Porque não sou um Socialista

Faz certo tempo que a moralidade pública, ao menos no âmbito político, não só pede, mas implora para que qualquer sujeito que aspire parecer honesto seja socialista, seja de esquerda. Não ser um socialista, hoje, ou para parecer mais ameno, um progressista, é um verdadeiro disparate, uma verdadeira sentença de morte. Parece que finalmente chegou o tempo em que todas as pessoas “se conscientizaram” (chavão comum nas conclusões de redações de colégio: “é preciso se conscientizar…”) que devem aderir a uma postura progressista para que a humanidade inteira possa caminhar de mãos dadas, como em um verdadeiro sonho, em rumo à Utopia. Finalmente, diriam, chegou o final feliz de um romance hollywoodiano (ou do cinema europeu, que seria mais gauche).

De fato, ao olharmos o mundo como se encontra, é difícil dizer que muitas críticas da esquerda não procedem. Temos, sim, um mundo tomado cada vez mais pela indiferença. O ser humano perdeu praticamente toda sua capacidade de empatia, perdeu todas as referências. Se posicionar contra o aborto, por exemplo, não é mais se colocar pela vida, mas sim ser um insensível que quer colocar sua moral religiosa no útero alheio (ignorando totalmente a existência de ateus pró-vida, por exemplo). Não é difícil de notar que a humanidade se encontra cada vez mais dependente do Estado para ser amparada, e isso não é sem motivo: o particular se eximiu da responsabilidade por seus semelhantes já a tempos; esqueceu que viver em sociedade acarreta em certas obrigações, certas caridades. Quando a liberdade pura e simplesmente se torna a palavra de ordem, a tendência é a destruição. Essa é sua expressão política mais evidente, como nos ensina Hegel. E o crescente hedonismo, amparado na cada vez maior subjetivação de qualquer senso de moralidade, é reflexo dessa moderna busca pela mais ampla e irrestrita liberdade, que não quer conhecer qualquer ordem que seja. O grande problema da esquerda não está em suas críticas, mas em suas soluções.

Temos nesse grupo político uma tendência clara de, ao invés de tentar reverter o processo de desmoralização, uma de aprofundar o processo. Isso tem um objetivo claro: acelerar o processo revolucionário. Quando há empatia entre as classes, aquela que está abaixo economicamente sente-se amparada, sente que pertence ao todo, sente-se respeitada: vê não só que pode esperar ajuda, mas também que pode ascender e não será mal vista por isso. Quando há valores que transcendem o mero material, como a honra, a caridade, a coragem, a colaboração, é inevitável que o sistema se sustente. O capitalismo, em parte, completou seu ciclo nos Estados Unidos porque, até tempos atrás, o americano teve um espetacular senso de coletividade, mesmo não sendo em sua fundação o povo intelectualmente mais brilhante de sua época: pelo contrário, em sua simplicidade percebia que a pessoa ao seu lado era um semelhante, com necessidades e limitações parecidas, que poderia precisar, a qualquer momento, de amparo. Uma sociedade saudável deve ter sempre isso em mente, que aquilo que transcende o mero material pode ser determinante em seu sucesso, em sua duração.

Mas se é tão simples, porque não se faz? Mais de dois séculos de uma cultura materialista não são revertidos do dia para a noite. Esse é só o primeiro dos empecilhos. Outro é que qualquer pessoa que pense em restaurar esses valores é um reacionário (que quer voltar atrás a roda da história), um moralista (ou UDNista, que é um xingamento bastante cômico também), perante os olhos dos demais. Porque esses séculos de desmoralização só se resolvem, para os progressistas, de uma maneira: distribuindo igualmente as riquezas. Pretende-se corrigir problemas de ordem transcendente com soluções do mundo material. Mas a pior de todas as dificuldades é que os próprios defensores dessa restauração estejam perdidos em sua causa, preocupando-se ou com frivolidades que em nada danificam o tecido social (como a união civil homossexual) ou defendendo discursos que são, sim, na prática, excludentes (ou elitistas, como diriam os esquerdistas). Já cheguei a ver gente criticar a Igreja porque ela quer restaurar seu antigo papel de zelar pelos pobres! Alguns chegam a dizer que isso é (pasme!) esquerdismo! Diante de um discurso tão tosco, tão mal preparado, tão descolado da realidade concreta, onde quer a direita chegar, principalmente quando compra para si os esteriótipos que a esquerda lhe joga?

