A presunção da esquerda

Já dizia Bastiat que eram presunçosos os socialistas de seu tempo. Impossível negar tal afirmação. O progresso está nas mãos dos arautos da igualdade, dizem. Não é possível saída alternativa ao progresso forçado e artificial e à igualdade imposta à força. Em “A Lei” Bastiat dá um exemplo que considero genial: Os socialistas criam duas categorias de seres humanos, sendo o próprio autor (a primeira e superior categoria) incumbido de guiar o resto dos seres humanos (segunda categoria, considerada matéria inerte) no tortuoso caminho em direção à prosperidade; para isso age como o jardineiro em seu jardim, moldando a sociedade a seu bel prazer, dando vida aos inanimados seres humanos através do Estado. É incrível como consideram o corpo social um laboratório para suas experiências variadas. E esse pensamento não se restringe aos socialistas da época de Bastiat: ele se reproduziu através dos tempos, culminando na Revolução Russa, mantendo-se vivo mesmo após a queda da URSS, demonstrando a alienação gerada pelas ideologias de esquerda (que por ironia do destino foi denunciada como meio de alienação pelo próprio Marx). Acredito ser necessário deixar claro que não considero que todas as ideologias são necessariamente meios de alienação, mas podem ser aspirações reais dos seres humanos.

Frederic Bastiat
Frederic Bastiat – Denunciou a soberba da esquerda de sua época, que não estranhamente estendeu-se até os dias de hoje.

O senso de superioridade esquerdista não se limita a isso, sua presunção vai além: Encontram em si o poder de alterar um fluxo coletivo que naturalmente cria uma hierarquia. A natureza trás consigo equilíbrio, e isso não se limita aos ecossistemas, mas também à sociedade. Devemos através de nossa razão regular excessos egoísticos que levem um indivíduo a ferir direitos alheios, mas não brigar contra a ação humana como ser coletivo. Os que desejam a total igualdade entre os seres humanos não apenas são desarrazoados (pela impossibilidade de tal feito) como pregam um grande dano à comunidade como um todo. Para que exista coesão é necessário que todos os postos estejam supridos, desde o operariado até os homens de Estado. Dessa maneira o corpo social se beneficia da ganância humana rumo ao desenvolvimento. Isso não significa que é legítima a exploração ou o trabalho semi-escravo (deixando claro que essa exploração passa longe do conceito furado de Marx; novamente trazendo à tona nossa razão e, dessa vez, a moral que não nos permite assistir inertes a um outro ser humano morrer de fome): Todos devem ser providos de um mínimo necessário (traduzindo à política, os serviços básicos), e a todos deve ser dado brigar por uma elevação social. Para isso existiram importantes conceitos iluministas como a igualdade formal, a liberdade e o direito à propriedade.

Robespierre
Maximillien de Robespierre – Um exemplo da superioridade e humanidade da esquerda

A liberdade é um bem caro a nós ocidentais. Um bem conquistado à custa de muitas vidas e sangue, um bem de valor inestimável que não pode ser entregue em troca de devaneios alucinados que já se provaram fracassados. Mas essa liberdade não deve ser predatória, como parecem gostar os anarquistas (e anarco-capitalistas), bradando ao vento a extinção do Estado. Mesmo que autoritário, Hobbes trouxe um conceito bastante preciso do estado de natureza humano: guerra de todos contra todos, o mais forte manda e o prudente obedece. Mas para evitar os vícios do filósofo absolutista, temos o conceito liberal de Estado: aquele que se ausenta da vida privada. Essa ausência não pode ser total, mas deve seguir aquele velho preceito que diz que as pessoas devem ser felizes e prósperas apesar do Estado. O ser humano pode ser nobre de alma, mas também pode ser o maior dos carrascos do próprio homem, e não é diferente o estadista. Os governantes e legisladores não são seres supremos capazes de promover a igualdade e o bem-estar geral, mas sim pessoas ocupando cargos públicos para legislar e governar em causa própria. Por isso o povo sempre deve desconfiar de seus “representantes”. Mas para a esquerda a liberdade conquistada através de tanta luta nada representa frente ao colossal escudo da igualdade que carregam. Não é de praxe que eu desconfie das intenções daqueles que proferem um discurso de diferentes ideais, mas os adeptos ao igualitarismo parecem por muitas vezes usar dessas ideias apenas para conduzir cordeiros que o apoiem quando puder sugar os cofres públicos, frutos da violação do resultado do trabalho da população.

Stalin
Josef Stalin – Um dos nobres comunistas que habilmente perpetrou a distribuição de renda, e também de sangue e corpos

À respeito da propriedade a soberba se torna mais escancarada. O Estado deve controlar todos os meios de produção, cabendo a si fazer a distribuição dos frutos do trabalho. Tudo isso por causa do egoísmo humano. Sempre fico a pensar se aqueles da esquerda são de uma natureza distinta, altruísta e idônea. Se martelam um discurso de que o ser humano é necessariamente mal, porque ao invés de dividir o poder concentrá-lo todo na mão de um só lobo? Pois a nobreza de coração encontra-se apenas na política canhota, parece.

Locke
John Locke – Vida, Liberdade e Propriedade

A liberdade unida à propriedade e à igualdade de direitos cria um mecanismo de seleção dos melhores de uma comunidade. E daí nasce, dos direitos naturais do homem, uma hierarquia natural. O pavor de todos aqueles que simpatizam com a esquerda, o pavor de depender de si próprio. Pois nada mais é o socialismo do que a possibilidade de viver às custas dos outros, como antes fez seu maior ícone: Marx.

A escola austríaca de economia

Friedrich Hayek

A Escola Austríaca de Economia, também conhecida como Escola de Viena ou Escola Psicológica, é uma escola econômica baseada no princípio da organização espontânea dos mecanismos de preços. Defende, portanto a não intervenção na economia. Acredita que deve-se respeitar à risca os acordos contratuais voluntários entre os agentes econômicos.

Eugen von Böhm-Bawerk

A escola se chama austríaca devido aos seus fundadores e primeiros adeptos serem dessa nacionalidade. Podemos destacar entre eles os nomes de Carl Menger, Eugen von Böhm-Bawerk, Ludwig von Mises, Frederick August von Hayek. Embora a escola tenha ganho esse nome por seus fundadores serem austríacos, seus defensores têm inúmeras nacionalidades.

Carl Menger

A escola austríaca baseia-se no conceito do individualismo metodológico que trata-se da análise das ações humanas a partir dos agentes individuais, ou seja, busca a explicação de fenômenos econômicos a partir das ações dos indivíduos.

Ludwig von Mises

Devido a praxeologia, que nada mais é do que o estudo de fatores que levam as pessoas a atingir os seus propósitos, foram criados axiomas (proposição lógica necessária para construção ou aceitação de uma teoria), entre eles podemos citar que o homem age sempre em função de aumentar o seu conforto ou reduzir seu desconforto. Sendo assim, com a liberdade de mercado é mais fácil atingir esse objetivo, pois o Estado é incapaz de suprir as necessidades do ser humano, já que este não sabe com exatidão as necessidades de cada indivíduo que compõe a sociedade. Cada ser humano tem sua necessidade pessoal/individual.