O derramamento de sangue no Camboja

A história do Camboja é marcada por muitos conflitos internos, sendo que mais sangrento deles foi quando a esquerda ascendeu ao poder por um grupo chamado Khmer Vermelho, liderada por Pol Pot em 1970.

O Khmer Vermelho, também conhecido como Khmer Rouge conseguiu chegar ao poder em 17 de abril de 1975 após 5 anos de guerra civil contra o regime militar e fez milhões de prisioneiros. Uma das primeiras atitudes da facção de esquerda foi deslocar toda a população para a zona rural a fim de que fosse posto em prática seu grande plano de fortalecer a agricultura. Todos, sem exceção, foram deslocados para o campo, inclusive os doentes internados nos hospitais. Essa atitude de aprisionar a população urbana em fazendas coletivas fez com que a indústria nacional praticamente desaparecesse. Com esse deslocamento houve muitas mortes. As pessoas morriam de fome, doenças e milhares delas foram assassinadas em campos de extermínio.

Os assassinatos aconteciam sem prévio julgamento e por diversas razões. O mais comum era o fato da pessoa em questão ser ligada de alguma forma ao governo anterior. Foram friamente assassinados policiais, funcionários públicos, militares. A morte era certa não só pra essas esses profissionais, mas também aos seus parentes, pois eles não queriam correr o risco que futuramente algum familiar quisesse se vingar do regime. No segundo ano os massacres atingiram a população mais intelectualizada: professores, músicos, escritores, cineastas. Algumas pessoas eram executadas pelo simples fato de usar óculos, pois isso demonstrava que elas eram alfabetizadas.

Durante o regime de Pol Pot qualquer pessoa podia ser morta por motivos banais: por não trabalharem com o desejado afinco, por reclamarem das condições de vida, por guardarem algum bem ou comida para utilização própria, por usarem alguma jóia, por terem relações sexuais não autorizadas, por chorarem a morte de algum amigo ou familiar e até por demonstrarem algum sentimento religioso. Os doentes eram, na maioria das vezes, eliminados e os idosos também, pois não tinham serventia à sociedade.

Devido à “necessidade” de poupar munição, essas pessoas eram mortas a machadadas, ao som de uma flauta, geralmente com golpes na cabeça e como muitas vezes uma machadada não era o suficiente, elas eram enterradas vivas. Durante os 4 anos que Pol Pot passou no poder, foram assassinadas cerca de 2 milhões de pessoas, o equivalente a 25% da população do país.

Leia também: Holodomor, uma das crueldades do comunismo

O Holodomor, uma das crueldades do Comunismo

Em meio a discussões entre militantes de direita e esquerda, várias vezes já vi a esquerda usar o argumento que pessoas que não defendem o comunismo são elitistas, não sabem o que é necessidade e que nunca passaram fome na vida. Esse argumento é um tanto quanto contraditório, considerando que no regime capitalista a pessoa tem total liberdade para trabalhar formalmente ou até mesmo informalmente para conquistar o “pão de cada dia” sem que o Estado possa interferir nesse direito que, a meu ver, é um dos direitos naturais, pois está ligado ao direito a vida. O vídeo abaixo mostra que exatamente o oposto ocorreu na Ucrânia, pois os Comunistas com o intuito de cometer genocídio, mataram somente naquele país, cerca de 7 milhões de pessoas. Esse genocídio foi chamado de Holodomor e não é citado nos livros de história. Essas pessoas foram mortas, porque eram impedidas de se alimentar e eram também proibidas de tentar conseguir meios para que pudessem comer. Stalin tomou essa decisão durante o inverno de 1932-1933 alegando que se não fossem tomadas providencias contra aquele país, provavelmente eles o perderiam. Milhões de vida foram mortas em nome do totalitarismo do regime Comunista da Ex- URSS. Primeiro confiscou-se o suprimento de alimentos e criou-se um grande cordão para que ninguém pudesse sair do país. Como ainda havia sobras de suprimentos, as pessoas foram sobrevivendo com elas, então Stalin ao descobrir isso ordenou que fossem recolhidos os grãos estocados condenando o povo ucraniano à morte. Após o confisco de alimentos, os camponeses foram expressamente proibidos de procurar por comida e todos aqueles que eram flagrados fazendo isso eram imediatamente fuzilados. Somente dez anos depois ocorreria o tão famoso genocídio de judeus por nazistas, mas o genocídio cometido pelo regime comunista propositalmente não é lembrado pela maioria das pessoas. Os alimentos confiscados por Stalin foram todos exportados para o Ocidente e o nível de exportação de grãos da Ucrânia chegou ao seu nível máximo. O preço pago: 7 Milhões de mortos.

