Como seria um bom governo de direita? – Parte 1

Ronald Reagan e Margaret Thatcher: duas importantes personalidades de direita.

A esquerda tem feito um ótimo trabalho. Não no sentido de resolver problemas sociais importantes, mas no sentido de fazer propaganda contra a direita. Uma prova do que digo é a total desinformação da maioria das pessoas quando se trata das propostas direitistas para a resolução de alguns problemas sociais.

As pessoas sabem o que diz a esquerda. Todo mundo conhece Marx e a sua idéia de estatizar todos os meios de produção. Todos conhecem também a postura dos partidos de esquerda após a queda da União Soviética: “Não queremos destruir o capitalismo, mas criar um governo que diminua ao máximo as desigualdades sociais” (o que, na prática, quer dizer: muitos programas sociais “tapa-buracos”, muitos impostos, muito poder governamental, má administração de recursos e facilidade de corrupção).

Mas alguém pode citar uma proposta de direita? Quais são as idéias que a direita tem para melhorar a educação e a saúde? Como a direita pretende diminuir a violência e tornar melhores as condições dos presídios? O que exatamente a direita pensa sobre as estradas esburacadas, o desemprego, os impostos, a corrupção, as crises financeiras, a economia, os problemas ambientais, a discriminação social e racial, os direitos dos trabalhadores, o sistema público de previdência social, a democracia, o Estado de Direito, a liberdade de expressão e as leis?

Infelizmente, para a maioria das pessoas (sobretudo os brasileiros), a direita se resume à equação: “governo + empresários = exploração do trabalhador”. E esse resumo é, evidentemente, uma criação dos marketeiros de esquerda.

O objetivo da série de postagens que inicio hoje, portanto, é mostrar ao leitor as propostas do verdadeiro pensamento de direita. Serão abordadas quatro ou cinco idéias típicas da direitista em cada um dos textos, que orientariam as ações de um bom governo de direita. Antes, contudo, é necessário fazer uma pequena introdução sobre a diferença entre as propostas de Direita e as de Esquerda. Depois disso poderemos partir para as propostas em si.

Propostas de Direita x Propostas de Esquerda

A base do pensamento da direita é o ceticismo em relação ao ser humano e ao governo. Ao contrário da esquerda, a direita não vê no Estado uma boa ferramenta para transformar a sociedade num paraíso, primeiro porque o Estado é feito de homens e os homens são falhos; e, segundo, porque esse tal paraíso é inalcançável. Quando colocamos poder demais nas mãos do Estado, ainda que almejando o “bem comum”, o resultado é sempre diferente do que aquilo que gostaríamos de ver. Autoritarismo, ditaduras, repressões, dinheiro público jogado fora, péssimas administrações, corrupções envolvendo modelos público-privados, exploração do trabalhador pelo governo e etc. Assim, uma diferença básica entre direita e esquerda é que a esquerda é crente no poder do Estado (à exceção dos anarquistas) e a direita não.

Não obstante, o fato de a direita desconfiar do poder público não implica em uma confiança no poder privado. Aqui reside um ponto importante. A direita não enxerga o poder privado como um santo salvador da sociedade, mas apenas entende que o poder dos empresários pode ser facilmente limitado quando se incentiva à concorrência e quando o governo deixa de criar vínculos com determinadas empresas através de sua inconveniente intromissão na economia.

A concorrência entre as empresas é um fator essencial na equação, porque faz com que as mesmas busquem sempre produzir serviços e produtos com mais qualidade, com mais rapidez e/ou com o preço mais baixo, a fim de ganharem do concorrente ou de não falirem. Assim os consumidores saem ganhando e também os trabalhadores, que ganham mais oferta de empregos conforme a economia cresce.

Em resumo, a base do pensamento de direita para as propostas sociais é a idéia de que o Estado deve tirar a mão do maior número possível de serviços, diminuindo os impostos, dando ao cidadão autonomia para escolher com quais serviços quer gastar o seu precioso dinheiro e dando a todas as empresas o direito de disputarem a confiança deste mesmo cidadão.

As Propostas

1) Diminuição da interferência

A primeira ação de um governo de direita é desburocratizar e desregulamentar a economia de seu Estado (isto é, diminuir sua interferência nos negócios). Isso porque muita burocracia e regulamentações excessivas dificultam a vida de pequenas e médias empresas, o que enfraquece a concorrência, facilita que as grandes empresas se tornem monopólios e estreita as relações entre o governo e essas empresas monopolistas (raiz de muitos desvios de verba).

Um exemplo interessante de como a interferência do Estado nos negócios pode ser muito prejudicial às pequenas e médias empresas pode ser visto no filme “A Creche do Papai”. No filme, Charlie Hinton (interpretado por Eddie Murphie), cria uma creche em sua casa com mais dois amigos. Em dado momento, um fiscal do governo, ao inspecionar a casa, afirma que existe uma norma do governo impedindo que uma creche caseira tenha mais do que 12 crianças (e a casa tinha 14). Charlie argumenta que sua casa é grande e que cabe até mais do que 12 crianças (um fato), ao que o inspetor responde: “Não sou eu que faço as regras. Eu só as cumpro. Se querem continuar com as 14 crianças, terão que se mudar para outro espaço”.

