A face ditatorial, cruel e sanguinária do progressismo

Esse texto foi originalmente publicado no blog Reação Adventista. Para ler o original, clique aqui.

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A França é, notavelmente, um dos países mais progressistas do mundo. Por progressismo entendemos uma postura política e cultural que se opõe a muitos valores religiosos e tradicionais, pretendendo superá-los. A esquerda quase inteira bebe dessa fonte, sendo o progressismo muitas vezes um sinônimo de esquerdismo. Mas também na direita há vertentes que se nutrem dessa postura, ainda que de maneiras diferentes. E a França sofre desse mal há mais de dois séculos.

Duas notícias recentes advindas justamente desse país demonstram o quanto o progressismo é uma postura frequentemente ditatorial, cruel e sanguinária. A primeira diz respeito ao vídeo “Dear Future Mom” (“Querida Futura Mamãe”). Esse vídeo foi criado pela CoorDown, uma organização italiana que defende pessoas com Síndrome de Down e é uma resposta à carta de uma grávida que descobriu que seu filho nasceria com a síndrome. O belo vídeo, que incentiva as pessoas a amarem filhos que nasçam com a síndrome, teve sua veiculação proibida na TV francesa pelo Estado. A razão? O conteúdo do vídeo foi considerado ofensivo pelo “Conselho de Estado da França” (France’s Counseil d’Etat), que o julgou inconveniente por “causar distúrbios à consciência das mulheres que abortaram”.

Ora, pesquisas revelam que na França, 92% dos bebês diagnosticados com Síndrome de Down durante a gestação são abortados. Esses números demonstram que boa parte da sociedade francesa se tornou adepta de uma espécie de eugenia e que o Estado pretende proteger essa postura imoral através de uma atitude imoral: a censura. Em resposta a essa afronta, a Lejeune Foundation levará o caso à Comissão Europeia para os Direitos Humanos.

A segunda notícia também tem a ver com aborto. Recentemente, o Parlamento francês aprovou uma nova lei criminalizando páginas de internet que procuram incentivar mulheres a não abortar. A chamada “lei de interferência digital” pretende impedir o funcionamento de sites que “deliberadamente enganem, intimidam e/ou exerçam pressão psicológica ou moral para desencorajar o recurso ao aborto”. Os que passarem por cima da lei provavelmente pagarão uma multa de até 30 mil euros.

Os partidos franceses de esquerda apoiaram a lei em peso, enquanto os de direita se opuseram. Bruno Retailleau, do Partido Republicano, afirmou que a lei se posiciona “totalmente contrária à liberdade de expressão”. Ele ainda enfatizou que a legislação que liberou o aborto na França em 1975 previa que as mulheres deveriam ser informadas das demais opções.

Jean-Frédéric Poisson, do Partido Democrata Cristão, também pontuou algo muito relevante: o governo francês está lutando contra sites pró-vida, mas se recusa terminantemente a fazer o mesmo com páginas de internet que promovem o islamismo radical. E essa proteção aos adeptos do islamismo radical é a grande responsável pelos problemas que a França vem passando com o terrorismo.

Como podemos ver, o progressismo possui uma face ditatorial, cruel e sanguinária. Em uma busca desenfreada pela remodelação da sociedade sob uma base secular e anticristã, o progressismo não mede esforços e não mantém escrúpulos para destruir aquilo que julga ser resquícios de cristianismo e conservadorismo. A intenção é colocar o homem no centro de tudo e fazer um mundo conforme a sua imagem e semelhança. Esse embate cultural, nas mãos da esquerda, se torna uma ferramenta poderosa para aumentar o poder do Estado, culminando em limitação da liberdade de expressão e censura. É o que a França está presenciando. À pretexto de proteger determinadas mulheres, o Estado francês coloca uma mordaça na parcela não progressista da população. Assassinato de bebês, preconceito contra portadores da Síndrome de Down, eugenia, censura, conivência com o terrorismo islâmico. O que mais virá?

Clique aqui para ver o vídeo que foi censurado pela TV francesa.

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Por que a legalização do aborto é um absurdo moral e jurídico?

Esse texto foi publicado originalmente no blog “Reação Adventista“. Para ler por lá, clique aqui

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É bastante comum ouvir a seguinte alegação abortista: “É claro que sou contra o aborto. Eu não abortaria. Mas sou à favor é da legalização. É diferente”. O argumento implícito aqui é o aborto pode até ser imoral, mas a legalização é apenas uma questão civil e não há imoralidade em ser favorável a ela. Esse argumento é válido? Não, não é e vamos expor isso.

A questão toda, como já mostramos em outra postagem, gira em torno de uma pergunta básica: o que está no interior do útero de uma mulher grávida é uma vida humana ou não? Se é uma vida humana, então aborto é assassinato. Se não é uma vida humana, então não se trata de um assassinato. Quanto a essa questão, não há razão lógica, nem científica para se crer que o embrião, o feto ou o bebê dentro do útero não é uma vida humana. Nem cito aqui a questão teológica, já que vamos falar de legalização e o Estado é laico.

Ora, se há uma vida humana dentro do útero e tirá-la é cometer assassinato (a morte de um inocente), então não podemos legalizar isso. Afinal, estaríamos legalizando um crime. Apelar para o fato de que a criança ainda não nasceu, não se desenvolveu e etc. não muda o fato de que estamos falando de uma vida humana. Na verdade, a questão aqui se agrava, pois se apelarmos para o desenvolvimento incompleto, estamos justificando o assassinato de um ser mais frágil, só porque ele é mais frágil. Então, não, não é correto legalizar.

Geralmente, o que se vai argumentar aqui depois é que a legalização do aborto seria uma questão de saúde pública, já que legalizando ou não, mulheres farão aborto. E é melhor elas fazerem numa clínica legalizada, sem correr risco de morrer. Mas esse argumento é ruim. Ele tenta justificar um assassinato apelando para o bem-estar das assassinas. Do ponto de vista puramente racional e legislativo, isso seria um absurdo. Ademais, com esse pensamento seria possível dizer: “Legalizando ou não o assassinato, o assalto, o roubo, o estupro, esses crimes vão continuar ocorrendo. Então, é melhor legalizar porque aí os criminosos não serão agredidos, nem as vítimas, já que os atos serão legais e elas não poderão reagir”. Através dessa analogia, vemos que o argumento não faz sentido e é ridículo.

É claro que há casos mais específicos. Por exemplo, uma mulher pode ter sido violentada, ou a gravidez pode lhe causar risco de morte, ou a criança pode ser comprovadamente anencéfala. Nos dois últimos casos, é justo que a mulher opte pelo aborto. Num caso ela está escolhendo proteger sua vida. Legalmente falando é um direito legítimo. No outro caso, um bebê anencéfalo é um bebê natimorto. Se a pessoa for religiosa e crer em milagres, ela pode levar a gravidez adiante, orando a Deus para que o quadro seja revertido. O mesmo no caso do risco de morte. Mas aí é algo que a lei não pode (nem deve) impor. É escolha pessoal e o Estado é laico.