Leia também: O derramamento de sangue no Camboja

Nazismo e suas raizes marxistas

Nazismo, uma palavra ou uma ideologia que gera medo, raiva e outros sentimentos negativos às pessoas – até mesmo para aquelas pessoas que pouco sabem a respeito do nazismo e apenas ouviram falar do holocausto e outras atrocidades cometidas por Hitler e seus seguidores. Não compreendo o porquê dessa ignorância se estender aos professores e outros intelectuais. Constantemente o nazismo é tido como uma ideologia de extrema-direita.

Símbolo pode até ser diferente, mas o resultado é igual ou pior

Eu acreditava nisso quando era menor e ouvia professores dizendo que Nacional-Socialismo era de extrema-direita, mas recentemente comecei a estudar sobre quais são as verdadeiras políticas de direita e acabei lendo sobre Conservadorismo, Liberalismo e Libertarianismo. Logo estranhei ver o Nacional-Socialismo associado à direita, pois os ideais nazistas não se assemelham em nada com as políticas Conservadoras, Liberais e Libertárias, uma vez que essas ideologias defendem a liberdade individual, livre-mercado e um Estado mínimo. O Nacional-Socialismo defende o coletivismo, o Estado forte e a frente de tudo, a restrição das liberdades individuais, etc. Logo, o Nacional-Socialismo está mais convergente às políticas de esquerda do que direita.

Alguns fatos que me levam a crer isso

Os ideólogos do nazi-fascismo beberam na mesma fonte que Karl Marx bebeu para elaborar sua teoria: eles buscaram Hegel e toda sua dialética. Sendo assim, nazi-fascismo entra em rota de colisão com o que os conservadores pensam. Dentre outros pensadores socialistas que influenciaram o nacional-socialismo foram Sombart, Fichte, Rodbertus e Lasalle.

Marx e Mussolini acreditavam que a realidade histórica como uma síntese resultante de uma antítese que se contrapunha a tese, sendo assim para cada um deles a dialética constitui-se em um instrumento de transformação real. Marx dizia que a dialética era a luta de classes e para Mussolini a dialética viria ser a luta e a origem de todas as coisas.

Uma das principais semelhanças entre nazi-fascimo e socialismo é que ambos buscam um Estado totalitário e defendem o socialismo, no livro Der Nationalsozialismus encontramos a seguinte afirmação “nós somos socialistas e inimigos mortais do atual sistema econômico capitalista”. Mais uma vez em divergência com as ideias da direita, Gobbels afirma no livro Kampf um Berlin (p. 19) que o movimento nacional-socialista tem um só mestre: o marxismo. Outro fator que associa os nacional-socialistas com o socialismo é o próprio nome do partido nazista, que traduzido do alemão é Partido Nacional Socialista dos Trabalhadores Alemães. Podemos concluir que nazi-fascistas são de esquerda: diferem dos outros por serem nacional-socialistas, enquanto o socialismo marxista é internacional-socialista. Este último deseja um único Estado, como foi na URSS. Porém, tanto nacional-socialistas e internacional-socialistas defendem um Estado forte, centralizador e gestor de tudo. Inclusive a máxima mais conhecida de Benito Mussolini é: “tudo dentro do Estado, nada contra o Estado, nada fora do Estado”. Uma oposição total a todos os ideias liberais e libertários.

