China, salários e a Revolução Industrial

No lado ocidental do globo, incluindo nas terras brasileiras, há a disseminação da ideia (que possui um fundo realmente verdadeiro) de que a China e seu povo são sinônimos de baixos salários e produtos falsificados, de baixa qualidade. Os famosos produtos fabricados na China, os populares “made in China” são conhecidos por terem baixa qualidade e, ainda por cima – e para o temor dos protecionistas, defensores da “indústria nacional” -, serem baratos, tendo os preços baixos por, também, serem produzidos por uma população que recebe baixos salários.

Os motivos dessa situação de trabalho degradante e  baixos salários, assim como paralelos com situações parecidas de outros países no passado serão abordados neste presente artigo.

China: passado e atualidade

Não é muito difundida no Brasil uma triste porém importante parte do passado recente chinês, conhecida como Grande Salto para Frente, iniciado entre 1957 e 1958. Talvez, por motivos ideológicos, pois o Grande Salto para Frente simbolizou, na prática, um “Grande Salto para Trás”, o que vitimou dezenas de milhões de pessoas, tanto por questões de governos autoritários quanto pela fome generalizada que tal postura criou. Essa política foi idealizada por Mao Tsé-Tung, provavelmente o nome mais importante do socialismo chinês.

Mao, filho de camponeses, foi estudar em Changsha, que é a capital da província de Hunan. Lá, conheceu ideias ocidentais, principalmente as nacionalistas. Em 1911, Mao participou do exército da Revolução de Xinhai, de caráter nacionalista e contrária às dinastias chinesas, e em 1921 participou da fundação do Partido Comunista Chinês, se tornando o chefe do partido em 1945. Nacionalistas e comunistas se uniram (parcialmente) na Segunda Guerra Mundial contra o Japão, mas logo após o término da guerra ambos se enfrentaram em uma guerra civil, vencida pelos comunistas em 1949. O partido ainda está no poder atualmente.

Com Mao no poder, se iniciou um processo de coletivização de terras, assim como um rumo da sociedade ao socialismo, e talvez na forma mais brutal possível. Os latifundiários, representantes do “inimigo” na luta de classes, foram perseguidos, expurgados e até mesmo exterminados. Posteriormente, proprietários de terra, não necessariamente latifundiários, tiveram o mesmo destino, e suas terras foram “socializadas” entre a população. A mesma situação passou a ocorrer nas cidades, sendo que prisões e até mesmo execuções sumárias ocorriam, além de trabalho forçado em campos de concentração, que também podem ser descritos como “campos de morte”. A estatização das indústria se intensificou, assim como o número de mortos.

Então, Mao deu mais um passo em direção à centralização, e passou a ditar o que, como e quando deveriam plantar, ou até mesmo se a pessoa deveria trabalhar na agricultura ou na indústria, e o igualitarismo econômico foi levado ao pé da letra. Toda a produção nacional entrou em desequilíbrio, já que estava totalmente sob os caprichos de burocratas inescrupulosos do governo. Uma determinada intervenção estatal, conforme Ludwig von Mises demonstrou, desequilibra a economia em um determinado ponto. Assim sendo, em nome do “bem comum”, o governo novamente entra em ação, gerando um novo problema, e assim sucessivamente. Mao “se identificava” muito com essa ideia, tanto que envolveu a própria natureza para prová-la, só que involuntariamente. Em 1958, iniciou a Campanha das Quatro Pragas – ratos, moscas, mosquitos e pardais.

Os três primeiros fazem até sentido, mas por que pardais? Porque pardais se alimentam, entre outras coisas, de sementes de grãos, e a sociedade estava caminhando rumo à fome generalizada. Pequenos pardais se tornaram uma ameaça ao poderoso regime chinês, e foram exterminados – assim como a burguesia, afinal, ambos eram uma “ameaça” ao regime. Só que os pardais não se alimentam apenas de sementes. Também se alimentam de insetos que atacam plantações, como gafanhotos. O resultado, evidente, foi um aumento na população de gafanhotos, que atacaram com ainda mais intensidade as plantações, agravando ainda mais a fome. Essas políticas econômicas intervencionistas intensificaram a Grande Fome Chinesa, de 1958 a 1961, descrita ridiculamente pelo governo como “Os três anos de desastres naturais”. Só de fome foram dezenas de milhões de mortos, e isso sem contar aqueles assassinados pelo governo em seus campos de concentração – afinal, dentro da triste mentalidade daqueles que estavam no poder, se estiverem mortos não irão se alimentar, sobrando mais comida para os demais.

