A Grécia do Brasil?

O estado do Rio Grande do Sul vem passando por apertos financeiros graves. Tal caso é um exemplo claro de irresponsabilidades administrativas que perduram por décadas, e que agora estão explicitados para toda a sociedade brasileira.

O governo de José Ivo Sartori (PMDB) chegou ao ponto de anunciar o adiamento do pagamento dos salários de julho dos servidores públicos, medida que gerou inquietação popular. Contudo, inegável que já recebeu em suas mãos uma situação fiscal ruim decorrente de grandes irresponsabilidades de seu antecessor, Tarso Genro (PT), o qual foi eleito após o governo de Yeda Crusius (PSDB), que havia conseguido três superávits em quatro anos de governo.

Mas como o estado chegou nessa situação?

O funcionalismo público e os seus benefícios bateram na porta do Rio Grande do Sul – há um bom tempo, inclusive. O governo gastou mais do que arrecadou em 37 dos últimos 44 anos, se endividando exponencialmente. A dívida cresceu 27 vezes entre 1970 e 1998 e, como será abordado em frente, o funcionalismo é o principal responsável pelo aumento. Mensalmente o estado gasta 22,5% a mais do que arrecada, resultando num déficit mensal de R$ 400 milhões de reais. Esse déficit construiu uma dívida que hoje é de R$ 61 bilhões de reais, mais do que o dobro da arrecadação anual.

Espantosos 75% da receita do estado são gastos com servidores ativos, aposentados e pensionistas. Os gastos com folha saltaram de R$ 8,5 bilhões em 2005 para os R$ 24,7 bilhões previstos para 2015, um aumento de 190%, sendo que a inflação acumulada medida pelo IPCA entre janeiro de 2005 e junho de 2015 foi de “apenas” 79,5%, resultando num aumento real de mais de 130%.

Sob o ponto de vista do trabalhador, um aumento real de 130% em dez anos é interessantíssimo, e se opor a isso logo de cara é algo a ser considerado “elitista” por segmentos da sociedade, principalmente socialistas. Todavia, algumas informações ajudam a entender que não são os trabalhadores que ganham salários mais humildes os responsáveis pela instabilidade financeira atual do estado e, portanto, cortes de gastos podem e devem sim acontecer para arrumar as finanças.

Somente no Executivo gaúcho 304 servidores receberam acima do teto de R$ 30,4 mil por mês – alguns, inclusive, chegaram a receber pouco mais de R$ 70 mil no mês de junho de 2015, e alguns procuradores inativos receberam mais de R$ 50 mil. 94% dos servidores que receberam acima do teto estão vinculados ou à Procuradoria-Geral do Estado (PGE) ou à, justamente, Secretaria da Fazenda. Tais valores são possíveis por meio de brechas jurídicas, e além da remuneração bruta, estão incluídos adicionais como abono de permanência, vantagens eventuais, parcelas indenizatórias e até gratificação paga a membros de conselhos. O total pago a essas 304 pessoas somou R$ 10,8 milhões somente em junho, o equivalente a 8.500 professores em início de carreira. Se os professores estão com problemas para receber já sabem de quem devem cobrar sua parte, até porque nem o governador do estado recebe tudo isso.

A distorção e o parasitismo são tão grandes que justamente os auditores fiscais estão entre os mais bem (super) remunerados com dinheiro público, os quais deveriam ser justamente um dos responsáveis pelo bem andamento das finanças públicas. Dos 1,1 mil auditores, 311 (28%) receberam o teto bruto, e 145 receberam acima por meio dos benefícios. Gilson Santini Procati (aposentado, diga-se de passagem) foi quem mais recebeu – R$ 59,8 mil bruto, sendo R$ 29,3 mil em forma de auxílio-creche e outros benefícios. O líquido foi de R$ 49,2 mil. A média bruta da categoria foi de R$ 26,9 mil, sendo que a média dos ativos, que representam 56,8% da folha, ficou em R$ 25,5 mil, enquanto entre inativos e pensionistas, o salário bruto médio é de R$ 28,8 mil. Em outras palavras, quem não está trabalhando está recebendo (ainda) mais do que quem trabalha.

