinton do que na crença da agenda neocon.

A eleição de 2000 mudou tudo isso. O Conselho de Política de Defesa, presidido por Richard Perle, não desempenhou nenhum papel pequeno na coordenação de vários projetos e institutos, todos determinados a nos levar a uma guerra contra o Iraque. Não foi muito tempo que o sonho do império foi trazido mais próximo da realidade pela eleição de 2000, com Paul Wolfwitz, Richard Cheney e Donald Rumsfeld desempenhando papéis importantes neste feito. O plano para promover uma “grandeza americana” de política externa imperialista era agora uma possibilidade distinta. O Iraque ofereceu uma ótima oportunidade para provar suas teorias de longa data. Esta oportunidade foi uma consequência do desastre do 11 de Setembro.

O dinheiro e os pontos de vistas de Rupert Murdock também desempenharam um papel importante em promover as visões neocons, também como angariar apoio da população em geral, através do seu News Corporation o qual pertence a Fox News Network, o New York Post e Weekly Standard. Este poderoso e influente império de mídia fez mais para galvanizar apoio público a invasão iraquiana do que se poderia imaginar. Isso facilitou a política de Rumsfeld/ Cheney como seus planos para atacar o Iraque chegaram a ser concretizados. Teria sido difícil para os neocons usurparem a política política externa das restrições do Departamento de Estado de Colin Powell sem a agitação de sucesso do império de Rupert Murdock. Max Boot estava satisfeito, como ele mesmo explicou: “Neoconservadores acreditam em usar o poderio americano para promover ideais americanos no exterior”. Esta atitude está muito longe do conselho dos Pais Fundadores americanos, que defendiam não enredar alianças e neutralidade como o objetivo correto de uma política externa americana.

Que não haja dúvida, aqueles no campo de neocons tem estado ansiosos para ir a uma guerra contra o Iraque por uma década. Eles justificam o uso da força para realizar seus objetivos, mesmo que seja necessário uma guerra preventiva. Se alguém duvida dessa informação, apenas precisa ler de suas estratégias em “A Clean Break: a New Strategy for Securing the Realm ”[12]. Embora eles se sentiram moralmente justificados em mudar o governo do Iraque, eles sabiam que o apoio público era importante e a justificação tinha sido dada para buscar a guerra. Claro, uma ameaça para nós tinha que existir diante do povo e do congresso iria junto com a guerra.

A maioria dos americanos se convenceu desta ameaça, pelo que, na realidade, realmente nunca existiu. Agora nós temos um debate em andamento sobre a localização das armas de destruição em massa. Onde estava o perigo? Foi toda uma matança e gastos necessários? Por quanto tempo esse nacionalismo/ desenvolvimentismo e essa morte lenta irá durar? Quando nos tornarmos mais interessados sobre as necessidades de nossos cidadãos do que os problemas que procuramos no Iraque e Afeganistão? Quem sabe onde será a próxima – Irã, Síria ou Coreia do Norte?

No fim da Guerra Fria, os neoconservadores realizaram um rearranjo do mundo que estava ocorrendo e que nossa economia superior e poder militar ofereceu-lhes uma perfeita oportunidade para controlar o processo de refazer o Oriente Médio.

Foi reconhecido que uma nova era estava sobre nós e os neocons acolheram pela declaração o “fim da história” de Frances Fukuyama. Para eles o debate acabou. O Ocidente venceu, os soviéticos perderam. O comunismo antiquado estava morto. Vida longa a nova era do neoconservadorismo. A luta pode não estar acabada, mas o Ocidente venceu a luta intelectual, eles argumentaram. O único problema é que os neocons decidiram definir a filosofia dos vitoriosos. Eles tem sido espantosamente bem sucedidos em seus esforços para controlar o debate sobre o que os valores ocidentais são e por quais métodos eles serão espalhados pelo mundo.

Aguarde a parte final deste ensaio.

Traduzido por Rodrigo Viana

Notas do tradutor:
[1] O termo original é Nation Building porém foi adotado o termo “nacionalismo/ desenvolvimentismo” por estar razoavelmente mais próximo do significado original.
[2] Quarta Emenda constitucional americana – Wikipedia
[3] Referente ao romance 1984 de George Orwell.
[4] The Reagan Fraud – And After, por Jeff Riggenbach – Mises Institute
[5] The Mithys of Reaganomics, por Murray Rothbard – Mises Institute
[6] O Básico sobre a Inflação, por Henry Hazlitt – Instituto Mises
[7] Canhões ou manteiga é uma expressão econômica onde os gastos governamentais priorizam a questão da defesa (armas/ militarismo) ou produção de bens (consumo para a população).
[8] Teddy Roosevelt foi presidente dos EUA no período entre 1901 à 1909. Seu governo foi bem caracterizado por um intervencionismo externo.
[9] Woodrow Wilson foi presidente dos EUA no período entre 1913 à 1921. Seu governo exerceu um forte intervencionismo/ imperialismo externo para a finalização da 1a Guerra Mundial. Tais ações política foram descrita através do seu “Quatorze Pontos”.
[10] Relativo às políticas intervencionistas do governo de Woodrow Wilson. Tem como metas “espalhar” democracia e capitalismo à força, contrário às políticas isolacionistas e não-intervencionistas e a favor de um imperialismo para a garantia do interesse da nação.
[11] Christopher Hitchins é um escritor e jornalista britânico. Foi tachado de neoconservador por apoiar as políticas intervencionistas no Iraque.
[12] Clean Break é um documento político que foi preparado por um grupo liderado por Richard Perle e, na época, o primeiro ministro israelita Benjamin Netanyahu. É um relatório sobre como resolver a questão da segurança de Israel no Oriente Médio com uma ênfase nos “valores ocidentais”. Tem sido criticado por conter uma defesa de política agressiva, como também na remoção de Saddam Hussein do poder no Iraque.

