A face ditatorial, cruel e sanguinária do progressismo

Esse texto foi originalmente publicado no blog Reação Adventista. Para ler o original, clique aqui.

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A França é, notavelmente, um dos países mais progressistas do mundo. Por progressismo entendemos uma postura política e cultural que se opõe a muitos valores religiosos e tradicionais, pretendendo superá-los. A esquerda quase inteira bebe dessa fonte, sendo o progressismo muitas vezes um sinônimo de esquerdismo. Mas também na direita há vertentes que se nutrem dessa postura, ainda que de maneiras diferentes. E a França sofre desse mal há mais de dois séculos.

Duas notícias recentes advindas justamente desse país demonstram o quanto o progressismo é uma postura frequentemente ditatorial, cruel e sanguinária. A primeira diz respeito ao vídeo “Dear Future Mom” (“Querida Futura Mamãe”). Esse vídeo foi criado pela CoorDown, uma organização italiana que defende pessoas com Síndrome de Down e é uma resposta à carta de uma grávida que descobriu que seu filho nasceria com a síndrome. O belo vídeo, que incentiva as pessoas a amarem filhos que nasçam com a síndrome, teve sua veiculação proibida na TV francesa pelo Estado. A razão? O conteúdo do vídeo foi considerado ofensivo pelo “Conselho de Estado da França” (France’s Counseil d’Etat), que o julgou inconveniente por “causar distúrbios à consciência das mulheres que abortaram”.

Ora, pesquisas revelam que na França, 92% dos bebês diagnosticados com Síndrome de Down durante a gestação são abortados. Esses números demonstram que boa parte da sociedade francesa se tornou adepta de uma espécie de eugenia e que o Estado pretende proteger essa postura imoral através de uma atitude imoral: a censura. Em resposta a essa afronta, a Lejeune Foundation levará o caso à Comissão Europeia para os Direitos Humanos.

A segunda notícia também tem a ver com aborto. Recentemente, o Parlamento francês aprovou uma nova lei criminalizando páginas de internet que procuram incentivar mulheres a não abortar. A chamada “lei de interferência digital” pretende impedir o funcionamento de sites que “deliberadamente enganem, intimidam e/ou exerçam pressão psicológica ou moral para desencorajar o recurso ao aborto”. Os que passarem por cima da lei provavelmente pagarão uma multa de até 30 mil euros.

Os partidos franceses de esquerda apoiaram a lei em peso, enquanto os de direita se opuseram. Bruno Retailleau, do Partido Republicano, afirmou que a lei se posiciona “totalmente contrária à liberdade de expressão”. Ele ainda enfatizou que a legislação que liberou o aborto na França em 1975 previa que as mulheres deveriam ser informadas das demais opções.

Jean-Frédéric Poisson, do Partido Democrata Cristão, também pontuou algo muito relevante: o governo francês está lutando contra sites pró-vida, mas se recusa terminantemente a fazer o mesmo com páginas de internet que promovem o islamismo radical. E essa proteção aos adeptos do islamismo radical é a grande responsável pelos problemas que a França vem passando com o terrorismo.

Como podemos ver, o progressismo possui uma face ditatorial, cruel e sanguinária. Em uma busca desenfreada pela remodelação da sociedade sob uma base secular e anticristã, o progressismo não mede esforços e não mantém escrúpulos para destruir aquilo que julga ser resquícios de cristianismo e conservadorismo. A intenção é colocar o homem no centro de tudo e fazer um mundo conforme a sua imagem e semelhança. Esse embate cultural, nas mãos da esquerda, se torna uma ferramenta poderosa para aumentar o poder do Estado, culminando em limitação da liberdade de expressão e censura. É o que a França está presenciando. À pretexto de proteger determinadas mulheres, o Estado francês coloca uma mordaça na parcela não progressista da população. Assassinato de bebês, preconceito contra portadores da Síndrome de Down, eugenia, censura, conivência com o terrorismo islâmico. O que mais virá?

Clique aqui para ver o vídeo que foi censurado pela TV francesa.

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O Conceito de Planejamento Econômico

Resenha do capítulo “O Conceito de Planejamento”, presente no livro “Planejamento no Brasil”, de Betty Mindlin Lafer.

O capítulo se inicia falando sobre o início da implantação do processo de planejamento econômico nas economias a nível mundial, se tratando de um processo relativamente recente (se bem que o livro é da década de 1970), assim como o debate a cerca do mesmo, datado da década de 1920, ou seja, uma próxima distância na literatura econômica.

O debate se inicia apresentando a importância dos preços em uma economia, principalmente os preços dos bens finais, que são um reflexo da demanda final de toda uma cadeia econômica. A questão principal se torna, portanto, como atribuir preços que maximizem essa relação. A saber, na economia capitalista, não somente os bens finais, mas sim todos os fatores de produção são precificados pelo mercado de acordo com a oferta (escassez) e demanda dos mesmos na busca de igualar a demanda à oferta.

O ponto, porém, é quem define os preços. O debate da época discute se isso é algo que apenas o setor privado da economia capitalista pode fazer ou se o governo poderia aplicar o processo de precificação de maneira centralizada em uma economia socialista. Os empresários do setor privado, em busca de maximização de lucros, irão concorrer entre si para satisfazer a demanda dos consumidores. Dada a concorrência e a necessidade de lucros, os preços dos produtos estarão próximos aos custos dos mesmos, só que maiores, para que o empreendimento seja economicamente sustentável. Tal processo otimiza o uso de recursos, pois tende a evitar preços excessivamente altos e melhora a gestão de custos de maneira clara e racional.

