FHC, PSDB e a diferença entre a Social-Democracia e a Direita

Os dois maiores partidos políticos do Brasil atualmente são o Partido dos Trabalhadores (PT) e o Partido da Social-Democracia Brasileira (PSDB). Não por acaso, os cinco últimos mandatos de presidente da república foram exercidos por candidatos dos dois partidos: FHC (PSDB), Lula e Dilma Rousseff (PT). Não por acaso também, esses dois partidos apresentam grande rivalidade na política brasileira. Natural. Em qualquer lugar onde existem “grandes”, existe também uma grande rivalidade.

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Os maiores filantropos do mundo

Esse texto também foi publicado no blog “Mundo Analista“. Pode ser lido aqui também.

Filantropia

Eu estava lendo algumas matérias e achei esse top 10 de 2013, divulgado anualmente pela Revista Forbes. São os dez maiores filantropos do mundo.

1° Bill Gates
Doações:US$ 28 bilhões
Patrimônio:US$ 66 bilhões

2° Warren Buffett
Doações:US$ 17,25 bilhões
Patrimônio:US$ 46 bilhões

3° George Soros
Doações:US$ 8,5 bilhões
Patrimônio:US$ 19 bilhões

4° Gordon Moore
Doações:US$ 5 bilhões
Patrimônio:US$ 4,8 bilhões

5° Carlos Slim Helu
Doações:US$ 4 bilhões
Patrimônio:US$ 69 bilhões

6° Eli Broad
Doações:US$ 3,5 bilhões
Patrimônio:US$ 6,3 bilhões

7° George Kaiser
Doações:US$ 3,3 bilhões
Patrimônio:US$ 10 bilhões

8° Michael Bloomberg
Doações:US$ 2,8 bilhões
Patrimônio:US$ 25 bilhões

9° Azim Premji
Doações:US$ 2,1 bilhões
Patrimônio:US$ 15,9 bilhões

10° James Stowers
Doações:US$ 2 bilhões
Patrimônio:US$ 100 milhões

Fonte: Top 10 Mais

Em outro site, achei uma lista maior, só que de 2011. Ela faz a contagem das doações por euros e inclui ainda mais 9 filantropos bilionários:

Li Ka-shing, Hong Kong: Doou 1,1 bilhão de euros
Herbert & Marion Sandler, EUA: Doou 1 bilhão de euros
Dietmar Hopp, Alemanha: Doou 880 milhões de euros
Michael Dell, EUA: Doou 845 milhões de euros
Jon Huntsman, EUA: Doou 845 milhões de euros
Ted Turner, EUA: Doou 845 milhões de euros
Klaus Tschira, Alemanha: Doou 770 milhões de euros
Paul Allen, EUA: Doou 700 milhões de euros
Stephan Schmidheiny, Suíça: Doou 700 milhões de euros

Fonte: Green Savers

Uma notícia de agora de 2015 informa que Mark Zuckerberg já doou 1,6 bilhões de dólares para ações sem fins lucrativos e que ele irá doar um mínimo de 1 bilhão de dólares por ano até chegar a meta de 45 bilhões (o que significa 99% de sua fortuna atual).

Fonte: El Pais Brasil

Ainda em outro artigo, este de 2014, tive acesso ao top 10 dos maiores filantropos dos EUA desse mesmo ano. Paul G. Allen, que ocupa a 10° posição doou 298 milhões de dólares, só em 2014. O primeiro colocado, Bill Gates, doou 1,5 bilhão de dólares.

Fonte: Forbes

EITA CAPITALISMO MALVADO!

A força de um indivíduo

Texto de Flávio Quintela, originalmente publicado no Gazeta do Povo. Para ler o original, clique aqui.

Macri

Já ouvi muitas vezes, durante conversas sobre política, que o Brasil não tem jeito, que não adianta mudar o presidente, que uma pessoa só não consegue fazer nada porque o sistema inteiro está podre etc. É claro que essas afirmações têm seus componentes verdadeiros, dado que nossa estrutura político-administrativa estimula e facilita práticas funestas como a corrupção, as trocas de favores entre os poderes e o aparelhamento da máquina pública. Mas não se pode minimizar a importância da Presidência da República nas decisões que afetam diretamente todos os cidadãos, e é justamente neste, que é o mais alto de todos os cargos eletivos brasileiros, que a força (ou fraqueza) de um indivíduo é aumentada exponencialmente.

Nossos vizinhos de continente, os argentinos, completaram um mês de governo com seu novo presidente, Mauricio Macri. Um alto membro do Banco Central argentino deu uma declaração que resume bem o nível de efetividade do novo presidente. Diz ele: “Não consigo crer: apertamos um botão e começamos a girar dinheiro. Nos últimos quatro anos dediquei uns 30% de meu tempo e energia pedindo autorizações para fazer isso; agora posso voltar a pensar em como ajudar os negócios do país a crescer”.

O “botão” a que ele se refere foi a decisão de Macri de abolir o cepo cambiário, que era o controle do governo sobre o mercado de dólares implementado por Cristina Kirchner em 2011, uma esquisitice econômica que infernizou a vida dos argentinos por quatro anos.

Outras medidas e decisões presidenciais tomadas no primeiro mês de governo foram: supressão dos impostos e cotas de exportação (os impostos chegavam a 30% do valor exportado e as cotas fixavam limites de venda de produtos agrícolas ao exterior); demissão de 10 mil funcionários públicos contratados irregularmente por Kirchner, mesmo sob uma legislação que torna a demissão quase impossível no funcionalismo público; terminação do tratado econômico com o Irã, decisão que deve levar à reabertura de uma denúncia judicial contra Cristina Kirchner, acusada de ter conseguido o referido tratado em troca de favorecer cinco agentes iranianos que participaram de um atentado a uma organização judaica em Buenos Aires; pedido de suspensão da Venezuela do Mercosul, que depois foi reconsiderado em virtude da vitória oposicionista nas eleições para o parlamento venezuelano; descredenciamento de médicos cubanos – participantes de um programa similar ao Mais Médicos – para “não financiar ditaduras”; derrubada, por decreto, da lei dos meios audiovisuais, uma das peças legislativas mais antidemocráticas do governo anterior.

Com essas e outras decisões, e com a escolha de uma equipe economicamente liberal, Mauricio Macri mostra que tem uma compreensão muito clara do poder da presidência e do poder de um indivíduo. A política argentina também é corrupta e cheia de conchavos; os últimos 12 anos dos argentinos também foram marcados pelo governo de uma única dupla; o alinhamento do país também era bolivariano; e a crise econômica também era uma realidade. É claro que todos os problemas não serão resolvidos desta forma, com medidas rápidas e pontuais. Mas esse tipo de decisão mostra o tipo de gestão que o presidente pretende fazer. Na era da globalização, em que meras percepções causam o movimento de volumes enormes de dinheiro, Macri coloca a Argentina em posição de receber novamente a confiança e os recursos dos investidores estrangeiros, e prepara o caminho para uma recuperação econômica. Além disso, mostra respeito à liberdade de expressão e desprezo por tiranias e ditaduras, sensatez elementar que não tem feito parte do governo brasileiro.

Avante, hermanos! Invejinha de vocês

As Funções do Estado: Minarquismo x Estatismo

Este texto foi publicado originalmente no blog “Mundo Analista“. Para ler na página original também, clique aqui.

Estado

Este texto será longo. Mas ele expõe tudo o que penso sobre política e economia, e uma explicação sobre minarquismo e estatismo. Espero que ele torne mais claro para o leitor qual é o grande problema do Brasil, do seu estado e da sua cidade, e o que você pode fazer para ajudar a melhorar. E também colocá-lo à par de alguns conceitos e posições que não te ensinam nas escolas e na maioria das faculdades.

A Tese do Estado Mínimo

Por tudo o que já estudei, acredito que o Estado possui cinco funções básicas. São básicas porque o setor privado não poderia desempenhá-las. Cabe ao setor privado desempenhar funções nos ramos onde a existência de concorrência é viável e o consumidor pode escolher a empresa que acha melhor (ou não escolher empresa alguma, se preferir). Cabe ao Estado, por sua vez, desempenhar as funções onde não cabe a existência de concorrência pela própria natureza do ramo. São funções básicas do Estado prover:

– Juízes, Tribunais e Cartórios;
– Legisladores e Assembleias Legislativas;
– Força Policial, Força Militar, Delegacias e Quarteis;
– Manutenção de Ruas e Estradas;
– Administradores de verbas e regras para estes setores.

Talvez você me pergunte: “Mas e a saúde e a educação?”. O ideal seria que cada indivíduo (ou família) custeasse sua saúde e educação. Por quê? Porque o setor privado pode desempenhar as funções de prover escolas e hospitais. O problema é que, na atual conjuntura, muitas pessoas não tem a mínima condição financeira de pagar por escolas e hospitais de qualidade. Como resolver isso? Há duas maneira, uma definitiva e outra paliativa. A definitiva é o Estado permitir a existência de um livre mercado, facilitar a criação e manutenção de empresas, e incentivar a concorrência no meio privado. Isso gerará empregos, reduzirá valores de produtos e serviços, elevará salários e possibilitará que serviços privados de educação e saúde sejam acessíveis a todos.

A dificuldade dessa primeira maneira é que aplicá-la de modo abrupto em uma sociedade gerará um caos durante algum tempo. Até que a economia gere condições financeiras para que todos usem serviços privados, muita gente pobre ficará sem qualquer tipo de assistência. E a culpa não é delas. Por essa razão, julgo necessário aplicar também a maneira paliativa. A paliativa é a que conhecemos hoje: o Estado, através de impostos de todos os cidadãos, financia a educação e a saúde para pacientes e alunos que não possuem (ainda) condições de fazerem isso por si próprios.

No entanto, ao adotar essa solução paliativa, deve-se ter em mente que o Estado está colocando as mãos em algo que o setor privado poderia desempenhar. Toda vez que o Estado faz isso, ele está expandindo o seu poder e as suas responsabilidades, passando a fazer o que, originalmente, ele não deveria fazer. Ora, quanto mais funções um Estado tem, mais dinheiro e poder de ação ele terá de receber do cidadão e mais setores, pessoas e problemas ele terá de administrar. E é exatamente isso que facilita o surgimento de ineficiência nos serviços públicos, má gestão das verbas e corrupção. Com um grande Estado, há grandes riscos.