Conservadorismo verdadeiro vs. Neoconservadorismo*

Artigo original por Nelson Hutberg. Tradução de Rodrigo Viana.

Introdução do tradutor
Embora este artigo trate do cenário político americano, ele serve muito bem como uma lição para nós brasileiros. Esclarece posições políticas que para muitos soa duvidosa e opositora (o que na prática pode não soar assim) como também mostra quem são os reais opositores. Indo direto ao ponto, é necessário saber que o conservadorismo anglo-saxão não é o mesmo que o conservadorismo continental europeu. Do mesmo modo que no anglo-saxão, o conservadorismo americano não é exatamente o mesmo que o britânico. E entender tudo isso é de suma importância. Porém este artigo não fala sobre isso. Deixo tais questões para uma outra oportunidade. Enfim, com a ascensão do movimento denominado pela mídia de “Nova Direita”, grupos de diferentes tendências começam a emergir e fazer barulho no cenário político nacional. Como toda ideia feita por humanos, naturalmente aparece divergências de todo o tipo. Tentando mostrar uma luz a ser
norteada, este artigo visa querer “separar o joio do trigo” desse movimento a fim de que ele cresça de modo saudável. É preciso entender quem são realmente aliados e opositores. Mesmo num movimento que está sendo germinado, se faz mais do que necessário conhecer cada pensamento e sua história. Por isso, espero que este artigo sirva como uma admoestação para que pensamentos torpes importados ditos por certos grupos ou mentores não sejam realmente postos em nossa sociedade. De ideias bizarras já estamos saturados. E bem saturados.

Conservadorismo verdadeiro vs. Neoconservadorismo

O falecido William Simon[1], ex-secretário do tesouro no governo Ford[2], não era seu funcionário do governo como de costume. Como evidenciam suas memórias de 1978 intitulada A Time for Truth, tornou-se um dos livros mais influenciáveis nos últimos 50 anos para esclarecer em prosa vigorosa o governamentalismo que aflige os EUA. O governo federal tem estado, por muitas décadas até agora, corrompendo nosso país como uma gangrena devastando uma perna ferida, e Simon capturou magistralmente o ideológico do por que e do como desta doença.

Simon adorava o “sistema da liberdade natural” de Adam Smith[3] que construiu a cultura da liberdade que nós conhecemos como uma nação antes de 1913[4]. Tão eloquente quanto o tomo de seu livro foi, contudo, continha um erro profundo. Foi um erro o grave desencaminhar no governo Reagan[5], o Partido Republicano[6], e o renascimento capitalista lançado por intelectuais libertários pós-guerra.

William Simon abraçou a noção de que o crescente movimento neoconservador, encabeçado por Irving Kristol[7] no final da década de 70, poderia tornar um aliado valoroso para restaurar a liberdade e um governo constitucional para os EUA. Simon foi brilhante, mas nesta questão falhou em ver “lobos vestidos de ovelhas”, pessoal de Kristol e sua turma coletivista de estudiosos que o havia reunido em torno dele – Patrick Moynihan[8], Norman Podhoretz[9], Daniel Bell[10], Nathan Glazer[11], e Sidney Hook[12] (com o apreço Richard Perle[13], Paul Wolfowitz[14], Bill Kristol[15], William Bennett[16], e George Will[17] tão logo a seguir).

Como Simon colocou, estes distintos intelectuais “ainda são intervencionistas em um grau que eu mesmo não aprovo, mas eles compreenderam a importância do capitalismo[18] estão batalhando alguns aspectos despóticos do igualitarismo e podem ser contados como aliados em certas frentes cruciais da luta pela liberdade individual” [A Time For Truth, 1978, p. 227.]

Em todos estes três pontos, Simon não poderia ter estado mais errado. Neoconservadores nunca compreenderam a importância do capitalismo. Se tivessem, eles entenderiam que programas intervencionistas arrogantes que se apegam nos dias iniciais do New Deal[19] são anátemas ao capitalismo. Ademais, eles e seus acólitos não estão batalhando os aspectos despóticos do igualitarismo sem qualquer coisa substantiva, somente com um falso apoio. Irving Kristol tem sido veemente apoiador de ações afirmativas e cotas sexuais e raciais durante anos, enquanto guiando seus seguidores sempre em direção a uma atenciosa obediência para a agenda das “liberdades civis” da esquerda.

E o mais errôneo de tudo era a pretensão de Simon de que neoconservadores “pode se contar como aliados” na “luta pela liberdade individual”. Do contrário, eles provaram nas duas últimas décadas ser precisamente o oposto entusiasticamente defendendo a expansão indiscriminada do estado assistencialista/ belicista a cada vez e oportunidade.