O livro, então, apresenta a crítica ao sistema de precificação apresentado pelo socialismo feita por economistas naquele período, principalmente por economistas austríacos como Ludwig von Mises e Friedrich Hayek. Mises parte do princípio de que, com base no processo de precificação acima descrito, apenas os preços da economia de mercado refletem de maneira racional a utilização de recursos. Abolida a economia de mercado, o pilar da precificação racional se esvai, pois não reflete mais corretamente os interesses dos produtores e consumidores e, por conseguinte, os fatores de produção da economia entrarão em desequilíbrio, causando problemas econômicos como desemprego de fatores (incluindo mão de obra) e escassez.

Hayek, por sua vez, foca na questão das informações: as informações, dispersas na sociedade, estão refletidas automaticamente nos preços dos bens e serviços por causa do processo natural da economia de mercado, além de mudarem constantemente, já que o comportamento da demanda não é estático. Uma economia com precificação centralizada teria o problema de igualar a oferta com a demanda sem tais parâmetros e, ainda mais importante, refletindo de fato a demanda dos consumidores, que é dinâmica.

Uma solução exageradamente simplória é então apresentada – o que não é demérito do livro, que apenas apresenta a ingênua solução apresentada pelos defensores do socialismo de mercado. A solução propriamente dita apresentada se baseia em duas regras: partindo do princípio que os preços são dados, seria necessário minimizar os custos de produção e igualar o preço marginal ao custo marginal. Primeiramente, tais regras podem ser aplicadas a qualquer sistema econômico para maximizar resultados e, segundo, os preços são dados pelo processo da economia de mercado, o que não é reiterado. Tal mudança, portanto, se faz desnecessária, pois a economia de mercado já aplica “as duas regras” e de maneira mais racional; a solução fornecida maximiza sim o uso de recursos, mas não necessariamente o adéqua à demanda dos consumidores – o que é fundamental, pois a economia existe para nos servir, tanto como produtores, quanto como consumidores. Assim sendo, seria mais simples e racional manter a economia de mercado, que aplica as mesmas regras de uso de recursos e que fornece os preços, os quais são reflexos da oferta e da demanda. Além disso, o livro diz que Enrico Barone apresenta essa possibilidade de solução de uso dos recursos, mas não diz que esse tipo de precificação assume relações de produção fixas, o que é, na prática, ignorar o ponto que Hayek levanta, de informações dinâmicas.

O livro, então, chega ao ponto em que é feita a mesma e velha argumentação que se massificou após a crise de 1929: de que o capitalismo é instável e, portanto, não poderia ser deixado ao livre mercado o poder de decidir os rumos da economia, surgindo, dessa forma, a necessidade da participação ativa do Estado. Tal reflexão existe porque infelizmente a contribuição da escola austríaca à literatura econômica somente é lembrada quando o assunto é planejamento econômico e precificação numa economia socialista. Como a maioria dos economistas, analistas e a academia nunca nem sequer entraram em contato com a Teoria Austríaca dos Ciclos Econômicos acabam aceitando tal afirmação.

A teoria demonstra que ingerências na condução da política monetária levam a alterações nos preços relativos da economia e nos investimentos em um processo definido como expansão (boom) e retração (bust). Com a importância dos preços na economia, tais alterações causam desequilíbrios na utilização dos fatores de produção e a economia entra em recessão. O boom é caracterizado quando uma política monetária expansionista é posta em prática, aditivando a atividade econômica e a inflação de preços. Como o governo interferiu na economia por meio da política monetária, agora o crédito deixa de ter um preço real que estivesse de acordo com os preços relativos da economia – novamente, a importância da precificação de mercado –, assim como a relação de poupança e investimento, e investimentos que não seriam muito rentáveis caso isso não ocorresse são iniciados.

Para entender tal processo, é importante entender de fato que o quer dizer a Lei de Say: a oferta “cria” demanda. Say em momento algum diz que algo que foi produzido será prontamente consumido. Isso é um erro de interpretação generalizado e que é propagado constantemente. A questão que Say levanta é que só é possível consumir aquilo que é produzido, obviamente, e que para conseguir consumir alguém precisa produzir e ter renda; por meio do produto advindo da produção que se possibilita o consumo, e não o consumo que possibilita a produção. Evidente que precisa ter um tipo de equilíbrio, mas é impossível consumir algo que não foi produzido, e possível produzir algo que não foi consumido. O crescimento econômico sustentável surge, então, com ampliações na capacidade de produção, que posteriormente se transformarão em ainda mais renda para os produtores, que também são consumidores na outra ponta. Os mesmos irão consumir mais com parte dessa renda e vão poupar para investir a outra parte, reiniciando o processo.

Voltando ao ciclo econômico, surgem investimentos que não necessariamente estão equilibrados com o restante da economia (a crítica àquilo que as pessoas entendem por Lei de Say é válida, mesmo não sendo de fato algo defendido por Say), principalmente no médio prazo para frente. No curto prazo os resultados macroeconômicos serão satisfatórios, pois tais desequilíbrios ainda não se farão por sentir e a política monetária expansionista impulsiona o consumo. Todavia, tal política é puramente inflacionária, e precisa de taxas crescentes de expansão de moeda para ter um crescimento econômico a taxas crescentes, algo que acentua a inflação de preços. Quando tal política é finalmente revertida surge o bust; o crédito inflado artificialmente se retrai, assim como a atividade econômica, e a economia, que passou a ter uma precificação alterada e com fatores de produção alocados de maneira equivocada, além de ativos sobreprecificados (tudo isso devido ao fato da moeda não ser neutra), entra em recessão.

Posteriormente, o livro fala sobre distribuição de renda e o ótimo paretiano. O próprio livro assume que dada a individualidade de cada pessoa, é complexo conseguir com sucesso uma situação “ótima” do ponto de vista da distribuição de renda.