Uma vez que entendemos este fato, é preciso pensar em formas de o Estado financiar a saúde e os estudos das pessoas mais pobres sem, com isso, expandir seu poder de ação e sua captação de impostos mais que o necessário. Como fazer isso? Bom, a melhor forma seria financiar os indivíduos, em vez de instituições públicas. Ou seja, em vez de o Estado criar e manter hospitais e escolas públicas, o Estado ofereceria uma bolsa para cada aluno pobre em um colégio privado da escolha de sua família, e pagaria um plano de saúde para cada paciente pobre em um hospital privado de sua escolha. O que excedesse a capacidade do Estado de financiamento, a própria pessoa financiaria.

Esse modelo evitaria vários transtornos. Para começar, o governo não precisaria administrar e financiar diretamente a manutenção de prédios, móveis, equipamentos, objetos, energia elétrica, água, gás, diretores, professores, médicos, enfermeiros e etc. Ele apenas se limitaria a pagar a mensalidade da escola e do hospital privado que o pobre escolheu. Se o indivíduo não se sentisse satisfeito com o serviço, poderia solicitar o cancelamento de sua matrícula na instituição e partir para outra. Isso criaria uma enorme concorrência, levando os serviços a se tornarem melhores e mais baratos. Além disso, o governo poderia reduzir muito as funções dos Ministérios da Educação e da Saúde da União, e as Secretarias de Educação e Saúde dos Estados e Municípios (talvez até extingui-los, o que seria ótimo!).

O modelo é bom, mas sua implementação abrupta também não seria muito aconselhável. É uma mudança radical demais para se implementar do dia para a noite. Uma proposta gradualista parece melhor, pois torna a transição mais tranquila. No caso das escolas públicas, o que tenho proposto sempre é o seguinte: (1) passar a gestão de 25% delas para as forças militares (que sabem administrar escolas e impor limites aos alunos melhor que o governo); (2) passar a gestão de outras 25% delas para o corpo de professores de cada unidade escolar, tornando a unidade independente (o governo, neste caso, apenas pagará as contas básicas da escola e avaliará a plausibilidade dos gastos mensais previstos pela escola); (3) privatizar os outros 50% delas, adotando o já citado regime de bolsas.

Na medida em que o Estado e a sociedade forem se acostumando com o novo modelo e a educação for melhorando (porque ela vai melhorar), é possível passar mais escolas públicas para o regime de bolsas. O critério usado pode ser o seguinte: privatizar as escolas com piores resultados.

Particularmente, penso que seria interessante manter algumas poucas escolas públicas. Principalmente as militares. Eu ficaria satisfeito se 10% das escolas fossem público-militares e outras 10% fossem geridas pelos professores. Por quê? Primeiro, porque as escolas militares serviriam para desenvolver alunos ordeiros e com senso de civismo e patriotismo. Além disso, elas seriam um mecanismo importante para recuperar jovens desordeiros expulsos de outras escolas. Segundo, porque é interessante ter modelos alternativos de escola em uma sociedade. Isso cria possibilidade de escolha e parâmetros para comparações, dois fatores primordiais para gerar concorrência e, com isso, melhor qualidade nos serviços e produtos. Contudo, para evitar que, no futuro, governos decidam voltar a um modelo predominantemente estatal de educação, seria imprescindível haver, na Constituição a determinação de que o número de escolas estatais não poderia ser superior a 50%, sendo 25% geridas por professores e 25% gerida por militares.

No mais, o Estado deveria permitir a existência do homeschooling (estudo em casa), onde o aluno estuda com os pais em casa ou, quando já tem idade suficiente, por meio do autodidatismo. Escolas comunitárias não-oficiais, grupos de estudo e escolas de igrejas ou ONGs também deveriam ser permitidas. O que se exigiria dessas pessoas seria que fizessem uma prova trimestral em escolas oficiais para avaliar seu conhecimento. Ao fim de um ano, obtendo bons resultados, elas receberiam diploma da série em questão.

Quanto aos hospitais públicos (e também UPA’s, Postos de Saúde e unidades médicas em geral), creio que o mesmo modelo poderia ser seguido. O governo passaria 25% deles para a administração militar e 25% para a administração do próprio corpo de médicos e enfermeiros da unidade. Os demais 50% seriam privatizados e seus pacientes passariam para o regime de planos pagos pelo governo.

Você pode me perguntar também: “Mas e os programas de assistência social como o Bolsa Família?”. Estes programas, sem dúvida, são formas paliativas de lidar com um problema real: há pessoas que vivem abaixo da linha da pobreza. Para essas pessoas, receber qualquer cem, duzentos ou trezentos reais do governo é uma salvação. É claro que o ideal não é esse. Ronald Reagan dizia, com muita razão, que o melhor programa social que existe é o emprego. A melhor forma de gerar empregos é reduzindo impostos, expansão irresponsável de papel-moeda (que gera inflação), regulamentações, burocracias e protecionismos (ou seja, deixando o mercado mais livre). Mas, mesmo que um governo faça isso, os efeitos do mercado livre não se verão de uma hora para a outra. E durante este tempo de espera, ainda haverá pessoas abaixo da linha da pobreza. Tendo isso em vista, não vejo com maus olhos que, temporariamente, as pessoas mais necessitadas recebam algum dinheiro para conseguir comer. Com a melhora da economia e a criação de empregos, estas bolsas devem ser suspensas.

Aqui terminam as funções e os gastos do Estado. Todo o restante pode ser desempenhado por empresas privadas e indivíduos ou associações de indivíduos livres (como as Igrejas e os Clubes, por exemplo).

O que acabo de descrever é o desenvolvimento de um Estado mínimo, o que podemos chamar de minarquismo ou minarquia. Os minarquistas se diferem levemente em grau. Alguns são mais radicais e não aceitariam qualquer participação do Estado na economia e na sociedade a não ser as cinco funções citadas no início desse texto. Estes geralmente também não pensam em termos de gradualismo. Defendem a privatização de tudo abruptamente. São liberais extremos em economia. Já outros são mais moderados, como eu. Minha moderação se baseia na prudência, que é a maior virtude do conservadorismo. O conservador também é liberal em economia, mas, diferentemente da pessoa que é pura e simplesmente liberal, ele valoriza um pouco mais a prudência, o gradualismo, as mudanças refletidas e a dignidade humana (enquanto o liberal tende a pensar mais no lado econômico apenas). Mas no fim das contas ambos defendem um Estado bem mais reduzido que todos os Estados do mundo atual, que nada mais é que minarquismo.

Para o minarquista, se o Estado só se preocupar em administrar e gastar com as suas funções reais, ele terá mais facilidade de gerir, o povo terá mais facilidade de cobrar os governantes, não haverá muitos riscos do dinheiro não ser suficiente para pagar as contas do governo e não haverá muitas brechas para corrupção. Com menos setores para financiar e administrar, e menos riscos de corrupção, será possível investir mais no que interessa à população. Exemplos: os policiais poderão ser melhor remunerados e ter equipamentos mais avançados; o Estado poderá pagar mais juízes e construir mais tribunais para agilizar as milhões de causas pendentes na justiça; as ruas e estradas poderão ter uma melhor manutenção. Ademais, um Estado mínimo não irá atrapalhar as liberdades individuais, nem se tornar autoritário, pois seu poder de ação é limitado.

Liberalismo Econômico e Leis Trabalhistas

É importante ressaltar que essa liberalização da economia e redução do Estado não implicam o fim das leis trabalhistas (no caso do Brasil, a CLT). Embora as leis trabalhistas tornem a economia um pouco menos livre, elas estão longe de representar o maior obstáculo do liberalismo.

O que mais dificulta o desenvolvimento de uma economia livre e de um Estado mínimo são (1) os elevados e numerosos impostos; (2) o excesso de regulamentações nos diversos setores privados; (3) o excesso de burocracia estatal para se criar e manter legalmente um negócio (o que inclui a legalização de muita coisa em cartórios, muita papelada, muitos impostos, muitos requisitos para cumprir, muito tempo de espera e etc.); (4) protecionismo econômico; (5) expansão irresponsável de papel-moeda pelo Banco Central (que gera inflação); (6) existências de agências regulatórias estatais que impedem a entrada de novas empresas privadas em um ramo para concorrerem entre si; (7) empresas estatais desnecessárias, que sugam muito dinheiro de impostos e prestam péssimo serviço; (8) monopólios estatais desnecessários, como é o caso dos Correios, no que diz respeito ao envio de cartas; (9) excesso de Ministérios Federais, Secretarias dos Estados e Municípios, e Cargos de Confiança de Gabinetes; (10) verbas públicas para propagandas de empresas estatais, Fundo Partidário, Lei de incentivo à cultura, Carnaval, presídios, museus, zoológicos, empresas terceirizadas e etc.

Esses fatores são os maiores obstáculos do liberalismo e do minarquismo. Se eles forem retiradas, a economia alcança um alto grau de liberdade e desenvolvimento, mesmo com as leis trabalhistas. É claro que as leis trabalhistas geram alguns inconvenientes. Elas tornam mais difícil a criação de empregos, pois tanto pequenos, como médios e grandes empresários terão de segui-las. Então, muitas vezes se deixar de contratar por falta de condições. Por outro lado, leis trabalhistas garantem que empresários que tem condições de pagar melhor a seus funcionários e dar-lhes maior tempo de descanso, não o façam.

Em uma sociedade já plenamente desenvolvida economicamente, este segundo problema não é tão grande. Se um funcionário julga sua empresa ruim, ele sai do emprego e arruma um melhor. Num mercado livre avançado, há muitas empresas competindo e, por isso, muita oferta de emprego. Assim, as empresas acabam disputando funcionários (e principalmente os melhores). Tal cenário gera a valorização dos salários e condições de trabalho. E se uma empresa não acompanha essa tendência, perderá seus funcionários mais cedo ou mais tarde para outras empresas. O cidadão passa a ter condição de escolher um emprego melhor. Talvez por essa razão os países mais desenvolvidos do mundo não tenham, por exemplo, um salário mínimo fixado. É o caso de países como a Suécia, a Suíça, a Finlândia, a Noruega e a Dinamarca, que possuem altíssimos IDH’s e sequer são minarquias, mas possuem uma economia bem mais livre que a do Brasil. Lá os funcionários negociam o salário com as empresas e a ajuda dos sindicatos (que não são tentáculos do governo, como no Brasil,mas associações livres). O governo não se mete.