Há certos políticos de esquerda que já temem a volta da direita, porque a esquerda está se mostrando sem uma solução viável, perdendo organização. É hora, então, de a direita afinar seu discurso: voltar junto ao povo (que possui um ideário bastante conservador), abandonar o discurso materialista (que não nos é típico, mas sim artificial), e pensar os problemas concretos que existem em nosso país. Voltemos, então, à realidade, diferentemente dos esquerdistas que ainda vivem seu sonho hollywoodiano.

Andy Warhol E O Capitalismo Pop

Artigo de Diogo Costa originalmente publicado no Capitalismo Para os Pobres. Para ler o artigo original, clique aqui.

Uma nova temporada de Arrested Development vai estrear no Netflix em maio. Ainda bem que o Netflix não sabe o quanto eu estaria disposto a pagar para acompanhar a família Bluth por mais 13 episódios. Pra falar a verdade, nem eu sei. Porque eu não tenho que fazer nenhum planejamento para ver se Arrested Development cabe no meu orçamento pessoal. Produzir e gravar uma série tem um custo milionário, mas o maior custo marginal de assistir uma série talvez seja o tempo gasto com a maratona de episódios.

Nenhum sistema econômico fez mais para garantir o acesso generalizado à arte e à cultura que o capitalismo. Ainda assim, a atitude default do artista é tratar o capitalismo como inimigo da arte e da cultura.

Andy Warhol foi uma exceção. Dizia que a característica mais fantástica dos Estados Unidos era que lá ”os consumidores mais ricos compram essencialmente as mesmas coisas que os mais pobres”. Warhol não apenas pintava o capitalismo. Ele também admirava o capitalismo e sua equalização do consumo:

Você está assistindo TV e vê uma Coca-Cola. Você sabe que o presidente bebe Coca, que a Liz Taylor bebe Coca, e aí pensa que você pode beber Coca também. Uma Coca é uma Coca e nenhuma quantidade de dinheiro pode te dar uma Coca melhor que aquela que o mendigo da esquina está bebendo. Todas as Cocas são iguais e todas as Cocas são boas. Liz Taylor sabe disso, o presidente sabe disso, o mendigo sabe disso e você sabe disso.

Na Europa, a realeza e a aristocracia comiam bem melhor que os camponeses – eles sequer comiam as mesmas coisas. Era perdiz para um, mingau para outro, e cada classe estava presa à sua comida. Mas quando a Rainha Elizabeth veio [aos Estados Unidos] e o Presidente Eisenhower comprou um cachorro quente para ela, estou certo de que ele se sentiu confiante que ela não poderia mandar entregar no Palácio de Buckingham um cachorro quente melhor que aquele que ele comprou para ela por talvez vinte centavos no estádio. Porque não existe cachorro quente melhor que um cachorro quente de estádio. Nem por um dólar, nem por dez dólares, nem por cem dólares ela poderia ter conseguido um cachorro quente melhor. Ela podia conseguir por vinte centavos assim como qualquer outra pessoa.

O capitalismo é capaz de realizar inclusão social em massa.

O governo brasileiro promete dar um vale de R$50 para os pobres consumirem cultura. Em comparação, Hollywood movimenta bilhões de dólares todos anos para que as obras dos artistas mais admirados de sua geração, como Martin Scorcese e Quentin Tarantino possam ser assistidos por Mark Zuckerberg e por Barack Obama e pela menina que acessa o Facebook da LAN house e pelo rapaz que lava carros no centro da cidade. Quem está fazendo mais pelos pobres?

