Falas de civilização…

Um poeminha de Fernando Pessoa que dedicamos a todos os progressistas, e sua gana de planificar a vida de seus contemporâneos e das gerações vindouras também.

Pessoa

Falas de civilização, e de não dever ser,
Ou de não dever ser assim.
Dizes que todos sofrem, ou a maioria de todos,
Com as coisas humanas postas desta maneira,
Dizes que se fossem diferentes, sofreriam menos.
Dizes que se fossem como tu queres, seriam melhor.
Escuto sem te ouvir.
Para que te quereria eu ouvir?
Ouvindo-te nada ficaria sabendo.
Se as coisas fossem diferentes, seriam diferentes: eis tudo.
Se as coisas fossem como tu queres, seriam só como tu queres.
Ai de ti e de todos que levam a vida
A querer inventar a máquina de fazer felicidade!

Princípios de uma política conservadora

Por Olavo de Carvalho. Publicado originalmente no site do autor. Para ler o artigo original, clique aqui.

Estes princípios não são regras a ser seguidas na política prática. São um conjunto de critérios de reconhecimento para você distinguir, quando ouve um político, se está diante de um conservador, de um revolucionário ou de um “liberal”, no sentido brasileiro do termo hoje em dia (uma indecisa mistura dos dois anteriores).

1) Ninguém é dono do futuro. “O futuro pertence a nós” é um verso do hino da Juventude Hitlerista. É a essência da mentalidade revolucionária. Um conservador fala em nome da experiência passada acumulada no presente. O revolucionário fala em nome de um futuro hipotético cuja autoridade de tribunal de última instância ele acredita representar no presente, mesmo quando nada sabe desse futuro e não consegue descrevê-lo se não por meio de louvores genéricos a algo que ele não tem a menor ideia do que seja.

Quando o ex-presidente Lula dizia “não sabemos qual tipo de socialismo queremos”, ele presumia saber: (a) que o socialismo é o futuro brilhante e inevitável da História, quando a experiência nos mostra que é na verdade um passado sangrento com um legado de mais de cem milhões de mortos; (b) que ele e seus cúmplices têm o direito de nos conduzir a uma repetição dessa experiência, sem outra garantia de que ela será menos mortífera do que a anterior exceto a promessa verbal saída da boca de alguém que, ao mesmo tempo, confessa não saber para onde nos leva.

A mentalidade revolucionária é uma mistura de presunção psicótica e de irresponsabilidade criminosa.

2) Cada geração tem o direito de escolher o que lhe convém. Isto implica que nenhuma geração tem o direito de comprometer as subsequentes em escolhas drásticas cujos efeitos quase certamente maléficos não poderão ser revertidos jamais ou só poderão sê-lo mediante o sacrifício de muitas gerações. O povo tem, por definição, o direito de experimentar e de aprender com a experiência, mas, por isso mesmo, não tem o direito de usar seus filhos e netos como cobaias de experiências temerárias.

3) Nenhum governo tem o direito de fazer algo que o governo seguinte não possa desfazer. É um corolário incontornável do princípio anterior. As eleições periódicas não fariam o menor sentido se cada governo eleito não tivesse o direito e a possibilidade de corrigir os erros dos governos anteriores. A democracia é, portanto, essencialmente hostil a qualquer projeto de mudança profunda e irreversível da ordem social, por pior que esta seja em determinado momento.

Nenhuma ordem social gerada pelo decurso dos séculos é tão ruim quanto uma nova ordem imposta por uma elite iluminada que se crê, sem razão, detentora do único futuro desejável. No curso dos três últimos séculos não houve um só experimento revolucionário que não resultasse em destruição, morticínio, guerras e miséria generalizada. Não se vê como os experimentos futuros possam ser diferentes.

4) Nenhuma proposta revolucionária é digna de ser debatida como alternativa respeitável num quadro político democrático. A revogabilidade das medidas de governo é um princípio incontornável da democracia, e toda proposta revolucionária, por definição, nega esse princípio pela base. É impossível colocar em prática qualquer proposta revolucionária sem a concentração do poder e sem a exclusão, ostensiva ou camuflada, de toda proposta alternativa. Não se pode discutir alternativas com base na proibição de alternativas.