Sem dinheiro para comprar um espaço grande que pudesse servir de creche e não querendo ter que escolher duas crianças para sair (já que tinham se apegado à todas), Charlie e seus amigos se viram obrigados a fechar o negócio. O leitor compreende como o excesso de regulamentação impediu que a creche continuasse? No filme a situação é resolvida depois, porém na vida real é comum que muitas empresas pequenas e médias não suportem essas amarras do governo. E quem sai ganhando com isso no final? As empresas de grande porte, claro.

Portanto, a retirada de dificuldades burocráticas do caminho é um fator essencial para que a economia tenha um melhor desenvolvimento. O objetivo dessa ação é gerar mais oportunidades para aquele que quer abrir seu negócio, para aquele que quer manter sua empresa, para aquele que quer expandir seu comércio e para aquele que apenas quer arranjar um emprego.

2) Diminuição dos Tributos e Corte nos Gastos Públicos

Imagine um trabalhador que ganhe 1000 reais por mês de salário. Dessa quantia, pasme, cerca de 430 reais irão para o governo em forma de tributos diretos e indiretos (o que, popularmente conhecemos como impostos). Em outras palavras, somos obrigados a jogar fora quase metade do nosso salário, já que se precisarmos de escolas de qualidade para nossos filhos, de bons serviços médicos ou de segurança, por exemplo, o governo não será capaz de nos dar.

O dinheiro que pagamos de imposto acaba sempre sendo gasto em obras públicas desnecessárias (ou que não são prioridade para o povo), em programas educativos para crianças (como se o governo devesse fazer o papel dos pais), em shows e festas que vira e volta o governo financia, em ajuda à ONG’s (Deus do Céu! Elas não deveriam ser Organizações NÃO Governamentais?!), em assistencialismos tapa-buraco, em salários exorbitantes para as dezenas de assessores de gabinete para cada político e etc.

Assim, a segunda ação de um bom governo de direita após desregulamentar e desburocratizar a economia, seria a de cortar ao máximo seus gastos públicos e diminuir a enorme carga tributária que pesa sobre os nossos ombros. Isso diminuiria a possibilidade de desvios de verba e daria mais autonomia ao cidadão para gastar o seu salário.

3) Financiando o aluno em vez da escola

Aqui começam os temas mais famosos. A decadência da educação pública é um dos problemas mais graves que temos. Faltam professores nos colégios; os professores que temos não recebem bem e ficam desestimulados; os alunos desordeiros têm liberdade para agirem como querem sem receberem punição; o governo, querendo bons índices de aprovação, cria um sistema que passa qualquer um; as salas lotadas tornam difícil a passagem de todo o conteúdo por parte do professor; alguns professores sem caráter não se esforçam para passar matéria e muitas vezes não vão à aula; falta material; falta estrutura; faltam incentivos ao bom aluno e etc.

Como resolver esse panorama? Bem, em primeiro lugar, o governo deve incentivar ao máximo a criação, manutenção e expansão de colégios particulares, porque estes apresentam melhores resultados. Lembrando que quanto maior a concorrência, melhores são os serviços prestados e/ou o preço do produto.

Em segundo lugar, o governo deve pouco a pouco abandonar o modelo de financiamento de escolas, passando a financiar o aluno. Isso mesmo. O governo passaria a dar bolsas para estudantes carentes de escolas públicas, a fim de que seus pais tivessem a oportunidade de escolher um colégio particular de sua preferência e colocar seu filho, sendo financiado pelo governo.

Esse modelo de financiamento individual tornaria muito difícil o desvio de verba pública, já que ela teria um destino diretamente monitorado pelos pais do aluno financiado e pelo colégio escolhido por eles. Funcionaria mais ou menos como à bolsa de 400 reais que alguns alunos carentes recebem do governo em faculdades públicas: financiamento individual que o aluno consegue receber certinho todo mês (é até difícil acreditar que vem do governo, né?).

Este modelo de financiamento individual do aluno também transfere a administração do dinheiro para o setor privado que, ao contrário do setor público, terá o cuidado em aplicá-lo de maneira bem refletida, já que seu lucro depende inteiramente da qualidade de seu serviço (algo que não ocorre com as empresas públicas).

Entretanto, como nada deve ser tão fácil (senão vira bagunça), os colégios que recebem alunos pagos pelo governo deverão manter boa estrutura, aulas de qualidade e um preço condizente com aquilo que oferece. Caso contrário, o governo poderá suprimir o número de bolsas anuais até ao ponto em que o colégio não poderá mais ser agraciado com os alunos financiados pelo governo. Ou seja, para receber o benefício, os colégios serão pressionados a oferecerem bons serviços.

Da mesma forma, o aluno agraciado pelo financiamento público deverá mostrar um desempenho pelo menos mediano nas notas, no comportamento e na avaliação geral dos professores (isto é, se ele é um aluno esforçado, apesar de suas dificuldades). Caso contrário, ao final de um ano, sua bolsa poderá ser diminuída ou retirada.

Na medida em que os colégios públicos forem esvaziando, um bom governo de direita poderia ainda formar grupos colégios públicos em cada região, transformá-los em empresas de capital aberto e repassar suas ações para os próprios funcionários desses colégios (e até alguns pais interessados). Seria colocar a educação pública nas mãos daqueles que mais se preocupam com ela.

Com essas ações, o governo teria muito menos coisas para administrar e tão logo as questões de ordem educativa passariam a ser resolvidas por pais de alunos, professores e diretores. Os pais dos alunos poderiam, inclusive, se organizar em pequenas assembléias com os professores e administradores para discutir os rumos da escola, formando órgãos espontâneos de opinião, fiscalização e pressão na educação.