Logo em seguida, talvez o ponto mais criticável de todo o capítulo. Conforme na página 14, “a sociedade pode preferir uma situação ineficiente na alocação de recursos, causada pela intervenção do governo, e pequena concentração de renda, a uma situação em que a alocação seja ótima, mas a renda muito concentrada”. Isso quer dizer, em outras palavras, que uma sociedade pode preferir ser ineficiente, mas igualitária, do que produtiva e relativamente concentrada. Com certeza existem muitos socialistas que interpretam dessa forma, mas isso significa, por exemplo, que cidadãos da Etiópia, um dos mais pobres países do mundo, podem achar mais interessante viver nessas condições do que na Suíça ou no Canadá, países muito mais desenvolvidos, pois conforme relatório da ONU com base no Índice de Gini, a Etiópia possui sua pequena renda (ineficiente) mais bem distribuída do que a renda nos outros dois países citados (mais eficientes), assim como a renda no Vietnã e em Bangladesh é mais bem distribuída que na França e na Holanda. De fato alguns possam realmente achar que seja mais interessante todos viverem com pouco, porém viverem igualmente. Entretanto, tal visão é completamente diferente da maioria da população desses países, que constantemente buscam uma vida melhor em países mais desenvolvidos – ou então, em outros termos, desiguais na riqueza muito maior.

O capítulo segue discorrendo sobre o ótimo paretiano, o que nos leva a outro caso de um economista que tem parte de seu grande trabalho ignorado: Carl Menger. Menger é conhecido apenas como um dos nomes da Revolução Marginalista, ao lado de Léon Walras e William Jevons, formuladores do pensamento de que o valor não é estático e intrínseco à mercadoria, e sim varia conforme disponibilidade e avaliação subjetiva. Walras e Jevons acabaram seguindo uma abordagem matematizada, baseada em equações de troca e equilíbrio geral, a qual criou a base para a matematização da economia por nomes como Pareto, seguidor de Walras. Tal matematização leva à defesa de uma economia de mercado em parâmetros fundamentalistas e exagerados, todos com base em equações gerais de equilíbrio que representariam a ação humana. O capítulo demonstra a eficiência do mercado por meio da explicação dessa abordagem. Menger, por sua vez, segue uma linha firme ao mesmo tempo em que bem ponderada, e afirma que a eficiência da economia de mercado se dá nas relações voluntárias entre os indivíduos; como se tratam de relações voluntárias, os indivíduos somente realizarão trocas quando, sob um ponto de vista subjetivo, for benéfico, sem necessariamente haver uma mensuração matemática exata desse benefício. A posição que Menger defende é, portanto, que os mercados funcionam bem e tendem ao equilíbrio, mas não necessariamente atingem algum tipo de ponto ótimo ou equilíbrio geral. Tal posição não é apresentada no capítulo.

A questão da diferença da abordagem austríaca e da abordagem neoclássica padrão matematizada se encontra também na concorrência perfeita, rechaçada até mesmo por alguns liberais, e na livre concorrência. Primeiramente, são dois conceitos diferentes. Concorrência perfeita é um cenário em que há muitos compradores e vendedores, que as informações estão disponíveis igualmente para todos e que os preços não são influenciados por ninguém, apenas pelo mercado, com tendência de lucro nulo no longo prazo, e a existência de livre concorrência. A livre concorrência, por sua vez, é a não existência de barreiras para quem quiser ofertar em determinado mercado.

Um dos pontos intrínsecos da concorrência perfeita é a necessidade de livre concorrência, mas a livre concorrência não necessariamente coexiste com a concorrência perfeita. Aliás, durante certo período de tempo é perfeitamente possível surgir um monopólio dentro da livre concorrência como, por exemplo, o surgimento de novos mercados. Todavia, após auferirem lucros acima da média, outros capitalistas que desejam lucros irão adentrar no setor, reduzindo as margens. Não existe a questão de “se formam monopólios e a livre concorrência se desfaz”, conforme a página 16. O que se desfaz é o conceito quase que abstrato de concorrência perfeita, não a livre concorrência, que continua ali, somente mudando a estrutura de mercado a qual ela está inserida. Concorrência não é algo estático, é um processo dinâmico e contínuo. Após as explicações teóricas, o capítulo continua até o final com explicações práticas de como formular e a aplicar o processo de planejamento econômico numa economia de mercado (não livre) e socialista.

Conclusão

Portanto, o capítulo traz à tona o debate e os conceitos envolvendo a questão da adoção da economia de livre mercado e da economia planificada. Como o autor claramente rechaça em sua abordagem que a economia de livre de mercado seja superior à planificada sua conclusão da eficácia de um planejamento econômico é de que os planejamentos devem ser bem elaborados, abrangendo variáveis importantes e que, nessas condições, os eventuais problemas nos planos são exógenos ao mesmo. Ou seja, não admite que os problemas da planificação econômica para a sociedade são que os planejadores centrais podem não saber o que é melhor para os próprios indivíduos, para os próprios empreendedores e para os próprios consumidores do que eles mesmos.

Ler também:

A culpa da crise em terceiros

Expondo a farsa do dito “pacifismo” Islâmico

Um amigo me encaminhou esse artigo pelo Facebook, ao que tudo indica foi traduzido por um Português, porem perfeitamente compreensível, apenas fica nota que  “Puto” significa criança, menino em Portugal.

Encontrei o Blog do Senhor Collard, porem não encontrei esse texto especifico, mas minha busca foi superficial. Porem o que é descrito no texto é basicamente o discurso de quase todo líder religioso Islâmico, praticamente sem exceção.

Mensagem de um advogado na França. (Gilbert Collard)

Bom dia,


Como demonstram as linhas que se seguem, fui obrigado a tomar consciência da extrema dificuldade em definir o que é um infiel.


Escolher entre Alá ou o Cristo, até porque o Islamismo é de longe a religião que progride mais depressa no nosso país. O mês passado, participava no estágio anual de actualização, necessária à renovação da minha habilitação de segurança nas prisões. Havia nesse curso uma apresentação por quatro intervenientes representando respectivamente as religiões Católica, Protestante, Judaica e Muçulmana, explicando os fundamentos das suas doutrinas respectivas. Foi com um grande interesse que esperei a exposição do Imã.