Quanto ao primeiro caso, o do estupro, não é justo o bebê ser morto porque é fruto de estupro. Por outro lado, também não é justo que a mulher tenha um filho que definitivamente não escolheu ter e que é resultado de abuso. Neste caso delicado, eu, Davi, não tenho opinião formada sobre o que a lei deveria fazer. Do ponto de vista moral, o aborto não é uma boa alternativa aqui. A mulher violentada, evidentemente, deve contar com todo o apoio, amor e conforto de sua família, amigos e Igreja (se ela for religiosa), tanto para lidar com o abuso sofrido, quanto para procurar amar a criança, que nada tem a ver com a violência do estuprador. Se optar pelo aborto, penso ser algo compreensível, embora não a decisão mais acertada no âmbito moral. Mas legalmente falando eu realmente não sei.

De qualquer forma, a lei brasileira prevê a possibilidade de aborto para esses três casos (estupro, alto risco de morte para a mãe e bebê anencéfalo). Ou seja, as pessoas que lutam por aborto hoje no Brasil (especialmente as feministas), não lutam por aborto para esses casos difíceis. Lutam por aborto para qualquer caso. Isso inclui a desistência de ter um filho, a gravidez indesejada contraída por uma vida promíscua, motivos econômicos, escolha de sexo do bebê, descoberta de algum defeito físico na criança e etc. Isso é terrivelmente imoral. Estamos falando de uma vida. Abortar por essas razões é não só dar aval para que a sociedade mate inocentes, mas para que mate inocentes por razões egoístas e até por eugenia. Colocar isso em lei, portanto, é ferir gravemente a legislação.

Do ponto de vista emocional, é claro que não podemos ser insensíveis. Há casos de mulheres que engravidaram porque o preservativo falhou, ou porque foram ludibriadas por algum homem que agora não quer assumir a criança. Tudo isso é triste e difícil. Mas não muda o fato de que aborto é assassinato. E não muda o fato de que priorizar o aborto, nestes casos, é ser egoísta e punir uma vida inocente. Não é bom para a sociedade ter um ato desse consolidado em lei, pois é imoral, egoísta e criminoso do próprio ponto de vista da legislação vigente. É homicídio. E homicídio é crime.

Assim sendo, ser contra o aborto, mas à favor da legalização (ampla e irrestrita) dá no mesmo. É errado do mesmo jeito. É ser favorável à legalização de um crime, do assassinato de pessoas inocentes e indefesas.

Aborto é assassinato

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Não, a discussão sobre o aborto não é uma questão de saúde pública, ou econômica, ou de escolha individual. A discussão sobre o aborto é uma questão de moral. E a pergunta que deve iniciar e orientar a questão, a única pergunta realmente importante, é a seguinte: o ser que há no útero da mulher grávida é uma vida humana ou não?

Ora, quer olhemos pelo viés científico, quer pelo viés lógico, não há qualquer razão plausível para considerar que o ser intrauterino não seja uma vida humana. Não, ele não é uma célula da mãe ou uma célula do pai. No momento em que o espermatozoide fecunda o óvulo, temos ali a união de duas células, formando algo novo: um zigoto, que se desenvolverá naturalmente. É um novo ser em formação e não mera parte do pai ou mera parte da mãe.

Não, não se trata de uma potencial vida, mas de uma vida já em formação. Sim, trata-se de um organismo, por mais que ainda dependa de sua hospedeira, a mãe. É um ser humano, claro! Não poderia ser um elefante. Pode não ter autoconsciência, mas quem disse que a humanidade se define pela autoconsciência? Alguém que entra em coma, ou que perde totalmente a memória, continua sendo humano. Um bebê recém-nascido, por mais que não tenha autoconsciência formada é um ser humano.

Alguns procuram, arbitrariamente, definir fases da gravidez para dizer: “A partir daqui é uma vida humana. Antes, não”. Que base possui esse tipo de pensamento? O simples fato de que um embrião ou um feto não é um bebê desenvolvido? Isso não faz sentido! Um bebê não é uma criança desenvolvida. Uma criança não é um adulto desenvolvido. Eu deveria dizer que uma criança não é humana porque ainda não é um adulto desenvolvido? Faria sentido dizer que uma menina de oito anos não é humana porque não possui os seios de uma mulher adulta?

É ridículo tal argumento. Estabelecer fases para a gravidez para definir o que é vida é absolutamente arbitrário. Não possui base científica. A vida intrauterina é vida e é vida humana, não importa a fase da gravidez. As etapas do desenvolvimento dessa vida não a fazem mais ou menos humana. São apenas fases.

É interessante refletir sobre essas fases. Desde o início da concepção, o pequeno e rústico organismo novo passa a trabalhar diariamente em seu próprio desenvolvimento. É um trabalho incessante e progressivo. Há mover e crescimento ali. Com 18 dias de vida, o coração do embrião já começa a se formar. Com 21 dias já está batendo. Ou seja, antes de completar o primeiro mês de gestação, já há um coração batendo no útero! Como dizer que não há vida ali?

Além disso, com 30 dias o bebê já possui um cérebro. E com 40 dias já é possível medir ondas cerebrais nele. Com oito semanas, pés e mãos estão quase prontos. E com nove semanas o bebê consegue até chupar o dedo. Todos os órgãos já estão presentes e os sistemas muscular e circular estão completos. Isso tudo em dois meses de gestação! Com dez semanas, isto é, dois meses e meio, o bebê já tem impressões digitais. Como não há vida? Que base há para essa inferência? Nenhuma.

Para quem é cristão, ou judeu (e aqui termina nossa reflexão), ainda há uma razão teológica para se crer que há uma vida humana no interior do útero de uma grávida: a Bíblia Judaica, que também é o Antigo Testamento da Bíblia Cristã, entende que a vida começa na concepção. Sim, no momento em que o espermatozoide fecunda o óvulo e forma o zigoto. Diz um Salmo famoso:

“Pois tu formaste o meu interior, tu me teceste no ventre de minha mãe. Eu te louvarei, pois fui formado de modo tão admirável e maravilhoso! Tuas obras são maravilhosas, tenho plena certeza disso! Meus ossos não te estavam ocultos, quando em segredo fui formado e tecido com esmero nas profundezas da terra. Teus olhos viram a minha substância ainda sem forma, e no teu livro os dias foram escritos, sim, todos os dias que me foram ordenados, quando nem um deles ainda havia” (Salmo 139:13-16).

No livro de Jeremias, o próprio Deus diz ao profeta: “Antes que eu te formasse no ventre te conheci, e antes que nascesses te consagrei e te designei como profeta às nações” (Jeremias 1:4-5).

Além dessas passagens, há na Bíblia cerca de quarenta menções à vida intrauterina. Vida! Vida humana! É isso o que existe no interior do útero de uma mulher grávida. Quer olhemos para o aspecto lógico, quer para o científico, quer para o teológico (para quem é religioso), a resposta é uma só: o nascituro é uma vida humana. Portanto, aborto é assassinato.