Em 1961, o governo permitiu certa importação de alimentos, e alguns camponeses puderam ter suas colheitas privadas e terras particulares, assim como alguns mercados. A repressão econômica arrefeceu um pouco, mas não a política, que perdurou com o totalitarismo para cima de diversos segmentos da sociedade. Isso, entretanto, pelo menos foi suficiente para amenizar (um pouco) o problema da fome. A situação foi melhorando gradualmente até 1976, ano da morte de Mao.

A mudança mais racional economicamente

No mesmo ano de 1976, após a morte de Mao, cresce Deng Xiaoping, nome de um homem que era próximo de Mao nos primeiros momentos da revolução e importante dentro do partido e do país (secretário-geral e vice-presidente, respectivamente). Perdeu o prestígio e passou a ser perseguido por ser mais pragmático (ou menos autoritário, no caso), o que incluiu até prisão domiciliar. Com a morte de Mao, Xiaoping consegue se tornar o novo líder em 1978.

Toda a abordagem sobre as políticas de Mao no presente artigo tem uma explicação: até meados do século passado, em um momento não (tão) distante, a China não era simplesmente um país pobre. Era um país em que dezenas de milhões de pessoas morriam por inanição, sendo milhões todos os anos. O PIB per capta chinês, em 1962, era de US$ 70. Ou seja, cada chinês produziu, em média, 70 dólares naquele ano, o que não dá nem US$ 6 por mês. O Brasil, em 1965, teve um PIB per capta de US$ 258, e a maioria dos países do Oeste Europeu, livres da União Soviética, possuíam no mínimo US$ 1 mil, contra metade dos soviéticos.

Com Deng Xiaoping, aberturas econômicas e diplomáticas abrem um novo caminho para a economia chinesa. O país em que milhões morriam de fome todos os anos estava mudando. Em 1978, o PIB per capta foi de US$ 155 (nominais), contra US$ 1.729 do Brasil, e os países do Oeste Europeu já estavam na casa dos US$ 10 mil. Com a possibilidade de criarem pequenos novos empreendimentos próprios, os chineses passam a experimentar um crescimento quase que exponencial. O detalhe é que essa transição ocorreu da maneira descentralizada, com os municípios tomando as rédeas, e não com o governo central dizendo o que deveria ser feito; ele apenas autorizava. O próprio Deng Xiaoping afirmava que não eram feitos do governo central.

Em 1988, dez anos depois, o PIB per capta chinês mais do que dobrou, indo para US$ 364. O do Brasil estava em US$ 2.270, e muitos países europeus já haviam passado da casa dos US$ 20 mil. Já em 1998, novamente passados dez anos, o PIB per capta chinês mais do que dobrou novamente, indo para US$ 817, enquanto o brasileiro estava em US$ 4.983 e as economias tradicionalmente mais liberais, como a americana, a britânica e a suíça, variando entre US$ 25 mil a US$ 38 mil dólares. Em 2008, o chinês já estava em US$ 3.404, o brasileiro, em US$ 8.721, e os países tradicionalmente liberais com mais de US$ 40 mil dólares, e com a Suíça com mais de US$ 60 mil.

Acumulação de capital e Revolução Industrial

Essas informações ajudam a entender a situação da sociedade no início da Revolução Industrial, parecida com a chinesa em muitos aspectos. O que é de conhecimento geral é que o padrão de vida da população britânica na época era muito ruim, principalmente se comparado com os padrões atuais. A divergência, por sua vez, existe no entendimento da situação: para alguns, é porque faltavam leis que forçassem que os donos das indústrias pagassem maiores salários, ou, na visão ainda mais socialista, porque o capitalismo é um sistema inerentemente explorador e que degrada a condição de vida do trabalhador.