Atores e cantores parecem viver uma tensão entre serem sustentados pelo capitalismo enquanto discursam contra o capitalismo. Andy Warhol, pelo contrário, acreditava que um grande empreendedor era também um grande artista:

Ser bom nos negócios é o tipo mais fascinante de arte. Durante a era hippie as pessoas menosprezavam a ideia de negócio – diziam “dinheiro é ruim” e “trabalhar é ruim”, mas fazer dinheiro é uma arte e trabalhar é uma arte e uma boa empresa é a melhor arte.”


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Perguntas socráticas para chatos em geral

Esta é uma pequena lista de perguntas didáticas para fazer quando estiver em alguma (des)agradável conversa com socialistas, feministas, eco-chatos, militantes do PCO e relativistas morais em geral.

"Um sistema de moralidade que é baseado em valores emocionais relativos é mera ilusão, uma concepção vulgar que nada tem de sólido ou verdadeiro."

1. Se todas as culturas são iguais, porque a UNESCO não organiza uma semana internacional do canibalismo?

2. Por que nenhum político até hoje prometeu melhorar a vida dos homens (em vez das mulheres)?

3. Se todas as crenças são igualmente válidas, como minha crença no absurdo desta máxima é rejeitada por aqueles que a propõem?

4. Já notou que nos últimos trinta anos temos ouvido falar que temos menos de dez anos para salvar o planeta?

5. Se um político é eleito pelos pobres porque promete eliminar a pobreza, cumprir com a promessa não destruiria sua base eleitoral? Não seria melhor para ele que o número de pobres aumentasse? Não parece um claro conflito de interesses?

6. Por que não haviam protestos com slogans anti-feudalismo sob o regime feudal? E sob o regime de Stalin, nenhum protesto anti-comunista? E sob o regime de Hitler, nenhum protesto anti-nazista? Numa sociedade livre e capitalista, protestos anti-capitalistas são lugares-comuns. Seria o capitalismo realmente o pior sistema?

7. Se os pobres nos EUA tem coisas que pessoas em outros países nem sonham ter, porque há movimentos querendo que os EUA sejam como estes outros países?

8. Se eliminar os intermediários reduz o preço das coisas, porque pagamos o governo para ficar entre nós e o mercado?

9. Por que uma enorme nuvem venenosa sobre  um vulcão é considerada magnífica, mas uma coluna de fumaça sobre uma fábrica é considerada feia e nociva?

10. Quantos protocolos de Kyoto são anulados por uma erupção vulcânica de tamanho médio?

11. Por que Hollywood glamouriza viciados em drogas, criminosos, socialistas e retardados? O que eles tem em comum?

12. Por que Hollywood sempre acha um lado bom em mau-encarados, mas nunca em homens de negócio? Quando foi o último filme que você viu exibindo um homem auto-confiante e ordeiro como um modelo?

13. Você saberia através da mídia que há mais abusadores entre professores das escolas públicas do que entre padres católicos? Por que então a Igreja leva a culpa e o Departamento de Educação não?

14. Por que a mídia faz questão de enfatizar que abusadores de menores são padres, mas evita falar que são pedófilos homossexuais? Quem eles temem ofender?

15. Por que aqueles que reclamam da civilização moderna não vivem fora do shopping center e não moem o próprio café com uma machadinha de pedra?

16. Se somos chamados de uma “sociedade do consumo” porque consumismos, porque não nos chamamos também uma “sociedade da excreção” já que todos nós fazemos isto? Além disso nós também dormimos, sonhamos, falamos, pensamos, inventamos, tocamos músicas, criamos filhos, sentimos dor, ficamos doentes e morremos. Por que não somos chamados de uma “sociedade da produção”, já que produzimos as coisas que consumimos? Quem inventa estes rótulos e com que propósito?

17. Se descrever terroristas como arautos da liberdade é justificado pelo princípio jornalístico da neutralidade, qual é o nome do princípio que justifica descrever as tropas americanas como estupradores e assassinos?

18. Por que fazer experiências com animais é cruel, mas fazer experiências em embriões humanos é algum tipo de compaixão?