 

Como destruir em pedacinhos a educação de um país

Esta postagem também foi publicada no blog “Mundo Analista“, bem neste link.

hi manOlá, pessoal! Hoje vou ensinar-lhes como destruir em pedacinhos a educação de um país. Eis o passo a passo:

(1) Estimule o surgimento de famílias desestruturadas. Como fazer isso? Há vários caminhos. Um deles é incentivar a promiscuidade. A promiscuidade gera a objetificação das pessoas. Cada indivíduo começa a enxergar o outro como apenas um meio de prazer próprio. Um meio descartável. Assim um usa o outro e depois se descartam mutuamente como um pedaço de papel de bala.

A promiscuidade também gera a banalização do sexo e das relações humanas. Mas o principal: a promiscuidade aumenta o número de pais egoístas, irresponsáveis e até mesmo de pais que não gostam do fato de terem tido filhos. Aqui está o pulo do gato. Quanto mais pais assim, mais filhos problemáticos teremos. E quanto mais pais ruins e filhos problemáticos tivermos, mais famílias desestruturadas teremos. Haverá brigas, ódios, rancores, falta de limites, falta de respeito mútuo, falta de valores morais e, claro, falta de educação. Quando esses filhos entrarem na escola, já serão verdadeiras pestes. E quando se tornarem pais, provavelmente serão péssimos pais também. Assim criamos um ciclo.

(2) Procure incentivar culturas, músicas e danças que ensinem as pessoas a serem promíscuas, maldosas, egoístas, rancorosas, vingativas, materialistas, desrespeitosas, viciadas em drogas, traficantes e etc. Se as crianças tiverem acesso a isso, melhor ainda! Funk proibidão deve tocar em festa de criança. Não intervenha nisso de forma alguma, mesmo que esteja em lei. A sociedade precisa aceitar a destruição da inocência das crianças. Isso é ótimo para destruir a educação. Se possível até estimule os pais a introduzirem seus filhos nessas coisas.

(3) Retire toda a autoridade do professor dentro e fora de sala de aula. Como fazer? Use o discurso de que a educação deve ser menos “repressora” e o aluno precisa ser mais livre. Limites apenas traumatizam crianças e adolescentes. Elas precisam ser donas de si mesmas e escolher o que querem fazer. Não se preocupe se você não acredita nessa baboseira. Finja que acredite. Você contará com o apoio de uma horda de psicólogos, psiquiatras, antropólogos e sociólogos que o ajudarão a implementar isso. E com esta medida você deixará o professor refém dos alunos. Os alunos o verão como um “bundão” que não tem autoridade para nada e passarão a aula inteira conversando, quebrando cadeira, afrontando o professor, brigando com o colega e etc.

(4) Lembre-se que quando tiramos a autoridade do professor e não damos limites aos alunos, a tendência é que os bons alunos se tornem desestimulados. Afinal, os maus alunos irão atrapalhá-los a estudar. E todas as besteiras que fizerem serão aceitas. Assim, o bom aluno não verá diferença alguma entre ser estudioso e respeitoso, ou desleixado e abusado. Faça de tudo para manter esse quadro! Os bons alunos precisam ser os mais desestimulados possíveis para que seu número diminua.

(5) Infelizmente, você não conseguirá transformar todos os bons alunos em maus. Paciência! Não se desespere! Eles são um perigo sim, pois provavelmente irão para faculdade e lá influenciarão muita gente. Mas há como contê-los. Sabe como? Doutrinando-os desde os ensinos fundamental e médio a acreditarem que todos os problemas sociais devem ser resolvidos com a ação do Estado. Ele precisa aprender que quanto maior a ação do Estado, melhor. Se há algum problema, o Estado deve ser mais presente. Uma das formas de levá-lo a pensar dessa forma é criando um material didático que apresente o capitalismo como algo ruim e o marxismo como algo bom. Também é importante que os livros de história falem de Jean-Jacques Rousseau e Karl Marx, mas nunca de Ludwig von Mises, Friedrich Hayek e Eugen von Bonh-Bayerk, Erik Voegelin (que refutaram Rousseau, Marx e outros revolucionários). Não os deixe saber da existência desses homens! No máximo fale de Adam Smith, mas deixe claro que o liberalismo econômico é algo que não deu certo, que só causa pobreza e desgraça e que todo mundo hoje em dia sabe disso. E faça-o pensar que só quem defende o liberalismo econômico e o capitalismo são os grandes empresários, que querem massacrar os trabalhadores.

Fazendo isso, esses bons alunos entrarão na faculdade já com uma mentalidade pró-intervenção estatal. Lá suas cabeças serão totalmente moldadas pelos professores marxistas que lá existe. Ah, isso é importante! Tire a autoridade de professores de ensino fundamental e médio, mas não a dos professores universitários. Por que? Porque o objetivo é formar pessoas burras e ignorantes no fundamental e médio. A universidade é para pegar os inteligentes que escaparam para transformá-los em pessoas que vão lutar pela manutenção de um Estado gigante e poderoso. Eles se tornarão professores no futuro e poderão dar continuidade à obra de doutrinação ideológica nas faculdades.

6) Tire autoridade dos bons pais. Um grande problema para você pode ser os bons pais. Eles ensinarão tão bem os seus filhos que os mesmos crescerão com valores morais, cívicos e religiosos, além de muito inteligentes. Isso os impedirá de aceitar qualquer tolice que você tentar ensinar. E isso coloca em risco o seu poder. Por isso, você precisa ser estratégico. Sabe a ideia de dar liberdade às crianças e adolescentes nas escolas? Comece a trabalhar nisso no âmbito caseiro. Crie gradualmente uma cultura que puna os pais que educam bem aos seus filhos. Você deve atacar tanto o conteúdo do que eles ensinam aos seus filhos como a forma como eles passam esse conteúdo. Use rótulos. Chame o conteúdo e a forma deles de ensinar de retrógrada, fascista, repressora, inadequada, ultrapassada, traumatizante, ditatorial, fanática, exploradora e etc. Lembre-se: o Estado precisa se intrometer na educação que o cidadão dá ao seu filho. Faça os cidadãos entenderem, aliás, que eles não devem e não podem fazer nada sozinhos. O Estado é a única autoridade competente para dizer como os pais devem educar aos seus filhos.

7) Centralize o poder das escolas nas mãos do governo. Não deixe que cada unidade escolar tenha autonomia. Nada disso! Quem manda na escola não são os professores e quem está de frente com os desafios diários. Quem manda são burocratas que nunca entraram numa sala de aula e ficam atrás de um gabinete o dia inteiro dando canetadas.

