Cidade de Detroit falida, resultado de anos e anos de governos esquerdistas

A cidade de Detroit – MI, pediu concordata em função de seu avançado estagio de falência como mostra superficialmente a reportagem da revista Veja.

O que eles não dizem que ela é governada pela esquerda Americana (Democratas) desde 1961. Esse é o resultado de politicas socialistas a médio prazo.

As 10 cidades mais pobres dos EUA, são feudos da esquerda (Partido Democrata), praticamente “ilhas” comunistas governadas por ditadores dentro dos EUA.

cidades mais pobres dos eua (2)detroit3Esta é mais um prova irrefutável do que disse Adrian Rogers:

É impossível levar o pobre à prosperidade através de legislações que punem os ricos pela prosperidade.   Por cada pessoa que recebe sem trabalhar, outra pessoa deve trabalhar sem receber. O governo não pode dar para alguém aquilo que não tira de outro alguém. Quando metade da população entende a idéia de que não precisa trabalhar, pois a outra metade da população irá sustentá-la, e quando esta outra metade entende que não vale mais a pena trabalhar para sustentar a primeira metade, então chegamos ao começo do fim de uma nação.   É impossível multiplicar riqueza dividindo-a.

Defendendo Reagan de Paul Krugman

Artigo escrito originalmente por William L. Anderson, postado no Instituto Ludwig von Mises Brasil, com tradução de Leandro Roque.

Paul Krugman, em sua interminável busca por novas interpretações históricas que finalmente confirmem suas mais disparatadas teorias, aparentemente acredita ter finalmente feito a descoberta do milênio: ele declarou que Ronald Reagan era na realidade mais keynesiano do que Barack Obama.  Por quê?  Eis suas palavras:

Reagan, e não Obama, foi o grande gastador.  Embora tenha havido um breve surto de gastos governamentais no começo da gestão Obama, isso já passou faz tempo.  Na verdade, a esta altura, o gasto público está caindo rapidamente, com o gasto real per capita encolhendo ao longo do último ano em um ritmo que não era visto desde a desmobilização que se seguiu à Guerra da Coreia.

E ele continua:

Por que o governo gastava muito mais sob Reagan do que na atual crise?  O “keynesianismo bélico” — a grande expansão militar feita por Reagan — teve algum papel.  Mas a grande diferença eram os gastos reais per capita em níveis estadual e local, que continuaram crescendo sob Reagan, ao passo que caíram significativamente desta vez.

E isso, por sua vez, reflete a mudança ocorrida no ambiente político.  Em primeiro lugar, os estados e os municípios costumavam se beneficiar do ‘compartilhamento de receitas’ — auxílios automáticos repassados pelo governo federal, um programa que Reagan acabou abolindo, mas somente depois que a recessão do início de seu governo já havia acabado.  Mais importante, durante a década de 1980, o dogma anti-impostos ainda não possuía o mesmo apelo de hoje, de modo que os governos estaduais e municipais eram muito mais dispostos do que hoje a cobrir déficits temporários por meio de aumentos de impostos, desta forma evitando profundos cortes de gastos.

É claro que isso estava demorando.  Algum dia, quando seu repertório de desculpas terminasse, Krugman iria finalmente entregar os pontos, “sequestrar” a agenda de Reagan e dizer: “Esse cara é dos meus!”.  Mas o problema é que há um caminhão de confusões neste trecho, algo em que Krugman é especialista em criar por meio de sua destreza em manipular estatísticas, as quais ele distorce até que finalmente elas confessem aquilo que ele quer ouvir.  Além desta sua prestidigitação estatística, típica de um mágico manipulando um baralho, há a sua total recusa em examinar o real cenário em que se encontrava a economia americana em 1982, e que permitiu que a economia finalmente saísse da recessão iniciada em 1980.

Primeiro, a ideia de que os programas do governo federal de ‘compartilhamento de receitas’ realmente ajudaram a tirar o país da recessão é um genuíno uivo krugmaniano.  As reais quantias de dinheiro distribuídas em forma de doações com mínima supervisão regulatória federal (algo que Krugman sem dúvidas alegaria ser maléfico) eram uma ninharia se comparadas ao tamanho total dos orçamentos de cada estado.