A prestação deste ultimo foi notável, acompanhada por uma projecção vídeo.
Terminadas as intervenções, chegou-se ao tempo de perguntas e respostas, e quando chegou a minha vez, perguntei: “Agradeço que me corrija se estou enganado, mas creio ter compreendido que a maioria dos Imãs e autoridades religiosas decretaram o “Jihad” (guerra santa), contra os infiéis do mundo inteiro, e que matando um infiel (o que é uma obrigação feita a todos os muçulmanos), estes teriam assegurado o seu lugar no Paraíso. Neste caso poderá dar-me a definição do que é um infiel?”


Sem nada objectar à minha interpretação e sem a menor hesitação, o Imã respondeu: “um não muçulmano”.


Eu respondi : “Então permita de me assegurar que compreendi bem : O conjunto de adoradores de Alá devem obedecer às ordens de matar qualquer pessoa não pertencendo à vossa religião, a fim de ganhar o seu lugar no Paraíso, não é verdade?


A sua cara que até agora tinha tido uma expressão cheia de segurança e autoridade transformou-se subitamente ao de “um puto” apanhado em flagrante com a mão dentro do açucareiro!!!


É exacto, respondeu ele num murmúrio.


Eu retorqui : “Então, eu tenho bastante dificuldade em imaginar o Papa dizendo a todos os católicos para massacrar todos os vossos correligionários, ou o Pastor Stanley dizendo o mesmo para garantir a todos os protestantes um lugar no Paraíso.”


O Imã ficou sem voz !


Continuei : “Tenho igualmente dificuldades em me considerar vosso amigo, pois que o senhor mesmo e os vossos confrades incitam os vossos fiéis a cortarem-me a garganta !”


Somente um outra questão : “O senhor escolheria seguir Alá que vos ordena matar-me a fim de obter o Paraíso, ou o Cristo que me incita a amar-vos a fim de que eu aceda também ao Paraíso, porque Ele quer que eu esteja na vossa companhia ?” Poder-se-ia ouvir uma mosca voar, enquanto que o Imã continuava silencioso.


Será inútil de precisar que os organizadores e promotores do Seminário de Formação não apreciaram particularmente esta maneira de tratar o Ministro do culto Islâmico e de expor algumas verdades a propósito dos dogmas desta religião.


No decurso dos próximos trinta anos, haverá suficientes eleitores muçulmanos no nosso país para instalar um governo de sua escolha, com a aplicação da “Sharia” como lei.


Parece-me que todos os cidadãos deste país deveriam poder tomar conhecimento destas linhas, mas como o sistema de justiça e dos “media” liberais combinados á moda doentia do politicamente correto, não há forma nenhuma de que este texto seja publicado.


É por isto que eu vos peço para enviar a todos os contactos via Internet.


Gilbert Collard

A esquerda e a derrota

O raciocínio de esquerda a respeito da derrota é similar em todos os campos em que há vencedores e perdedores. A estrutura lógica do pensamento é a seguinte: se alguém, principalmente se for mais fraco, perde, a culpa não é dele. De quem é? Do capitalismo, da sociedade, enfim, de qualquer terceiro, nunca daquele perdeu.

O Partido da Causa Operária, por meio do jornal Causa Operária, após a humilhante derrota da seleção brasileira na Copa do Mundo de 2014 para a Alemanha por um placar histórico, publicou um artigo sobre a partida. Não é de se surpreender que ele está situado na mesma estrutura de raciocínio acima.

De acordo com o artigo, escrito pelo candidato à presidência do Brasil nas eleições de 2014 e presidente do PCO Rui Costa Pimenta, a derrota veio muito antes do início da partida. A derrota da seleção brasileira foi o resultado das ações da “direita nacional, dos monopólios capitalistas, da imprensa” e até mesmo de outros setores da própria esquerda, numa disputa entre semelhantes ideológicos que muita se assemelha (só que mais amigável) ao embate entre Josef Stalin e Leon Trotsky após a morte de Vladimir Lenin na União Soviética, que terminou com a vitória de Stalin, e com Trotsky sendo expurgado da ex-URSS e posteriormente assassinado no México.

O artigo continua como é de praxe no futebol entre aqueles que não conseguem assumir a derrota por incompetência, ou seja, atribuindo a culpa à arbitragem. De fato, por vezes a arbitragem influencia sim no resultado final, mas não em um massacre desse nível. A seleção, “que não pode ser culpada por nada”, teve que lutar “contra todos os juízes e tramoias obscuras” sem o seu melhor jogador, igual ao povo brasileiro, e aí surgem os apelos emotivos característicos.

Já outro artigo, publicado logo após a derrota, esbanja a caricatura do argumento. De qualidade argumentativa inferior, tanto por conhecimento sociopolítico quanto por até mesmo do próprio futebol, descreve com um ufanismo inicial que a seleção brasileira jogava melhor que a alemã até sofrer o primeiro gol, e que poderia dominar um jogo contra uma seleção que possui alguns dos melhores jogadores do mundo com facilidade. Mas o Brasil jogava desfalcado, sem seu capitão Thiago Silva – como se a ausência de um único jogador entre 11 fosse suficiente para desestabilizar um time que dominaria com facilidade. O capitão foi, segundo o autor, suspenso “coincidentemente” no jogo contra a seleção colombiana, num lance em que atrapalhou o goleiro colombiano enquanto o mesmo mantinha a posse de bola e iria fazer a reposição, e já que “a regra é clara”, se trata de uma infração a ser punida com cartão amarelo, que tirou o jogador da semifinal.

No mesmo jogo, o Brasil perdeu Neymar, o craque do time, num lance em que o árbitro não marcou falta pois aplicou a lei da vantagem, errando apenas em não advertir o jogador posteriormente – como se dar cartão ao jogador fosse trazer o Neymar de volta da lesão. Todavia, novamente segundo o autor, Brasil foi altamente prejudicado nisso, algo que colocaria a participação país em risco – como se a própria seleção brasileira não tivesse ganho a Copa do Mundo de 1962 após perder o gênio Pelé também por lesão logo no segundo jogo e como se a Alemanha não estivesse perdendo vários jogadores para a disputa do mundial meses antes da disputa.

