Como a ideia de inquisição eclesiástica alimenta o cérebro dos idiotas úteis

Nada mais falso do que atribuir milhares de mortes à inquisição da Igreja Católica. Uma coisa é certa nessa discussão, ignorância do contexto histórico e uma mentalidade apta em difamar e distorcer os fatos impera nesse assunto. Para compreender um pouco melhor, ou minimamente, é preciso se atentar ao contexto da época e depois estudar fontes confiáveis.
Primeiramente, os modelos de condenações atribuídas ao período da Idade Média não pertencem originalmente a Idade Média, pertencem ao período da Antiguidade. São elas; decapitação; crucificação; exposição às feras; o fogo; e a tortura (GIORDANI, 1968). Destas, as primeiras a serem banidas foram; crucificação e a exposição às feras. Queimar em fogueiras e a tortura voltam a ocorrer sob a perspectiva do direito eclesiástico após 1231, quando o Papa Gregório IX institui a inquisição.
No direito civil, a condenação na fogueira e o castigo da tortura eram usuais na Idade Média assim como na Antiguidade. Na Idade Medieval intensificava-se tal modelo por conta do combate a uma série de seitas, entre as mais conhecidas, destacam-se os Maniqueus, posteriormente chamados de Cátaros (GONZAGA, 1993). Como em qualquer sociedade, a comoção frente os delitos, violência e insegurança provocam revoltas. Hoje em dia a sociedade brasileira clama pela diminuição da maioridade penal. Por quê? Porque milhares de jovens em nosso contexto atual agem como bandidos e assassinos. Na Idade Média não era diferente, e Santo Agostinho, por exemplo, mudará de ideia. Anteriormente acreditava que a violência e a desordem pudessem ser combatidas pela benignidade. Em seguida, passou a acreditar no emprego necessário da força. A sociedade moderna chega às mesmas conclusões em ralação aos jovens infratores.
Bernard (2008) faz a seguinte pergunta. Será licito reprimir a heresia pela força quando constitui um perigo iminente para a ordem religiosa e civil?
Essa resposta se dá a partir do contexto histórico que insere a Europa em uma desordem e anarquia. Segundo Larroyo (1974), a Idade Média é iniciada a partir da queda do domínio latino, o que desencadeia uma série de fatos que levam a civilização ocidental a uma crise militar; econômica; social; política, e fundamentalmente moral. Os invasores bárbaros sedentos por atacar os romanos conseguem tal proeza e imprimem o fim do domínio romano na história. Dessa desastrosa realidade, a já em andamento concepção religiosa cristã será o veiculo propulsor de uma nova ideia de educação. A Igreja Católica se encarregará junto aos reis de impor uma nova ordem, e organizar e re-civilizar o ocidente. Muito esforço e trabalho foram despendidos para esse feito, e com muita força de vontade os cristãos re-educaram a Europa.
Seguindo essa premissa, Bernard (2008) explica que:
O Estado e a Igreja se viam diante de um perigo crescente e ameaçador. Toda a sociedade humana, a ordem civil e religiosa, construída com imensos esforços, toda a civilização e cultura do Ocidente, o progresso, a unidade e paz estavam ameaçados de dissolução. Imaginemos o que aconteceria se atualmente não houvesse polícia para reprimir os atentados contra a ordem. Seria um completo domínio do terror (BERNARD, 2008, p. 12).
            Isto claro fica evidente que tanto o direito civil quanto o direito eclesiástico buscavam a ordem e o progresso durante a Idade Medieval. Este primeiro, o direito civil, foi o primeiro a bradar por justiça frente os arruaceiros e as seitas religiosas tais como o maniqueísmo.  É prudente destacar que a Igreja Católica resistirá em promover a ordem por meio da força, entretanto, se verá impossibilitada de garantir a ordem sem tais pressupostos.
            De outra forma, o direito civil proveniente de reinados buscava respostas rápidas e objetivas aos seus problemas, aos problemas de ordem pública. Comum nessa época, e largamente associada à Igreja, a idéia de bruxas e demônios foi difundida por tribos bárbaras do norte da Europa e não pela Igreja.
            Dessa forma Bernard (2008) esclarece que:
Os cátaros ameaçavam a sociedade de decomposição, ensinavam que o matrimônio era ilícito e anunciavam: A propagação do gênero humano constitui obra diabólica; uma mulher grávida possui o demônio em seu ventre. Exigiam a completa pureza. Sendo evidentemente impossível a perseverança no “estado perfeito”, prevenia-se a defecção pela privação de alimentos, pratica que se estendia às crianças. Muitos a praticavam livremente. Tais privações vitimaram mais cátaros do que a própria inquisição (BERNARD, 2008, p. 18).
Fica evidente que a sociedade civil se mobilizava contra estes tipos de pensamento. Não só contrário ao pensamento religioso da época, como contrário a própria preservação da vida. Muitos membros da sociedade secular não admitiam tais cultos contra a religião cristã e certamente que muitos reis os apoiavam. A Igreja sempre afastada e evitando as perseguições não teve outra saída se não tomar providencia.
            O ódio contra a fé cristã era explicita e a pressão sobre a Igreja aumentava demasiadamente. Os Valdenses, seita que pretendia viver como cristo logo partiu para a heresia. Chamavam a Igreja de nova Babilônia. Estes se revoltavam contra a Igreja e contra a ordem secular. Um dos grandes perigos segundo Bernard (2008) eram as magias, sortilégio ou feitiço, alquimia e o pacto com o demônio. Em 1231 com o Papa Gregório IX, instaura-se o Santo Oficio. Em uma carta ao Papa Alexandre em 1162, já era possível de forma documental e inequívoca perceber a necessidade de uma intervenção eclesiástica com urgência. Luís VII da França apela à santidade para que se atenha aos perigos da heresia, principalmente por intermédio dos maniqueus em Frandes. Era uma nítida carta em busca de permissão ao arcebispo de Reims para que tomasse as devidas providências.
            Após muitas mortes provenientes dos hereges frente à ação de missionários. Em 1232, a inquisição se estabelece em todo o Império (BERNARD, 2008). Vários inquisidores foram mortos pelos hereges e até hoje se pensa em um extermínio católico. Informação falsa e mera propaganda ideológica contra a Igreja, este tipo de pensamento é na realidade um tipo de alienação, doutrinação, má fé ou simplesmente ignorância.
            Quais eram as características dos tribunais de inquisição?
            Era simplesmente igual ás tradições jurídicas da Antiguidade. Usavam-se testemunhas (principio de verdade na Antiguidade e Idade Medieval), haviam advogados e ampla defesa (FERREIRA, 2011). Entretanto, as mortes ocorridas e atribuídas a inquisição na realidade ocorreram por intermédio da própria justiça civil, seja ela, formal ou informal. No segundo caso, ocorria aquilo que entendemos por justiça pelas próprias mãos.
            Ademais, Bernard (2008) coloca que:
Tribunais de leigos emancipavam-se condenando pessoas pela prática de bruxaria. As torturas tornavam-se cada vez mais desumanas, com requintes de crueldade. As fogueiras se multiplicavam assustadoramente. Intervir em defesa das vítimas acarretava morte certa (BERNARD, 2008, p. 38-39).
A realidade era cruel e assustadora nesse sentido. O descontrole era total e a alucinação generalizada tomava conta do imaginário entre os membros da sociedade civil. Calculava-se segundo Bernard (2008), aproximadamente 50.000 bruxas mortas em terras germânicas e escandinavas. Na inquisição espanhola, por exemplo, ou seja, sob responsabilidade dos tribunais eclesiásticos foram registradas apenas 12 bruxas condenadas.
Um dos grandes erros, e grande demonstração de propaganda enganosa é o caso da morte da Joana d’Arc. Tal condenação não teve aprovação da Igreja, pois, o Papa revisa seu processo e lhe atribui inocência (BERNARD, 2008). Por fim, o que existe em termos de informação histórica não se coaduna com os relatos e posicionamentos mal intencionados. O que falta na realidade é um maior rigor histórico. E o que se sabe verdadeiramente é que a inquisição condenou a morte um número infinitamente menor do que se propaga de forma leviana e criminosa.
REFERÊNCIAS:
 