Enxergar a situação assim é começar a “contar a história” pela metade. Primeiramente, a população britânica não desfrutava de um padrão de vida bom antes da Revolução Industrial. Logo, apenas com essa informação e com um pouco de raciocínio lógico já se pode desmistificar que foi a Revolução Industrial e o sistema capitalista que degradaram a vida da população, pois antes dos mesmos as condições sociais eram ainda piores, então, evidente que não podem ser culpados por isso.

Substanciando a argumentação, a expectativa de vida ao nascer no século XVI, antes da Revolução Industrial, girava em torno de 35 anos. Todavia, isso não quer dizer que as pessoas faleciam em torno de seus 35 anos de idade, pois a expectativa de vida ao nascer é uma média. Como havia uma alta mortalidade infantil, a média vai para baixo, pois ao mesmo tempo em que muitas crianças faleciam cedo, adultos passavam dos 60 e alguns até dos 80 anos. Na Grã-Bretanha medieval, a expectativa de vida daqueles que conseguiam chegar aos 21 anos de idade era de 64 anos.

Sobre as crianças, na época, a cada mil crianças nascidas, 140 não completavam nem sequer seu primeiro ano de vida e cerca de 30% das crianças britânicas não completavam nem 15 anos de idade. A maioria foi vítima de febres, gripes, pneumonias, disenteria e varíola, doenças que por vezes atingiam até mesmo nomes importantes das monarquias europeias vigentes.

Também ocorriam acidentes fatais envolvendo o trabalho. Sim, crianças já trabalhavam antes da Revolução Industrial. Geralmente começavam aos 8 anos de idade. Mas isso não acontecia porque “faltavam leis” ou porque os pais eram maldosos. Acontecia porque a produtividade era baixa, então bens e até mesmo alimentos por vezes se tornavam escassos, o que resultava em grandes ondas de fome generalizada ao redor de não só da Europa, mas diversos casos ao redor do globo no decorrer da história, incluindo o caso chinês acima – o detalhe é que no século XX não houve nenhum caso de fome generalizada em tempos de paz nos países que adotam a economia de mercado e que não costumam distorcer muito a mesma; o mesmo, infelizmente, não pode ser dito daqueles que adotaram sistemas econômicos altamente intervencionistas e estatizados. Se mesmo com as crianças ajudando no processo produtivo esses tristes fatos ocorriam, imagine sem elas. Todavia, felizmente, a situação melhorou.

É claro que a situação começa a melhorar quando a propriedade privada e a economia de mercado (e principalmente a de livre mercado) passam a ser utilizadas, com atividades voltadas ao lucro e com salários e preços regulados pela oferta e demanda. Evidente que são melhorias graduais, afinal, a economia de mercado é tão somente um reflexo da sociedade, composta por compradores e vendedores; a economia capitalista responde aos anseios, habilidades e outras características gerais dos indivíduos que a preenchem, como se fosse uma ferramenta pronta para ser usada para diversas situações. Quando, quanto e principalmente como será usada se torna um longo e complexo processo.

O que se vê acontecendo hoje na China é um processo parecido com o ocorrido nos países que lideraram o processo da Revolução Industrial. É claro que o modelo chinês apresenta um governo que provoca sérias distorções em sua economia – o uso de cimento para a construção de diversas instalações em apenas dois anos equivaleu ao uso de um século do mesmo produto pelos Estados Unidos, o ícone do consumismo que aterroriza a esquerda e os ambientalistas. Mas as mudanças que a economia chinesa enfrentou a partir da segunda metade do século XX já servem para desmistificar a alegação de que os salários sobem e/ou precisam subir com canetadas do governo.

