A Não-Identidade

Os movimentos de esquerda fazem questão de mesclar todas as minorias numa só massa amorfa para obter sua força política através do número e usar do conflito interno para paralisar minorias dissidentes. Resumidamente ela pega um negro, um gay, um ateu e uma mulher, mutila suas identidades e molda-os naquilo que ela quer: o não-branco, o não-hétero, o não-cristão e o não-homem. Ela os valoriza não pelo que eles são, mas pelo que eles não são.

O que há em comum entre um imigrante latino nos EUA e um negro? São não-brancos. Entre um gay e uma mulher? São ambos a negação de um homem hétero. Nenhum deles tem, de fato, valor identitário para a esquerda. Seu valor é utilitário. É um meio para um fim. Um negro, um gay, um ateu, uma mulher que não é militante socialista não tem valor algum.

Isto é facilmente verificável. Qualquer negro que se declare, por exemplo, liberal ou conservador, será ostracizado como um alienado. Para usar um termo mais racista que já ouvi, será chamado de Kinder Ovo (negro por fora e branco por dentro). Se for gay então, será considerado algum tipo de aberração em serviço da sociedade que o oprime, como o foram Clodovil e Andy Warhol. Se for uma mulher, bastará levantar uma simples crítica à histeria do feminismo revolucionário para ser tachada de machista. Se for ateu, será acusado de “criptocristianismo” se não engolir sem reclamar a histeria anticlericalista que desrespeita não só a liberdade de culto e chega ao ponto de invadir propriedade alheia.

Mas Renan, o que você está querendo dizer com isso? Estou querendo dizer que as pessoas devem se preparar para resistir aos discursos identitários que nos separam usando como padrão qualquer coisa que não seja as idéias e os valores. Coloquemos os princípios no seu lugar, que é o princípio, o ponto de partida de todos nossos julgamentos, escolhas e decisões.

A liberdade individual é a única coisa que garante que você continue vivendo em paz sendo você mesmo em vez do “não-outro”.


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Como a Espiral do Silêncio pode ser aplicada

Como vender uma ideia? Como fazer as pessoas aceitarem algo de livre e espontânea vontade? Simples, faça com que elas acreditem que aquilo é o correto, que todos apoiam tal ideia e se ela se posicionar contra, ela será isolada socialmente.

A cientista política alemã Elisabeth Noelle-Neumann propôs uma teoria de ciência política e comunicação de massa chamada de Espiral do Silêncio. Essa teoria consiste na hipótese científica de que há uma ideia de espiral que explicita a dimensão cíclica e progressiva de uma tendência ao silêncio.

Quanto mais minoritária a opinião dentro de um universo social, maior será a tendência de que ela não seja manifestada, pois a pessoa terá medo do isolamento social que ao expor sua opinião ela pode vir a sofrer.

Hoje no mundo ocidental essa teoria é fortemente aplicada e tem tido grande sucesso. No Brasil há vários exemplos dessa prática, a começar pelo lobby dos grupos GLBT e pró-aborto na mídia. A maioria das novelas busca colocar personagens gays e mostrá-los como pessoas acima de criticas e totalmente corretas, sem nenhum defeito. Mas, se homossexuais são pessoas como qualquer outra, eles são passiveis de erros e podem ser ‘maus'(OBS: não tenho nada contra homossexuais). Quando o assunto é aborto o lobby continua. Geralmente é uma personagem jovem, que ou resolve abortar porque o parceiro a abandonou ou porque não quer “estragar” a vida dela. A trama segue com esse dilema e muitas vezes ela acaba abortando, aí ou ela morre, ou acaba arrependida, ou ela segue sua vida. Mas durante esse processo acaba acontecendo um debate entre os personagens mais conservadores e os progressistas: os conservadores são retratados como pessoas ruins, de baixa intelectualidade e atrasadas, já os progressistas são sempre uma galera descolada, culta e boa.

Logo, quem assiste a essas novelas acaba copiando essas tendências e associam as opiniões aos personagens: caso alguém seja contra o aborto ou as práticas da militância GLBT (que são: lutar por cotas para gays, criticar e hostilizar pessoas que são contrárias a tais políticas e ao mesmo tempo condená-las por ‘homofobia’, etc.), acaba preferindo ocultar sua opinião, pois sabe que será associado ao personagem ‘reacionário’, além de ser criticada pela maioria.

