A Guerra de Três Lados – Parte Final

No último artigo desta série sobre a Segunda Guerra Mundial analisaremos os regimes dos países do Eixo e dos Aliados com o propósito de demonstrar que a Segunda Guerra foi um conflito não bilateral como normalmente se apresenta, mas ao menos trilateral. A peça chave neste estudo é o comunismo soviético.

I. O primeiro lado: Aliados

Situação: Em sua maioria Estados nacionais já estabelecidos com regimes pluripartidários e parlamentos e regimes coloniais.

Aliados em sua máxima extensão, no auge da Segunda Guerra.
Aliados em sua máxima extensão, no final da Segunda Guerra.

Formas de governo: predominam as monarquias constitucionais, as repúblicas federativas e os governos coloniais. Há participação menor de governos fascistas ou análogos não alinhados ao Eixo como os de Getúlio Vargas (Brasil), Antônio de Oliveira Salazar (Portugal), Fulgêncio Batista (Cuba) e Chiang Kai-shek (China).

Ideologias predominantes: conservadorismo, social-democracia, social-liberalismo e colonialismo.

Localização: Europa Ocidental, América do Norte e colônias européias na África e na Ásia, posteriormente América Latina.

Membros mais notáveis: EUA, Inglaterra, França.
Membros menores: Austrália, Brasil, Nova Zelândia, Índia, China.

Resumo da atuação: Primeiramente, tenta conter o expansionismo alemão através da política de concessões. Declara guerra ao III Reich em 1939 quando este invade a Polônia. Alia-se à União Soviética em julho de 1941 em decorrência da invasão desta pelo III Reich. Declara guerra ao Japão no mesmo ano após o ataque a Pearl Harbor. Ao final do conflito divide a Alemanha com a URSS e deixa a parte leste sob domínio soviético.

II. O segundo lado: Eixo

Situação: Em sua maioria Estados nacionais já estabelecidos com governos fascistas instaurados no período entre guerras. No caso do III Reich, Estado totalitário implantado a partir de 1933 e no caso do Japão, regime absolutista vigente desde 1926.

Eixo em sua máxima extensão, no auge da Segunda Guerra.
Eixo em sua máxima extensão, no auge da Segunda Guerra.

Formas de governo: predominam os Estados Corporativos, as monarquias constitucionais e as ditaduras totalitárias, bem como o absolutismo nacionalista japonês. Também instauraram Estados-fantoche republicanos e apoiaram movimentos independentistas em colônias dos países Aliados.

Ideologias predominantes: integralismo, fascismo, nacional-socialismo e absolutismo.

Localização: Europa Central e Ocidental, Sudeste Asiático.

Membros mais notáveis: III Reich, Itália, Japão.
Membros menores: Romênia, Hungria, Tailândia.

Resumo da atuação: Primeiramente, tenta expandir seu território e influência através de demandas diplomáticas. Depois, estabelece um pacto com a União Soviética dividindo a Europa em áreas de influências, dividindo a Polônia. Invade a Polônia em 1939 e entra em guerra declarada com os Aliados na Europa Ocidental, obtendo uma vitória decisiva que obriga a retirada dos Aliados do continente. Tenta invadir a Inglaterra a partir de 1940, sem sucesso. Sem previsão de avanços no Oeste, uma ofensiva no Leste começa em 1941 violando o Pacto estabelecido 2 anos antes com a URSS. Após uma grande e violenta expansão em território soviético, sucessivas derrotas comprometem o avanço e forçam um recuo que só terminará em Berlim com a derrota do Eixo.

III. O terceiro lado: Comunistas

Situação: Regime soviético unificado instaurado em 1922 a partir da união das repúblicas soviéticas transcaucausiana, russa, ucraniana e bielo-russa. Movimentos comunistas marginais na Europa e na China. Ganhos contínuos de território na China até o fim da Guerra Civil Chinesa em 1949 e na Europa até a instauração dos governos socialistas do “Bloco do Leste” (Polônia, Romênia, Húngria, Bulgária, Iugoslávia, Tchecoslováquia, Albânia e Alemanha Oriental).