Contudo, em um país que ainda está se desenvolvendo economicamente, abrindo seu mercado, esbarramos naquela dificuldade que já vimos em outras partes do texto: enquanto não alcançarmos um estágio elevado de liberdade econômica, haverá gente sofrendo na mão de empresários exploradores, trabalhando quase como escravos. O contraponto é que, para alguns que estão desempregados, seria melhor ganhar pouco do que não ganhar nada. A discussão é complexa. Do meu ponto de vista vale mais assegurar a dignidade de quem está trabalhando pelo seguinte: como eu disse, as leis trabalhistas não são o grande empecilho ao liberalismo e o Estado mínimo. Há, pelo menos, dez outros fatores antes. Então, não vejo sentido em mexer na CLT. Ela pode ficar.

O que seria desejável, na opinião, é: (1) simplificar a CLT, reunindo todos os direitos em uma coisa só; (2) torná-la proporcional ao tamanho da empresa; (3) permitir ao cidadão escolher qual sistema de previdência ele desejará se cadastrar. Sobre esse último, o INSS deveria, obviamente deve ser extinto. E sobre isso, não tenho dúvidas da necessidade. O governo deveria criar concessões à bancos e empresas de previdência privada para ocuparem o lugar da antiga previdência pública, cabendo ao Estado apenas fiscalizar a administração dos recursos por essas empresas e cadastrar novas empresas interessadas em participar (no caso de elas cumprirem os requisitos básicos). Em uma eventual quebra de uma dessas empresas, o Estado puniria com rigor os seus responsáveis e captaria recursos para auxiliar os cidadãos que haviam pago suas previdências. Parte desses recursos seriam captados através da expropriação dos bens dos responsáveis, dos bens de seus familiares diretos, e do trabalho deles na prisão.

Atualmente não temos nenhum Estado que possa ser chamado de minarquista. Mas temos Estados próximos a isso como Singapura e Hong Kong. Eles tem as economias mais livres do mundo e Estados relativamente pequenos. Não é à toa que possuem ótimo IDH e baixos índices de violência. Outros países bastante livres economicamente são: Austrália, Nova Zelândia, Suíça, Suécia, Dinamarca, Noruega, Finlândia, Japão, Coreia do Sul, Canadá, Alemanha, EUA e Inglaterra. São todos países ricos e que oferecem um bom padrão de vida para seus cidadãos. Mas ressalto que estes países não são minarquias, tampouco seus sistemas poderiam ser chamados de laissez-faire (“deixa-fazer”, expressão francesa que caracteriza o liberalismo econômico puro). Alguns deles, inclusive, sofrem de tempos em tempos com crises econômicas decorrentes da expansão do Estado, o que os obriga a reduzi-lo e se voltar novamente para um economia mais liberal. É justamente por serem maleáveis nisso, que conseguem sair dessas crises e se manterem com um bom IDH.

Bom, vimos um pouco sobre o minarquismo. Agora, vamos ver um pouco sobre o seu oposto: o estatismo.

A Tese do Estado Grande

Estatismo é a ideia de que o Estado precisa atuar em quase todas as áreas da economia e da vida pessoal dos integrantes de uma sociedade. Aqueles que defendem o estatismo afirmam que essa forte atuação (ou intervenção) estatal é essencial para se garantir a existência de justiça, igualdade e bem-estar para o povo, o que, segundo eles, não seria possível se o Estado não interviesse ou se a intervenção fosse menor. O estatismo, portanto, implica a existência de um Estado com elevado número de atribuições e áreas de atuação, o que pode ser chamado de Estado grande, Estado interventor ou Estado inchado. Usarei o termo “Estado interventor” por considerá-lo mais neutro. Ora, esse tipo de Estado implica, por sua vez, a existência de (1) numerosos e altos impostos (que, em teoria, deverão financiar as atividades geridas pelo governo desse Estado) e (2) numerosas leis regulando aspectos da economia e da vida individual.

As razões são muitas, mas eu vou focar mais em uma nesse texto: o sistema estatista torra o nosso dinheiro da pior maneira possível. O estatismo tende a expandir os tentáculos do governo para diversos setores e não apenas para os setores, mas para a administração de tudo o que lhe diz respeito. Em outras palavras, o estatismo não apenas quererá um Estado que administre uma escola pública, mas que centralize todas as decisões concernentes à escola pública nas mãos de ministérios e secretarias, tirando a autonomia de cada unidade escolar e não se limitando apenas a pagar contas e fiscalizar o cumprimento da lei. E na medida em que o tempo passar, o estatismo apontará como necessário expandir mais o tamanho do Estado, transformando o governo em um “incentivador” de vários setores. Em pouco tempo, diversas áreas que poderiam tranquilamente ser administradas por empresas privadas ou associações livres, passam a ter intervenção e intromissão do governo, o que gera aumento de gastos e de poder. Daí para o dinheiro público começar a ser gasto com coisas fúteis, desnecessárias e inúteis é um pulo.

Eu vou apresentar vários exemplos do Brasil de gastos desse tipo no Brasil, gastos estes que são financiados com o seu dinheiro de pagador de impostos:

1) Você financia as dívidas das empresas estatais, sabia? Quando uma empresa pública vai mal e não consegue pagar suas dívidas, o Estado injeta mais dinheiro nela. O dinheiro do Estado vem, como você sabe, dos nossos impostos. A dinâmica do setor público é muito diferente da dinâmica do setor privado. Enquanto uma empresa privada vai à falência quando contrai dívidas e não consegue pagar, uma empresa pública recebe mais dinheiro na medida em que contrai mais dívidas. Em outras palavras, quanto pior for o desempenho de uma empresa pública, mais dinheiro seu o Estado vai injetar nela. Você perde duas vezes: recebe um serviço ruim e ainda tem que pagar mais por ele. E saiba que só o governo federal possui mais de 50 empresas estatais. Imagine o dinheiro que isso queima!

2) Você financia publicidade estatal, sabia? Empresas como Banco do Brasil, Caixa Econômica Federal, Correios, Petrobras e etc. pagam revistas, jornais, blogs, sites, canais de TV, emissoras de rádio, clubes de desportos e outras instituições para veicularem suas propagandas. A pergunta que não quer calar é: por que empresas estatais, que não precisam competir com ninguém para se manterem vivas, fazem publicidade? Não faz sentido. Principalmente quando se trata de empresas públicas monopolistas, como é o caso dos Correios. Na verdade, faz sentido sim. Essas propagandas estatais servem como uma forma velada de financiar jornalistas, artistas e instituições que, por causa da ajuda do governo, não irão protestar contra ele.

3) Você financia todos os partidos políticos, sabia? Parte dos seus impostos vai para o chamado “fundo partidário”, que é distribuído entre os mais de trinta partidos que hoje temos no cenário político brasileiro. Esse fundo partidário não é para pagar o salário dos políticos que foram eleitos pelo povo, mas sim para financiar as atividades dos partidos (o que inclui, em parte, as campanhas de seus candidatos). E agora, com a proibição das doações de empresas aos partidos, o fundo partidário irá aumentar (o que significa mais impostos).

Importante frisar que quem mais lucra com o fundo partidário são os partidos que mais tem candidatos eleitos. Ou seja, você sempre ajuda o partido que tem maioria no governo a se manter no poder – mesmo que você não tenha eleito qualquer de seus candidatos. Hoje, o partido que nos governa é o PT, com sua enorme base pmdebista. Com o fundo partidário, você que odeia o PT e o PMDB os financia. O petista que odeia o PSDB financiava o PSDB quando ele estava no poder. Eu, que odeio todos esses partidos, e que não quero financiar ninguém compulsoriamente, pago por todos eles.

O correto (mais lógico) seria que os partidos financiassem a si mesmos. Eu chamo isso de autofinanciamento partidário. Cada integrante do partido paga um valor mensal e o partido irá se virar com esse valor. Se for pouco, não há problema em permitir, por lei, que empresas doem. Desde que haja também uma lei que proíba empresas doadoras de participarem de licitações do governo para obras públicas ou de serem beneficiadas com leis econômicas protecionistas ou agências reguladoras. Em um Estado minarquista, isso não seria difícil de garantir.

4) Você financia o horário eleitoral obrigatório, sabia? Não sei se esse dinheiro sai do fundo partidário. Acredito que não. Isso significa mais dinheiro gasto. Mas se sai do fundo, é ruim do mesmo jeito, pois você é obrigado a pagar pela propaganda deles (que não passa de um monte de mentira e palhaçada).

5) Você financia ministérios e secretarias que não precisavam existir, sabia? Ministérios e secretarias são órgãos de auxílio do poder executivo. Servem para ajudar o chefe do poder executivo (prefeito, governador ou presidente) a gerir as áreas cuja administração ou regulação cabem ao Estado. Só isso. Não faz sentido que existam ministérios e secretarias de áreas que o Estado não precisa, nem deve, gerir ou se intrometer. Vamos aos exemplos.

Seria um absurdo se o governo federal criasse o Ministério dos Supermercados, ou o Ministério da Cesta Básica e das Compras do Mês, ou ainda, o Ministério dos Alimentos. Comida e ítens de supermercado são produzidos, embalados, transportados e vendidos por empresas privadas. O mercado pode cuidar dessas atividades sem problema. E graças a Deus por isso! Ou quem de vocês gostaria que a produção, embalagem, transporte e venda de alimentos ficasse à cargo do governo? Certamente a maioria dos brasileiros passaria fome se assim fosse. Em suma, essas coisas não precisam, nem devem, ser atribuição do Estado. E estamos muito bem sem que o Estado tome para si estas funções! Por isso, ministérios como estes são absolutamente dispensáveis e absurdos.

Da mesma maneira, há diversas áreas da sociedade para as quais o Estado não precisa (nem deve) criar ou manter ministérios e secretarias. Dos 37 atuais ministérios, pelo menos 20 ministérios são totalmente desnecessários e alguns outros poderiam ter duração temporária até resolverem problemas pontuais e simples. O Estado do Rio de Janeiro possui 25 secretarias e a sua capital, a cidade do Rio de Janeiro, possui 26. Pelo menos metade dessas secretarias são absolutamente desnecessárias. Então, só aí, temos pelo menos 45 departamentos inúteis e desnecessários que você financia, o que inclui ministros, vice-ministros, secretários, vice-secretários, assessores de imprensa, auxiliares de escritório, contadores, advogados, relações públicas, marketeiros e mais um sem-número de cargos de confiança. E lembre-se: estes ministérios e secretarias servem para os governantes colocarem militantes, amigos, parentes e gente que lhes venderam favores. Essas pessoas ganham rios de dinheiro para fazer coisas inúteis para a sociedade. Você gosta de financiar inutilidades?