5) A democracia é o oposto da política revolucionária. A democracia é o governo das tentativas experimentais, sempre revogáveis e de curto prazo. A proposta revolucionária é necessariamente irreversível e de longo prazo. A rigor, toda proposta revolucionária visa a transformar, não somente uma sociedade em particular, mas a Terra inteira e a própria natureza humana.

É impossível discutir democraticamente com alguém que não respeita sequer a natureza do interlocutor, vendo nela somente a matéria provisória da humanidade futura. É estúpido acreditar que comunistas, socialistas, fascistas, eurasianos e tutti quanti possam integrar-se pacificamente na convivência democrática com facções políticas infinitamente menos ambiciosas. Será sempre a convivência democrática do lobo com o cordeiro.

6) A total erradicação da mentalidade revolucionária é a condição essencial para a sobrevivência da liberdade no mundo. A mentalidade revolucionária não é um traço permanente da natureza humana. Teve uma origem histórica – por volta do século 18 – e terá quase certamente um fim. O período do seu apogeu, o século 20, foi o mais violento, o mais homicida de toda a História humana, superando, em número de vítimas inocentes, todas as guerras, epidemias, terremotos e catástrofes naturais observadas desde o início dos tempos.

Não há exagero nenhum em dizer que a mentalidade revolucionária é o maior flagelo que já se abateu sobre a humanidade. É uma questão de números e não de opinião. Recusar-se a enxergar isso é ser um monstro de insensibilidade. Toda política que não se volte à completa erradicação da mentalidade revolucionária, da maneira mais candente e explícita possível, é uma desconversa criminosa e inaceitável, por mais que adorne sua omissão com belos pretextos democráticos, libertários, religiosos, moralísticos, igualitários, etc.


Acesse:
olavodecarvalho.org


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Uma falsa visão do Estado

ESCRITO POR NIVALDO CORDEIRO | 22 MAIO 2013
ARTIGOS – CULTURA

Temos sido escravos de alguns economistas e sociólogos defuntos, que determinam uma maneira de pensar o Brasil mais das vezes distorcida e, mesmo, errada. É o legado do esforço que os brasileiros fizeram para se libertar de Portugal. Nesse esforço – legítimo – foi criada uma palavra de ordem que, depois, os ativistas intelectuais de esquerda identificaram como sendo atraso a herança portuguesa. Não ao acaso Guimarães Rosa, nosso maior escritor, escreveu sua obra máxima numa linguagem que, se ainda é português, é bom próxima de um dialeto, quase ininteligível mesmo para brasileiros.

No livro Grande Sertões, Veredas Guimarães Rosa alcançou o ideal da Semana de Arte Moderna, que veio associar tudo que era contrarrevolucionário ao que vinha da herança lusitana.

Nas ciências política aconteceu fenômeno equivalente ao das letras. Segundo essa visão, de Portugal herdamos o patrimonialismo, essa chaga perpétua que dominaria o Estado brasileiro, para a infelicidade geral da nação. Refiro-me a isso porque hoje li no jornal O Estado de São Paulo o artigo de Francisco Ferraz (O paradigma estrutural do Estado hegemônico). O autor afirma que há um fio condutor desde a Colônia, em que impera o patromonialismo herdado.

Francisco Ferraz está errado. Seu artigo carece de uma definição essencial: o que é a modernidade e o que é o Estado moderno. Quem fará a definição dos termos corretamente é Eric Voegelin, em sua obra monumental. Mas essencialmente a modernidade é a ruptura que ocorre no século XV e XVI, com o Renascimento e a Reforma. Voegelin inclusive vai detectar elementos islâmicos na gênese do Estado moderno, o que não pretendo aprofundar aqui.

O Estado moderno é essencialmente a forma jurídica assumida pelo Estado no qual o elemento laico e o sagrado estão unidos, como realizou Lutero nos países onde influenciou. Tudo em contrário com o que houve na ordem medieval, onde o poder da Igreja era separado e contrabalançava o poder dos príncipes. Esse foi o primeiro passo para o gigantismo e foi nos tempos da Reforma que o mercantilismo prosperou. O Estado virou uma gigantesca máquina política, econômica e com propósitos de fazer a engenharia social onde ia. Aqui entre nós também, com as culturas de cana, a mineração, a exploração agropecuária dos tempos coloniais. Tudo concessão do rei.