8) Jamais isole adolescentes criminosos da sociedade. Eles precisam ser “reeducados”. kkkkkkkkkkkkkk. Desculpa, não me contive. Mas eles precisam ser reeducados, da mesma forma como foram educados na escola… kkkkkkkkkkkkk. Sim, é muito efetivo. Com isso, você vai gerar nos adolescentes a impressão de que vale mais à pena cometer crimes do que estudar. O que é verdade. 😀

9) Desestimule valores morais e religião. Tudo o que servir de freios para as pessoas, desestimules. Crie militâncias nas faculdades contra qualquer ideia conservadora que venha impedir as pessoas de darem vazão aos seus desejos mais sórdidos.

10) Sempre, eu disse, sempre se lembre de fixar na mente das pessoas que a culpa da educação está ruim é do capitalismo, do conservadorismo, da religião. Use e abuse da palavra capitalismo. Ela se tornou uma palavra tão elástica, que é possível você colocar qualquer mal na conta do capitalismo e depois relacionar capitalismo com qualquer coisa que você não goste. Fascismo também.

11) Estimule crianças e adolescentes a fazerem muito sexo, desde bem pequenas. Faça elas pensarem nisso mesmo que não saibam nem fazer conta de dividir. Distribua camisinhas, incentive novelas e filmes em que crianças e adolescentes tenham diálogos sobre sexo e a necessidade perderem logo a virgindade (“com responsabilidade”, usando camisinha. kkkkk).

12) Você sabe que a coisa mais importante para uma pessoa é desenvolver apreço pela leitura, saber expressar suas ideias por escrito e saber fazer contas básicas. Quem domina bem isso, consegue ir bem em qualquer coisa quando se esforça. Então, faça de tudo para não debater à fundo essas questões. A escola não pode criar nenhum projeto efetivo que leve os alunos a desenvolverem bem essas habilidades.

13) Sempre alguém pode perceber sua estratégia para manter a educação ruim. Para evitar isso, mostre que você se importa sim. Como? Primeiro, sempre diga: “Vamos investiram mais em educação”. E invista mesmo! Quanto mais dinheiro você destinar para a educação, melhor. É mais dinheiro para você poder desviar. E é mais número para você comparar com o governo anterior: “Viu? Meu governo investiu mais que o anterior”. As pessoas caem nisso. É moleza. Segundo, crie sempre “novos” modelos de educação. Nunca modelos efetivos, claro! Mas invente algo, consiga apoio de psicólogos, psiquiatras, pedagogos e antropólogos imbecis por aí e ponha em prática. Quando as pessoas perceberem que não deu certo, bote a culpa nos resquícios de educação repressora herdados pela ditadura, pelo neoliberalismo, pelo imperialismo americano, pelo capitalismo malvadão, pelo fascismo, pelo nazismo, pelo cristianismo e etc. Terceiro, crie políticas afirmativas. Use e abuse delas. Cotas são uma ótima maneira de fazer as pessoas acreditarem que você está fazendo algo pela educação sem que você faça nada. Você não resolve o problema e fica todo mundo feliz com você.

14) Embora seu objetivo seja formar o máximo possível de burros, você precisa colocar pelo menos uma coisa na cabeça de todos esses burros: eles precisam do Estado. Mesmo que eles não entendam nada de política e não saibam quem foi Karl Marx, eles precisam ter isso em mente: se há um problema, é a presença do governo que irá resolver.

15) Não deixe ninguém perceber que os dois problemas principais da educação não estão sendo atacados por ninguém: a crise administrativa e a crise pedagógica. A crise administrativa diz respeito ao fato de que a sociedade não tem controle de quanto dinheiro o Estado gasta com cada escola em especifico. Ninguém tem acesso às contas da escola. A crise pedagógica diz respeito ao fato de que o professor hoje foi transformado em um “bundão” dentro e fora de sala. Não deixe ninguém perceber isso, pois é precisamente por causa da manutenção desses problemas que você está hoje no poder.

Que benefícios esse passo a passo gera?

Milhares!

As crianças e os adolescentes se tornarão cada vez mais idiotas, burras, ignorantes, maliciosas, violentas, promíscuas e sem interesse em estudar. Os professores não poderão ensinar. A maioria dos pais não vai querer dar educação aos filhos. A minoria que quiser dar educação será reprimida pelo governo e pela própria sociedade. Assim, a educação vai para o ralo. E a educação indo para o ralo, faz com que o povo não tenha capacidade de mudar seus políticos e ache que a resolução de tudo está em dar mais poder para o Estado. Em outras palavras, isso faz com que o seu poder seja garantido por décadas e o seu partido ou posicionamento ideológico ganhe hegemonia. Seguindo esse passo a passo, você será um político de esquerda muito próspero e feliz. É isso!

Na próxima aula, ensinarei dicas de como manter a segurança um caos e os benefícios disso.

Abraços!

Por que me tornei de direita? – Parte 2

Este texto foi originalmente publicado no blog “Mundo Analista“. Para ler na página original, clique aqui.

L x LightNa última postagem, iniciei um texto explicando quais foram as razões que me levaram a virar de direita. Como o texto ficou muito grande, eu o dividi em duas partes e o subdividi em oito capítulos e uma conclusão. Na parte 1, vimos os cinco primeiros capítulos.

Agora, veremos os últimos três e a conclusão. Se o leitor não leu a parte 1, clique aqui e leia. É essencial para entender a parte 2, já que se trata de um texto só. Ao fim desse texto, colocarei também uma lista de textos meus que falam mais pormenorizadamente sobre cada tema que citei nesse texto. Agora, vamos à continuação do texto.

Capítulo 6: A cultura mortífera de esquerda

Quando você se torna conservador em política, começa a entender que as ideias esquerdistas são ruins e mortíferas não apenas em economia, política e filosofia. Elas também são uma desgraça moral e cultural. Esquerdistas procuram destruir tudo o que é bom, alegando ser opressivo e preconceituoso. Assim, eles vivem disseminando ideias contra a religião e os religiosos, as artes clássicas europeias, a castidade antes do casamento, a moral judaico-cristã, a noção de verdade e moral absolutas, a repreensão de filhos mal criados, a criminalização das drogas pesadas e etc.

O resultado é o rebaixamento dos padrões de cultura, a idiotização das pessoas, a disseminação de uma vida sexual promíscua, a elevação do prazer individual acima da dignidade humana, a geração de músicas, danças e artes burras e que nada acrescentam às pessoas, o desestímulo ao estudo e à leitura; o aumento de divórcios, de gravidez na adolescência, da AIDS, dos desequilíbrios familiares, dos pais irresponsáveis, das crianças, adolescentes e jovens sem limite, dos viciados em drogas, do desrespeito aos religiosos, de colegiais e universitários baderneiros, em suma, a destruição em longo prazo dos valores da sociedade.