Comunistas em sua máxima extensão, no auge da Guerra Fria. O expansionismo soviético continuou através de guerras de procuração na Coréia, no Vietnã e em Cuba.
Comunistas em sua máxima extensão, no auge da Guerra Fria. O expansionismo soviético continuou através de guerras de procuração na Coréia, no Vietnã e em Cuba.

Formas de governo: predomina a ditadura socialista aos moldes soviéticos.

Ideologias predominantes: marxismo-leninismo e maoísmo.

Localização: Europa Oriental, Ásia.

Membros mais notáveis: União Soviética.
Membros menores: Comunistas chineses, partisans.

Resumo da atuação: Primeiramente, tenta expandir seu território e influência através de suporte a movimentos comunistas estrangeiros. Depois, estabelece um pacto com o III Reich dividindo a Europa em áreas de influências, dividindo a Polônia. Invade a Polônia em 1939 e inicia a invasão da Finlândia no mesmo ano, que não avançará significativamente até 1940. Com a invasão do III Reich em 1941, busca aliança com a Inglaterra e depois com os EUA. Após sofrer grandes baixas e perdas de território para a ofensiva alemã, a reação soviética começa a impor duras derrotas e avançar para o Oeste em direção à Alemanha. Com a derrota do III Reich, a Alemanha é dividida entre os Aliados e a URSS e a Europa Oriental é submetida a governos-satélite de Moscou e aliados comunistas como Enver Hoxha na Albânia.

Com o fim da Segunda Guerra Mundial, a atuação comunista chinesa continuará até a sua vitória na Guerra Civil Chinesa em 1949. No Sudeste asiático os movimentos comunistas continuarão avançando e estabelecendo Estados comunistas com apoio sino-soviético no norte do Vietnã e da Coréia.

Conclusões

A partir da análise das políticas adotadas pelos principais envolvidos neste grande conflito histórico, podemos chegar às seguintes conclusões:

Sobre os Aliados

1. Ao contrário do Eixo ou dos Comunistas, as potências Aliadas não tinham um plano ou agenda política universal a ser posto em prática na sua área de influência. Não havia uma ideologia, forma de governo ou política econômica que se pretendia implantar nos países vizinhos. A maioria deles já estava bem estabelecido.

2. A aliança entre diversas nações na luta contra o Eixo foi muitas vezes ambígua e meramente casual, como ilustram os membros fascistas e socialistas no bloco Aliado. O que difere o fascista no lado Aliado do fascista no lado do Eixo ou do socialista no seu próprio bloco é que este não tem um projeto de poder expansionista, por mais ditatorial que seja o seu governo.

3. Os aliados tiveram que lutar contra o imperialismo japonês na Ásia e ao mesmo tempo conter os sentimentos independentistas nas suas colônias. De um certo modo, foi a própria estrutura colonial européia que fomentou o colaboracionismo com o invasor japonês.

Sobre o Eixo

1. Concebido inicialmente como uma aliança anti-comunista no Pacto Anti-Comintern (Antikominternpakt) de 1936  entre o III Reich e o Império do Japão, o Eixo acabou convertendo-se em uma mera aliança militar para apoiar os propósitos expansionistas destes dois países. A Itália assinaria o pacto um ano depois. O Pacto seria revisado em 1941, quando contaria com a adesão de diversos outros aliados e satélites da Alemanha, da Itália e do Japão.

2. O III Reich violou os termos do Antikominternpakt ao assinar secretamente o Pacto Ribbentrop-Molotov com a URSS. Qualquer negociação territorial com a URSS era vetada pelo pacto anterior. Havia um flagrante conflito de interesses entre os próprios membros do Eixo, não raramente um tentando obter territórios do outro ou violando sua soberania, como foi o caso da Hungria e da Romênia.

3. Assim como houveram fascistas do lado Aliado, algumas nações sem governo análogo ao fascismo ou ao nacional-socialismo buscaram o apoio do Eixo para defender-se ou do expansionismo soviético, ou de guerrilhas comunistas ou para buscar sua independência, ou mesmo apenas para industrializar-se. Exemplos incluem a Finlândia, que buscou na Alemanha o seu apoio contra a invasão soviética, a China que cooperou com a Alemanha até 1941 e inúmeros grupos separatistas e independentistas na Ásia que buscaram apoio alemão ou japonês para se livrar do domínio da metrópole britânica, francesa, holandesa, etc.