Conforme trabalho do Zero Hora, as direções do Sindicato dos Servidores Públicos da Administração Tributária do RS (Sindifisco-RS) e da Associação dos Fiscais de Tributos Estaduais do RS (Afisvec) afirmaram que os salários dos auditores “são compatíveis com suas obrigações e responsabilidades”. Por meio de nota, as entidades ressaltaram que a categoria é responsável pela administração tributária e pelo “incremento significativo da receita do Estado nos últimos 10 anos, período no qual a mesma teve crescimento real superior a 50% da inflação”. Ou seja, o único trunfo apresentado foi que a sociedade gaúcha foi extorquida 50% acima da inflação nos últimos 10 anos, deixando implícito que isso justificaria o rombo que eles causam nas contas públicas.

A alta bagatela também se encontra em outros segmentos do setor público. As empresas estatais, por exemplo, se encontram na mesma situação. Para maio, alguns funcionários receberam quase R$ 60 mil. A Companhia Estadual de Silos e Armazéns – CESA pagou em média quase R$ 4 mil, valor pequeno se comparado a outros salários, mas o suficiente para contribuírem para um déficit (que é regra histórica) de mais de R$ 25 milhões, sendo que possui apenas pouco mais de 300 funcionários. A CESA será vendida conforme proposta para equilibrar as contas. Por sua vez a Badesul, agência de fomento vinculada à Secretaria de Desenvolvimento Econômico, teve uma folha de mais R$ 2 milhões apenas em maio para 199 servidores, com cada um recebendo em média mais de R$ 10 mil.

A Superintendência de Portos e Hidrovias (SPH) contou com uma folha de R$ 5,6 milhões em maio. Desse valor, 75,4% foram para inativos. O órgão foi fundado em 1921 e é responsável pela administração dos portos de Porto Alegre, Pelotas, Cachoeira do Sul e Estrela. Em 2014 arrecadou R$ 9 milhões e apresentou déficit operacional de R$ 38 milhões, um déficit 322% maior do que as receitas. Os salários médios de maio, contudo, ultrapassam os R$ 6 mil.

Em junho, somente com coronéis da Brigada Militar (BM) foram gastos R$ 10,4 milhões, sendo que 96% deles estão aposentados. O salário médio dos apenas 21 da ativa foi de R$ 20,5 mil, e dos 476 inativos cerca de R$ 21 mil. O valor gasto com pagamento de coronéis inativos seria suficiente para bancar os vencimentos de 3,3 mil soldados, os quais protestaram recentemente pelo atraso nos salários, e também seria mais do que suficiente para pagar faturas de telefone da polícia rodoviária em atraso. A propósito, todos esses problemas enfrentados pelos servidores públicos do Rio Grande do Sul servem como alerta para aqueles que buscam no funcionalismo público as famosas “garantias e estabilidades”.

Uma justiça a ser feita: distribuição de recursos entre estados

Historicamente há um discurso no Sul e no Sudeste do Brasil sobre repasses de recursos com destino a outras regiões do Brasil, especialmente Norte e Nordeste. Tal fato levanta discussões todos os anos, principalmente em épocas de eleições, as vezes até mesmo deixando florescer sentimentos preconceituosos e não apenas debates bem embasados. O independentismo (popularmente conhecido como separatismo) sempre foi mais forte em São Paulo e ainda é no Sul por questões como a que será discutida em seguida. Por exemplo, houve a Revolução Farroupilha (Guerra dos Farrapos), a qual resultou na não reconhecida República Rio-Grandense, (1836-1845) e que foi inspirada na vitoriosa campanha da Guerra da Cisplatina (ocorrida entre 1825 e 1828 e que teve como êxito a retirada da Província Cisplatina do Império do Brasil), além dos movimentos separatistas ainda existem. Movimentos como o Movimento Rio Grande Livre República do Pampa defendem a separação do Rio Grande do Sul, o Sul é o Meu País defende a separação dos três estados do Sul e o Movimento República de São Paulo defende uma maior independência para os estados.