BERNARD, J. Inquisição: história, mito e verdade. São Paulo: Factash Editora, 2008.
FERREIRA, A. G. Inquisição católica: Em busca de uma desmistificação da atuação do Santo Oficio. Simpósio Internacional de Estudos Inquisitoriais – Salvador, agosto de 2011.
GIORDANI, M. C. História de Roma. Petrópolis – Editora Vozes, 1968.
GONZAGA, J. B. A Inquisição em Seu MundoSão Paulo: Editora Saraiva 1994.
LARROYO, F. História geral da pedagogia. São Paulo: Mestre Jou, 1974.

Religião e Libertarianismo

por Walter Block. Texto original, em inglês, disponível aqui.

A relação entre libertarianismo e religião é longa, antiga e tormentosa.

É inegável que Ayn Rand teve uma duradoura, forte e profunda relação com o libertarianismo.  Embora ela nos rejeitasse e nos tratasse como “hippies da direita”, muitos de nós ainda somos fascinados com ela, inspirados por ela e em dívida para com ela por ter nos apresentado a defesa moral da livre iniciativa.  Eu certamente me incluo nessa categoria.

Uma das mais fortes influências que ela teve sobre o movimento libertário foi o seu ateísmo beligerante.  Para muitos seguidores da filosofia da liberdade, uma agressiva rejeição a Deus e a todas as coisas religiosas pode perfeitamente ser vista como um axioma básico dessa visão de mundo.  Confesso que essa também foi a minha posição nesse assunto durante muitos anos.