6) Você financia serviços que o Estado não precisa fornecer, sabia? Qual é o sentido do Estado manter uma empresa como os Correios? E pior: qual o sentido de não se permitir a existência de outras empresas competindo no ramo de entrega de cartas? Esse é o tipo de atividade que poderia ser efetuada tranquilamente por diversas empresas privadas, que iriam competir entre si. Geraria mais empregos, mais eficiência, mais captação de impostos pelo governo em cima delas e menos captação de impostos em cima do cidadão comum. O mesmo se pode dizer de bancos. Qual o sentido de o Estado manter Bancos públicos, como a Caixa Econômica, o Banco do Brasil e o BNDES? Aliás, o BNDES é um banco público que empresta dinheiro à empresas privadas. Olhe que absurdo! Nós estamos financiando grandes empresas contra a nossa vontade! O BNDES é um bolsa-rico! E a Comlurb? Não poderia haver várias empresas de coleta de lixo? Não poderia haver, aliás, várias empresas privadas de reciclagem? Seria bom para o ambiente e bastante rentável. E os Correios? E a Petrobras? Se o argumento do estatista for: “Essas empresas são patrimônio público”, isso é conversa fiada.

Patrimônio público? Sei… Alguma vez já te ligaram da Petrobras e te convidaram para participar de uma reunião importante para tomar algumas decisões? Alguma vez já te ligaram da Petrobras dizendo que a empresa teve ótimos lucros e você receberá um aumento no seu salário? Alguma vez já te ligaram da Petrobras e perguntaram se eles podem aumentar o preço da gasolina? Algumas vez já te ligaram da Petrobras e pediram para você votar em um novo presidente para a estatal ou para dar uma ideia de como tirá-la da crise? Você pode vender a Petrobras, se quiser? Pode contratar funcionários melhores? Pode demitir incompetentes? Pode demitir corruptos? Pode escolher se ela vai patrocinar ou não um filme, time de futebol ou peça de teatro? Pode deixar de pagar impostos para sustentá-la? Pode reaver o dinheiro desviado? Pode impedir que ela seja usada como cabide de empregos para políticos? Não, não, não e não! Então, ela não é patrimônio seu, nem da maioria das pessoas. Ela é patrimônio do Estado, do governo vigente, dos seus administradores escolhidos pelo presidente e dos seus acionistas. Só. Isso vale para todas as empresas estatais.

Você não é dono de nenhuma empresa estatal. Você é apenas um pagador de impostos que as financia, querendo ou não. Se forem privatizadas e o mercado for aberto para outras empresas competirem, você ganhará mais. Seus impostos deixarão de ser usados para financiar a antiga estatal e você poderá escolher de qual empresa comprará o produto ou serviço de seu interesse.

7) Você financia agências reguladoras, sabia? Agências reguladoras deveriam servir para impedir que empresas privadas cometessem abusos contra consumidores. Mas só é preciso uma agencia reguladora para fazer isso quando não há mercado livre. Do contrário, o nosso poder de escolha e a competição entre empresas são suficientes para nos livrar de abusos. É só mudarmos de serviço. Mas quando o Estado regula um setor, ele cria agências reguladoras. E, infelizmente, essas agências não fazem o que deveriam fazer. Em vez de impedir abusos das empresas privadas, elas criam um cartel com aquelas empresas, colocando várias dificuldades quase intransponíveis para que outras empresas entrem no ramo para competir. Isso gera monopólios. E nós acabamos ficando nas mãos de um punhadinho de empresas privadas que, adivinhem… cometem abusos contra nós. É o caso da Anatel, Agencia Nacional de Telefonia, que protege as concessionárias Oi, Tim, Claro e Vivo. Por que não há outras empresas disputando? Por causa da Anatel. E eu poderia citar outros serviços como o de Internet e o de TV Fechada.

8) Você financia museus, zoológicos, institutos de artes e carnaval, sabia? E também bandas de música, shows, turnês, peças de teatro e projetos pessoais de atores – estas coisas com a lei de incentivo à cultura. Você acha legal ser obrigado a financiar coisas de que talvez nem goste e que, certamente, não são imprescindíveis para a sobrevivência? Não é melhor que, no que tange às artes e a diversão cada um escolha o que quer financiar e as empresas disputem os clientes entre si? Não é supérfluo o Estado gastar com essas coisas, sobretudo em tempos de crise? Não é autoritário o Estado tirar o nosso dinheiro para nos ditar o que é cultura? Em tempo: a lei de incentivo à cultura deduz do imposto de renda das empresas uma porcentagem para elas destinarem à projetos artísticos. Isso não deixa de ser dinheiro público. O dinheiro que as empresas pagam de imposto são retirados dos ganhos dela sobre os produtos vendidos aos consumidores. Ou seja, indiretamente, nós pagamos os impostos das empresas. Se o imposto de renda das empresas é deduzido, mas elas precisam destinar a quantia para o que o governo impõe, é o nosso dinheiro que está indo para lá.

9) Você financia 24 conselhos do governo federal, 46 conselhos do Estado (do Estado do Rio de Janeiro) e mais vários conselhos municipais (não encontrei o número exato dos conselhos municipais do Rio de Janeiro), sabia? Ou seja, são 70 + X (talvez isso seja mais de 100) conselhos que você financia, o que inclui uma pancada de gente, claro. Mas esses conselhos só existem porque o Estado quer se intrometer em várias áreas que não precisa (nem deve) se intrometer. Se ele se limitasse às suas funções básicas, esses conselhos poderiam ser reduzidos para 40 ou menos. Quer dizer, você está financiando um monte de conselho inútil e desnecessário também. Além disso, há diversas comissões e outros agrupamentos de funcionários que você nunca sonhou que existissem. Todos mamando nas tetas estatais sem produzirem nada de bom.

10) Você financia ONGs, sabia? Pois é, por mais contraditório que isso pareça, no Brasil há várias Organizações Não Governamentais que recebem dinheiro do… Governo. E não são só as ONGs, mas sindicatos de vários ramos de trabalho (que deveriam ser associações livres, mas você é obrigado a financiá-los) e organizações criminosas nacionais e internacionais, como o MST e o Foro de São Paulo (uma organização composta por vários partidos de esquerda e grupos revolucionários narcoterroristas como as FARC). Também sai dinheiro do seu bolso para financiar obras públicas em países ditatoriais, tais como Cuba e Guiné Equatorial.

11) Você financia presídios e presidiários, sabia? Ou seja, o fulano te rouba, estupra sua filha, mata o seu filho e a sua esposa, e você será obrigado a contribuir para a estadia dele na cadeia, pagando sua comida, a energia elétrica, a água, o gás, a limpeza do lugar e os agentes carcerários. E ele? Ele não fará nada. A maioria dos presos no Brasil não trabalha. Isso não é obrigatório. Ou seja, se você é um cidadão honesto e para de trabalhar, morre de fome. O bandido não trabalha e tem tudo garantido.
É claro que as condições das cadeias brasileiras são péssimas. Mas isso não anula os fatos de que (1) você paga por elas e (2) os presos nõ precisam trabalhar para se sustentarem lá. Parece justo? Você sabia que anualmente o Estado gasta alguns bilhões sustentando cadeias? Pois é. Dinheiro jogado fora.

O que sempre proponho é que a legislação penal obrigue todo e qualquer preso a trabalhar dentro da prisão, sob pena de não poder desfrutar de comida, água e energia (que é a mesma pena que todo o cidadão honesto tem se não trabalhar). Será o trabalho de cada preso que irá sustentar os presídios, sem que o Estado pague um centavo pelos gastos do lugar. É possível um presídio estatal conseguir isso e ainda oferecer condições humanamente dignas para os presos? Muito difícil. Por isso, a melhor forma de conseguir esta proeza e retirar dos ombros do pagador de impostos esse enorme gasto é: terceirizando os presídios.

A ideia é simples. O Estado abre licitações para empresas dos mais variados ramos se instalarem dentro das prisões. Não é necessário que seja apenas uma por prisão. Podem ser duas, três, quatro. Essas empresas irão empregar todos os presos e pagar-lhes mensalmente um salário mínimo (e os direitos previstos na CLT, para a esquerdalha não dizer que estão explorando a galera). Eles irão trabalhar seis dias por semana, oito horas por dia. As demais horas poderão ser gastas com estudos e alguma atividade de lazer nas horas em que estiverem liberadas. O Estado não pagará nada a essas empresas. Elas agirão como qualquer empresa normal, obtendo renda a partir do trabalho de seus funcionários.

Ao contrário do que se pode pensar, isso não estimulará empresas a quererem mais bandidos. Nenhuma empresa expande seu quadro de funcionários indefinidamente. Do contrário, não poderá pagá-los. Os bandidos que cumprirem suas penas, poderão continuar trabalhando para a empresa, em um pólo que será feito para ex-presidiários.

Os guardas da cadeia podem ser PMs ou soldados do exército. O pagamento deles poderá ser feito pelo Estado, pois trata-se de segurança pública, só que dentro do presídio. Não muda nada.

Em tempo: a ideia de presídios terceirizados já existe. Eles são poucos no mundo, mas são muito superiores. O único problema é que, até onde sei, os lugares que o adotaram mantiveram certo financiamento estatal. Isso é errado e, aí sim, pode gerar lobby entre governo e empresas par prender mais gente e pagar mais dinheiro às empresas. Isso continua sendo estatismo, ou melhor, corporativismo, uma mistura maléfica entre setor privado e setor público (o que, aliás, abundam em nosso país). No Brasil existem duas: a Penitenciária Industrial do Cairi e a Penitenciária Industrial de Guarapuava.

12) Você financia concessionárias, sabia? No Brasil, quando o governo concede a administração de um setor para uma empresa privada, ele sempre repassa verba pública para a empresa. Em outras palavras, a empresa não só ganha dinheiro do cidadão por prestar o serviço, como também ganha do Estado (que vem, claro, do cidadão).

13) Você financia diversas leis que restringem a sua liberdade e fazem você pagar mais caro para sobreviver, sabia? Isso porque o estatismo não apenas suga seu dinheiro através de impostos, mas suga sua liberdade através de diversas leis inúteis ou mesmo maléficas. Vou citar alguns exemplos. O Brasil criou o estatuto do desarmamento. Ele não proíbe a venda de armas no Brasil (algo que o governo tentou fazer em 2005, por meio de um referendo, mas a população votou contra). Mas ele dificulta muito a compra de uma arma por um cidadão honesto e mentalmente saudável. Um dos mecanismos para impor essa dificuldade é exigir que da pessoa que quer ter uma arma uma declaração de necessidade. Essa declaração é feita a um delegado de polícia federal. Se o delegado achar que a pessoa não precisa da arma, não importa se ela é honesta, sem antecedentes criminais, mentalmente saudável e que tenha passado em todos os requisitos – ela não poderá ter a arma.