Raízes ideológicas dos neocons

Mas o que mais devemos esperar. Kristol e a turma original de intelectuais neocon foram seguidores do comunista Leon Trotsky[20] em suas juventudes durante as décadas de 30 e 40. Suas raízes ideológicas eram socialistas por completo. Eles absorveram a Revolução Bolchevique de 1917[21] de Lenin[22] e viram o socialismo como um ideal que precisava ser espalhado ao Ocidente. Enquanto neoconservadores modificaram as raízes leninistas de sua ideologia em favor da metodologia gradualista dos socialistas fabianos ingleses[23], eles ainda são defensores inflexíveis do coletivismo para os EUA. Eles são completamente socialistas? Não, mas suas propostas políticas são sempre em favor de uma rígida expansão governamental, domesticamente e internacionalmente.

O paradigma que deram suas vidas baseia-se sobre um mega-estado centralizado, administrando de Washington a sociedade americana. No ponto de vista de Kristol, a visão de livre mercado dos Pais Fundadores[24] era uma “fantasia doutrinária”. Aderir a isso hoje é uma tolice anacrônica, deve ser eliminada de nossa consciência coletiva. Todos os neoconservadores pensam que os princípios morais que fundamentam a visão política dos Pais Fundadores são um impedimento para uma sociedade estável. Portanto a adesão por tais princípios morais deve ser descartado em favor do pragmatismo amoral.

Em suas visões, os princípios dos direitos individuais e governo limitado são inexequíveis. Maquiavel[25] e Platão[26] tiveram a melhor ideia. Pessoas precisam ser manipuladamente lideradas por elites estatistas – via diálogo aberto e democracia se possível, mas por engano, coerção e conveniência quando necessário. Por exemplo, Kristol fala de modo muito favorável sobre a era da Lei Seca[27] da década de 20, e entusiasticamente aprova censuras. “Se você se preocupa pela qualidade de vida e nossa democracia americana, então deve ser a favor da censura” ele afirma. [Citado por Daniel Shapiro, “The Neoconservatives”, Libertarian Review, January-February, 1978, p. 30.]

Enquanto neoconservadores sempre estavam na esquerda política e fortemente alinhados com o estatismo durante as décadas de 40 e 50, eles ficaram horrorizados com a rebelião da Nova Esquerda[28] da década de 60 e suas intimidações ralés do grupo. Consequentemente com a nomeação de George McGovern[29] do Partido Democrata[30] em 1972, neoconservadores começaram a migrar para o Partido Republicano em busca de sanidade. Sendo bons leninistas de coração, eles souberam como disfarçar a si mesmos com prestidigitação verbal. Adotaram o nome de neo-conservador para se distanciarem do que perceberam como falha do esquerdismo, mas também orientar claramente do conservadorismo libertário que inspirou a direita política. Eles se apresentaram como o que eles esperaram que se tornaria um novo conservador de meio termo cujo o mega-estado de Franklin Roosevelt[31] e Lyndon Johnson[32] seria aceito como progressista e adequado.

Conservadores verdadeiros, corrida ao poder

Infelizmente a intelligentsia do conservadorismo estabelecido absorveu o disfarce leninista dos neocons e seu pseudo apoio do capitalismo. Fechando seus próprios olhos para as perigosas raízes ideológicas dos neocons e suas adoções abertas ao mega estatismo, conservadores já consagrados viram somente o que eles queriam ver em tal fusão – uma chance no poder político de Washington. Visto que os grandes princípios do movimento conservador tiveram que ser descartados para acomodar estes altos proeminentes ex-esquerdistas, esta ausência teve de ser suprimida em suas mentes. Mas que assim seja, para a obtenção de poder real que estava acenando. Conservadores tinham estado num deserto por muito tempo e ansiavam por um governo em Washington.

Gregos sinistros estavam, deste modo, tentando obter uma entrada em Troia e o livro de William Simon os ajudou muito. Quando ele convidou todos os defensores da liberdade na direita para acolher estes “ilustres intelectuais” em seus campos, o prestígio de sua carreira e a eloquência de sua mensagem acalmou o movimento conservador em uma decisão malfadada. Depois que Reagan foi eleito em 1980, seus conselheiros abriram as portas e trouxeram dezenas de maquiavélicos de Kristol nos círculos de poder de Washington para administrar o país nos próximos oito anos. Bush “pai”[33] seguiu o exemplo em 1989 e o plano foi colocado para o golpe final, que era pra realizar com o Bush “filho”[34], que forçou os EUA no desejo de buscar a hegemonia mundial. Até o ano de 2000, os neocons tinham vermifugado seus caminhos até os lugares mais altos. Tornaram influentes no Wall Street Journal, The Washington Times, The Weekly Standart, Fox News, no American Enterprise Institute, Project for the New America Century e uma enorme quantidade de outros think tanks e instituições de mídia. Washington tinha deixado de ser uma cidade predominantemente esquerdista, foi agora governada igualmente por neocons. Mesmo que o bastião do esquerdismo, Washington Post, cordialmente aprovou especialistas neoconservadores tal como Charles Krauthammer[35] e seu cunho ultranacionalista nestas questões.

