Quem irá ganhar a Casa Branca?

Foram meses e meses de primárias, debates e campanha, mas agora faltam apenas 3 dias para a eleição presidencial Americana. O último capítulo dessa disputa começara a ser escrito na terça-feira, ainda sobre os efeitos do furacão Sandy, que fez a campanha presidencial entrar num stand by durante a semana.

É difícil fazer uma previsão a respeito do resultado, mas vou dar um palpite de acordo com o que eu tenho visto na imprensa americana:

Se olharmos as pesquisas a nível nacional, elas apontam um empate técnico, a média realiza pelo site RealClearPolitics.com, mostra Barack Obama 47,4% e Mitt Romney com 47,3%, porém vamos focar nos dois institutos que previram o resultado de 2008 com mais de 90% de acerto, São eles a Rasmussen Reports e a Gallup. Na Gallup, Romney e Obama aparecem empatados entre os eleitores registrados, 48% a 48%, mas nos likely voters, Romney lidera com 51% contra 46% de Obama e na ultima pesquisa da Rasmussen feita hoje, os dois candidatos estão empatados com 48% cada, no entanto Romney esteve à frente durante as duas últimas semanas com vantagem que variou entre 2 a 4% de vantagem em relação ao democrata.

O que realmente importa são os votos do Colégio Eleitoral e não os diretos, sendo assim, é possível um candidato ter a maioria dos votos diretos, mas perder no Colégio Eleitoral. A Rasmussen Reports também realiza pesquisas, quase que diárias, nos estados que ainda estão em aberto, até o momento são 8 estados onde os dois candidatos podem vencer, sendo eles: Nevada, Colorado, Ohio, Iowa, Wisconsin, Florida, Virginia e New Hampshire.

Pesquisa da Rasmussen por estado:

                      Romney        Obama

Nevada            48%               50%

Colorado          50%               47%

Florida             50%               48%

Virginia            50%               47%

Iowa                49%                48%

Wisconsin        49%               49%

Ohio                 49%               49%

N.Hampshire    50%               48%

Agora vamos fazer uma simulação se baseado nos resultados a cima

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Romney estaria liderando com 277 delegados contra 261 de Obama e restaria apenas 28 delegados em aberto (18 de Ohio e 10 de Wisconsin). Para o democrata se manter na Casa Branca, ele precisaria vencer no Wisconsin e em Ohio, já republicano precisa apenas vencer em Ohio para ser o quadragésimo quinto presidente americano

Uma pesquisa realizada pela Gallup com as pessoas que votaram antecipadamente (isso é possível em alguns americanos) traz uma má notícia para Obama, seu rival lidera com 52% contra 45% ao seu favor. A más notícias para Obama não param por ai, Romney também lidera entre os independentes, no Wisconsin a militância republicana está muito empolgada e os Favorable Ratings do RealClearPolitics,com dá vantagem ao republicano.

Enfim se eu tivesse que apostar num candidato, esse candidato seria o Romney, desde quando venceu o primeiro debate, o republicano conseguiu empolgar aqueles que já tendiam a votar nele e atraiu boa parte dos indecisos. Os eleitores republicanos estão mais empolgados para votar do que os democratas, diferente de 2008, onde eram os democratas que estavam mais empolgados para ir às urnas e numa eleição acirrada são esses pequenos fatores que podem decidir. Obama até pode ganhar, mas será com uma vantagem bem menor que 2008.

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Romney leva o primeiro ‘round’

No primeiro debate presidencial realizado ontem em Denver no Colorado (um swing state), Mitt Romney saiu na frente vencendo o primeiro ‘round’ de debates.

O debate era sobre política interna, logo as questões econômicas, sociais e de dependência energética foram às principais pautas. Ambos os candidatos fizeram questão de mostrar que eles têm visões diferentes, Romney defende um mercado mais livre, menos impostos, diminuição do déficit e condena o Obamacare (direita), enquanto Obama defende um Estado intervencionista, aumento de impostos para os mais ricos e manutenção do plano de saúde público (esquerda).

