Brasil 2022: o que o futuro nos reserva?

Prezado leitor(a), bom dia!

Concluímos a primeira semana útil após a eleição do candidato Jair Messias Bolsonaro (PSL) ao cargo de Presidente da República Federativa do Brasil. Após um longo período de acalorados debates sob vários pontos de vista a maioria do povo brasileiro optou pela candidatura de Bolsonaro para liderar o país nos próximos quatro anos.

Além disso, principalmente no Sudeste no segundo turno, candidaturas vencedoras como as de João Dória (PSDB-SP), Wilson Witzel (PSC-RJ) e Romeu Zema (NOVO-MG) estão alinhadas com o projeto de país que Bolsonaro vislumbra como ideal para os próximos quatro anos. E como complemento, candidaturas alinhadas com esses projetos mostraram força no primeiro turno no âmbito do Legislativo.

Mas, afinal, qual o impacto disso nas estruturas do setor público e no que isso implica ao mundo corporativo dentro do ambiente econômico?

Mudanças na estrutura do setor público

As eleições de 2018 foram diferentes das eleições anteriores por terem uma dicotomia real entre o conceito clássico de esquerda e direita, e não apenas as mesmas cartas do baralho corporativista com apenas pequenas nuances entre si.

As candidaturas de esquerda se prenderam às esferas de proteção social e de direitos, preservando o Estado enquanto agente de transformação econômica e as presentes estruturas de governo. As candidaturas de direita, por sua vez, na reformulação do Estado brasileiro, na organização das contas públicas e na reestruturação da economia brasileira por meio de maior participação do setor privado.

Ambos os cenários foram fiel e abertamente defendidos por seus proponentes, diferentemente daquilo que era apresentado pelos candidatos “mais à direita” por parte do PSDB nas últimas eleições. Inclusive João Dória foi um dos que mais abertamente defendeu o projeto de futuro de abraçar o mercado enquanto agente de transformação socioeconômica, algo que denota uma futura mudança de diretriz dentro do PSDB pela influência política que Dória tem conseguido nos últimos anos em seu partido.

Com as eleições findadas e o projeto de reestruturação do Estado ganhado força graças à eleição de Bolsonaro à presidência e dos representantes desse projeto principalmente advindos do Sudeste podemos aguardar por reformas que otimizem o setor público e consequentemente o reduzam, o que se traduz em menores gastos. Menores gastos possibilitam menores impostos, e somando essas reformas à maior atratividade que o país terá na geopolítica global podemos esperar bons anos para o futuro.

Mas no que isso me impacta?

Análise ou futurologia: a diferença entre método e “achismo”

Utilizemos um caminho teórico que possa nos iluminar enquanto trabalhamos os fatos.

Em Economia há um conceito simples e que os estudantes aprendem tão logo adentram os curso chamado ceteris paribus, expressão em latim que significa, em tradução livre, tudo o mais constante. Ou seja, ao analisar um determinado fato, inalteradas e isoladas as demais variáveis, uma/algumas determinada(s) causa(s) resulta(m) em um determinado efeito.

Isso é método.

Porém, note que estamos falando de compilar o que o passado nos ensinou, o que os fatos concretamente nos apresentam e, a partir disso, verificar possíveis cenários para o futuro.

Isso é diferente de puramente tentar “adivinhar” o futuro, dizer que o dólar estará exatamente em X,XX em 2020 e que a inflação de 2019 será de X,XX porque “eu acho” que será isso. Também não é a intenção do presente artigo te dizer se você deve, por exemplo, aplicar em Tesouro prefixado pois a inflação cairia e você aumentaria seu retorno real tendo uma taxa fixa de retorno. Para isso, seria necessária uma compilação de como se comportaram as variáveis monetárias de nosso país e cruzar com o plano de governo de Bolsonaro, algo que não é o escopo do artigo.

O objetivo aqui é, a partir dos fatos apresentados, entender o contexto do país e estabelecer uma mentalidade, um insight para método de ação, mais do que tentar adivinhar o futuro como se uma loteria fosse.

O novo contexto e suas consequências

Cada dia que passa o mundo corporativo se torna mais ágil e dinâmico. Empresas que outrora eram dominantes sucumbiram, e novos empreendimentos disruptaram mercados e se consolidaram como referências em seus segmentos. Na visão do grande público, produtos que antes eram o carro-chefe de grandes companhias se tornaram ultrapassados da noite para o dia e a última novidade do momento é o novo alicerce para como a sociedade irá se comportar nos próximos tempos.

Evidente que apenas na visão do grande público, já que não existem lampejos mágicos que mudam o mundo da noite para o dia. Internamente existem empresas que trabalham diariamente dentro de uma mentalidade livre, inovadora e desprendida que permite que a disrupção surja como uma consequência natural e existem os players letárgicos, que se prendem a práticas, processos e sucessos do passado que funcionavam apenas no passado e que condenarão esses mesmos players a, no melhor dos cenários, um lugar secundário no pódio.

O Brasil tende a entrar ainda mais nesse mundo competitivo, disruptivo e dinâmico já que nossos eleitos defendem esse cenário. Podemos testemunhar uma maior seleção natural darwiniana no ambiente corporativo brasileiro, no qual a mudança se fará ainda mais necessária e que qualidade e agilidade deixarão de ser um trade-off, e sim competências que deverão existir mutuamente. Cada vez mais competiremos/ofertaremos globalmente e menos localmente.