Sobre os Comunistas

1. Os soviéticos tinham seu próprio projeto de expansão no Leste Europeu e na Ásia. O projeto de expansão no Leste Europeu foi facilitado pelo Pacto Ribbentrop-Molotov, ao passo que o projeto de expansão na Ásia foi atrasado pela resistência dos nacionalistas chineses e pela invasão japonesa. O projeto seria retomado após a estabilização da China comunista, que apoiará guerras de procuração no Vietnã e na Coréia.

2. Desde antes da Segunda Guerra, socialistas chineses tentavam derrubar o governo nacionalista de Chiang Kai-Shek, o que seria concluído em 1949. Um ano depois a China invadirá o Tibet. A nova China comunista buscará relações estáveis com a URSS que se manterão pelo menos até 1960.

3. Com o fim da Segunda Guerra, a URSS manterá o domínio sobre os territórios “libertados”  da ocupação nacional-socialista sob a forma de Estados-satélite ou zonas de influência no Leste Europeu. Outras forças socialistas instalarão governos próprios na Albânia e na antiga Iugoslávia. A porção oriental da Alemanha se manterá sob domínio comunista até 1990. Seu expansionismo continuará após a Segunda Guerra, o que gerará o conflito com os antigos Aliados (agora OTAN) e engendrará uma série de guerras de procuração durante a Guerra Fria.


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V de vitória: a história do maior estadista do século XX

Sir Winston Leonard Spencer-Churchill (1874-1965) descrevia a si mesmo como “uma União da Língua Inglesa”, sendo o filho do inglês Lord Randolph Churchill e da americana Jennie Jerome. Foi educado em Harrow e no Royal Military College de Sandhurst, e foi enviado para a Índia com uma comissão de cavalaria em 1895. Ganhou fama precoce como correspondente de guerra, cobrindo a revolta cubana contra a Espanha (1895), e campanhas britânicas na Fronteira Noroeste da Índia (1897), no Sudão (1898) e na África do Sul durante a Guerra dos Boeres (1899). Churchill já era o autor de cinco livros aos 26 anos de idade. Sua ousada fuga de um campo de prisioneiros Boer em 1899 fez dele um herói nacional e introduziu-o na Câmara dos Comuns, onde sua carreira se estendeu por 60 anos. Ocupou várias posições durante sua longa carreira e foi um notório servidor público. Winston Churchill entrou para o Royal Military College de Sandhurst, e se graduou com honras em dezembro de 1894. Mais tarde, viu ação em Cuba, Índia, Egito, Sudão, na linha de frente da I Guerra Mundial, e até mesmo participou de uma das últimas cargas de cavalaria britânica da história. Quando fez 25 nos, Churchill foi eleito para o Parlamento, e começou sua carreira como estadista na Câmara dos Comuns. Ele passou a servir como Primeiro Lorde do Almirantado, ministro das Munições, Chanceler do Tesouro, e primeiro-ministro. Em sua vida privada, Winston Churchill foi um ávido leitor e estudioso, pintor, escritor, jornalista e correspondente de guerra. Historiadores atribuem a Churchill a imagem de um líder e estadista eficaz dada a sua enorme capacidade de inspirar as pessoas, sua visão estratégica única, sua paixão implacável e personalidade inabalável. O maior estadista do século XX.

Churchill, aos 24 anos, no regimento de cavalaria 4th Queen’s Own Hussars

Um dos principais atributos de Winston Churchill como líder foi a sua capacidade de inspirar as pessoas, independentemente das circunstâncias desfavoráveis. A fonte dessa inspiração foi seu próprio caráter. Churchill perpetuamente demonstrou entusiasmo, determinação e otimismo, se não em todos os momentos em privado, pelo menos sempre em público. Um dos secretários particulares de Churchill disse sobre Churchill:

Os efeitos do zelo de Churchill foram sentidos imediatamente em Whitehall. Departamentos do governo que, sob Neville Chamberlaincontinuavam a trabalhar namesma velocidade dos tempos de paz acordaram para a realidade da guerra. Um senso de urgência foi criado no curso de poucos dias e respeitáveis funcionários públicos eram avistados literalmente correndo pelos corredores.