A política econômica do governo federal para transferir recursos entre os municípios e estados é feita por meio de arrecadação de impostos e repasses de recursos. Resumidamente, estados e municípios recolhem impostos para o governo federal e, ao mesmo tempo, recebem alguns recursos. A questão é que não faz sentido receber o mesmo que pagar (seria mais óbvio não cobrar e não repassar nada), portanto é claro que isso se torna um instrumento de redistribuição de recursos regional.

A tabela a seguir mostra o quanto cada estado pagou e o quanto recebeu do governo federal em 2013. Com essas informações é possível saber o saldo, ou seja, se o estado mais recebe recursos do que paga. Nos últimos anos, todavia, cada vez mais estados estão recebendo menos recursos do que repassam ao governo federal – eram 8 em 2009 e 13 em 2013.

Repasses recursos União

Em negrito estão destacados estados que recebem 75% a menos do que repassam, todos do Sul ou do Sudeste. São Paulo teve um “prejuízo” de mais de R$ 400 bilhões em 2013 em relação ao governo federal e aos outros estados. O Rio Grande do Sul, por sua vez, teve um de mais de R$ 40 bilhões – a dívida hoje é de R$ 61 bilhões, sendo R$ 50 bilhões justamente com o governo federal. Ou seja, são R$ 40 bilhões que saíram da economia do estado somente naquele ano e foram para algum outro lugar. Neste cenário, o qual ocorre todos os anos, fica fácil entender a indignação gaúcha.

Conclusão

O Rio Grande do Sul recebeu corretamente a fama de Grécia do Brasil. Os gastos do governo estadual nas últimas décadas garantiram benesses a muitas pessoas às custas dos pagadores de impostos daquela região, além de projetos desenvolvimentistas que buscavam o desenvolvimento a qualquer custo, o qual se manifestou em dívidas e mais dívidas. Agora, no longo prazo (sim, ele chega para aqueles que não morrem, diferente da posição de Keynes), a sociedade gaúcha está pagando a conta da realidade que se impôs.

Portanto, a há extrema necessidade dos cortes de gastos e austeridade de verdade do governo estadual, acabando com as benesses completamente desnecessárias descritas nesse artigo, por exemplo. Apesar da retórica socialista, na atual conjuntura é perfeitamente possível cortar muitos gastos antes de cortar cargos e benefícios para os mais humildes.

Entretanto, agora que as finanças estaduais estão indo de mal a pior seria interessante, por parte do governo federal, pelo menos espoliar menos o Rio Grande do Sul, o qual, ano após ano, é um dos que contribuem para o “desenvolvimento regional” de regiões mais pobres.

Ver também:
O terrorismo intelectual e os cortes nos gastos do governo
Um pouco de memória para a Semana Farroupilha

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Um pouco de memória para a Semana Farroupilha

Guerra dos Farrapos ou Revolução Farroupilha são os nomes pelos quais ficou conhecida a revolução de caráter republicano contra o governo imperial do Brasil na então província de São Pedro do Rio Grande do Sul. Há 177 anos, em 1835, surgia a República Rio-Grandense, estado este que foi independente por 10 anos tal qual a República do Texas (1836-1846) na América do Norte. O estado do Rio Grande do Sul ainda carrega na sua bandeira o brasão que ostenta o título de República e a tríade de valores “Liberdade, Igualdade, Humanidade” que inspirava os republicanos de 1835.