Em resumo, todos os Estado hoje existentes são filhos dessa construção moderna, o que não significa que não haja mutações e agravamentos desde então. Se no mercantilismo tínhamos na essência os monopólios, hoje os temos novamente. Então não é isso que diferencia o Estado de hoje, no Brasil e no mundo, do Estado de antanho.

O mesmo pode ser dito do autoritarismo. Se naquela época não havia propriamente instituições democráticas, em muitos Estados hoje também não, como a China. Ou o Brasil de Vargas e do período militar. Também não é isso que muda.

O que muda, então? Francisco Ferraz deixa nas entrelinhas que seria uma versão liberal. O liberalismo de Adam Smith de fato foi a recusa do Estado Total (como chamo, Ferraz chama de “hegemônico”, um termo impreciso). Mas o liberalismo vingou bem pouco tempo em pequena parte, na Inglaterra e nos EUA. E, de fato, é ele mesmo o paradigma alternativo, mas sua vigência na história foi breve.

O que se viu no século XX foi e emergência de formas de Estado Total em toda parte. Nos EUA e na Europa do pós- guerra, formas mistas de liberalismo e coletivismo, a versão fabiana do socialismo. Vimos o Estado se agigantar inexoravelmente. Não é privilégio brasileiro. Para nossa sorte, o legado de Vargas e do regime militar retardou entre nós a implantação do socialismo, que está alcançando seu auge com o governo do PT.

Querer que a forma adotada pelo PT seja a mesma do período colonial não é crível. O Estado socialista é de outro naipe: pretende ser o redentor das classes oprimidas e um administrador racional da coisa pública. No processo, cassa a liberdade econômica e política. Estamos vendo no momento a crise terminal do modelo socialdemocrata na Europa e no resto do mundo. Essa crise coloca a questão do que virá no lugar, provavelmente uma alternativa liberal clássica, a única conhecida fora do totalitarismo comunista. Mas é uma questão em aberto.

O certo é que a forma estatal brasileira é assemelhada com a forma internacional forjada no pós-guerra e nada tem a ver com o patrimonialismo português de outrora. Isso é um reducionismo inaceitável e contrário à realidade dos fatos históricos. O Estado Brasileiro é primo irmão dos Estados Europeus e primo distante do norte-americano. A corrupção apontada por Ferraz é epifenômeno, que acontece em toda parte e não é propriedade patrimonialista.

Contra os comissários da ignorância

Abaixo segue um artigo QUASE IRRETOCÁVEL de Luiz Felipe Pondé na Folha de hoje.

Quase irretocável, pois no ultimo paragrafo ele menciona corruptos de direita no Brasil, sendo que não consigo identificar um corrupto sequer que defenda o ideário direitista (livre mercado, estado mínimo, propriedade privada, direitos e responsabilidades individuais, respeito integral as leis e a constituição democrática republicana, etc.)

Se identificarem um ou mais corruptos que não sejam populistas (pró-assistencialismo), que não sejam adeptos do estado inchado e intervencionista, que não apoiem nenhuma forma de terrorismo (MST, ONG’s indigenistas e afins) que não ataquem os direitos e liberdades individuais dos cidadãos dentre outros fatores similares, postem os nomes na área de comentários. Ressaltando que defender um ou dois desses aspectos apenas não enquadra ninguém no espectro da direita.

Contra os comissários da ignorância

O que é conservadorismo? Tratar o pensamento político conservador (“liberal-conservative”) como boçalidade da classe média é filosofia de gente que tem medo de debater ideias e gosta de séquitos babões, e não de alunos.

Proponho a leitura de “Conservative Reader” (uma antologia excelente de textos clássicos), organizada pelo filósofo Russel Kirk. Segundo Kirk, o termo começou a ser usado na França pós-revolucionária.

Edmund Burke, autor de “Reflexões sobre a Revolução na França” (ed. UnB, esgotado), no século 18, pai da tradição conservadora, nunca usou o termo. Tampouco outros três pensadores, também ancestrais da tradição, os escoceses David Hume e Adam Smith, ambos do século 18, e o francês Alexis de Tocqueville, do século 19.

Sobre este, vale elogiar o lançamento pela Record de sua biografia, “Alexis de Tocqueville: O Profeta da Democracia”, de Hugh Brogan.