A alegação para esse tipo de lei é que armas são perigosas. Mas a verdade é que criminosos são perigosos. E criminosos não respeitam as leis. Você pode até proibir a venda de armas no país. Mas eles continuarão tendo armas, pois suas armas não são legais; eles as conseguem por meio do tráfico, pelas fronteiras.

Bom, moral da história: as vendas de armas caíram em mais de 90% no Brasil desde 2003. Mas o número de homicídios por mãos armadas aumentou alguns milhares, elevando nossa taxa de homicídios de 27 homicídios por 100 mil habitantes para 30 homicídios por 100 mil habitantes. Isso pode parecer pouco, mas representa um acréscimo de quase 12 mil mortes por ano. Matamos hoje 60 mil pessoas por ano. Os EUA, país mais armado do mundo, têm 12 mil homicídios por ano, com uma população bem maior que a nossa (a taxa deles é 4 homicídios pra cada 100 mil habitantes). Outros países muito armados como Canadá, Suíça e República Tcheca tem níveis de homicídios ainda menores. Isso mostra que a liberação de armas para cidadãos honestos e mentalmente saudáveis não aumenta a criminalidade, mas tende a reduzir. É claro que só isso não é suficiente. Uma segurança pública de qualidade é imprescindível. Mas uma coisa é certa: um cidadãos armados colocam medo nos bandidos e, claro, no governo. Aliás, cabe aqui a pergunta: se o cidadão é desarmado, quem nos protegerá do Estado?

Outras leis nos impõem limites, retiram nosso direito de escolha e complicam nossa vida. O Estado obriga nossas crianças a estudarem em escolas formais. O Estado obriga as escolas públicas a usarem livros tendenciosos. Esses livros ensinam os alunos para concordarem com o estatismo, o socialismo, o marxismo e o esquerdismo, e a discordarem do liberalismo econômico, do conservadorismo e da direita. O Estado tenta, de todas as formas, usar as escolas para ensinar sobre conduta sexual para crianças (formando promíscuos e devassos desde cedo) e para destruir a concepção tradicional e natural de família. O Estado impõe pesadas regulamentações para que alguém transforme seu carro em um Táxi. O Estado regula as empresas de ônibus (e as socorre sempre), o que nos deixa à mercê de seus abusos. O Estado permite aos bancos expandirem dinheiro que não tem através do Banco Central (o que gera inflação).

O Estado ordena os guardas municipais a implicarem com os “camelôs”. O Estado desarma a polícia. O Estado não retribui bons policiais. O Estado passa a mão na cabeça de policiais corruptos. O Estado mantém uma lei penal branda. O Estado mantém o Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA) que dá brecha para alunos baterem em professores e para menores de idade cometerem crimes e ficarem impunes e limpos depois dos 18 anos. O Estado prioriza obras públicas para turismo e deixa obras importantes de lado como, por exemplo, a de Metrô (que melhoraria muito o trânsito urbano). O Estado cria leis ineficientes para proteger a natureza (algo que poderia ser feito concedendo lotes de florestas para empresas interessadas em proteger o meio ambiente, tal como empresas turísticas, safáris, empresas produtoras de papel, empresas produtoras de borracha e o próprio Green Peace).

O Estado te obriga a se alistar nas forças armadas (se você for do sexo masculino) e a votar, coisas que deveriam ser direitos e não imposições. O Estado te obriga a financiar políticos que fazem carreira. Nosso sistema político fez da política uma profissão, quando deveria ser uma contribuição. Houve muita preocupação dos legisladores de 1988 em limitar o tempo de mandato do poder executivo. Porém, vereadores, deputados estaduais, deputados federais e senadores podem se candidatar à reeleições quantas vezes quiserem e fazer carreira. O Estado também te obriga financiar um sistema judiciário capenga, onde os juízes do STF e outros tribunais são escolhidos pelo presidente e sabatinados pelo congresso. Ora, se o presidente e os parlamentares podem ser julgados por esses juízes, não faz sentido eles serem escolhidos por estes. O ideal era que parte dos juízes do STF fosse comporta assim: os juízes que já existem, após terem sido juízes por anos e terem reputação ilibada, poderiam fazer um concurso público para ocupar esses tribunais. Outra parte poderia ser escolhida por eleição feita por todos os juízes do país. Isso seria um judiciário independente. Mas o estatismo cria um sistema em que o Estado é tão poderoso que os juízes podem ser comprados.

Por essas razões eu sou contra o estatismo. Ele dificulta a vida das empresas, dificulta a nossa vida individual e nos coloca à mercê de um Estado corrupto, ineficiente, totalitário e, muitas vezes, autoritário. Um Estado grande, inchado, populista ou socialista é perigoso em todos os sentidos, em todas as áreas e de todas as formas. Se olhar bem, todos os problemas que temos são causados ou, pelo menos, aumentados pelo estatismo. O Brasil é e sempre foi um país estatista. Ele não teve jamais um mercado livre, um capitalismo genuíno. Nunca teve um partido realmente de direita, que defendesse não só as bandeiras do conservadorismo político e moral, mas do liberalismo econômico e do Estado mínimo. Aqui sempre reinaram os conservadores de centro e centro-esquerda, que se curvavam ao estatismo, e os progressistas e esquerdistas, que são absolutamente estatólatras.

Geralmente o que mais de direita tivemos ao longo do tempo eram alguns indivíduos corporativistas, como o Sr. Juscelino Kubithceck. E o corporativismo nada mais é do que uma mistura malsucedida entre capitalismo e estatismo, entre liberalismo e Estado interventor. Daí surge sempre a ideia de que o Estado é o motor da sociedade e da livre iniciativa, é a mola propulsora, é a catapulta. Ledo engano. O Estado, quando muito, consegue não atrapalhar. Contudo, quase sempre, cria enormes problemas para o cidadão e lhe retira a liberdade.

Nosso maior inimigo hoje, caro amigo, é o estatismo. Se você entendeu isso, faça um favor para o seu país, o seu estado e a sua cidade. Não vote mais em estatistas. Na falta de liberais em economia, direitistas genuínos e minarquistas, vote nos que menos defendem o estatismo, e os pressione ao máximo para que reduzam o tamanho do Estado. E claro: espalhem essas ideias, pois é isso que fará com que surjam candidatos defendendo um Estado menor. O futuro do Brasil está nas suas mãos. A salvação não vem do Estado, mas da redução dele.
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Notas Importantes (“Post Scriptum”)

1) Usei a palavra cartório, no início do texto, de modo bastante genérico, para me referir não apenas aos cartórios (que, entre outras coisas, abre e reconhece firmas, oficializa contratos e etc.) como à quaisquer centros em que ocorrem registros oficiais, tais como RG, CPF, Certidão de Nascimento, Título de Eleitor, Carteira de Motorista e Registro de Armas. Também incluo no rótulo “cartório” os serviços prestados pela Biblioteca Nacional e o EDA (Escritório de Direitos Autorais). Contudo, embora eu tenha colocado esse ramo de atividade entre os que devem ser geridos pelo Estado, tenho lá minhas dúvidas. Talvez boa parte deles possa ser gerido por empresas privadas ou, pelo menos, concedido à iniciativa privada, cabendo ao governo apenas a fiscalização.

2) Em um Estado mínimo (ou que pretende ser mínimo) as concessões do Estado à iniciativa privada não deverão contar com repasses de verbas públicas do governo às empresas. A empresa concessionária deverá arcar com todos os custos. O governo, no máximo, reduzirá impostos. As concessões seriam um modelo alternativo à privatização quando a atividade em questão possuem natureza monopolista, não possibilitando concorrência direta. É o caso de empresas geradoras de energia, empresas de abastecimento de água, companhias de metrô e trem, canais de TV aberta e etc. Não é necessário que o Estado tome conta dessas atividades. Mas é interessante (pelo menos, do meu ponto de vista) que uma empresa desse tipo possa ser retirada do mercado se os consumidores não aprovarem seus serviços. A concessão, portanto, serviria para fazer o papel de concorrência. Se, transcorrido um determinado período de tempo (dez anos, por exemplo), a empresa concessionária não agradasse, perderia a concessão para outra empresa. Este arranjo retira do Estado a gestão direta e o financiamento, mas garante ao cidadão a possibilidade de mudar de serviço.

3) O Corpo de Bombeiros está incluído entre os militares, mencionados no início do texto, posto que também são militares (pelo menos aqui no Brasil). Mas deve-se ressaltar que em muitas pequenas cidades pelo mundo, a atividade dos Bombeiros é desempenhada por pequenas brigadas de incêndio organizadas pelos próprios moradores da cidade. Talvez isso não seja possível em grandes cidades, mas é uma boa ideia para cidades pequenas. Tira mais uma função das mãos do Estado.

4) O número de cargos de confiança do governo e seus salários, bem como os benefícios dos políticos deve ser algo muito bem controlado, pois um dos modos mais eficientes de o governo aumentar seu poder é utilizando esse recurso. Aliás, em uma minarquia deve haver leis bastante eficientes para evitar a expansão do Estado e os gastos irresponsáveis. Uma proposta interessante, que nos serve de exemplo, é a de impor, legalmente, que políticos e seu pessoal de gabinete só recebam o salário depois que servidores públicos da área da saúde e da educação receberem (ou, depois de pagas as bolsas para essas áreas). Isso obrigará o governo a não gastar irresponsavelmente, caso contrário políticos e seu pessoal de gabinete poderá ficar sem salário. Outra proposta seria a proibição legal de se aumentar salários dos políticos. Os salários deles só poderiam ser reajustados de acordo com a inflação, mas não aumentar.

5) Um verdadeiro federalismo é essencial para o bom funcionamento de uma minarquia. Quanto mais fragmentado for o poder de um Estado, mais difícil é surgir totalitarismo (e, consequentemente, autoritarismo). Além disso, torna o cidadão mais próximo das decisões públicas, pois estas serão tomadas para a (e no âmbito da) região em que o cidadão reside.