Segundo, e ainda mais importante, na última frase do trecho destacado acima, Krugman está alegando que aumentos de impostos feitos pelos governos estaduais tiveram um importante papel na recuperação da economia.  Em outras palavras, dinheiro confiscado de cidadãos e empresas privadas e transferido para funcionários públicos e empresas em conluio com o estado de alguma forma efetuou a mágica de finalizar uma penosa recessão.

A menos que Krugman queira recorrer à simplória teoria do “multiplicador orçamentário“, não estou muito certo de que sua “lógica” faça sentido.  (A teoria do “multiplicador orçamentário” se baseia na ideia de que, dado que o governo irá gastar absolutamente todo o dinheiro tomado das famílias e empresas em vez de apenas uma fração dele, um aumento dos impostos irá gerar um aumento de receitas e consequentemente um aumento dos gastos do governo, o que por sua vez irá deixar a economia mais robusta.  Obviamente, esta “lógica” inevitavelmente leva à defesa daquele esquema que seria a Mãe de Toda a Prosperidade: uma carga tributária de 100%).  Afirmar que roubar de Pedro para dar a Paulo é uma medida que gerará recuperação econômica é uma teoria que não passa nem no teste da risada.

Krugman recorre a novos truques quando afirma que o “keynesianismo bélico” também ajudou a gerar recuperação econômica.  É verdade que Reagan aumentou substancialmente os gastos do Pentágono, algo que sem dúvidas deixou as empresas fornecedoras de armas e suprimentos militares, bem como seus funcionários, pra lá de satisfeitas e em melhor situação financeira; porém, se elevar os gastos militares representasse um genuíno benefício — e não um custo — para uma economia, então a chave para a prosperidade eterna seria fazer com que todos os países do mundo entrassem em guerra permanente e gerassem o máximo possível de destruição.  Quanto maior os estragos, mais rica estaria a economia mundial.

(Assim como em sua afirmação de que aumentos nos impostos tiveram um papel decisivo para a recuperação econômica, Krugman jamais poderia reclamar de qualquer aventura militar americana em outros países, uma vez que elas inevitavelmente demandam mais gastos governamentais.  E, como todo bom keynesiano sabe, mais gastos governamentais significam mais prosperidade para todos.)

Mas há algo substancial que Krugman não aborda em seu artigo, e que foi de suprema importância para a recuperação da economia americana no início da década de 1980: a quantidade de liquidações, falências e mudanças na estrutura de produção da economia americana que ocorreu naquela época.  Dado que Krugman e eu nascemos no mesmo ano, nós dois nos lembramos bem das coisas que ocorreram durante a recessão de 1982 — bem como todas as lamúrias midiáticas que foram feitas à época.

Vários agricultores americanos que haviam se endividado enormemente (seguindo conselhos de burocratas do Ministério da Agricultura) prevendo mais inflação e um contínuo aumento nos preços das safras repentinamente se descobriram falidos e tiveram de ver suas fazendas sendo levadas a leilão quando os preços das safras despencaram em decorrência dos esforços do Banco Central americano (sob o comando de Paul Volcker) em reduzir a taxa de crescimento da oferta monetária.  Várias pessoas se lembram de Dan Rather [famoso âncora americano] fazendo matérias ao vivo direto destes leilões de fazendas, bem como vários filmes de Hollywood retratando as agruras de agricultores cronicamente endividados.

Uma grande quantidade de siderúrgicas e usinas de fundição de ferro e aço foi abandonada, e cidades como Pittsburgh, na Pensilvânia, passaram por substanciais alterações econômicas, uma vez que setores industriais inteiros, que eram a base das economias destes lugares, faliram e fecharam.  Igualmente, várias fábricas automotivas ao redor do país fecharam permanentemente, o que abriu espaço para que montadoras de outros países fossem para os EUA e construíssem fábricas e contratassem mão-de-obra não sindicalizada, apresentando, desde então, um desempenho muito melhor do que suas rivais americanas.

