A Corrupção da Geografia: do pragmatismo à ideologia[i]

 

 

por Anselmo Heidrich[ii]

 

 

O pragmatismo que se avizinhava no pós-guerra, pela reconstrução dos países europeus e, do outro lado do Atlântico pelo avanço capitalista e tecnocrático não deixaria a Geografia isenta de sua cota de influência. Em um texto de discussão metodológica e histórica da disciplina, dois professores de Londres comentam:

“Não pretendemos, sem dúvida, sugerir tenha sido prematura a especialização. Ao contrário, foi natural e necessária. E sem o grande acervo de fatos que produziu, não se poderia ter esperanças de alcançar uma síntese geográfica satisfatória. As próprias explorações primárias ainda estavam por terminar quando Humboldt e Ritter redigiram sua obra. O interior da África não seria conhecido, até 1880, sem qualquer acepção que se possa ter, ao passo que uma grande parte da Ásia, sobre a qual escreveram os dois pioneiros, permaneceu, em essência, terra povoada de mistérios até que a desvendaram, na segunda metade do século XIX, os grandes exploradores russos, ao lado de Sven Hedin, Aurel Stein e Richthofen.

Mais importante para o futuro da Geologia, como da Geografia, terá sido, talvez, o trabalho inicial do Levantamento Geológico Americano, as explorações de Hayden e Powell no Oeste árido dos Estados Unidos. Exploração fundamental, quase satisfatoriamente cientifica quanto aos seus métodos, foi igualmente a da expedição do Challenger, empreendida de 1870 a 1873, que estabeleceu, pela primeira vez, a carta das profundidades dos oceanos e examinou, sistematicamente, as características e os movimentos das águas de superfície. Ela proporcionou também os dados para o primeiro levantamento geral satisfatório do clima dos oceanos. Humboldt percebera o valor das linhas isotérmicas e as utilizara, tanto quanto o permitiram os escassos dados então disponíveis. Foi Buchan, porém, meteorologista da expedição do Challenger, o primeiro a desenhar mapas mundiais de temperatura, pressão, etc., os ancestrais das cartas que nos são familiares, encontradas nos atlas modernos.

Igualmente importante para as últimas finalidades da Geografia foi a publicação, pelos Governos, do levantamento de mapas topográficos e geológicos desenhados em grande escala. A França e a Grã-Bretanha já estavam cobertas de mapas topográficos satisfatórios por volta de 1870, e o levantamento geológico primário de ambos os países encontrava-se bastante adiantado. Desenvolvimento paralelo ocorreu em outros países civilizados. O advento dos serviços meteorológicos, durante a segunda metade do século, assinalou o aparecimento da Meteorologia Sinóptica e da Climatologia Local pormenorizada. O crescimento do vulto das estatísticas oficiais sobre população, produção e comércio acrescentou maior soma de material à síntese geográfica em perspectiva, num grau que chegou a ser quase desconcertante.

À luz desse acervo de conhecimentos imensamente aumentado, a obra de Humboldt e Ritter se afigura, de um modo inevitável, desprovida do adequado equipamento. E a tarefa de seus sucessores parece acrescida a um nível quase impossível de atingir-se quanto à sua amplitude e à suas dificuldades. Os homens revelaram poderoso e persistente interesse pelo seu meio, tornando-se, sob múltiplos aspectos, mais conscientes do mesmo. No entanto, o modo de ser desse progresso parecia residir naquela ‘divisão do trabalho’ tão vivamente louvada pelos economistas e tão manifestamente frutífera no campo da produção material. Seria possível a um homem, ou a um grupo de homens, segundo as palavras de Ritter, ‘reunir e organizar, numa bela unidade, tudo quanto sabemos acerca do globo?’ Para muitos, essa tentativa pareceu demasiado ambiciosa, se não quimérica; seria o peso suportado por Atlas, numa versão moderna” (Wooldridge, 1967, p. 21-23. Grifos meus).

O relato que acabamos de ler é sobre uma geografia em estado de arte. Saibam que ela não morreu, continua vivíssima, mas por paradoxal que seja, não ganha atenção e representação nos centros acadêmicos como ocorre, efusivamente, no mercado privado. Estranho, não? Não. Para quem acompanha a intensa ideologização acadêmica nos EUA e Europa de pós-guerra e no Brasil a partir dos anos 70, isto soa muito natural. Mas observem como o autor dos excertos acima se surpreende com a produtividade alcançada e atribui isto, como uma descoberta fosse à divisão de tarefas tão “louvada pelos economistas”, em suas palavras. Para aqueles, como nós, que nos guiamos pelo liberalismo enquanto filosofia e arcabouço teórico-metodológico para muitas de nossas análises, o fenômeno é amplamente conhecido desde Adam Smith. Não por acaso, este foi seu apelido, Geografia Pragmática, ou Teorética,[1] como veio a ser conhecida mais tarde no Brasil. Esta contribuição foi acentuada pelos anglo-saxões, que desenvolveram uma geografia com modelos estatísticos para alocação de recursos e assessoria governamental ao planejamento econômico. Malgrado, como já observamos, foi no seio da própria sociedade americana que o marxismo, chamado de geografia crítica se alastrou para o resto do mundo. E, como não poderia deixar de ser, no chamado Terceiro Mundo “deu como um inço”, campo fértil para doses cavalares de ressentimento político associada a uma imaginação socialista. O impressionante é que, apesar de vivermos em épocas com maior disponibilidade de dados para esclarecimento da realidade, a fé, pois o marxismo não deixa de ser um tipo de fé… Avançou e continua avançando com outras roupagens, seja ambiental, cultural etc., do que se deduz que se tratando de obscurantista, de pouco ou nada adianta um debate racional. Resultante disto, temos mantras como este que, repetidos à exaustão pelos professores marxistas para que se tornem verdades inquestionáveis, sequer tentam sua comprovação empírica ou refutação de teorias opostas:

“A rápida expansão do modo capitalista de produção dá-se a partir do aprofundamento da divisão do trabalho que vai desembocar nas ‘forças produtivas capitalistas’. Ao atingir esta etapa o capital ampliar-se-á ampliando a base de suas próprias contradições estruturais, como a que antepõe as duas classes fundamentais de capitalismo no seio mesmo do processo do trabalho. Assim, o capitalismo precisará crescer para além de suas fronteiras e seus níveis qualitativos.

No plano do processo do trabalho a expansão capitalista traduz-se como elevação constante da composição orgânica do capital, isto é, um aumento em ritmo maior de emprego de máquinas que o ritmo de emprego de operários. Uma vez que a mais-valia é a origem do lucro e que é o operário e não a máquina quem produz mais-valia, tende a haver um declínio contínuo da taxa de lucro. Isto não cocorre em vista de que o próprio processo que gera a tendência produz contratendências. Uma delas é a concentração da produção em caráter monopolista; uma segunda é a fusão dos monopólios industriais e bancários que promove o nascimento do capital financeiro; uma terceira é a exportação de capitais que é ilustrativa a expansão ferroviária em escala mundial; uma quarta é a integração da produção agrícola à industrial que força para baixo a reprodução da força de trabalho (mais-valia relativa) e para cima a taxa da mais-valia; uma quinta é a deterioração da qualidade do produto para acelerar a velocidade das trocas; uma sexta é a expansão do circuito mercantil para a periferia do capitalismo; uma sétima é a socialização, via Estado, das despesas de inversões com capital fixo.

Em suma, o capitalismo passa da fase concorrencial para a fase monopolista, entrando na fase imperialista. Primeiro na fase imperialista de redivisão dos mercados mundiais e, a seguir, na fase do capitalismo monopolista de estado.

Crescendo sobre a periferia o capitalismo internacionaliza-se, reproduzindo em escala mundial a base sobre a qual nasce historicamente: proletarizando o homem, alienando-o da natureza e dos outros homens, do saber e do poder” (Moreira, 1981, p. 102-104. Grifos meus).

A Geografia Crítica, também conhecida por Geocrítica surge em 1970 na França e

sudamerica1946
A chamada geocrítica, geografia humana de viés marxista procura dramatizar até mesmo a cartografia, como se as visões tradicionais fossem fruto de uma manipulação histórica. 

rapidamente se espalha para outros países, onde iria despontar no Brasil na década de 80. O que nós acabamos de ler acima é simplesmente marxismo, nada de novo até então, mas o detalhe é que a ciência geográfica, nesta visão, se submete totalmente à metodologia e filosofia marxistas. Dentre as várias críticas que podem ser feitas, ao marxismo mesmo, como sua teoria do valor-trabalho ou o “etapismo histórico” configurado nos parágrafos acima (que desconsidera importantes particularidades regionais), o mais gritante é o que é feito com a geografia mesmo. A riqueza dessa ciência está na avaliação das diversidades, uma vez que se apresenta como um estudo com base na superfície da terra, “ciência dos lugares”, como chamava La Blache. Nesta visão “crítica”, a geografia é apresentada de modo grotescamente simplista, pois todas as regiões e áreas passíveis de avaliação na Terra se submeteriam a esta “lógica do Capital”. Para que isto apresente um mínimo de coerência há que se descartar a presença da história particular de cada nação, povo ou etnia; se descartar o peso institucional e estatal; religiões então, nem pensar, não passam de superestruturas, representações mentais para defender interesses (da “classe dominante”). Algo assim não parece geografia… E não é mesmo. Lembrem-se da bela escrita de Paul Vidal de La Blache dizendo que a Geografia não é a “ciência dos homens”, mas a “ciência dos lugares”, que envolve a humanidade, mas em sua relação com o ambiente. Como fica a análise ambiental na geocrítica? Não existe. Para marxistas genuínos, a 2ª natureza (como Marx chamava as transformações ocorridas nos territórios) suplanta e submete completamente a 1ª natureza (a original, “natureza natural”). Até aí reconhecemos a interferência de um sobre o outro, mas como Marx não pretendia constituir uma especialidade do conhecimento e sim uma “ciência da história” que contivesse um método capaz de abranger qualquer tradição de pensamento, os estudos ambientais desaparecem. Não é preciso dizer que os ambientalistas nunca absorveram esta visão pura do marxismo, mas sim do esquerdismo anticapitalista. Pode se dizer que o marxismo entrou na temática ambiental por vias indiretas, antes pelo ativismo político do que por sua estruturação acadêmica. Ou seja, o pensamento marxista se metamorfoseou, se tornando um “marxismo heterodoxo” e é, justamente, por isto que ele resiste. Se fosse o contrário, uma visão original, muitos não o adotariam porque iriam perceber sua defasagem em relação à realidade, a confrontação das teorias marxistas com a realidade etc., mas o que subsiste com força é o aspecto puramente ideológico, normativo, daquilo que “não aconteceu mas que pode acontecer, afinal, o verdadeiro comunismo nunca existiu de acordo com a teoria marxista…” Quantas e quantas já não ouvimos isto? Mas daí eu vos pergunto, quem lê integral ou parcialmente a obra marxista? Aqueles especialistas que, na sua maioria, já são adeptos ou simpatizantes. Portanto, uma de nossas principais tarefas para extirpar esta chaga é “traduzir”, divulgar o cerne da obra marxista para que, como uma vacina, mostrar aos novos leitores o que realmente lhes manipulará ao repetir clichês e enunciados sem maiores discussões e considerações.