Não, a Crise de 1929 não foi causada pelo liberalismo econômico

Este artigo foi publicado no blog “Mundo Analista“. Pode ser lido aqui também.

crise-de-1929Na escola e na faculdade, geralmente aprendemos que a Crise de 1929 foi causada pelo liberalismo econômico extremo (o laissez-faire). A explicação que nos dão é que a economia cresceu tanto que gerou superprodução pelas empresas. Daí sobrava coisa e ninguém comprava. Alguns adicionam na explicação que a produção crescia mais do que os salários das pessoas. Então, elas não podiam comprar.

Aprendemos isso como se fosse a explicação uma explicação perfeita e como se não existisse nenhuma explicação concorrente para ser analisada. Assim pensamos que ela é a verdade e acabou. Mas vamos analisar algumas coisas.

Primeiro: como superprodução pode ser um problema? Se eu tenho uma fabrica e ela produz mais que suficiente, tudo o que eu preciso fazer é produzir menos. Agora, reduzir produção não traz mais dinheiro. Então, é óbvio que a causa da crise não pode ter sido superprodução. A superprodução é um dos efeitos da crise. Mas o que causou a superprodução?

Superprodução pode ser causada por má administração da empresa, ou por queda no poder de compra dos clientes, ou por redução do mercado consumidor, ou ainda, por saturação de um ramo do mercado. O primeiro caso é facilmente resolvido e não explica uma crise generalizada num país. Queda no poder de compra dos clientes e redução do mercado consumidor foram dois fatores que ocorreram justamente dois fatores que ocorreram por causa da crise. A crise levou pessoas a serem demitidas e outras a se endividarem, reduzindo-se o consumo. Então, até aqui ainda estamos tratando dos efeitos da crise e não de sua causa.

O último caso é o da saturação de um ramo do mercado, isto é, muitas empresas disputando num mesmo ramo até o ponto em que não há mais como disputar. A hipótese é que com uma concorrência tão grande, as empresas teriam começado a lucrar menos e falido. Essa opção também não explica a crise. Quando um ramo está saturado, a tendência é que novos empresários não entrem nele, pois sabem que não conseguirão lucrar. Ademais, o natural não é que em um ramo saturado todos os empresários entrem em falência, mas sim os menos aptos a enfrentar a concorrência (que geralmente não são aqueles que já chegaram no topo). E se, porventura, uma empresa do topo não resistir e ir à falência, outra empresa entrará no seu lugar e ela simplesmente sairá do ramo, tornando o mercado menos saturado. A falência de uma grande empresa por perder na concorrência não leva diversas outras grandes empresas (incluindo concorrentes) a falirem, criando uma crise; apenas põe outra em seu lugar. Então, a saturação também não explica a crise de 1929.

Segundo: a explicação da superprodução apresenta algumas inconsistências lógicas. Como explicar que estava tudo bem enquanto se produzia menos, mas quando se passou a produzir mais e se baratear o consumo, as pessoas deixaram de ter condição para comprar? Isso não faz sentido. E como explicar que os maiores empresários de um país, que são aqueles que melhor fazem os investimentos (não é à toa que estão no topo), irão quebrar quase simultaneamente? Como todos erraram tão feio ao mesmo tempo? E logo após um período de muita prosperidade. Não é estranho? Há também uma inconsistência histórica. As primeiras empresas a serem afetadas pela crise não foram as de bens de consumo, mas as indústrias de base. Essas que produzem ferramentas e máquinas para outras empresas. Se o problema tivesse a ver com superprodução, o mais lógico era que as empresas de bem de consumo fossem afetadas primeiro, já que é o setor onde há maior produção.

Felizmente, essa explicação da superprodução não é a única que existe. Ela é apenas uma teoria (bem frágil, como pudemos ver). Outra explicação mais plausível é sustentada pela Escola Austríaca de Economia, tendo expoentes como Ludwig von Mises e Friedrich Hayek. Passo a expô-la agora.

Embora os EUA tivessem a economia muito mais liberal do que hoje em dia, o período de ouro do liberalismo americano não foi nos anos 20. Foi sim no fim do século 19 e início do século 20 até 1913. Em 1913 foi criado do FED (o Banco Central Americano) para regular os bancos. A criação do FED era, em tese, para evitar que os bancos inflassem moedas. Isso acontecia com alguma frequência e por isso muitos bancos iam à falência. O problema é que o FED, tal como todos os Bancos Centrais pelo mundo, acabam servindo como um regulamentador de cartel. Afinal, ele mesmo infla a moeda, mas para todos os bancos, o que evita a falência deles. E para quem isso é bom? Para os bancos e para o governo, pois com a inflação de moeda, as taxas de juros são reduzidas (quanto mais moeda circulando, mais barato ele fica). Com as taxas reduzidas, as empresas pegam mais empréstimos (e empréstimos altos) para seus projetos. E assim a economia cresce, mais empregos são gerados e há mais consumo. Então, é comum que os governos intervenham na economia através dos Bancos Centrais para acelerá-la.

Entretanto, todo crescimento artificial dá problema um dia. A expansão desordenada de crédito e a derrubada artificial de juros não podem continuar para sempre, pois acabarão gerando uma hiperinflação. Essa hiperinflação pode ser evitada, retardada e até maquiada por um tempo quando a economia está muito produtiva e em crescimento. Mas uma hora ela pedirá as contas pela distorção causada pela expansão creditícia. Prevendo isso, o governo americano travou a expansão. É nesse momento que a crise começa. Vamos entender o panorama.

Várias grandes empresas haviam pego empréstimos gigantes para implementar seus projetos, por conta das baixas taxas de juros. Quando o governo trava a expansão de moeda, as taxas de juros começam a subir. Então, em pouco tempo, os empresários se veem impossibilitados de pagar pelos seus empréstimos que pegaram. As primeiras empresas a sofrerem são as indústrias de base, pois seus investimentos são muito mais caros. Sem poder pagar aos bancos, essas empresas começam a demitir funcionários e cortar custos. O crescimento do desemprego reduz o poder de compra dos clientes e o mercado consumidor, criando mais dívidas para as empresas. Entretanto, com o ritmo acelerado de produção das indústrias em geral, da abundância de produtos e da grande concorrência, essas empresas se veem obrigadas a manter os preços baixos. É neste ínterim que os produtos começam a sobrar. Com as empresas sem poderem pagar suas dívidas e muitas indo à falência, os bancos também começam a ficar em situação ruim, já que não estão tendo de volta os seus empréstimos.

A situação piora com o crescimento de cidadãos desempregados querendo pegar o dinheiro que guardavam nos bancos. Aqui abrimos parênteses. Como se reduz a taxa de juros naturalmente? Através da poupança das pessoas. Num período em que as pessoas estão estimuladas a poupar, o banco tem bastante dinheiro. E assim o preço do dinheiro (os juros) se torna mais baixo. Mas quando os juros são baixados artificialmente (através de inflação de moeda), não há poupança suficiente no banco. Então, uma vez que o banco empreste muito dinheiro e os devedores não devolvam, haverá pouco dinheiro para os correntistas. Pois foi isso o que aconteceu. Os correntistas queriam pegar seus valores, mas o banco não tinha como atender a todos, pois não havia poupança suficiente. Os bancos começam, então, a quebrar.

Com a quebra dos bancos, começaram a sofrer com mais intensidade as empresas de bens de consumo e os cidadãos que perderam o dinheiro que tinham nos bancos que faliram. Mas como havia muitas empresas e a economia tinha crescido muito até ali, a produção permaneceu mais alta do que o nível de consumo, desacelerando em um nível sempre mais lento que a capacidade de compra dos clientes. Em outras palavras, as empresas e os clientes quebraram com maior velocidade do que a produção desacelerou. A quebra, como se pode ver, não foi causada pela superprodução. Esta foi um efeito da crise. Tal estado de coisas causou a deflação nos preços.

É interessante comparar a crise americana de 29 com a do Brasil atual. Elas tem a mesma causa. No governo Lula, o crédito foi expandido irresponsavelmente. O breve aceleração econômica conteve o aumento de preços por um tempo, mas logo a a política intervencionista se mostrou danosa. A diferença é está no grau de liberdade economica e competitividade. Como nos EUA de 29 estes eram bem superiores ao Brasil de hoje, o efeito da crise foi superprodução e a consequente deflação de preços. No Brasil, o efeito tem sido a inflação de preços, já que sua pouca liberdade econômica não gerou um cenário competitivo o suficiente para, em uma crise, gerar superprodução. Isso não é, no entanto, um louvor à crise americana. Os efeitos da crise, sejam inflação ou deflação, são ruins do mesmo jeito, pois em ambos os casos o poder de compra do consumidor está afetado, o desemprego cresce e a economia começa a se desacelerar.

A crise de 29 poderia ter sido menos extensa. O problema é que as teorias utilizadas para entendê-la e controlá-la seguiram uma linha de raciocínio baseada nas ideias de Karl Marx e do economista John Maynard Keynes. Nessa linha de raciocínio, os efeitos da crise (superprodução e deflação de preços) foram tomados como suas causas. E o intervencionismo estatal (que causou a crise) foi tomado como uma forma de resolver o problema. A partir de então se disseminou a ideia de que se o governo não intervém, graves crises econômicas podem surgir. No entanto, como vimos, a crise foi causada por conta de intervenções irresponsáveis do governo. E se prolongou por conta das mesmas. O melhor que se poderia ter feito diante daquela crise (e o melhor que se tem a fazer quando há uma crise) é reduzir a intervenção e deixar o mercado voltar ao seu rumo natural.

A lição que a Escola Austríaca nos deixa é que quando você derruba juros artificialmente, através expansão de moeda, você está criando uma economia distorcida, uma economia falsa. Quando você parar de distorcê-la, é a hora do acerto de contas. Ela começará o caminho de retorno. Esse caminho será dolorido, mas é necessário. A economia precisa se tornar real. É aqui que entendemos porque um número tão grande de megaempresas afundaram quase ao mesmo tempo. Elas fizeram projeções de longo prazo baseadas em uma economia falsa. Se planejaram baseados em dados mentirosos. Não tinham como prever que eram mentirosos. Mentiras plantadas pelo governo.

Obs.: Este artigo é um resumo das ideias contidas em um artigo mais antigo: “Como seria um bom governo de direita? – Parte 3“, que fala sobre este e outros temas. Vi a necessidade de fazer um novo texto sobre o assunto, com explicação mais simples, linguagem mais dinâmica e focando apenas na Crise de 1929.