Aqueles que julgam que a Alemanha, país tradicionalíssimo no futebol e com jogadores titulares entre os melhores clubes do mundo, possui melhor seleção não é porque realizaram um trabalho recente mais sério em relação ao esporte do que o Brasil. Não, é superior pois existe um sentimento da época nazista da superioridade germânica, algo que a classe média coxinha (termo que se popularizou entre a esquerda recentemente) aceitou. Aliás, a classe média coxinha é aquela que não supostamente não apoiava o time, e o belo canto do hino brasileiro antes dos jogos, por exemplo, deve ser pura ilusão.

Já no que diz respeito à economia da Alemanha, a mesma é, segundo o mesmo raciocínio vitimista, a responsável por milhões de mortes por fome na Europa e no mundo todo. Sobre a Europa, é algo completamente em desacordo com a realidade. Talvez a fonte da informação seja uma declaração de Vigdís Hauksdóttir, islandesa do Partido Progressista islandês, que afirmou que a Europa sofre de fome atualmente e que Malta não é um país. Vigdís foi criticada por Sigríður Víðis Jónsdóttir, diretora de comunicações da UNICEF na Islândia, pelo uso trivial e irresponsável da palavra fome. Também afirmou que, estatisticamente falando, se realmente esse fosse o cenário, com o tamanho da atual população europeia, aproximadamente dez mil pessoas estariam morrendo todos os dias em cidades como Roma, Atenas e Madrid, o que de fato não prossegue.

De qualquer forma, o que faz a Alemanha com o seu maldoso programa de austeridade, que causa fome em terceiros? Tenta manter as contas públicas em ordem, sem gastar muito e sem usurpar muitos recursos do setor produtivo da sociedade por meio de altos impostos, preza por produtividade caso queira mais salários e produção, e qualquer outra coisa economicamente sensata. Aliás, a austeridade alemã não é tão resistente quanto a suíça ou a báltica, mas está muito distante das insanidades cometidas por Reino UnidoEspanha, Grécia, França e outros países da União Europeia. Mais detalhes de austeridade na Europa e suas consequências neste link.

Na mentalidade vitimista, países que passam por dificuldades econômicas são vítimas. Antes, apenas dos Estados Unidos imperialista neoliberal “e insira aqui mais alguns termos pejorativos”, mas agora a Alemanha se tornou o mais novo alvo, principalmente no contexto europeu. Esses países mais pobres não passam por dificuldades pois em alguns momentos no passado erraram e esses erros refletem na atualidade, passam por dificuldades pois terceiros impuseram essa realidade. Se você não faz o certo e erra a culpa não é sua, é dos Estados Unidos. Ou, nos casos mais recentes, da Alemanha.

Quem foi Frédéric Bastiat?

Frédéric Bastiat nasceu em 30 de junho de 1801, em Bayonne, cidade portuária no oceano atlântico, perto da fronteira franco-espanhola.  As aventuras econômicas dessa cidade — que conserva a lembrança de porto livre outorgado em 1748 e a “onda de ouro que disso resultou”, enquanto, ao mesmo tempo, sofria um brutal marasmo causado pela revolução de 89, pela guerra sob Napoleão e pelo bloqueio inglês — impressionaram sem dúvida duramente o menino Bastiat, provocando suas primeiras reflexões.

Órfão aos sete anos de idade, Bastiat é confiado a seu avô, proprietário de terras de Mugron, e à sua tia Justine, que se ocupa de sua educação.  inscrito inicialmente no colégio de Saint-Sever, transfere-se sem seguida para o de Sorèze, no departamento de Tarn, a 300km de Mugron. Nesse colégio, Bastiat recebe a base de sua formação. Além das letras (grego, latim, italiano, espanhol e inglês) e da matemática e ciências naturais, com “seções de trabalhos práticos bem conduzidos”, o aluno “tomou gosto” pelas ideias gerais, a filosofia e a economia política.  Foi também em Sorèze que Bastiat aprendeu a tocar violoncelo, instrumento que “o descansava de seu trabalho intelectual” e entrecortava, ao longo de sua vida, suas horas de reflexão.

Ao sair de Sorèze, em 1818, aos 17 anos, seu avô decidiu que ele iria para Bayonne, para casa do seu tio, antigo sócio de seu pai, a fim de com ele iniciar sua vida de trabalho no comércio.

Ao mesmo tempo “sonhador lúcido” e “ávido de conhecimentos”, o jovem Bastiat se dedica à leitura de tudo o que pode, lendo Adam Smith, aos 19 anos, e mergulhando depois em Jean-Baptiste Say.

Após seis anos trabalhando no comércio, volta para junto de seu avô, que vem a falecer no ano seguinte, em 1825.  Ei-lo então, aos 24 anos, herdeiro de uma vasta propriedade, que passa a ter de administrar.

Leva para essa propriedade o maior número possível de livros e, acompanhado de seu amigo de infância Félix Coudroy, que se torna seu colaborador e conselheiro, dedica-se à leitura e ao estudo de autores como Smith, Say, Franklin, Ricardo, Destutt de Tracy, Charles Comte, bem como de filósofos, de Jean-Jacques Rousseau e Joseph de Maistre.  Essa vida “exploratória e meditativa” em Mugron valeu-lhe a erudição que, mais tarde, viria a encantar os salões parisienses.

Mas Bastiat também se revela bom administrador de terras,  embora fosse acusado de se preocupar mais com suas reflexões do que com seu patrimônio.  Assim, busca conhecer melhores meios de cultivar suas terras, valendo-se para tal da orientação de agrônomos de renome.  E ia então aumentando esse patrimônio.  Esbarrava, contudo, nas “desvantagens do sistema de arrendamento e no espírito de rotina dominante à época”.  Isso, porém, não deixou de se constituir para ele numa experiência altamente gratificante e que “os burocratas não conseguem conhecer”.