19. Por que aqueles que dizem que não devemos interferir na natureza defendem a intervenção na Economia? Não é a economia também um sistema frágil onde uma mudança repentina pode engatilhar uma ação em cadeia devestadora?

20. A última crise econômica não é uma dessas reações em cadeia?

21. Não são os maiores problemas sociais de hoje o resultado da intervenção nos ecossistemas sociais?

22. Por que a bioengenharia é ruim e a engenharia social é boa?

23. Se Al Gore estiver certo e nosso consumo dos recursos do planeta é um problema moral, isto não torna o genocídio uma solução ética? E que tal uma fome artificial?

24. Se ser um vencedor na luta natural pela sobrevivência é egoísta, entrar em extinção te faz altruísta?

25. Já que os recursos do planeta são limitados, não seria o ápice do ativismo ambientalista parar de comer e morrer de fome?

26. Se os altos e baixos da economia são ciclos naturais, porque a queda é sempre culpa do capitalismo e a ascenção é sempre resultado da liderança de algum presidente?

27. Por que nunca há na mídia alguma história elogiando o capitalismo pelo boom da economia?

28. Já notou que aqueles que demandam “poder para o povo” também acreditam que o povo não pode fazer nada direito sem supervisão do governo?

29. Como exatamente a dependência ao governo aumenta o “poder do povo”?

30. Por que nunca há uma reportagem com o título “Programa do governo termina após alcançar seu objetivo”?

31. Por que tantos radicais anti-americanos vestem marcas americanas, ouvem música americana, assistem filmes americanos, e jogam videogames americanos em computadores projetados por engenheiros americanos?

32. Você conhece alguém que tenha pago mais imposto de renda do que deveria porque confia que o governo faz bom uso do dinheiro?

33. Já passou pela cabeça daqueles que acusam o 11 de setembro de ser obra do governo americano que uma conspiração do governo para matar milhares de pessoas também incluiria um plano para se livrar de fofoqueiros?

34. Finalmente, se todas as opiniões devem ser respeitadas, porque um esquerdista que discorda de um direitista é “mente aberta” e um direitista que discorda de um esquerdista é “alienado”?

 

Uma lista adaptada do artigo original de Oleg Atbashian, autor do Shakedown Socialism.
Confira o original em inglês aqui.

Querem fazer do joystick uma arma

Se o projeto de lei do senador Valdir Raupp (PMDB-RO) que torna crime fabricar, importar ou distribuir jogos de videogames ofensivos “aos costumes e às tradições dos povos, aos seus cultos, credos, religiões e símbolos” for aprovado muitos gamers vão se tornar criminosos, além de prejudicar a pequena indústria de games nacional, que vem crescendo nos últimos anos e gerando empregos diretos e indiretos

Valdir Raupp,autor do projeto de lei

O projeto de Valdir Raupp chega a ser autoritário e estúpido, uma vez que os jogos vendidos no Brasil vêm com classificação indicativa na capa. Se for para proibir jogos por serem “ofensivos” aos costumes e tradições dos povos, aos seus cultos, credos, religiões e símbolos, seria o mesmo que proibir filmes abordem esses temas. Exemplo: o filme ‘Inglourious Basterds’, de Quentin Tarantino, deveria ser proibido, pois mostra judeus sendo perseguidos e mortos por nazistas na Segunda Guerra mundial. Essa lei também fere o direito de livre expressão e escolha de cada cidadão. O Estado JAMAIS deve intervir nisso.

Eu por exemplo jogo videogames com frequência e gosto de jogos de ação, assim como filmes do gênero. E os jogos que são feitos hoje têm seus roteiros escritos por roteiristas de Hollywood. Talvez fosse melhor que o senador Valdir Raupp fizesse outro projeto de lei. Algo como uma redução na carga tributária sobre jogos de videogame (imposto sobre jogos de videogame são algo em torno de 70% do valor do produto).

Mais informações a respeito:

http://jogos.uol.com.br/ultimas-noticias/2012/02/17/lei-para-proibir-jogos-ofensivos-ganha-segundo-voto-favoravel-no-senado.htm