Vamos rir um pouco: um festival de comentários esquerdistas bizarros

debiiiA postagem mais popular que eu já escrevi chama-se “25 personalidades que começaram do zero e se tornaram empresários de sucesso“. Desde que a publiquei até hoje ela já conta com mais de cinquenta mil visualizações. E eu ainda recebo comentários sobre ela periodicamente. Acredito que o sucesso se deve ao fato de que as pessoas costumam a procurar por listas do tipo “top 10”.

O que há nesse texto? Nada de mais. Eu simplesmente reuni 25 pessoas, que encontrei em uma busca rápida no Google, com algo em comum: entraram para o ramo do empreendedorismo, partindo do zero, e se tornaram grandes empresários. Ao fim da lista, fiz algumas reflexões sobre a importância da atividade empreendedora e como uma economia mais livre oferece mais possibilidades de pequenos empreendedores crescerem, mudando sua situação de vida e gerando mais empregos. Uma mensagem simples de entender, não é mesmo?

Não para muitos esquerdistas que entram neste site. Boa parte dos comentários que recebo demonstram que eles tem uma enorme dificuldade de compreensão de texto. E não são poucos os que não conseguem esboçar um argumento racional e reproduzi-lo de maneira educada. Sem capacidade de se portarem como humanos dotados de razão e civilizados, se limitam a expressarem-se da única forma que sabem: com um chororô desgraçado e vários xingamentos. Argumento que é bom… Nada. Resolvi expor a maioria desses comentários aqui para vocês rirem um pouco.

1

Sim, amigos, o dono desse comentário entrou do nada na página e soltou esse comentário aleatório, falando mal do texto com palavreado de baixo nível, e sem oferecer absolutamente nenhum argumento. Em outras palavras: “Não concordo porque não concordo. Você é feio e mal. Buá! Buá!”. Eu respondi no mesmo tom, evidentemente:

2

Luís parece não ter gostado e passou a espernear como uma criancinha emburrada que sabe que está errada:

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Veja como Luís além de ser chorão e não ter capacidade de esboçar argumentos, ainda é dissimulado, cínico e desonesto. Todo está vendo que ele entrou no site apenas para encher o saco e agora tenta virar a situação contra mim, me acusando de ad hominem. Ad hominem é uma falácia que consiste em tentar desqualificar um argumento sem analisar o conteúdo, mas apenas ofendendo o autor. Obviamente, é desonestidade. Ocorre que Luís não ofereceu nenhum argumento para que eu pudesse usar de ad hominem. Eu o chamei de “sem cérebro”, não para tentar desqualificar seus argumentos (pois não havia nenhum!), mas justamente porque ele é claramente incapaz de argumentar. É um fato! Respondi o bebezão:

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Luís não voltou para me responder. Deve ter ido pedir o colinho da mãe. Mas vieram outros. Veja que engraçado:

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Aqui começa o festival de comentários que me acusam de dizer o que eu não falei em nenhum momento. Segundo Dagmar, eu disse que o pobre tem as mesmas chances de crescer na vida que as do rico. Em nenhum momento eu disse isso. A proposta do texto é muito clara: mostrar que é possível um pobre se tornar um rico empresário. Possível não significa “fácil”. E a mera possibilidade não quer dizer que todo mundo que tentar se tornar um rico empresário vai conseguir.

No texto, eu cito três fatores importantes que uma pessoa precisa ter para se tornar um empresário de sucesso: (1) vontade de ser empresário; (2) coragem para ser um empresário; (3) capacidade para ser um empresário. Mesmo que uma pessoa tenha os três fatores, ela pode não conseguir, seja por azar ou porque o seu país apresenta uma economia ferrada que impede o microempresário de crescer. Mas os dois fatos óbvios que o texto demonstra é que existe a possibilidade de um pobre se tornar um grande empresário e que uma economia mais livre facilita isso.Respondi o seguinte:

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Difícil de entender? Para os esquerdistas sim. Aí vai outro imbecil:

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Como sempre, mais choradeira sem argumentos: “Buá, buá!”. Eu respondo o chorão:

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Aí entra outro chorão para ajudá-lo:

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“Toma essa” (que apelido infantil, aliás) diz que o blog é ridículo, mas faz questão de entrar para comentar. Não sei vocês, mas eu não perco o meu tempo entrando em blogs ridículos. E se, por algum motivo, preciso ler algo em um blog ridículo, não perco meu tempo comentado. Mas o “Toma essa” é um bebezão. Não trabalha, só chora na barra da saia da mãe e mama. Então, ele tem tempo de ficar chorando em “blogs ridículos”. Mandei ele para o lugar dele:

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A próxima chorona me causa muita risada. Veja o que ela diz:

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“De 200 milhões de brasileiros você consegue citar quantos nessa lista? 20? E o único negro é americano, olha só…”. Hahahahahahahaha! A Paula quer que eu analise a vida de cada um dos 200 milhões de brasileiros e faça uma lista com todos os empresários do Brasil que começaram do zero. Essa menina é uma comediante! Mas vamos à resposta:

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Mais claro que isso impossível, né? Não para os esquerdistas. Eis que me aparece outro, fazendo uma “parede de texto”, me acusando das mesmas coisas, além de dizer outras tantas tolices. Vou expor por partes:

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Jorge é igual a Paula. Ele acha que eu sou um órgão oficial de pesquisa e que minha obrigação é consultar todos os brasileiros e escrever um texto com todos os casos de pessoas pobres que se tornaram empresários de sucesso. Ele também exige que eu escreva com o rigor de uma tese de doutorado, quando a proposta do texto é claramente ser uma lista simples com as histórias de personalidades conhecidas. Quer dizer, o Jorge e a Paula devem ser drogados. Só pode!

Não satisfeito, Jorge me acusa de não aceitar bem as opiniões divergentes das minhas. Que opiniões? Os xingamentos gratuitos sem argumentos? O chororô histérico da esquerda? Ele quer que eu trate essas opiniões como expressões máximas de inteligência, honestidade e educação? Rapaz, “ó as ideia…”.

Ele continua:

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“O problema é que segundo o seu ponto de vista, só faz sucesso na vida quem faz fortuna”. Meu Deus! Em que lugar eu disse isso? A proposta do texto é mostrar pessoas que se tornaram empresárias e não pessoas que obtiveram sucesso na vida. Mas que dificuldade de interpretação!

Com relação aos nomes que eu não citei, torno a dizer: que insistência em querer que eu faça o trabalho de um IBGE da vida! Bom, se ele quiser me dar dinheiro para isso, eu até faço. 😉

Não satisfeito, o cara retorna depois:

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Figuraça! Começa pedindo desculpas e depois volta a detonar o texto. Coerência pra quê, né? Mas vamos lá. Há um ditado que diz: “Muito ajuda quem não atrapalha”. Se o governo abaixa o valor dos impostos, deixa de atrapalhar os empresários, portanto, ajudando-os. Isso inclui os pequenos empresários. Não vejo mal nisso. Na verdade, é o que eu defendo no texto: um governo que deixe os empresários empreenderem seus negócios sem altos impostos e grandes burocracias. Por que? Porque isso gera mais empregos.

Outra coisa: que história é essa de dinheiro do governo? O governo não tem dinheiro. O dinheiro do governo é o dinheiro dos nossos impostos (o que inclui os impostos que as empresas pagam). Quando o governo reduz impostos, não está doando dinheiro. Está nos devolvendo.

Se a crítica do Jorge se refere aos empréstimos do BNDES, eu me pergunto: não é para isso que serve o BNDES? Tudo bem que, como direitista, creio que seria melhor o governo não ter um banco estatal emprestando dinheiro para grandes empresas. Isso poderia ser feito por bancos privados. Mas o BNDES existe. E ele existe para isso. Não há ilegalidade ou imoralidade aqui.

Tive que responder o Jorge, né…? Mas eu estava com uma inacreditável paciência nesse dia:

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Esse próximo é muito comédia também. Olha o que ele diz:

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Hahahahahahahahahhaha! Os caras quase se debulham em lágrimas aqui dizendo que eu esqueci de colocar outros nomes de empresários que começaram do zero e que eu não pesquisei a vida de 200 milhões de brasileiros, e o Sr. Piropo acha que eu é que estou chorando. Crackudo!

Mas eu sou mesmo um rapaz muito educado. Respondi o “noiado” nos seguintes termos:

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Outro lesado veio dizer o seguinte:

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O Thales é outro que leu meu texto e entendeu o seguinte: “Qualquer pessoa, independentemente de querer, ter coragem e ter capacidade de ser empresário, vai se tornar um empresário muito rico se trabalhar bastante”. Mas veja: isso é coisa da cabeça desmiolada dele. Eu não disse nada disso.

Depois de viajar na maionese, ele solta uma frase bastante “imtelequetoal”: “A história é manipulada, mas todos aí tiveram um diferencial que não é citado”. Nossa, cara… Até me emocionei aqui. Que profundidade! Só que não. Dei uma resposta sucinta ao amiguinho teórico da conspiração:

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Acho que o Thales ficou com preguiça de pesquisar, porque ele não voltou com as “descobertas bombásticas” que eu esperava.

O texto não teve apenas comentários desfavoráveis, claro. Na verdade, a maioria das pessoas elogiou a postagem. Uma delas foi a leitora Amália. Vou expor o comentário dela porque um esquerdista de nome Inácio a respondeu. Veja o comentário dela e a resposta idiota dele:

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A droga que essa galera está tomando é muito forte, manolo. Na moral. Da onde esse cara tirou que é fácil se tornar milionário? Mas vamos à resposta:

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A simplicidade disso é tão grande que eu me impressiono de ter que explicar isso para essa galera. E muitos me consideram paciente demais. Veja o comentário de um leitor de direita:

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Pois é, Gerzon. Haja paciência! Eu poderia mandar toda essa galera tomar naquele lugar. Mas isso seria muito deselegante.

A saga continua. Lembra do Luís? Ele volta, agora para atazanar a vida dos leitores que gostaram do texto. Mas acaba tomando uma “Turn down for what”.

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É engraçado essa galera de esquerda falar em “lixo de autoajuda”, já que eles vivem dia e noite pregando que as “classes oprimidas” precisam lutar contra as “classes opressoras”, e que a culpa das crueldades do mundo não é do ser humano, mas da classe dominante. Essa filosofia barata de homem bom/luta de classes é feita para quem quer mudar o mundo, mas não quer mudar a si mesmo. Ela diz para os esquerdistas: “Você é bom. Seus companheiros esquerdistas são bons. Não se culpe por nada. Culpe as outras classes”. Enfim… Valeu Raynara por mostrar ao Luís como se expressa uma opinião de maneira decente!