O movimento conservador original estava muito longe do neoconservadorismo. Ele surgiu de seus defensores da Republica em oposição ao New Deal na década de 30, apoiando a livre iniciativa no país e o não-intervencionismo no exterior. Mas na metade da década de 60 tinha sido adulterado de maneira ruim pela política externa belicista do National Review[36] e a falta exasperada de suporte principal face ao estatismo interno. Como resultado, a infiltração de neocons nos anos 70 foi capaz de efetuar um grande dano na transformação política que forçou o verdadeiro conservadorismo ao exílio. O movimento conservador foi sequestrado pelos próprios inimigos que foi formado pra lutar – socialistas fabianos, apoiadores do New Deal, assistencialistas, progressistas, globalistas, intervencionistas, militaristas, tecnocratas e todo o resto da laia coletivista que foi assiduamente trabalhando para destruir a Republica de Estados dos Pais Fundadores.

Muitos conservadores verdadeiros falharam em compreender que uma vez que a adesão ao princípio correto foi abandonada em busca do poder, seria quase impossível recuperar a grandiosidade da verdade e justiça para o qual já tinham aderidos. O poder era um narcótico terrível e viciante. Invariavelmente corrompe o senso moral e dissolve-se um desejo para a retidão.

A República pode ser restaurada?

A premente questão agora é: o que deve ser feito em face a esta tragédia? Pode o original, o movimento conservador verdadeiro ser reacendido – o movimento para restaurar a república que iniciou nas décadas de 40 e 50 por conservadores constitucionais e libertários como Richard Weaver[37], Clyde Wilson[38], Ludwig von Mises[39], Friedrich Hayek[40] e Milton Friedman[41]?

Sim, certamente pode ser reacendido. Neoconservadores não são os líderes de nossa causa jeffersoniana[42]. As causas deles são de uma filosofia estrangeira de autoritarismo importado em nossas bordas por coletivistas europeus como Leo Strauss[43] e ex-marxistas como James Burnham[44]. O verdadeiro movimento conservador foi, desde o início, um misto de libertarianismo político, conservadorismo cultural, não-intervencionismo externo que nos foi legado pelos Pais Fundadores. Sem dúvida alguma não era um misto socialista/ fascista de maquiavelismo, que os neoconservadores estão empurrando goela abaixo dos americanos hoje em dia.

Nosso primeiro passo em direção a restauração deve ser revisitar o que é o verdadeiro conservadorismo. Richard Weaver falou dele deste modo:

“É de minha opinião que um conservador é realista, que acredita que há uma estrutura de realidade independente da sua própria vontade e desejo. Ele acredita que há uma criação do qual estava aqui antes dele, pelo qual existe agora não apenas por seu consentimento tácito, e do qual estará aqui depois que ele se for.

Esta estrutura consiste não meramente do grande mundo físico mas também de muitas leis, princípio e regulamentos que controla o comportamento humano. Embora esta realidade seja independente do indivíduo, não é hostil a ele. É na verdade submissa a ele em vários modos, mas não pode ser mudado radicalmente e arbitrariamente. Esse é o ponto básico. O conservador afirma que o homem neste mundo não pode fazer de sua vontade a sua lei sem respeito algum aos limites e à natureza fixa das coisas.” [“Conservatism and Libertarianism: The Common Ground,” Life Without Prejudice, 1965, pp. 158-159.]

Como Weaver enxergaria os neoconservadores de hoje? Ele sem dúvida os enxergaria com o mesmo desprezo mantido pelos esquerdistas radicais de sua época que estavam tentando fazer de suas vontade suas leis:

“Há uma diferença entre tentar reformar seus semelhantes pelos processos normais de demonstração lógica, recurso e persuasão moral – há uma diferença entre isto e passando por cima para usar força ou coação. O primeiro é algo que envolve todos nós em todos os dias. O último é o que faz o radical moderno perigoso e, talvez, em um sentido demente.” [Ibid, p. 161.]

Weaver era o arquétipo do conservador libertário e entendeu muito bem o terreno comum filosófico entre ambos os movimentos. Ele era um extremo constitucionalista porque uma constituição previa um “código estabelecido de liberdade para o indivíduo”. [Ibid, p. 163.]

Retorno à razão e a Lei Natural

Acadêmicos e especialistas estatistas de hoje, claro, zombam a um retorno ao governo constitucional estrito e um “código estabelecido de liberdade para o indivíduo”. Eles consideram uma saudosa nostalgia embrulhado numa irrelevância ingênua de seres humanos que resistem ao progresso. Mas eles não poderiam ir mais longe da verdade. A adoção de um pregador religioso pela Regra de Ouro[45] é um anacronismo tolo? A Lei Física da Gravidade significava apenas para aqueles anteriores ao século 20? Dificilmente não! E o grande documento político do homem não é pra ser tratado como um modismo cultural. Nossa constituição é baseada sob leis morais fundamentais tão imutáveis como a Regra de Ouro e a Lei da Gravidade. Sua restauração para a vida americana é vitalmente tão importante quanto o retorno da razão foi para a metafísica na Europa medieval. Nossa constituição é a personificação da lei racional transcendente. Somente por vir a agarrar a sua natureza transcende e racionalidade, os EUA podem endireitar a si mesmo e reconstruir as bases de uma sociedade livre. Isso, os neoconservadores são incapazes de fazerem, por eles estarem presos no autoritarismo socialista falido de suas juventudes e irão se agarrar com seus paradigmas irracionais para seus leitos de morte.

