Gênero é Construção Social: Ensine-o

Saímos de uma era pautada pela ideologia política para vivermos em uma época caracterizada pelos conflitos identitários. Marcadores identitários como a raça e o gênero vêm adquirindo cada vez mais um significado político, a um ponto em que já se sobrepõem às ideologias políticas em existência. Uma evidência clara disto é que, mesmo dentro de um protesto estritamente ideológico como uma marcha feminista, há uma competição vitimista entre mulheres imigrantes, mulheres negras, mulheres trans, etc., que pode ir dos insultos verbais à violência física.

Mas os movimentos identitários estão sendo devorados desde dentro pelo próprio anti-identitarismo da esquerda pós-moderna, que equipara à mulher tudo o que não for um homem. Uma marcha feminista hoje já não é sobre este ou aquele direito da mulher, pois as feministas de hoje sequer são capazes de chegar a um consenso sobre o que é uma mulher. Afirmam que uma mulher trans é uma mulher de pleno direito e que não é necessário ter uma vagina para ser mulher, mas não sabem explicar o porquê. Que não se nasce mulher, torna-se, mas não sabem explicar como.

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Diante deste cenário devemos reconhecer que o gênero agora é uma questão política sobre a qual devemos nos posicionar, seja para desacelerar e reverter a degradação social no longo prazo, seja para oferecer ao indivíduo a proteção da sua identidade no curto prazo.

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Educação vs. Shortinho

Breve reflexão sobre os protestos de feministas mirins em uma escola porto-alegrense clamando pelo “direito de usar shortinho na escola”.

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1. Não existe “direito do aluno decidir o que vai vestir”. Decidir o código de vestimenta do corpo docente e discente é prerrogativa da escola e sua direção. A escola não é uma democracia onde os alunos podem fazer uma votação, um abaixo-assinado, e mudar as regras. Para certas coisas, como a relação entre corpo diretivo, docente e corpo discente, a autoridade não emana “do povo”.

2. “Meu corpo minhas regras” é uma máxima que também vale para instituições. As instalações pertencem à escola, portanto são o seu corpo, e aí vigoram as regras que a direção escolar determina.

3. As regras de vestimenta da escola são conhecidas previamente pelos pais, que decidem ou não se elas são razoáveis, e então matriculam os seus filhos na escola. Se os pais estão de acordo com a política, os alunos tem que acatá-la pela simples verdade universal e irrevogável que afirma que criança não se governa.Se os pais não estão de acordo com a política, não deveriam matricular seus filhos nesta escola, e se mudaram de ideia agora, que retirem seus filhos desta escola e matriculem em outra.

Argumento bônus
4. Para pais que acataram a ideia do shortinho e acham que a escola deveria mudar sua política de vestimenta, afinal, “você paga para sua filha estudar aí” e “você é quem paga o salário deles”. Você não faz mais que a sua obrigação, pois educação é um serviço que se presta à sua filha. Aliás, a educação da sua filha deveria ser a sua prioridade, não o “direito de usar shortinho”.

Por que me tornei de direita? – Parte 2

Este texto foi originalmente publicado no blog “Mundo Analista“. Para ler na página original, clique aqui.

L x LightNa última postagem, iniciei um texto explicando quais foram as razões que me levaram a virar de direita. Como o texto ficou muito grande, eu o dividi em duas partes e o subdividi em oito capítulos e uma conclusão. Na parte 1, vimos os cinco primeiros capítulos.

Agora, veremos os últimos três e a conclusão. Se o leitor não leu a parte 1, clique aqui e leia. É essencial para entender a parte 2, já que se trata de um texto só. Ao fim desse texto, colocarei também uma lista de textos meus que falam mais pormenorizadamente sobre cada tema que citei nesse texto. Agora, vamos à continuação do texto.

Capítulo 6: A cultura mortífera de esquerda

Quando você se torna conservador em política, começa a entender que as ideias esquerdistas são ruins e mortíferas não apenas em economia, política e filosofia. Elas também são uma desgraça moral e cultural. Esquerdistas procuram destruir tudo o que é bom, alegando ser opressivo e preconceituoso. Assim, eles vivem disseminando ideias contra a religião e os religiosos, as artes clássicas europeias, a castidade antes do casamento, a moral judaico-cristã, a noção de verdade e moral absolutas, a repreensão de filhos mal criados, a criminalização das drogas pesadas e etc.

O resultado é o rebaixamento dos padrões de cultura, a idiotização das pessoas, a disseminação de uma vida sexual promíscua, a elevação do prazer individual acima da dignidade humana, a geração de músicas, danças e artes burras e que nada acrescentam às pessoas, o desestímulo ao estudo e à leitura; o aumento de divórcios, de gravidez na adolescência, da AIDS, dos desequilíbrios familiares, dos pais irresponsáveis, das crianças, adolescentes e jovens sem limite, dos viciados em drogas, do desrespeito aos religiosos, de colegiais e universitários baderneiros, em suma, a destruição em longo prazo dos valores da sociedade.