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“Você foi presidente durante 4 anos. Você disse que iria cortar o déficit pela metade. Agora 4 anos depois, nós continuamos tendo um déficit de trilhões de dólares” Mitt Romney

Ao contrário do que muitos analistas previam, Romney se mostrou confiante, com uma postura de presidente e não cometeu nenhuma gafe, pelo contrário, falou com propriedade, manteve um bom humor e o principal, foi convincente. Já Obama se demonstrou desconfortável, talvez pelo fato de ser uma situação nova para ele, em 2008 era democrata quem questionava a administração republicana, agora quem é questionado e cobrado pela fraca recuperação econômica é ele. Em alguns momentos enquanto Romney falava, Obama abaixava a cabeça, às vezes, dava impressão que o atual presidente era uma criança sendo repreendida pelo professor, que no caso seria o republicano.

Houve vários pontos que me chamaram atenção, porém quando o democrata citou Abraham Lincoln para justificar pontos socialsitas de sua agenda,  o ex-governador respondeu apontando para cenário ao fundo (onde havia trechos da constituição americana escrito) e comentou qual era o verdadeiro papel do Estado americano segundo a constituição e declaração de independência do país.

Foi consenso da mídia americana apôs o debate, que o Mitt Romney saiu vencedor, até a MSNBC (um dos veículos mais pró-democratas no país) admitiu que o republicano foi melhor. Não só a mídia que apontou o republicano como vencedor, uma pesquisa realizada pela CNN também que para 67% dos americanos Romney saiu vencedor contra apenas 25% que acharam o Obama melhor. Se houve um candidato ontem à noite, com a postura de quem quer ganhar a eleição, esse candidato foi o Romney.

O próximo ‘round’ dessa disputa irá acontecer Hempstead, Nova York no dia 16 de Outubro.

Obs: A pesquisa feita pela CNN foi feita com uma amostra composta de 37% democratas e 33% republicanos. Se formos levar em conta uma pesquisa feita pela Rasmussen Reports no mês passado, essa amostra deveria ser diferente, pois segundo o instituto o número de pessoas que se consideram republicanos nos EUA é de 37% contra 32% a 33% de democratas.

Ron Paul deixa a disputa pela nomeação do G.O.P

Ron Paul terminou hoje sua campanha deixando o caminho livre para Mitt Romney, mas pediu para que seus partidários continuem se envolvendo com a política e defendam suas causas.

No email que Ron enviou aos seus apoiadores em um trecho ele diz “Fazer com que essa campanha tenha qualquer esperança de sucesso gastaria muitas dezenas de milhões de dólares que simplesmente não há. Eu encorajo todos os partidários da liberdade para se certificar de que faça suas vozes serem ouvidas nas urnas, particularmente em nível local, estadual e nas eleições para o congresso, onde tantos defensores da liberdade estão lutando e necessário o seu apoio…” ·.

O veterano Ron Paul conseguiu atrair o apoio dos mais novos e se mostrou um candidato a frente do nosso tempo

Ron Paul provavelmente não irá endossar a campanha de Romney, que agora é o único pré-candidato republicano na disputa e o mais próximo de conseguir o número necessário de delegados, ele já tem 973 e pode conseguir os 1.144 delegados ainda nesse mês.

Democracia a la russa

Pelo andar da apuração, Vladimir Putin deve vencer a eleição presidencial na Rússia e voltar ao Kremlin. Porém, essas eleições ficam marcadas pelas inúmeras denúncias de fraude: segundo a agência de observação eleitoral, Golos, houveram mais de mil denúncias de fraude na eleição. Conhecida como “voto carrossel”, essa fraude consiste em eleitores que são levados de ônibus em vários postos de votação. Isso acontece porque o sistema eleitoral russo permite ao eleitor votar em qualquer seção e não existe um controle, logo acaba sendo possível votar mais de uma vez e assim fraudar eleições.

Putin durante a votação

Mesmo com as denúncias de fraude, Vladimir Putin tem uma popularidade alta e era apontado como favorito nas pesquisas. Porém, é complicado para um país que busca ser democrático ter um sistema eleitoral tão vulnerável e pouca diversidade ideológica (certo que no Brasil não estamos muito diferente dos russos no aspecto partidário). Aos poucos, a Rússia volta aos seus tempos de comunismo onde não se tinha democracia, e sob a regência do “Czar” Vladimir Putin.

Maiores informações: http://g1.globo.com/mundo/noticia/2012/03/eleicoes-presidenciais-na-russia-tem-registros-de-fraude-diz-agencia.html

Primárias Republicanas

Mitt Romney vence na Flórida, quarto estado americano a realizar prévias. Conquista mais 50 delegados e fica mais perto da nomeação.