Nacional-socialismo, não é de direita

O economista Ludwig Von Mises (um dos maiores nomes do liberalismo no séc. XX) escreveu em 1944 o livro Omnipotent Government, onde ele explica o crescimento da idolatria ao estado que levou ao nacional-socialismo na Alemanha.  Em uma parte do livro, Mises explica algo que os nacional-socialistas pegaram emprestado do marxismo: o polilogismo.  Até a metade do século XIX, ninguém contestava o fato de que a estrutura lógica da mente é comum a todos os seres humanos.  “Todas as inter-relações humanas são baseadas na premissa de uma estrutura lógica uniforme”, diz Mises.  Podemos nos comunicar justamente porque apelamos a algo comum a todos: a estrutura lógica da razão. Von Mises foi uma das primeiras pessoas a apontar que o nacional-socialismo tem ligações com o marxismo e é uma política de esquerda, ligações estas também demonstradas por Hayek.

Fontes de pesquisa e informações extras :

http://www.mises.org.br/EbookChapter.aspx?id=108

http://www.endireitar.org/site/artigos/economia/126-por-que-o-nazismo-era-socialismo-e-por-que-o-socialismo-e-totalitario

http://www.lepanto.com.br/dados/nazcom.html

O caminho da servidão, de Friedrich A. Hayek

Por que genocídios acontecem?

O post de hoje não é sobre Economia, Política ou atualidades. Aliás, é sobre atualidades. Atualidades históricas, eu diria, pois o bicho homem segue sempre insistindo nos seus velhos erros.

O propósito deste post é trazer algum conhecimento ao leitor que está interessado tanto na História como nos direitos do homem. E o direito mais fundamental do homem é a vida. O assassinato, o aborto, a agressão física, a violência sexual, são atentados contra a vida. Quando estes crimes são perpetrados contra um grupo específico em escala massiva com o fim de eliminá-lo, dá-se a isso o nome de genocídio.

Talvez quando falemos em genocídio tenhamos primeiramente na cabeça o Holocausto, ou Shoah. Porém, o que nos esquecemos é que o genocídio não foi um evento único na história da humanidade. Ele ocorreu diversas vezes, ainda ocorre e há sempre o risco de que venha a ocorrer quando menos esperamos.

Este artigo traz o conteúdo de uma das maiores especialistas da área, Helen Fein, para que estejamos informados das motivações e das condições que tornam o genocídio possível.

Segue o texto:

Por que acontecem genocídios?

Não é suficiente dizer que eles ocorrem por medo ou ódio entre grupos. Medo e hostilidade entre grupos existem em muitos lugares, mas genocídios só ocorrem ocasionalmente. Quando o genocídio é mais propenso a acontecer? Quais são as precondições do genocídio?

Tipos de motivações

O que motivaria um grupo a agir contra outro grupo? O que um grupo poderia esperar da destruição completa de outro grupo?

Helen Fein, apoiando-se em sua pesquisa e pesquisas de outros acadêmicos, identifica as quatro principais motivações por trás dos genocídios.

1. Eliminar uma ameaça real ou potencial.
Fein chama isto uma motivação “retributiva” para o genocídio. Quando um grupo se convence de que sua existência é ameaçada por outro grupo, o mesmo pode sentir que não há outra escolha senão destruir o outro grupo. Isto leva a atitude do “precisamos pegá-los antes que eles peguem a gente”.

Restos mortais de armênios, vítimas de um genocídio em 1915. Temia-se que os armênios estivessem conspirando contra os turcos na Primeira Guerra.

2. Espalhar o terror entre inimigos reais ou potenciais.
Fazer esforços sistemáticos para destruir um grupo de inimigos pode enviar um sinal claro para outros inimigos potenciais. Fein chama esta motivação de “preemptiva”.

Os Tutsis, por conta de uma rivalidade tribal e política com os Hutus, foram vítimas de um massacre de enormes proporções em Ruanda, no ano de 1994.

3. Adquirir riquezas.
Se um grupo (por exemplo, um povo indígena) está no meio do caminho do progresso econômico de outro grupo, então pode “fazer sentido” simplesmente se livrar do grupo que está no meio do caminho.