A esquerda quer ver isso mesmo, porque pretende destruir a sociedade, para construir uma nova. Assim, tudo o que milite contra a moral, a religião, a verdade, a tradição, a ordem e a família, é positivo. E quando esses graves problemas causados e/ou aumentados à décima potência pela esquerda são apontados pela população, o que fazem os esquerdistas? Culpam a direita. Assim, se os jovens crescem cada vez mais revoltados, a culpa não é da destruição da família, mas do capitalismo. Se as meninas engravidam cedo, antes de casar, e o pai ainda vai embora, a culpa não é da família desestruturada, do incentivo à imoralidade sexual, da idiotização do povo, mas da religião, dos conservadores, da burguesia, do anti-aborto, ou qualquer outra coisa. Essa postura é essencial aos planos da esquerda de destruir tudo.

Karl Marx e Friedrich Engels, em “Manifesto do Partido Comunista”, ao responderem a objeção de que o comunismo era contra as ideias tradicionais da religião, da moral, da filosofia, da justiça, da família, da liberdade e etc., ideias essas que eram verdades eternas, afirmam: “A revolução comunista é a ruptura mais radical com as relações tradicionais de propriedade; não é de espantar que no curso de seu desenvolvimento ela rompa da maneira mais radical com as ideias tradicionais”.

Antonio Gramsci, ideólogo marxista italiano da época do fascismo, ao analisar porque o marxismo não tinha dado certo na Europa, concluiu que a cultura proletária ainda estava baseada nas ideias tradicionais. Assim, ensinou a esquerda a travar uma guerra cultural que minasse ao longo das décadas a religião, a moral judaico-cristã, a família, inculcando no senso comum o marxismo. A ideia não era transformar o povo em profundo conhecedor do marxismo, mas apenas um senso comum que estivesse de acordo com o que o partido comunista quisesse fazer.

Posteriormente homens como Adorno, Marcuse e Horkheimer colocaram para frente os princípios gramscistas de destruir a cultura, sobretudo a ocidental, baseada fortemente no cristianismo e no capitalismo. Daí surgiu a revolução sexual, as revoltas jovens, à apologia ao uso de drogas, ao ateísmo ou religiões tribais e sincretistas, às artes insanas, ao desrespeito aos pais, à destruição do patrimônio público, ao nudismo público e etc.

A União Soviética faliu no início dos anos 1990, mas como bem lembra Olavo de Carvalho, o que acabou foi a URSS, não o comunismo. É idiotice pensar que pessoas que foram comunistas por dez, vinte, trinta, quarenta anos deixariam facilmente os princípios marxistas e abraçariam de bom grado o capitalismo que tanto odiavam. O que ocorreu foi que comunistas continuaram marxistas, mas agora se orientando dentro dos moldes de Antonio Grasmci, no qual a guerra agora é cultural. A ideia não é dar um golpe violento e assumir o governo com toda aquela retórica de destruição da burguesia e estatização da economia. A ideia é mudar a mentalidade das pessoas gradualmente a fim de que o partido de marxista (ou mais esquerdista que houver no país) se torne “a autoridade onipresente e invisível de um imperativo categórico, de um mandamento divino”. A hegemonia deve ser alcançada primeiramente na cultura. Conseguindo isso, o partido poderá sonhar em se manter eternamente no poder. E não é isso que temos visto acontecer, sobretudo no Brasil?

Capítulo 7: A esquerda e a criminalidade

A criminalidade é um problema filosófico, cultural, político e econômico (ao mesmo tempo) que a esquerda só faz aumentar (quando ela mesma não é a responsável por criar). Uma vez que para a esquerda, o ser humano não é mal, mas corrompido pelo capitalismo e outros fatores externos, geralmente o esquerdista enxerga o criminoso ou como vítima, ou como herói. Enxerga como vítima quando o criminoso é de origem pobre e/ou é um menor de idade. Ele é vítima da pobreza, das falta de condições, da exploração capitalista, do preconceito ou, simplesmente, do fato de ainda ser menor de idade (o menor de idade não tem capacidade de discernir entre certo e errado).

Por esse motivo, a esquerda costuma a brigar para que criminosos tenham penas leves e breves, a fim de que voltem logo à sociedade. E ela entende que a função primordial da prisão não é proteger o cidadão honesto de novas injustiças do criminoso, mas sim a de reeducar o criminoso.

Não que reeducar o criminoso não seja algo nobre e desejável. Mas essa não é a função primária da cadeia. Isso seria priorizar o criminoso em detrimento da vítima. A principal função de isolar o criminoso não é reeducá-lo, mas proteger o cidadão. A reeducação é segundo plano. Por não entender isso é que a esquerda não combate a criminalidade com rigidez, criando uma sociedade na qual o criminoso reina e o cidadão honesto é punido.

Já os criminosos ricos, quando são políticos de esquerda, são defendidos pela esquerda, em primeiro lugar, com a desculpa de que não fizeram nada; foram acusados injustamente. E, depois, quando o governo esquerdista já alcançou grande poder e popularidade, como uma medida necessária para alcançar a justiça social e manter o povo no poder (os fins justificam os meios utilizados, entende?).