O deputado federal Jair Bolsonaro é uma ‘vitima’ dessa espiral do silêncio, pois muitos que tendem a pensar igual ele, mesmo que em intensidade diferentes, se calam por ver como ele é tratado pela mídia e em especial pelo programa CQC (Custe o Que Custar), que em duas oportunidades acabou induzindo a opinião pública a uma direção em relação ao Bolsonaro (mas essa prática de induzir as pessoas ao um lado da questão é de praxe do CQC) e tentou mostrá-lo como uma pessoa racista, não dando a ele um direito de resposta digno. Mais idiota foi o Bolsonaro de ir num programa desse nível que é o CQC.

Mas vale a pena colocar a explicação do Bolsonaro se defendendo:

Mais uma prova de como a mídia pode fabricar uma opinião contra algo e ao mesmo tempo coagir quem é opositor dela

Se você for uma pessoa de direita pode ter receio de ser chamado de preconceituoso, homofobico e afins. Se for uma pessoa indecisa politicamente, pode achar que a direita faz realmente o que o ‘apresentador’ Marcelo Tas diz, mas o comentário dele só mostra a parcialidade e a ignorância contida em sua mente, pois são os regimes de esquerda que tem histórico de violência em relação a homossexuais (Cuba, URSS, China, Coreia do Norte e outros países comunistas) e não os governos de direita (liberais)

Dia da luta conta a Homofobia

Hoje é o dia de luta contra a Homofobia, mas vamos pensar além? Eu condeno qualquer agressão contra pessoas inocentes, e defendo a igualdade a todos. Do mesmo jeito que homossexuais apanham por serem homossexuais, há pessoas que são mortas das formas mais estúpidas e frias (brigas, assaltos e afins). Vamos lutar não apenas contra a Homofobia e sim contra a Humanofobia. Não é aceitável que os seres humanos se dividam em subgrupos, pois somos uma coisa só: seres humanos! Mesmo havendo uma gama de diversidade entre os humanos, devemos nos pautar em direitos e deveres básicos, pois são eles que garantem as liberdades individuais.

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A Teologia da Libertinagem e a Igreja Universal do Relativismo Moral

Linhas Gerais

De acordo com as decisões populares e democráticas tomadas na reunião da Última Internacional, durante o Foro de São Paulo, abrimos mais uma frente revolucionária para destruir o pensamento porco-burguês ocidental que persiste em suas atividades contrarrevolucionárias na América do Sul, sobretudo nos setores reacionários, fascistas e elitistas como a bancada evangélica, a bancada ruralista, os oposicionistas, os entreguistas, os denuncistas, os espiões polacos, os petlyuras, os trotskystas, o Capital Internacional, os peemedebistas e demotucanos em geral.

Panfleto de divulgação.

Esta nova frente de atuação revolucionária tem por objetivo desconstruir as concepções preconceituosas das pessoas com relação ao genocídio humanitário do processo revolucionário e a ditadura do proletariado, e abrir o coração das pessoas para o comunismo. Para isto, é necessário que acabemos com religiões burguesas como o catolicismo, o protestantismo e o espiritismo. É necessário abrir os olhos das pessoas para religiões mais progressistas como o budismo, o rastafari, o hinduísmo, a cientologia e o socialismo utópico.

Mais do que isso, é essencial que ofereçamos um substituto progressista às religiões retrógradas, homofóbicas e fascistas que ameaçam a Revolução. Para isto, baseando-nos nos ideais da filosofia pós-moderna, do desistencialismo, e dos pensadores da Escola de Fuckfurt, o Partido modelou uma religião progressista e popular para angariar o apoio das massas e minar a confiança do proletariado na burguesia clerical que o oprime com seus mandamentos opressores (criminalização da pobreza), pecados estigmatizantes (criminalização das diferenças), etc. Apresentamos para vocês a Teologia da Libertinagem.

A TL e suas figuras principais
A figura central da TL é o Partido. O Partido é representado, simbolicamente, pela palavra “Deus”, enquanto as massas não estiverem devidamente preparadas para a Revelação. A segunda figura mais importante é Chesus, personagem histórica revolucionária e populista que despertará o amor das massas pela nossa causa da expropriação e redistribuição dos meios de produção.

Chesus: Viva La Ressurrección!

Os sete pecados burgueses


1. Individualismo –
não pensar no próximo camarada. Não defender os oprimidos narcotraficantes das favelas, não defender os guerrilheiros das FARC e do EZLN (meros produtos de um sistema opressor capitalista), não defender a expropriação e a submissão da classe burguesa ao domínio da ditadura do proletariado.

2. Capitalismo – fazer comércio, explorar a mais-valia, cobrar por serviços, não distribuir drogas recreativas para os camaradas a preço de custo.