4) Criando concorrência no sistema de saúde privado

O sistema de saúde pública do Brasil está doente. E os sintomas são os mesmos da educação pública. Faltam funcionários; funcionários faltam (perceba que são coisas diferentes); os médicos que vão são desestimulados pela desorganização e péssima condição dos hospitais; há muitos médicos incompetentes e muitos de mau caráter; não há equipamentos; não há estrutura; enfim, está morrendo.

Se os sintomas são os mesmos, não é de se admirar que o diagnóstico também seja o mesmo. É esse modelo de financiamento de hospitais pelo governo. Isso não dá certo. Principalmente os hospitais, pois os seus equipamentos são caros, bem como seu corpo de trabalhadores, o que dá uma margem extraordinária para desvios de verba e má administração.

Se os sintomas são iguais e a doença é a mesma, o remédio também não pode ser diferente. O governo deve incentivar a concorrência entre hospitais privados. De todo o tipo. Quanto mais hospitais privados houver, melhor para a qualidade do serviço. Essa concorrência deve ser tão forte a ponto de hospitais disputarem pacientes.

Quanto aos hospitais públicos, que se vendam todos eles, sem titubear! Eles não prestam. A existência deles é a causa de tantas mortes bobas e absurdas que poderiam ser evitadas. A manutenção desse sistema é um genocídio. Em vez de hospitais, que o governo pague planos de saúde individuais aos mais necessitados. É até uma forma de ressarcir as pessoas que perderam tanto dinheiro pagando impostos durante sua vida e nunca puderam ter um serviço de saúde de qualidade.

5) Endurecendo as Leis

As leis do Brasil são muito frouxas. Nesses dias eu estava vendo um caso de um jovem ciclista que perdeu um braço, arrancado por um carro em alta velocidade. O cara que dirigia não socorreu a vítima e ainda jogou o braço arrancado do jovem (que havia ficado preso no carro) em um rio sujo. A médica que operou o jovem afirmou que se o motorista não tivesse feito isso, era possível colocar o braço do ciclista de volta. Aí você pergunta: “O que aconteceu com o motorista que fez isso?”. Nada. Ele está solto.

Casos absurdos como esses acontecem o tempo todo. Sabe por quê? Porque os criminosos sabem que as leis são frouxas e o sistema é fácil de burlar. Por isso eles não têm respeito nem temor. Zombam da lei.

Grande parte da culpa por nossas leis serem assim é da mentalidade de esquerda que domina o nosso país. Para a esquerda, o criminoso é uma vítima da sociedade e não uma pessoa responsável pelos seus atos. Para esquerda, invadir terras alheias, cometer atos de vandalismo contra igrejas, expropriar bens, agredir direitistas, proibir a liberdade de opinião e apoiar regimes genocidas é correto. Para a esquerda, o Estado é tão sacro-santo que governantes não são nossos funcionários, mas os pais dos pobres, tendo assim direitos que ninguém tem. Isso também vale para “minorias oprimidas” que devem ter mais direitos do que as outras pessoas. E, para a esquerda, por fim, a idéia de que “os fins justificam todos os meios utilizados” sempre foi muito respeitada.

Como podemos ver, a esquerda nunca gostou muito de leis. Ela prega igualdade de resultados na vida (o que é tão ridículo como tirar uma média geral em uma turma, a fim de que todos tenham a mesma nota), mas não a igualdade perante a lei. A lei, para a esquerda, serve para ser burlada ou para gerar classes distintas. Toda a lei justa que haja se esfarela em vista de seus ideais utópicos.

É essa a mentalidade que nossas leis absorveram. Junte isso com nossas heranças malditas: a corrupção e a visão do Estado como um Leviatã poderoso e intrometido. O resultado não poderia ser diferente. Criou-se uma cultura que não sabe o que é lei. Não fomos acostumados a entender o conceito de lei, nem de justiça, nem de ordem. Nem o povo nem o governo conhecem a profundidade e a importância desses termos.

Mas como isso poderia ser resolvido? Em primeiro lugar, fazendo cada pessoa entender o que quer dizer lei, justiça e ordem. Em segundo lugar, endurecendo as leis de nosso país. A obrigação do código penal é colocar medo na pessoa que deseja cometer um crime. A lei deve fazer saber ao indivíduo que se ele cometer um crime, certamente ele será punido e com a intensidade proporcional à gravidade do caso. É isso o que os direitistas vêm afirmando há tanto tempo.

Ao contrário da Esquerda, que enxerga o criminoso como vítima e exalta vários crimes e delitos, a Direita vê o criminoso como um ser humano responsável pelos seus atos, assim como qualquer outro. Não há justificativa para seus crimes. A lei deve ser firme e igual para todos. Se alguém faz o que é errado perante a lei, deve ser punido. E ponto final. É essa a mentalidade que os códigos civis e penais precisam absorver.

Vou dar alguns exemplos para o leitor ter uma visão mais geral do estou falando.