Assim, os criminosos se tornam heróis e a criminalidade continua reinando. E como se alcança isso? Como já dito, destruindo a família, a moral, a religião, a correção aos filhos, as leis firmes; ganhando poder, através de impostos e regulamentações, se infiltrando na educação para doutrinar alunos politicamente, mantendo a população sob o jugo da inflação, dos péssimos serviços públicos e dos monopólios privados (para botar a culpa de tudo na direita) e etc. Aliás, criar criminosos é ótimo para ajudar a destruir a sociedade tradicional, o que é o objetivo máximo da esquerda.

Capítulo 8: Um direitista consciente

Eu entendi isso, sobretudo, depois de ter contato com renomados pensadores conservadores como Edmund Burke e Russel Kirk. Então, deixei de colocar muita confiança no liberalismo. Eu o continuo defendendo e não tenho dúvidas de que o livre mercado é muito superior ao intervencionismo. Mas não o defendo sozinho. Economia é apenas um dos vários aspectos que formam uma sociedade. Não é o único e, portanto, não deve ser tratado como tal.

Neste ponto acredito que me tornei um direitista totalmente consciente. Eu agora podia expressar de maneira legítima o que a direita defendia e porque eu acreditava em suas ideias. Eu agora eu conhecia os gigantes do pensamento de direita (os quais não me foram mostrados na escola) tais como Edmund Burke, Frederic Bastiat, Alexis de Tocqueville, Eugen Von Bonh-Bayerk, Barão de Mauá, G. K. Chesterton, Ludwig Von Mises, Ruy Barbosa de Oliveira, Murray Rothbard, Winston Churchill, C. S. Lewis, Eric Voegilin, Eric Von Kuehnelt-Leddihn, Friedrich Hayek, Milton Friedman, Ronald Reagan, Margaret Thatcher, Ângela Merkel, Thomas Sowell, Olavo de Carvalho, Roger Scruton e etc.

O senso comum não conhece quase nenhum desses autores e quando conhecem alguns deles, só os conhecem através dos comentários de terceiros. Eu era assim. Não conhecia o que a direita falava através de suas próprias palavras e ações. Não conhecia a história contada pelo outro lado. Não tinha como comparar as visões de diversos autores porque eu só conhecia Karl Marx e Friedrich Engels (e, mesmo assim, muito mal. Eu sabia das suas ideias em forma de propaganda, sempre como algo bom).

Minha posição de direitista, no entanto, não me fez uma pessoa acrítica quanto aos problemas da direita, tampouco intolerante em relação à todas as coisas o que vem da esquerda. Talvez alguns amigos liberais não gostem do que vou falar, mas não sou totalmente contra leis trabalhistas, por exemplo, embora elas dificultem um pouco o crescimento econômico. Direito a férias e folga semanal, férias pagas, décimo terceiro salário, limitação das horas de trabalho semanais, adicional noturno e o seguro desemprego são leis de cunho esquerdista que eu, particularmente, acho válidas, ainda que se possa perder um pouco economicamente (não obstante, são necessários arranjos nessas leis para que elas não engessem sobremaneira às empresas, sobretudo, as de pequeno porte – que, a meu ver, poderiam ser liberadas dessas leis). Essas são posições particulares minhas.

Eu também não penso que a sociedade deva ter apenas direitistas. Ao contrário, a coexistência de direita e esquerda é essencial à manutenção de uma boa democracia e do Estado de direito. É preciso haver oposição de ideias. Isso é o que gera equilíbrio e evita extremismos, idealismos, dogmatismos e ditaduras. Sim, a direita também pode se tornar ditatorial, por mais que preze a liberdade econômica (que só funciona bem junto com a liberdade política).

O que penso que deveria ser expressamente proibido é o comunismo e a mentalidade revolucionária. Seguir as ideias de Marx e flertar com pensamentos revolucionários que intentem destruir tudo (criando classes inimigos e apelando à desordem), deveriam ser crime. Muitos países do leste europeu que sofreram com o comunismo equiparam, em suas leis, o comunismo ao nazismo. Lá, exibir a foice e o martelo, símbolo do comunismo, é tão ofensivo quanto exibir a suástica nazista. Nada mais correto, levando em conta que o comunismo matou mais de 100 milhões de pessoas.

Com relação aos EUA, devo dizer que não sou um defensor deste país acima de todas as coisas. Essa é a visão que a esquerda propaga dos direitistas: de que eles são puxa-sacos dos americanos. Alguns podem até ser. Mas não são todos. E faço parte dos que não se curvam diante dos americanos. No entanto, não aceito olhar os americanos como os piores inimigos do mundo. Em minha visão, todos os países são igualmente cruéis, pois seus governos são formados por homens e todos os homens falham.

O que diferencia um país do outro no que se refere a capacidade de infligir o mal é justamente a posição política e econômica. Qualquer país que assuma a liderança política-econômica do mundo terá um exército poderoso e, com isso, quererá dominar os mais fracos e se proteger dos que tem mais potencial. Se a Etiópia alcançasse a hegemonia política e econômica, teria sido tão cruel quanto foram os EUA, ou a URSS em diversas ocasiões. Colocar os EUA como o grande vilão é ignorar a verdade básica e realista de que todos os países são vilões e de que não há heróis no mundo.