Atrasos não eram perdoados; centrais telefônicas quadruplicaram a sua eficiência, o Chiefs of Staff e o Joint Planning Staff estavam em sessão quase constante; horário normal de expediente deixou de existir e fins de semana desapareceram com eles.

Aos 26 anos.

A capacidade de Churchill para inspirar pode ser vista já nos primeiros dias da Segunda Guerra Mundial. Ele não permitia uma atitude derrotista, nem cogitava falar em condições razoáveis com Adolf Hitler. Como Sir Martin Gilbert, biógrafo oficial de Churchill, escreveu: “Foi a própria oposição de Churchill a todas as formas de derrotismo que marcou os primeiros seis meses de seu ministério na guerra e estabeleceu a natureza e o modelo de sua liderança na guerra.”

Outro exemplo do poder de inspiração de Churchill foi a sua capacidade de canalizar sua determinação para o povo britânico, e em geral reforçar a sua resolução através do encorajamento e elogios entusiasmados para com os outros. Durante os primeiros dias da guerra, disse que, “O povo britânico é como o mar. Você pode colocar o balde em qualquer lugar, e puxá-lo para cima, e sempre encontrará nele, o sal.” Churchill inspirou não só os líderes britânicos, mas também os cidadãos britânicos, pela projeção de uma atitude de otimismo e coragem inabalável. Finalmente, o otimismo robusto de Churchill é excelentemente apresentado em um discurso que ele fez na Câmara dos Comuns em 4 de junho de 1940, quando ele disse estas famosas palavras:

Iremos até o fim. Nós lutaremos na França, lutaremos nos mares e oceanos, lutaremos com crescente confiança e crescente força no ar, defenderemos nossa ilha, a qualquer custo. Lutaremos nas praias, lutaremos nos campos de aterrissagem, lutaremos nos campos e nas ruas, lutaremos nas colinas; nunca nos renderemos.

Churchill e o V da Vitória. “We shall never surrender!”

As palavras de Churchill levaram o deputado trabalhista Josiah Wedgwood a dizer que “aquilo valeu por mil armas, e os discursos de mil anos.” Churchill compreendia os perigos do derrotismo e do moral baixo como um soldado e um líder, então deu o exemplo necessário para inspirar outras pessoas ao seu redor. Winston Churchill também foi um estadista e líder eficaz porque tinha visão estratégica. Um exemplo de sua intuição aguçada é encontrado nas consequências do Acordo de Munique. Enquanto Neville Chamberlain proclamou que suas políticas de apaziguamento tinham trazido a “paz no nosso tempo,” Winston Churchill queixou-se dos termos. Ele declarou que: a) nada vital estava em jogo; b) a Tchecoslováquia “não poderia estar pior” nos termos do contrato, e c) o acordo não seria bem sucedido na preservação da paz na Europa, enquanto a ameaça da Alemanha nazista de Hitler persistisse. A Segunda Guerra Mundial iria provar que sua intuição estava certa. Apesar de seus receios, Churchill, “nunca duvidou … que a aliança ocidental seria a derrota de Hitler e, posteriormente, do Japão”, e sua visão foi novamente clara. Outro exemplo que mostra a visão estratégica de Churchill é a Rússia comunista. Churchill tinha dúvidas iniciais sobre a Rússia, além das que ele expressou em seu famoso discurso “A Cortina de Ferro”, onde falou de uma cortina de ferro sendo colocada sobre a Europa Oriental. Em 1931, Churchill declarou na frente de um grande público no Brooklyn, New York, que a grande luta do futuro seria entre as nações de língua inglesa e o comunismo. A Guerra Fria viria a provar sua profecia. Um terceiro exemplo de intuição estratégica de Churchill é mostrado durante seu período como Primeiro Lorde do Almirantado, a partir de outubro de 1911. Churchill resumiu sua abordagem ao poder naval britânico com estas palavras:

Preparação adequada para a guerra é a única garantia para a preservação da riqueza, dos recursos naturais, e do território do Estado, e só pode ser baseada em um entendimento, em primeiro lugar, sobre os perigos prováveis que possam surgir. Em segundo lugar, dos melhores métodos gerais de encontrá-los deduzindo a partir dos acontecimentos da história. E, em terceiro lugar, a aplicação mais eficiente do material de guerra da época.

