Anticapitalismo é auto-sabotagem

O que acontece quando o ambiente de um país é hostil aos negócios, cheio de burocracia, impostos e proibições? Naturalmente, menos negócios abrirão ou permanecerão aí. Logo, haverá menos empregos e portanto menos demanda por mão-de-obra.

Mas o que isso significa para mim enquanto trabalhador assalariado? Menos demanda por mão-de-obra significa que haverá muito mais concorrência por vagas cada vez mais escassas e salários reais cada vez mais baixos. Haverá aqueles que argumentam que há empregos, mas falta mão-de-obra qualificada para ocupar as vagas. Porém, o mesmo efeito descrito acima para o mercado de trabalho afeta o principal responsável pela capacitação dos profissionais: a educação. A burocracia, os impostos, a hipertrofia regulamentar e a reduzida concorrência são fatores que contribuem para o encarecimento da formação de novos profissionais qualificados. A escassez de emprego e os baixos salários encarecem e dificultam a capacitação do profissional ou dos seus filhos, gerando um ciclo vicioso: a queda dos salários resulta em menor capacitação profissional, que faz com que no país parmençam empregos mais escassos e de salários mais baixos.

Não se engane, portanto, pensando que indicadores como liberdade econômica, facilidade de abrir negócios e defesa do direito de propriedade são de pouca importância para quem trabalha como assalariado. O principal afetado em um ambiente hostil aos negócios não é quem decide investir em outro lugar, mas aqueles que são privados do investimento: os trabalhadores e consumidores locais. O resultado desta hostilidade aos negócios e aos investimentos é uma Economia onde os bens, serviços e empregos são cada vez mais caros, escassos e de baixa qualidade.

“É a matemática, estupido”

Esta chegando a hora, teremos que quitar o debito de anos e anos de politicas econômicas populistas irresponsáveis onde se gasta mais que arrecada e pior, gasta mal esse dinheiro, gasta-se esses recursos em “coisas” que não geram riqueza, não criam bases solidas para o crescimento econômico do país.

Meu bisavô dizia “é do couro que se faz a correia”, ou seja, se quisermos ter resultados é necessário investir na produção.

Não é isso que tem ocorrido no Brasil, aqui estimulou-se o consumo de itens supérfluos, bens de consumo, coisas sem sentido. Por exemplo, temos uma empresario A e o empresario B.

O empresario A pegou os recursos disponíveis e investiu em maquinas, insumos, infra estrutura e mão de obra da sua empresa para produzir um determinado bem ou serviço.

O empresario B na mesmo situação usou esses recursos e construiu um opulenta sede, com escritórios cheios de mobiliá extravagante, TV’s de LCD, decoração exuberante, iPhone’s, iPad’s, iMac’s, etc e deixou relegado a segundo plano o investimento no básico, na fonte de suas receitas.

Qual dos dois vai quebrar quando a fonte de financiamento se esgotar? Claro que é o B, afinal ele tem um bela sede empresarial, mas não produz nada.

Já o empresario A estará produzindo bens e serviços e como consequência disto terá como quitar os empréstimos que fez com investidores e dentro de suas possibilidades construir uma “opulenta sede para sua empresa”. Isso, o luxo, é uma consequência do sucesso, do resultado de um bom trabalho. Aqui no Brasil passou a ser “um direito” de qualquer um financiado pelo Estado.

Gastar mais do que se ganha e pior, ainda usar esses recursos em futilidades que não agregam nenhuma riqueza a vida cotidiana é investir na falência, com progressão geométrica.

É isso que o governo Brasileiro tem feito, gastar o dinheiro do contribuinte em “futilidades”. Nossa divida publica total atingiu o record de 2,12 trilhõesde R$, não vimos esse dinheiro nos possibilitar melhora de infraestrutura, maior competitividade e eficiência, pelo contrario esse dinheiro é gasto com “supérfluos”, corrupção, populismo (compra de votos), farras nababesca por parte dos nossos “representantes” e muitos outros absurdos como investimentos em infraestrutura de ditaduras comunistas.