Recentemente, os suíços rejeitaram nas urnas com 76% dos votos aquele que seria o maior salário mínimo do mundo, de CHF 22 (francos suíços) por hora, equivalente a R$ 54,58 na época, que totalizariam CHF 4 mil por mês, ou seja, quase R$ 10 mil por mês. A proposta, idealizada pelos sindicatos e por partidos de esquerda, tinha como objetivo fazer com que mais pessoas “tivessem uma vida digna”, distribuição de renda e igualitarismo econômico. De início, por exemplo, seria difícil a mesma rejeição ocorrer no Brasil, tendo em vista que o povo suíço, como demonstrado, entende muito mais de salários, desemprego e economia que o brasileiro: o principal argumento é que tal medida elevaria os custos de produção e desemprego. Ademais, atualmente a Suíça, assim como outros países europeus, não possui um salário mínimo aos moldes existentes no Brasil, por exemplo. Os salários são definidos em negociações entre empregadores e empregados, além de convenções coletivas. E, apesar da retórica de “exploração” da esquerda, nem 10% da população economicamente ativa recebe menos do que o salário proposto. Ou seja, mesmo sem uma política de salário mínimo, praticamente 90% dos trabalhadores já recebiam um salário superior ao proposto, e isso contando com o fato de a Suíça possuir um dos melhores padrões de vida do mundo e uma das mais sólidas economias europeias, diferente de países europeus mais assistencialistas, que, apesar de gastarem mais para a benesse de seu povo, estão um pouco longe de apresentarem os mesmos resultados que os suíços.

A formação dos salários é como a de um preço qualquer, analisando friamente. Claro que são utilizados para o consumo e que alimentam o sistema, mas sua formação é igual à remuneração de outros fatores de produção. Não há nada de mágico e/ou especial que possa fazer com que os salários estejam acima de seu preço de mercado sem causar problemas econômicos, mesmo com todos os apelos emocionais característicos da retórica marxista.

Quando um salário mínimo, que também é um preço, está sobreprecificado, ou seja, acima do seu nível de mercado, surge um problema de desemprego. Isso ocorre porque os custos aumentam, os empregadores ganham um incentivo para utilizar meios alternativos mais baratos do que contratar novos trabalhadores, e aqueles já empregados correm o risco de perderem o emprego em decorrência do aumento dos custos. O movimento natural de mercado seria a redução da demanda e aumento da oferta de trabalhadores, o que diminui os salários novamente, tornando-os atrativos. Todavia, como a nova legislação proíbe salários menores, os salários não cairão e surge um desequilíbrio, na forma de desemprego. Os suíços entendem isso, algo que os keynesianos não, pois “o aumento nos salários aumenta o consumo e revigora todo o sistema econômico…”

Sobre a China, graças ao aumento na produtividade, os aumentos nos salários estão ocorrendo. Ainda estão abaixo do Japão, economia muito mais pró-negócios e também o antigo representante dos produtos baratos oriundos da Ásia. Entretanto, estão aumentando, gradualmente, como a realidade econômica impõe.

Conclusão

Longe de defender o atual arranjo socioeconômico chinês, autoritário e que gera graves distorções. Porém, inegável que a flexibilização ocorrida nas últimas décadas possibilitou que aquele país que possui mais de 1 bilhão de pessoas pudesse galgar novos patamares para o padrão de vida de sua população.

Essa flexibilização demonstrou mais um caso claro de um país que vivia uma situação até mesmo pior do que aqueles que lideraram a Revolução Industrial nos séculos passados e que conseguiu melhorar. Com as mudanças e melhorias econômicas, os salários e o padrão de vida aumentaram, e é importante ressaltar essa ordem. Primeiro, houve mudanças econômicas, já que a economia passou a usar alguns princípios de mercado. Depois, com as melhorias econômicas, e só então, surgem os aumentos salariais. Mudar essa ordem no desenvolvimento econômico é, como no jargão popular, colocar a carroça na frente dos bois.

Infelizmente, o povo brasileiro carece de compreender esse fato. Em greves neste ano de 2014 houve casos em que os grevistas protestavam por reajustes de 30%, no mínimo. Tivesse o faturamento das empresas aumentado em 30%, ainda assim um reajuste de 30% seria algo questionável. Mas se a receita da empresa tem um aumento longe de 30%, qual a justificativa de um aumento dessa magnitude? Ou então o caso da greve dos engenheiros e arquitetos da prefeitura do Rio de Janeiro, em que pediam um aumento no piso salarial que já era de R$ 4.700, valor muito acima daquele que os pagadores de impostos que os sustentam recebem. Interessante essa noção de justiça social. O aumento dos salários por meio da redução dos lucros, dentro do raciocínio de luta de classes, é completamente justificável para os sindicatos. E o aumento dos salários que são pagos por meio dos impostos que os trabalhadores do setor privado pagam, e que muitas vezes recebem menos do que aqueles que ajudam a sustentar, também o são? Definitivamente, o povo brasileiro precisa aprender algumas coisas com o povo suíço.