 

(Continua…)

 

Referências:

MOREIRA, Ruy. O que é Geografia. São Paulo : Brasiliense, 1981.

WOOLDRIDGE, S.W.; EAST, W.G. Espírito e Propósitos da Geografia. 2ª Ed. Rio de Janeiro : Zahar Editores, 1967.

[1] Termo este que resultou de uma má tradução do inglês, theoretical, que significa simplesmente teórica.

[i] Confira também a primeira parte deste artigo aqui e, a segunda aqui.

[ii] Professor de geografia licenciado pela UFRGS em 1987 e mestre em geografia humana pela USP em 2008. Co-autor do livro Não Culpe o Capitalismo.

A Corrupção da Geografia: entre a História e a Natureza[i]

 

 

por Anselmo Heidrich[ii]

 

 

A dita geografia moderna nem sempre foi um “puxadinho marxista”. Enquanto cátedra acadêmica, a partir do século XIX na Alemanha, foi filha do casamento entre história e naturalismo. A geografia deve muito a estudiosos como Karl Ritter e Alexander Von Humboldt, cujos esforços para integrar os campos de conhecimento em que eram especialistas levou a sua afirmação acadêmica. Mais tarde, na virada do século, Friedrich Ratzel enfatizaria a visão que mais tarde chamaríamos de determinismo físico ou geográfico, na qual a natureza mais do que influenciava, mas exercia forte influência no desenvolvimento das sociedades. Embora haja controvérsias sobre qual seria o grau desta influência ou causalidade, seus próprios textos não deixam dúvidas de que enxergava como algo muito além do que costumamos admitir hoje em dia. Prova disto está nesta passagem em que comenta a obra de Montesquieu, o qual:

“(…) afirma, sem muita demonstração, que os climas quentes exercem uma ação depressora e os frios uma ação fortalecedora, e disso deduz que nos primeiros as mulheres se encontram em um nível inferior, os homens são menos corajosos, o povo é mais facilmente excitável, enquanto nos climas frios ocorre o contrário; e isto ele afirma tendo por base observações incompletas, entre as quais recolhemos frases como esta: ‘para excitar a sensibilidade de um moscovita seria necessário arrancar sua pele’. Ele atribui o pouco progresso das legislações orientais à indolência produzida pelo clima e às escassas necessidades a brandura daquelas populações que, sempre por efeito do clima, tomam bebidas excitantes; e, do mesmo modo, explica a proibição do vinho imposta por Maomé. A mais importante entre todas estas considerações é a constatação, renovada mais tarde com maior profundidade por H. Th. Buckle, de que nos países quentes medra o despotismo e nos países frios a liberdade; desse conceito, Montesquieu faz derivar o fundamento natural da escravidão nas regiões tropicais. Os capítulos relativos ao solo começam pela fertilidade, que é o que para ele diferencia as populações da planície daquelas da montanha. Os povos insulares estão, para Montesquieu, mais inclinados à liberdade que os continentais. Entre uma abordagem desse tipo e a de Ritter ou do próprio Herder a distância é grande. Pode-se dizer que, precisamente nessa matéria, nem Montesquieu nem Voltaire formularam ideias que já não tivessem sido expressas pelos antigos e, além disso, não chegaram a criar conceitos melhores que aqueles já conhecidos. Seu mérito, que permanecerá para sempre, foi o de terem promovido o rápido desenvolvimento daqueles conceitos e aplicarem-nos adequadamente, além de terem exercido enorme influencia sobre seus próprios contemporâneos” (Moraes, 1990, p. 36. Grifos meus).

Desta visão, determinista, irá derivar um conceito fundamental em Ratzel, o Espaço Vital – lebensraum – para o qual, uma população e sociedade crescentes demandam a expansão territorial de seu estado. Não precisa ser muito perspicaz para perceber onde isto irá parar, já que estamos falando das primeiras décadas do século XX…[1] A visão de que a natureza mais do que influenciava, mas determinava a vida das pessoas, assim como a necessidade de conquista e expansão territorial para o nascente estado alemão ganhou corpo.