Para poder confiscar a rica produção de grãos da Ucrânia na década de 30, e impedir qualquer resistência nacional, os comunistas impuseram uma política de saque e cerco que levou à morte 7 milhões de pessoas, sendo 1/3 delas crianças. Holodomor - morte pela fome - é como chamam os ucranianos este trágico massacre.

4. Implementar uma crença ou ideologia.
O objetivo pode ser criar uma raça pura ou criar uma sociedade utópica. De qualquer modo, o único meio de lidar com aqueles que não se encaixam no ideal é destruí-los.

Para implementar um sistema socialista utópico, os comunistas do Khmer Vermelho massacraram quase 1/3 da população do Camboja em fins da década de 70.

Ainda que possamos distinguir cada uma destas diferentes motivações em teoria, na vida real as motivações são frequentemente misturadas e qualquer uma ou mesmo todas as motivações acima podem estar presentes.

Precondições para o Genocídio

Ainda que hajam as motivações, o genocídio ainda não é necessário. O genocídio é mais provável quando certas condições existem.

As vítimas são excluídas

No genocídio, as vítimas foram definidas como fora do cuidado ou da responsabilidade do grupo dominante. Por exemplo, um estado pode garantir toda sorte de direitos e benefícios aos seus cidadãos. O genocídio se torna mais propenso a acontecer quando um grupo perde o status de cidadania, quando tem estes direitos e benefícios negados. Quando isto acontece, eles são definidos como fora da proteção do Estado.

Os judeus, sem o reconhecimento como cidadãos do Terceiro Reich, eram tratados como um problema de saúde pública: deveriam ser eliminados tal qual ratos ou baratas.

Esta exclusão pode estender-se para além da cidadania, entretanto. Em muitos casos, membros do grupo vitimado tem negados até mesmo seu status básico de ser humano. Eles podem ser referidos por termos não-humanos como “insetos” ou “bacilos”. Neste ponto, a situação se torna grave uma vez que as vítimas não só estão fora do Estado (e sua proteção), mas são sub-humanas e assim não podem reclamar os direitos humanos mais básicos.

Crise ou Oportunidade

Crises também oferecem oportunidades para genocídios. Uma crise pode ser o resultado de uma guerra, instabilidade social (como revoluções) ou a derrocada de impérios ou estados multinacionais. Quando relações sociais normais se quebram e velhos métodos de controle social enfraquecem, as hostilidades do grupo dominante podem se tornar voláteis. Também, o grupo vitimado pode ser culpado pela crise, o que leva o grupo dominante a buscar vingança.

Os Herero ficaram "no caminho" dos planos coloniais do Império Alemão na África do início do século XX.

Genocídios também podem ser resultado de novas oportunidades. Frequentemente, isto está relacionado com expansão interna – onde o grupo dominante muda-se para novos territórios dentro do país. Grupos indígenas que “ficam no caminho” correm perigo.

Estado ditatorial

Genocídios são mais prováveis em estados ditatoriais onde há poucas, quando há, fiscalizações nas ações da elite dominante e onde não há a força da lei. Quando a elite dominante está livre para usar a violência para manter seu poder, o genocídio é uma possibilidade perigosa.

Os espectadores não reagem

Genocídios também são mais prováveis de acontecer quando estados ou organizações observadoras (como a ONU) ajudam o estado genocida ou simplesmente não fazem nada. Um estado pode não ajudar participando ativamente no massacre, mas pode providenciar ajuda econômica e comercial (por exemplo, armas) que permitem que os perpetradores façam o genocídio.

Massacre da Bósnia, entre 92 e 95, provou a ineficiência da ONU.

Estados podem aumentar a possibilidade de um genocídio ao fazer nada. Se os perpetradores tem pouco a temer de outros estados ou organizações, então eles tem pouco desincentivo para evitar genocídios. Em alguns casos, o perpetrador pode já ter testado a reação dos observadores previamente. Se uma ação genocida mais limitada não atraiu a atenção de observadores antes em condenação, então o perpetrador pode sentir-se seguro para executar um genocídio em uma escala massiva.