Seguindo o exemplo da Província Cisplatina e buscando fugir do caráter unitário do Império, o conflito se originou na política entre liberais e conservadores no que os primeiros buscavam maior autonomia para as províncias e os últimos buscavam uma maior centralização. O fato de o Rio Grande do Sul produzir mais para o mercado interno do Brasil do que outras províncias de economia exportadora complicavam ainda mais a situação dos gaúchos: seus principais produtos, o charque e o couro, eram altamente tributados. A concorrência com as Províncias Unidas do Rio da Prata estava desfavorável ao Rio Grande do Sul, pois seu produto chegava com preço maior no mercado interno e portanto perdia competitividade.

Por não ter sido jamais uma capitania hereditária no período colonial e ter seu território ocupado, desde o século XVII, por um sistema de concessão de terras a chefes militares, havia a capacidade de oposição militar ao fraco exército imperial na região. Os contatos comerciais além das fronteiras do império, como por exemplo com a Cisplatina (outrora parte deste), exibiam as vantagens de uma república para os caudilhos locais. Outro motivo a somar-se foi a imposição, por parte do Governo Imperial, de presidentes provinciais. Porém, as idéias republicanas já estavam presentes na região: houveram tentativas anteriores de criação de uma república, como as três vezes em que Alexandre Luís de Queirós e Vasconcelos proclamou a república no início do século XIX ou ainda a Sedição de 1830 organizada por João Manoel de Lima e Silva, entre outros.

“Farrapo” ou “farroupilha” era um termo originalmente pejorativo usado para referir-se aos sul-rio-grandenses vinculados ao Partido Liberal, oposicionistas e radicais ao governo central. Em 1832 foi fundado o Partido Farroupilha, que se reunia na casa do já referido major João Manoel de Lima e Silva. O restante da história todo gaúcho já sabe – mesmo que não em detalhes – e entende que se resume à luta pela autonomia e liberdade. A Semana Farroupilha, que corre do dia 14 de setembro, três dias depois da proclamação da República Rio-Grandense, a 20 de setembro, dia da declaração da guerra, deve ser não só um momento de refletir sobre a tradição e a cultura gaúcha, mas também sobre os valores que motivaram aquela luta e até hoje são meio deixados de lado não só no Rio Grande do Sul mas no país como um todo. Desejo a todos, desde já, uma excelente Semana Farroupilha!

O problema administrativo das Universidades Federais

Ao legitimar a greve dos professores das universidades federais, muitas tem sido as alegações falaciosas. A que mais me chamou atenção é a de que os professores estariam lutando pela melhoria das condições de trabalho, e não apenas por salários ou carreira. Besteira. Usarei a UFPR como exemplo.

Prédio Histórico da Universidade Federal do Paraná

A verba destinada, anualmente, à UFPR, é de R$ 822.326.481. Pouco mais de R$ 589 milhões são destinados ao pagamento de funcionários e professores, e o restante (R$ 233 milhões) é destinado ao que chamam de despesas com custeio e capital. Descontados os encargos sociais, restam R$179.660.230,00 a serem divididos em três grandes setores: Emendas Individuais e Bancada (R$ 11.850.000,00), Benefícios e Sentenças Judiciais (R$25.050.333,00) e Manutenção das Atividades da Instituição (R$ 142.759.897). Apenas o último grupo nos interessa, já que é o único ponto em que a administração realmente possui algum controle ou liberdade de atuação.

Desse último grupo, aproximadamente 50 milhões são gastos com a política do REUNI, obrigatórios para manter o recebimento de verbas. Mas é interessante o resto dos gastos. Apenas R$400.000,00 são destinados para a construção e manutenção de laboratórios, enquanto mais de 7 milhões são destinados a obras, em um cenário em que existem salas sobrando. Foram construídos, nos últimos dois anos, 5 prédios (isso mesmo, cinco novos prédios) dentro do Campus Politécnico, enquanto existiam salas sobrando. Enquanto os laboratórios estavam em condições lastimáveis, alguns não resistindo até mesmo a chuvas. Mas o campus torna-se uma cidadezinha, pelo menos. Não me espantará o dia em que inaugurarem um viaduto para desafogar o trânsito do campus.