1.  estupradores, assassinos frios, seqüestradores e criminosos que cometeram crimes hediondos ficariam presos por mais tempo (50 anos, por exemplo) sem direito a redução de pena ou migração para regimes semi-abertos ou abertos;

2. motoristas pegos dirigindo bêbados pela segunda (ou terceira) vez ou cometendo repetidas imprudências no trânsito, perderiam definitivamente suas habilitações, não podendo dirigir nunca mais;

3. policiais corruptos não apenas seriam excluídos da corporação, mas condenados à prisão civil, já que oferecem risco à sociedade;

4. menores de idade que cometeram crimes de caráter hediondo tais como homicídio doloso, estupro, seqüestro, tortura e espancamento seriam tratados e punidos como maiores de idade;

5. políticos corruptos seriam julgados como cidadãos comuns e não como cidadãos superiores, que gozam de imunidade parlamentar;

6. criminosos não seriam liberados da prisão em feriados como dia das mães e natal por bom comportamento (como é o costume aqui no Brasil);

7. não apenas o tráfico de drogas seria criminalizado, mas o seu uso também, já que o traficante só existe por causa do usuário (neste caso, há direitistas que são favoráveis à legalização da venda de drogas, regulando apenas os lugares onde as pessoas poderiam usar. Isso pode ser discutido. A questão é: ou se criminaliza o uso e a venda ou se legaliza ambos);

8. o espancamento de qualquer tipo de pessoa por discriminação ou motivo torpe seria considerado crime hediondo;

9. o desvio de verba pública seria considerado um crime muito grave, já que é um roubo a toda a nação.

O objetivo aqui não foi fixar como deveriam ser as leis. Mas apenas mostrar, através desses exemplos, que as leis poderiam ser muito mais rígidas do que hoje são. Isso é uma das propostas mais importantes da direita para, inclusive, melhorar a segurança pública. Sem leis firmes e justas, não há como se ter boa segurança.

Fim da Primeira Parte

Chegamos ao fim da primeira parte. Vimos que a direita propõe desburocratizar a economia, a fim de facilitar a vida de pequenas e médias empresas e criar mais empregos; cortar gastos públicos desnecessários ou que não são prioridade no momento; diminuir impostos; incentivar a iniciativa privada na área da educação e da saúde; investir em financiamentos individuais em saúde e educação, em vez de escolas e hospitais públicos; e fortalecer as leis.

É claro que, assim como a esquerda, a direita também tem divergências internas quanto a como se aplicará cada uma dessas propostas. Existem várias correntes de pensamento direitistas, algumas mais moderadas, outras mais radicais, umas mais liberais, outras mais conservadoras, algumas mais nacionalistas e etc. E é importante que essas ideias sejam discutidas entre as diferentes correntes. Mas, em suma, o pensamento de direita não foge muito do que foi proposto aqui. A ideia é mesmo ter um governo menos inchado e mais útil no que tange às suas verdadeiras funções: criar boas leis, zelar por elas e proteger o cidadão.

Na próxima postagem da série, iremos conhecer mais sobre outras propostas como: privatizações de empresas públicas, concessões de curto prazo, presídios privados, abertura para empresas e produtos estrangeiros.

O dever de um regente

Acredito que muitos leitores já tenham assistido a uma orquestra sinfônica, e se não o fizeram, ao menos já muito ouviram à respeito e possuem uma bela noção de como funciona. Uma orquestra sinfônica é um grupo com elevado número de músicos, conduzidos por um regente. Todos parte de um grupo, cada qual executando sua pequena, mas essencial, parte para a construção daquilo que no fim será uma bela (ou desastrosa) peça musical.

Difere muito, por exemplo, de uma banda. A banda, por seu reduzido número de membros, dispensa qualquer liderança formal. Funciona de forma razoavelmente pacífica, mas é incapaz de atingir objetivos muito elevados, de executar obras muito complexas. Atingindo um grau um pouco maior de complexidade, existem pequenas orquestras que executam a música de câmara. Apesar de irem um pouco mais longe, seu pequeno número de capazes membros faz com que, geralmente, seja dispensada a figura do maestro. É mais simples o entendimento entre os semelhantes que se comprometem à disciplina de regerem o próprio grupo quando o mesmo não é composto por grandes números.

Mas nenhum dos dois exemplos pode ir tão longe, produzir algo tão grandioso quanto a orquestra sinfônica. Isso pois se restringem a um pequeno número de integrantes, dentro de um ambiente geralmente mais íntimo, mais restrito. Produzem beleza à sua maneira, mas sua grandiosidade é sempre limitada pelo pequeno número de integrantes.

A grande orquestra, como já dito anteriormente, é regida pela figura do maestro. O maestro é um líder, um governante. Mas diferente do que se pode pensar, não cabe a ele ser tirano e arbitrário. Não cabe a ele dizer, de repente, que deste momento em diante, o violinista passa a tocar contra-baixo, ou que a cozinha vai se encarregar dos instrumentos de cordas, pois assim é sua vontade. Cabe a ele uma tarefa restrita, embora nada simples: ditar as regras básicas para a execução, que nem sempre diferem muito entre as diferentes orquestras, mas cujos pequenos nuances fazem totalmente diferente duas distintas execuções. As regras, embora possuam um conjunto limitado de competências, são essenciais. Cada músico possui sua atribuição, seu campo de atuação. Não pode um invadir o espaço do outro. Caso deixados a seu bel prazer, desprovidos de qualquer noção de regramento, produzem uma obra caótica e desordenada.

Imagino que alguns leitores se perguntem do porque desprendo alguns parágrafos em um post sobre política e sociedade a falar de um gênero de música, enquanto outros mais perspicazes provavelmente já captaram a essência do pensamento. É notória a semelhança entre uma grande orquestra e uma sociedade orgânica. Explico.