O problema administrativo das Universidades Federais

Ao legitimar a greve dos professores das universidades federais, muitas tem sido as alegações falaciosas. A que mais me chamou atenção é a de que os professores estariam lutando pela melhoria das condições de trabalho, e não apenas por salários ou carreira. Besteira. Usarei a UFPR como exemplo.

Prédio Histórico da Universidade Federal do Paraná

A verba destinada, anualmente, à UFPR, é de R$ 822.326.481. Pouco mais de R$ 589 milhões são destinados ao pagamento de funcionários e professores, e o restante (R$ 233 milhões) é destinado ao que chamam de despesas com custeio e capital. Descontados os encargos sociais, restam R$179.660.230,00 a serem divididos em três grandes setores: Emendas Individuais e Bancada (R$ 11.850.000,00), Benefícios e Sentenças Judiciais (R$25.050.333,00) e Manutenção das Atividades da Instituição (R$ 142.759.897). Apenas o último grupo nos interessa, já que é o único ponto em que a administração realmente possui algum controle ou liberdade de atuação.

Desse último grupo, aproximadamente 50 milhões são gastos com a política do REUNI, obrigatórios para manter o recebimento de verbas. Mas é interessante o resto dos gastos. Apenas R$400.000,00 são destinados para a construção e manutenção de laboratórios, enquanto mais de 7 milhões são destinados a obras, em um cenário em que existem salas sobrando. Foram construídos, nos últimos dois anos, 5 prédios (isso mesmo, cinco novos prédios) dentro do Campus Politécnico, enquanto existiam salas sobrando. Enquanto os laboratórios estavam em condições lastimáveis, alguns não resistindo até mesmo a chuvas. Mas o campus torna-se uma cidadezinha, pelo menos. Não me espantará o dia em que inaugurarem um viaduto para desafogar o trânsito do campus.

Um dos prédios em construção na UFPR

Agora, comparemos o orçamento anual da UFPR com o de uma universidade qualquer. Harvard. O orçamento anual da melhor universidade do mundo é de US$ 2,8 bilhões, em média, o que, em reais, constitui 5,6 bilhões. A melhor universidade do mundo tem um orçamento médio apenas seis vezes maior que o da UFPR. Isso cometendo o injusto de converter a moeda, já que se Harvard arrecada em dólares, também gasta em dólares. Mantendo a paridade, o orçamento médio anual da melhor universidade do mundo é de apenas três vezes maior do que da UFPR, sendo que US$ 800 milhões, em média, provém apenas de doações.

Harvard Business School

Com um investimento desses, podíamos esperar uma universidade de ponta. Mas a administração interna das universidades não colabora. E os alunos, no momento de cobrar o reitor, de fiscalizar (os dados estão na internet para todos da comunidade verem), não existem. Apenas no momento de fomentar a baderna dos sindicatos. Não resta dúvida sobre a idoneidade dos últimos, imagino. Nem sobre a dos estudantes grevistas. Os professores, reza a lenda, estão mais do que satisfeitos com a proposta. Uma minoria não permite. Minoria radical, revolucionária. O objetivo da greve é a greve em si. Um sequestro do nosso sistema de educação superior para interesses sectários. Melhorias na estrutura e condições de trabalho? Isso se cobra do reitor. O resto é baderna.

Todos os dados (Planejamento orçamentário de 2011) estão disponíveis em: http://www.proplan.ufpr.br/home/CPCO/arquivos/PropostaOrcamentaria2011pagina.pdf

Porque a greve no setor público não deve ser um direito

Vivemos o auge da social-democracia. “O auge?”, você pergunta. Eu digo que sim. O auge. O auge da insolvência, da imoralidade. Mas o auge, sim, da social-democracia, já que nada além disso podia se esperar de um sistema que muito promete a uns às expensas de outros. Até que os “outros” sejam insuficientes, e as medidas geniais aparecem: endividamento, impressão descontrolada de papel moeda, etc. Soluções mágicas, no governo mais próximo de você.