Houve também mudanças fundamentais no setor de transportes.  A Comissão Interestadual de Comércio — agência reguladora que controlava os preços de transportes ferroviários e de carga, e que havia criado vários cartéis nestes setores — passou por uma série de transformações, o que posteriormente levou à sua total abolição.  Vários esquemas regulatórios foram abolidos, o que levou ao surgimento de novas empresas nestes setores, bem como mais concorrência.

Profundas desregulamentações também no setor de telecomunicações acabaram com os cartéis, quebraram empresas obsoletas e permitiram o surgimento e o rápido crescimento de novas indústrias de alta tecnologia, o que acabou pavimentando o caminho para o moderno uso da internet.

Em outras palavras, embora haja várias críticas a serem feitas a Reagan, principalmente no que concerne ao aumento dos gastos militares, o fato é que ele, ao menos durante o seu primeiro mandato, permitiu que várias coisas boas pudessem ocorrer.  Ele permitiu que enormes setores da economia americana quebrassem e fossem liquidados, um termo que é anátema para keynesianos como Krugman.  Foi esta liquidação, como bem explica a teoria austríaca, que expurgou os investimentos ruins e insustentáveis da economia americana, permitindo que recursos escassos fossem direcionados para novos e mais modernos setores, de acordo com a nova demanda dos consumidores.

Não obstante várias e clamorosas demandas do Congresso para que o governo adotasse “políticas industriais” que estimulassem indústrias decadentes e falidas, e concedesse mais subsídios para aqueles setores favoritos dos Democratas (que controlavam o Congresso), o que houve na realidade foi um substancial crescimento econômico conduzido pelo livre mercado, de modo que, já no início de 1984, era nítido que a economia americana estava forte processo de recuperação.

Agora, de acordo com Krugman, tudo isso que ocorreu naquela época é na realidade impossível de ocorrer.  Sim, houve um crescimento no tamanho do governo, mas certamente nada comparável — principalmente nos dois primeiros anos de Reagan, seus melhores — aos maciços gastos que os keynesianos alegam serem necessários para que haja uma real e sustentável recuperação econômica.  Adicionalmente, os keynesianos de hoje nos fariam crer que a quantidade de liquidações ocorrida em 1982 arrastaria a economia americana para um atoleiro do qual ela jamais sairia sem acentuados gastos governamentais, subsídios, pacotes de estímulos, impressão maciça de dinheiro, juros extremamente baixos e afins.  E nada disso ocorreu.

Pessoas bem treinadas em métodos estatísticos sabem que sempre há maneiras espertas de se apresentar e interpretar números, e Krugman sabe como jogar este jogo.  Um grande número de pessoas já abordou esta maneira krugmaniana de lidar com números e não é minha intenção se juntar a elas.  Pretendo lidar com Krugman na base da teoria.

De acordo com Paul Krugman, considerando-se todas as liquidações e falências ocorridas em 1982, a recuperação econômica americana de 1983-1984 não poderia ter acontecido.  Mas ela ocorreu.  E ocorreu sem maciças doses de pacotes de estímulos, subsídios, impressão de dinheiro e aumento de gastos.  Consequente, Krugman se vê obrigado a criar fantasias sobre como o “compartilhamento de receitas”, o “keynesianismo bélico”, e o aumento de impostos dos governos estaduais foram na realidade os grandes agentes da prosperidade.  Adicionalmente, vale ressaltar que a taxa de inflação caiu acentuadamente durante aquela época, algo que os keynesianos argumentariam não ser possível durante uma recuperação econômica.

Infelizmente, Krugman é muito influente e várias pessoas acreditam em suas tolices — e são tolices —, o que dá aos governos a desculpa perfeita para confiscar mais riqueza da economia, asfixiá-la com mais regulamentações, aumentar seus gastos e seu controle sobre todos nós.  E ainda fazer os ingênuos acreditarem que este caminho da servidão é na realidade o caminho da prosperidade.

Para complemento de leitura e facilitação de entendimento, são recomendáveis também o artigo Liberalizar gera desemprego? e a biografia de Ronald Reagan.

É imoral e anti-humano ser contra o lucro e a livre iniciativa

Por Thomas Woods. Artigo original postado no Instituto Ludwig von Mises Brasil.