Em contraposição, o francês Paul Vidal de La Blache confrontou este determinismo físico com seu possibilismo: a natureza apresenta condicionantes que abrem possibilidades cabendo aos seres humanos escolher e aproveitar as melhores oportunidades. Vejamos esta inspiradora passagem de seu Princípios de Geografia Humana:

“Uma nova economia da natureza teve tempo para substituir a antiga. O desaparecimento da floresta cedeu lugar ao mato e a mudança das condições de luminosidade desalojou algumas espécies que eram retidas em seu interior, incluindo a temível mosca tsé-tsé, diversa de outras espécies. Em outras regiões são arbustos como os maquis ou o cerrado que sucederam à floresta tendo outras consequências, transformando tanto o ambiente como as condições econômicas. Vislumbramos um novo campo de opções quase ilimitadas para experimentação. Ao estudarmos a ação do Homem sobre a Terra e seu estigma impresso sobre as áreas de ocupação com séculos de idade, a Geografia Humana tem uma dupla finalidade. Não só fazer um balanço das alterações, com ou sem a participação humana, cuja singular redução de espécies ocorre desde o Plioceno. E também desenvolver um conhecimento mais aproximado de toda biosfera, pois examinando as alterações ora em curso se torna possível prever sua evolução. A respeito, o presente e o futuro das ações do Homem, agora um ‘mestre das distâncias’, armado com tudo que a ciência coloca a seu serviço, excede em muito as ações que nossos distantes antepassados puderam exercer. Felicitemo-nos porque a empresa de colonização que nos trouxe a glória permitiu que a imposição de quadros rígidos da Natureza desse margem para obras de restauração ou transformação que estão em poder do Homem” (La Blache, p. 14-15. Tradução e grifos meus)[2].

O que se observa entre os textos de Ratzel e La Blache é que, apesar das diferentes perspectivas e noções de causalidade de transformação e adaptação humanas ao ambiente, ainda há espaço para relativizações e dúvidas concernentes à extensão de seus enunciados científicos. Como quase toda escola, seja acadêmica, religiosa etc., a radicalização se dará com seus sucessores e seguidores. A sutileza e beleza intuitiva dos textos tem relação com uma época onde a ciência (social) procurava se firmar, com mais humildade do que costumamos ver hoje em dia. Mas ambas correntes geográficas, seja a determinista ou a possibilista apresentam um traço comum bastante significativo e, costumeiramente ignorado… Fosse pela fala do alemão ou do francês, eles serviam a seus respectivos estados. E mesmo que não fosse este o motivo deliberado desses estudos, eles acabavam sendo aproveitados com tal finalidade. Não havia como ensejaria um pensamento de boa estirpe liberal, estudos com ênfase no crescimento econômico via trocas internacionais, inter-regionais e em nível escalar mais próximo. O agente máximo de organização e atuação social, ainda é o estado. E por “estado”, leia-se o conceito de estado-nação, por mais idealizada que seja a nação.

determinismo v. possibilismo
Com exceção do último item, que dá impressão de ser uma posição explícita, as características de cada corrente de pensamento geográfica estão bem didáticas.

Fonte da imagem: slideplayer.com.br

Quando se fala em compromisso com a nação é mais do que um ato voluntário. Tratava-se de uma determinação, uma metáfora biológica para uma época em que se substituem explicações oriundas do divino pelo natural. A propósito, vejamos este comentário sobre Ratzel, um dos mais importantes autores e primeiro em sistematizar o conhecimento que viria a ser conhecido como Geografia Política:

“Sua formação inicial não foi a de geógrafo, tendo feito o curso de zoologia em Heidelberg, onde sofreu a influência direta de Haeckel e, através deste, do darwinismo, chegando a publicar alguns artigos de forte conteúdo naturalista-evolucionista.

Ao mesmo tempo, como intelectual preocupado com os destinos da Alemanha, participava de uma série de atividades acadêmicas voltadas para a questão nacional (como a Liga Pangermanista). Após o retorno de sua viagem aos EUA, que muito o impressionou e cuja influência será notória em seus estudos (em 1880 escreveria Os Estados Unidos da América do Norte), Ratzel alterna estudos sistemáticos de geografia geral (como a sua famosa Antropogeografia, de 1882) com vários pequenos estudos sobre problemas geográfico-políticos, culminando com a sua obra maior (Geografia Política, de 1897).

Preocupava-o essencialmente o que avaliara como a ‘unificação malconcluída’ da Alemanha, desde o processo que se iniciara sob o comando de Bismarck, de fato, malgrado a centralização via constituição de um Estado forte, mas que não resultara de um processo revolucionário clássico, tal qual ocorrera na vizinha França, a Alemanha, apresentava-se, até o início deste século, extremamente fragmentada, tanto socialmente como do ponto de vista de sua organização político-territorial.

Como se verá adiante, essa situação repercutirá em muitas das análises de Ratzel sobre o papel que caberia ao Estado nesse processo. Além do mais, assim como a maioria dos geógrafos e ‘homens de Estado’ do país, tinha plena consciência do atraso político e da situação de ‘inferioridade’ da Alemanha em relação às demais potências europeias, em especial à Inglaterra e à França, principalmente na questão das colônias de além-mar.