Racismo: o monstro que renasce

I – O vocabulário
“Racismo é a crença de que diferentes traços inerentes a grupos raciais humanos justificam a discriminação. É aplicado especialmente à prática ou defesa de discriminação racial de maneira perniciosa (p. ex.: que agride a um grupo particular de pessoas), e que é frequentemente justificada com a recorrência ao estereótipo racial ou pseudo-ciência.”
Assim diz a Wikipédia.

Segue:
“O uso moderno da expressão frequentemente iguala racismo e discriminação racial, e define o último apenas como a aplicação de práticas perniciosas. Tratamento diferencial de grupos raciais com o intuito de aliviar a discriminação passada, em vez de causar danos, leva outros nomes (p. ex.: ação afirmativa); a caracterização desta prática como “racismo”, “discriminação racial” ou “discriminação reversa” é normalmente feita apenas por seus opositores, e tipicamente implica a crença em uma natureza danosa desta prática com respeito aos grupos que não recebem assistência.”
Entenderam bem a coisa? Discriminação racial só é discriminação racial se a minoria em questão estiver sendo prejudicada. Se ela estiver sendo beneficiada usa-se o eufemismo “ação afirmativa”. Bom, eu sou um opositor destas políticas. E sim, eu tenho a “crença” de que estas práticas tem uma natureza danosa, não só aos grupos que não recebem assistência como aos próprios supostos beneficiários.

II – Os termos
Primeiramente, vamos dissecar os termos e fazer a análise dos que serão usados ao longo do artigo (definições retiradas do dicionário Priberam da língua portuguesa):

Discriminação  – do latim discriminatio, separação.
1. Ato ou efeito de discriminar (ex.: o exercício envolve discriminação visual). = DISTINÇÃO
2. Ato de colocar algo ou alguém aparte.
3. Tratamento desigual ou injusto dado a uma pessoa ou grupo, com base em preconceitos de alguma ordem, notadamente sexual, religioso, étnico, etc.

Discriminar, portanto, é tratar de maneira distinta, diferente.

Raça
1. Grupo de indivíduos cujos caracteres biológicos são constantes e se conservam pela geração: Raça branca, raça amarela, raça negra, raça vermelha. (Os progressos da genética levam hoje a rejeitar qualquer tentativa de classificação racial.) = CLASSE, DESCENDÊNCIA, ESTIRPE, FAMÍLIA, GERAÇÃO, LINHAGEM
2. Subdivisão de uma espécie animal: Raças bovinas.
3. Conjunto de ascendentes e descendentes de uma família, um povo; geração.

Normalmente, faz-se a atribuição de “raça” às pessoas de acordo com a sua cor da pele. O próprio conceito de raça na espécie humana é fortemente rejeitado pela comunidade científica já desde os anos de 1950.

Segregação – do latim segregatio, separação
1. Separar ou separar-se de um todo. = APARTAR, DESMEMBRAR
2. Pôr ou pôr-se de parte. = SEPARAR

Segregação, portanto, é quando de algum modo você separa as pessoas, ainda que trate elas igualmente (ou seja, não é o mesmo que a discriminação).

Bom, tendo estes 3 conceitos bem definidos (raça, discriminação e segregação) podemos prosseguir.

Típico infográfico dos antigos livros de ciência, exibindo homens de diversas “raças”.

III – Discriminação x Segregação
O que é, então a discriminação racial? Discriminação racial é quando você trata de maneira diferenciada as pessoas com base no julgamento daquilo que tomamos por “raça”. Ou seja, tratar as pessoas de maneira diferente de acordo com a cor da sua pele. Não importa se esta distinção de tratamento é positiva ou negativa, ela é discriminação racial. Um exemplo prático é fixar uma lei que diga que pessoas de raça X devem ter um salário maior, ou que devem ter algum benefício que as pessoas de outras “raças” não tem.