Isto significa que todos aqueles que no movimento conservador que sinceramente desejam liberdade para nossa nação devem fazer um ruptura inequívoca do neo-conservadorismo e retornar ao verdadeiro conservadorismo – o conservadorismo libertário dos Pais Fundadores. Eles devem começar a estabelecer eles próprios como uma força de oposição genuína ao estatismo, ao invés de imitar filosofias maquiavélicas e tirânicas em busca de poderes momentâneos.

Verdadeiros conservadores devem estar veementemente em oposição a coletivização dos EUA que está sendo promovido pelos gostos de Bill Kristol, William Bennett, George Will, e Bill Buckley[46]. Conservadores verdadeiros devem, mais uma vez, tomar suas posições sobre os grandes conceitos de “governo limitado” e “lei objetiva”. Isto significa uma vontade para defender a liberdade em todo o mercado. E mais importante, significa uma vontade em denunciar privilégios cedidos pelo governo a grupos de interesse especiais em ambos os lados, da direita ou esquerda. Significa um apoio em completa escala de um governo constitucional estritamente limitado que ceda favor a ninguém, rico ou pobre, negro ou branco, jovem ou idoso. Isto significa uma eliminação progressiva do estado de bem-estar social e ao federalismo estrito e soberania dos estados. Isto não significa uma eliminação imediata, mas certamente significa um fim.

Ao menos que os conservadores tenham a coragem de travar a batalha desta maneira, com o compromisso para o estabelecimento definitivo de um ideal de vida capitalista (onde a inviolabilidade da propriedade privada é restaurada e o governo federal é limitado a uma interpretação literal de seus mandados constitucionais) há pouca esperança para mais nada do que o crescimento explosivo do Leviatã. Certamente não há esperança para uma reversão do processo de coletivização que dominou o século 20. Essa é a grande lição esclarecedora que os últimos 50 anos ensinaram – pelo menos para os americanos que ainda possuem um senso de história.

Por ideologicamente apoiar o establishment estatista e seu paradigma assistencialista, conservadores, claro, obtém uma medida de popularidade e aprovação social mas eles não fizeram nada para deter a maré da crescente destruição moral e econômica tão exponencialmente em nosso meio. Ele ganham uma celebridade momentânea mas abandonam a verdade imutável.

Tornando-se um “comentarista” celebrado e sendo amplamente aceito pela mídia, as bases de prestígios, e as elites políticas, tudo é muito gratificante para o ego mas o preço final pago é fatal.

Isto porque, afim de ganhar status estimado na sociedade de hoje, deve aceitar e promover a a validade do pesado estatismo arbitrário. Isto significa que deve abandonar os princípios filosóficos de “governo limitado” e “igualdade de direitos” e conceder aos esquerdistas suas premissas morais básicas – que o estado tem o direito de redistribuir riqueza individual e arbitrariamente reorganizar seres humanos.

Uma vez que essa premissa moral é concedida (e é concedida por todos aqueles que aceitam a validade do estado assistencialista), então não há jeito para lutar efetivamente pela liberdade. Então ele é reduzido a lutar apenas por um burocratismo mais eficiente, por uma tirania mais benevolente. A batalha, em seguida, se torna somente a marca do estatismo insuportável que devemos nos resignar, em vez de como vencer dramaticamente o futuro pela liberdade e justiça.

Desafiando a premissa moral

Reflita sobre isso: porque neoconservadores como Bill Kristol, William Bennett, George Will, e Bill Buckley são aceitáveis tão graciosamente pelo establishment  esquerdista predominante? Porque eles não contestam a premissa moral do estatismo. Eles aceitam o uso do estatismo de lei arbitrária, sua violação de direitos individuais e sua transmissão de privilégios especiais. Sendo assim, eles não representam ameaça moral ao esquerdismo e não são temidos por aqueles que estão tiranizando nossas vidas com um governo onipresente.

Neoconservadores como Kristol, Bennett, Will, e Buckley optaram por uma inclusão no establishment predominante em vez de demarcar uma posição heróica pela verdadeira liberdade e governo constitucional. Eles optaram pela popularidade acima do princípio. Por toda história, isso tem sido a natureza daqueles que almejam os confortos da aprovação desses grupos.

Tais grupos são invariavelmente conglomerados brandos de conformistas e bajuladores, loquazes em vez de sábios, irrelevantes de longa data porque não estão interessados com a grande figura da história – sendo relutantes ou incapazes de compreendê-la. O que move a mente da história desses grupos é o obsessivo cultivo de seus status pessoais e a adoção de qualquer ideologia (ou anti-ideologia) que passa a ser moda no momento. Pela razão dos neoconservadores apoiarem o estatismo modista dos modernos esquerdistas, eles são inimigos dos EUA.

Tais mentalidades de curto alcance escolheram venerar o altar de burocratas mafiosos de uma democracia sem limites junto com seus camaradas esquerdistas. Ao fazê-lo, eles ajudam a conduzir a civilização ocidental ao pântano do burocratismo oportuno e da decadência sócio-econômica que agora amarguramos. Sua forma de regra, se for diferente em grau de despotismo, não é diferente, em princípio, do que leviatãs monstruosos como a Suécia. A democracia absoluta que necons e esquerdistas veneram é apenas uma maior e mais pesada, mas não menos execrável, forma de oligarquia.