A sociedade é composta de diversas células. Ao retirarmos toda a influência de outros seres, toda a convivência e cooperação inerentes à sociedade humana, temos o indivíduo. O indivíduo, totalmente guiado por vontades, impulsos e necessidades. O indivíduo abstrato, com sua esfera de direitos básicos e inalienáveis, apesar de inexistente. Um indivíduo atomizado. Mas desde que Adão deixou de estar a sós no universo, a sociedade tem início entre o homem e a mulher, que, propagando a espécie, deixam também filhos.

Formamos, então, a primeira célula social propriamente dita: a família. A família elege uma liderança, mas essa não é formal, legal. A relação familiar tende a ocorrer de uma forma mais próxima de uma voluntariedade absoluta. Aqui tendem a nascer os primeiros esboços da cooperação, de uma noção de alteridade, e de ordem. A família é como uma banda: sozinha é incapaz de formar um grande império, mas já possui sua beleza e atributos que lhe são únicos. Dentro do contexto familiar, já verificamos que o indivíduo não mais é atomizado, mas passa a ser imbuído de características que o meio coloca sobre si: moralidade que controla os instintos; obrigações na balança com seus direitos. O noção de indivíduo passa a ser substituída pela noção de pessoa. Não existe mais um indivíduo como ente abstrato, mas sim um que está inserido em um meio; não mais atomizado, mas sim criando e desfazendo relações sociais e afetivas.

É evidente que, diferentemente de uma noção em que tínhamos, ilustradamente, apenas Adão e Eva, a humanidade não é composta de apenas um ser humano, ou de apenas uma família. Essas famílias, células sociais básicas, interagem entre si, formando pequenas tribos, pequenos grupos. Esses grupos podem ou não passar a eleger um líder formal, um regente. Pelo reduzido tamanho, podem acabar por dispensar essa formalidade e agir de maneira totalmente espontânea, respeitando convenções rapidamente formadas de modo a garantir a paz entre as pessoas e grupos sociais.

As convenções sociais em si não são suficientes para completamente moldar os interesses e a convivência pacífica entre os seres humanos. Em busca de suas vontades e necessidades, começa a se tornar comum a violação do espaço de outras pessoas ou grupos. Em uma pequena sociedade isso pode ser de certa forma controlado. Certos erros podem passar desapercebidos, outros podem ser contornados, e outros punidos de acordo com certos parâmetros (comumente a vingança, nesse tipo primitivo de sociedade). Mas uma visão tão simplista não consegue prosperar quando a sociedade atinge uma forma mais complexa e seu número de indivíduos passa a ser majorado a ponto de uns não mais conhecerem a todos os outros.

Uma grande sociedade em que a concepção de justiça seja a da vingança, e seu modo de resolver os conflitos de interesses frequentes seja por muitas vezes arbitrário, está fadada ao caos, ao declínio. A desordem seria evidente. É nesse momento que aparece a figura de um regente a estabelecer regras e punições, de modo a defender os direitos e espaços de cada grupo. Pois uma sociedade complexa forma grupos para além da família: ele forma a Igreja, o Comércio. Forma uma noção de moralidade cada vez mais complexa e menos unânime, o que cria a potencialidade para o nascimento de inúmeros tipos de conflitos. É necessário à vida em sociedade um frágil equilíbrio.

Esse regente não pode ser confundido com um tirano absoluto. Pode ser um grupo, ou diversos grupos concorrentes escolhidos (como na democracia representativa), que estabeleça as regras e valores universais daquela sociedade. O ocidente protege três valores essenciais: a vida, a liberdade e a propriedade privada. Esses valores devem ser sempre defendidos para a manutenção da vida em sociedade, essencial à humanidade, arranjo necessário para a felicidade do ser humano. Muitos desejam modelos que colocariam por fim esse arranjo, que nos levariam a uma total desordem, a uma vida em caos. É descabido, nesse momento, a nomeação desses.

Nesse cenário de ordem, muitos dizem que nossa liberdade é tolhida em nome de um suposto ente coletivo. Nada poderia ser mais inverídico: esse cenário existe para potencializar nossa liberdade e espontaneidade, para que um não seja subjugado pelo outro. O ente coletivo, como ente abstrato, não existe para nos subjugar. Esse cenário existe para que possamos construir, para que cheguemos a objetivos impossíveis a um só. Existe para a plena realização do ser humano como tal, livre, assim como a orquestra realiza o músico ao seu auge quando contribui para a execução de uma grande e arrojada peça. Certas peças são impossíveis a um só músico, assim como é impossível um grande império de uma só pessoa. E certas lideranças são essenciais para uma complexa sociedade, assim como é necessária para que a música não tome uma forma caótica e desprovida de nexo.

Marxistas de mercado

É notório que para nós, direitistas, a guerra de classes não passa de conto de fadas. Os escritos de Marx são por nós rejeitados já a muito, desde que nasceram, e combatidos por diversos autores liberais e conservadores. Mas é inegável que seu pensamento influenciou muitos, infelizmente. E não digo muitos socialistas, ou neutros politicamente. Não, bom fosse apenas isso. O seu pensamento, após décadas de subversão, enraizou-se na civilização ocidental e passou a corroê-la por dentro, corromper aqueles dentre os que mais a defendem.