Além disso, conquanto os EUA tenham usado de sua autoridade para subjugar povos e gerar guerras, este país apresentou ao mundo muitas virtudes econômicas e políticas desde seu processo de independência, teve um papel de destaque no conflito contra o comunismo e, através de seus conservadores, ainda sustenta o mundo hoje de colapsar diante do projeto destrutivo da esquerda (incluindo a esquerda americana, que é muito forte, embora muitos acreditem que nos EUA só há direitistas). Essa é a minha visão sobre o EUA.

Com relação à ditadura militar brasileira, evidentemente eu não a endosso. Creio que foi um regime desnecessário e nocivo. Não sou um desses idealizadores do passado, que pintam o período como maravilhoso e até pedem a volta do regime. Entretanto, é necessário fazer uma distinção entre a intervenção militar de 1964 e o regime que se seguiu. O primeiro impediu um genocídio. O segundo sufocou a democracia. Vamos entender o contexto.

O Brasil vivia um intenso embate entre políticos comunistas e conservadores. E o mundo vivia em plena guerra fria entre americanos e soviéticos. A URSS tinha claro interesse em tornar o Brasil uma potência comunista na América do Sul, o que sufocaria totalmente os EUA. Os EUA, por sua vez, tinham claro interesse em evitar a escalada comunista no Brasil, a fim de manter sua hegemonia no ocidente. Então, o presidente Jânio Quadros renuncia o cargo e assume a presidência João Goulart, um esquerdista que mantinha fortes relações diplomáticas com o regime comunista chinês e pretendia expropriar terras para fazer a reforma agrária. Este cenário oferecia uma série de perigos ao Brasil:

(1) a escalada democrática do comunismo ao poder, através de uma política populista, intervencionista e que não mostrava ao povo as desgraças que o comunismo estava causando em outros lugares;

(2) um golpe comunista no âmago do governo, através de políticos comunistas brasileiros e auxílio soviético, chinês ou cubano;

(3) uma mescla dos dois pontos acima;

(4) um golpe americano que tornasse o Brasil uma colônia dos EUA;

(5) a deflagração de uma guerra entre tropas americanas e tropas soviéticas em pleno Brasil, numa luta sanguinária pela posse do território brasileiro.

Tudo isso era possível. E em todas essas hipóteses, o Brasil se tornaria um mar de sangue. Se a intenção dos principais militares que interviram politicamente no Brasil em 1964 era simplesmente tomar o poder, por pura ambição, ou se queriam salvar a pátria deste risco, ou se havia ambiciosos e patriotas juntos, nada disso importa. As intenções dos militares interventores são irrelevantes. A questão é: havia riscos e à soberania brasileira, tanto do lado americano, quanto do lado soviético, e a intervenção militar os evitou.

No entanto, o regime que se seguiu durante 21 anos foi desnecessário. Seja por ambição, ou por um erro estratégico, ou pela união das duas coisas, os altos militares do governo não entregaram o país à democracia como prometido, tampouco tomaram providências inteligentes e efetivas para desmascarar o comunismo, equipará-lo ao nazismo e vencer a guerra cultural. Apenas agiram com brutalidade, criaram ódio nos estudantes e deram espaço para que a esquerda vencesse no campo da cultura.

O regime militar venceu na guerra física contra o marxismo, mas perdeu na guerra ideológica. Permitiu que a direita perdesse todo o crédito perante o povo brasileiro, contrariou conservadores que haviam apoiado a intervenção só para manter a democracia, fez a maioria dos estudantes universitários se identificar com a esquerda, abriu o caminho para a doutrinação marxista na cultura e não permitiu que o liberalismo econômico se instaurasse no país. Resultado: quando os altos militares deixaram o poder, quase todo mundo se considerava de esquerda.

Assim, minha opinião sobre o regime militar que se seguiu à intervenção é que ele de que ele se constituiu uma verdadeira catástrofe, sobretudo para a direita brasileira, que sofre até hoje por conta dessa herança maldita. Tivessem os militares se limitado a expulsar os comunistas do país, desmascarar a esquerda radical, equiparar comunismo ao nazismo, destruir ideologicamente os professores marxistas, munir os universitários de conhecimento sobre grandes autores de direita, incentivado o liberalismo econômico e mantido a democracia, convocando eleições diretas dentro de um período máximo de um ano, a direita hoje seria forte no Brasil e o PT não estaria transformando o país no mar de lama que é hoje.

Conclusão

Eu não esperava que meu texto ficasse tão extenso, mas acredito ter oferecido uma visão bem ampla sobre minha posição política. Obviamente não esgotei o assunto. Outros textos meus falam mais pormenorizadamente dos temas aqui tratados, tais como a definição e origem da esquerda e da direita, os problemas do comunismo, os pontos positivos do capitalismo e do empreendedorismo, a análise dos movimentos fascistas e nazistas, a definição de conservadorismo e etc. Deixo alguns deles ao fim do texto.

Devo dizer ainda que minha posição política não flerta com a utopia. Não creio que a direita pode mudar o mundo. Como sendo cristão, entendo que este mundo já está fadado ao fracasso. A minha obrigação é torná-lo menos pior para as pessoas até que Jesus Cristo venha e ponha fim a toda a miséria e injustiça ou que eu morra. E esse é mais um dos motivos que me fazem ser mais conservador e cético em relação a projetos de mundo melhor. Como diz Olavo de Carvalho: “Quando alguém diz que tem um projeto de mundo melhor, eu já me escondo debaixo da cama”. O conservador, em suma, é aquele que tem medo de piorar a coisa. Ele é realista. Sabe que a mudança só pode ocorrer dentro de certos moldes já conhecidos e certos limites humanos. O que passa desses moldes e limites, sem dúvida, vai dar errado.