Um dos prédios em construção na UFPR

Agora, comparemos o orçamento anual da UFPR com o de uma universidade qualquer. Harvard. O orçamento anual da melhor universidade do mundo é de US$ 2,8 bilhões, em média, o que, em reais, constitui 5,6 bilhões. A melhor universidade do mundo tem um orçamento médio apenas seis vezes maior que o da UFPR. Isso cometendo o injusto de converter a moeda, já que se Harvard arrecada em dólares, também gasta em dólares. Mantendo a paridade, o orçamento médio anual da melhor universidade do mundo é de apenas três vezes maior do que da UFPR, sendo que US$ 800 milhões, em média, provém apenas de doações.

Harvard Business School

Com um investimento desses, podíamos esperar uma universidade de ponta. Mas a administração interna das universidades não colabora. E os alunos, no momento de cobrar o reitor, de fiscalizar (os dados estão na internet para todos da comunidade verem), não existem. Apenas no momento de fomentar a baderna dos sindicatos. Não resta dúvida sobre a idoneidade dos últimos, imagino. Nem sobre a dos estudantes grevistas. Os professores, reza a lenda, estão mais do que satisfeitos com a proposta. Uma minoria não permite. Minoria radical, revolucionária. O objetivo da greve é a greve em si. Um sequestro do nosso sistema de educação superior para interesses sectários. Melhorias na estrutura e condições de trabalho? Isso se cobra do reitor. O resto é baderna.

Todos os dados (Planejamento orçamentário de 2011) estão disponíveis em: http://www.proplan.ufpr.br/home/CPCO/arquivos/PropostaOrcamentaria2011pagina.pdf

Entrevista com a Campanha do Armamento

O governo federal junto a ONGs vem fazendo inúmeras campanhas para desarmar a população civil com o pretexto de diminuir a violência, porém a população se opõe. A oposição da população foi comprovada no referendo de 2005 sobre o desarmamento onde mais de 63% dos eleitores votaram contra o fim a comercialização legal de armas de fogo. Porém o governo federal não sossegou e continuou fazendo campanhas pelo desarmamento e dificultando o acesso da população ao porte legal de arma, mas novamente a população se opõe, e uma forma de se opor e pelas redes sociais. A Campanha do Armamento é uma das formas de se opor e protestar contra o governo, a página da campanha no facebook já conta com mais de 6.500 likes e nós do Direitas Já conversamos com a equipe da Campanha do Armamento.

Direitas Já: Como surgiu a ideia de fazer a Campanha do Armamento?

Campanha do Armamento: Em primeiro lugar, obrigado pela oportunidade de falar sobre a Campanha.

A Campanha do Armamento surgiu como um contraponto de cunho irônico às campanhas do desarmamento impostas pelo Governo Federal ao povo brasileiro. Com a clara manifestação da vontade popular contra o desarmamento civil no Referendo de 2005, essas manifestações da administração pública se mostraram notadamente antidemocráticas e a movimentação social no sentido contrário era só uma questão de tempo.

DJ: O grupo tem líderes?

CA: A intenção da Campanha é dar o máximo de poder e liberdade ao povo, e isso só pode ser construído a partir de uma organização verdadeiramente democrática.

Eu (Lucas Silveira) tive a iniciativa da movimentação nas redes sociais em um primeiro momento, mas hoje a maior parte das publicações parte dos próprios membros que, de todas as regiões do país, enviam suas imagens, vídeos, matérias de jornais e outras contribuições.

A título de exemplo temos o nosso recém-criado canal no Youtube: os vídeos que postamos lá são feitos pelos membros e não pela organização da campanha.  Todos são convidados a participar. É melhor não falar em líderes, portanto, mas em mediadores.