Um dos pensamentos essenciais para a formação do pensamento ocidental foi o liberal. A quebra para com as tradições absolutistas e arbitrárias dos Ancien Régime europeus elevou a status quo um paradigma até então inteiramente novo: o individualismo. Esse individualismo fez com que se fragilizasse uma noção até então persistente de hierarquia baseada em castas, de mobilidade social quase nula, para uma nova hierarquia baseada em uma ordem espontânea, algo como uma aristocracia natural. A casta agora pouco importava: ergueu-se o império do indivíduo. Este era o fim último. A proteção das prerrogativas básicas daquela que era agora a célula essencial da sociedade fazia-se imperativa. A legitimação do poder através de Deus deu lugar à restrição do poder pelos direitos naturais e inalienáveis do homem. Estes eram a vida, a liberdade e a propriedade privada.

O problema é que entre supostos liberais mais radicais de hoje em dia esse império do indivíduo ruiu. Pouco se fala em liberdades civis e econômicas, proteção dos direitos básicos, e aspectos do gênero. O indivíduo, lentamente, deu lugar a uma classe que supostamente o representa: o mercado. E “o mercado”, agora, está em uma constante guerra contra o Estado, outra classe. A relação entre Estado e indivíduos não é tratada como uma relação entre indivíduos, mas como uma guerra de classes, em que o Estado supostamente tenta a qualquer custo destruir o mercado. Em uma lógica maniqueísta, o mercado, representante dos indivíduos, deve ser defendido a qualquer custo.

Esquece-se, então, que o mesmo Estado é formado por indivíduos. Longe daquela velha mentira contada pelo Estado, de que nós somos o governo. Ingenuidade demais seria acreditar em um absurdo como esse. Mas nunca podemos perder de vista que o governo, representante do Estado, é composto por indivíduos. Não é uma entidade mágica má por natureza. É justamente a deformidade e a corruptibilidade da natureza humana que o faz falível, corrupto e abusivo.

Digo que o acima exposto é um problema pois assim os liberais analisam a sociedade da exata mesma maneira que o fazem os marxistas, apenas alterando os sujeitos dessa suposta guerra eterna que seria a locomotiva da história.  Esse pensamento os transformaria em, simplesmente, marxistas de mercado.

Egoísmo

Diversas são as justificantes do esquerdismo após a queda do muro de Berlim. A que mais me chama atenção é quando tentam, em tons de ofensa, acusar a Direita de ser egoísta. Nenhuma palavra tem sido tão mal utilizada desde então como a palavra egoísmo. Chegamos a um cenário tão crítico, que as pessoas mesmo por muitas vezes entendendo a que ponto o pensamento de direita é moral, tem medo de o assumir, medo de ser taxada de egoísta, ou qualquer dos outros rótulos que tem acompanhado a pecha de direitista. A direita, por valorizar o indivíduo é egoísta? Interessante.

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Para entender do porque a existência de tal tabu, é primeiro interessante verificar de onde vem o pensamento de direita atual: diferentemente da antiga direita europeia, que advogava a continuidade de uma sociedade teocrática, rigidamente hierarquizada (com baixa mobilidade dentro dessa hierarquia), e sempre tradicional, a direita de hoje é algo que mistura o liberalismo clássico com o conservadorismo (uma espécie de gradualismo) e tradicionalismo. Esse liberalismo clássico, na medida em que apoia ideologicamente a “nova direita”, é pautado em uma noção individualista de mundo: o indivíduo é o átomo essencial da sociedade, e, portanto, deve ser protegido e defendido em sua vida, liberdade e propriedade privada contra os abusos do Estado e de terceiros. É aí o momento em que começam as distorções que confundem, propositalmente, individualismo com egoísmo.

Oras, como pode ser egoísta uma doutrina que busca um ambiente mais livre para todos? Uma sociedade em que todos sejam livres para agir, se expressar, empreender, viver, errar e tentar novamente? Só pode ser um louco aquele que diz que isso é uma expressão do egoísmo. A liberdade é a mais alta expressão da razão, o mais nobre dos desejos humanos. Como tal, pertence a todos como indivíduos, e não apenas a alguns “iluminados” que pensam em governar a terra.

Mas não é aqui que termina o pensamento de direita. Por mais belo que seja o pensamento liberal, ele por si só não esgota aquilo que este lado do espectro político pode proporcionar. A direita traz um conceito de gradualismo que se mostra essencial na manutenção de qualquer coesão social. Este é mais um conceito distorcido pela desonestidade do pensamento canhoto, já que não implica na resistência total a mudanças, mas sim na resistência contra as mudanças em aspectos morais fundamentais. Mudanças sociais sempre irão existir, porém devem ser ponderadas, de modo que não se afete o equilíbrio e a harmonia social. As bases da sociedade não precisam ser derrubadas para que se corrija uma injustiça: corrigimos as injustiças, e assim mantemos as bases da civilização ocidental.

Agora, o que realmente torna interessante o argumento esquerdista de que a direita é egoísta é o que vem a seguir: a direita mantém um profundo respeito pelas tradições e costumes de seu povo. Aqui se somam aspectos que podem ser muitas coisas, mas não egoístas. Respeita-se o indivíduo, muda-se com segurança e respeita-se aquilo que é construído coletivamente, isto é, a moral, as tradições, as instituições. Ninguém é sobrepujado pelo coletivo, assim como o coletivo não é deixado de lado. Mas por não ser tratado como um ente abstrato, sujeito de toda a história e de todas as relações humanas, a direita é tratada como sendo egoísta. Por buscarmos um equilíbrio entre os atores da civilização, ao invés de sucumbirmos à baboseira de que tudo se resume às guerras de classe, somos taxados como tal.