Estou aberto a discordâncias, desde que construtivas e que levem em conta os autores que citei durante o texto. Críticas baseadas em senso comum serão consideradas imbecis à priori. Espero ter sanado dúvidas.
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Outros textos importantes:

A modernidade é uma ideia velha

Artigo do historiador Caco Tirapani:

O ‪‎feminismo‬ é só mais um sintoma de um problema sistêmico: a mentalidade moderna. Mas o que é isso? É a noção de que a felicidade nasceu no mundo com a Tomada da Bastilha. Pode parecer exagero – picardia, galhofa, zoação ou trollagem – mas Saint-Just disse exatamente isso em 1793: “a felicidade é uma ideia nova na Europa”. Ele discursava na tribuna da Convenção revolucionária, e seu discurso foi considerado pela historiografia como o que levou o rei Luís XVI – aquela bichona‬ emperucada – para a guilhotina. Curiosamente, o homem que declarava o “nascimento da felicidade” teria sua bela e jovial cabeça separada do corpo na mesma guilhotina, no ano seguinte, junto com outros amantes da revolução. Ironia que Saint-Just tenha morrido pela mesma fúria revolucionária que ele alimentou, e da qual era um dos mais temidos (e ingênuos) representantes.

A ‪‎modernidade‬, desde então, vem sofrido da síndrome de Saint-Just: sonhamos em reformular a realidade pela política, e nos fodemos com isso. Cada problema que temos, é produzido pela tentativa de corrigi-lo a despeito da natureza – que revela uma mentalidade gnóstica. Para o revolucionário, a política trará a redenção do gênero humano, que é oprimido por Deus, pela Natureza, e pelo Destino. Saint-Just era amante espiritual de Rousseau, e um entusiasta da civilização pagã greco-romana. Nasce então a mentalidade revolucionária, que é o elemento cultural predominante na modernidade. Essa mentalidade é herdada diretamente pelos ‪‎socialistas utópicos, e depois por Marx, e o resto já sabemos: 100 milhões de mortos no século XX, ditaduras, bizarrices, campos de concentração, terrorismo, fome, mentiras, e ódio.

Para a mentalidade revolucionária, o importante é “transformar”, mesmo que pra isso tenha que se “quebrar alguns ovos”. A novidade é boa em si mesma, enquanto o antigo é mau em si mesmo. E de todas as ideias antigas e maléficas, Deus é a mais antiga, e consequentemente a mais maléfica. Deus representa não apenas a velharia, mas de tudo quanto é velho, o mais velho. Deus, o ancião dos dias, precisa ser destronado pelo novo ‪‎Prometeu‬. Se a felicidade é uma ideia nova, me parece que a modernidade já é uma ideia velha. Proudhon, um socialista utópico antes de Marx, se imaginava este novo Prometeu. Marx também exalta Prometeu, símbolo do proletariado, como o verdadeiro santo e mártir, que não foi supliciado em obediência a Zeus – como foi ‪‎Jesus‬ em obediência a seu Pai – mas em desobediência ao velho deus, e em favor dos homens. Por isso que para Dawkins‬, Deus é o personagem mais desagradável de toda a ficção: “ciumento e orgulhoso disso; um maníaco por controle, miserável e injusto; um abusador vingativo, eugenista sedento por sangue, misógino, homofóbico, racista, infanticida, genocida, filicida, pestilento, megalomaníaco, sadomasoquista e caprichosamente malévolo.” Ou seja, Deus é o arquétipo do machista‬ falocêntrico de direita que estupra‬ as pessoas.

Dentre as coisas velhas e ultrapassadas que a mentalidade revolucionária quer destruir, está a família – fonte geradora de cidadãos conscientes e livres – e é aí que entra o feminismo. Para derrubar a família, não adianta atacar a propriedade privada, porque até escravos na senzala, totalmente despossuídos, amam e fazem filhos. Descobriu-se que para detonar a família é preciso atacar sua base: a mulher, a geradora da vida. Transformar a geradora da vida numa criatura fútil, narcisista, egocêntrica, e histérica é a finalidade do feminismo. Torná-la uma criatura insaciável no campo sexual e afetivo, não apenas pelo desejo infinito, mas pela incapacidade de realizá-lo. O feminismo não é o ódio ao homem, é o ódio, antes de tudo, à mulher.

Mas atenção: o feminismo não nasceu revolucionário! O feminismo nasceu do pensamento liberal, e lá atrás, antes da década de 60, o feminismo era um movimento de mulheres que não estavam revoltadas com sua condição de mulheres, mas desejavam direitos jurídicos. Pois bem, conquistados estes direitos, o feminismo acabou, coisa que a própria Simone de ‪‎Beauvoir‬ afirmou no seu livro “o segundo sexo”. Mas tão logo as antigas feministas voltaram às suas vidas normais, começou naquele momento um novo movimento, conhecido como a “segunda onda” do feminismo. Foi exatamente quando iniciou no Ocidente a Revolução Sexual da década de 60. Mas que “coincidência” não?