A esquerda quer ver isso mesmo, porque pretende destruir a sociedade, para construir uma nova. Assim, tudo o que milite contra a moral, a religião, a verdade, a tradição, a ordem e a família, é positivo. E quando esses graves problemas causados e/ou aumentados à décima potência pela esquerda são apontados pela população, o que fazem os esquerdistas? Culpam a direita. Assim, se os jovens crescem cada vez mais revoltados, a culpa não é da destruição da família, mas do capitalismo. Se as meninas engravidam cedo, antes de casar, e o pai ainda vai embora, a culpa não é da família desestruturada, do incentivo à imoralidade sexual, da idiotização do povo, mas da religião, dos conservadores, da burguesia, do anti-aborto, ou qualquer outra coisa. Essa postura é essencial aos planos da esquerda de destruir tudo.

Karl Marx e Friedrich Engels, em “Manifesto do Partido Comunista”, ao responderem a objeção de que o comunismo era contra as ideias tradicionais da religião, da moral, da filosofia, da justiça, da família, da liberdade e etc., ideias essas que eram verdades eternas, afirmam: “A revolução comunista é a ruptura mais radical com as relações tradicionais de propriedade; não é de espantar que no curso de seu desenvolvimento ela rompa da maneira mais radical com as ideias tradicionais”.

Antonio Gramsci, ideólogo marxista italiano da época do fascismo, ao analisar porque o marxismo não tinha dado certo na Europa, concluiu que a cultura proletária ainda estava baseada nas ideias tradicionais. Assim, ensinou a esquerda a travar uma guerra cultural que minasse ao longo das décadas a religião, a moral judaico-cristã, a família, inculcando no senso comum o marxismo. A ideia não era transformar o povo em profundo conhecedor do marxismo, mas apenas um senso comum que estivesse de acordo com o que o partido comunista quisesse fazer.

Posteriormente homens como Adorno, Marcuse e Horkheimer colocaram para frente os princípios gramscistas de destruir a cultura, sobretudo a ocidental, baseada fortemente no cristianismo e no capitalismo. Daí surgiu a revolução sexual, as revoltas jovens, à apologia ao uso de drogas, ao ateísmo ou religiões tribais e sincretistas, às artes insanas, ao desrespeito aos pais, à destruição do patrimônio público, ao nudismo público e etc.

A União Soviética faliu no início dos anos 1990, mas como bem lembra Olavo de Carvalho, o que acabou foi a URSS, não o comunismo. É idiotice pensar que pessoas que foram comunistas por dez, vinte, trinta, quarenta anos deixariam facilmente os princípios marxistas e abraçariam de bom grado o capitalismo que tanto odiavam. O que ocorreu foi que comunistas continuaram marxistas, mas agora se orientando dentro dos moldes de Antonio Grasmci, no qual a guerra agora é cultural. A ideia não é dar um golpe violento e assumir o governo com toda aquela retórica de destruição da burguesia e estatização da economia. A ideia é mudar a mentalidade das pessoas gradualmente a fim de que o partido de marxista (ou mais esquerdista que houver no país) se torne “a autoridade onipresente e invisível de um imperativo categórico, de um mandamento divino”. A hegemonia deve ser alcançada primeiramente na cultura. Conseguindo isso, o partido poderá sonhar em se manter eternamente no poder. E não é isso que temos visto acontecer, sobretudo no Brasil?

Capítulo 7: A esquerda e a criminalidade

A criminalidade é um problema filosófico, cultural, político e econômico (ao mesmo tempo) que a esquerda só faz aumentar (quando ela mesma não é a responsável por criar). Uma vez que para a esquerda, o ser humano não é mal, mas corrompido pelo capitalismo e outros fatores externos, geralmente o esquerdista enxerga o criminoso ou como vítima, ou como herói. Enxerga como vítima quando o criminoso é de origem pobre e/ou é um menor de idade. Ele é vítima da pobreza, das falta de condições, da exploração capitalista, do preconceito ou, simplesmente, do fato de ainda ser menor de idade (o menor de idade não tem capacidade de discernir entre certo e errado).

Por esse motivo, a esquerda costuma a brigar para que criminosos tenham penas leves e breves, a fim de que voltem logo à sociedade. E ela entende que a função primordial da prisão não é proteger o cidadão honesto de novas injustiças do criminoso, mas sim a de reeducar o criminoso.

Não que reeducar o criminoso não seja algo nobre e desejável. Mas essa não é a função primária da cadeia. Isso seria priorizar o criminoso em detrimento da vítima. A principal função de isolar o criminoso não é reeducá-lo, mas proteger o cidadão. A reeducação é segundo plano. Por não entender isso é que a esquerda não combate a criminalidade com rigidez, criando uma sociedade na qual o criminoso reina e o cidadão honesto é punido.

Já os criminosos ricos, quando são políticos de esquerda, são defendidos pela esquerda, em primeiro lugar, com a desculpa de que não fizeram nada; foram acusados injustamente. E, depois, quando o governo esquerdista já alcançou grande poder e popularidade, como uma medida necessária para alcançar a justiça social e manter o povo no poder (os fins justificam os meios utilizados, entende?).

Assim, os criminosos se tornam heróis e a criminalidade continua reinando. E como se alcança isso? Como já dito, destruindo a família, a moral, a religião, a correção aos filhos, as leis firmes; ganhando poder, através de impostos e regulamentações, se infiltrando na educação para doutrinar alunos politicamente, mantendo a população sob o jugo da inflação, dos péssimos serviços públicos e dos monopólios privados (para botar a culpa de tudo na direita) e etc. Aliás, criar criminosos é ótimo para ajudar a destruir a sociedade tradicional, o que é o objetivo máximo da esquerda.

Capítulo 8: Um direitista consciente

Eu entendi isso, sobretudo, depois de ter contato com renomados pensadores conservadores como Edmund Burke e Russel Kirk. Então, deixei de colocar muita confiança no liberalismo. Eu o continuo defendendo e não tenho dúvidas de que o livre mercado é muito superior ao intervencionismo. Mas não o defendo sozinho. Economia é apenas um dos vários aspectos que formam uma sociedade. Não é o único e, portanto, não deve ser tratado como tal.

Neste ponto acredito que me tornei um direitista totalmente consciente. Eu agora podia expressar de maneira legítima o que a direita defendia e porque eu acreditava em suas ideias. Eu agora eu conhecia os gigantes do pensamento de direita (os quais não me foram mostrados na escola) tais como Edmund Burke, Frederic Bastiat, Alexis de Tocqueville, Eugen Von Bonh-Bayerk, Barão de Mauá, G. K. Chesterton, Ludwig Von Mises, Ruy Barbosa de Oliveira, Murray Rothbard, Winston Churchill, C. S. Lewis, Eric Voegilin, Eric Von Kuehnelt-Leddihn, Friedrich Hayek, Milton Friedman, Ronald Reagan, Margaret Thatcher, Ângela Merkel, Thomas Sowell, Olavo de Carvalho, Roger Scruton e etc.

O senso comum não conhece quase nenhum desses autores e quando conhecem alguns deles, só os conhecem através dos comentários de terceiros. Eu era assim. Não conhecia o que a direita falava através de suas próprias palavras e ações. Não conhecia a história contada pelo outro lado. Não tinha como comparar as visões de diversos autores porque eu só conhecia Karl Marx e Friedrich Engels (e, mesmo assim, muito mal. Eu sabia das suas ideias em forma de propaganda, sempre como algo bom).