DJ: No Brasil há um grande lobby de ONGs, governo e outros grupos para que se acabe com o direito de portar e comprar armas e toda essa propaganda está enraizada na maioria dos jovens. O que pode ser feito para mudar esse senso comum de que armas são perigosas?

CA: Se você observar nossas publicações encontrará argumentações de todos os gêneros: Temos publicações científicas de diversas fontes, inclusive do próprio Governo Federal, publicações argumentativas, de caráter meramente reflexivo, publicações humorísticas e irônicas e até publicações de teor artístico. Alguns membros já se dispuseram a fazer charges e até animações para reforçar o nosso posicionamento.

O melhor caminho para mudar a visão sobre as armas é o debate. Não importa o teor de qualquer forma de debate nos favorece.

DJ: O Grupo tem alguma preferência política?

CA: Nosso objetivo é agregar pessoas e esforços e jamais segregá-las. Procuramos nos manter afastados de partidarismos, especialmente na nossa relação com os congressistas.

EU (Lucas Silveira), pessoalmente, tenho meu posicionamento político, mas a Campanha do Armamento não pode tê-lo, sob pena de comprometer a sua causa.

DJ: Na página da Campanha do Armamento no facebook que vocês estão indo atrás de senadores e deputados questionando se eles são a favor ou contra o desarmamento. Como tem sido? Há políticos receptíveis a causa da campanha?

CA: Estamos entrando em contato com cada um dos legisladores federais do Brasil. Em um primeiro momento faremos isso pelo Twitter. Em seguida será feito por e-mail e por último, por telefone. Infelizmente a lista é muito grande, e estamos chegando apenas aos 20% do total de Deputados nesse momento, em seguida ainda faltarão os Senadores.

Até o presente o maior problema tem sido a omissão. Alguns congressistas preferem ignorar a pergunta ou, quando respondem, o fazem de forma evasiva. É um assunto muito polêmico, não para o povo, mas para a política intrinsecamente. Quem se coloca contra o desarmamento, necessariamente se posiciona contra o Governo Federal e favoravelmente ao povo. É preciso escolher, e nem todos têm coragem.

Felizmente existem exceções, e estamos muito satisfeitos em poder contar com o Dep. Rogério Peninha (PMDB/SC), que, em respeito a nossa manifestação se prontificou a apresentar um Projeto de Lei, e também com alguns outros parlamentares que, sem pestanejar, apoiaram nossa causa, como o Dep. Guilherme Mussi (PSD/SP), O Dep. Luis Carlos Heinze (PP), O Dep. Onyx Lorenzoni (DEM) e diversos outros.

DJ: Vocês têm algum apoio da indústria bélica ou lojas de armas?

CA: Hoje não temos nenhum tipo de auxílio financeiro dessas partes interessadas, todavia, esperamos que as indústrias brasileiras e as demais partes interessadas, sobretudo o cidadão brasileiro, logo se deem conta da importância da Campanha, e da necessidade do aporte de capital para que ganhemos ainda mais visibilidade.

Infelizmente e ainda não se sabe o motivo, a Taurus, que é brasileira e uma das maiores indústrias de armas curtas do mundo, fez doações a alguns políticos que se posicionaram favoravelmente ao desarmamento civil.

Estou certo de que com o crescimento da Campanha é inevitável que a Taurus se retrate com o consumidor brasileiro. Nos EUA, onde a Taurus também tem uma indústria, quem adquire uma pistola ganha uma filiação a NRA (National Rifle Association), não faz nenhum sentido que aqui no Brasil seja diferente.

DJ: Quanto a Campanha, existem projetos para levar ela além das redes sócias, por exemplo, realizando palestras e outras atividades para expandir o movimento?