Coincidência nenhuma, essa revolução sexual foi pensada e produzida por “intelectuais” que traziam a herança do velho Marx e sua mentalidade revolucionária. Os jovens desse período, universitários ligados a essa corrente de pensamento, buscaram como resposta para o vazio de suas vidas a “solução” das drogas e do sexo livre. A ideia era “desconstruir” a moral, porque é a moral que garante a manutenção da família e da ordem. Desde então, odeia-se a moral com força de um fanatismo jihadista. O que vimos foi um tsunami cultural: do movimento ‪‎hippie, à Valesca Popozuda. Quais foram os espólios? Disso saíram 3 epidemias: a AIDS, as drogas, e o aumento da violência. E qual a solução? Mais esquerdismo. É a síndrome de Saint-Just.

O feminismo sofre desse delírio moderno. A feminista acha que pode reformular a natureza humana, a ponto de criar uma sociedade em que você pode sexualizar o comportamento a níveis estratosféricos, sem ter com isso nenhuma consequência real. E para resolver o problema do estupro, como faz? Com mais delírio esquerdista. A ideia de “ensinar o homem a não estuprar” é um exemplo de como funciona a mentalidade fantasiosa dessa gente. O que há por trás disso? A noção de que todo homem é um estuprador, e precisa ser domesticado. Se é preciso ensinar o homem a “não fazer” algo, supõe-se que este algo participa da própria natureza do homem. Mas nós sabemos que o homem não é, pela sua natureza, um estuprador, mas que o ‪‎estupro‬ é consequência de uma grau de ‪‎sociopatia‬. Acontece que é impossível “ensinar” a um sociopata a sentir empatia pelas suas vítimas. As feministas esquecem que o estuprador é um homem que carece de senso moral, e por causa disso ele está impossibilitado de sentir compaixão‬ por qualquer pessoa que não seja ele mesmo. Isso não reduz a culpa dele, mas nós sabemos que ele não pode “perceber” o sofrimento que ele causa. O estupro pra ele é uma diversão.

Ora, mas se lutamos tanto para destruir o senso moral da sociedade, como é possível imaginar que isso não iria produzir sociopatas em massa? Como é possível esperar compaixão se estamos, o tempo todo, condenando e anulando todo senso moral? Será que é preciso ser um gênio para entender que sofremos a consequência de nossas teorias geniais para corrigir a natureza? A cada problema que resolvemos, criamos outro com a “solução” anterior. E depois seremos punidos pelo tribunal inquisitório da santíssima revolução.

O apelo à ‪‎culpa masculina‬ que se prega diariamente nessas redes sociais conseguirá duas coisas: produzir mais estupradores, e colocar no homem comum tanta culpa que ele não poderá mais se relacionar com a mulher. O homem civilizado de amanhã vai sentir culpa no ato mesmo da penetração. Ora, quando o homem for capaz de sentir vergonha pelo instinto mais básico de sua natureza, ele será ainda mais capaz de ignorar qualquer apelo emocional de sua vítima. Logo, produzir-se-á mais e mais sociopatas. É nosso admirável mundo novo, seja bem-vindo.

Masculinidade em Crise

Algum tempo atrás escrevi um artigo parodiando os masculinistas do “Movimento da Real”, que trouxe até o blog vários comentários enfurecidos na defesa do movimento. Não porque eu menospreze o movimento, mas porque acho sua abordagem bastante superficial.

Dying Gaul

Não é segredo para ninguém que o Ocidente passa por uma crise de masculinidade. E isso pode ser associado a vários fatores: queda alarmante nos níveis de testosterona nos homens, queda do desempenho escolar e acadêmico entre a população masculina, crises dos setores econômicos que mais afetam os homens (como a indústria), propagação de valores androfóbicos na sociedade.

Alguns sintomas desta crise são os números alarmantes da evasão escolar e acadêmica entre a população masculina, a proporção e o impacto do desemprego sobre os homens, o número crescente de homens que simplesmente abandonam a paternidade ou são alienados de seus filhos, a queda de seu desempenho profissional em um ambiente cada vez mais voltado para o público feminino.

Não é um problema que a sociedade abra mais possibilidades para as mulheres. É um problema que os ganhos para as mulheres representem perdas para os homens. O problema maior é que a sociedade acuse os homens de se desmotivarem porque estão apenas “perdendo privilégios” e exija deles um esforço masculino para construir uma sociedade na qual eles terão ainda menos “privilégios”. Como motivar uma pessoa a fazer parte daquilo que lhe é prejudicial senão por chantagem ou coerção?

Enumerarei aqui apenas algumas das preocupações que uma militância “masculinista” (não gosto do termo e explicarei mais adiante por quê) deve ter em mente:

1. Os homens são um grupo com interesses próprios
Frequentemente exige-se que um homem “seja homem” em prol da sua mulher, da sua família, dos fracos e oprimidos, etc. O problema é que não se pode exigir o sacrifício de uma pessoa que foi educada segundo uma ética hedonista ou utilitária. Ninguém sacrifica-se por sacrificar-se, ou sem a certeza e percepção de uma relação direta entre seu sacrifício e o benefício de seus amados: para exigir sacrifício, primeiro se necessita uma ética que o valorize com prestígio, honra, recompensas, etc.