Mas eu pergunto: como pode alguém que não possui o menor respeito pelo indivíduo e suas liberdades ser considerado qualquer coisa, que não egoísta? Como pode aquele ser autoritário, que busca se afirmar por meio da violência da revolução, a mais autoritária das manifestações políticas, ser considerado qualquer coisa, que não egoísta? Como pode alguém que não nutre o menor respeito pelas tradições e costumes, coletivamente construídos através de décadas, em nome de sua grande ideia, ser considerado qualquer coisa, que não egoísta?

E mais: Não é egoísta um grupo político egoísta aquele que faz sua propaganda e auto-promoção em cima da desgraça e pobreza alheia? Não à toa, por muito foram chamados de sinistros. Afinal de contas, de acordo com a esquerda, pobre que se torna bem sucedido é “traidor do movimento”. A esquerda se comporta como um verdadeiro sanguessuga: depende muito mais dos pobres para sua propaganda, do que os pobres dependem da esquerda. Age como defensora dos pobres e dos oprimidos apenas para vencer as próximas eleições, prometendo esmolas e agindo de maneira populista e odiosa. Inventa conflitos que jamais existiram na sociedade para defender os direitos de um dos lados e criar um curral eleitoral. Promove a guerra de classes todos os dias pois viu que a mesma, naturalmente, não existe.

A esquerda se julga a iluminada para governar a humanidade. Esta última, composta por seres inertes e inanimados, cujo esplendor e vida transbordam ao serem tocados pela luz do Estado paternalista canhoto. Não há política mais presunçosa e egoísta que a política da esquerda. Para esta, não há legitimidade no  que por ela não é construído.

Uma cultura viciada

Muito se questiona acerca dos problemas do Brasil. Nesse momento, percorremos os mais diversos problemas realmente existentes como a corrupção do governo, a ineficiência da administração pública, até aqueles não realmente existentes como o neoliberalismo, um suposto imperialismo norte-americano sobre nós. Enfim, identificamos, bem ou mal, diversos problemas. Mas existe um problema que é grande responsável, sobre o qual até se fala, mas não da maneira como é devido, que é o problema de nossa cultura viciada.

Quando se fala em problemas de nossa cultura, rapidamente vem à mente a cultura carnavalesca, do futebol e cerveja. Menor dos males. Que nação não possui suas festas e comemorações? Que nação não pára para ver os representantes de seu país em algum esporte que estimem? As festividades são importantes, assim como o esporte. O incentivo ao esporte, inclusive, tira diversas pessoas da miséria.

Alguns vão um pouco mais além e falam do jeitinho, da tendência a levar vantagem em tudo o que acontece. Sim, um problema grave, que explica muito do mal-caratismo presente na política e na vida privada. A corrupção generalizada, em parte decorrente de nossa cultura do jeitinho, é sim um grande obstáculo a ser superado. Mas o maior entrave para o nosso desenvolvimento vai ainda um pouco além, ao meu ver.

O brasileiro é avesso ao sucesso. Valoriza o esforço, mas não valoriza a conquista, quando essa se trata de ganhos econômicos. É invejoso. Se uma pessoa é bem sucedida, deve ser criminosa.

Desde cedo aprende-se a deixar de pensar em si mesmo. O que prego não é o egoísmo como virtude, mas como condição necessária em diversos momentos. Não o abandono à caridade e à ajuda, mas a necessidade de saber que pensar em si por vezes é saudável. Pensar em trilhar o próprio caminho, ter controle sobre a própria vida. Isso, infelizmente, é contra o modo brasileiro de ser.

Ao invés de aprendermos desde cedo a sermos os melhores, aprendemos a nos sentirmos culpados por nos sobressairmos em qualquer coisa que seja. E se engana quem pensa que isso se converte em caridade: isso se converte em falta de esforço. É sabido que o resultado não será valorizado, mas sim reprimido. A sociedade não o valorizará por suas conquistas, e sim o condenará como se fosse um criminoso, aquele que ousou ser bem sucedido.

Não vejo uma cura ao problema, mas fica a crítica. Talvez o tempo venha a transformar esse vício, talvez seja necessário um trabalho que envolva gerações. O marxismo cultural exerceu seu trabalho com maestria. As instituições ruem uma a uma, principalmente a propriedade privada, cada vez mais sujeita a restrições. E aqueles que se sobressaem, motores da sociedade, são cada vez mais criticados. Até o ponto em que os bem sucedidos deixem de existir. Então o caos estará instaurado.

Quem irá ganhar a Casa Branca?

Foram meses e meses de primárias, debates e campanha, mas agora faltam apenas 3 dias para a eleição presidencial Americana. O último capítulo dessa disputa começara a ser escrito na terça-feira, ainda sobre os efeitos do furacão Sandy, que fez a campanha presidencial entrar num stand by durante a semana.

É difícil fazer uma previsão a respeito do resultado, mas vou dar um palpite de acordo com o que eu tenho visto na imprensa americana:

Se olharmos as pesquisas a nível nacional, elas apontam um empate técnico, a média realiza pelo site RealClearPolitics.com, mostra Barack Obama 47,4% e Mitt Romney com 47,3%, porém vamos focar nos dois institutos que previram o resultado de 2008 com mais de 90% de acerto, São eles a Rasmussen Reports e a Gallup. Na Gallup, Romney e Obama aparecem empatados entre os eleitores registrados, 48% a 48%, mas nos likely voters, Romney lidera com 51% contra 46% de Obama e na ultima pesquisa da Rasmussen feita hoje, os dois candidatos estão empatados com 48% cada, no entanto Romney esteve à frente durante as duas últimas semanas com vantagem que variou entre 2 a 4% de vantagem em relação ao democrata.