Impressão de dinheiro – O real símbolo da social democracia

Nesse mesmo cenário, houve uma evolução dos direitos sedimentados pelos liberais, e os direitos individuais passaram a sociais, difusos. A chamada, por Bobbio, Era dos Direitos. Nada contra, afinal de contas, é interessante analisar essa expansão dos direitos por um ponto de vista que busque uma coesão social. O direito à informação, à preservação do meio ambiente (sem radicalismos eco-terroristas, é claro), essenciais a um ambiente democrático.

Mas nesse mesmo cenário, direitos esdrúxulos aparecem. Um tal de Cristovam Buarque, conhecido ingênuo esquerdista, propôs até mesmo positivar na constituição o direito de ser feliz. Imagino a onda de depressivos movendo uma ação civil pública contra o Estado, exigindo sua indenização por não ter um direito “de classe” (quem sabe até com direito a sindicato) tutelado. A obrigação por parte do Estado de garantir que a felicidade jamais seja retirada de uma classe de infelizes. É claro que aqui uso um exemplo absurdo (Até porque imagino que na verdade se tenha confundido com algo já existente: O direito de buscar a felicidade existente na Declaração da Independência das 13 Colônias, e que se desdobra em inúmeras consequências que não cabem ser tratadas aqui). Em meio a essa manada de direitos (no Brasil pouco importa a eficiência e a aplicabilidade dos direitos, então compensamos com o grande número) existem alguns que, por estarem já enraizados em nosso meio, já não parecem tão surreais.

Greve dos professores

Um deles é o direito à greve, mais especificamente no setor público (já que no privado nada pode impedir que trabalhadores se organizem; e talvez sejam demitidos por isso, mas não vem ao caso). O setor público é sustentado com o dinheiro do contribuinte. Em geral é um sistema deficitário, já que no Brasil não existem muitas empresas governamentais voltadas ao lucro (o que em outros países é comum). Tendo isso em vista, o único retorno que os impostos devem trazer, no caso, é o serviço bem executado (ou pelo menos executado, já que eficiência não é o lema de nosso sistema público). A conclusão é simples: o sistema público não deve, em hipótese alguma, parar.

No Brasil, o sonho de muitos, assim que entram na universidade, é prestar concurso para integrar o corpo de servidores públicos. Não para servir o povo, como sugere o nome, mas em busca da estabilidade que o setor, em tese, oferece (em tese pois os salários dependem do cargo, e em alguns o salário é baixo). Oferecendo um serviço bom, não há nada de errado em pessoas buscarem, ao servir o povo, um bom salário e, também, nessa empreitada, satisfazer seus interesses pessoais. Não se espera que a pessoa vá ao sistema público por puro altruísmo. Existem casos, mas são raros.

O caso mais recente de insatisfação, e que tem ocupado espaço nos noticiários, é o dos professores das universidades federais. A greve já se estende por dois meses, com duas propostas de aumento do governo federal. Aumentos respeitáveis, diga-se de passagem. Não concordo com a extensa greve, e para isso destacarei alguns pontos:


I – O Salário é definido em Edital

Podemos começar com o fato que o salário inicial é dado, e ninguém é obrigado a prestar o concurso. A carreira acadêmica deve ser incentivada? É claro. Mas o salário em edital é baseado nos recursos destinados ao setor em questão. Em outras palavras, é o que o governo, em tese, pode oferecer.

II – A universidade é um ambiente de pesquisa

Muitos reclamaram das propostas pois elas beneficiam mais os doutores do que os mestres. Em um ambiente que objetiva o desenvolvimento da ciência, não poderia ser diferente. Assim estimula-se que os professores busquem se aprimorar cientificamente, realizando doutorados e contribuindo para o aumento no número de patentes.

III – A universidade é mantida com o dinheiro dos contribuintes

Como consequência, ela deve estar formando para o mercado de trabalho, para a carreira acadêmica e contribuindo para com o futuro do país. Independente do que aconteça. É isso que se espera de onerosas instituições: que deem o retorno à sociedade em forma de tecnologia e ciência.