No cenário atual, há de se contentar com aceitar que o homem prioriza seus próprios interesses egoístas: jogar futebol, beber cerveja, assistir o UFC, comer bacon, transar, malhar, etc. O primeiro passo, portanto, é assumir o homem como homem, fim de si mesmo, e não como uma ferramenta para o trabalho ou sustento de outras pessoas. E isso significa, também, dar a ele o direito de ser como ele é: deve-se tolher o assalto moral de ideólogos que querem moldar o seu comportamento, emasculando-o ou tornando um “gênero neutro”. Gostamos de esportes de contato (“violentos”) sim, e ninguém vai proibir. Sentimos mais necessidade de sexo, sim, e ninguém tem o direito de nos desmoralizar ou condenar por isso. E por aí vai.

2. Os homens não admitem, mas estão em situação de vulnerabilidade social
A nossa economia é cada vez menos industrial e mais voltada a serviços, o que significa que muitos homens com pouca formação acadêmica estão sendo empurrados para o abismo do desemprego, especialmente em períodos de crise onde os homens são as vítimas preferenciais das demissões massivas. Também os homens são as maiores vítimas de acidentes de trabalho, principalmente os fatais.

Os homens, também, são mais vulneráveis a cair no mundo do crime ou ser vítimas de crimes violentos. São eles também que compõem as fileiras dos exércitos de mendigos e usuários de drogas. Enquanto entre as mulheres o crime é tratado como um “desvio” patológico que requer um tratamento praticamente médico, assume-se que entre os homens a criminalidade é “normal” e a resposta mais adequada é a punitiva.

O homem, também, está sendo gradualmente expulso da célula familiar: o divórcio fácil, apesar de representar um avanço para algumas mulheres, para a maioria dos homens significa um aumento injustificado e abusivo na já arriscada tarefa de casar. Com a relação risco-benefício do casamento pendendo cada vez mais para o lado do risco, não é de admirar que o casamento esteja se tornando um fenômeno raro e estejamos nos tornando a sociedade das mães solteiras.

E não venham imputar a culpa da mãe solteira toda ao homem porque qualquer homem divorciado e com filhos sabe que a Justiça brasileira praticamente o mata como pai e o reduz a uma conta bancária. A alienação paterna é um verdadeiro crime que se comete não só contra o homem que perde seu filho mas também contra a criança que é privada de um pai. Neste novo arranjo familiar, composto por mãe, filho e um assistente social (ou advogado), não há espaço para o pai. Lembremos que a maioria dos criminosos foram criados em famílias onde a figura paterna é ausente. Portanto, o combate à criminalidade e à miséria se faz com a paternidade.

A situação mais grave imaginável, neste quesito, é a discussão sobre o aborto que, em vez de focar no filho ou no casal que o gera, tem sido desviada por feministas até girar completamente em torno da mulher e excluir por completo o direito de um pai interceder pela vida de seu filho.

3. Existem valores masculinos que não devem ser comparados com os femininos
Os homens são frequentemente ridicularizados por seu comportamento mais agressivo: diz-se que eles querem compensar em agressividade a “masculinidade” que não tem. Curiosamente, esta “masculinidade” que afirmam que não temos é justamente uma artificial e concebida por sociólogos enviesados e de honestidade duvidosa (não raramente feministas). Para quem abandonou os valores tradicionalmente masculinos, como a honra e a coragem, não faz sentido nenhum a demonstração de vigor físico (“agressividade”) exceto quando ela coincide com a ética utilitária: quando a coragem rende lucros ao turismo de aventura, quando a honra serve à segurança nacional, quando a agressividade serve para capturar estupradores.

Deve-se perguntar: o homem é agressivo? Em comparação a quem? À mulher? A mulher não pode ser a medida para o homem, e vice-versa. Do mesmo modo, comparar a dissimulação feminina com o comportamento masculino (como faz o pessoal “da real”) é incabível.

Deve-se combater, portanto, a ridicularização dos valores que estimamos. Não fazê-lo é conceder o monopólio moral à androfobia, segundo a qual nosso vigor, honra e coragem só servem para proteger mulheres e crianças, vender filmes de ação, e sacrificar nossos divertimentos para financiar através de impostos o feminismo universitário. Quem acha que honra, coragem e sacrifício são valores ridículos, machistas e patriarcais, que abra mão dos serviços da polícia, do exército e dos bombeiros.

4. O homem precisa saber e sentir que é homem
Enquanto as feministas afirmam querer libertar homens e mulheres dos papéis sociais “opressores” de gênero, elas criam uma verdadeira identidade de gênero e um ativo lobby feminino sem equivalente masculino. Isto porque “masculino” é encarado como “padrão” e “neutro”: política masculina é apenas política. Só a feminina leva os adjetivos identitários. Isto precisa mudar, e os homens também precisam acordar para defender seus interesses e direitos. Enquanto aborto, divórcio, violência doméstica e empowerment (acadêmico e empresarial) forem só questão de “direitos das mulheres”, nós seremos os prejudicados porque tudo isso também nos diz respeito e somos arbitrariamente excluídos das discussões. Nosso direito político, em questões como essas, é nulo hoje: a nós cabe apenas obedecer o que foi decidido por um punhado de sociólogos e lobistas.