Por ironia do destino, Bastiat torna-se recebedor de impostos, sendo alvo de brincadeiras dos habitantes de Mugron — que não entendem como alguém que considera o imposto uma arrecadação desestabilizadora, “desordenada”, contrária à ordem natural, uma resposta ao que se vê em detrimento do que não se vê, se torne um arrecadador de impostos.

Em julho de 1830, quando Paris derrubou o rei Carlos X, Bastiat parte para a guerra, revoltado que está com as restrições reais à liberdade.  Lutam em Bayonne e só retorna a casa depois de colocada a salvo a liberdade.  Retoma sua pena e escreve sua primeira mensagem pública, um manifesto intitulado “aos eleitores de Landes”, no qual mostra e explica a esperança que a troca de regime lhe inspira. Daí por diante, não mais deixará de escrever.

É nomeado juiz de paz de seu cantão.  Faz justiça meio displicentemente, “sentado numa cadeira, com os cotovelos sobre o espaldar, batendo à mesa com um corta papéis e desenhando bonecos à maneira dos estudantes”.  Pronuncia suas sentenças julgando “pelo bom senso e pela equidade’’, o que é bastante para os litigantes.

Em 1832, é eleito para o conselho Geral do departamento de Landes.  Aí batalha por um melhor equacionamento do imposto territorial.

Em 1848, é eleito deputado constituinte e, em seguida, é conduzido à assembleia Legislativa, onde se torna “inclassificável”, pois se revela republicano demais para os conservadores e conservador demais para os republicanos.

Bastiat consegue isolar-se, graças à independência de seu espírito.  “Não é necessário, diz ele, olhar com quem, mas por quem se vota. Sim, eu votei com a Esquerda, quando as legítimas reivindicações da classe pobre e o seu sofrimento foram desconhecidos. Sim, votei com a Direita, quando se tratou de resistir aos exageros das falsas ideias populares.”

Embora não dotado de força oratória, sobe várias vezes à tribuna, sobretudo para defender o direito da associação de patrões e operários, em virtude de uma questão envolvendo a expropriação, e para reiterar sua hostilidade a todo e qualquer monopólio.

Escolhido para integrar a comissão de Finanças da assembleia, foi eleito seu vice-presidente por oito vezes consecutivas.

Mas sua atividade principal — à qual se atem com perseverança — é escrever.

Revoltado contra o protecionismo cego que domina, na França, a política econômica e que resulta num “encarecimento excessivo da vida, desproporcional aos salários”, e priva a indústria e o comércio da estimulante concorrência estrangeira; entusiasmado com as ideias de Cobdén, Fox, Bright e outros, que na inglaterra, levam avante o “bom combate” em prol da livre iniciativa; influenciado ainda pelo apego dos espanhóis à independência individual Bastiat escreve “Influência das tarifas francesas e inglesas no futuros desses dois povos”. Aí compara as duas políticas econômicas: a inglesa, “que se abre pouco para a liberdade”, e a francesa, “que afunda um pouco mais no obscurantismo do protecionismo”.

Tal artigo, encaminhado ao Journal des Economistes, sem qualquer recomendação, é colocado no fundo da gaveta.  Um dia, porém, descoberto pelo redator chefe, é publicado e consagra Bastiat como economista.  Logo é convidado a Paris, onde desembarca em 1845.  Lá conhece Horace Say, presidente da câmara de comércio.  E começa a publicar sem parar.

Em 1845, aparecem os seus primeiros “Sofismas”.  Após nova viagem à inglaterra, nos brinda com “Cobden e a Liga”.

Em 1846, funda a primeira associação pró-livre iniciativa na França.  Posteriormente, uma outra em Paris.

Bastiat compreende que, num país centralizador como a França, o impulso dessa luta liberal deve partir do centro.  Fixa-se então em Paris e inicia grande correspondência e escreve em grande quantidade de jornais e revistas.

Em 1847, apesar de doente, percorre a França fazendo conferências e chega mesmo a lecionar economia política.

Em 1848, começa “uma das lutas mais úteis e mais gloriosas” contra Pierre-Joseph Proudhon, o chefe de uma das facções utopistas e autor da “frase popular”: “a propriedade é roubo”.

Entre novembro de 1849 e março de 1850, Proudhon e Bastiat trocam correspondência intensa e inúmeras publicações, nas quais, no dizer de Molinari, Bastiat “recolhe um a um os argumentos de Proudhon e os quebra em mil pedaços”.

Ao final dessa polêmica, Bastiat sente que sua vida se esvai. Destruído pela tuberculose, ele sabe que o trabalho ao qual se dedicou lhe será mortal e que necessita de repouso para prolongar sua vida.

Não consegue, contudo, parar.  Publica Harmonias Econômicas  e, depois, Harmonias Sociais, um hino à paz social que ele dirige à juventude e no qual busca refutar a ideia de que “o lucro de uns é prejuízo de outros”.

No outono de 1850, fugindo ao rigor do inverno parisiense que se aproxima, parte para Roma, em busca do “céu clemente da Itália”.

No dia 24 de dezembro de 1850, ao cair da tarde, Bastiat expira.


Obras de Bastiat disponíveis na nossa Biblioteca:

Petição

por Frédéric Bastiat. Leve adaptação por Renan Felipe dos Santos.

Petição dos fabricantes de velas, lamparinas, castiçais, postes de luz, isqueiros, apagadores de vela e produtos feitos com sebo, óleo, resina, álcool e tudo o que, de um modo geral, se refere a material de iluminação.

Aos senhores membros da Câmara dos Deputados.