Muitos podem pensar que sou a favor das condições precárias que acometem as universidades federais. Ledo engano. O governo tem sua parcela de culpa: o valor investido nas universidades poderia oferecer uma estrutura muito melhor do que a existente. Parcerias com o setor privado deveriam ser buscadas para um maior desenvolvimento do setor (mas isso apavora os lunáticos do DCE e professores adeptos ao comunismo dinossauro). Não julgo correto que os salários dos professores se mantenham congelados por tempo indeterminado, também: nesses casos, a justiça deveria se incumbir de indenizar, além de que o governo deveria ser mais claro no que tange os reajustes.

Mas agora, volto ao que abordei ainda no primeiro parágrafo desse texto: vivemos um sistema que está à beira da bancarrota. Uma crise se alastra e, cada vez mais, arrisca atravessar o atlântico para provar que, diferente do que disse Lula, não é só uma “marolinha”. Já sentimos seus impactos na inflação, tão temida pelos professores com relação aos aumentos (que, sinceramente, foram respeitáveis). Enquanto os governos do mundo precisam se adaptar fiscalmente, aumentar suas responsabilidades no que tange os gastos, os professores do ensino público desejam um aumento surreal. Quem sabe possamos imprimir milagrosamente o dinheiro que os professores e os sindicatos desejam. Então, num passe de mágica, entraremos de cabeça na crise, que demanda o corte de gastos. Mas sempre podemos nadar contra a correnteza. Os tempos de Sarney não nos ensinaram nada.

Nada de novo …

Hoje no programa de Milton Parron na Rádio Bandeirantes a principal pauta era a greve dos agentes da Anvisa, que acabou fechando o Porto de Santos. Milhões de reais em prejuízo se acumulam enquanto os agentes reivindicam maiores salários, mas esses agentes ao fazer greve se esquecem do principal dever de um funcionário público: servir o povo e não servir-se dele. Assim como muitos políticos, esses agentes estão pensando muito mais neles do que na população, que irá pagar duas vezes pela greve (com os prejuízos e o eventual aumento de salário da categoria). Milton Parron também comentou da greve dos professores das instituições de ensino federal, essa já conhecida por muitos, mas ignorada por alguns (justos aqueles que não deveriam ignorar). Parron questionou o que Aloizio Mercadante, ministro da educação, estava fazendo em Londres, enquanto os alunos estão há mais de 3 meses sem aula.

Mas o melhor momento do programa foi a participação por telefone do jurista Ives Gandra Martins, que conseguiu sintetizar bem toda essa situação de greves no setor público. Ele comenta que greves são muito comuns em períodos eleitorais e critica duramente esses servidores públicos que parecem viver uma outra realidade, pois se esquecem que o mundo vive uma crise financeira, os países europeus vem cortando gastos sociais, diminuindo salários e etc. Mas só aqui no Brasil os funcionários públicos acreditam que tudo vai bem, como eu já havia dito em outra postagem e o Ives Gandra comentou hoje: nosso PIB dificilmente irá passar de 2%, mês a mês a previsão dele cai.

Os funcionários e servidores públicos têm que entender que eles são “servos” da população e tem que aceitar os salários que são disponíveis. Caso queiram ganhar mais eles deveriam ir para o setor privado e serem empreendedores. No Brasil é muito comum ver pessoas prestando concurso público não para servirem a população, mas sim por causa da estabilidade e das benesses que a carreira traz.

Muito pouco do que foi dito nesse texto é novidade para você leitor, que até deve estar cansado desse assunto, mas o interessante é ver as causas sendo ditas e não apenas as consequências de um problema.

Greve nas federais, um breve resumo

Estão em greve 70% das universidades federais e os motivos são sempre os mesmos, falta estrutura, salários baixos, motivação mais baixa ainda e etc. Durante o governo Lula e a campanha eleitoral da Dilma o governo federal se gabou de ter aumentado o número de universidades no país, fez disso um chavão eleitoral que rendeu votos e atraiu alguns incautos e o resultado está ai, alunos sem aula, professores descontentes e reclamações a mil.