As mulheres tem um rito de passagem, que é a festa de debutante aqui no Ocidente. É um rito, com símbolos e cerimônias, para apresentar à sociedade uma nova mulher. Nós homens já não temos rito de passagem algum, e por isso os adolescentes ficam desorientados e se portam como crianções mesmo após os 20 anos: nos contentamos com substitutos pobres em rito, simbologia, prestígio ou identidade como a aquisição da licença para dirigir, a formatura, ir morar sozinho. Todos estes substitutos podem ser e são obtidos por mulheres também, então de que servem? Qual foi o último homem “apresentado” à sociedade? Retomar a prática da passagem é urgente: não se pode exigir homens de uma sociedade que não produz nenhum.

5. Um bom homem depende de uma boa mulher, e vice-versa
Os gêneros (os dois que existem na nossa sociedade) não são conflitantes, mas complementares. Se os homens vão mal, as mulheres vão mal. Se as mulheres vão bem, os homens vão bem. É por isso que a mulher tem cuidado tão bem da casa e dos filhos enquanto o homem tem governado e morrido nos campos de batalha com gosto nos últimos 10.000 anos. O homem se sente mais homem porque tem uma mulher a quem dedicar-se, a mulher se sente mais mulher porque tem um homem a quem dedicar-se. Uma mulher promíscua não pode exigir dos homens um comportamento reto. Um homem covarde não pode exigir de uma mulher dedicação.

Não só a qualidade dos homens em nossa sociedade deve nos preocupar, mas também das mulheres. Criticá-las, sem instruí-las, é uma atividade improdutiva e que só rega a semente do ódio sexista. Instruam as mulheres, as filhas e irmãs, as esposas e namoradas, as tias e primas, colegas e amigas. É preciso remover a erva daninha do “sextremismo” e da androfobia, e também do machismo e da misoginia, enquanto se planta a semente para uma sociedade onde masculinidade e feminilidade trabalhem em sinergia.

Deste meu último ponto vem a objeção ao nome “masculinismo” para a busca dos direitos da população masculina. Não é o caso de garantir direitos a um gênero às custas do outro, ou de afirmar a identidade de um em oposição à do outro: é uma questão de entender e aceitar a complementariedade dos gêneros em termos morais e identitários, e reconhecer a necessidade do equilíbrio entre ambos nas questões familiares e sociais.

Conclusão
Um movimento “masculinista” que se preze não pode ficar limitado a uma fraternidade que ajude homens com a carreira e os relacionamentos. É necessário combater ativamente o viés androfóbico na mídia, nas escolas e universidades, nas artes, bem como afirmar-se politicamente e assegurar que os homens tenham voz onde hoje são silenciados por aqueles que estão comprometidos com a destruição da nossa identidade de gênero, o que prejudica a todos nós, homens ou mulheres.


Leitura recomendada:

No Man’s Land – Donovan, Jack

Sítios de interesse:

A Voice for Men
Wikipedia – Men’s Rights Movement
Art of Manliness

A Não-Identidade

Os movimentos de esquerda fazem questão de mesclar todas as minorias numa só massa amorfa para obter sua força política através do número e usar do conflito interno para paralisar minorias dissidentes. Resumidamente ela pega um negro, um gay, um ateu e uma mulher, mutila suas identidades e molda-os naquilo que ela quer: o não-branco, o não-hétero, o não-cristão e o não-homem. Ela os valoriza não pelo que eles são, mas pelo que eles não são.

O que há em comum entre um imigrante latino nos EUA e um negro? São não-brancos. Entre um gay e uma mulher? São ambos a negação de um homem hétero. Nenhum deles tem, de fato, valor identitário para a esquerda. Seu valor é utilitário. É um meio para um fim. Um negro, um gay, um ateu, uma mulher que não é militante socialista não tem valor algum.

Isto é facilmente verificável. Qualquer negro que se declare, por exemplo, liberal ou conservador, será ostracizado como um alienado. Para usar um termo mais racista que já ouvi, será chamado de Kinder Ovo (negro por fora e branco por dentro). Se for gay então, será considerado algum tipo de aberração em serviço da sociedade que o oprime, como o foram Clodovil e Andy Warhol. Se for uma mulher, bastará levantar uma simples crítica à histeria do feminismo revolucionário para ser tachada de machista. Se for ateu, será acusado de “criptocristianismo” se não engolir sem reclamar a histeria anticlericalista que desrespeita não só a liberdade de culto e chega ao ponto de invadir propriedade alheia.

Mas Renan, o que você está querendo dizer com isso? Estou querendo dizer que as pessoas devem se preparar para resistir aos discursos identitários que nos separam usando como padrão qualquer coisa que não seja as idéias e os valores. Coloquemos os princípios no seu lugar, que é o princípio, o ponto de partida de todos nossos julgamentos, escolhas e decisões.

A liberdade individual é a única coisa que garante que você continue vivendo em paz sendo você mesmo em vez do “não-outro”.


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