SENHORES,
Vós estáis absolutamente certos. Desprezais as teorias abstratas; a abundância e os preços baixos vos dizem pouco. Preocupai-vos sobretudo com o destino do produtor. Quereis livrá-lo da concorrência estrangeira. Em uma palavra: desejais reservar o mercado nacional para a indústria nacional.

Viemos, portanto, oferecer-vos uma especial oportunidade para aplicar vossa… como dizer? vossa teoria. Não, nada há de mais enganador do que a teoria. E vossa doutrina? E vosso sistema? Vosso princípio? Mas vós não apreciais as doutrinas. Tendes horror aos sistemas. E, quanto aos princípios, declarais que não existem em economia social. Chamaremos isso, então, de vossa prática, vossa prática sem teoria e sem princípios.

Atualmente vivemos sob a intolerável concorrência de um rival estrangeiro. Ele possui, ao que parece, condições altamente superiores às nossas para produzir luz. Este rival inunda nosso mercado nacional com preços fabulosamente reduzidos. E basta que ele apareça para que todas as nossas vendas cessem. Todos os consumidores se dirigem a ele. Com isso, boa parte da indústria francesa, que possui inúmeras ramificações, fica diretamente atingida por uma estagnação completa. Este rival, que não é outro senão o sol, declarou contra nós guerra tão ferrenha que suspeitamos nos tenha sido ele enviado pela Inglaterra. Prova disso é que ele vem dispensando a essa ilha orgulhosas atenções muito especiais que nem sequer se digna a nos oferecer.

Viemos então pedir-vos que editeis uma lei determinando que sejam fechadas todas as janelas, lucarnas, frestas, e também contraventos, postigos, cortinas, persianas, clarabóias, estores, enfim, todas as aberturas, buracos, fendas e fissuras por onde a luz do sol possa penetrar nas casas, provocando enorme prejuízo para as indústrias que temos o orgulho de ter criado em nosso País. Este, aliás, seria bastante ingrato, se nos abandonasse agora, diante de luta tão desigual!

Rogamos, Senhores Deputados, que não encareis este nosso pedido como uma sátira e que não o desprezeis  sem pelo menos escutar as razões que apresentamos e para as quais estamos solicitando vosso apoio.

Em princípio, se o acesso à luz natural for o mais possível dificultado, se for criada a necessidade da luz artificial, qual será a indústria na França que não se sentirá cada vez mais estimulada a se desenvolver?

Se se consumir mais sebo, haverá necessidade de mais bois e de mais carneiros; consequentemente, veremos multiplicarem-se os prados artificiais, o consumo de carne, de lã, de couro e sobretudo de estrume, base de toda a riqueza agrícola.
Se se consumir mais óleo, veremos expandir-se a cultura da papoula, da oliveira, da colza. Essas plantas ricas, mas que esgotam o solo, vão então tirar lucro da fertilidade que o rebanho de animais dará às nossas terras.

Nossos campos se cobrirão de árvores rabinosas. Numerosos enxames de abelhas recolherão em nossas montanhas tesouros perfumados que se evaporam das flores de onde emanam, sem qualquer aproveitamento atualmente. Não haverá, pois, um setor sequer da agricultura que deixará de ser beneficiado e de conhecer um grande desenvolvimento.

O mesmo acontecerá com a navegação. Milhares de embarcações partirão para a pesca da baleia e, em pouco tempo, teremos uma frota capaz de sustentar a França e de responder à patriótica susceptibilidade dos peticionários abaixo assinados, vendedores de velas, etc.

E o que dizer dos artigos manufaturados em Paris? Imaginai os dourados, os bronzes, os cristais dos castiçais, das lamparinas, dos lustres e dos candelabros, reluzindo em espaçosos estabelecimentos comerciais, colocando no chinelo as lojas de hoje, que não passam de pequeninas butiques!

Não haverá quem não venha a usufruir de aumentos de salário e de bem-estar, desde o pobre resineiro, no alto de sua colina, até o triste mineiro, no fundo das galerias de sua mina. Refleti sobre isso, Senhores, e vós vos convencereis de que não haverá um único francês, do opulento acionista da Companhia Anzin ao mais humilde vendedor de fósforos, a quem o sucesso de nossa petição não venha a favorecer.

Podemos prever vossas objeções, Senhores. Mas não nos apresentareis sequer uma que não esteja nos velhos e usados livros dos adeptos da liberdade comercial. Ousamos desafiar-vos a pronunciar qualquer palavra contra nós sem que ela reverta imediatamente contra vós e contra os princípios que orientam toda vossa política. Se disserdes que, caso obtenhamos o privilégio que estamos reivindicando, a França não lucrará nada, pois o consumidor arcará com despesas, nós vos responderemos: Vós não tendes mais o direito de invocar os interesses do consumidor. Todas as vezes que este teve problmas com o produtor, vós o sacrificastes sempre em todas as circunstâncias – assim procedestes para estimular o trabalho, para aumentar o domínio do trabalho. Pelo mesmo motivo e do mesmo modo deveis proceder agora.

Vós mesmos viestes ao encontro da objeção. Quando afirmávamos estar interessado o consumidor na livre introdução do ferro, do carvão, do sésamo, do trigo, dos tecidos, vós dizíeis que o produtor estava interessado na sua exclusão. Pois bem! Se os consumidores estão interessados na utilização da luz natural, os produtores, por sua vez, estão interessados na sua proibição.

Mas, dirieis ainda, o produtor e o consumidor formam um todo indivisível. Se o fabricante ganhar com qualquer privilégio que lhe for concedido, automaticamente ganhará o agricultor. Se a agricultura prosperar, abrir-se-ão possibilidades de venda fácil para as fábricas. E, se nos for concedido o monopólio da iluminação artificial durante o dia, compraremos mais sebo, carvão, óleo, resinas, cera, álcool, prata, ferro, bronze e cristais para alimentar nossa indústria. Além disso, nós e numerosos fornecedores, enriquecidos, consumiremos muito e espargiremos bem-
estar e abastança por todos os ramos de trabalho de nossa nação.