Essa era também a posição de um rico e potencial doador do Mises Institute, o qual teria contribuído fartamente caso o Instituto mudasse sua visão em relação a esse assunto e passasse a adotar uma postura agressivamente contrária a todas as religiões.  Felizmente, Lew Rockwell se recusou a desvirtuar a missão de seu Instituto em relação a esse quesito, e ficou sem a doação.  Embora seja ele próprio um católico devoto, Rockwell se manteve fiel aos seus princípios: o Mises Institute continuaria envolvido nos estudos da ciência econômica e da liberdade, e nada teria contra qualquer religião em absoluto.

O que fez com que eu mudasse minha postura?  Por que continuo hoje sendo tão ateu quanto sempre fui, porém, ao mesmo tempo, um amigo e defensor da religião?  Nada tem a ver com o fato de que, dos últimos 19 anos, passei 15 deles sendo empregado por instituições jesuítas católicas.  Fui professor do College of the Holy Cross de 1991 a 1997 e, desde 2001, sou professor da Universidade Loyola em Nova Orleans.

Para alguns — aqueles ainda encantados com a visão randiana acerca de religião e liberdade —, já é ruim o suficiente que um libertário tenha uma visão positiva sobre a religião.  Para a maioria, pode parecer uma total contradição lógica um ateu como eu ser um grande defensor e até mesmo um admirador da religião.  Permita-me explicar tudo.

Nesse assunto em especial, sou guiado pelo aforismo “o inimigo do meu inimigo é meu amigo”.  Embora tal raciocínio nem sempre seja verdadeiro, nesse caso em específico creio que seja.

Assim, qual instituição é a maior inimiga da liberdade humana?  Só pode haver uma resposta: o estado em geral; e, em particular, a versão totalitária deste.  Talvez não haja melhor exemplo de tal governo do que a URSS e seus principais ditadores, Lênin e Stalin (embora a supremacia em termos de números absolutos de inocentes assassinados pertença à China de Mao).  Podemos em seguida perguntar: quais instituições esses dois respeitáveis russos escolheram para o opróbrio?  Em primeiro lugar, a religião.  Em segundo lugar, a família.  Não foi nenhuma coincidência os soviéticos terem aprovado leis que premiavam os filhos que delatassem os pais por atividades anticomunistas.  Certamente não há melhor maneira de destruir uma família do que por meio dessa política diabólica.  E como eles tratavam a religião?  Essa é uma pergunta meramente retórica: a religião foi transformada no inimigo público número um, e seus praticantes foram cruelmente caçados e exterminados.

É possível a liberdade plena sem a liberdade de crer? John Locke afirma categoricamente: não.

Por que escolheram a religião e a família?  Porque ambas são as principais concorrentes do estado na busca pela lealdada e obediência das pessoas.  Os comunistas estavam totalmente corretos — se formos nos basear em suas próprias perspectivas diabólicas — em centrar sua artilharia sobre essas duas instituições.  Todas as pessoas que são inimigas de um estado intrusivo, portanto, fariam bem em abraçar a religião e a família como seus principais amigos, sejam essas pessoas ateias ou não, pais ou não.

A principal razão por que a religião é um contínuo e eterno incômodo para os líderes seculares advém do fato de que essa instituição define a autoridade moral independentemente do poder dessa gente.  Todas as outras organizações da sociedade (com a possível exceção da família) veem o estado como a fonte suprema das sanções éticas.  Não obstante o fato de que alguns líderes religiosos de fato já se ajoelharam perante oficiais de governo, existe uma hostilidade natural e básica entre essas duas fontes de autoridade.  O papa e outros líderes religiosos podem não ter nenhum regimento de soldados, mas eles têm algo que falta aos presidentes e primeiros-ministros, para grande desespero destes.

Eis aí minha posição.  Eu rejeito a religião, todas as religiões, pois, como ateu, não estou convencido da existência de Deus.  Aliás, vou mais fundo.  Sequer sou agnóstico: estou convencido da não-existência Dele.  Entretanto, como um animal político, eu entusiasticamente abraço essa instituição.  Trata-se de um baluarte contra o totalitarismo.  Aquele que deseja se opor às depredações do estado não poderá fazê-lo sem o apoio da religião.  A oposição à religião, mesmo se baseada em fundamentos intelectuais e não almejada como uma posição política, ainda assim equivale a um apoio prático ao estado.