Resultado:
Romney– 46%
Gingrich- 32%
Santorum- 13%
Ron Paul– 7%

Mitt Romney, mais perto da nomeação como opositor de Obama nas próximas eleições.

Resumo da ópera
Apôs contra-atacar Newt Gingrich (que nas primárias da Carolina do Sul partiu para ataques pessoais contra Romney), Romney cresceu de forma rápida nas pesquisas e isso acabou consolidando sua vitória na Flórida. Um fator interessante é que Romney teve uma grande aceitação entre os latinos e as mulheres (principalmente entre as casadas, talvez pelo comportamento de Gingrich com sua ex-mulher). Já os Tea Partiers  ficam entrem Gingrich e Romney, mas Romney vence nesse grupo também.

Newt Gingrich segue confiante.

Newt Gingrich pelo jeito não vai largar o osso e após o resultado fez um discurso dizendo que ainda tem mais 46 estados, e que o mais importante é vencer Obama e os americanos deveriam confiar nele. Por último, disse que essa eleição de 2012 é a eleição mais importante da história dos EUA. Romney comemorou o resultado e não fugiu muito do que é praxe, mas discursou com uma postura firme de quem busca enfrenta e derrotar Obama. Rick Santorum lamentou não ter os mesmos recursos financeiros que seus rivais, no entando,  assim como Gingrich, disse que o mais importante é vencer Obama. O veterano Ron Paul parabenizou Romney pela sólida vitória, mas lembrou que ainda está na disputa e disse ‘If Enthusiasm Wins Elections, We Win Hands Down’ mostrando ainda estar esperançoso com a nomeação, mesmo improvável.

Ron Paul também segue firme.

Sensação que fica
O orgulho de Newt Gingrich não o deixa desistir, mas GOP mostra que está disposto a ganhar essa eleição, mesmo que voto a voto, isso traduz a atual situação dos EUA: economia parada, altos índices de desemprego e um governo que se mostrou incompetente em cumprir suas promessas de campanha e que ainda joga uns setores da população contra outros setores, num momento onde a união de todos é necessária.

Voto Obrigatório

Pagar impostos me dá o direito de utilizar o SUS, mas não me obriga. O mesmo vale para a educação pública, para a biblioteca pública, para os bancos do governo. E por aí vai. Mas existe no Brasil um “direito” curioso, que é o direito ao voto. Diferente dos primeiros citados, que criam uma obrigação por parte do Estado de fornecer um serviço, o “direito” ao voto cria também uma obrigação ao cidadão de se tornar eleitor. Deixa de ser um direito, torna-se uma imposição. Uma agressão à liberdade, um dos mais caros direitos civis. Um dos mais importantes institutos da civilização ocidental.

Por conta dessa intromissão do Estado em nossa liberdade, surgiu um fenômeno lamentável: o suposto “voto de protesto”. Palhaçada. Piada contada por centenas de milhares de palhaços que contribuiram à eleição de Tiririca, Popó, et caterva. Afinal de contas, “Pior que tá, não fica”, não é mesmo?

A obrigatoriedade do voto, a meu ver, busca criar certa consciência cívica na população. Besteira. Essa consciência deve ser construída sobre o respeito que a instituição eleitoral deve conquistar, através da idoneidade e alinhamento ideológico claro dos partidos políticos. Na prática, impor o voto apenas obriga a população a escolher o menos pior. Ou perder tempo indo às urnas para votar em branco e ser excluído do processo, já que esses não são incluídos na contagem, então é como se a pessoa não tivesse votado.

Infelizmente o brasileiro não se importa com seus direitos civis. Tendo comida na mesa e um futebol no fim de semana, a liberdade passa a ser apenas uma questão banal, um instituto piegas, um substantivo bonito para preencher discursos. Prova disso são os constantes projetos de censura por parte do PT: Poucos conhecem, e desses alguns apoiam. Liberdade de expressão para que? Aliás, liberdade para que? Se nenhum dos políticos te agrada, vote mesmo assim!

Já passou da hora de o Brasil amadurecer nesse sentido. A população é tratada como uma criança que não sabe fazer escolhas, por isso deve ser obrigada a certas coisas. Mas na hora de legitimar essa corja que está no poder, logo a opinião dessa criança vale muito. Não ao voto obrigatório. Palhaçada, a partir de hoje, apenas no picadeiro. Nunca nas urnas.