Pessoas auto-intituladas piedosas e caritativas rotineiramente dizem que o livre mercado e a busca pelo lucro não são atitudes que estão em conformidade com princípios morais.  Tais pessoas creem estar genuinamente defendendo os mais puros princípios humanitários ao defenderem alguma alternativa ao livre mercado, como por exemplo a terceira via ou mesmo o “distributivismo”, doutrina segundo a qual o melhor sistema social é aquele em que a propriedade produtiva está amplamente dispersa pela sociedade em vez de concentrada nas mãos de alguns poucos.  Apenas para deixar claro, tais pessoas não defendem o socialismo per se, que envolve a estatização dos meios de produção, mas sim a ampla distribuição destes entre o máximo possível de indivíduos.

Em 1871, Carl Menger escreveu Princípios de Economia Política, uma obra de profunda genialidade que essencialmente inaugurou a Escola Austríaca de economia, mas que praticamente nenhuma das pessoas que se arvoram a pontificar sobre a “questão social” leu ou sequer conhece.  Todos aqueles que escrevem sobre distributivismo, ou que simplesmente fazem apelos emocionais em prol da “necessidade” da redistribuição, parecem compartilhar da mesma ignorância, jamais se apoiando em argumentos solidamente econômicos para justificar sua posição — como se uma disciplina que se dedica à aplicação da razão humana para a solução do problema da escassez no mundo pudesse ser em si mesma antagonista aos bons princípios morais e aos mais belos ideais.

Mesmo se fizermos uma concessão a uma das principais premissas distributivistas — que diz que as micro e pequenas empresas são constantemente engolidas e destruídas pelas grandes empresas —, a conclusão a que eles sempre chegam, isto é, a de que é preferível para um indivíduo operar seu próprio negócio a ser empregado de outro, não é nada óbvia.  É perfeitamente possível um indivíduo estar em melhor situação na condição de empregado, pois assim — para utilizar o argumento moral — ele poderá dar mais atenção à sua família, tendo mais tempo de lazer para usufruir junto a ela, algo que não aconteceria caso ele tivesse de se manter atento a todas as responsabilidades e cuidados inerentes à gerência do próprio negócio.  Da mesma forma, caso a empresa para a qual ele trabalha vá à falência, ele próprio não estará falido.  Estamos, portanto, lidando aqui com uma questão de circunstâncias individuais e não de generalizações grosseiras.

Suponha, ademais, que o “distributivismo” estivesse em vigor durante a Revolução Industrial na Grã-Bretanha no final do século XVIII.  Certamente, teríamos ouvido infindáveis lamúrias a respeito da crescente concentração de poder econômico e o dramático crescimento no número de pessoas trabalhando em troca de salários.  Mas o que provavelmente não teríamos ouvido seriam declarações sobre as reais condições daquelas pessoas que estavam procurando emprego nas fábricas.  Elas não foram afortunadas o bastante para conseguir uma vida rentável na agricultura, e também não haviam sido agraciadas por suas famílias com as ferramentas necessárias para empreender algum ofício independente e operar algum pequeno estabelecimento, algo que encantas os distributivistas.  Se elas, portanto, não tivessem tido a oportunidade de trabalhar em troca de salários, suas famílias simplesmente iriam morrer de fome.  É realmente simples assim.  O capitalismo, e não o distributivismo, foi o que literalmente salvou essas pessoas da mais completa penúria, e tornou possível o enorme crescimento da população, da expectativa de vida, da saúde, e do padrão de vida geral — crescimento esse que foi o maior que a Inglaterra já havia vivenciado até a época e que mais tarde se difundiu por toda a Europa ocidental.

Em um livro corrigindo o viés esquerdista dos velhos livros de história sobre a Revolução Industrial, o Prêmio Nobel F.A. Hayek reforçou esse ponto.  “O proletariado que o capitalismo ‘criou'”, escreveu ele, “não representava uma fatia de pessoas que teria existido sem ele e que foram degradadas justamente pelo capitalismo a um nível mais baixo; tal proletariado representava, na realidade, uma população adicional que só pôde crescer em decorrência das novas oportunidades de emprego criadas pelo capitalismo.”