Não é de se esperar que tais mentes maquiavélicas e cegamente pragmáticas serão capazes de enfrentar suas irracionalidades presunçosas, pois é da natureza dos homens míopes no poder a retirar o entolho em torno da pouca visão que possuem de modo a evitar enfrentar a decadente turbulência provocada a partir de sua ignorância.

O que é de se esperar, contudo, é que o forte intelecto e mente aberta dos EUA, que não deseja fazer parte da coletivização de sua alma, estará disposto a enfrentar os requisitos de uma sociedade verdadeiramente livre baseada em leis objetivas.

Liberdade não é para o covarde buscando a institucionalização da dependência e do privilégio. Nem para os bajuladores da vida tão obcecados por popularidade. É para os robustos dotados de corações heróicos e almas impetuosas – os filhos espirituais daqueles que caminharam na história duzentos anos atrás pra registrar em pergaminho sua primeira grande idealização conhecida pelo homem.

Se conservadores desejam somente governar em vez de reformar, eles não são apenas o Partido Estúpido, são covardes. Seu legado histórico será a abdicação pusilânime, e o futuro dos EUA como um brilhante ideal para todo o mundo estará morto.

Ser meramente governantes e exercer o poder é um objetivo intelectual insignificante. Certamente não foi para isso que os Pais Fundadores lutaram a revolução. Eles lutaram bravamente para estabelecer a “verdade” e um “ideal” de liberdade político-econômica. Neoconservadores de hoje e suas multidões da corrente principal do Partido Republicano tinham que reavaliar melhor o significado dos EUA. Não é sobre manter uma Grande Sociedade Planejada a partir de Washington. É sobre proteger a rede da liberdade sem remendo para que os indivíduos possam construir suas vidas pessoais e comunidades locais por conta própria até o nível mais alto de suas capacidades.

Se abandonarmos o legado dos Pais Fundadores, em princípio, então nós teremos destruído isso na verdade. Nossos esforços hoje são bem limitados, em princípio, e muito preocupados com o poder. É essa declaração que desejamos inscrever nas páginas da história como contribuição da nossa vida para o grande drama da existência – que nós apenas corremos e brigamos em busca de poder? Um EUA livre não pode ser salvo com tal abordagem egoísta e qual objetivo há de mais valoroso do que a salvação de um EUA livre?


Nelson Hultberg é um escritor freelancer, graduado na Beloit College e diretor executivo do site Americans for a Free Republic. Já publicou artigos no The Dallas Morning News, The San Antonio Express-News, The American Conservative, Insight, The Freeman, Liberty, The Social Critic e em sites como Free Market News, Financial Sense e Safe Haven.

É autor dos livros The Conservative Revolution: Why We Must Form a Third Political Party to Win It e The Golden Mean: The Case for Libertarian Politics and Conservative Values. Durante a década de 90 trabalhou em projetos para reformas tributárias promovendo a abolição do imposto de renda. Foi apresentado pela revista Texas Business, em conjunto com alguns políticos americanos, como um dos líderes reformadores fiscais do Texas.

Leituras recomendadas:

The voice of neoconservatism, por Ronald Bailey – Reason.com: http://reason.com/archives/2001/10/17/the-voice-of-neoconservatism

A Tragedy of Errors, por Michael Lind – The Nation: http://www.thenation.com/article/tragedy-errors

Context of ‘Late 1930s – 1950s: Neoconservative Philosophy Grows from Communist Intellectuals’ Disenchantment with Soviet Ideology’, History Commons: http://www.historycommons.org/context.jsp?item=a30s50sneoconideology

A ignorância de Naomi Klein, por Diogo Costa – Ordem Livre: http://www.ordemlivre.org/2008/07/a-ignorancia-de-naomi-klein/

How neoconservatives conquered Washington — and launched a war, por Michael Lind – Salon: http://www.salon.com/2003/04/09/neocons_4/

Idol With Clay Feet, por Samuel Francis – The American Conservative: http://www.theamericanconservative.com/articles/idol-with-clay-feet/

Leituras complementares:

Russell kirk e a filosofia conservadora da cultura: conversa com Alex Catharino, Diálogos Exemplares: http://dialogosexemplares.wordpress.com/2011/11/29/entrevista-com-alex-catharino/

Os liberais e o desentendimento disfarçado de debate, por Bruno Garschagen – Ordem Livre: http://www.ordemlivre.org/2011/08/os-liberais-e-o-desentendimento-disfarcado-de-debate/

What conservatism means, por Owen Harries – The American Conservative: http://www.unz.org/Pub/AmConservative-2003nov17-00013

Notas do tradutor:

* Dentro do espectro político conservador americano há alas de diferentes tendências. O que é dito como “conservadorismo verdadeiro” é conhecido atualmente como paleoconservadorismo (daí a distinção entre o neoconservadorismo). Este movimento político (não é necessariamente um pensamento) remete às ideias originárias dos Pais Fundadores americanos: federalismo radical, estado limitado, liberdade individual, não-intervencionismo externo, economia de livre mercado e valores tradicionais. Em suma, é o libertarianismo político-econômico junto com o tradicionalismo cultural. São herdeiros diretos de intelectuais liberais clássico como Edmund Burke, John Locke e Adam Smith. Pode-se dizer também que descendem da chamada “Antiga Direita” americana (Old Right no original),  grupo de políticos que foi contrário às políticas progressistas do New Deal. Os paleocons tem como representante histórico Barry Goldwater e atualmente Pat Buchanan. Vale dizer que Ron Paul é um de seus representantes, embora suas posições tendem a se fundir com o paleolibertarianismo.