Um outro problema que marcou profundamente não apenas as concepções gerais de Ratzel e dos geógrafos, mas da maioria dos intelectuais alemães, foi a dos ‘povos alemães’ fora da Alemanha, concentrados principalmente na Europa de Centro e de Leste” (Costa, 1992, p. 29-30).

Mesmo que não houvesse uma defesa explícita do imperialismo, não é difícil imaginar como a argumentação em prol do estado-nação, sobretudo tendo premissas naturalizantes ou biologicistas não pudesse derivar nisso. Esta moda, paradigma, se preferirem não duraria indefinidamente. Com a estabilização das relações internacionais, o que justamente veio a reboque do ignorado comércio e capitalismo mundiais, uma geografia pragmática haveria de nascer.

(Continua…)

 

Referências:

COSTA, Wanderley Messias da. Geografia Política e Geopolítica : discursos sobre o território e o poder. São Paulo : HUCITEC : EDUSP, 1992.

ENCYCLOPEDIA BRITANNICA. Friedrich Ratzel: german geographer. Disponível em: <http://global.britannica.com/biography/Friedrich-Ratzel>. Acesso em: 16 jun. 16.

LA BLACHE, Paul Vidal de. Principes de Géographie Humaine. Disponível em: <http://www.dominiopublico.gov.br/>. Acesso em: 16 jun. 16.

MORAES, Antonio C. R. (org.). Ratzel. São Paulo : Editora Ática, 1990.

WIKIPEDIA. Paul Vidal de La Blache. Disponível em: <https://pt.wikipedia.org/wiki/Paul_Vidal_de_La_Blache#Obras>. Acesso em: 16 jun. 16.

 

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Fas est et ab hoste doceri – Ovídio

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[1] Pode se argumentar que a influência que o Nazismo teve das ideias de Ratzel foi uma “má interpretação” ou deturpação, como queiram, mas o fato é que há um nexo teórico, mesmo que isto não seja suficiente para atribuir à Friedrich Ratzel a pecha de nazista. Influenciar ideologicamente um corpo social não implica em assumir as teorias derivadas por outros interpretes, nem tampouco ter responsabilidade sobre suas ações. Fosse assim, toda ação violenta em nome de uma religião necessitaria ter sua causalidade comprovada em um livro sagrado, o que não é verossímil, pois a cultura, inclusive do campo acadêmico para a esfera política e comportamento de massa é muito dinâmica, para não dizer flexível mesmo.

[2] A referência a esta obra foi extraída do site brasileiro, Domínio Público (<http://www.dominiopublico.gov.br/>), cuja data de edição não é fornecida. Na página brasileira do Wikipedia (<https://pt.wikipedia.org/wiki/Paul_Vidal_de_La_Blache#Obras>. Acesso em: 20 mai. 16), a publicação da obra consta sendo de 1922, com edições póstumas.

[i] Leia a primeira parte deste artigo aqui.

[ii] Professor de geografia licenciado pela UFRGS em 1987 e mestre em geografia humana pela USP em 2008. Co-autor do livro Não Culpe o Capitalismo.

A Corrupção da Geografia: a sedução marxista

por Anselmo Heidrich[i]

 

A maioria dos novos revolucionários são essencialmente ao que parece, “liberais brancos”, prontos a lamentar os supostos males da sociedade e a mostrar seus corações sangrando como emblemas ou antigas gravatas escolares – e mais rapidamente ainda fugir do trabalho duro que o diagnóstico e a ação exigem. Um pequeno grupo de radicais marxistas, procura ferver a sopa dos lamentos dos liberais. Em nenhum grupo há qualquer engajamento profundo no sentido de produzir mudança construtiva através de meios democráticos. (…) Se qualquer deles fizer a “Nova Geografia” dos anos 70, eu estou fora.[1]

B.J.L. Berry apud R.J. Johnston, Geografia e Geógrafos.

 