Eu termino a exposição por aqui. Espero que tenham se divertido bastante.

P.S.: Vou colocar essa postagem fixada lá no post original, para servir de aviso aos próximos esquerdistas que quiserem falar besteira por aqui.

Do desenvolvimento histórico da corrupção brasileira e o seu remédio

Este texto foi publicado originalmente no blog “Mundo analista“. Para ler o texto original, clique aqui.

Corrupção no Brasil

Por que o Brasil é tão corrupto e como podemos reduzir isso? Segue uma breve análise sobre a questão.

Para começar, devemos entender que a corrupção está no ser humano. Por isso, todas as sociedades do mundo são corruptas (e sempre serão). Entretanto, algumas sociedades são mais corruptas que outras? Por que? Porque o nível de corrupção em uma sociedade depende de alguns fatores externos.

Dito isso, podemos agora mencionar brevemente alguns fatores que levaram a sociedade brasileira a se tornar muito corrupta. O problema começa quando o Brasil era ainda colônia de Portugal. Em suas primeiras décadas, estas terras serviram como uma espécie de lixão humano. Para aqui Portugal enviava gente da pior espécie, criminosos, exploradores corruptos e etc. Essa galera fincou o pé aqui e deu inicio à cultura da malandragem, da exploração, da baixeza e do crime.

Falando em exploração, ressalta-se que não fomos uma colônia de ocupação, como foi o caso dos EUA. Os que para cá vieram, não queriam formar um novo país, com ideais de justiça e liberdade. Antes, queriam explorar sem qualquer intenção de fazer destas terras um país.

Some-se aos fatos já citados o nosso clima predominantemente quente. O calor altera os ânimos, destrói formalidades, tira-nos de casa, põe-nos mais em contato com a rua, diminui as roupas, atiça à sexualidade, impele à explosão, intensifica os gestos, aumenta o tom de voz, reduz o contato com a leitura. Tais fatores gerados criam um ambiente mais propenso ao desenvolvimento de malandragens, pequenos desvios de ética, ultrapassagem de limites, gradual quebra de valores e etc. O frio, ao contrário, tende a desenvolver maior formalidade, o que acaba por fortalecer a educação e os limites. O frio também tende a manter as pessoas mais dentro de casa, fortalecendo hábitos mais calmos e cultos (como o da leitura), dificultando a intimidade com estranhos e desenvolvendo os laços familiares.

Os fatores que intensificaram a corrupção no Brasil não acabam por aí. O Brasil não só foi uma colônia de exploração, como posteriormente passaria a ser alvo de disputas entre exploradores estrangeiros, o que só fez aumentar o número de gente de mal caráter por essas bandas e a cultura da disputa.

Sem um sentimento de nação, mas sendo apenas um enorme pedaço de terra sendo explorado e disputado, o Brasil continuou sem direção e com o povo totalmente alheio ao governo. Nossa independência foi conquistada por um português, sem qualquer iniciativa popular. E posteriormente nosso império seria derrubado por um golpe, também sem que o povo tomasse parte.

Voltamos à cultura para ressaltar que o Brasil desde sempre não se guiou por fortes princípios religiosos. Sofrendo um forte sincretismo, bem como um desleixo formado pela reunião de fatores já citados como a informalidade, a malandragem, a ganância dos exploradores, a sensualidade, o pouco valor dado à leitura, o desembaraço em ultrapassar limites, cometer pequenos desvios de ética e etc., deram à religiosidade brasileira uma superficialidade preocupante. Isso só fez prejudicar mais os valores, o que, por sua vez, fortaleceu os fatores anteriores.

Embora todos esses fatores tenham colaborado para fomentar uma sociedade injusta e corrupta, desde as camadas mais pobres às mais ricas, esta sociedade poderia ter sido amplamente regenerada se nossos políticos e intelectuais tivessem se prontificado a criar um Estado enxuto, de poder limitado, que permitisse uma economia mais livre, incentivasse a iniciativa privada e a industrialização, e se preocupasse em fazer cumprir leis rígidas que protegessem o cidadão honesto.

Isto levaria a sociedade brasileira a entrar nos eixos gradualmente, pois o autoritarismo e os golpes deixariam de fazer parte da cultura, o empreendedorismo traria desenvolvimento, o desenvolvimento traria instrução, as leis rígidas trariam ordem, a ordem e a instrução criariam certos limites sociais, os limites sociais reformulariam o respeito, que passaria a ser melhor ensinado dentro das casas e inverteria o processo, levando os próprios cidadãos a moralizarem a sociedade e serem juiz de seus políticos. Obviamente, é um processo que levaria décadas, mas ocorreria.

Mas, para infelicidade geral da nação, desde sempre tivemos políticos e intelectuais defensores de um Estado forte e centralizado, e sem visão alguma no que diz respeito à industrialização e a economia liberal.

Nossa Odisseia, então, continuou com dois impérios que pouco fizeram pela economia e pela indústria, deixando-nos à mercê de um sistema econômico quase feudal. Como se já não fosse pouco, nossa escravidão durou séculos, ajudando a consolidar esse modelo econômico baseado em fazendas e grandes fazendeiros, não deixando espaço para a indústria e arrancando da vida econômica uma parcela enorme da sociedade (os escravos).

A escravidão posteriormente ajudaria a criar um grande número de pessoas pobres e ressentidas, que ao deixarem seu estado de escravidão, não tinham instrução, moradia, dinheiro e tampouco uma sociedade economicamente saudável. Tal fato teria também seu peso na formação de alguns indivíduos que justificariam pequenos crimes em função de sua condição (e embora não se possa dizer jamais que estes seriam maioria, o mal requer muito menos pessoas para disseminá-lo do que o bem).

Então, chegamos à nossa república, que se inicia, como já dito, sem qualquer participação popular e sem qualquer consulta. Ela se inicia já com proto-ditadores militares que se guiavam pelo positivismo. Com isto, nossos primeiros republicanos estabeleceram como cláusula pétrea de nossa cultura política, ideias como o Estado forte, o autoritarismo governamental, os “jeitinhos” e os golpes.

A monarquia caiu, mas nada mudou economicamente. Continuamos sem industrialização e fortemente controlados por fazendeiros. Estes se tornaram poderosos na política, não apenas localmente, mas a nível nacional. Como a concorrência entre fazendeiros conta com bem menos gente que a concorrência entre empresários, e um sistema baseado em fazendeiros não oferece praticamente nenhuma chance de indivíduos pobres se tornarem grandes, a república se fixou como propriedade de algumas poucas famílias.

Isso nos levou a consolidar um sistema “republicano” porco, de cartas marcadas, no qual, mais uma vez, o povo não tinha qualquer participação. Este republicanismo barato e corrupto, obviamente não conseguiria servir de exemplo para o seu povo, tampouco ter alguma influencia em sua moralização. E assim o povo se acostumou a ser corrupto também.

Então, apareceu no cenário político nacional o grane Getúlio Vargas. Ele era grande porque sabia tirar proveito de nossa cultura corrupta e autoritária para estender o seu poder. E o fez de modo magistral, aproximando-se do povo, usando de carisma e, sobretudo, usando o Estado para industrializar o Brasil. Este último ponto foi, de fato, a jogada mais perfeita que um ditador poderia ter feito. Ele fez algo que deveria ter sido feito (a industrialização), mas da maneira que não deveria ter sido feita (através do Estado). Mas fez. E assim centralizou também o poder econômico, trazendo para si, como um ímã faz com o metal, todo o autoritarismo de que precisava para estender o seu governo.

Vargas personalizou o autoritarismo brasileiro e deu ao Estado o gosto de controlar de modo mais intenso a economia. O Brasil, com um histórico de governo e população altamente corruptos, agora começava dar largos passos para os ideais de Estado-empresário e da justiça social feita através da forte intervenção governamental. Isso significava mais impostos cobrados dos cidadãos, mais dinheiro nas mãos do governo e mais setores estatais, o que, sabemos, queria dizer: mais corrupção, mais desvio de verbas, mais autoritarismo e expansão da máquina estatal.

Nossa república falsa e nossa economia capenga alimentam os ideias comunistas. E como já tínhamos desde sempre também a cultura do golpe, logo o cenário político nacional se enche de diversos grupos golpistas, uns comunistas, outros fascistas, outros integralistas, mas todos com uma proposta comum: manter o Estado gigante, interventor e autoritário. A diferença estava só no grupo beneficiado.

A cultura do golpe e do governo interventor e autoritário tornou cada vez mais raro qualquer pensamento de Estado limitado. O povo, os políticos e os intelectuais se acostumaram aos fatores que só faziam concretizar a corrupção e o autoritarismo.

Em meio a essa babilônia intervencionista, o perigo de que o Brasil desse mais um passo, dessa vez sem volta, para o comunismo, levou a uma intervenção militar. Mas o que era para ser apenas uma intervenção, tornou-se um regime. E como era de se esperar, esse regime continuou a conservar o autoritarismo e o Estado gigante. Não só conservou, mas aumentou. O estado criou estatais e mais estatais, aumentou a inflação e sufocou as esperanças de um país mais saudável economicamente.

O regime militar termina e finalmente criamos uma república democrática. Poderes divididos, presidente limitado, golpes desvalorizados. Mas a Odisseia brasileira continua, porque a esquerda inicia um combate intenso para conservar nessa nova república as antigas culturas políticas do Estado gigantesco, do intervencionismo estatal e da economia engessada. Seu maquiavélico plano não para no nível econômico, mas se espalha para o nível civil/penal, tornando as leis frágeis e tornando a conduta criminosa ainda mais fácil de se manter. E como se isso já não fosse pouco, ela dá prosseguimento a seu ideal de destruir os pouco de valores culturais, espirituais, morais e éticos que o Brasil tem, incentivando a libertinagem, o menosprezo à religião, o preconceito entre classes sociais, gêneros, etnias e cores.

Quase todos os fatores que foram (e são) a base para que a corrupção brasileira se tornasse tão grave, tem sido apregoados, estimulados e intensificados pela esquerda.

Como mudar isso?

Votando em pessoas que irão atacar esses fatores, limitando o Estado, tornando-o menor, liberalizando a economia e intensificando as leis civis/penais, de modo a proteger o cidadão honesto e valorizar o respeito às leis.

Agora que vocês já sabem, a mudança está em suas mãos.