Essa conta terá que ser paga em algum momento, creio eu que essa hora esta chegando muito rápido. O país torrou uma enormidade de dinheiro em baboseiras, investiu em sonhos mirabolantes que estão se tornando e vão se tornar pesadelos horripilantes. E quando essa fatura chegar não teremos meios produtivos para quitá-la, mas estaremos rodeados de quinquilharias tecnológicas seminovas e obsoletas, uma montanha de carros de qualidade duvidosa sem ter ruas e rodovias descentes para utilizá-los e muito menos combustível para abastecê-los, teremos carnes com centenas de parcelas para vencer sem ter uma fonte de renda estável.

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Uma pesquisa mostrou que 80% dos Brasileiros não controlam suas finanças e 70% dos consumidores que têm pouco conhecimento sobre suas contas termina o mês sem dinheiro na conta corrente. “Os representantes políticos nada mais são que o fiel retrator da grande maioria do povo”, essa pesquisa é uma grande prova dessa máxima.

Continuamos a gastar mais do arrecademos, o Estado, grande parte das pessoas, varias empresas beneficiarias do bolsa BNDES e gastando esse dinheiro em projetos sem sentido, gastando em futilidades sem ter poupança para o momento das “vacas magras”, em produtos e serviços que não tem uma demanda real.

Os investidores estrangeiros não são idiotas, eles se mantêm muito bem informados, sabem o que se passa, não são idiotas cheios de dinheiro como muitos Brasileiros imaginam. Sabem que o modelo econômicos dos últimos anos é artificial, deficitário e que não gera riqueza, consequentemente não gera poupança.

Gastar mais do que se ganha só pode levar a um lugar, a falência, como disse Margaret Thatcher, “O socialismo dura até acabar o dinheiro dos outros”. O governo não tem mais como agradar os investidores estrangeiros sem prejudicar muito o setor produtivo nacional, o cobertor é curto, isso causa deterioração geral no país e assusta o investidor estrangeiro, que mesmo com juros públicos altíssimos, prefere a segurança de países estáveis. É aquela historia, de que adianta eu aceitar um oferta estratosférica por algo, muito fora da realidade do mercado se no final não vão me pagar mesmo? O Investidor já percebeu que entramos na queda espiral e começou a se mandar, agora quem vai financiar a farra com dinheiro publico, mesmo o estado pagando juros altissimos?

A conta não fecha, “é a matemática, estupido”.

Exproprie, que nada restará

por Carlos Alberto Montaner. Publicado originalmente no Infolatam. Para ler o artigo original, clique aqui.


As expropriações estão na moda novamente na América Latina. O presidente Chávez chegou a convertê-las em um frequente espetáculo televisivo. “Exproprie”, dizia diante de qualquer companhia que parecia conveniente passar para o setor público, apontando como se fosse um Harry Potter socialista com uma varinha mágica, enquanto seus secretários aplaudiam com entusiasmo.

Há poucos dias a fúria expropriadora chegou à presidente Cristina Fernández. A vítima foi a multinacional espanhola Repsol. Depois de um simples trâmite perdeu sua filial YPF e agora discutem a quantia da indenização. Provavelmente será muito baixa. Nessas transações, especialmente após certo tempo, a quantia que se paga costuma ser um terço do que originalmente se solicita.

Aos governos que se apoderam do que não lhes pertence, resulta muito fácil fazer as contas do Grande Capitão, entre outras razões, porque nos países neopopulistas qualquer relação entre a lei e a justiça é pura coincidência, e o Código Civil algo parecido com as as histórias em quadrinhos de humor aos domingos. Nesses ambientes, apelar para os tribunais costuma ser uma maneira heroica de praticar a coprofagia.

O último governante a cometer esse disparate foi Evo Morales. No dia 01 de maio fez o favor de presentear os operários da Bolívia com uma empresa, também espanhola, que distribui energia elétrica. Desconheço por que não presenteou os filhos dos operários com alguns McDonalds ou uma cadeia de pizzarias.

Os rapazes se encantam com a comida rápida e Evo, antes, tivesse podido acompanhar os pratos com infusões dessa coca maravilhosamente nutritiva que serve para não ficar careca ou para manter vigoroso e “brigão” o extremo da uretra, duas das preocupações recorrentes do pitoresco personagem.