Os pigmeus africanos sofrem discriminação sistemática na África até hoje. Desprezados pela etnia majoritária Bantu na Rep. Democrática do Congo, não têm cidadania reconhecida nem documentos de identidade. Não raramente, são submetidos a trabalho escravo e servidão.

E a segregação racial, o que é? Segregação racial é quando você separa as pessoas com base no julgamento daquilo que tomamos por “raça”. Ou: separar as pessoas de acordo com a cor da sua pele. Um exemplo prático é proibir que pessoas de raças distintas coabitem, casem ou frequentem os mesmos lugares ao mesmo tempo. Geralmente, a segregação também envolve discriminação.

Reflexo das Jim Crow Laws, estes banheiros estão divididos de acordo com a raça dos usuários. À esquerda, somente brancos. À direita, somente negros.

 IV – A História
Durante o século XIX, muitos cientistas aderiram à crença de que as populações humanas eram divididas em raças separadas. Isto era usado para justificar a crença de que algumas raças eram inferiores a outras, e que um tratamento diferenciado era consequentemente justificado. Tais teorias são geralmente chamadas racismo científico.

Quando a prática de tratar certos grupos de maneira preferencial ou negar aos outros grupos os seus direitos baseando-se em características raciais foi institucionalizada, deu-se o nome de racismo institucional.

O racismo institucional já foi usado para muitos propósitos: esterilizar ou abortar negros, proibir a imigração de chineses, confinar judeus em guetos, apartheid, etc. Tudo isto foi feito com apoio legal do Estado, com sanção da maior parte da comunidade científica e, na maioria dos casos, com a reprovação da Igreja.

Antes do surgimento do Estado-nação, a coesão social, ao menos na Europa, era mantida através da doutrina religiosa. As pessoas não se viam como alemães, franceses e italianos, mas como cristãos. A medida que a história avança, o Estado se separa da Igreja na Europa e o poder sai das mãos da religião para cair no colo da política secular, dos príncipes e reis. Segue a revolução francesa e a unificação de países como a França, a Alemanha e a Itália. Surge o Estado-nação, e com ele, o nacionalismo. Mas o que é uma nação? Esta foi a grande pergunta que mobilizou a política ao longo dos últimos dois séculos. Antes, não era necessária uma afinidade nacional para gozar de direitos. Agora, para ser cidadão, era necessária uma identidade nacional. Para tanto, era necessário definir o que era esta identidade. Era a etnia? A língua? A crença? Enquanto o pau comia na Europa e nas suas colônias para acertar estas questões, grupos menos privilegiados de poder acabaram por ficar simplesmente ao relento e sem um Estado para servir de lar à sua nação. Claro, nem todos os grupos passaram por esta experiência durante este período, mas é fato que existem muitas “nações” sem Estado-nação ao longo da história, como os judeus, os curdos, os rutenos, os ainu, etc.

França: terra dos franceses. Mas quem são os franceses?

V – As políticas

Pois bem, chega o século XX. Ciência à toda e racismo no ápice da sua popularidade no meio científico. Não faltam teorias muito bem elaboradas para explicar a relação entre a largura do nariz e a propensão à criminalidade ou a largura dos quadris e a promiscuidade. É dentro deste contexto que nascem as leis racistas e segregacionistas mais conhecidas da história. No III Reich, alemães são proibidos de miscigenarem (ou seja, casar e ter filhos com não-alemães). Nos EUA, as Jim Crow Laws determinam qual vagão de trem era para negros e qual era para brancos. A esta última política dava-se o nome “separate but equal“: separados mas iguais.

Podemos identificar algumas políticas mais comuns:

Higiene racial e não-miscigenação – Para manter a “higiene racial”, os indivíduos não deveriam casar com pessoas de outras raças. Acreditava-se que a miscigenação era nociva, pois destruía a pureza da raça e levava à degradação da mesma. Com base nestas políticas, criavam-se leis contra o matrimônio interracial.

Consoante com a complexa “ciência” do racismo e com os programas sociais do governo nacional-socialista, este cartaz ilustra a Lei de Nurembergue que determina com quem alemães podem ou não podem casar.