Quando adolescente me impressionavam dois campos do conhecimento, a natureza e a sociedade. Vez que outra tinha sérias dúvidas sobre qual faculdade cursar, a biologia ou a sociologia. Justamente por isto, eu optei pela geografia que, para aqueles que a conhecem minimamente, sabem que se trata de uma área de intersecção. Esta mescla de conteúdos é o campo propício para estudos envolvendo impactos ambientais causados por atividades produtivas, adaptação das sociedades às condições físicas do meio etc. E se formos observar com maior detalhe, a geografia se assemelha à medicina na sua estruturação interna… Quando acometidos com alguma patologia, nós consultamos um clínico geral para depois procurarmos um especialista. Exatamente assim é o trabalho de um geógrafo (naqueles países onde se faz valer este título) que, dependendo do trabalho a ser feito se requer um estudo mais aprofundado, seja em algum ramo da geografia física ou geografia humana (“cultural”, como também é chamada nos países de língua inglesa). Imagine se tiveres que escolher a melhor localização para uma distribuidora de alimentos ou uma planta fabril que tenha melhor dispersão de poluentes: podemos contatar um geógrafo com conhecimentos específicos em climatologia ou, no primeiro caso, alguém que conheça modelos de localização industrial, geografia econômica etc. Enfim, se trata de um belo e útil campo do conhecimento, mas qual não foi minha surpresa ao descobrir que isto era não só mal visto, como justamente o foco de uma crítica pesada na época que cursei minha faculdade, lá por meados dos anos 80. A razão disto é que a geografia, assim como muitas ciências e saberes disciplinares são acometidos por modas, mas não necessariamente o que Thomas Kuhn chamava de paradigmas científicos. A diferença é que, ao invés de ter sido um modelo de pesquisa e pressupostos, crenças e valores partilhados por um longo período, o marxismo na Geografia se caracterizou por um “voo de galinha”, justamente por ser curto, efêmero e fraco. Suas motivações foram mais políticas, de oposição a uma determinada conjuntura ou sistema político-econômico que de metodologia científica propriamente dita. Embora marxistas gostem de acentuar sua base metodológica – o materialismo histórico e dialético –, a grande maioria trata de enfatizar temas específicos em seus estudos (a “desigualdade”, a “exploração” etc.) sem saber exatamente o que é dialética ou entender a necessidade (admitida pelo próprio Marx) de desenvolvimento das “forças produtivas” (tecnologia) para sua posterior evolução social. Atualmente novas tendências, típicas modas ou tendências de longo prazo (como os estudos ambientais) competem com a deturpação marxista da geografia. Só que a malfadada “geografia crítica”, como os geógrafos marxistas gostavam de denominar sua corrente, era a moda dominante na academia quando tive o desprazer de estar cursando minha faculdade. E ela não vinha como uma “visão alternativa”, mas com todas suas mazelas obscurantistas como bônus que poluem e infectam a cabeça de um estudante, a começar pelo desprezo por tudo que poderia ser embutido dentro do rótulo de tradicional, isto é, tudo que a geografia tinha produzido até então. Mas como? Diria alguém, um saber que tem ligações com a natureza, o meio ambiente, clima, solos, vertentes, relevo etc. pode ter influência de uma já combalida Filosofia da História? Pois é, vocês não podem esquecer que a geografia tem sua seção humana e lá pelos anos 60, nos EUA, os acadêmicos daquele país foram seduzidos por um discurso que era, dada a conjuntura, bastante conveniente à contracultura e oposição ao establishment. Mas, por mais que se critique a ordem econômica e ideológica do momento, ela ainda era democrática, ao contrário do marxismo que, como sabemos, cerceia internamente a liberdade de pensamento antes de se configurar em uma ordem institucionalizada através da cristalização de conceitos tidos como inquestionáveis. Também não esqueçamos que os vícios de linguagem que, o marxista tão bem expressa através de clichês servem como explicações automáticas… Tive colegas de curso que aliavam esta pretensão de saber a sua preguiça crônica de estudar ao dizer “que não havia mais diferenciação territorial”, “estava tudo igualado, uniformizado pelo capital” etc. Frases grotescas, até mesmo para um estudioso marxista soam como uma mistura de sermão religioso e marketing de refrigerante de tão vulgares e generalizantes, nesta periferia intelectual em que se transformaram os cursos de humanidades no Brasil.

O marxismo é sedutor? Sim, muito, mas isto não quer dizer verdadeiro. Uma filosofia que apresente pressupostos nobres, de compaixão pelo outro, mas que ao mesmo tempo não veja a filantropia como um modo de ajudar o próximo, mas combine uma lógica produtiva com redenção coletiva não só é contraditória, como suspeita de portar algum tipo de vírus intelectual. Sobretudo, se considerarmos a mente juvenil ávida por soluções rápidas e totalizantes, que tornam a universidade um celeiro ideal para raposas disseminadoras de ideologias comprometidas com a submissão intelectual e a desinformação e a deturpação como métodos.[2]

Totalidade… Repare bem nesta palavra, que é uma categoria central para o método marxista, cuja capacidade de sedução reside na pretensão de enxergar a todos os problemas da vida social sob um método unívoco capaz de hierarquizá-los e apontar o processo causal (que, aliás, também é apenas um). Veja que se fôssemos realmente capazes de tal façanha, também teríamos o dom da predição. Quer coisa mais maravilhosa? Um método que não só explica tudo até aqui, como também é capaz de dizer tudo que tenderá ocorrer a partir de certo ponto na linha de tempo da história de toda humanidade. Qualquer semelhança com gurus do apocalipse (mas, em versão progressista-evolutiva), não é mera coincidência. Por inferência lógica, se pudermos atuar na raiz dos problemas (daí o apreço que os marxistas têm por serem chamados de radicais), as soluções se dariam automaticamente como um processo natural, após um momento de ruptura que, nada mais é senão a revolução.

Esquema de Fenneman

A síntese geográfica foi deturpada pelo conceito marxista de totalidade.

 

Se vocês repararam, as categorias marxistas de análise aqui elencadas como totalidade, processo natural, ruptura e revolução se encaixam em aspectos que atribuímos à Geografia e sua prima, a História.[3] Como eu já disse, os vários campos do saber que integram a síntese geográfica procuram abranger as indústrias, a produção agrícola, as cidades, os transportes, a demografia, a inter-relação dos estados nação (geopolítica) e, de outro lado, a geomorfologia, a hidrografia, a climatologia, a biogeografia etc. Portanto, uma filosofia que diga que tudo isso pode dar um bom mix caberá como uma luva às pretensões científicas de mostrar que a geografia é uma “ciência de respeito”. Afinal algo que ressentia muito os geógrafos era este aspecto de “colcha de retalhos” que fazia a geografia não parecer uma ciência una, mas sim um agregado de várias ciências.