Ainda que correta a relação com a Revolução Francesa, a tradição “liberal-conservative” não é apenas reativa. Adam Smith, autor do colossal “Riqueza das Nações”, fundou a ideia de “free market society”, central na posição “liberal-conservative”. Não existe liberdade individual e política sem liberdade de mercado na experiência histórica material.

A historiadora conservadora Gertrude Himmelfarb, no seu essencial “Os Caminhos para a Modernidade” (ed. É Realizações), dá outra descrição para a gênese da oposição “conservador x progressista” na modernidade.

Enquanto os britânicos se preocupavam em pensar uma “sociologia das virtudes” e os americanos, uma “política da liberdade”, inaugurando a moderna ciência política de fato, os franceses deliravam com uma razão descolada da realidade e que pretendia “refazer” o mundo como ela achava que devia ser e, com isso, fundaram a falsa ciência política, a da esquerda. Segundo Himmelfarb, uma “ideologia da razão”.

O pensamento conservador se caracteriza pela dúvida cética com relação às engenharias político-sociais herdeiras de Jean-Jacques Rousseau (a “ideologia da razão”).

Marx nada mais é do que o rebento mais famoso desta herança que costuma “amar a humanidade, mas detestar seu semelhante” (Burke).

O resultado prático desse “amor abstrato” é a maior engenharia de morte que o mundo conheceu: as revoluções marxistas que ainda são levadas a sério por nossos comissários da ignorância que discutem conservadorismo na cozinha de suas casas para sua própria torcida.

Outro traço desta tradição é criar “teorias de gabinete” (Burke), que se caracterizam pelo seguinte: nos termos de David Hume (“Investigações sobre o Entendimento Humano e sobre os Princípios da Moral”, ed. Unesp), o racionalismo político é idêntico ao fanatismo calvinista, e nesta posição a razão política delira se fingindo de redentora do mundo. Mundo este que na realidade abomina na sua forma concreta.

A dúvida conservadora é filha da mais pura tradição empirista britânica, ao passo que os comissários da ignorância são filhos dos delírios de Rousseau e de seus fanáticos.

No século 20, proponho a leitura de I. Berlin e M. Oakeshott. No primeiro, “Estudos sobre a Humanidade” (Companhia das Letras), a liberdade negativa, gerada a partir do movimento autônomo das pessoas, é a única verdadeira. A outra, a liberdade positiva (abstrata), decretada por tecnocratas do governo, só destrói a liberdade concreta.

Em Oakeshott, “Rationalism in Politics” (racionalismo na política), os conceitos de Hume de hábito e afeto voltam à tona como matrizes de política e moral, contra delírios violentos dos fanáticos da razão.

No 21, Thomas Sowell (contra os que dizem que conservadores americanos são sempre brancos babões), “Os Intelectuais e a Sociedade” (É Realizações), uma brilhante descrição do que são os comissários da ignorância operando na vida intelectual pública.

Conservador não é gente que quer que pobre se ferre, é gente que acha que pobre só para de se ferrar quando vive numa sociedade de mercado que gera emprego. Não existe partido “liberal-conservative” no Brasil, só esquerda fanática e corruptos de esquerda e de direita.

A Presunção da Esquerda, Pt. 2

Já tratei anteriormente da presunção esquerdista ao atribuir a si a divina tarefa de dar vida aos seres inanimados que são os humanos sem sua luz. Sobre a prepotência que os leva a crer que podem eficientemente alterar uma ordem natural e lutar contra as forças conjuntas dos indivíduos separados para fazer valer sua vontade; para transformar a sociedade no que julgam ser ideal.

O Partido tem um plano para você. Não, você não pode discuti-lo: você não é um planejador, é apenas um recurso.

Julgo interessante trazer à tona outra questão no que concerne o formato da sociedade. Tratarei da síndrome de operador de maquinário que assola o pensamento canhoto. Almejando o status de engenheiros sociais, os socialistas são pretensiosos a ponto de imaginar ser possível planejar uma sociedade em seus mínimos detalhes. Então, como um engenheiro que projeta uma máquina, eles começam a desenhar. Esse desenho é de grande detalhamento: cada pessoa tem sua função. Assim que pronta a máquina, ela é posta para não funcionar, e o Partido é o competente e capacitado operador. Além disso, é também responsável pela manutenção, o que é ainda mais temerário.