Conclusão

Podemos concluir, então, que o Brasil tende a melhorar sob uma percepção darwiniana, ou seja, aqueles que “sobreviverem” a esse processo de seleção natural no mercado galgarão lugares mais altos no pódio e, por serem melhores, otimizarão os resultados das empresas brasileiras na média.

Tendo em vista todas essas informações particularmente recomendo, sim, se prender à sua metodologia. Todavia, não se torne escravo dela: reavalie-a sob a lógica do ceteris paribus, e desconfie sempre daqueles que dizem que ter a “grande solução do futuro”. Num cenário caótico como o atual capitalismo globalizado, mesmo se a solução for efetiva terá um prazo de validade, o qual já pode até ter vencido ou pelo menos estar em vias de vencer.

A evolução se tornará algo cada vez mais veloz. As quedas, mais comuns. As oportunidades, mais frequentes.

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Lucros são para pessoas

Texto de Walter E. Williams, Professor Emérito de Economia da Universidade George Mason (Virginia, EUA) e colunista do jornal The Washington Examiner.

Os manifestantes do “Ocupe Wall Street” estão exigindo “pessoas antes dos lucros” – como se a motivação pelo lucro fosse a fonte dos problemas da Humanidade – quando é frequentemente a ausência de motivação que é a verdadeira vilã.

Primeiro, vamos entender a definição e a magnitude dos lucros. Lucros representam o ganho residual conquistado por empreendedores. Eles são o que sobra depois que outros custos de produção – como salários, aluguel e juros – são pagos.

Lucros são o pagamento pela assunção de riscos, inovação e tomada de decisão. Como tal, eles são um custo de negócios tanto quanto salários, aluguel e juros. Se esses pagamentos não são feitos, trabalho, terra e capital não poderão oferecer seus serviços.

De maneira similar, se o lucro não é pago, os empreendedores não poderão oferecer seus serviços. Historicamente, lucros corporativos alcançam entre 5 e 8 centavos por dólar, e salários, entre 50 e 60 centavos por dólar.

Mais importante do que simples estatísticas sobre a magnitude dos lucros é o seu papel, que é efetivamente o de forçar produtores a atender os anseios e desejos do homem comum.

Quando foi a última vez que ouvimos reclamações generalizadas sobre nossas lojas de roupas, supermercados, lojas de informática ou de eletrodomésticos?

Estamos muito mais sujeitos a ouvir pessoas reclamando dos serviços que recebem da agência de correios, departamento de veículos e de polícia, conselhos de educação e outras agências governamentais.

A diferença fundamental entre áreas de satisfação e insatisfação geral é que a busca por lucros está presente em uma e não na outra.

A busca por lucros força os produtores a estarem atentos à vontade de seus consumidores, simplesmente porque o consumidor de, digamos, um supermercado pode excluí-lo ao procurar outro negócio.

Se um departamento de veículos ou uma agência de correios do Estado fornece serviços insatisfatórios, não é tão fácil para consumidores insatisfeitos tomar uma atitude contra eles. Se um negócio privado tivesse tantos consumidores insatisfeitos quanto nossas escolas governamentais, ele teria saído do mercado há muito tempo.

O capitalismo de livre mercado não perdoa. Produtores satisfazem consumidores, com minimização de custos, e obtém algum lucro, ou encaram perdas ou vão à falência. Essa é a disciplina de mercado que alguns negócios tentam evitar.

É por isso que eles pressionam Washington urgindo por um capitalismo camarada – socorros financeiros do governo, subsídios e privilégios especiais. Eles desejam reduzir o poder dos consumidores e acionistas, que não possuem grande simpatia para asneiras e os jogarão no olho da rua no ato.

Ter o Congresso ao seu lado significa que os negócios podem ser menos atenciosos à vontade dos consumidores. O Congresso pode mantê-los seguros com ajudas financeiras, como aconteceu com a General Motors e a Chrysler, com a justificativa de que essas companhias são “grandes demais para falir”.

Besteira! Se a General Motors e a Chrysler fossem deixadas à bancarrota, não significaria que seus ativos produtivos, como linhas de montagem e ferramentas, virariam fumaça e desapareceriam no ar.

A bancarrota conduziria à mudança da propriedade desses ativos por alguém que poderia administrá-los melhor. A ajuda financeira propiciou a essas empresas se esquivar das consequências plenas de seus equívocos.

Por falar nisso, frequentemente ouvimos pessoas dizendo, com um tom de santidade, “Somos uma organização sem fins lucrativos”, com se isso se traduzisse em decência, objetividade e desprendimento. Eles querem que pensemos que eles estão nisso pelo bem da sociedade e não por causa daqueles “maléficos” lucros.

Se pensássemos um pouco sobre isso e perguntássemos que tipo de organização através da história humana mais contribuiu para prejudicá-la, a resposta não seria uma empresa lucrativa e privada do livre mercado; seria o governo, a maior organização sem fins lucrativos.

Os manifestantes do “Ocupe Wall Street” estão seguindo o caminho previsto pelo grande filósofo e economista Frédéric Bastiat, que disse em “A Lei” que “em lugar de extirpar o que a sociedade continha de injustiça, generaliza-se esta última”.

Em outras palavras, os manifestantes não querem o fim do capitalismo camarada, com seus privilégios e seu favoritismo governamental; eles querem participar dele.

 

Artigo originalmente publicado na Juventude Conservadora da UnB.