Gálatas 5:1

Mas e quanto ao fato de que a maioria das religiões, senão todas, apóia a existência do estado?  Não importa.  Apesar de que algumas religiões organizadas podem frequentemente ser vistas como defensoras do estatismo, o fato é que esses dois ditadores, Lênin e Stalin, já haviam entendido tudo: não obstante o fato de pessoas religiosas frequentemente apoiarem o governo, essas duas instituições, estatismo e religião, são, no fundo, inimigas.  “Concordo” com Lênin e Stalin nesse quesito.  Estritamente do ponto de vista deles, ambos estavam totalmente corretos ao suprimirem brutalmente as práticas religiosas.  Isso faz com que seja ainda mais importante que todos nós libertários, ateus ou não, apoiemos aqueles que adoram a Deus.  O inimigo do meu inimigo é meu amigo.

Bem sei que, nesse ponto, muitos ateus irão energicamente protestar apontando para o fato de que inúmeras pessoas inocentes foram assassinadas em nome da religião.  É verdade.  Infelizmente, é muito verdade.  Entretanto, seria válido colocarmos um pouco de perspectiva nessa conjuntura.  Quantas pessoas foram mortas por excessos religiosos, tais como a Inquisição?  Embora as estimativas variem amplamente, as melhores (ver aqui) dão conta de que o número de mortes ocorridas durante essa triste época, a qual durou vários séculos, está entre 3.000 e 10.000.  Alguns especialistas, aqui, garantem números ainda mais baixos, como 2.000.

É claro que estamos falando de seres humanos assassinados, e cada assassinato deve ser lamentado; porém, se considerarmos apenas as magnitudes relativas, podemos positivamente dizer que tais números são completamente insignificantes quando comparados à devastação infligida à raça humana pelos governos.

De acordo com as melhores estimativas (ver aquiaquiaquiaquiaqui e aqui), as vítimas do estatismo apenas no século XX se aproximam do ultrajante marco de 200 milhões.  Não, não houve erro tipográfico.  200 milhões de cadáveres produzidos diretamente pelo estado!  Querer comparar algumas milhares de mortes injustificáveis produzidas pela religião com várias centenas de milhões produzidas pelo estado é algo totalmente desarrazoado.  Sim, o assassinato de uma única pessoa é deplorável.  Porém, se quisermos comparar religião e governo, devemos ter em mente essas diferenças astronômicas.

Eis uma lista de pessoas devotamente religiosas que eu conheço pessoalmente e que fizeram grandes contribuições para a causa da liberdade:

William Anderson, Peter Boettke, Art Carden, Stephen W. Carson, Alejandro Chafuen, Paul Cwik, Gary Galles, Jeff Herbener, Jörg Guido HülsmannRabino Israel KirznerRobert MurphyGary NorthRon Paul, Shawn Rittenour, Lew Rockwell, Joann Rothbard, Hans Sennholz, Edward Stringham, Timothy Terrell, David Theroux, Jeff TuckerLaurence VanceTom Woods, Steven Yates.

Ron Paul, o candidato mais libertário a disputar as Primárias Republicanas, é cristão, foi obstetra e claro, é pró-vida.

E não podemos também deixar de mencionar a Escola de Salamanca, povoada e divulgada, principalmente, por padres como estes:

Dominicanos: Francisco de Vitoria, 1485—1546; Domingo de Soto, 1494—1560; Juan de Medina, 1490—1546; Martin de Azpilcueta (Navarrus), 1493—1586; Diego de Covarrubias y Leiva, 1512—1577; Tomas de Mercado, 1530—1576.

Jesuítas: Luis Molina (Molineus), 1535—1600; Cardeal Juan de Lugo, 1583—1660; Leonard de Leys (Lessius), 1554—1623; Juan de Mariana, 1536—1624.

Essa escola de pensamento é genuinamente nossa predecessora moral e intelectual.  Para a contribuição da Escola de Salamanca para o movimento austro-libertário, ver aquiaquiaquiaqui e aqui.

Juan de Mariana, um dos grandes nomes da Escola de Salamanca.

Já é hora — aliás, já passou da hora — de o movimento austro-libertário rejeitar a virulenta oposição randiana à religião.  Sim, Ayn Rand fez grandes contribuições para os nossos esforços.  Não precisamos agir precipitadamente; não precisamos jogar fora o bebê junto com a água da banheira.  Mas é certo que o sentimento anti-religião pertence a essa última atitude, e não à primeira.

As opiniões acima expressadas são consistentes com o ponto de vista do meu eterno mentor, Murray Rothbard.  Esse brilhante erudito, que frequentemente era chamado de “Senhor Libertário”, justamente por representar a epítome do libertarianismo, era uma pessoa extremamente favorável à religião, sendo especialmente pró-catolicismo.  Ele atribuía os conceitos do individualismo e da liberdade (bem como quase tudo de positivo que havia na civilização ocidental) ao cristianismo, e argumentava com veemência que, enquanto os libertários fizessem do ódio à religião um princípio básico de organização, eles não chegariam a lugar algum, dado que a vasta maioria das pessoas em todas as épocas e lugares sempre foi religiosa.