Uma das fotos mais clássicas de Sir Winston Churchill, tirada em 1941.

Churchill aplicou essa política para as suas funções como Primeiro Lorde do Almirantado e começou a preparar cuidadosamente a frota da Grã-Bretanha para a guerra. Ele também estudou o progresso, a força e as manobras navais alemãs. Apenas quatro anos mais tarde, a Primeira Guerra Mundial eclodiu, e graças a sabedoria de Churchill, a Marinha Britânica estava bem preparado para a batalha.

Em resumo, Churchill possuía visão estratégica excepcional, temperada com uma dose saudável de realismo. Como um observador escreveu: “Churchill tinha grande clarividência, mas ele sabia que o futuro é mais imprevisível.” Enquanto a previsão de Winston Churchill foi um componente chave de sua liderança, houve um outro fator que levou todos os seus talentos para a frente: a sua paixão. Winston Churchill possuía uma paixão pela liberdade democrática que o levou a trabalhar arduamente para a sua preservação, permitindo-lhe ser um estadista e líder eficaz. Talvez o melhor exemplo de paixão de Churchill seja encontrado em algumas das palavras que ele usou para inspirar as pessoas e combater o derrotismo:

Estou convencido de que cada um de vocês se levantaria e me derrubaria do meu lugar se por um momento eu contemplasse a negociação ou a rendição. Se esta nossa longa história insular deve perdurar, que acabe somente quando cada um de nós esteja derrubado e afogando-se em próprio sangue no chão.

A paixão de Churchill alimentou seu desejo de maximizar a eficiência do governo e otimizar a burocracia durante a guerra. Um excelente exemplo dessa eficiência é a organização estrutural que Churchill implementou na cadeia de comando Inglês. Sir Martin Gilbert escreve que: A organização de seus tempos de guerra foi uma característica central da liderança de Churchill na guerra. Essa organização levou vários meses para aperfeiçoar, mas a partir de seus primeiros dias como primeiro-ministro e ministro da Defesa, ele trabalhou para estabelecê-lo, e criar de imediato no número 10 da Downing Street uma organização que daria a nação uma forte e eficaz liderança.

Durante a Conferência de Yalta em 1945, ao lado do presidente americano Franklin Delano Roosevelt e do ditador soviético Josef Stalin.

Esta organização era composta de diferentes conselhos, executivos, comitês e conselhos. Cada líder encarregado dos respectivos órgãos sentava-se em um conselho executivo presidido por Churchill chamado Chief of Staff Comittee. Churchill uma vez definiu o sistema como, “… a acumulação do mais alto conhecimento profissional que estava à sua disposição.”

A paixão de Churchill também produziu inovação. Por exemplo, a invenção do tanque. A fim de romper o impasse da “terra de ninguém” da Primeira Guerra Mundial, Churchill sugeriu que um modelo de trator pesado com esteiras robustas fosse produzido, a partir do qual os homens poderiam disparar metralhadoras e lançar granadas de trás de uma blindagem. Essa sugestão levou à produção dos primeiros tanques.

O serviço de Churchill como soldado também mostra a sua paixão. Durante a Primeira Guerra Mundial, Churchill atuou na linha de frente na França como major no 2 º Batalhão da Grenadier Guards. Eventualmente, Churchill tornou-se o comandante do 6 Fusiliers Royal Scots, um batalhão da nona divisão. Como um soldado, ele possuía uma coragem constante e desafiadora, dando um excelente exemplo para os seus homens. Quando ele deixou a França em 1916, um escocês sob seu comando, declarou que: “Eu acredito que cada homem na sala [em um almoço de despedida] sentiu a partida de Winston Churchill como uma verdadeira perda de pessoal.”