A esta altura da prosa alguém poderia perguntar então, mas por que a medicina não tem este problema? Ora! Médicos não estão preocupados, em primeiro lugar, em serem reconhecidos no meio acadêmico, se não forem eficazes em sua lida. Pode até ser que um ou outro indivíduo deseje muito tal status, mas não será muito difícil atingi-lo sem a comprovada eficiência em suas áreas de atuação. Se não estão preocupados, em primeiro lugar, em salvar vidas, perde-las pode acabar com suas carreiras. Por outro lado, se amanhã ou depois, algum médico for reconhecido por inovar em determinado campo ou subcampo médico, isto é um bônus a sua profissão. Já para profissionais que atuam na área do planejamento (ambiental, urbano, regional etc.) como os geógrafos, a academia, em países como o Brasil, tem sido a porta de entrada para a atuação no mercado. Deveria ser o contrário e isto até está mudando, graças ao capitalismo e as tecnologias de sensoriamento remoto, mas deixemos isto para outro artigo… Enfim, vocês conseguem imaginar a cabeça de um estudante com a competição profissional com temas como, p.ex., o substrato rochoso quando confrontado com um geólogo? Que não conhece tanto sobre biomas quanto um biólogo? Que não sabe prever as intempéries com relativa precisão quanto um meteorologista? Ou, em outro campo, que não sabe analisar a produção industrial como um economista? Que não conhece detalhes agroecológicos como um agrônomo? Que não tem conhecimento técnico sobre urbanismo e infraestrutura como arquitetos e engenheiros? Fica difícil, né? Acontece que a particularidade da geografia foi (e é), justamente, não saber profundamente de seções do conhecimento, mas conhecer a integração desses elementos na análise territorial seja esta, local, regional ou global. Parece simples, mas numa época de valorização das especialidades, o marxismo ofereceu aos professores e alunos ressentidos com a competição uma resposta negacionista, isto é, “nada disso que está aí fazendo sucesso no mercado vale, porque estes saberes fazem parte da lógica do Capital, que é essencialmente espoliadora, destrutiva etc.” Qualquer semelhança com estelionatários ou a redenção espiritual via dízimo não seria mera coincidência.

(Continua…)

 

Referências:

CRISTALDO, Janer. “A universidade é um galinheiro onde raposas velhas vão caçar.” Disponível em: <http://cristaldo.blogspot.com.br/2014/04/a-universidade-e-um-galinheiro-onde.html>. Acesso em: 13 de abril de 2016.

EPL. “Carta aberta aos estudantes.” Estudantes Pela Liberdade – Grupo Henry Maksoud. Disponível em: <https://www.facebook.com/notes/grupo-henry-maksoud/carta-aberta-aos-estudantes/1079085762153344>. Acesso em: 15 jun. 16.

JOHNSTON, R.J. Geografia e Geógrafos : a geografia humana anglo-americana desde 1945. São Paulo : DIFEL, 1986.

 

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Fas est et ab hoste doceri – Ovídio

Se concorda, compartilhe.

 

[1] Sempre é bom lembrar que por “liberais brancos”, o autor, ainda que nascido no Reino Unido está se referindo aos liberais nos costumes ou na moral que, no contexto especificamente americano significaria algo como a esquerda atual. Para nós no Brasil, que herdamos a tradição linguística europeia, este sentido é raro e o termo liberal, normalmente apresenta sua conotação original da economia, em prol do livre-mercado.

[2] Em “A Universidade É Um Galinheiro Onde As Raposas Velhas Vão Caçar”, Janer Cristaldo pega uma raposa no pulo, isto é, o que Frei Betto disse em seu campo de caça, a Universidade:

“Ao falar de fracasso do socialismo na Europa e fracasso do capitalismo no ocidente, o frei exclui a Europa do Ocidente. Onde ficará então o Ocidente? Na Sibéria? Na Mongólia? É espantoso que um público universitário ouça uma sandice destas sem vaiar o palestrante. Se bem que quase nenhum universitário hoje, seja professor ou aluno, saiba dizer o que ocorreu em 9 de novembro de 1989.
Concluindo: o orgânico não precisa ser organizado. Não é permissível comparar um sistema artificial, distanciado do real, nascido de uma teoria utópica, com uma economia que surge espontaneamente, decorre da própria natureza humana e hoje é almejada por todos os países que um dia foram comunistas. Capitalismo não tem profeta, não tem livro nem é imposto, manu militari, por Estados ditatoriais. Há teorias sobre o capitaliso? Há. São teorias que tentam explicá-lo, não teorias que surgem do nada para criar um modelo de organização social.

La universidad es un acuário, donde las nenas ván pescar – dizem os espanhóis. Chez nous, é um galinheiro onde raposas velhas vão caçar” (http://cristaldo.blogspot.com.br/2014/04/a-universidade-e-um-galinheiro-onde.html. Acesso em 13 abr. 16).