Minha posição de direitista, no entanto, não me fez uma pessoa acrítica quanto aos problemas da direita, tampouco intolerante em relação à todas as coisas o que vem da esquerda. Talvez alguns amigos liberais não gostem do que vou falar, mas não sou totalmente contra leis trabalhistas, por exemplo, embora elas dificultem um pouco o crescimento econômico. Direito a férias e folga semanal, férias pagas, décimo terceiro salário, limitação das horas de trabalho semanais, adicional noturno e o seguro desemprego são leis de cunho esquerdista que eu, particularmente, acho válidas, ainda que se possa perder um pouco economicamente (não obstante, são necessários arranjos nessas leis para que elas não engessem sobremaneira às empresas, sobretudo, as de pequeno porte – que, a meu ver, poderiam ser liberadas dessas leis). Essas são posições particulares minhas.

Eu também não penso que a sociedade deva ter apenas direitistas. Ao contrário, a coexistência de direita e esquerda é essencial à manutenção de uma boa democracia e do Estado de direito. É preciso haver oposição de ideias. Isso é o que gera equilíbrio e evita extremismos, idealismos, dogmatismos e ditaduras. Sim, a direita também pode se tornar ditatorial, por mais que preze a liberdade econômica (que só funciona bem junto com a liberdade política).

O que penso que deveria ser expressamente proibido é o comunismo e a mentalidade revolucionária. Seguir as ideias de Marx e flertar com pensamentos revolucionários que intentem destruir tudo (criando classes inimigos e apelando à desordem), deveriam ser crime. Muitos países do leste europeu que sofreram com o comunismo equiparam, em suas leis, o comunismo ao nazismo. Lá, exibir a foice e o martelo, símbolo do comunismo, é tão ofensivo quanto exibir a suástica nazista. Nada mais correto, levando em conta que o comunismo matou mais de 100 milhões de pessoas.

Com relação aos EUA, devo dizer que não sou um defensor deste país acima de todas as coisas. Essa é a visão que a esquerda propaga dos direitistas: de que eles são puxa-sacos dos americanos. Alguns podem até ser. Mas não são todos. E faço parte dos que não se curvam diante dos americanos. No entanto, não aceito olhar os americanos como os piores inimigos do mundo. Em minha visão, todos os países são igualmente cruéis, pois seus governos são formados por homens e todos os homens falham.

O que diferencia um país do outro no que se refere a capacidade de infligir o mal é justamente a posição política e econômica. Qualquer país que assuma a liderança política-econômica do mundo terá um exército poderoso e, com isso, quererá dominar os mais fracos e se proteger dos que tem mais potencial. Se a Etiópia alcançasse a hegemonia política e econômica, teria sido tão cruel quanto foram os EUA, ou a URSS em diversas ocasiões. Colocar os EUA como o grande vilão é ignorar a verdade básica e realista de que todos os países são vilões e de que não há heróis no mundo.

Além disso, conquanto os EUA tenham usado de sua autoridade para subjugar povos e gerar guerras, este país apresentou ao mundo muitas virtudes econômicas e políticas desde seu processo de independência, teve um papel de destaque no conflito contra o comunismo e, através de seus conservadores, ainda sustenta o mundo hoje de colapsar diante do projeto destrutivo da esquerda (incluindo a esquerda americana, que é muito forte, embora muitos acreditem que nos EUA só há direitistas). Essa é a minha visão sobre o EUA.

Com relação à ditadura militar brasileira, evidentemente eu não a endosso. Creio que foi um regime desnecessário e nocivo. Não sou um desses idealizadores do passado, que pintam o período como maravilhoso e até pedem a volta do regime. Entretanto, é necessário fazer uma distinção entre a intervenção militar de 1964 e o regime que se seguiu. O primeiro impediu um genocídio. O segundo sufocou a democracia. Vamos entender o contexto.

O Brasil vivia um intenso embate entre políticos comunistas e conservadores. E o mundo vivia em plena guerra fria entre americanos e soviéticos. A URSS tinha claro interesse em tornar o Brasil uma potência comunista na América do Sul, o que sufocaria totalmente os EUA. Os EUA, por sua vez, tinham claro interesse em evitar a escalada comunista no Brasil, a fim de manter sua hegemonia no ocidente. Então, o presidente Jânio Quadros renuncia o cargo e assume a presidência João Goulart, um esquerdista que mantinha fortes relações diplomáticas com o regime comunista chinês e pretendia expropriar terras para fazer a reforma agrária. Este cenário oferecia uma série de perigos ao Brasil:

(1) a escalada democrática do comunismo ao poder, através de uma política populista, intervencionista e que não mostrava ao povo as desgraças que o comunismo estava causando em outros lugares;

(2) um golpe comunista no âmago do governo, através de políticos comunistas brasileiros e auxílio soviético, chinês ou cubano;

(3) uma mescla dos dois pontos acima;

(4) um golpe americano que tornasse o Brasil uma colônia dos EUA;

(5) a deflagração de uma guerra entre tropas americanas e tropas soviéticas em pleno Brasil, numa luta sanguinária pela posse do território brasileiro.

Tudo isso era possível. E em todas essas hipóteses, o Brasil se tornaria um mar de sangue. Se a intenção dos principais militares que interviram politicamente no Brasil em 1964 era simplesmente tomar o poder, por pura ambição, ou se queriam salvar a pátria deste risco, ou se havia ambiciosos e patriotas juntos, nada disso importa. As intenções dos militares interventores são irrelevantes. A questão é: havia riscos e à soberania brasileira, tanto do lado americano, quanto do lado soviético, e a intervenção militar os evitou.

No entanto, o regime que se seguiu durante 21 anos foi desnecessário. Seja por ambição, ou por um erro estratégico, ou pela união das duas coisas, os altos militares do governo não entregaram o país à democracia como prometido, tampouco tomaram providências inteligentes e efetivas para desmascarar o comunismo, equipará-lo ao nazismo e vencer a guerra cultural. Apenas agiram com brutalidade, criaram ódio nos estudantes e deram espaço para que a esquerda vencesse no campo da cultura.

O regime militar venceu na guerra física contra o marxismo, mas perdeu na guerra ideológica. Permitiu que a direita perdesse todo o crédito perante o povo brasileiro, contrariou conservadores que haviam apoiado a intervenção só para manter a democracia, fez a maioria dos estudantes universitários se identificar com a esquerda, abriu o caminho para a doutrinação marxista na cultura e não permitiu que o liberalismo econômico se instaurasse no país. Resultado: quando os altos militares deixaram o poder, quase todo mundo se considerava de esquerda.