Direis então que a luz do sol é uma dádiva da natureza e, como tal, gratuita. Rejeitar, pois, dádivas dessa ordem seria rejeitar a própria riqueza, a pretexto de estimular os meios para adquiri-la?

Mas cuidado, pois assim estareis trazendo a morte para o coração de vossa política. Cuidado, já que, até o presente momento, tendes rejeitado sempre o produto estrangeiro, ainda mais porque se aproxima da dádiv gratuita! Para submeter-vos às exigências de outros monopolizadores, vós só tínheis uma semi-razão; para acolher nosso pedido, vós tendes uma razão completa. E rejeitar-nos com base no fato de que temos tais razões que os outros seria estabelecer a equação: + x + = –. Em outras palavras, seria acumular absurdo sobre absurdo.

O trabalho e a natureza concorrem em proporções diversas, conforme os países e os climas, para a criação de um produto. A parte que cabe à natureza é sempre grátis; a parte que cabe ao trabalho é que dá valor ao produto e que, portanto, se paga. Se uma laranja de Lisboa é vendida pela metade do preço de uma laranja de Paris, é porque um calor natural e, por conseguinte, gratuito, faz por uma o que a outra deve ao calor artificial, logo, dispendioso. Assim, quando uma laranja nos chega de Portugal, pode-se dizer que ela nós é oferecida metade gratuitamente,
metade com custos, ou, em outros termos, pela metade do preço da laranja de Paris.

Ora, é precisamente esta semigratuidade (perdão pela palavra usada) que vós contestais e quereis repudiar. Vós direis: “Como o trabalho nacional poderia sobreviver à concorrência com o trabalho estrangeiro? Aquele tem tudo por fazer, e este só a metade da tarefa, já que o sol se encarrega do resto.” – Mas se a semigratuidade nos leva a rechaçar a concorrência, como é que a gratuidade total vos levaria a admitir a concorrência? Ou vós não sois lógicos, ou deveis, ao rejeitar a semigratuidade por considerá-la nociva ao trabalho nacional, rejeitar com mais razão e com duas vezes mais zelo a gratuidade total.

E, ainda mais, quando um produto, sela ele carvão, ferro, trigo ou tecido, nos vem de fora e, por conseguinte, nós o adquirimos com menos esforço do que se tivéssemos que produzi-lo nós mesmos, a diferença está n fato de ser ele um dom gratuito que nos é concedido. Esse dom será mais ou menos considerável, quanto maior ou menor for esta diferença. Esta será de um quarto, da metade, ou de três quartos do valor do produto, se o estrangeiro nos pedir somente três quartos, a metade ou um quarto como pagamento. Ela será totalmente nula, se o doador, como faz o sol com relação a luz, não nos pedir nada. A questão, e nós aproveitamos para formalizá-la neste momento, está no fato de se saber se vós quereis para a França o benefício do consumo gratuito ou as pretensas vantagens da produção onerosa. Escolhei, mas sede lógicos, pois enquanto rejeitardes, como o fazeis presentemente, o carvão, o ferro, o trigo, os tecidos estrangeiros, pelo fato de seu preço aproximar-se de zero, que incoerência não seria então admitir a luz do sol, cujo preço é zero, durante todo o dia?

Alexis de Tocqueville

Nascido em Paris em 1805, Alexis-Charles-Henri Clérel de Tocqueville foi um membro da pequena nobreza. Foi mandado aos Estados Unidos, com seu amigo Gustave de Beaumont, pela família para evitar o tumulto da revolução de 1830. Ainda que o propósito da visita fosse estudar o sistema penal americano, Tocqueville fez muito mais durante os nove meses da viagem (11 de maio de 1831 a 20 de fevereiro de 1832) que o levaram a Boston, ao leste da Green Bay, Salto de St. Marie ao norte e em Nova Orleáns no sul. O relato dessa visita se tornou uma obra clássica de comentário social e filosofia política.

Ao criticar a América do século XIX, Tocqueville aponta suas fraquezas, bem como seus pontos altos. A democracia requer uma base moral, argumenta:

Quando a religião do povo é destruída, a dúvida toma conta das mais altas capacidades do intelecto e semi-paralisa todas as outras. Tal condição não pode senão enervar a alma, afrouxar as fontes da vontade, e preparar o povo para a servidão. Quando não há mais qualquer princípio de autoridade na religião do que na política, os homens ficam rapidamente aterrorizados com a aparência dessa independência ilimitada. O despotismo deve governar sem a fé, mas a liberdade não poderá fazê-lo. A religião é muito mais necessária nas repúblicas democráticas do que em qualquer outra. Como é possível que a sociedade escape da destruição se os laços morais não forem apertados na proporção em que os laços políticos são afrouxados?.

As suas obras incluem: Du système pénitentiaire aux États-Unis et de son application en France (1833), De la démocratie (1840) e L’ancien régime et la révolution (1856). Foi um defensor da liberdade e da democracia. A sua obra mais célebre foi traduzida para o português com o nome de A Democracia na América e é frequentemente usada em cursos de história americana do século XIX e de teoria política moderna.

Após o retorno à França, em fevereiro de 1832, submeteu o seu relatório penal e escreveu Da democracia na América. Esta obra foi impressa inúmeras vezes ainda no século XIX e acabou por tornar-se um clássico.

Um eminente representante da tradição política do liberalismo clássico, Tocqueville foi um participante ativo na política da França, primeiro sob a Monarquia de Julho (1830–1848) e depois durante a Segunda República (1849–1851) que sucedeu a Revolução de Fevereiro de 1848. Retirou-se da vida política depois do golpe de Louis Napoléon Bonaparte ocorrido em dezembro de 1851, quando começa então a trabalhar na obra L’ancien régime et la révolution, Volume I.

Morreu em 16 de abril de 1859, aos 53 anos, em Cannes, na França.

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