Ludwig von Mises elabora ainda mais esse mesmo ponto:

É uma distorção dos fatos dizer que as fábricas arrancaram as donas de casa de seus lares ou as crianças de seus brinquedos.  Essas mulheres não tinham como alimentar os seus filhos.  Essas crianças estavam carentes e famintas.  Seu único refúgio era a fábrica; salvou-as, no estrito senso do termo, de morrer de fome.

É deplorável que tal situação existisse.  Mas, se quisermos culpar os responsáveis, não devemos acusar os proprietários das fábricas, que — certamente movidos pelo egoísmo e não pelo altruísmo — fizeram todo o possível para erradicá-la.  O que causava esses males era a ordem econômica do período pré-capitalista, a ordem daquilo que, pelo que se infere da leitura das obras destes historiadores, eram os “bons velhos tempos”.

Nas primeiras décadas da Revolução Industrial, o padrão de vida dos operários das fábricas era escandalosamente baixo em comparação com as condições de seus contemporâneos das classes superiores ou com as condições atuais do operariado industrial.  A jornada de trabalho era longa, as condições sanitárias dos locais de trabalho eram deploráveis.

A capacidade de trabalho do indivíduo se esgotava rapidamente.  Mas prevalece o fato de que, para o excedente populacional — reduzido à mais triste miséria pela apropriação das terras rurais, e para o qual, literalmente, não havia espaço no contexto do sistema de produção vigente —, o trabalho nas fábricas representava uma salvação. Representava uma possibilidade de melhorar o seu padrão de vida, razão pela qual as pessoas afluíram em massa, a fim de aproveitar a oportunidade que lhes era oferecida pelas novas instalações industriais.

O distributivismo, dentro deste contexto, teria simplesmente privado milhares de pessoas destas oportunidades, gerando resultados cruéis para o mesmo proletariado que tal doutrina alega defender.

Também constantemente sob ataque dos distributivistas está a sempre difamada “busca pelo lucro”.  O argumento emocional é o de que tal prática, além de não ter nada de meritória, é totalmente imoral.  No entanto, é certo que nem mesmo um distributivista negaria — dado que seria incoerência — ser moralmente lícito um indivíduo querer melhorar sua situação, tanto para si próprio quanto para sua família.  Ademais, mesmo a caridade para os mais pobres irá requerer o auxílio de pessoas ricas, e esta riqueza terá de ser adquirida de alguma forma.  Porém, sem a “busca pelo lucro”, simplesmente não há como saber ao certo se este moralmente legítimo desejo do indivíduo de melhorar sua situação e a de sua família está sendo buscado de maneira a beneficiar a sociedade como um todo, e não apenas ele.

Ao longo dos anos, tem havido um enorme esforço concertado para fazer troça da “mão invisível” de Adam Smith, a imagem pela qual Smith procurou descrever o salutar processo por meio do qual o desejo de cada indivíduo de melhorar sua condição acaba também beneficiando aqueles à sua volta; e alguns moralistas argumentam que o fato de o padeiro fazer o seu pão não por benevolência, mas sim por estar em busca do lucro, é algo que merece apenas condenação do ponto de vista moral.

No entanto, há apenas duas opções em jogo: ou o indivíduo busca seus objetivos sem qualquer consideraçãopelas necessidades e desejos de seus conterrâneos, ou ele age levando em consideração estas necessidades.  Não há uma terceira opção.  Ao buscar “maximizar os lucros”, motivação esta rotineiramente tratada como sendo um terrível flagelo sobre a civilização, o indivíduo está apenas garantindo que seus talentos e recursos sejam dirigidos para aquelas áreas que seus conterrâneos, por meio do sistema de preços, indicaram ser a mais urgentemente demandada e necessitada.  Em outras palavras, o sistema de preços, e o sistema de lucros e prejuízos cujo cálculo o sistema de preços possibilita, obriga o indivíduo a planejar suas atividades em conformidade com as necessidades expressadas pela sociedade.  Tal atitude implica necessariamente uma administração sensata e racional das coisas físicas existentes no planeta.