3 . Machismo – namorar, noivar, casar, não socializar os meios de reprodução com camaradas e camarados, heteronormatividade, não estar aberto para relacionamentos alternativos, revolucionários e progressistas como a pedofilia e o incesto, etc.

4 . Eurocentrismo – não ter vergonha de ser um branco descendente de escravocratas, latifundiários, banqueiros e invasores europeus. Vestir-se como um burguês, não usar dreads, camisa do Che, chinelo de dedo, não se preocupar com a fome na África, etc.

5. Denuncismo – denunciar os camaradas que, durante o processo revolucionário, venham a atentar contra as leis capitalistas opressoras do Estado Burguês.

6. Entreguismo – não defender a total expropriação dos meios de produção e sua centralização nas mãos do Estado Proletário.

7. Reacionarismo – discordar com as diretrizes do Partido e não adaptar-se às necessidades dinâmicas do processo revolucionário.

Os desmandamentos

1 – Amar o Partido (“Deus”) sobre todas as coisas
2 – Não usar o nome de Partido (“Deus”) em vão
3 – Guardarás os dias de greve
4 – Honrarás a Revolução
5 – Não matarás (outro camarada, sem um tribunal revolucionário)
6 – Não negarás aos camaradas livre acesso aos teus meios de reprodução
7 – Não explorarás a mais-valia
8 – Não levantarás testemunho contra outro camarada (delação)
9 – Não terás pensamentos pecaminosos e neoliberais
10 – Não cobiçarás a droga recreativa do próximo

A homossexualidade, o direito de associação e a privatização do casamento

Muito se tem discutido sobre o casamento gay. O assunto é polêmico, e as opiniões divergem muito. Mas, quase sempre, o maniqueísmo prático divide as pessoas em dois grupos antagônicos: os que apoiam o direito gay de casar (“os do bem”) e os que negam o direito gay de casar (“os do mal”).

Mas a questão não é tão simples, e as posições sobre isso vão além daquilo que a mídia mostra. Sou da opinião, por exemplo, que o Estado não tem o direito de determinar quem pode ou não pode casar – considerando somente que estamos falando de adultos, com pleno exercício de suas capacidades mentais.

A posição é estranha, e espanta muitos que se deparam com ela pela primeira vez. Os que são a favor do casamento gay me tratam imediatamente como alguém que é contra os gays. Os que são contra me tratam como um subversivo que defende o casamento gay. A verdade é que sou, a um só tempo, ambos e nenhum. Já explico.

Acredito que o Estado não tenha nem o direito e nem o dever de instituir um modelo de família oficial. Quando o Estado impõe um modelo de família oficial ele está causando problemas para uma série de pessoas que adotam diferentes modelos familiares – seja por questões religiosas, seja por questões culturais ou individuais. Vejamos os mormons, por exemplo, que são bígamos. Ou os muçulmanos, que são polígamos. Na tribo amazônica Zo’é, uma mulher pode casar com diversos homens (poliandria). Isto porque ela não pede autorização do Estado para fazê-lo: ela não precisa da autorização do Estado para isso. Do mesmo modo, gays não precisam da autorização do Estado para casar. Ninguém precisa.

Tribo Zo’é. O casamento poliândrico das índias é teoricamente ilegal no Brasil. Mas ninguém sai por aí militando para oficializá-lo ou impedí-lo.

O Estado não tem o direito de negar uma instituição que é civil ou religiosa. Isto seria uma violação do direito natural e individual de associação, e também a violação da laicidade ao impor a pessoas de todas as crenças um modelo familiar que não é comum a todas elas. O casamento é responsabilidade da sociedade civil e da religião, não do Estado.

Entendo que para questões de herança e partilha de bens, bastaria um contrato discriminando as partes envolvidas e como se dará o processo. Isso resolveria o problema que se pretende hoje solucionar com uma reforma da definição constitucional de família e com a instituição da “oficialidade” da relação homoafetiva. E ainda evitaria maiores dores de cabeça com modelos familiares de outras religiões e culturas no Brasil. A instituição do casamento civil para gays, longe de solucionar o problema, é uma medida ilusória e eleitoreira que só serve para partidos e políticos disputarem no tapa a imagem de gay-friendly. Pedir benção do governo para casar é o cúmulo do ridículo, e penso que aqueles que pretendem lutar em favor das  liberdades individuais e do direito das pessoas de associarem-se devam rever a sua posição e militar, isso sim, pela desestatização da família.