Quando essa nova máquina começa a funcionar, o socialista a contempla vislumbrado. Parece fascinante o modo como ela funciona. Mas com o tempo essa máquina começa a apresentar problemas. E, ao ver a sociedade como mera máquina (materialistas que são), vêem as pessoas como meras peças. E, diferentemente de uma sociedade em que as funções necessárias são cumpridas espontaneamente (com uma alocação de recursos de acordo com o que é demandado), a peça que não cumpre sua função deve ser descartada. Exemplo clássico na história é o episódio que ficou conhecido como “Expurgos de Moscou”. Outras peças acabavam por parar nas Gulags, campos de trabalho na Sibéria dos quais ninguém voltava vivo. Mais feliz teria sido o destino destas peças caso terminassem suas vidas no ferro-velho.

Socialismo ou morte… dos peões, é claro. Castro é que não vai sacrificar-se para manter a máquina funcionando. Recursos podem ser descartados, os “planejadores” não.

Chega um momento em que começa a faltar dinheiro para manter a máquina funcionando com eficiência. O operador sabiamente decide manter funcionando os setores mais importantes. Interessante seria caso falássemos de um real maquinário, mas ao se tratar de uma sociedade o plano passa a ser brutal. Se em um maquinário ele simplesmente deixaria de abastecer tais partes da máquina, na vida real milhões de pessoas morrem de fome e tem sua produção saqueada na Ucrânia. Esse episódio ficou conhecido como Holodomor.

A presunção é tanta que tudo isso não basta. Afinal de contas, tantas pessoas foram sacrificadas em nome do coletivo, o indivíduo pouco importa. No fim, o que sobra é bradar “O CAPITALISMO É CRUEL!”, e ignorar os 100 milhões de mortos que trouxe o socialismo.

O Grande Passo para Frente, programa de modernização criado pelos planejadores centrais do Partido Comunista Chinês: na propaganda, uma China utópica; na vida real, mais de 40 milhões de mortos pela fome. Na tentativa forçada de industrialização, a escassez de comida tornou-se um problema crônico que obrigou os chineses a provar de iguarias como cintos de couro.

Perguntas socráticas para chatos em geral

Esta é uma pequena lista de perguntas didáticas para fazer quando estiver em alguma (des)agradável conversa com socialistas, feministas, eco-chatos, militantes do PCO e relativistas morais em geral.

"Um sistema de moralidade que é baseado em valores emocionais relativos é mera ilusão, uma concepção vulgar que nada tem de sólido ou verdadeiro."

1. Se todas as culturas são iguais, porque a UNESCO não organiza uma semana internacional do canibalismo?

2. Por que nenhum político até hoje prometeu melhorar a vida dos homens (em vez das mulheres)?

3. Se todas as crenças são igualmente válidas, como minha crença no absurdo desta máxima é rejeitada por aqueles que a propõem?

4. Já notou que nos últimos trinta anos temos ouvido falar que temos menos de dez anos para salvar o planeta?

5. Se um político é eleito pelos pobres porque promete eliminar a pobreza, cumprir com a promessa não destruiria sua base eleitoral? Não seria melhor para ele que o número de pobres aumentasse? Não parece um claro conflito de interesses?

6. Por que não haviam protestos com slogans anti-feudalismo sob o regime feudal? E sob o regime de Stalin, nenhum protesto anti-comunista? E sob o regime de Hitler, nenhum protesto anti-nazista? Numa sociedade livre e capitalista, protestos anti-capitalistas são lugares-comuns. Seria o capitalismo realmente o pior sistema?

7. Se os pobres nos EUA tem coisas que pessoas em outros países nem sonham ter, porque há movimentos querendo que os EUA sejam como estes outros países?

8. Se eliminar os intermediários reduz o preço das coisas, porque pagamos o governo para ficar entre nós e o mercado?

9. Por que uma enorme nuvem venenosa sobre  um vulcão é considerada magnífica, mas uma coluna de fumaça sobre uma fábrica é considerada feia e nociva?

10. Quantos protocolos de Kyoto são anulados por uma erupção vulcânica de tamanho médio?

11. Por que Hollywood glamouriza viciados em drogas, criminosos, socialistas e retardados? O que eles tem em comum?

12. Por que Hollywood sempre acha um lado bom em mau-encarados, mas nunca em homens de negócio? Quando foi o último filme que você viu exibindo um homem auto-confiante e ordeiro como um modelo?