[1] William Simon foi empresário, filantropo e secretário do tesouro americano durante três anos no governo Nixon e mais tarde no governo Ford. Foi um defensor nato do livre mercado em sua vida.

[2] Gerald Ford foi presidente dos EUA eleito pelo Partido Republicano. Tendo seu mandato entre os anos de 1974 à 1977.

[3] Adam Smith, conhecido como o pai da economia moderna, foi um dos fundadores da economia de livre mercado (laissez-faire). Um dos pilares da escola clássica de economia.

[4]Provável alusão a criação do Fed, o banco central americano. Instituição que eliminou pouco a pouco o sistema de livre mercado que vigorava razoavelmente no país.

[5] Ronald Reagan foi presidente dos EUA eleito pelo Partido Republicano com dois mandatos, entre os anos de 1981 à 1989. Seus governos foram marcados pela pressão externa contra o socialismo soviético, desregulamentação econômica e diminuição dos impostos.

[6] Partido político americano de tendência liberal-conservadora.

[7] Irving Kristol foi jornalista, cronista e escritor. Tendo colaborado em diversas revistas, influenciou sobremaneira a cultura política e intelectual de seu país principalmente na última metade do século 20. O mais representativo intelectual do movimento neoconservador, é conhecido como o “padrinho do neoconservadorismo”. Seu livro, The Neoconservatives: The Men Who Are Changing America’s Politics, foi um divisor de águas no cenário político. Em suas próprias palavras, neoconservador é dito como “um esquerdista que foi assaltado pela realidade”.

[8] Patrick Moynihan foi sociólogo e político pelo Partido Democrata. Foi também embaixador na ONU e na Índia.

[9] Norman Podhoretz foi escritor e comentarista político. Vindo de uma tradicional família esquerdista, chegou a participar de um movimento socialista em sua juventude.

[10] Daniel Bell foi professor, sociólogo, escritor e editor. Foi um crítico do capitalismo e chegou a descrever-se como um “socialista em economia, progressista em política e conservador na cultura”.

[11] Nathan Glazer foi professor, sociólogo e co-editor da revista neoconservadora The Public Interest. Sempre esteve ligado intelectualmente ao Partido Democrata.

[12] Sidney Hook foi filósofo da Escola Pragmática. Defensor do comunismo em sua juventude, tornou-se mais tarde um crítico de políticas totalitárias, tanto fascista como marxista-leninista. Tendo apoiado posteriormente o pensamento social-democrata.

[13] Richard Perle. Cientista político neoconservador. Chegou a trabalhar nos governos de Reagan e Bush na área de política externa.

[14] Paul Wolfowitz. Político que já atuou em assuntos nas áreas de defesa, embaixada e outros. Conhecido como um dos grandes líderes neocon e arquiteto da política externa na era Bush.

[15] Bill Kristol é professor, editor e comentarista político neocon. É ligado a vários think tanks e atualmente comenta no Fox News Channel. É filho de Irving Kristol.

[16] William Bennett. Comentarista e teórico político. No passado foi filiado ao Partido Democrata e já recebeu apoio político de neoconservadores liderados por Irving Kristol.

[17] George Will é cronista, colunista e escritor. Foi um entusiasta da invasão americana no Iraque em 2003.

[18] Em todo o texto o termo capitalismo é descrito em seu sentido original e verdadeiro, de livre mercado. Deve ser entendido como um mecanismo de trocas pacíficas e voluntárias entre indivíduos e não tem relação com o atual arranjo intervencionista. Para uma melhor compreensão leia o artigo “O que é livre mercado?”, http://www.mises.org.br/Article.aspx?id=52

[19] Foi um pacote com uma série de implementações do governo Roosevelt para estimular a economia e estimular economia entre 1933 à 1936. Tais estímulos consistiam em investimentos em obras públicas, controle de preços e produções, salário-mínimo, seguro-desemprego, reforma monetária e uma série de outros programas. Já é sabido que sua nem todo o campo intelectual compartilha de sua suposta eficácia, reprovando-o totalmente.

[20] Leon Trotsky foi revolucionário e teórico marxista, político soviético e fundador do Exército Vermelho soviético. Foi um dos grandes líderes do comunismo soviético.

[21] Revolução que desencadeou no processo de socialização todo o estado russo.

[22] Vladimir Lenin foi revolucionário e político marxista, líder do Partido Comunista e um dos responsáveis pela Revolução Russa.

[23] Sociedade Fabiana é uma organização britânica que promove o pensamento socialista por vias reformista e gradualista, opondo-se a meio revolucionários. Possui forte impacto no Partido Trabalhista britânico. Influenciou grupos e pessoas em diversos países como o ex-presidente brasileiro Fernando Henrique Cardoso e seu partido, o PSDB.