Expropriar, além de resultar popular, é um caminho geralmente curto para o desastre econômico. O capital se esconde, foge ou é inibido de chegar aos lugares onde corre perigo. Por outro lado, a empresa expropriada não demora em se converter em um saco sem fundo, ineficiente e tecnologicamente atrasado, permanentemente necessitado de injeções de capital para que não se afunde sob o peso da corrupção e o clientelismo.

Por que o Estado é um empresário tão mau? Simples: porque o Estado é dirigido pelos políticos. Os objetivos que estes perseguem são diferentes e opostos aos dos proprietários dos negócios quando operam em um mercado regido pela concorrência.

Aos políticos, salvo os mais responsáveis e melhor instruídos, não interessa a competitividade empresarial, a rentabilidade do investimento e obter benefícios para investir e continuar crescendo, mas sim controlar os orçamentos para se beneficiar e beneficiar seus partidários.

Também não convém a eles opor-se aos sindicatos, peçam o que pedirem ou trabalhem o que trabalharem. É melhor ser complacente. Resultado: o dinheiro com o qual se remunera os  empregados públicos não provém do bolso próprio, mas sim do nebuloso produto dos impostos. É o que os espanhóis chamam “disparar com a pólvora do rei”. Custa para o outro.

O negócio dos políticos é ganhar as eleições. É uma espécie voraz que se alimenta de votos, de aplausos e, quando são desonestos (algo que, felizmente, não acontece sempre), do dinheiro alheio. Por isso é um erro colocar um governo para operar uma fábrica de pão. Ao longo de um tempo, o pão não renderá, resultará caríssimo e, ainda por cima, sairá duro como uma pedra.

Onde as sociedades são sensatas e o povo quer progredir e prosperar, em lugar de expropriar negócios e constituir ruinosos Estados-empresários, o que fazem os políticos mais sagazes, impulsionados por seus eleitores, é propiciar a incessante criação de um denso tecido empresarial privado que paga impostos para o bem de todos.

Nessas nações desenvolvidas do Primeiro Mundo, as pessoas entendem que é bem mais inteligente e rentável se tornarem sócios passivos de milhares de empresas que entregam uma parte substancial de seus lucros sem propiciar a corrupção, sem fomentar o clientelismo e sem que o conjunto da sociedade corra riscos. As falhas são pagas pelos capitalistas. Os benefícios são recebidos por todos.

Isso sim:  nessas sociedades os políticos têm muito menos poder relativo que no sempre crispado mundinho neopopulista. Por isso elas vão muito melhor.

O Brasil na encruzilhada

Por Ives Gandra. Publicado originalmente no jornal O Estado de São Paulo.

A economia não é uma ciência ideológica, como quer certa corrente política, nem uma ciência matemática, como pretendem os econometristas. É evidente que a matemática é um bom instrumental auxiliar, não mais que isto, enquanto a ideologia é um excelente complicador. A economia é, fundamentalmente, uma ciência psicossocial, que evolui de acordo com os impulsos dos interesses da sociedade, cabendo ao Estado garantir o desenvolvimento e o equilíbrio social, e não conduzi-la, pois, quando o faz, atrapalha.

Por outro lado, o interesse público, em todos os tempos históricos e períodos geográficos, se confunde, principalmente, com o interesse dos detentores do poder, políticos e burocratas, que, enquistados no aparato do Estado, querem estabilidade e bons proventos, sendo o serviço à sociedade um mero efeito colateral (vide meu “Uma breve teoria do poder”, Ed. RT). Por esta razão, o tributo é o maior instrumento de domínio, sendo uma norma de rejeição social, porque todos sabem que o pagam mais para manter os privilégios dos governantes, do que para que o Estado preste serviços públicos. A carga tributária é, pois, sempre desmedida, para atender os dois objetivos.

Na super-elite nacional, representada pelos governantes, o déficit previdenciário gerado para atender menos de 1 milhão de servidores aposentados foi superior a 50 bilhões de reais, em 2011; enquanto para os cidadãos de 2ª. Categoria – o povo -, foi de pouco mais de 40 bilhões, para atender 24 milhões de brasileiros!!!

Numa arrecadação de quase 1 trilhão e quinhentos bilhões de reais (35% do PIB brasileiro), foram destinados à decantada bolsa família menos de 20 bilhões de reais! Em torno de 1% de toda a arrecadação!!! O grande eleitor do Presidente Lula e da Presidente Dilma não custou praticamente nada aos Erários da República.