13. Você saberia através da mídia que há mais abusadores entre professores das escolas públicas do que entre padres católicos? Por que então a Igreja leva a culpa e o Departamento de Educação não?

14. Por que a mídia faz questão de enfatizar que abusadores de menores são padres, mas evita falar que são pedófilos homossexuais? Quem eles temem ofender?

15. Por que aqueles que reclamam da civilização moderna não vivem fora do shopping center e não moem o próprio café com uma machadinha de pedra?

16. Se somos chamados de uma “sociedade do consumo” porque consumismos, porque não nos chamamos também uma “sociedade da excreção” já que todos nós fazemos isto? Além disso nós também dormimos, sonhamos, falamos, pensamos, inventamos, tocamos músicas, criamos filhos, sentimos dor, ficamos doentes e morremos. Por que não somos chamados de uma “sociedade da produção”, já que produzimos as coisas que consumimos? Quem inventa estes rótulos e com que propósito?

17. Se descrever terroristas como arautos da liberdade é justificado pelo princípio jornalístico da neutralidade, qual é o nome do princípio que justifica descrever as tropas americanas como estupradores e assassinos?

18. Por que fazer experiências com animais é cruel, mas fazer experiências em embriões humanos é algum tipo de compaixão?

19. Por que aqueles que dizem que não devemos interferir na natureza defendem a intervenção na Economia? Não é a economia também um sistema frágil onde uma mudança repentina pode engatilhar uma ação em cadeia devestadora?

20. A última crise econômica não é uma dessas reações em cadeia?

21. Não são os maiores problemas sociais de hoje o resultado da intervenção nos ecossistemas sociais?

22. Por que a bioengenharia é ruim e a engenharia social é boa?

23. Se Al Gore estiver certo e nosso consumo dos recursos do planeta é um problema moral, isto não torna o genocídio uma solução ética? E que tal uma fome artificial?

24. Se ser um vencedor na luta natural pela sobrevivência é egoísta, entrar em extinção te faz altruísta?

25. Já que os recursos do planeta são limitados, não seria o ápice do ativismo ambientalista parar de comer e morrer de fome?

26. Se os altos e baixos da economia são ciclos naturais, porque a queda é sempre culpa do capitalismo e a ascenção é sempre resultado da liderança de algum presidente?

27. Por que nunca há na mídia alguma história elogiando o capitalismo pelo boom da economia?

28. Já notou que aqueles que demandam “poder para o povo” também acreditam que o povo não pode fazer nada direito sem supervisão do governo?

29. Como exatamente a dependência ao governo aumenta o “poder do povo”?

30. Por que nunca há uma reportagem com o título “Programa do governo termina após alcançar seu objetivo”?

31. Por que tantos radicais anti-americanos vestem marcas americanas, ouvem música americana, assistem filmes americanos, e jogam videogames americanos em computadores projetados por engenheiros americanos?

32. Você conhece alguém que tenha pago mais imposto de renda do que deveria porque confia que o governo faz bom uso do dinheiro?

33. Já passou pela cabeça daqueles que acusam o 11 de setembro de ser obra do governo americano que uma conspiração do governo para matar milhares de pessoas também incluiria um plano para se livrar de fofoqueiros?

34. Finalmente, se todas as opiniões devem ser respeitadas, porque um esquerdista que discorda de um direitista é “mente aberta” e um direitista que discorda de um esquerdista é “alienado”?

 

Uma lista adaptada do artigo original de Oleg Atbashian, autor do Shakedown Socialism.
Confira o original em inglês aqui.

Desmistificando o conservadorismo

Muito se escuta que o Brasil precisa de melhor planejamento. Um discurso já demasiadamente propagado e tomado como verdade em uma sociedade já dominada pela meticulosa subversão arquitetada e promovida durante décadas pelos progressistas. Encontramo-nos num ponto praticamente irreversível desse abismo cultural e cegueira ideológica a que fomos submetidos. Dizem que uma mentira contada mil vezes torna-se automaticamente uma verdade, e parece ser esse o caso. Mas tolos são aqueles que pretendem planejar e construir uma sociedade a partir do zero, destruindo instituições e uma cultura que nasceu e evoluiu através dos tempos.