Assim, minha opinião sobre o regime militar que se seguiu à intervenção é que ele de que ele se constituiu uma verdadeira catástrofe, sobretudo para a direita brasileira, que sofre até hoje por conta dessa herança maldita. Tivessem os militares se limitado a expulsar os comunistas do país, desmascarar a esquerda radical, equiparar comunismo ao nazismo, destruir ideologicamente os professores marxistas, munir os universitários de conhecimento sobre grandes autores de direita, incentivado o liberalismo econômico e mantido a democracia, convocando eleições diretas dentro de um período máximo de um ano, a direita hoje seria forte no Brasil e o PT não estaria transformando o país no mar de lama que é hoje.

Conclusão

Eu não esperava que meu texto ficasse tão extenso, mas acredito ter oferecido uma visão bem ampla sobre minha posição política. Obviamente não esgotei o assunto. Outros textos meus falam mais pormenorizadamente dos temas aqui tratados, tais como a definição e origem da esquerda e da direita, os problemas do comunismo, os pontos positivos do capitalismo e do empreendedorismo, a análise dos movimentos fascistas e nazistas, a definição de conservadorismo e etc. Deixo alguns deles ao fim do texto.

Devo dizer ainda que minha posição política não flerta com a utopia. Não creio que a direita pode mudar o mundo. Como sendo cristão, entendo que este mundo já está fadado ao fracasso. A minha obrigação é torná-lo menos pior para as pessoas até que Jesus Cristo venha e ponha fim a toda a miséria e injustiça ou que eu morra. E esse é mais um dos motivos que me fazem ser mais conservador e cético em relação a projetos de mundo melhor. Como diz Olavo de Carvalho: “Quando alguém diz que tem um projeto de mundo melhor, eu já me escondo debaixo da cama”. O conservador, em suma, é aquele que tem medo de piorar a coisa. Ele é realista. Sabe que a mudança só pode ocorrer dentro de certos moldes já conhecidos e certos limites humanos. O que passa desses moldes e limites, sem dúvida, vai dar errado.

Estou aberto a discordâncias, desde que construtivas e que levem em conta os autores que citei durante o texto. Críticas baseadas em senso comum serão consideradas imbecis à priori. Espero ter sanado dúvidas.
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Outros textos importantes:

Dez coisas que você pode fazer para mudar a educação no Brasil

Texto também publicado no blog “Mundo Analista“. Para ler o original, clique aqui.

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Você quer mudar a educação no Brasil? Então, comece ensinando ao seu filho algumas coisas que é obrigação sua (e apenas sua) ensinar:

1) Ensine-o a gostar de ler. Ninguém nasce gostando de leitura. Ler é um hábito que se adquire. E é raro alguém ganhar esse hábito sozinho. Note uma coisa: não é necessário que você tenha hábito da leitura para ensinar seu filho a tê-lo. Uma conhecida minha certa vez me disse que não aprendeu a gostar de ler porque meus pais não lhe ensinaram isso. Por isso hoje ela tem preguiça. Mas tendo consciência de que isso é importante, ela ensina sua filha a ter esse hábito. Não me admira que a garota adore livros. E estamos falando de uma menina que não tem nem sete anos de idade.

Desenvolver o hábito da leitura em seu filho é o melhor presente que você pode dar a ele em termos de educação. É o hábito da leitura que expandirá sua mente, o dará capacidade de interpretação e raciocínio e o fará uma pessoa crítica. Ao ensinar seu filho a ler, você não está apenas ajudando-o na compreensão da língua portuguesa. Está ajudando-o na compreensão de todas as matérias. Está ajudando-o na compreensão do mundo.

Não sei se você conhece a história do médico neurocirurgião Ben Carson. Este homem, quando criança, chegou a ser o pior aluno de sua turma. Era um negro, de uma família muito pobre e sem estrutura. Sua mãe trabalhava o dia inteiro para conseguir sustentar a ele e seu irmão. Vendo que seu filho era considerado burro até por seus colegas, tratou de ensiná-lo o hábito de ler. Resultado: ele se tornou o primeiro neurocirurgião a separar gêmeos siameses mantendo os dois vivos. A leitura muda o destino das pessoas. Se você não ensina seu filho a gostar de ler, você é um dos culpados da educação no Brasil estar esta bosta.

2) Ensine bons modos ao seu filho. Há quarenta anos atrás um pai de família raramente falava palavrões na frente dos filhos. E se um filho proferisse um xingamento, tomava umas palmadas. Hoje em dia os próprios pais xingam os filhos. Há quarenta anos atrás era raríssimo um aluno responder a um professor. Hoje os alunos xingam e até batem em professores. Se você não ensina ao seu filho que não se deve responder aos mais velhos, se você o xinga (ou xinga as pessoas na frente dele), se você não dá umas palmadas no seu filho quando ele age sem bons modos, você é um idiota e a educação no Brasil está bosta por sua culpa também.

3) Provavelmente você acredita em Deus. A maioria das pessoas desse país acredita. Não importando se você é cristão, judeu, islâmico, espírita, deísta e etc., ensine seu filho a ter respeito por Deus. Faça-o entender que Deus é o Justo Juiz e que Ele vai julgar tanto o bem quanto o mal que homens fazem nesta terra. Faça-o entender também que esse mesmo Deus ama o ser humano e que, por isso, devemos amar-nos uns aos outros. Já dizia Salomão: “Respeite a Deus e guarda os seus mandamentos, porque isto é o dever de todo o homem” (Eclesiastes 12:13).

Se você é ateu ou agnóstico, da mesma maneira, ensine seu filho a ter respeito por Deus, não como um ser (já que você não acredita), mas como uma crença respeitável. Jamais houve na história do mundo uma civilização que não tivesse algum tipo de crença em uma realidade superior. E durante séculos homens brilhantes creram nessa realidade e ofereceram boas razões para suas crenças. Então, não vá ensinar seu filho a ser intolerante. Aliás, crente ou descrente, ensine seu filho a respeitar as opiniões alheias e ser humilde para aprender delas. Se você não faz isso também é um dos culpados pela educação do Brasil estar uma bosta.

4) Não incentive seu filho a gostar de músicas idiotas. A música tem um poder incrível de mexer com seu intelecto, para o bem ou para o mal. Então, faça-o prezar por letras inteligentes e ritmos que não sejam extremamente repetitivos.

5) Não incentive seu filho a ser um pervertido sexual. Que este assunto NÃO seja tratado com leviandade diante do seu filho. Não deixe que seu filho aprenda a ficar fazendo piadinhas com sexo. As coisas realmente importantes devem ser tratadas como coisas realmente importantes. Ensine seu filho a ver o sexo não como uma diversão de fim de semana, mas como a união física máxima entre um homem e uma mulher, união esta que não deve estar separada da união sentimental, emocional, mental e espiritual do casal. E que não seja incentivada a prática do sexo em idade tenra. Sexo é para adultos. Criança precisa primeiro aprender amar as pessoas e usar as coisas.