O poder fascina! No Brasil, há 29 partidos políticos. Mesmo consultando os grandes filósofos políticos desde a antiguidade até o presente, não consegui encontrar 29 ideologias políticas diferentes, capazes de criar 29 sistemas políticos autênticos e diversos. Desde Sun Tzu, passando por indianos, pré-socráticos, a trindade áurea da filosofia grega (Sócrates, Platão e Aristóteles), pelos árabes Alfarabi, Avicena e Averróis e os patrísticos e autores medievais, entre eles Agostinho e São Tomas, e entrando por Hobbes, Locke, Montesquieu, Hegel até Proudhon, Marx, Hannah Arendt, Rawls, Lijphart, Schmitt e muitos outros, não encontrei 29 sistemas políticos distintos.

Ora, 29 partidos políticos exigem de qualquer governo a acomodação de aliados e tal acomodação implica criação de Ministérios e encargos burocráticos e tributários para o contribuinte. O Brasil tem muito mais Ministérios que os Estados Unidos.
Por esta razão, suporta uma carga tributária indecente e uma carga burocrática caótica para tentar sustentar um Estado, em que a Presidente Dilma não conseguiu reduzir o peso da Administração sobre o sofrido cidadão. E os detentores do poder, num festival permanente de auto-outorga de benesses, insistem em aumentar seus privilégios, como ocorre neste fim de ano, com a pretendida contratação de mais 10.000 servidores e aumentos em cascata de seus vencimentos.
Acresce-se a este quadro a ideológica postura de que os investidores no Brasil não devem ter lucro, ou devem tê-lo em níveis bem reduzidos. Resultado: México e Colômbia têm recebido investidores que viriam para o Brasil, pois tal preconceito ideológico inexiste nesses países.

A consequência é que, no governo Dilma, jamais os prognósticos deram certo. Têm seus ministros econômicos a notável especialidade de sempre errarem seus prognósticos, o que dá insegurança aos agentes econômicos e desfigura o governo. Os 4,5% de crescimento do PIB para 2011 ficaram torno de 2,5%. Os 4% prometidos para 2012 ficarão ainda pior, ou seja, pouco acima de 1%.
A política energética – em que o governo pretende seja reduzido o preço da energia pelo sacrifício das empresas, e não pela redução de sua esclerosadíssima máquina pública – poderá levar à má qualidade de serviços e desistências de algumas concessionárias de continuarem a prestar serviços. A Petrobrás, por exemplo, para combater a inflação, provocada, principalmente pela máquina pública, tem seus preços comprimidos. Nem mesmo a baixa de juros está permitindo combater a inflação, com o que terminaremos o ano com baixo PIB e inflação acima da meta.

Finalmente, a opção ideológica pelo alinhamento com governos como os da Venezuela, Bolívia, Equador e Argentina tem feito o Brasil tornar-se o alvo preferencial dos descumprimentos de acordos e tratados por parte desses países, saindo sempre na posição de perdedor.
Muitas vezes tenho sido questionado, em palestras, porque o Brasil, com a dimensão continental que tem, em vez de relacionar-se, em pé de igualdade, com as nações desenvolvidas, prefere relacionar-se com os países de menor desenvolvimento, tornando-se presa fácil de políticas estreitas, nas quais raramente leva a melhor. Tenho sugerido que perguntem à presidente Dilma.

Como a crise européia não será solucionada em 2013, como os investidores estão se desinteressando pelo País, por força desta aversão dos governantes brasileiros ao lucro, e com os investimos em consumo, beneficiando, inclusive, a importação, e não a produção e o desenvolvimento de tecnologias próprias, chegamos a uma encruzilhada. Bom seria se os Ministros da área econômica deixassem de fazer previsões sempre equivocadas e que a Presidente Dilma procurasse saber por que os outros países estão recebendo investimentos e o Brasil não. Como dizia Roberto Campos, no prefácio de meu livro “Desenvolvimento Econômico e Segurança Nacional – Teoria do limite crítico”, “a melhor forma de evitar a fatalidade é conhecer os fatos”.