É assim que uma sociedade racional e civilizada garante que seus recursos serão alocados e distribuídos não de acordo com algum esquema arbitrário, mas sim de acordo com as necessidades e desejos das pessoas.  A busca pelo lucro, possibilitada pelo sistema de preços, portanto, permite não apenas a cooperação social, mas também o uso mais eficiente possível dos recursos escassos.  Sem a busca pelo lucro, como demonstrou Mises em seu clássico ensaio sobre a impossibilidade do cálculo econômico sob o socialismo, a civilização literalmente irá retroceder à barbárie.

Além do mais, nenhum moralista discordaria que uma vida de total comodismo e permissividade é moralmente inferior a uma vida em que a riqueza do indivíduo é colocada a serviço de investimentos produtivos e duradouros.  Mas até mesmo levantar esta questão é retirar a atenção do problema real.  Já deveria ser óbvio que reconhecer a “busca pelo lucro” não significa dizer que as pessoas deveriam pensar apenas em dinheiro, ou que o dinheiro é mais importante do que Deus, ou qualquer outra tolice.  Como explicou Mises,

A imensa maioria da humanidade se esforça para ter uma maior e melhor abundância de comida, roupas, casas e outros bens materiais.  Ao considerarem como melhoria e progresso uma elevação no nível de vida das massas, os economistas não estão aderindo a um materialismo mesquinho.  Estão simplesmente reconhecendo o fato de que as pessoas são motivadas pelo desejo de melhorar as condições materiais de sua existência.  Julgam as políticas do ponto de vista dos objetivos que os homens querem atingir.  Quem desdenha a queda na taxa de mortalidade infantil e o gradual desaparecimento da fome e das epidemias, que atire a primeira pedra no materialismo dos economistas (ênfase minha).

A questão é que, uma vez que sabemos que o indivíduo possui razões perfeitamente válidas para buscar o mais alto retorno para seu investimento, ou para obter o mais alto salário possível, em vez de perdermos nosso tempo com lamentos tolos e irrelevantes a respeito das pessoas gananciosas deste mundo — uma questão de filosofia moral e não de economia —, devemos empregar a razão humana para aprendermos como este desejo perfeitamente moral de querer obter ganhos resulta em benefícios para a sociedade como um todo, pois gera a produção daquilo que sociedade urgentemente demanda em vez de mais daquilo que a sociedade já desfruta em abundância.  Posto desta forma, o sistema de lucros e prejuízos de uma economia baseada na divisão do trabalho — uma instituição indispensável para qualquer sociedade civilizada — repentinamente se revela não apenas profundamente moral, como também algo essencial, sendo provavelmente por este motivo que os oponentes do capitalismo nunca se referem aos lucros desta forma.

Se quisermos que a força motriz que proporcionou o enorme avanço no padrão de vida que todas as pessoas do mundo desfrutaram ao longo dos últimos dois séculos não seja destruída, é essencial que entendamos o mecanismo que torna possível a sua existência.  Tal apreciação por estes indispensáveis aspectos da liberdade econômica está completamente ausente da mentalidade dos defensores do distributivismo — os quais, em sua ânsia para caricaturar o mercado como sendo um local de incessante “exploração” e ganância, consistentemente ignoram ou menosprezam suas conquistas e virtudes.

Dado que é muito mais difícil para um indivíduo crescer na virtude e salvar sua alma se estiver vivendo na mais completa penúria, seria de se esperar que os pretensos moralistas e piedosos demonstrassem maior apreciação pelo sistema que possibilitou a maior criação de riqueza que o mundo já vivenciou — incluindo-se aí um assombroso aumento da expectativa de vida, da ingestão de calorias, da qualidade das moradias, da educação, da alfabetização, e de incontáveis outras coisas boas, bem como reduções dramáticas da mortalidade infantil, da fome e das doenças.  E, contrariamente ao que asseguram os propagandistas, nada poderia ser mais óbvio do que o fato de que os benefícios do capitalismo aprimoraram exponencialmente a vida dos mais pobres.