6) Ensine seu filho a valorizar a família. Mesmo que a sua família tenha sido péssima e que a família que você deu ao seu filho também o seja. Você sabe mais que ninguém o estrago que uma família desestruturada faz na vida de um filho. Então, não permita que seu filho forme uma família desestruturada também. Que ele aprenda que casamento é coisa séria, um passo que só deve ser dado depois de muita reflexão e tempo com a pessoa amada. Que ele aprenda que casamento é feito de perdão, renúncia, paciência e compreensão. Que ele aprenda que filho é o mais valioso bem que temos nesta terra e que devemos arrumar tempo para cuidar dele.

7) Dê tempo ao seu filho. Converse, brinque, ouça, dê conselhos, saia com ele. Seu filho precisa muito mais de sua presença do que de presentes. E não o deixe solto por aí. Se você não faz isso, saiba que ele aprenderá o que não presta com quem dá a ele o que você não o dá: tempo.

8) Ensine a ele que as pessoas não são objetos e que, por isso, ele não deve vê-las como tal. Que ele valorize a vida de cada indivíduo e seja incapaz de usar uma pessoa para o seu próprio prazer.

9) Ensine-o o valor do estudo e do trabalho. Tanto uma como outra coisa dignificam o homem. Já a preguiça, destrói a alma do indivíduo e a corrói a sociedade.

10) Finalmente, ensine seu filho a ser um bom homem. Mas deixe claro que ser um bom homem não o fará superior aos outros seres humanos, pois todo mundo erra, ninguém é perfeito. Para usar uma terminologia religiosa, todos somos pecadores. Faça-o entender que procurar ser uma boa pessoa não é um mérito, mas uma obrigação. Isso criará nele um bom caráter e humildade.

Se você não ensina estas coisas ao seu filho, você é o primeiro culpado pela desgraça que está nossa educação. Nosso governo também pode ser uma bosta, mas tenha em mente que não podemos resolver todos os problemas do mundo com soluções políticas e econômicas. Há coisas que se resolvem em casa. A educação, pelo menos em parte, é uma delas. Não delegue suas obrigações ao governo. Ele já não cumpre as dele. Não cumprirá as suas, certamente.

Resumo do que penso sobre 1964

Texto escrito pelo filósofo Olavo de Carvalho ao jornal estudantil gaúcho “Bah!” em 2004, a respeito de sua opinião sobre o chamado golpe militar de 1964 e a ditadura militar que se sucedeu depois do mesmo. Para ler o original, clique aqui.

Olavo de Carvalho – filósofo e escritor brasileiro

Tudo o que tenho lido sobre o movimento de 1964 divide-se nas seguintes categorias: (a) falsificação esquerdista, camuflada ou não sob aparência acadêmica respeitável; (b) apologia tosca e sem critério, geralmente empreendida por militares que estiveram de algum modo ligados ao movimento e que têm dele uma visão idealizada.

Toda essa bibliografia, somada, não tem valor intelectual nenhum. Serve apenas de matéria-prima, muito rudimentar, para um trabalho de compreensão em profundidade que ainda nem começou.

Para esse trabalho, a exigência preliminar, até hoje negligenciada, é distinguir entre o golpe que derrubou João Goulart e o regime que acabou por prevalecer nos vinte anos seguintes.

Contra o primeiro, nada se pode alegar de sério. João Goulart acobertava a intervenção armada de Cuba no Brasil desde 1961, estimulava a divisão nas Forças Armadas para provocar uma guerra civil, desrespeitava cinicamente a Constituição e elevava os gastos públicos até as nuvens, provocando uma inflação que reduzia o povo à miséria, da qual prometia tirá-lo pelo expediente enganoso de dar aumentos salariais que a própria inflação tornava fictícios. A derrubada do presidente foi um ato legítimo, apoiado pelo Congresso e por toda a opinião pública, expressa na maior manifestação de massas de toda a história nacional (sim, a “Marcha da Família com Deus pela Liberdade” foi bem maior do que todas as passeatas subseqüentes contra a ditadura). É só ler os jornais da época – os mesmos que hoje falsificam sua própria história – e você tirará isso a limpo.

O clamor geral pela derrubada do presidente chegou ao auge em dois editoriais do Correio da Manhã que serviram de incitação direta ao golpe. Sob os títulos “Basta!” e “Fora!”, ambos foram escritos por Otto Maria Carpeaux, um escritor notável que depois se tornou o principal crítico do novo regime. Por esse detalhe você percebe o quanto era vasta e disseminada a revolta contra o governo.

O golpe não produziu diretamente o regime militar. Este foi nascendo de uma seqüência de transformações – quase “golpes internos” – cujas conseqüências ninguém poderia prever em março de 1964. Na verdade, não houve um “regime militar”. Houve quatro regimes, muito diferentes entre si: (1) o regime saneador e modernizador de Castelo Branco; (2) o período de confusão e opressão que começa com Costa e Silva, prossegue na Junta Militar e culmina no meio do governo Médici: (3) o período Médici propriamente dito; e (4) a dissolução do regime, com Geisel e Figueiredo.

Quem disser que no primeiro desses períodos houve restrição séria à liberdade estará mentindo. Castelo demoliu o esquema político comunista sem sufocar as liberdades públicas. Muito menos houve, nessa época, qualquer violência física, exceto da parte dos comunistas, que praticaram 82 atentados antes que, no período seguinte, viessem a ditadura em sentido pleno, as repressões sangrentas, o abuso generalizado da autoridade. O governo Médici é marcado pela vitória contra a guerrilha, por uma tentativa fracassada de retorno à democracia e por um sucesso econômico estrondoso (o Brasil era a 46ª. economia do mundo, subiu para o 8º. lugar na era Médici, caindo para o 16º. de Sarney a Lula). Geisel adota uma política econômica socializante da qual pagamos o prejuízo até hoje, tolera a corrupção, inscreve o Brasil no eixo terceiro-mundista anti-americano e ajuda Cuba a invadir Angola, um genocídio que não fez menos de 100 mil vítimas (o maior dos crimes da ditadura e o único autenticamente hediondo — contra o qual ninguém diz uma palavra, porque foi a favor da esquerda). Figueiredo prossegue na linha de Geisel e nada lhe acrescenta – mas não se pode negar-lhe o mérito de entregar a rapadura quando já não tinha dentes para roê-la.

É uma estupidez acreditar que esses quatro regimes formem unidade entre si, podendo ser julgados em bloco. Na minha opinião pessoal, Castelo foi um homem justo e um grande presidente; Médici foi o melhor administrador que já tivemos, apesar de mau político. Minha opinião sobre Costa, a Junta Militar, Geisel e Figueiredo não pode ser dita em público sem ferir a decência.

Em 1964 eu estava na esquerda. Por vinte anos odiei e combati o regime, mas nunca pensei em negar suas realizações mais óbvias, como hoje se faz sem nenhum respeito pela realidade histórica, nem em ocultar por baixo de suas misérias os crimes incomparavelmente mais graves praticados por comunistas que agora falseiam a memória nacional para posar de anjinhos.