O que realmente importa são os votos do Colégio Eleitoral e não os diretos, sendo assim, é possível um candidato ter a maioria dos votos diretos, mas perder no Colégio Eleitoral. A Rasmussen Reports também realiza pesquisas, quase que diárias, nos estados que ainda estão em aberto, até o momento são 8 estados onde os dois candidatos podem vencer, sendo eles: Nevada, Colorado, Ohio, Iowa, Wisconsin, Florida, Virginia e New Hampshire.

Pesquisa da Rasmussen por estado:

                      Romney        Obama

Nevada            48%               50%

Colorado          50%               47%

Florida             50%               48%

Virginia            50%               47%

Iowa                49%                48%

Wisconsin        49%               49%

Ohio                 49%               49%

N.Hampshire    50%               48%

Agora vamos fazer uma simulação se baseado nos resultados a cima

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Romney estaria liderando com 277 delegados contra 261 de Obama e restaria apenas 28 delegados em aberto (18 de Ohio e 10 de Wisconsin). Para o democrata se manter na Casa Branca, ele precisaria vencer no Wisconsin e em Ohio, já republicano precisa apenas vencer em Ohio para ser o quadragésimo quinto presidente americano

Uma pesquisa realizada pela Gallup com as pessoas que votaram antecipadamente (isso é possível em alguns americanos) traz uma má notícia para Obama, seu rival lidera com 52% contra 45% ao seu favor. A más notícias para Obama não param por ai, Romney também lidera entre os independentes, no Wisconsin a militância republicana está muito empolgada e os Favorable Ratings do RealClearPolitics,com dá vantagem ao republicano.

Enfim se eu tivesse que apostar num candidato, esse candidato seria o Romney, desde quando venceu o primeiro debate, o republicano conseguiu empolgar aqueles que já tendiam a votar nele e atraiu boa parte dos indecisos. Os eleitores republicanos estão mais empolgados para votar do que os democratas, diferente de 2008, onde eram os democratas que estavam mais empolgados para ir às urnas e numa eleição acirrada são esses pequenos fatores que podem decidir. Obama até pode ganhar, mas será com uma vantagem bem menor que 2008.

Neoliberalismo: A criação de um espantalho

Nada melhor para a sedimentação de um ideal do que criar um inimigo. Muito se fala nos dias de hoje sobre um tal de um neoliberalismo, uma ordem cruel que se impõe sobre os pobres, e que faz com que os ricos estejam cada vez mais ricos, e os pobres cada vez mais pobres. Engraçado, porém aparentemente crível para muitos. Então disserto sobre o absurdo de que se trata tal movimento.

O tal do neoliberalismo seria a expressão máxima do capitalismo selvagem (!!!). Um cenário que maximiza a exploração. Que seria imposto pelas grandes potências para que eles possam nos explorar com mais eficiência. A exploração é aquilo que motiva o tal do neoliberalismo.

Não existe o neoliberalismo. Não existe nação que esteja retomando os caminhos liberais em sua plenitude para exaltar as liberdades individuais e o livre comércio. Mas existe o movimento que busca uma retomada. A retomada da atenção para certos aspectos “banais” como a privacidade ou o direito de livres comércio. É claro que esse movimento é sufocado na academia, dominada por socialistas. Movimento ínfimo, distante da possibilidade de representação, gritando para ser ouvido.

Por outro lado, a academia coloca o tal do neoliberalismo como o grande mal a ser combatido. O poder busca sua legitimação, hoje, no neoliberalismo, através do poder econômico, dizem eles. Ora, uma contradição em termos, já que o liberalismo foi justamente o maior freio ao Estado durante toda a história. Foi aquele que não aceitou concessões e buscou a liberdade com maior vigor. Que fez tudo o que foi possível para acabar com a arbitrariedade.

As esquerdas de hoje dizem lutar contra um direito que legitima o poder, e condenam o neoliberalismo, que supostamente aumenta a opressão. Se dizem contra o capital, se dizem contra o Estado, se dizem contra tudo e todos (quem sabe até contra eles mesmos). Mas fazem isso pedindo mais Estado. Justo o Estado, monopolista da violência legítima, para supostamente combater a opressão. Pedem mais Estado por menos Estado. Em outras palavras, as esquerdas legitimam o aumento do Estado que supostamente seria uma fonte de opressão. Legitimam o aumento da intrusão, a diminuição das liberdades pessoais, a diminuição da privacidade, a abolição da propriedade e da família. Durante a ditadura se disseram pela liberdade de expressão, mas hoje são os que mais duramente a reprimem através do que ficou conhecido por politicamente correto.

É realmente dificílimo sedimentar um pensamento tão contraditório, com tanta incoerência, que é guiado apenas pelas paixões e vontades momentâneas. É fácil um pensamento desses conquistar através do coração, mas este é rebelde e difícil de manter domado após um tempo de irracionalidade. Por isso usa-se o medo, o medo de um grande homem de vime, que nem mesmo existe, que devemos queimar: o neoliberalismo.