Faça o leitor uma experiência imaginária: suponha que um ancestral do ano 1700 pudesse ser transportado para a nossa época atual para vivenciar um dia rotineiro na vida de Bill Gates.  Ele sem dúvida ficaria impressionado com algumas coisas que tornam a vida de Bill Gates algo sem paralelos.  Porém, um bom palpite é que, dentre estes aspectos que tornam a vida de Gates inigualável, aqueles que mais impressionariam o ancestral seriam o fato de que Gates e sua família não têm de se preocupar com a possibilidade de morrerem de fome; que eles tomam banho diariamente; que eles utilizam várias roupas limpas ao longo do dia; que eles possuem dentes claros e saudáveis; que doenças como varíola, pólio, difteria, tuberculose, tétano e coqueluche não apresentam riscos substanciais; que as chances de Melinda Gates morrer durante o parto são de aproximadamente 1/60 em relação a um parto em 1700; que cada filho do casal tem aproximadamente 40 vezes mais chances de sobreviver à sua infância em relação às crianças da era pré-industrial; que os Gates possuem geladeiras e congeladores em suas casas (sem mencionar forno microondas, lava-louça, rádio, televisão, DVD, computadores etc.); que a semana de trabalho dos Gates é de apenas cinco dias e que a família tira várias semanas de férias por ano; que cada filho dos Gates recebe mais de uma década de educação escolar; que os Gates rotineiramente fazem viagens aéreas para locais distantes em questão de horas; que eles conversam sem nenhum esforço com pessoas que estão a milhares de quilômetros de distância; que eles frequentemente usufruem das soberbas performances dos melhores atores e atrizes do mundo; que os Gates podem, sempre que quiserem e onde puderem, ouvir uma sonata de Beethoven, uma ópera de Puccini ou uma balada de Frank Sinatra.

Em outras palavras, o que mais impressionaria nosso visitante são justamente os aspectos da vida de Gates que o magnata possui em comum com boa parte das pessoas do mundo (principalmente dos países desenvolvidos).  Por outro lado, quando você considera as diferenças que caracterizavam ricos e pobres antes da Revolução Industrial, o mito de que “o capitalismo promove a desigualdade” é desmascarado como uma ficção ignorante, uma história sem nenhum fundamento.

Escondida por baixo de todas essas críticas rotineiramente feitas ao mercado está uma ingenuidade a respeito do estado que realmente desafia por completo a lógica da mente humana.  Diga o que quiser a respeito de qualquer empresa da qual você não goste, e eu irei apenas lhe dizer que tal empresa não é a responsável por confiscar 40% da renda das pessoas para gastar em coisas moralmente repugnantes.  Tampouco é ela quem me proíbe de comercializar com o estrangeiro que mais me aprouver, que me impede de ter mais opções no mercado por causa de suas regulamentações, que encarcera pessoas pelo “crime” de ter ingerido ou injetado coisas em seus próprios organismos, que gerencia um sistema educacional que produz idiotas “multiculturais” em massa, e que despeja pessoas de suas propriedades com o intuito de fazer obras públicas naquele local.

Empresas privadas, mesmo as maiores, podem ir à falência.  O estado, não.  Por mais fã de regulamentações que um indivíduo seja, a simples sugestão de que o aparato estatal deva ganhar mais poderes, ou que tais poderes certamente não seriam utilizados depravadamente, é algo que realmente requer algum tipo de justificação que até o momento ninguém logrou apresentar.

Por fim, não deixa de ser curioso que os críticos da “imoralidade” do mercado não tenham estudado a sério as contribuições dos escolásticos espanhóis, cujas observações críticas sobre uma variedade de questões econômicas deveriam ser mais profundamente difundidas.  Porém, como estes escolásticos se posicionaram ao lado da liberdade econômica, os distributivistas os tratam como anátemas.  É de se lamentar, pois os escolásticos eram teólogos que não apenas apresentaram princípios morais, como também procuraram entender os mecanismos daquilo que estavam discutindo, isto é, o sistema de mercado.

Somente por meio de um genuíno conhecimento dos mecanismos da economia livre, em vez de sua caricatura, pode a dimensão moral da ciência econômica ser sensatamente discutida.

Lucros são para pessoas

Texto de Walter E. Williams, Professor Emérito de Economia da Universidade George Mason (Virginia, EUA) e colunista do jornal The Washington Examiner.

Os manifestantes do “Ocupe Wall Street” estão exigindo “pessoas antes dos lucros” – como se a motivação pelo lucro fosse a fonte dos problemas da Humanidade – quando é frequentemente a ausência de motivação que é a verdadeira vilã.