Segregação – Coerente com a primeira, a segregação era só uma extensão desta política familiar para o âmbito social. Com o intuito de “preservar” as raças, estas políticas faziam, oficialmente, a segregação entre as raças. Assim, certas lojas nos EUA  atendiam somente brancos e outras, somente negros. Na Alemanha, judeus foram pouco a pouco excluídos do mercado de trabalho desta forma.

Apartheid na África do Sul. A placa diz: “negras, coloridas e asiáticas”.

Compensação/benefício – Indivíduos recebiam tratamento diferenciado com base na sua raça. Assim, alemães ganhavam mais, ao passo que os eslavos eram submetidos a um trabalho servil. Diferenças de salário, carga horária e condições de trabalho eram claros indicadores de certas políticas, muitas vezes oficializadas.

Cartaz nacional-socialista escrito em russo “convida” mulheres ao trabalho como babás no Reich Alemão. Estas mulheres deveriam ser “germanizáveis” e recebiam um terço do salário geralmente pago a um profissional alemão. Trabalhadores arianos, além de maior salário e carga horária menor, contavam com a rede de assistência social do governo.

VI – Consequências

As consequências do racismo institucional são bem conhecidas. Elas tem efeitos nocivos tanto para os supostos beneficiários como para os que são excluídos da lista de beneficiados. Não são poucos os seus danos:

Complexo de inferioridade e culpa – os excluídos do sistema de benefícios (sejam materiais ou sociais) sentem-se diminuídos, inferiorizados, marginalizados. Isto pode desencadear uma série de outros problemas como a depressão, o suicídio, o uso de drogas. Exemplo disto pode ser verificado com o chamado “teste da boneca“. Se reflete também no que é chamado “culpa branca”.

Revolta e violência – os que são menosprezados pelo sistema de benefícios sentem-se injustiçados e revoltam-se contra ele. Em decorrência disto o crime e a violência explodem na sociedade. O exemplo mais vivo disso é o aumento da adesão por parte de jovens a grupos violentos como os skinheads, a Ku Klux Klan e os Panteras Negras.

À esquerda: membros do Black Panthers. À direita: membros da Klu Klux Klan.

Morte cultural – as classes ou “raças” rebaixadas institucionalmente veem-se obrigadas a abandonar, também, a sua cultura (religião, língua, literatura, música) e a adotar um comportamento padrão que imita aquelas classes de maior prestígio. Também ocorre aquilo que se chama de “passing“.

As últimas consequências da revolta, quando levadas para os palanques políticos, pode ter fins realmente trágicos como já vimos inúmeras vezes na história e continuamos a ver até hoje. Robert Mugabe é um exemplo, hoje, de como o racismo prejudica em muito uma sociedade quando ele é elevado ao status de ideologia política.

VII – O renascimento do racismo institucional

O racismo político de Robert Mugabe talvez seja o exemplo mais gritante que tenhamos hoje. O ditador do Zimbábue, na presidência desde a década de 80, segue com sua política de expropriar agricultures “brancos” para a sua reforma agrária. O programa lembra em muito a política nacional-socialista do Blut und Boden (sangue e solo, em alemão), quando judeus, ucranianos e polacos eram expropriados de suas terras para dar lugar aos agricultores alemães.

Porém, o racismo institucional se manifesta por aqui no Brasil de uma maneira muito mais sutil. Embora o racismo seja proibido pela Constituição, segundo a qual não deve haver distinção no tratamento dos brasileiros por conta de cor, credo, raça, sexo, etc. temos a política de cotas raciais que é exatamente a antítese desta regra.

As cotas raciais são, portanto, uma política de discriminação racial. Mas, seriam elas positivas?

VIII – Alerta
Num primeiro momento, as cotas raciais parecem ser positivas. Mas, se analisarmos bem, o buraco é bem mais embaixo. Voltemos na história. O que é que acontecia antigamente que impedia os negros (exemplo) de ascenderem socialmente?