Atualmente, no Brasil, tem-se uma visão errônea do conservadorismo. Comumente confundidos com reacionários, conservadores tem seus argumentos desconsiderados pelo simples fato de serem conservadores. Sofrem ataques ad hominem sendo assim praticamente impedidos de exporem suas ideias. Ninguém conhece o conservadorismo, mas todos o abominam quase que instantaneamente. Para ajudar a desfazer essa imagem, voltemos ao berço do conservadorismo moderno, a Inglaterra do século XVIII, com Edmund Burke.

Edmund Burke, o pai do conservadorismo.

Na época acontecia uma tentativa brutal de engenharia social: A Revolução Francesa. Movidos cegamente pelo racionalismo iluminista e pelo conceito de democracia,  os franceses promoveram alguns dos mais sangrentos episódios da história da França. Sem objetivos práticos, ideais postos acima da humanidade, rumaram em direção ao caos. E esse foi apenas o resultado a curto prazo de uma revolução irresponsável. A longo prazo vemos um país que é sinônimo de instabilidade política. Era essa a crítica escrita por Edmund Burke, antes mesmo do fim da revolução. O pai do conservadorismo previu o caos no qual que seria lançada a França pelos parisienses revoltosos, e ressaltou que nações construídas sobre preceitos conservadores sobreviveriam através dos tempos. Mas que preceitos conservadores são esses?

Muitos esperam que eu comece a pregar sobre a moral alheia, ditar como deve se comportar a sociedade. Deixo isso aos engenheiros sociais. Os preceitos conservadores são os da política responsável e ponderada. A política buscando resultados práticos, e não ideais. É a política do equilíbrio entre o progressismo exacerbado e o reacionarismo automático e demasiado irracional.

É preciso lutar contra as forças combinadas dos defeitos opostos, contra a rotina que rejeita todo melhoramento e a frivolidade que se fatiga e se desgosta de tudo aquilo que possui.

– Edmund Burke

Em outras palavras, o conservador não rejeita a mudança a todo custo. Apenas respeita os costumes e instituições que se desenvolveram ao longo dos tempos e fazem parte da história de uma nação. Promove a liberdade de as pessoas viverem de acordo com seus costumes e estilos de vida, não existindo um superior. O não culto ao progresso, que se impõe sobre todos. A valorização da cultura de uma nação e de sua moral. Pois um povo que valoriza seus costumes é um povo unido. Aquele que se mantivesse unido em torno de suas virtudes e de sua cultura seria um povo que decidiria sobre seu futuro.

A desconfiança sobre a natureza humana é inerente ao pensamento conservador. A dúvida é amiga da prudência. E essa dúvida estende-se aos homens de Estado. Por esse motivo o governo deve possuir mecanismos de auto-limitação.

Um Estado grande o suficiente para dar tudo que você quer é um governo grande o suficiente para tirar tudo que você tem.

– Gerald R. Ford

A auto-limitação do Estado leva a um regime econômico um tanto quanto óbvio: o livre-mercado. Ao dar a todos um mesmo ponto de partida (dever de um conservador) e deixar de, então, influenciar em suas vidas, cria-se uma hierarquia (nem todos usufruem da mesma maneira desse ponto de partida). O conservador reconhece a existência da desigualdade material, mas não a condena (a desigualdade material existirá em qualquer regime implantado). Nos últimos tempos houve uma inversão de valores interessante em que a desigualdade passou a ser tratada como o maior dos problemas de uma nação (Enquanto devia ser a miséria. Digo a vocês, quase não existe desigualdade social na África). Então para essa esquerda é melhor que todos sejam igualmente pobres.

A desvantagem do capitalismo é a desigual distribuição das riquezas; a vantagem do socialismo é a igual distribuição das misérias.

– Sir Winston Churchill

O conservador, em suma, existe para evitar que a sociedade arruíne-se em devaneios românticos. Quando todos os ideais falham e o romantismo já foi desgastado em forma de inanição e desemprego, a política pragmática dos conservadores serve como a última muralha defendendo a coesão social. Sem radicalismos e sem a defesa universal de um ideal, tenta colocar nos trilhos uma sociedade para que esta, independentemente, siga harmoniosamente seu caminho de reconstrução da cultura e produção. E sem criar moldes de pessoas ideais acaba por criar pessoas que, em suas imperfeições, são livres pensadoras e motores de uma nação estável. Esse é o complexo pensamento conservador. E nada menos deveria ser aceitável para um ser tão complexo quanto o ser humano.