Primeiro, vamos entender a definição e a magnitude dos lucros. Lucros representam o ganho residual conquistado por empreendedores. Eles são o que sobra depois que outros custos de produção – como salários, aluguel e juros – são pagos.

Lucros são o pagamento pela assunção de riscos, inovação e tomada de decisão. Como tal, eles são um custo de negócios tanto quanto salários, aluguel e juros. Se esses pagamentos não são feitos, trabalho, terra e capital não poderão oferecer seus serviços.

De maneira similar, se o lucro não é pago, os empreendedores não poderão oferecer seus serviços. Historicamente, lucros corporativos alcançam entre 5 e 8 centavos por dólar, e salários, entre 50 e 60 centavos por dólar.

Mais importante do que simples estatísticas sobre a magnitude dos lucros é o seu papel, que é efetivamente o de forçar produtores a atender os anseios e desejos do homem comum.

Quando foi a última vez que ouvimos reclamações generalizadas sobre nossas lojas de roupas, supermercados, lojas de informática ou de eletrodomésticos?

Estamos muito mais sujeitos a ouvir pessoas reclamando dos serviços que recebem da agência de correios, departamento de veículos e de polícia, conselhos de educação e outras agências governamentais.

A diferença fundamental entre áreas de satisfação e insatisfação geral é que a busca por lucros está presente em uma e não na outra.

A busca por lucros força os produtores a estarem atentos à vontade de seus consumidores, simplesmente porque o consumidor de, digamos, um supermercado pode excluí-lo ao procurar outro negócio.

Se um departamento de veículos ou uma agência de correios do Estado fornece serviços insatisfatórios, não é tão fácil para consumidores insatisfeitos tomar uma atitude contra eles. Se um negócio privado tivesse tantos consumidores insatisfeitos quanto nossas escolas governamentais, ele teria saído do mercado há muito tempo.

O capitalismo de livre mercado não perdoa. Produtores satisfazem consumidores, com minimização de custos, e obtém algum lucro, ou encaram perdas ou vão à falência. Essa é a disciplina de mercado que alguns negócios tentam evitar.

É por isso que eles pressionam Washington urgindo por um capitalismo camarada – socorros financeiros do governo, subsídios e privilégios especiais. Eles desejam reduzir o poder dos consumidores e acionistas, que não possuem grande simpatia para asneiras e os jogarão no olho da rua no ato.

Ter o Congresso ao seu lado significa que os negócios podem ser menos atenciosos à vontade dos consumidores. O Congresso pode mantê-los seguros com ajudas financeiras, como aconteceu com a General Motors e a Chrysler, com a justificativa de que essas companhias são “grandes demais para falir”.

Besteira! Se a General Motors e a Chrysler fossem deixadas à bancarrota, não significaria que seus ativos produtivos, como linhas de montagem e ferramentas, virariam fumaça e desapareceriam no ar.

A bancarrota conduziria à mudança da propriedade desses ativos por alguém que poderia administrá-los melhor. A ajuda financeira propiciou a essas empresas se esquivar das consequências plenas de seus equívocos.

Por falar nisso, frequentemente ouvimos pessoas dizendo, com um tom de santidade, “Somos uma organização sem fins lucrativos”, com se isso se traduzisse em decência, objetividade e desprendimento. Eles querem que pensemos que eles estão nisso pelo bem da sociedade e não por causa daqueles “maléficos” lucros.

Se pensássemos um pouco sobre isso e perguntássemos que tipo de organização através da história humana mais contribuiu para prejudicá-la, a resposta não seria uma empresa lucrativa e privada do livre mercado; seria o governo, a maior organização sem fins lucrativos.

Os manifestantes do “Ocupe Wall Street” estão seguindo o caminho previsto pelo grande filósofo e economista Frédéric Bastiat, que disse em “A Lei” que “em lugar de extirpar o que a sociedade continha de injustiça, generaliza-se esta última”.

Em outras palavras, os manifestantes não querem o fim do capitalismo camarada, com seus privilégios e seu favoritismo governamental; eles querem participar dele.

 

Artigo originalmente publicado na Juventude Conservadora da UnB.