Esse vídeo mostra um pouco a situação de uma dessas novas federais, mas que tende a repetir-se nas outras.

Vendo a situação dessa UF, fica claro que muitas universidades foram inauguradas as presas (por que será né?), outro ponto é a alta evasão escolar, muitos alunos entram, mas poucos continuam devido a falta de recursos das instituições. Na Universidade Federal do ABC, que não está em greve, mas continua sendo um gigante canteiro de obras, mais de 40% dos alunos que entram, acabam saindo do curso devido à falta de estrutura e professores. O governo federal construiu inúmeras universidades, mas não terminou as obras, fizeram tudo as presas, muitas delas são apenas esqueletos ou figuração, pouco tem produzido aos alunos e até ao próprio país.

Nas eleições durante o debate, uma professora perguntou como a então candidata Dilma Rousseff pretendia cuidar da educação, veja a baixo.

Agora como presidente eleita, Dilma Rousseff, age de forma bem diferente, pois a greve está ai já um bom tempo e não tem sido nada feito, para piorar a mídia mal noticia essa situação e aponta a raiz do problema.

Da água para o vinho,ou whiskey

Quando Jaques Wagner era deputado federal fez um discurso em setembro de 1992 no Congresso, onde apoiava a greve dos PM baianos que acontecia na época e criticava o então governador Antonio Carlos Magalhães por cobrar uma punição aos militares revoltosos. Mas o engraçado é que hoje, governador, Jaques se mostrou contrário a greve da PM baiana e puniu os policiais que aderiram à greve.

Créditos ao jornalista Mário Kertész da rádio Metrópole

Sem polícia

Depois da Polícia Militar da Bahia entrar em greve, as Policias Civil, Militar, o Corpo de Bombeiro e outros servidores públicos do estado do Rio de Janeiro também entraram em greve reivindicando melhores salários e condições de trabalho, justamente às vésperas do Carnaval. Desse modo colocam o governador Sérgio Cabral (PMDB) na mesma berlinda que Jaques Wagner (PT), uma vez que Rio de Janeiro e Salvador são cidades referências no carnaval brasileiro. O medo de arrastões, assaltos e outros crimes fazem com que os comerciantes fechem suas portas, logo os turistas amedrontados tendem a escolher outros destinos e a população fica a mercê de sua própria sorte.

De acordo com a Constituição Federal, militares não podem fazer greve. Porém, o salário desses homens é baixo perto do risco que eles enfrentam (o que não justifica a greve), e o pior foi o Governo Federal anunciar o corte de 1,03 bilhões de reais nas verbas de segurança pública enquanto a presidente Dilma Rousseff critica as greves. Porém ela esquece que o partido dela, o PT, quando era oposição adorava fomentar greves em datas “criticas”. Aliás, o partido que está por trás da greve na Bahia e tem parte na greve do Rio de Janeiro é o PSOL, formado por antigos membros do PT.

A bandeira vermelha denuncia: tem agitador político no meio.

Bom caro leitor, agora que você está inserido no assunto vou abordar uma questão que as greves trouxeram: sem policiamento estamos totalmente vulneráveis aos criminosos. Mas isso não ocorreria ou teria menor efeito caso boa parte da população tivesse armas em casa para a sua legítima defesa. Essas greves, além de denunciarem as péssimas condições de trabalho e salário dos policiais e o descaso do Governo Federal com a segurança pública, também nos alertam sobre o risco que é a segurança ficar somente nas mãos do Estado, ainda mais quando esse Estado dificulta o direito de um cidadão portar legalmente uma arma de fogo. Nos Estados Unidos, o direito de portar armas de fogo está na segunda emenda da Constituição, inclusive é uma clausula pétrea

 Sendo necessária à segurança de um Estado livre a existência de uma milícia bem organizada, o direito do povo de possuir e usar armas não poderá ser impedido.

 
Enfim não podemos deixar nossa segurança e até vidas sob monopólio do Estado. Devemos ter o direito de legitima defesa. Pois, se somos livres, temos que ser livres para nos defender também.

Links uteis:

http://pelalegitimadefesa.org.br/nblog/?cat=35
http://www.facebook.com/campdoarmamento