CA: Nossa Campanha não é feita PARA as pessoas. Nossa campanha É cada uma dessas pessoas. Nós não precisamos convencer ninguém, pois as pessoas já se manifestaram: 60 MILHÕES de brasileiros não querem o desarmamento. Quase 64% dos eleitores.

Algumas pessoas ainda não se deram conta da magnitude da situação, então eu vou deixar claro: apenas a vitória, assim entendida como o respeito irrestrito à liberdade da legítima defesa, pode parar a Campanha.

O movimento nas redes sociais é uma parcela quase insignificante do que está por vir caso os nossos legisladores insistam em não revogar o Estatuto. Eles se esqueceram de que no Brasil, a Constituição Federal é clara: o poder emana do povo que o exerce diretamente ou pelos seus representantes, ora, se os representantes não representam de fato os anseios populares, o poder deverá ser exercido pelo povo, diretamente. Vamos até lá dentro do Congresso se for preciso, e vamos arrebatar nossa liberdade das mãos deles.

A manutenção do Estatuto não é uma opção.

DJ: Nos EUA, existe a NRA (National Rifle Association), eles seriam um exemplo para a campanha do armamento?

CA: Não exatamente. No Brasil o que temos mais próximo da NRA é o Movimento Viva Brasil, presidido pelo douto Prof. Bene Barbosa, a quem eu admiro muito e cujo trabalho pela legítima defesa no Brasil não tem precedentes. Quem puder se filiar ao MVB, não deixe de fazê-lo.

A Campanha do Armamento não tem a função precípua de ser algo tão organizado. Nosso objetivo é mover as massas, alertar o brasileiro para o direito que lhe está sendo negado e fazer com que ele manifeste a sua insatisfação publicamente.

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Conheça a Campanha do Armamento:

Site do Movimento Viva Brasil:

 

Guerra Contra as Drogas ( Parte 1) – A questão econômica

Dia após dia a esquerda brasileira tenta reforçar a idéia de que é necessária uma mudança na postura do Estado com relação à guerra contra as drogas. A velha forma de enfrentamento cai em descrédito a cada dia. Principalmente com as ações, tidas por muitos como bem-sucedidas, nos morros da cidade do Rio de Janeiro. Porém, mesmo em descrédito, ainda é o método mais utilizado no Brasil. Mas a questão deste texto não é esta. Tratar-se-á apenas da questão econômica envolvendo esta guerra.

Os gastos do Governo Federal em segurança pública não passam de 3,5% do orçamento. Nos governos estaduais ficam entre 10 e 15%. Analisando puramente o viés econômico, percebe-se que esta guerra custa muito aos cofres públicos. E gastos são financiados de duas formas: Através de impostos, ou através de emissão de dívidas. No final tudo acaba sendo pago é pelo contribuinte.

Cabe lembrar que, mesmo no Rio, onde não se realiza mais uma política de enfrentamento, e sim uma política de retomada dos morros com aviso prévio, os gastos são altíssimos.

Mediante legalização, grandes empresas entrariam no mercado. Ofereceriam produtos de melhor qualidade do que os oferecidos pelo traficante, e certamente, a um preço menor, visto que, com a proibição vigente, os preços são majorados. A legalização levaria, assim, a uma diminuição do lucro do tráfico, levando os traficantes a perderem espaço. O tráfico não acabará, porém os gastos para combatê-lo, com a diminuição de suas vendas, serão bem menores.

A legalização uniria, para os usuários, o útil ao agradável. Pagariam menos pela droga, receberiam um produto de melhor qualidade. Para os não usuários, a diminuição dos gastos com segurança pública, possibilitando o  remanejamento de recursos para outras áreas, além da possibilidade da diminuição dos gastos públicos, o que poderia levar a uma redução de tributos.

Frente a essas questões, fica uma pergunta: Estaria o contribuinte disposto a continuar pagando caro por esta guerra?

Talvez sim, talvez não. Talvez a pergunta a ser feita não seja esta e sim:
A questão das drogas é meramente econômica?