O último componente da notável fórmula de Churchill para o sucesso foi sua personalidade imperturbável. Juntamente com uma determinação selvagem, foi uma personalidade que era dotada de muito charme e inteligência, e que levou as pessoas a gravitar em torno dele. Churchill descreveu-se da seguinte maneira: “Somos todos vermes, mas eu acredito que eu sou um glow worm.” (glow worm é um verme que brilha, um tipo de vaga-lume).

A história mostra que ele realmente brilhava. Por exemplo, ele foi capaz de manter um equilíbrio mesmo nos momentos mais estressantes: os datilógrafos de Churchill também descobriram que, por pior que fossem seus humores em momentos terríveis da guerra, ele sempre tinha palavras de conforto para eles e um sorriso pronto – seu “sorriso beatífico”, como Marian Holmes chamou. “Não se importe comigo”, ele diria depois de uma explosão, “não é você, é a guerra.”

Pode-se dizer que a personalidade de Churchill foi o resultado de uma combinação de qualidades diferentes que produziram seu charme espirituoso. John B. Severance, um autor britânico escreve que, “Muitas pessoas têm imaginação, coragem e tenacidade. Poucas pessoas têm na quantidade ou na combinação que Churchill fez.” Churchill usou seu charme e personalidade para encorajar as pessoas a se esforçarem em seu trabalho e para se destacarem nos trabalhos que lhes fossem atribuídos. As pessoas exibiam seu afeto por Churchill, como o general Ismay lembrou em um incidente em Downing Street quando um grande grupo de pessoas esperava do lado de fora da entrada privativa do Almirantado, e lhe saudara com gritos de encorajamento e boa sorte.

O equilíbrio de Churchill também é demonstado em sua conhecida sagacidade. Uma noite, quando um Churchill cansado e vacilante deixava a Câmara dos Comuns, a membro do Parlamento do Labour – Bessie Braddock -acusou-o de estar “terrivelmente bêbado.” Ele respondeu: “Bessie, minha querida… você é terrivelmente feia. Mas amanhã eu estarei sóbrio e você continuará terrivelmente feia.”

A Segunda Guerra Mundial, no entanto, é onde a personalidade de Churchill brilha mais. Ele incansavelmente viajou para posições e instalações militares, realizando inspeções, para elevar o moral das tropas, e apoiar os comandantes. Ele também estabeleceu uma amizade pessoal com Franklin Delano Roosevelt e manteve relações fortes e os laços diplomáticos com o governo norte-americano. Por tudo isso, ele foi capaz de manter uma garantia legal de vitória e inspirar confiança em todos ao seu redor. Em conclusão, de todas as qualidades que Churchill exibia, talvez a mais interessante fosse as suas explosões inesperadas de humildade. Enquanto o poder de Churchill para inspirar, sua visão estratégica, a sua paixão de condução, e sua personalidade incontrolável eram as qualidades essenciais que fizeram dele um líder e um estadista eficaz, a percepção de que ele também era um “worm” (um verme, ainda que um glow worm) temperava seu caráter e mantinha-o focado. Sua vida estendeu-se não só pelas duas Guerras Mundiais do século XX, mas outros conflitos, reuniões diplomáticas históricas, e o início da Guerra Fria.

Winston Churchill conduziu a nação britânica em duas ocasiões distintas como primeiro-ministro, na paz e na guerra, e em duas ocasiões distintas como Primeiro Lorde do Almirantado, tanto no escritório e na linha de frente. No entanto, ele se recusou a tomar o crédito. Quando aplaudiram o fim da Alemanha nazista, ele respondeu: “Eu nunca aceitei o que muitas pessoas têm gentilmente dito, a saber, que eu inspirei a nação. Era uma nação e uma estirpe que durante todo o tempo tinha o coração de leão. Eu tive a sorte de ser chamado a dar o rugido.”

Para conhecer mais sobre a vida e a obra de Churchill, acesse: http://www.winstonchurchill.org/.