O que impedia, antigamente, a ascenção social, era a estrutura social rígida, baseada em estamentos. Quem nascesse nobre permaneceria nobre até a morte. Quem nascesse escravo, assim seria até a morte (antes da Lei do Ventre Livre). Assim, de pouco adiantaria para um africano escravizado tentar ser livre porque, de fato, ele não tinha reconhecido o direito de ser livre e qualquer um que quisesse poderia submetê-lo novamente à escravidão. Para acabar com isto foram necessários anos de luta de ativistas abolicionistas, sobretudo cristãos, para que fossem reconhecidos os direitos destas pessoas.

Pessoas como Abraham Lincoln, Eusébio de Queirós, William Wilberforce e Frederick Douglass precisaram lutar contra todo o establishment político, acadêmico e midiático de sua época para garantir um tratamento igual perante a lei para negros e brancos.

Estas novas leis de hoje, que mais parecem ter saído da Europa do século XX, estão sendo hoje implantadas no Brasil como “ações afirmativas” e como uma forma de reparação, de pagamento por uma suposta “dívida histórica”.

Eu pareço um Senhor d’Engenho pra você!?

Dívidas históricas, no entanto, ficam na história. O branco de hoje não é o mesmo de ontem, e o negro ou índio de hoje também não é o mesmo de ontem. Impor estas políticas hoje é um non-sense total denunciado mesmo por acadêmicos negros renomados como Walter Williams e Thomas Sowell. Já começa que, para institucionalizar uma política dessas é necessário primeiramente aceitar a premissa racista de que as populações humanas se dividem em raças.

O que eram as políticas racistas de antigamente senão “ações afirmativas” para brancos? E hoje, elas são melhores porque são para negros ou índios? E olha que não estamos nem entrando na parte mais complexa do assunto que é a miscigenação, que aniquila por completo o conceito de raça. Pretendo tratar sobre isto em outro artigo.

A questão é que para se adotar cotas raciais, alguém tem que ser privado de algo que era seu por mérito acadêmico. A consequência da adoção de cotas é que
a) alguém que estaria preenchendo a vaga por mérito acadêmico a perdeu para alguém que entrou por ser de determinada raça – ou – b) as universidades estão operando acima da capacidade, com superlotação de alunos que ingressaram através do sistema de cotas. Tertium non datur.

Para piorar, a nossa casta política hipócrita que enche o peito para se auto-promover à custa destas minorias, esquece que estas pessoas precisam também de representação política. Será que nossos políticos terão a audácia de levar o racismo institucional às suas últimas consequências e estipular também cotas raciais no Congresso, no Senado e nos Orçamentos Participativos? Vejamos no que dá!

 IX – Qual a saída?
O objetivo deste artigo não é, de maneira alguma, fazer vista grossa para os problemas sociais que atingiram as minorias étnicas no Brasil e no mundo. Certamente, o passado pesa muito sobre o presente e a situação sócio-econômica destas pessoas é fortemente influenciada pela discriminação que seus antepassados sofreram.

No entanto, apelar para racismo institucional não é a melhor solução para este problema. Se a discriminação acarretou em problemas sócio-econômicos para as gerações atuais, o que se tem a fazer é manter um sistema propício para a ascensão social. Educação de qualidade, segurança, estrutura familiar e saúde… tudo isto conta. Substituir o sistema de cotas raciais inteiramente pelo de cotas sociais que desconsidera a “raça” como fator decisor é o mais sensato a se fazer. Isto é importante não só para evitar frustrações e angústias, mas também para evitar que aumentem as tensões e o racismo exploda violentamente como aconteceu e acontece nos EUA e na Europa.

Um sistema que garanta mais oportunidades, sim, é necessário. Mas sem descuidar do que é mais importante: o reconhecimento do mérito, do talento e do esforço. E isto, não há dúvidas, não falta no nosso povo brasileiro. Um povo composto de 230 etnias não pode ser o país do racismo e não pode ser um país bicolor. Precisamos parar de tentar fazer aquilo que agrada os fidalgos da elite política e midiática americana e européia e levar a sério o nosso país como ele é.