[3] Dia 7 de abril passado, um grupo de estudantes e membros do Estudantes Pela Liberdade (EPL) em divulgação de seu segundo seminário na Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC) foram hostilizados por dois professores, um de forma irônica e outro de forma acintosa. Para quem teve acesso ao vídeo divulgado de forma restrita na internet pode constatar no vocabulário deste segundo caso as categorias utilizadas e cujas premissas remetem ao puro marxismo, “analisamos o liberalismo sim, mas de forma histórica”. Para quem já está habituado aos cacoetes intelectuais desses professores sabe que por “forma histórica” se entende somente o que eles consideram como “história”. Outras visões simplesmente não existem e são amplamente hostilizadas ou alvo de chacota, para que seja autoatribuído ao autor desse escárnio uma pretensa superioridade, já que nunca a obtém em um debate ao vivo e civilizado. Aqui segue o link da carta aberta dos estudantes pelo incidente ocorrido: https://www.facebook.com/notes/grupo-henry-maksoud/carta-aberta-aos-estudantes/1079085762153344. Eu até tolero (embora não concorde com nada do que dizem) marxistas como forma de vida pensante, mas covardes me causam asco. E para quem viu o que ocorreu, entende o que quero dizer. Os professores em questão usaram do recurso vil (que tanto contestam em seus inimigos no poder) da autoridade conferida a eles para ensinar, no intuito de somente calar e subjugar o espírito livre de quem ousa discordar de suas estultícias.

[i] Professor de geografia licenciado pela UFRGS em 1987 e mestre em geografia humana pela USP em 2008. Co-autor do livro Não Culpe o Capitalismo.

Não deixe que um professor comunista adote o seu filho

Artigo publicado originalmente no blog Homem Culto http://homemculto.wordpress.com

Para ler o artigo original, clique aqui http://homemculto.wordpress.com/video-da-passo-a-passo-como-professor-comunista-doutrina-seu-filho/

Você pode estar sendo vítima de doutrinação ideológica quando seu professor: 
denuncie  doutrinação para  

– Se desvia frequentemente da matéria objeto da disciplina para assuntos relacionados ao noticiário político ou internacional;

– Adota ou indica livros, publicações e autores identificados com determinada corrente ideológica;

– Impõe a leitura de textos que mostram apenas um dos lados de questões controvertidas;

– Exibe aos alunos obras de arte de conteúdo político-ideológico, submetendo-as à discussão em sala de aula, sem fornecer os instrumentos necessários à descompactação da mensagem veiculada e sem dar tempo aos alunos para refletir sobre o seu conteúdo;

– Ridiculariza gratuitamente ou desqualifica crenças religiosas ou convicções políticas;

– Ridiculariza, desqualifica ou difama personalidades históricas, políticas ou religiosas;

– Pressiona os alunos a expressar determinados pontos de vista em seus trabalhos;

– Alicia alunos para participar de manifestações, atos públicos, passeatas, etc.;

– Permite que a convicção política ou religiosa dos alunos interfira positiva ou negativamente em suas notas;

– Encaminha o debate de qualquer assunto controvertido para conclusões que necessariamente favoreçam os pontos de vista de determinada corrente de pensamento;

– não só não esconde, como divulga e faz propaganda de suas preferências e antipatias políticas e ideológicas;

– omite ou minimiza fatos desabonadores da corrente político-ideológica de sua preferência;

– transmite aos alunos a impressão de que o mundo da política se divide entre os “do bem” e os “do mal”;

– não admite a mera possibilidade de que o “outro lado” possa ter alguma razão;

– promove uma atmosfera de intimidação em sala de aula, não permitindo, ou desencorajando a manifestação de pontos de vista discordantes dos seus;

– não impede que tal atmosfera seja criada pela ação de outros alunos;

– utiliza-se da função para propagar ideias e juízos de valor incompatíveis com os sentimentos morais e religiosos dos alunos, constrangendo-os por não partilharem das mesmas ideias e juízos.

O vídeo abaixo mostra a doutrinação feita em plena sala de aula por um professor comunista.

Leia também:

Caro professor

Marxismo cultural na prática

A esquerda e seu modus operandi

Jovem mostra que todos são iguais

Kalil Assis, de 21 anos, é um dos mais novos calouros do curso de geografia da UFG (Universidade Federal de Goiás), provou que é possível vencer as adversidades mesmo tendo síndrome de down. Ele estudou sozinho para a prova, que uma das mais concorridas e segundo sua mãe ele não fez cursos preparatórios, se esforçou e foi além das expectativas sendo o primeiro universitário com síndrome de down a ingressar na UFG.

Kalil comemora junto a sua irmã

É uma bela história de superação, pois Kalil além de estudar sozinho e se esforçar, não teve nenhuma vantagem em relação aos outros candidatos, apenas as letras maiores em sua prova, divido ao seu problema de vista. Kalil mostra que quando se tem força de vontade não é preciso de cotas e que somos iguais, todos,  independente de nossas “deficiências” podemos conquistar nossos objetivos, com força de vontade.

Maiores informações: http://g1.globo.com/goias/noticia/2012/02/estudante-com-sindrome-de-down-e-aprovado-no-vestibular-da-ufg.html