[24] Do inglês Founding Fathers, foram líderes políticos e estadistas que participaram da Revolução Americana, assinando a Declaração da Independência e mais tarde a Constiruição Americana. Os principais nomes desse grupo de muitas pessoas são: John Adams, Benjamin Franklin, Alexander Hamilton, John Jay, Thomas Jefferson, James Madison, e George Washington.

[25] Nicolau Maquiavel foi historiador, diplomata, humanista, escritor e filósofo italiano da época da Renascença. Fundador da moderna Ciência Política e ator do célebre livro O Príncipe.

[26] Platão foi um filósofo grego clássico, matemático e fundador da primeira Academia em Atenas. Seus escritos são um dos pilares do pensamento ocidental.

[27] Foi uma proibição de caráter nacional nos EUA ratificada pela por uma emenda constitucional na confecção de venda, produção e transportação de bebidas alcoólicas a partir de 1920. Foi revogada em 1933.

[28] Movimento político criado por educadores, agitadores e ativistas de visões progressistas, anarquista socialistas e marxistas ligados primeiramente a instituições de ensino superior nos EUA. Suas reivindicações eram por democracia, direitos civis, reformas e protestos contra a Guerra do Vietnã. Tal movimento é bastante ligado ao movimento Hippie. Seu nome de “novo” vem do fato de se diferenciarem da “Antiga Esquerda”, focada em questões sobre trabalho e medidas revolucionárias.

[29] George McGovern foi político, historiador e escritor.

[30] Partido politico americano de tendência social-democrata

[31] FDR ou Franklin Roosevelt foi presidente americano pelo Partido Democrata, tendo seus mandatos entre 1933 à 1945. Sua administração cobre eventos como a Grande Depressão e a Segunda Guerra Mundial.

[32] Lyndon Johnson foi presidente americano pelo Partido Democrata, tendo seus mandatos entre 1963 à 1969. Sua administração se dá por iniciar após o assassinato do então presidente J. Kennedy e os eventos da Guerra no Vietnã.

[33] Relativo ao presidente George H. W. Bush do Partido Republicano, que governou o país entre 1989 à 1993. Tendo em seu mandato o cenário bélico da Guerra do Golfo.

[34] Relativo ao presidente George W. Bush do Partido Republicano, que governou o país entre 2001 à 2009. Tendo em seu mandato os ataques terroristas de 11 de Setembro e o cenário bélico da Guerra ao Terror no Iraque e Afeganistão.

[35] Charles Krauthammer  é médico, cronista, jornalista e comentador político. Já foi um ganhador de um Pulitzer.

[36] Revista americana que teve bastante impacto no cenário político conservador americano. Mais tarde mudou sua visão para a defesa de certas políticas neoconservadoras.

[37] Richard Weaver foi um intelectual americano conservador e considerado como um dos nomes mais importantes do grupo intelectual chamado “New Conservatives”, intelectuais que repudiavam políticas progressistas como o New Deal, o complexo industrial militar e a cidadania consumista e comercializada. De uma breve passagens por ideias socialistas na juventude, tornou-se um grande defensor das tradições americanas posteriormente. Seu mais livro notável, Ideas Have Consequences, é um tratado sobre o nominalismo na Civilização Ocidental.

[38] Clyde Wilson é professor de história, comentarista político e contribuidor para as revistas Chronicles: A magazine of American Culture, Southerns Patisan e National Review e membro adjunto do Ludwig von Mises Institute.

[39] Ludwig Von Mises foi filósofo e economista. É, talvez, o nome mais importante da Escola Austríaca de economia. Fundou a ciência que estuda a ação humana, chamada de Praxeologia.

[40] Friedrich Hayek foi filósofo e economista. Ganhador do Nobel em economia, teve trabalhos marcantes sobre teoria monetária e ciclos econômicos. Um dos nomes mais importantes da Escola Austríaca de economia.

[41] Milton Friedman foi professor, economista e estatístico. Ganhador do Nobel em economia, é um dos nomes mais importantes do monetarismo da Escola de Chicago de economia.

[42] Relativo a Thomas Jefferson.

[43] Leo Strauss foi um filósofo, professor e classicista teuto-americano. Estudioso de filosofia política clássica, foi duramente criticado por suas influências políticas neocons.

[44] James Burnham foi um filósofo e teórico político. De um líder marxista nos anos 30, mudou sua posição política com o tempo. Colaborador da revista National Review, foi considerado como sendo “o primeiro neoconservador” por sua visão de política externa.

[45] Também conhecida como “ética da reciprocidade”, a Regra de Ouro é um código ético que consistem em tratar os outros do modo que quer ser tratado. Apresentado em várias religiões mundo afora, na tradição judaica-cristã é apresentada nas passagens: “Amarás o Senhor teu Deus com todo seu coração e com toda a tua alma e com toda sua força e com todo o teu entendimento, e ao teu próximo como a ti mesmo” (Lucas 10:27) e “O que é odioso para ti, não o faças ao próximo. Esta é toda lei, o resto é comentário” Talmude – Shabbat 31a.

[46] William Frank Buckley, Jr. foi escritor e comentarista político de visão neoconservadora. Foi o fundador da revista National Review.